ISSN 1678-0701
Número 66, Ano XVII.
Dezembro/2018-Fevereiro/2019.
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Relatos de Experiências

04/12/2018AVIFAUNA DA FUNDAÇÃO EZEQUIEL DIAS (FUNED), BELO HORIZONTE, MG E A PROPOSTA DE UM PAISAGISMO SUSTENTÁVEL  
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AVIFAUNA DA FUNDAÇÃO EZEQUIEL DIAS (FUNED),

BELO HORIZONTE, MG E A PROPOSTA DE UM PAISAGISMO SUSTENTÁVEL

Bruna Corrêa Martinez 1, Beatriz Gherard Machado 1, Ricardo Maciel 2, Marcos Paulo Gomes Mol 3



1 – Graduandas de Ciências Biológicas da Pontifícia Universidade Católica/Bolsistas de Iniciação Científica Fundação Ezequiel Dias/Unidade de Gestão Ambiental pela Fapemig. E-mail: bruna.martinezbio@gmail.com e biagm93@gmail.com

2 – Biólogo e Gestor Ambiental – Fundação Ezequiel Dias/Unidade de Gestão Ambiental. E-mail: macielrd@yahoo.com.br

3 – Pesquisador da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento – Fundação Ezequiel Dias/Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento. E-mail: marcos.mol@funed.mg.gov.br

RESUMO

O propósito desse estudo foi inventariar a avifauna da Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, Minas Gerais, e relacionar a comunidade de aves com o projeto de paisagismo da instituição, destacando a educação ambiental como ferramenta de estudo, evidenciando a importância da arborização para a avifauna urbana. O levantamento e monitoramento da avifauna foi realizado entre novembro de 2013 a outubro de 2014, totalizando 76 horas amostrais. Foram registradas 61 espécies, sendo Tyrannidae a família com maior riqueza. A curva acumulativa de espécies segundo Mau Tao aproximando-se da distribuição assintótica foi obtida. Em relação ao levantamento botânico, foram registradas 53 espécies, que incluem espécies nativas e exóticas, de hábito arbustivo e arbóreo.

Palavras-chave: Avifauna, paisagismo, ecologia urbana, FUNED.

ABSTRACT

This study did the inventory of avifauna around Ezequiel Dias Foundation in Belo Horizonte, Minas Gerais, and association of the bird communities with the landscaping project of the institution, suggesting the importance of afforestation for the urban avifauna. The survey and avifauna monitoring was carried out between November 2013 and October 2014, totaling 76 sample hours. A total of 61 species were recorded, Tyrannidae being the most wealthy family. The cumulative curve of species according to Mau Tao approaching the asymptotic distribution was obtained. In relation to the botanical survey, 53 species were recorded, including native and exotic species, with bushy and arboreal habit.

Key words: Avifauna, landscaping, urban ecology, FUNED.

Introdução

O ambiente urbano é o resultado da interação de fatores ambientais, biológicos e socioeconômicos onde o meio antropizado predomina sobre o meio natural, causando profundas alterações sobre os seres e sobre o próprio meio. O processo de urbanização modifica a estrutura física e biótica do meio, sendo um dos resultados da antropização a fragmentação do ambiente (BRUN; LINK & BRUN, 2007). Tal fragmentação de habitats proporciona a dispersão de diversas espécies de animais para os ambientes antrópicos, afetando em especial as aves (FRANCHIN & MARÇAL JUNIOR, 2004).

Em função das alterações ambientais, muitos animais acabam buscando refúgio em parques, hortos, praças e outras áreas arborizadas do ambiente urbano. Algumas espécies da avifauna brasileira têm se tornado comuns em ambientes modificados em função dessa pressão antrópica (FRANCHIN & MARÇAL JUNIOR, 2004). Projetos adequados de arborização urbana podem garantir a integração de áreas verdes, contribuir para a manutenção das características climáticas e ambientais originais, além de fornecer recursos para a fauna (BRUN; LINK & BRUN, 2007).

No entanto, as áreas verdes e a arborização em centros urbanos geralmente são planejadas levando em consideração exclusivamente o fator estético, priorizando a utilização de espécies exóticas. Santos e Rosa (2013) destacam que em ambientes urbanos, é muito comum a homogeneização biótica com uma fauna caracterizada por poucas espécies com altas densidades, favorecendo espécies generalistas. A maioria das espécies botânicas utilizadas na arborização urbana não oferece recursos alimentares para a manutenção de espécies da fauna que apresentam uma exigência alimentar mais complexa. Uma arborização bem planejada, além de fornecer alimento para a avifauna, pode oferecer abrigo e locais para nidificação. Essa arborização deve apresentar características atrativas como disponibilidade de néctar, frutos e sementes comestíveis, ou características que atraiam insetos que podem ser consumidos pelas aves (SANTOS E ROSA, 2013).

Além disso, Teixeira e Frenedozo (2017) reforçam que a observação de aves tem grande potencial para ser utilizada como uma ferramenta didática no contexto da Educação Ambiental, favorecendo o ensino de ciências. Os autores salientam que o “Ensino de Ciências através da observação de aves demonstrou que a interação dos estudantes com o meio ambiente desperta interesse, possibilitando mais significado ao processo de ensino/aprendizagem, pois a aplicação prática da ciência desenvolve no aluno o sentimento de pertencimento ao ambiente em que está inserido, e agrega valores da aprendizagem à sua vida cotidiana”.

Portanto, este trabalho teve como objetivo identificar as espécies de aves existentes no entorno da Fundação Ezequiel Dias e relacionar a presença dessas aves com o projeto de paisagismo e a arborização da instituição, sugerindo as espécies botânicas mais atrativas a essas aves. Também foi verificado o potencial desta atividade no favorecimento do processo de Educação Ambiental da instituição.

Material e Métodos

Área de estudo

Este trabalho foi realizado na Fundação Ezequiel Dias, localizada na região oeste de Belo Horizonte, Minas Gerais. A cidade apresenta clima do tipo Cwa, segundo a classificação climática de Köpper-Geiger, caracterizado como clima tropical de altitude, com inverno seco e verão úmido (KÖPPER, 2018). As temperaturas médias anuais são superiores a 18°C e o índice pluviométrico médio anual é de 577 mm.

A área em que o estudo foi realizado é de aproximadamente 44.000 m², cercada por avenidas, pela Estrada de Ferro Vitória-Minas e trilhos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos. Na região existem ainda algumas áreas residenciais, comerciais, e alguns fragmentos arborizados como o Hospital Galba Velloso, a Escola Estadual Leon Renault, o Parque de Exposições da Gameleira e o Campus da Pontifícia Universidade Católica, conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1: Localização da Fundação Ezequiel Dias (fonte: GoogleMaps).

A arborização da Fundação Ezequiel Dias é composta principalmente por espécies exóticas, incluindo espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas. Desde 2007, foi iniciado um projeto de paisagismo e revitalização, com a criação de diversos jardins.

Metodologia

O estudo foi realizado entre novembro de 2013 a outubro de 2014, com amostragens semanais, totalizando aproximadamente 76 horas de observações. Os registros foram obtidos através de visualizações com o auxílio de binóculo (65x42 WA) e/ou identificação de vocalizações. A lista de espécies foi baseada em Sick (1997). As observações foram realizadas no período da manhã, entre 06h20min e 8:00, período de maior atividade das aves. Foi utilizado o método de pontos fixos, totalizando cinco pontos amostrais, com observações de 10 minutos de duração em cada ponto. Este método consiste na escolha de um ponto onde o observador permanece imóvel por tempo pré-determinado, registrando todas as espécies observadas ou identificadas por vocalizações. Foram registradas todas as espécies ouvidas e visualizadas, incluindo ainda os indivíduos que sobrevoavam a área.

A curva acumulativa de espécies foi elaborada segundo o método de Mau Tao. A frequência de ocorrência (FO) foi calculada a partir da razão do número de dias amostrados em que a espécie foi registrada pelo total de dias amostrados (76). As espécies foram classificadas nas seguintes categorias de ocupação:

  • (R) residentes (FO>0,60);

  • (P) prováveis residentes (0,60 >FO>, 0,15);

  • (O) ocasionais e/ou sobrevoantes (FO<0,15).

A definição dos hábitos alimentares foi feita baseada em Sick (2001), classificando-se em: insetívoros (INS), frugívoros (FRU), nectarívoros (NEC), carnívoros (CAR), granívoros (GRA), necrófagos (DET) e onívoros (ONI).

A identificação das espécies botânicas foi feita a partir de Lorenzi (2001). Após a identificação das espécies botânicas presentes na instituição, foi avaliado quais as espécies presentes eram mais atrativas às aves, baseado em observações e dados da literatura.

Finalmente, houve um momento de interação informal com os funcionários sobre como esta atividade favoreceu o processo de conscientização sobre o tema Educação Ambiental.

Resultados e Discussão

Foram registradas 61 espécies de aves, distribuídas em 10 ordens e 22 famílias, conforme Tabela 1. Comparando os resultados deste estudo com outro levantamento realizado em 2008 dentro da mesma instituição, observou-se 31 espécies a mais. A curva acumulada de espécies mostrou uma tendência à estabilização, sugerindo que a avifauna observada da Fundação Ezequiel Dias foi adequadamente amostrada.

Tabela 1 – Lista de espécies registradas na Fundação Ezequiel Dias (MG) entre Novembro de 2013 e Outubro de 2014.

ORDEM

ESPÉCIE

NOME COMUM

H. A

F.O

 

Accipitriformes

Accipitridae






Rupornis magnirostris

gavião-carijó

CAR

0,25

P

Apodiformes

Trochilidae






Phaethornis pretrei

rabo-branco-acanelado

NEC

0,1

O


Eupetomena macroura

beija-flor-tesoura

NEC

0,64

R


Amazilia lactea

beija-flor-de-peito-azul

NEC

0,17

P

Cathartiformes

Cathartidae






Coragyps atratus

urubu-de-cabeça-preta

DET

0,14

O

Charadriiformes

Charadriidae






Vanellus chilensis

quero-quero

ONI

0,09

O

Columbiformes

Columbidae






Columbina talpacoti

rolinha-roxa

GRA

1

R


Columba livia

pombo-doméstico

ONI

0,73

R


Patagioenas picazuro

trocal

GRA

0,77

R


Patagioenas cayennensis

pomba-galega

FRU

0,13

O

Cuculiformes

Cuculidae






Piaya cayana

alma-de-gato

INS

0,15

P


Crotophaga ani

anu-preto

INS

0,11

O


Guira guira

anu-branco

INS

0,19

P

Falconiformes

Falconidae






Caracara plancus

caracará

CAR

0,1

O


Milvago chimachima

carrapateiro

CAR

0,13

O


Falco sparverius

quiriquiri

CAR

0,02

O

Passeriformes

Furnariidae






Furnarius rufus

joão-de-barro

INS

0,86

R


Tyrannidae






Camptostoma obsoletum

risadinha

INS

0,15

P


Elaenia flavogaster

guaracava-de-barriga-amarela

ONI

0,36

P


Serpophaga subcristata

alegrinho

INS

0,14

O


Myiarchus ferox

maria-cavaleira

INS

0,15

P


Pitangus sulphuratus

bem-te-vi

ONI

1

R


Machetornis rixosa

suiriri-cavaleiro

INS

0,14

O


Myiodynastes maculatus

bem-te-vi-rajado

ONI

0,06

O


Megarynchus pitangua

neinei

ONI

0,13

O


Myiozetetes cayanensis

bentevizinho-de-asa-ferrugínea

ONI

0,21

P


Myiozetetes similis

bentevizinho-de-penacho-vermelh

ONI

0,19

P


Tyrannus melancholicus

suiriri

INS

0,32

P


Tyrannus savana

tesourinha

INS

0,02

O


Fluvicola nengeta

lavadeira-mascarada

INS

0,02

O


Hirundinidae






Pygochelidon cyanoleuca

andorinha-pequena-de-casa

INS

0,61

R


Progne chalybea

andorinha-doméstica-grande

INS

0,14

O


Troglodytidae






Troglodytes musculus

corruíra

INS

0,63

R


Turdidae






Turdus leucomelas

sabiá-barranco

ONI

0,53

P


Turdus rufiventris

sabiá-laranjeira

ONI

0,02

O


Turdus amaurochalinus

sabiá-poca

ONI

0,39

P


Mimidae






Mimus saturninus

sabiá-do-campo

ONI

0,32

P


Icteridae






Gnorimopsar chopi

graúna

ONI

0,06

O


Molothrus bonariensis

vira-bosta

ONI

0,05

O


Thraupidae






Coereba flaveola

cambacica

NEC

0,32

P


Tangara sayaca

sanhaçu-cinzento

ONI

0,39

P


Tangara palmarum

sanhaçu-do-coqueiro

ONI

0,51

P


Tangara cayana

saíra-amarela

ONI

0,11

O


Paroaria dominicana

cardeal-do-nordeste

GRA


E


Tersina viridis

saí-andorinha

ONI

0,17

P


Dacnis cayana

saí-azul

ONI

0,07

O


Sicalis flaveola

canário-da-terra-verdadeiro

GRA

0,22

P


Volatinia jacarina

tiziu

GRA

0,14

O


Sporophila nigricollis

baiano

GRA

0,03

O


Sporophila ardesiaca

papa-capim-de-costas-cinzas

GRA

0,02

O


Sporophila caerulescens

coleirinho

GRA

0,06

O


Cardinalidae






Cyanoloxia brissonii

azulão

ONI


E


Fringillidae






Euphonia chlorotica

fim-fim

ONI

0,39

P


Estrildidae






Estrilda astrild

bico-de-lacre

GRA

0,44

P


Passeridae






Passer domesticus

pardal

ONI

0,68

R

Piciformes

Ramphastidae






Ramphastos toco

tucanuçu

ONI

0,06

O


Picidae






Colaptes melanochloros

pica-pau-verde-barrado

INS

0,03

O


Colaptes campestris

pica-pau-do-campo

INS

0,01

O

Psittaciformes

Psittacidae






Psittacara leucophthalmus

periquitão-maracanã

FRU

0,25

P


Forpus xanthopterygius

tuim

FRU

0,17

P


Brotogeris chiriri

periquito-de-encontro-amarelo

FRU

0,38

P

Legenda:

H.A – Hábito Alimentar: ONI – onívoro, INS-Insetívoro, GRA-granívoro, NEC-nectarívoro, CAR-carnívoro, DET-detritívoro. F.O – Frequência de ocorrência: R-residente, P-provável residente, O-ocasional, E-escape.

A ordem mais representativa, como já era esperado, foi Passeriformes (65% das espécies), uma vez que essa ordem abrange a maioria das espécies de aves conhecidas (SICK, 1997). As famílias mais representativas foram Tyrannidae (13 espécies; 21,6%); seguida de Thraupidae (12 espécies; 20%), ambas de Passeriformes. Os tiranídeos incluem espécies adaptadas a diversos ambientes, inclusive ambientes urbanizados. Além de apresentar um grande número de espécies insetívoras generalistas, estas espécies são beneficiadas em ambientes alterados, por consumirem um recurso muito abundante em centros urbanos. Essas características podem explicar o maior registro dessa família na área de estudo (SICK, 1997).

Em termos de frequência de ocorrência, 44% (n=27) das espécies registradas na Fundação Ezequiel Dias são ocasionais ou sobrevoantes, 38% (n=23) são prováveis residentes, 15% (n=9) são residentes. Duas espécies (Paroaria dominicana e Cyanoloxia brissonii) foram consideradas escapes, pois se tratam de espécies que não são encontradas na região de Belo Horizonte, e são muito utilizadas no comércio ilegal de aves silvestres. Estas duas últimas espécies foram registradas somente uma vez cada uma.

Determinadas espécies como Myiodynastes maculatus e Dacnis cayana foram registradas na Funed somente em um período do ano. Turdus amaurochalinus e M. maculatus são migratórias; T. amaurochalinus foi observado durante o outono e inverno; e M.maculatus foi registrada entre os meses de setembro e fevereiro. D. cayana foi registrada entre outubro e abril acompanhando a frutificação de algumas plantas como Schefflera actinophylla. Tersina viridis, apesar de migratória foi registrada durante todo o ano, porém durante o inverno, foram vistos um número menor de indivíduos. Espécies predominantemente frugívoras tendem a serem nômades, buscando frutos em diferentes fragmentos vegetais (SICK, 1997).

Algumas espécies foram observadas somente sobrevoando o local de estudo, sem utilizar qualquer recurso disponível na área. Foi o caso de Vanellus chilensis e Coragyps atratus. Por outro lado, Patagioenas picazuro, Columbina talpacoti e Pitangus sulphuratus foram muito comuns durante o levantamento; são espécies muito bem adaptadas aos centros urbanos, e, portanto, muito abundantes em metrópoles, como afirma SICK (1997). Indivíduos de Columba livia, espécie introduzida, foram registrados na maior parte do tempo, próximos à lanchonete da instituição ou sobrevoando o local de estudo.

Certas espécies foram observadas nidificando na área ou acompanhadas de filhotes, dentre elas, Eupetomena macroura, Coereba flaveola, Guira guira, Furnarius rufus, Turdus leucomelas, Pitangus sulphuratus, Columbina talpacoti, Patagioenas picazuro, Estrilda astrild e Passer domesticus. As duas últimas são espécies introduzidas, que se adaptaram muito ás grandes metrópoles do país. Myiozetetes similis foi observado coletando material para nidificação, mas seu ninho não foi visualizado.

Em relação aos hábitos alimentares, foram registrados predominantemente, onívoros (n=23), seguido de insetívoros (n=16), conforme apresentado na Figura 1. Aves onívoras e insetívoras são predominantes em ambientes urbanizados, como mostram outros estudos de levantamento (FRANCHIN & MARÇAL JÚNIOR, 2004; MATARAZZO-NEUBERGER, 1998; MOTTA-JÚNIOR, 1990). Estas espécies são beneficiadas em ambientes alterados, em relação a espécies com outros hábitos alimentares. Espécies onívoras e insetívoras generalistas são menos vulneráveis a flutuações dos recursos alimentares (SICK, 1997).

Figura 1 – Números de espécies de aves em relação aos hábitos alimentares.

Legenda:

ONI–onívoro, INS-Insetívoro, GRA-granívoro, NEC-nectarívoro, CAR-carnívoro, DET-detritívoro.

No que diz respeito à arborização da área de estudo, foram catalogadas 53 espécies vegetais, como demonstrado na Tabela 2. Foram registradas espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas. A vegetação da área é composta principalmente por espécies exóticas, algo muito comum em arborização de espaços urbanos, que conta com uma preocupação predominantemente estética. Porém, mesmo entre as espécies exóticas, existem algumas contendo características atrativas à avifauna, seja para alimentação ou para nidificação e poleiro, como é o caso de Eriobothrya japonica, Morus nigra, Schefflera actinophylla, Ligustrum lucidum, cujos frutos são consumidos por diversas aves e ainda, Delonix regia e Casuarina glauca costumam ser utilizadas para nidificação. Dentre as espécies nativas, as que mais se demonstraram atrativas à avifauna foram Cecropia pachystachya, Chorisia speciosa e Syagrus coronata.

Tabela 2 – lista de espécies vegetais dentro da Fundação Ezequiel Dias (dados de 2014).

Nome Científico

Nome comum

Nº de exemplares

Persea americana

Abacateiro

2

Eriobothrya japonica

Ameixa

1

Morus nigra

Amora

3

Polyscias guilfoylei

Árvore da felicidade

5

Schefflera actinophylla

Árvore guarda-chuva

5

Rhododendron simsii

Azaléia

78

Musa acuminata

Bananeira

2

Boungaivillea spectabalis

Bunganville

2

Buxus semperviensis

Buxinho

6

Calliandra sp.

Caliandra

-

Pachystachys lutea

Camarão amarelo

-

Justicia brandegeana

Camarão vermelho

-

Terminalia catappa

Castanheira

4

Casuarina glauca

Casuarina

8

Cocus nucifera L.

Coqueiro da Bahia

5

Dracaena fragrans L.

Dracena Verde

2

Cecropia pachystachya

Embaúba

2

Spathodea nilotica

Espatódea

1

Maytenus ilicifolia

Espinheira Santa

1

Nerium oleander L

Espirradeira

3

Ficus elastica

Falsa-seringueira

1

Delonix regia

Flamboyant

1

Pisidium guajava

Goiabeira

1

Heliconia sp

Heliconia

-

Hibiscus sp.

Hibisco

4

Tabebuia sp.

Ipê

12

Ixora coccinea

Ixora

11

Myrciaria cauliflora

Jaboticabeira

4

Jacaranda mimosifolia

Jacarandá mimoso

1

Syzygium jambos

Jambo amarelo

2

Syzygium malaccense

Jambo vermelho

1

Plumeria rubra

Jasmim manga

1

Citrus sinensis

Laranjeira

1

Ligustrum lucidum

Ligustro

1

Tibouchina mutabilis

Manacá da serra

1

Bunselfia uniflora

Manacá de cheiro

2

Magifera indica

Mangueira

7

Ixora chinensis

Mini ixora

-

Lafoensia glyptocarpa

Mirindiba

4

Murraya paniculata

Murta

6

Licania tomentosa

Oiti

1

Chorisia speciosa

Paineira rosa

2

Dypsis lutescens

Palmeira Areca bambu

3

Livistrona chinensis

Palmeira leque

7

Syagrus coronata

Palmeira licuri

4

Bauhinia fortificata

Pata de vaca

1

Hovenia dulcis

Pau doce

1

Caesalpinia ferrea

Pau ferro

2

Araucaria columnaris

Pinheiro

2

Eugenia uniflora

Pitanga

17

Punica granatum

Romã

1

Dicksonia sellowiana

Samambaiuçu

1

Fabacea


1



Avaliação dos pontos amostrais

Os pontos de observação estão descritos na Figura 2, indicando que todas os extremos foram monitorados durante as observações.

Figura 2 – Distribuição dos pontos amostrais dentro da Fundação Ezequiel Dias.

O ponto 1 trata-se de uma área de convivência para funcionários, com alguns quiosques e canteiros compostos por espécies arbustivas como, Justicia brandegeana (Camarão vermelho) e Hibiscus sp. (Hibisco). Foram registrados neste ponto, predominantemente, espécies de aves nectarívoras, como Coereba flaveola e Eupetomena macroura, atraídas per essas plantas. Também foram detectadas no local