ISSN 1678-0701
Número 66, Ano XVII.
Dezembro/2018-Fevereiro/2019.
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04/12/2018EXPOSIÇÕES ITINERANTES COMO METODOLOGIA DE CONSERVAÇÃO DE QUELÔNIOS AMAZÔNICOS  
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EXPOSIÇÕES ITINERANTES COMO METODOLOGIA PARA CONSERVAÇÃO DE QUELÔNIOS AMAZÔNICOS

Rafaela Estefani de Oliveira Pinho. Docente da Universidade Federal do Acre (UFAC) Campus Floresta, Cruzeiro do Sul - Acre - Brasil. E-mail: rafapinho14@hotmail.com

Lucas Lucena da Silva. Graduando em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Acre (UFAC) Campus Floresta, Cruzeiro do Sul - Acre - Brasil. E-mail: lucaslucena.eng@gmail.com

Isaac Ibernon Lopes-Filho. Graduado em Engenharia Agronômica e gerente regional da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Chefe do Complexo de Florestas Estaduais do Rio Gregório. E-mail: isaacilf@yahoo.com.br

Matheus Nascimento Oliveira. Graduando em Ciências Biológicas Bacharelado pela Universidade Federal do Acre (UFAC) Campus Floresta, Cruzeiro do Sul - Acre - Brasil. E-mail: oliveiramatheus.bio@gmail.com

Ester Nascimento da Costa. Graduando em Ciências Biológicas Bacharelado pela Universidade Federal do Acre (UFAC) Campus Floresta, Cruzeiro do Sul - Acre - Brasil. E-mail: araujoester27@gmail.com

Maria Isabel Afonso da Silva. Docente da Universidade Federal do Acre (UFAC) Campus Floresta, Cruzeiro do Sul - Acre - Brasil. E-mail: bebel_afonso@yahoo.com.br

Tiago Lucena da Silva. Docente da Universidade Federal do Acre (UFAC) Campus Floresta, Cruzeiro do Sul - Acre - Brasil. E-mail: lucenabio@hotmail.com

Resumo

Metodologias diferenciadas para o processo de ensino-aprendizagem relacionados a temáticas ambientais são necessárias para a formação cidadã e o uso sustentável dos recursos naturais. Desse modo, desenvolvemos exposições itinerantes sobre os quelônios amazônico para serem aplicadas em escolas da zona urbana a fim de transmitir informações e buscar a sensibilização quanto a importância dessas espécies para o meio ambiente, diminuindo o consumo desses animais dentro dessas áreas. Essas exposições aconteceram em eventos realizados pelas escolas, como em feiras e exposições de ciências e foram preparadas e apresentadas por alunos da Universidade Federal do Acre - Campus Floresta, no município de Cruzeiro do Sul - Acre, entre julho a novembro de 2017 em três escolas de ensino fundamental e médio envolvendo alunos, professores e a comunidade em geral.

Palavras Chaves: Educação Ambiental; Tracajás; Jabutis; Extensão Universitária.

Introdução

Historicamente, muitas espécies de quelônios em diversas partes do mundo apresentam grande importância alimentar, econômica e cultural, tendo seus ovos, carne, vísceras, gordura e casco sido utilizados intensamente pelo homem (Rebelo e Pezzuti, 2000; Van Dijk et al., 2017).

Para que haja a diminuição de ações antrópicas que afetam os quelônios amazônicos é necessário propor ações conservacionistas, e uma dessas ações são as exposições itinerantes nas escolas onde o público é diversificado, com costumes, saberes e ações diferentes para com esses animais. Assim, há um misto de conhecimento tanto cientifico quanto popular, o que pode influenciar no sucesso de ações conservacionistas referente aos quelônios.

As exposições itinerantes podem ser utilizadas para divulgar o conhecimento científico e auxiliar nas mudanças de percepções, pois auxiliam na transmissão de representações sociais e permitem mudanças gradativas de atitudes (Santos et al., 2005). Essas exposições itinerantes com quelônios têm por objetivo proporcionar conhecimentos, reflexão e sensibilização frente as práticas realizadas com os quelônios seja como recurso alimentar ou para tráfico.

Os quelônios são importantes na ciclagem de nutrientes desses ambientes, por transformarem em proteína animal a matéria orgânica, viva ou morta, oriunda tanto da floresta como do ambiente aquático (Moll; Moll, 2004). É necessária uma educação ambiental com ênfase interdisciplinar que proporcione melhor leitura da realidade e promova outra postura cidadã frente aos problemas socioambientais. E essa reflexão precisa ser aprofundada na medida em que a saúde e a qualidade de vida dessa geração, e das futuras, dependem de um desenvolvimento sustentável (Soares et al., 2001).

Materiais e Métodos

As exposições itinerantes foram planejadas pelo Laboratório de Biologia Animal da Universidade Federal do Acre - Campus Floresta e realizadas nas escolas que demonstraram interesse em atividades relacionadas a conservação dos quelônios.

Escolas Participantes

Participaram das exposições três escolas de ensino médio em Cruzeiro do Sul, Acre. Sendo as escolas, Professor Flodoardo Cabral, durante a feira de ciências realizada no dia 29 de julho de 2017, com um público de aproximado de 1000 pessoas. A escola Dom Henrique Ruth, durante a Expo Ciência, realizada no dia 12 de agosto de 2017 com aproximadamente 1500 pessoas e por último na escola Madre Adelgundes Becker, no encerramento das atividades referente ao projeto “Educação Ambiental como ferramenta para a conservação dos Quelônios Amazônicos”, com um público aproximado de 1200 pessoas.

Materiais utilizados nas exposições

  • Banners informativos, resumindo diversos trabalhos de conservação de quelônios realizados na região do Vale do Alto Juruá, abrangendo áreas como Educação Ambiental e Manejo Comunitário;

  • Fichas técnicas contendo imagens e informações das espécies regionais de quelônios, como nome popular e científico, hábito, tipos de alimentação, peso e tamanho adulto;

  • Guias ilustrados com imagens das espécies de quelônios encontradas no estado do Acre;

  • Painéis e placas ilustrativas para fotografias com dizeres relacionados a conservação;

  • Imãs de geladeira com informativos do projeto de conservação de quelônios para distribuição ao público, como forma de agradecimento pela participação nas exposições;

  • Peça anatômica da espécie Phrynops geoffroanus* (Cágado-de-barbelas), expondo os órgãos internos e anatomia topográfica, facilitando o aprendizado e fomentando a curiosidade do público presente;

  • Peças ósseas das espécies Chelonoidis denticulatus (Jabuti) e Podocnemis expansa (Tartaruga-da-amazônia), entre elas cascos e partes do esqueleto, todas obtidas por terceiros em doações e encontradas em diversas coletas de forma indireta;

  • Animais tombados, fixados e conservados em álcool, todos pertencentes ao Laboratório de Biologia Animal da Universidade Federal do Acre - Campus Floresta. São sete espécies diferentes, entre elas, Kinosternon scorpiodis (Muçuã), Podocnemis sextuberculata (Iaçá), Podocnemis unifilis (Tracajá), Mesoclemmys gibba (Tartaruga-de-Igapó), Platemys platycephala (Jurará) e Chelonoidis denticulatus (Jabuti). Essas espécies ocorrem na região, obtidos por terceiros (já em óbito) ou encontradas em estradas (morte por atropelamento);

  • Espécimes vivos de Chelonoidis denticulatus (Jabuti), ainda filhotes. Esses animais foram obtidos por meio de doações e mantidos sob uma licença emitida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA/SISBIO (48632-1).

Procedimentos

A exposição ocorreu no pátio da escola, com todos os materiais expostos em mesas, com a presença dos acadêmicos (Imagens 1 e 2). As atividades foram realizadas com a apresentação de banners que abordavam os trabalhos de conservação dos quelônios realizados pelo projeto Bichos de Casco, no qual os acadêmicos explicavam como e onde eram feitos trabalhos de conservação e sua importância. Os acadêmicos também se disponibilizaram a responder as perguntas do público sobre qualquer assunto apresentado nos banners (Imagem 3). Realizou-se também a exposição de animais vivos, tombados e peças anatômicas de quelônios, desenvolvidas como estratégia de sensibilização e aprendizagem aos visitantes, no qual os mesmos puderam observar e manusear as peças expostas. As dúvidas que ocorriam durante a visitação eram retiradas por meio dos acadêmicos e professor presente. Assim, houve um ambiente favorável à sensibilização e envolvimento dos participantes frente a temática abordada.

Resultados e Discussões

A relevância das exposições foi avaliada por meio da quantidade do público presente e a participação deste em todas as atividades propostas. Todas as exposições tiveram sucesso de público (crianças, jovens e adultos), e ao longo de todas as atividades identificou-se por parte do público o interesse pelo tema conservação dos quelônios amazônicos, sendo demonstrados especificamente por meio de discussões e questionamentos. Essas exposições itinerantes enriquecem as feiras de ciências nas escolas por ser uma metodologia de aprendizado diferente, baseada no conhecimento biológico sobre as espécies de quelônios da região, aproximando assim o público frente aos principais problemas enfrentados por esses animais, propiciando conhecimentos sobre anatomia, ecologia e principais ameaças causadas pela influência antrópica. Conforme (Silva et al., 2018; Vasconcelos; Silva, 2018), mais de 50% das comunidades escolares avaliadas em ambientes rurais e urbanos indicam o consumo de quelônios, ressaltando a importância de ações de sensibilização pautadas no diálogo de saberes frente ao uso sustentável dos quelônios como fonte de proteína animal de subsistência.

Imagem 1: Exposição realizada na escola Flodoardo Cabral

Imagem 2: Exposição realizada na escola Don Henrique Ruth

Imagem 3: Atividades realizadas na escola Madre Adelgundes Becker.

Conclusão

Diante do sucesso de público na exposição e participação ativa em todas as atividades proporcionadas, pode-se concluir que essas exposições itinerantes são uma ferramenta efetiva e socioparticipativa para criar ambientes não formais de educação para o desenvolvimento de ações de educação ambiental. Assim, além de divulgar informações focadas na conservação dos quelônios foi possível propor ações formativas que favorecem a formação cidadã dos alunos frente a problemática ambiental e uso sustentável dos recursos naturais amazônicos.

Referências Bibliográficas:

MOLL, D.; MOLL, E. O. The ecology, exploitation, and conservation of river turtles. New York: Oxford University Press, 393 p, 2004

REBÊLO, H. G.; PEZZUTI, J. C. B. Percepções sobre o consumo de quelônios na Amazônia, sustentabilidade e alternativas ao manejo atual. Ambiente e Sociedade (Campinas), Campinas-SP, v. 6/7, p. 85-104, Abril, 2000.

SANTOS, Maira Elisabete dos; NASCIMENTO-SCHULZE, C. M; WACHELKE, J.F.R. A exposição itinerante como promotora de divulgação científica: atitudes, padrões de interação, e percepções dos visitantes. Psicologia. Teoria e Prática, São Paulo, v. 7, n.2, p. 49-86, 2005.

SILVA, T. L.; PINHO, R. E. O.; OLIVEIRA, M. N.; SILVA, L. L.; LOPES FILHO, I.; VASCONCELOS, V.S.; SILVA, A. S. Perspectivas de estudantes sobre a conservação de quelônios em uma escola da zona periférica de Cruzeiro do Sul – Acre. Revista Communitas, v. 2, n. 3, p. 304-313, 2 jun. 2018.

SOARES et al. Saúde e qualidade de vida do ser humano no contexto da interdisciplinaridade da educação ambiental. No. 38-05/12/2011. Disponível em <http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=1143>. Acesso em 23 de outubro de 2017.

VAN DIJK, P. P.; IVERSON, J.; RHODIN, A.; SHAFFER, H.; BOUR, R. TURTLE TAXONOMY WORKING GROUP. Turtles of the World: Annotated Checklist and Atlas of Taxonomy, Synonymy, Distribution, and Conservation Status (8th Ed.). In: Chelonian research monographs. p. 1–292. 2017

VASCONCELOS, V. S; SILVA, T.L. Perspectivas comunitárias sobre o consumo de quelônios na reserva extrativista riozinho da liberdade - AC. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Biológicas). Cruzeiro do Sul – Acre: Universidade Federal do Acre – Campus Floresta, p. 39. 2018.



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