ISSN 1678-0701
Número 66, Ano XVII.
Dezembro/2018-Fevereiro/2019.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Artigos

04/12/2018A INGENUIDADE POR TRÁS DA RECICLAGEM: O CONSUMISMO SENDO QUESTIONADO POR MEIO DE UMA PRÁTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL  
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=3525 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

A INGENUIDADE POR TRÁS DA RECICLAGEM: O CONSUMISMO SENDO QUESTIONADO POR MEIO DE UMA PRÁTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL



Fidélis Junior Belletini

Discente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR/ Campus Dois Vizinhos, fjbelletini@gmail.com

Letícia Corsi

Discente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR/ Campus Dois Vizinhos, leeticiacorsi@gmail.com

Josiane Bielski

Discente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR/ Campus Dois Vizinhos, josianebielski18@hotmail.com

Ana Paula Jarenczuk

Discente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR/ Campus Dois Vizinhos, ajarenczuk@gmail.com

Anelize Queiroz Amaral

Docente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR/ Campus Dois Vizinhos, anelizeamaral@utfpr.edu.br

Daniela Macedo de Lima

Docente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR/ Campus Dois Vizinhos, danielamlima@utfpr.edu.br



Resumo: O presente trabalho de Educação Ambiental é voltado para a sensibilização da comunidade escolar sobre o consumo/desperdício e o descarte correto de resíduos. Para tanto, realizamos uma investigação de abordagem quanti-qualitativa acerca dos conceitos e processos educativos relacionados à temática ambiental e a Educação ambiental trabalhados por professores de Escolas de Educação Básica. O objetivo deste trabalho foi enfatizar por meio de oficinas de formação continuada que, apenas reciclar não é o suficiente para diminuir a questão dos problemas ocasionados no/ao ambiente pelo acúmulo de resíduos em lixões e aterros sanitários, sendo também necessário trabalhar a questão do consumismo, embasado na perspectiva crítica da Educação Ambiental. Dessa forma, desenvolvemos em parceria com a Sala Verde nas Ondas do Rio Iguaçu e o Programa de Logística Sustentável (PLS) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus de Dois Vizinhos, um projeto de revitalização de um espaço na UTFPR-DV, utilizando paletes e bobinas, seguido de oficinas de formação continuada. Após a finalização da atividade, os professores responderam um questionário para coleta de dados acerca da relevância desse trabalho. Conclui-se, com a análise dos dados, que existe a necessidade de se ampliar as iniciativas de implantação desses projetos em parceria com as Escolas de Educação Básica, a fim de promover trocas de experiências para gerar uma reflexão quanto aos processos educativos relacionados à temática ambiental para que ultrapassem práticas meramente pontuais, pragmáticas e de certa forma ingênuas.

Palavras - chave: Educação Ambiental. Reutilização. Consumismo. Formação Continuada.

Abstract: The present work of Environmental Education aims at the awareness of the school community about consumption/waste and the correct waste disposal. In order to do so, we conducted a quantitative and qualitative on the educational concepts and processes related to the environmental theme and the environmental education approached by teachers in Basic Education School. The purpose of this work was emphasize, through continuous training workshops, that just recycling is not enough to decrease issues caused in/to the environment by the accumulation of waste in dumps and landfills, it is also necessary to work with the consumerism issue, based on the critical perspective of Environmental Education. This way, we developed in partnership with the “Green Room” in the city of Ondas do Rio Iguaçu and the Sustainable Logistics Program (PLS) of the university Universidade Tecnológica Federal do Paraná – located in Dois Vizinhos, using pallets and reels, followed by the continuous training workshops. After the end of the activity, the professors answered a questionnaire to collect data about the relevance of this work. It is conclude, with the data analysis, that there is a need to expand the implementation initiatives for these projects in partnership with Basic Education School, in order to promote exchange of experiences to create a reflection on educational process related to the environmental theme so that they can surpass practices that are merely punctual, pragmatic and, in some ways, naive.

Keywords: Environmental Education. Reuse. Consumerism. Continuing Education.

1 INTRODUÇÃO

Regidos por um sistema econômico capitalista, estamos inseridos em uma sociedade de consumidores, em que a publicidade nos pressiona continuamente a nos livrarmos de bens materiais “velhos” para adquirir novos produtos sem refletirmos sobre a real necessidade de um novo produto e o entendimento da obsolescência programada e simbólica. Segundo Bauman (2008, p. 31), “a sociedade de consumidores desvaloriza a durabilidade, igualando o “velho” ao “defasado”, tornando-o impróprio para continuar sendo utilizado e o seu destino é a lata de lixo”. Com essa necessidade de consumir desenfreadamente, ocorre uma dicotomia entre demanda versus abastecimento, que, segundo Penna (1999, p. 130), enquanto a demanda é ilimitada, o abastecimento não o é, tornando-se um sistema insustentável.

Estar inserido em uma sociedade de consumidores é consumir e descartar de forma contínua, para satisfazer necessidades supérfluas e continuar abastecendo o mercado capitalista, uma vez que nossos desejos nunca são satisfeitos porque quando menos se espera um novo produto passa a ser desejado. Nesse processo, o tempo para desejar um produto e satisfazer o desejo é encurtado, tornando-se menor também a distância entre a satisfação e a lata de lixo (BAUMAN, 2008). Assim, esta dinâmica entre desejo, satisfação e desperdício gera grandes quantidades de lixo, criando um problema ambiental e social de grande amplitude.

No mesmo sentido, de acordo com Zanetti, Sá e Almeida (2009), “a tendência a favor do consumo imediato, denominada "tendência da taxa decrescente de utilização", é considerada na teoria econômica como uma característica intrínseca do avanço produtivo”. Assim, o sistema produtivo se alimenta desse movimento constante entre produção em larga escala e consumo artificial (de coisas supérfluas) em grande velocidade, havendo um descarte até mesmo de bens duráveis muito antes de sua vida útil ter sido esvaziada (ZANETTI; SÁ; ALMEIDA, 2009).

O desenvolvimento econômico, o aumento da população, a urbanização e a revolução tecnológica induzem alterações no estilo de vida, produção e consumo na vida das pessoas. Consequentemente, isso provoca um aumento tanto na quantidade como na variedade de lixos gerados nas cidades. Os produtos estão sendo produzidos gradativamente com mais elementos sintéticos, aumentando sua toxicidade e agressividade ao meio ambiente. Ademais, a maioria desses resíduos não possui destinação correta, assim sendo, qualquer tipo de resíduo é destinado aos aterros sanitários sem o seu manejo correto, sendo fontes de proliferação de vetores de doenças, poluição do solo, corpos d’água, atuando também na dispersão de gases tóxicos no ar e ainda oferecendo riscos aos trabalhadores que manejam esses resíduos (KLEIN; GONÇALVES-DIAS; JAYO, 2018).

Segundo Pinheiro et al. (2011) com o aumento na produção de bens materiais, o consumo desenfreado e a escassez de bens naturais despertou no ser humano o pensamento mais consciente quanto à reciclagem e reutilização, refletindo sobre a abundância de lixo. Porém, segundo Layrargues (2002), a reciclagem tem sido vista de forma ingênua, como resolução do problema do lixo, não questionando o tema gerador dos resíduos, o consumo desenfreado.

No mesmo sentido, Brügger (1994) caracterizou este comportamento como adestramento ambiental, onde a população aprende que se deve reciclar, mas não critica as ações que levaram aos grandes montantes de resíduos, tampouco o capital e o consumismo.

Em uma tentativa urgente de resolver essa problemática, aplica-se a reciclagem como única solução para a problemática dos resíduos. Embora seja uma alternativa coerente, ela não é de todo eficaz e age a favor da sociedade capitalista, onde o indivíduo deposita a confiança de que reciclar é a salvação para os problemas relacionados aos resíduos (LACERDA, 2014).

Para sua efetividade, deve-se questionar o atual modelo de relação sociedade-natureza que estimula o consumo desenfreado, gerando o ciclo vicioso e insustentável de exploração, produção e geração de resíduos.

A reciclagem deve ser compreendida como um importante recurso para reduzir o volume dos resíduos, porém suas ações são sempre feitas numa perspectiva pragmática, descrita por Layrargues (1994) como uma atividade-fim, visando uma solução pontual do problema ambiental, amplamente visualizada em projetos educacionais. Isso gera o problema novamente insustentável de que projetos para reciclagem não suprem as massivas quantidades diárias de resíduos produzidos.

Defende-se aqui que projetos educacionais referentes aos resíduos sólidos devem seguir a perspectiva crítica buscando, assim, estabelecer a causa-efeito dos problemas ambientais, bem como incentivando a diminuição do consumo, desconstruindo os valores que nos impulsionam a consumir desenfreadamente e auxiliando na apropriação de um saber ambiental e social que transformem as estruturas de poder associadas à ordem econômica estabelecida (LEFF, 2009).

A partir da redução de resíduos, é possível tornar a vida dos lixões e aterros sanitários mais longa, isso pode ser conseguido a partir da reutilização, uma vez que esta não colabora diretamente para reduzir os resíduos, mas pode ser um meio de resolver a questão do lixo, porém deve estar bem claro, que não é o único meio para resolver o problema, pois nada adianta reciclar ou reutilizar se a o consumo ainda for excessivo, visto como o principal responsável pela grande quantidade e acúmulo de resíduos (BAUMAN, 2008).

Pensando nisso, foi desenvolvido na Universidade Tecnológica Federal do Paraná o projeto Sala Verde nas Ondas do Rio Iguaçu, com o objetivo de levar a Educação Ambiental sob uma perspectiva crítica aos professores de uma Escola de Educação Básica com formação em diversas áreas do conhecimento.

2 PERCURSO DO TRABALHO

Com o intuito de alcançar os objetivos propostos foi desenvolvida a revitalização de um espaço (Figura 1) localizado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná do Campus Dois Vizinhos. Para tal atividade, foram utilizados materiais reutilizáveis como paletes e bobinas, ambos cedidos por empresas do município.

Figura 1

A B

Figura 1: Espaço localizado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, antes da revitalização desenvolvida. A. Local disponível para utilização do projeto, em frente ao Bloco X. B. Local para utilização do projeto, na lateral do Bloco X. UTFPR, Dois Vizinhos, 2018

Fonte: Alessandra C.Gibathe

Para tanto, foi desenvolvida a reutilização desses paletes e bobinas para construir um ambiente esteticamente agradável, com mesas e bancos, no entorno do Laboratório de Ensino de Ciências e Biologia e Educação Ambiental da UTFPR-DV. Essa atividade teve iniciativa a partir de um grande projeto de Educação Ambiental promovido pela Sala Verde, com o apoio de todos os alunos do 7º período vinculados à disciplina de Educação Ambiental e do Programa de Logística Sustentável (PLS) da referida Universidade.

O presente trabalho foi construído sob uma perspectiva crítica e abordou a questão dos resíduos sólidos, da reciclagem e do modo de produção em uma sociedade regida pelo capitalismo. O objetivo foi promover uma formação que questione o atual modelo de relação sociedade-natureza, propondo práticas de reutilização e questionando o consumismo.

Assim, no decorrer desse processo educativo confeccionaram-se conjuntos de mesas e bancos os quais foram distribuídos pelo espaço a fim de proporcionar um ambiente agradável e aconchegante, onde professores poderão realizar atividades ao ar livre, recepcionar visitantes, bem como também proporcionar um espaço de lazer para convivência de universitários.

Os conjuntos de mesas confeccionados foram pintados de diversas cores utilizando tintas adquiridas através de doações de empresas e/ou alunos da UTFPR a fim de que fiquem mais agradáveis esteticamente e possam chamar atenção tornando o ambiente mais alegre e descontraído. Próximo a floreira vertical que foi construída por outra equipe, foi disposto um banco de palete em forma de namoradeira, o qual poderá ser utilizado para fotografias e local de descanso e lazer.

Durante o processo de fabricação foram aplicados questionários para os professores da Escola de Educação Básica, totalizando 10 professores de diversas áreas do conhecimento. Em seguida, os dados coletados foram analisados de forma quanti-qualitativa.

A abordagem qualitativa, segundo Lüdke e André (2012) propõe um contato direto entre pesquisador, ambiente, e situação a ser investigada. Para os autores Bodgan e Biklen (1982), uma investigação qualitativa visa frequentar onde há uma preocupação com o contexto, entendendo que as ações podem ser mais bem compreendidas se observadas no ambiente em que ocorrem.

A abordagem adotada é a pesquisa participante, que
segundo Gil (1991), é caracterizada pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas.

Um tipo de pesquisa social com base empírica, concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes, representativos da situação e/ou do problema, estão envolvidos de forma cooperativa e participativa (THIOLLENT, 1986, p.3).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O trabalho desenvolvido possibilitou observar vários resultados positivos em relação à estética do local, onde foram inseridos os conjuntos de mesas e bancos, bem como floreiras e placas que expressam valores éticos e estéticos, tornando o local mais harmonioso e alegre para recepcionar alunos e realizar atividades (Figura 2).

Figura 2

A B

Figura 2: Imagens após a revitalização do espaço da estrutura da Sala Verde. A. Bancos e mesa de paletes e bobinas confeccionados no projeto; B. Banco e mesa de paletes e bobinas confeccionados no projeto.

Fonte: Fidelis J. Belletini

Em relação aos questionários aplicados, foram realizadas três perguntas, cujas respostas são apresentadas abaixo. A questão número um indagava os professores se em suas casas existe algum objeto a base de reutilização. As respostas foram analisadas e apresentadas nas Figura 3.

Figura 3

Figura 3 – Utilização de objetos resultantes do processo de reutilização nas residências de professores do Ensino Básico, UTFPR, Dois Vizinhos, 2018

Fonte: Autoria própria - 25/07/2018.

Ao analisar os resultados apresentados na Figura 3, concluiu-se que 80% dos sujeitos participantes desse processo, utilizam materiais provenientes de reutilização em seu cotidiano, como artigos para acondicionar comida, plantio de mudas e artesanatos. Quanto a isso, pode-se observar o entendimento sobre a importância da reutilização nas ações diárias. Essa ação é importante, pois por meio da reutilização é possível diminuir a quantidade de resíduos que são destinados aos aterros.

A mesma pergunta também questionava sobre um exemplo de material reutilizado para a construção desses objetos, a partir dela pode se estabelecer a compreensão das pessoas sobre a diferença entre reciclagem e reutilização, pois muitas pessoas ainda são incapazes de distinguir a diferença entre esses dois processos. Os materiais mencionados foram: potes plásticos, garrafas pet, caixas de papelão, entre outros, utilizados na maioria das vezes para artesanatos e para armazenar produtos. Segundo Layrargues (2002), reduzir o consumo é prioridade quando comparado com a reutilização e a reciclagem. A reciclagem deve ser a última instância, pois reduzindo o consumo, automaticamente, diminui-se a prática da reutilização e a necessidade da reciclagem.

A segunda pergunta questionava os professores se a reciclagem é a melhor opção para diminuir a situação dos lixões e aterros (Figura 4)

Figura 4

Figura 4 – O processo de reciclagem na redução dos resíduos destinados aos aterros sanitários e/ou lixões, segundo professores da Educação Básica, UTFPR, Dois Vizinhos, 2018

Fonte: Autoria própria - 25/07/2018.

Ao questionar os sujeitos da pesquisa quanto à efetividade da reciclagem como uma solução para redução do lixo e problemas ambientais, observamos que 80% dos professores relatam a importância de se reciclar os resíduos, já que muitos objetos possuem um longo tempo de decomposição impactando o meio ambiente. Alguns relacionam a importância em destinar corretamente estes resíduos, pois é a fonte de renda de muitos cidadãos, assim conferindo a eles formas mais justas e dignas de trabalho, e por fim destacaram a necessidade de se trabalhar a reciclagem no Ensino.

Percebe-se nessas respostas a falta de conhecimento sobre Educação Ambiental numa perspectiva crítica, uma vez que poucos professores relacionaram os problemas ambientais ao consumo excessivo. Layrargues (2002) relata que as pessoas estão alienadas ao consumismo e parte dessa culpa é das mídias, pois tornam os produtos obsoletos, fora de moda e ultrapassados, gerando maior demanda de objetos fortalecendo o capitalismo.

O autor continua seu discurso se referindo à influência que a mídia tem sobre muitos sujeitos, convencendo-os a trocarem seus produtos antigos por novos, mesmo funcionando normalmente. A reciclagem muitas vezes se torna uma forma mascarada que o mercado capitalista utiliza para convencer a população a comprar.

A terceira e última questão indagava os professores sobre as possíveis disciplinas que poderiam aplicar conteúdos referentes à Educação Ambiental na escola (Figura 5).

Figura 5

Figura 5- A Educação Ambiental como tema transversal segundo professores do Ensino Básico, UTFPR, Dois Vizinhos, 2018

Fonte: Autoria própria – 25/07/2018.

De acordo com os dados, 80% dos sujeitos da pesquisa responderam que é possível trabalhar a Educação Ambiental em mais de uma disciplina, porém se restringiram apenas a Ciências e Geografia. Isso demonstra que alguns profissionais não conseguiram reconhecer a importância e aplicação da Educação Ambiental em disciplinas que ministram, como Matemática e Português por exemplo, e diversas áreas do conhecimento, viabilizando o desenvolvimento de práticas interdisciplinares. A interdisciplinaridade é quando uma ou mais disciplinas relacionam seus conteúdos visando aprofundar o conhecimento ensinando de uma forma mais dinâmica e com maior aproveitamento.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais sobre o Meio Ambiente citam que a principal função de se trabalhar o tema Meio Ambiente é buscar a formação de cidadãos conscientes e críticos, aptos a atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida. Para tanto, é necessário que a escola ofereça informações concretas e proporcione momentos práticos para incentivar o aluno a refletir sobre o tema. O documento cita ainda que os conteúdos de Meio Ambiente devem ser integrados às áreas, numa relação de transversalidade, criando uma visualização dos aspectos físicos e histórico-sociais, assim como as articulações entre a escala local e global. A partir da transversalidade é possível discutir de forma mais diversificada sobre valores históricos e culturais relacionando ao cotidiano do aluno.

Assim, cabe ao professor construir e planejar a melhor forma de evidenciar os vínculos de sua área com as questões ambientais em parceria com as outras áreas do conhecimento, sobre a visão do seu universo de conhecimento e suas práticas pedagógicas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer da construção do projeto e durante sua aplicação, percebeu-se o quão importante é a ação de reutilizar os materiais, mas, sobretudo, devemos questionar o atual modelo de relação sociedade-natureza e reduzir o nosso consumo. Notou-se ainda que existe certa dificuldade em distinguir o processo de reutilização, reaproveitamento e reciclagem, e ainda a ilusão dessas práticas serem a solução aos problemas ambientais.

Buscou-se então distingui-las e desmistificar esta ilusão e ingenuidade que existe em ambas as ações em relação a situação a qual vivemos relacionada ao lixo, tornando o ensino emancipatório e crítico.

Consolidou-se a importância do processo de reutilização, demonstrando ideias desta prática na construção de móveis que poderão ser utilizados como fonte de renda.

Porém, fica evidente que a principal causa dos problemas relacionados ao lixo, surge devido ao consumo exorbitante da sociedade atual, geralmente influenciada por grandes mídias e que devem ser abordadas concomitantemente às práticas de Educação Ambiental nos processos educativos para promover posicionamentos de sujeitos críticos em prol de um bem comum.

5 REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zygmunt. Vida para Consumo: a transformação de pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: meio ambiente, saúde / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : 128p. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf.> Acesso em:30 de junho de 2018.

BRÜGGER, P. Educação ou adestramento ambiental? Florianópolis: Letras Contemporâneas. 1994.

BOGDAN, R; BIKLEN, S. Investigação qualitativa em Educação: fundamentos, métodos e técnicas. In: Investigação qualitativa em educação. Portugal: Porto Editora, 1994, p. 15-80. Disponível em: <http://minilink.es/3sfa> Acesso em: 01 mai. 2018.

GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

KLEIN, F. B.; GONÇALVES-DIAS, S. L.F.; JAYO, M. Gestão de resíduos sólidos urbanos nos municípios da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê: uma análise sobre o uso de TIC no acesso à informação governamental. Revista Brasileira de Gestão Urbana. v.10. n. 1. Curitiba, 2018. ISSN 2175-3369. Disponível em: <http://minilink.es/3sfb> Acesso em: 26 abr. 2018.

LAYRARGUES, P. P. A resolução de problemas ambientais locais deve ser um tema- gerador ou a atividade-fim da educação ambiental?. 1994. Disponível em: <http://minilink.es/3sfc> Acesso em: 26 abr. 2018.

___________________. O cinismo da reciclagem: o significado ideológico da reciclagem da lata de alumínio e suas implicações para a educação ambiental. Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA). São Paulo, 2002. Disponível em: <http://www.amda.org.br/imgs/up/Artigo_06.pdf> Acesso em: 1 mai. 2018.

LACERDA, L. M. O Lixo do Capital: uma crítica ao processo de reciclagem de materiais enquanto reposição crítica das categorias modernas. Dissertação de Mestrado apresentada na Universidade de São Paulo. 2014. Disponível em: <http://minilink.es/3sfd> Acesso em: 3 mai. 2018.

LEFF, E. Complexidade, Racionalidade Ambiental e Diálogo de Saberes. Educação & Realidade. Tradução de Tiago Daniel de Mello Cargnin. 2009. Disponível em: <http://www.seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/viewFile/9515/6720> Acesso em: 3 mai. 2018.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. Rio de Janeiro: Editora E.P.U – Editora Pedagógica e Universitária, 2012.PENNA, C.G. O Estado do Planeta: sociedade de consumo e degradação ambiental. Rio de Janeiro, Record, 1999.

ZANETTI, I. C. B. B.; SÁ, L. M.; ALMEIDA, V. G. Insustentabilidade e produção de resíduos: a face oculta do sistema capital. Revista Sociedade e Estado. v.24. n.1. Brasília, 2009. ISSN 1980-5462. Disponível em: < http://minilink.es/3sfe >. Acesso em: 06 maio 2018.





" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias