ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
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Reflexão

13/03/2019DÚVIDA  
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DÚVIDA

O título é o mesmo de um poema que escrevi não pensando num artigo a posteriori. Com algumas reflexões que se seguiram com os amantes da poesia, penso que a dúvida possa ser compartilhada. Uma provocação para ficarmos atentos com as propostas líquidas e certas que nos são apresentadas. O poema tem quatro estrofes e elas serão apresentadas na mesma sequência do poema. Minha dúvida é se chegarei ao fim com esta reflexão. Sempre vale a pena buscar o novo, tentar uma nova experiência.

Com meu jeito rude

Vou esvarar,

Chegar mais perto,

Olhar com atenção.

Na atualidade estamos sendo cada vez mais empurrados para dentro de cavernas. Naquele sentido dado por Platão, um lugar onde somente vemos as sombras da realidade. Nada contra cavernas naturais, sou um apreciador delas e faço levantamentos na região Sudoeste do Paraná. Elas são belíssimas e trazem uma experiência particular e interessante, tanto pela sua formação, como pelos seres que as habitam, como pela minha quando adentro alguma delas.

Para tudo temos condições que vão fazendo com que se perca o sentido do coletivo, a caverna moderna não precisa ser fechada fisicamente. Ela é fechada pela nossa atenção única e exclusiva para a comunicação virtual. Somos amigos de todos e tropeçamos uns nos outros na rua. Muitas vezes nem se quer nos cumprimentamos. Pode parecer exagero e o uso deste é para chamar a atenção mesmo. Espero estar errado na minha percepção.

Quanto tempo?

Mesmo!

Pode ser que não,

O espaço cresceu.

Chegar perto é perigoso, pode ser mal interpretado, gerar conversas totalmente errôneas e por aí vai. Quanto mais isto aumentar, pior será a nossa vida e relacionamentos. As distâncias vão aumentando e se confundem com o tempo. Uma confusão que é muito bem administrada por quem tem intenções outras, travestidas para garantir a lei e a ordem.

Nos tempos primitivos a nossa vivência real em cavernas afastava todo perigo. Um lugar bem protegido. Era preciso ficar atento somente com a saída. Claro que isto também limitava a visão do mundo exterior. Se a sequência de nossa evolução foi esta, não tenho a precisão e nem quero defender uma ou outra. Estou indo pela experiência pessoal e cada um pode lembrar as suas.

Você está num lugar em ruínas e caminha com seu grupo. As condições começam a mudar e uma tempestade está para chegar. Mesmo tendo objetivos bem claros a primeira ideia que vem é buscar um abrigo. Os filmes quase sempre repetem esta cena e com mais realismo quando envolve uma perseguição. Ninguém quer ficar em campo aberto e ser visto. Depois de encontrar um abrigo, o mais profundo possível e fechar todas as entradas, alguém depois de um tempo precisa sair, ver se lá fora está tudo bem.

Muros foram construídos

Com medo de nós,

Podíamos voar

Além do tempo e espaço.

Existe então o herói, o guia, aquele que vai dizer o que deve ser feito. Mesmo que já tenhamos estado lá fora, sabendo que é possível seguir por si só com o grupo, muitos buscam o herói. Na primeira tempestade querem alguém que diga o que fazer. Não que isto não seja necessário, alguém pode saber mais, ter mais experiência e saber conduzir de modo a aumentar as chances de sobrevivência do grupo.

Aqui reside um perigo, porque vamos sendo separados por classes das mais variadas. Pode ser intencionalmente ou não. Pegue o exemplo de um ditador. Existe sempre o discurso de nós, aqueles que o apoiam, contra os outros. Ler obras de ficção ajuda muito para compreender este ponto. Porque na ficção podemos pensar diferente sem ter mudado nada. Nosso cérebro não vai saber a diferença entre o real e o virtual. Mas, cuidado, as ficções com seus heróis contam muito pouco. Elas são uma ficção que disfarça o ditador, aquele que vem salvar a todos. Uma ficção pode ter seu líder, que agrega que une a todos, compartilhando o medo de sair lá fora, para no final seguirem juntos.

Agora estamos aqui,

Separados por instantes.

Já não sabemos

Sobre nossa existência.

E aqui chegamos, você com sua paciência para ler e eu compartilhando esta dúvida sobre a nossa existência. Penso que, quando saímos das cavernas, lembramos que tivemos que chegar até elas, um dia. Talvez, lá no passado longínquo, tenhamos percorrido grandes distâncias, com dificuldades imensas, e chegarmos num abrigo rochoso foi o melhor. Sim, porque se nossos ancestrais tivessem feito outra escolha, eu e você poderíamos nem existir e estar aqui unidos por este texto.

Por outro lado, quando fomos evoluindo e ficando mais tempo fora das cavernas, criando melhores condições para seguir viagem, migramos para condições de vida mais longevas e continuamos com medo. O principal deles, a base de todos os outros, o medo da morte. Nós somos a espécie que tem consciência de que amanhã poderá não mais estar aqui.

Para a maioria, saber sobre a nossa existência é uma conversa de boteco, os heróis milenares ainda estão aí servindo de consolo e de guia, com palavras de ordem que são repassadas de geração em geração. Por outro lado, temos em curso uma multiplicação de individualistas nunca antes vista. Uma maioria que não se relaciona e até quer receber a sua alimentação por um drone, em vez de ir encontrar com outros, em locais públicos, para trocas, conversas, diálogos.

Nossa existência, como espécie humana, precisa, ainda, ser descoberta. Falta evoluir como um todo, tendo nesta jornada uns e outros que vão se revezando para dar o melhor de si, desapegados, sem querer ser herói ou ditador. Penso que a opção mais interessante é continuar o nosso caminho partilhando com outros, saber que sempre teremos medo da morte e que ela não deve ser empurrada para um canto mas, admitida para instigar, aguçar a nossa curiosidade por saber mais de nós mesmos.

Está tudo confuso como a dúvida do poema que foi o precursor deste texto. O que deixa aberto o espaço para diminuir o tempo entre nós, e, quem sabe, podermos aumentar as nossas trocas e existir um pouco mais. Fique à vontade para entrar em contato. Lá no início tinha a primeira dúvida, se chegaria ao fim, resolvi mantê-la lá, sem fazer revisão. Afinal, a dúvida permitiu realizar tudo isto.



Cláudio Loes





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