ENTREVISTA COM ANA CAROLINA RODRIGUES PARA A 71ª EDIÇÃO DA REVISTA VIRTUAL EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO – POR BERE ADAMS



Apresentação – A entrevistada desta edição é ANA CAROLINA MONTEIRO RODRIGUES, formada em Design para Sustentabilidade pelo Gaia Education, Especialista em Direito Ambiental e Especialista em Educação Ambiental. Trabalhou com Regularização Fundiária, especialmente em área de mananciais na cidade de São Paulo, autora do programa Fio de Gaia. Após morar a vida inteira na capital, decide mudar para uma cidade no interior de SP e, neste período, criou o programa Fios de Gaia, com a intenção de levar a Educação Ambiental para mais pessoas. Eu tive a oportunidade de conhecer a Ana no Curso de Especialização em Educação Ambiental na USP – São Carlos, em 2015 e foi lá que ela inicia uma tecitura mais aprofundada do projeto que, por ora, apresenta-se bem amadurecido, com um website redesenhado e conta com novos recursos, como a disponibilização de podcasts esporádicos em um canal do Youtube. Mas, vamos deixar que ela nos conte como tudo começou, quais são seus objetivos, suas ações e quais são os seus planos atuais.

Bere Ana, muito obrigada por aceitar o convite para esta entrevista. Será enriquecedor poder compartilhar a sua trajetória com o pessoal que acompanha esta publicação, muito obrigada! Bem, para começar, como surgiu o seu interesse pelas questões ambientais? Como você chegou até a Educação Ambiental?

Ana – Bere, agradeço imensamente pelo convite! É uma alegria fazer parte novamente da Revista de Educação Ambiental em Ação, e desta vez contando um pouco sobre um projeto que você viu nascer.

Meu interesse pelas questões ambientais sempre esteve comigo, vem de outras vidas talvez. Sempre me senti muito integrada com a Natureza. Desde muito pequena adorava admirar a chuva caindo, as copas das árvores balançando, coisas assim. Ao mesmo lembro de chorar sentido ao ver notícias de florestas sendo queimadas. Eu realmente não entendia como as pessoas podiam tratar a Natureza desa forma, e também não entendia porque a maioria de nós vive tão distante da Natureza.

Já a Educação Ambiental surgiu aos poucos. A primeira vez que a compreendi como um caminho foi na monografia de Graduação. A resposta para quase todos os nossos problemas invariavelmente é “Educação”, e com o tempo fui percebendo que a Educação da qual precisamos deve necessariamente estar integrada com o nosso meio ambiente. Somos mais uma espécie viva neste Planeta e precisamos aprender a nos colocar em harmonia com o Todo.



Bere – Para você, qual é a importância da Educação Ambiental nos dias de hoje?

Ana – Enorme. A cada dia fica mais evidente nossa absoluta necessidade de nos educarmos ambientalmente. Desde 1972, em Estocolmo, que o mundo vem apontando a Educação Ambiental como sendo o processo mais adequado para transformarmos nosso estilo de vida. Não é de hoje que a humanidade reconheceu a insustentabilidade do modelo em que vivemos e a urgência em adotarmos outro modo de vida. E isso só é possível mediante uma profunda transformação humana, que pode ser alcançada pela Educação Ambiental.



Bere – A Educação Ambiental é desenvolvida a partir de diferentes correntes como, de forma reduzida, cito três das principais: a conservadora – aquela que apresenta metodologias puramente preservacionistas; a pragmática – aquela que trata de temas básicos como lixo, água, poluição, consumo, etc, sem considerar a relação entre os problemas ambientais e as responsabilidades envolvidas nestas questões e sem incorporar os aspectos culturais sociais, econômicas; e, a crítica, que é aquela que apresenta-se como uma educação transformadora e voltada para a formação integral dos indivíduos. Qual a linha da EA que você considera mais adequada e por quê?

Ana – Entendo que a Educação Ambiental tem como propósito maior formar pessoas dotadas de visão de mundo sistêmica, de valores humanos e de uma ética ambiental que atuarão em suas vidas pessoais e em suas comunidades de maneira responsável, solidária e sustentável. É inerente ao processo educativo a busca por um florescimento que nos torne seres humanos mais dignos e que nos permita criar sociedades de paz. Portanto, certamente considero a Educação Ambiental Crítica a mais adequada e inclusive sendo a mais fiel aos princípios e aos objetivos estabelecidos para a Educação Ambiental em seus referenciais teóricos.



Bere – E o Projeto Fios de Gaia, como ele nasceu?

Ana – Iniciou a partir de uma vontade de divulgar para mais pessoas informações a respeito dos referenciais teóricos da Educação Ambiental. Então comecei escrevendo e elaborando mapas mentais de 4 documentos: Carta de Belgrado, Declaração de Tbilisi, Tratado de EA e Carta da Terra. Penso que quem tem interesse em atuar nesta área precisa se debruçar sobre estes textos e tomá-los como norte para suas ações futuras.

Com o tempo fui aprofundando as ideias e o Fios de Gaia se tornou um projeto de Educação Ecológica e Cultura de Paz, que tem como propósito participar e colaborar com o movimento de despertar consciencial coletivo rumo a um paradigma emergente de paz. Para isso procuramos trabalhar mente, coração e mãos, semeando o pensamento sistêmico, valores humanos, ética ambiental e cidadania ativa. Entendo que esses são elementos que devem estar entrelaçados para alcançarmos uma nova realidade e todo nosso conteúdo gira em torno deles.

Bere – O que vocês oferecem no Website?

Ana – Hoje apresentamos na página virtual do Fios de Gaia 3 Seções: “Despertando”, na qual compartilho (em áudio e em texto) reflexões procurando incentivar uma forma de pensar mais contextual e profunda; “Escritos Ambientais”, em que discorro sobre convenções, protocolos, tratados, textos que servem de referência para nossa atuação na Educação Ambiental; e “Visão de Mundo”, na qual abordo teorias e obras que nos ajudam a ampliar nossa percepção e modificar padrões de comportamento.

Além disso, temos também uma Linha do Tempo da Educação Ambiental, na qual levantamos declarações, eventos e documentos que foram dando embasamento e corpo para a Educação Ambiental.