MEIO AMBIENTE: PARQUE NATURAL JOÃO ANSELMO FORTALECE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, PESQUISA E BIODIVERSIDADE

Sob gestão integrada da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Secretaria Municipal de Educação (Semed) e Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM), o Parque Natural João Anselmo torna-se um dos principais espaços de preservação ambiental e educação ecológica do município. Localizado a poucos quilômetros de Murumuru, na zona rural de Marabá, o parque criado pela Prefeitura de Marabá, inaugurado em 17 de dezembro de 2024 e aberto oficialmente ao público, oferece contato direto com a fauna, a flora e a biodiversidade amazônica.

Com área total de 222 mil metros quadrados, o parque está situado onde funcionava a antiga Reserva Ambiental Murumuru, idealizada pelo professor Noé Von Atzingen. A área foi adquirida pelo município em 2019 e, desde então, passou por um processo contínuo de revitalização, incluindo levantamento da fauna e da flora, reflorestamento de áreas degradadas e implantação de trilhas, além da construção de nova estrutura física para atender visitantes, estudantes e pesquisadores.

Atualmente, o espaço conta com três blocos edificados, além da portaria, que funcionam como salas de aula, ambientes de pesquisa e locais para palestras e atividades educativas. Segundo o coordenador do parque, o biólogo Manoel Ananis Lopes Soares, a proposta é que o espaço atue de forma integrada entre conservação ambiental, educação e produção científica.

O parque funciona de forma gratuita, de terça a domingo, das 8h às 15h. O agendamento prévio é exigido apenas para grupos acima de dez pessoas, como escolas, empresas, organizações não governamentais e instituições. Conforme explica o coordenador, grupos familiares ou visitantes individuais não precisam de agendamento.

Biólogo Manoel Ananis Lopes Soares

O visitante com até nove pessoas pode chegar, se apresentar, assinar o livro de frequência e já é acompanhado pela equipe”, destaca.

Além da visitação, o Parque Natural João Anselmo também tem como um de seus eixos principais o incentivo à pesquisa científica. De acordo com Manoel Ananis, pesquisadores podem solicitar autorização para desenvolver estudos no local e, em alguns casos, contar com estadia dentro do parque. “Um dos objetivos do parque é justamente a pesquisa científica. O pesquisador apresenta o pré-projeto, a equipe avalia a viabilidade e, sendo aprovado, encaminhamos para autorização final da Secretaria de Meio Ambiente”, explica.

Para pesquisas envolvendo fauna, é obrigatória a licença do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO).

Por se tratar de uma área de conservação, o parque possui regras específicas para garantir a proteção da fauna e da flora. A entrada de animais domésticos é proibida, medida necessária para evitar estresse nos animais silvestres e riscos de transmissão de zoonoses. Atualmente, o parque abriga 92 espécies de animais silvestres, funcionando como área de refúgio, reprodução e alimentação, em meio a um entorno já bastante impactado pelo desmatamento.

A visitação às trilhas exige o uso de calça e sapato fechado, por questões de segurança. “Nós estamos na Amazônia, dentro da floresta, onde existem animais peçonhentos. Não se trata de ataque, mas de possíveis acidentes, por isso a prevenção é essencial”, orienta o coordenador. A entrada nas trilhas ocorre exclusivamente com acompanhamento de educadores ambientais.

O parque conta com dez colaboradores, sendo seis deles diretamente envolvidos no acompanhamento de grupos nas trilhas. Atualmente, estão disponíveis cinco trilhas, entre elas a Trilha Dona Lourdes e a Trilha do Capitão. Para os próximos anos, novos projetos estão em fase de implantação.

Entre as iniciativas previstas para 2026 está a criação da Trilha da Casa do Castanheiro, que irá resgatar a importância histórica, econômica e cultural da castanha e do castanheiro para o desenvolvimento de Marabá.

A castanha representou o segundo ciclo econômico da região e foi fundamental para o crescimento do município”, ressalta Manoel Ananis. A estrutura será ambientada com base em pesquisas históricas e depoimentos de antigos castanheiros, com materiais doados, em sua maioria, pela Casa da Cultura.

Outro projeto em andamento é a implantação de uma Trilha Sensorial voltada para pessoas com deficiência visual. A proposta inclui corda tátil, placas de identificação das árvores em braile e recursos sonoros com sons da natureza. “Identificamos essa necessidade porque recebemos visitantes de toda a região. Queremos garantir acessibilidade e inclusão”, afirma o coordenador.

O parque também iniciou uma nova exposição permanente sobre a flora local, com sementes e frutos, destacando espécies que precisam ser preservadas. O inventário já identificou 135 espécies de árvores, algumas em situação de vulnerabilidade. Além disso, está prevista a criação de um setor de zoologia, com animais taxidermizados, permitindo que visitantes, especialmente pessoas com deficiência visual, possam tocar e reconhecer espécies como o quati.

Outro projeto de destaque é a futura Casa da Quebradeira de Coco Babaçu, que irá apresentar a importância econômica e social do babaçu para a região, mostrando todo o processo de extração e os produtos derivados, como azeite e farinha. A iniciativa busca valorizar saberes tradicionais e contribuir para a conservação das espécies.

O espaço também permite a realização de piqueniques, desde que os alimentos sejam levados prontos e consumidos apenas nas áreas permitidas. Não é permitido o uso de churrasqueiras, bebidas alcoólicas ou som alto.

É uma área de reserva. Quem vem para cá precisa ouvir o som da natureza, o canto dos pássaros, o barulho dos animais”, reforça Manoel Ananis.

Alimentos não podem ser levados para as trilhas, sendo permitido apenas o transporte de água.

Ao final, o coordenador reforça o convite à população.

Aqui é um santuário que abriga cerca de 90 espécies da fauna silvestre, já que todo o entorno foi desmatado. O parque é essencial para a comunidade e para a conservação da natureza. Todos estão convidados a conhecer e entender a importância desse espaço”, conclui.

Serviço

Endereço: O Parque Natural está localizado próximo à Vila Murumuru, após o Núcleo Morada Nova
Horário de funcionamento: Segunda a sexta, das 8h às 15h.
Entrada gratuita.
Agendamento: A partir de 10 integrantes
WhatsApp: (94)99186-2679
Instagram: @parquemunicipaljoaoanselmo

Texto: Sávio Calvo
Fotos: Bruno Eduardo



Fonte: Meio Ambiente: Parque Natural João Anselmo fortalece educação ambiental, pesquisa e biodiversidade - Prefeitura de Marabá