Que meu andar, meu viver seja cada vez mais no ritmo das bicicletas... (José Matarezi)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 79 · Junho-Agosto/2022
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30/05/2022 (Nº 79) EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRODUÇÃO E DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BAIRRO FONTE BOA NA CIDADE DE TEFÉ/AM
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRODUÇÃO E DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BAIRRO FONTE BOA NA CIDADE DE TEFÉ/AM

Marcos Rodrigo Cunha Saldanha1, Eubia Andréa Rodrigues2, Máximo Alfonso Rodrigues Billacrês3



1 Graduando em Geografia, Universidade do Estado do Amazonas, marcosrodrigocunha@gmail.com

2 Doutoranda em Geigrafia, Universidade Federal de Rondônia, eandrea@uea.edu.br

3 Doutor em Biotecnologia, Universidade do Estado do Amazonas, billacres@gmail.com





Resumo:

O artigo é resultado de um projeto de extensão que objetivou identificar os principais impactos socioambientais decorrentes da produção e destino dos resíduos sólidos produzidos pelos moradores do bairro de Fonte Boa, na cidade de Tefé-AM. Provém de uma discussão metodológica com base em pesquisas bibliográficas, diagnóstico da área e entrevistas analisando a formação, informação e conhecimento, a partir de uma abordagem quali-quantitativa, vinculada a um diálogo entre sujeito e objeto. A proposta surgiu da necessidade de compreender a relação existente entre os moradores do bairro e o poder público, na busca pela qualidade do espaço vivido. Portanto, a Educação Ambiental é uma ferramenta importante, que pode ser trabalhada formal, não formal e informalmente, e, desenvolvendo práticas para o desenvolvimento sustentável, possibilitando o senso crítico para a preservação do meio ambiente.

Palavras-chaves: Educação Ambiental; Resíduos sólidos; Espaço urbano; Tefé.



Abstract:

The article is the result of an extension project that aimed to identify the main socio-environmental impacts resulting from the production and destination of solid waste produced by the residents of the Fonte Boa neighborhood, in the city of Tefé-AM. It comes from a methodological discussion based on bibliographic research, diagnosis of the area and interviews, analyzing training, information and knowledge, from a qualitative and quantitative approach, linked to a dialogue between subject and object. The proposal arose from the need to understand the relationship between the residents of the neighborhood and the public authorities, in the search for the quality of the lived space. Therefore, Environmental Education is an important tool, which can be worked on formally, non-formally and informally, and, developing practices for sustainable development, enabling the critical sense for the preservation of the environment.

Keywords: Environmental Education; Solid waste; Urban space; Tefé.



Introdução

A Educação Ambiental desempenha um papel fundamental na produção de um espaço com boa qualidade de vida, por suas características informais, pois todos os membros da comunidade podem ter o mínimo de informação sobre o tema em questão e se dedicar à produção de um espaço com uma melhor qualidade de vida caracterizando-se como um agente transformador do espaço vivido. É dentro desta perspectiva que a Educação ambiental é um dos assuntos que mais crescem, visto sua importância para a sociedade preocupada em estabelecer soluções capazes de harmonizar o ambiente e o social, além de desenvolver práticas para o desenvolvimento sustentável. É, neste contexto, que se esboça o projeto de extensão que teve com o objetivo identificar os principais problemas decorrentes da produção de lixo pelos moradores do bairro Fonte Boa, na cidade de Tefé.

A proposta surgiu da necessidade de se compreender a relação existente entre os moradores do bairro e o poder público, no que diz respeito a melhoria da qualidade do espaço vivido, permitindo entender como os moradores se comportam diante da produção e destino dos resíduos sólidos produzidos pelos mesmos. Para o desenvolvimento da proposta buscou-se investigar conceitos que possibilitassem a compreensão objetivada do tema. Assim foram destacados como conceitos importantes: espaço urbano, educação ambiental, resíduos sólidos. O presente artigo propõe a compreensão dos três conceitos e sua aplicabilidade na produção de um espaço melhor para a qualidade de vida.

Neste sentido, a pesquisa bibliográfica proporcionou a fundamentação de conceitos e categorias que pudessem ser correlacionadas com a pesquisa in loco, na comunidade do bairro Fonte Boa (Tefé-AM). O desenho amostral contou com a análise das respostas de 40 entrevistados do bairro. Por meio, da associação teórica-metodológica, identificou-se que os moradores, pouco agem em relação à melhoria da qualidade de vida e na produção e destino dos resíduos. Partindo desta análise, o presente trabalho apresenta uma estrutura que tem um caráter metodológico quali-quantitativo. Desta forma, o artigo está estruturado para que se compreendam todos os pontos analisados e a conexão que existe entre eles, os pontos descritos separadamente são analisados posteriormente em conjunto.



Discurso Teórico



Educação Ambiental



Segundo a Lei nº 9795 de 27 de abril de 1999, no Capitulo do Artigo 1º, diz que:

Entende-se por Educação ambiental por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem como o uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.



Segundo Mousinho (2003), a educação ambiental busca despertar a atenção tanto individual quanto coletiva para as questões ambientais, promover a consciência crítica e estimular o desejo de enfrentamento, desenvolvendo-se em um contexto de tentar tratar as crises ambientais como questões éticas e políticas, e comprometendo-se não apenas com a mudança cultural, mas também com a mudança social, e até mesmo ambiental. Para Layargues (2002), é um importante processo de educação que visa a consciência crítica da sociedade em geral sobre as instituições, atores e fatores sociais que criam riscos e conflitos com seus respectivos ambientes sociais, baseado no exercício coletivo da cidadania, estabelece uma estratégia para lidar com esses conflitos de acordo com as exigências das políticas públicas participativas exigidas pela gestão ambiental democrática. Portanto, é necessário que o indivíduo seja um sujeito participativo, em ações que promovam um bem individual e coletivo, é o que se estabelece através do regimento da Educação Ambiental na Constituição Brasileira.

Conforme o Plano Diretor de Tefé no capítulo I do Art. 83º de diretrizes gerais de proteção ambiental, o município deve “implementar um programa de Educação Ambiental”. E os capítulos I e III do Art. 85º especificam que o município deve realizar campanhas e ações práticas de sensibilização de residentes e entidades comunitárias, visando a mudança de comportamentos e hábitos para promoção da qualidade de vida e sustentabilidade ambiental, além de ter como base no desenvolvimento da política municipal de educação ambiental, fortalecer a ação de educação ambiental municipal, para posteriormente formular um plano diretor de educação ambiental, que integre diversas iniciativas e atividades neste campo, garantindo a integridade de crianças, jovens e de toda a comunidade, visando um processo contínuo. Em nível local o interesse das pessoas está centrado mais nas consequências (sejam elas positivas ou negativas), existe a necessidade de que esses indivíduos sejam motivados a resolver os problemas que afetam diretamente o meio ambiente, especialmente aqueles que trazem danos ao meio uma vez que, o ambiente é um objeto social onde interagem elementos sociais e elementos naturais dentro de uma construção que tem às vezes a natureza e a cultura (VEYRET, 2007).

Implementar ações que beneficiem a maioria ou a totalidade da população no plano ambiental e a realização de campanhas de conscientização são ferramentas necessárias para sensibilizar as pessoas de forma crítica para as questões ambientais, pois o envolvimento da comunidade e a discussão conjunta contribuem para a solução do problema. Além disso, as ações nas cidades implicam em mudanças na vida social e cultural, essas cidades podem reduzir gradativamente os danos ao meio ambiente, além de apresentar aos moradores e ao poder público, projetos que possam solucionar esses problemas ambientais que afetam diretamente a qualidade de vida das pessoas. A proposta foi direcionada para os bairros com a finalidade de investigar o comportamento dos moradores em relação à produção dos resíduos e o destino deste. Por isso a necessidade de introduzir a educação ambiental como estratégia de investigação e solução para a melhoria de qualidade de vida. A produção dos resíduos permite identificar os principais impactos socioambientais, no bairro em questão, para tanto, é importante reconhecer os que são estes resíduos.



Resíduos sólidos



Segundo Rodrigues (1998), os resíduos sólidos no geral classificam-se conforme a sua composição química, podendo ser orgânicos ou inorgânicos. Com relação aos perigos potenciais para o meio ambiente os resíduos são classificados como perigosos ou não perigosos. Os perigosos, se dividem em três categorias: tóxico, cancerígeno, inflamável. Todos esses trazem perigo a saúde. Os resíduos são também divididos nas categorias que se refere a umidade, além de serem classificados de acordo com sua origem: residencial, comercial, hospitalar e industrial.

Os resíduos hospitalares, é constituindo de papéis, plásticos provenientes das embalagens, agulhas, seringas, gazes, bandagens, luvas, tecidos e restos de alimentos. A responsabilidade sobre a deposição e transporte desses resíduos é de quem os produz. Os resíduos residenciais incluem embalagens de produtos de limpeza, móveis velhos, resíduos orgânicos, e outros itens. Alguns deles podem ser altamente tóxicos, como baterias e solventes, tornando necessário o descarte de forma correta por meio da coleta seletiva e do descarte desses resíduos em locais adequados para sua coleta.

Os resíduos residenciais também apresentam semelhanças com os resíduos de lugares públicos, uma vez que também é possível detectar a presença de entulhos como pedaços de árvores, resíduos de construção como tijolos, concreto, madeiras, pedaços de ferros na formação da massa residual. Mesmo que esses materiais sejam inertes eles ainda ocupam grandes áreas em aterros sanitários ou lixão à céu aberto. Em Tefé, segundo o plano diretor de resíduos sólidos e serviços de limpeza urbana, principalmente coleta e transporte de resíduos, serão ampliados para 100% da população permanente, com tratamento adequado e/ou disposição final além de possibilitar uma produção cada vez menor de resíduos sólidos.

Neste contexto, define-se resíduos sólidos como todo o material, sem serventia, descartado para ser destinado para o lixo, independente de sua origem, com ou sem coleta seletiva, uma vez que a oferta desse serviço não é identificada na cidade de Tefé. Silveira e Rodrigues (2018, p. 124) definem ainda resíduos como:

[...]todo material proveniente das atividades humanas, desta forma, pela falta de administração, na maioria das vezes este resíduo é direcionado para lugares inadequados, como ocorre na maioria das vezes com o lixo que é direcionado diretamente nos lagos e igarapés, causando problemas ambientais e até mesmo de saúde.



Todo material descartado, resultante da atividade humana, em todas as dimensões podem ser denominados resíduos sólidos. O armazenamento inadequado desses resíduos tem promovido os impactos socioambientais, com impacto direto sobre a qualidade de vida dos habitantes, essas ações são identificadas, principalmente, nas cidades, onde a concentração de equipamentos urbanos e, as aglomerações de pessoas cominam em uma elevada produção de resíduos. É necessário identificar o espaço urbano como o lócus de efervescência humana, resultado das transformações sociais e ambientais, e quando se analisa um bairro, a questão se remete para o estudo sobre o espaço urbano.



Espaço Urbano



Para se ater ao conceito de espaço urbano, é necessário em termos gerais compreendê-lo como o conjunto de diferentes usos da terra justapostos entre si, que se apresenta, como um espaço fragmentado, articulado, reflexo e condicionante social, um conjunto de símbolos e campo de lutas. E assim a própria sociedade em uma de suas dimensões, aquela mais aparente, materializada nas formas espaciais (CORRÊA, 1995). Para fundamentar, ainda mais, inclui-se Santos (1986) que considera o espaço um conjunto de relações realizadas através de funções e de formas, relações essas que são testemunhas da história escrita pelos processos do passado e do presente

É por meio do espaço que se pode analisar as transformações que ocorrem/ocorreram ao longo do tempo, tendo em vista que as relações presentes são resultantes dos fixos e fluxos decorrentes das ações humanas, permitindo a configuração do espaço urbano. Considerando que as cidades têm características e funções próprias, as cidades da Amazônia lidam com realidades e planejamentos urbanos diferentes, o processo de urbanização não é eficiente, o que acarreta problemas de desenvolvimento. Os meios de organização e prevenção do espaço raramente levam em conta os problemas urbanos cada vez mais evidentes, principalmente o destino incorreto dos resíduos sólidos.

Segundo Rodrigues (2018, p. 101) “O fenômeno urbano vai se estendendo sobre o território a partir da concentração populacional em consequências dos arranjos institucionais que foram se instalando, oferecendo serviços para as cidades que mantinham, já, uma ligação comercial passada”, ou seja, os arranjos institucionais e equipamentos urbanos são elementos concretos do espaço urbano que vai se configurando ao longo do tempo, dando formato à cidade. O bairro geralmente é um lugar residencial e segregado e com escassez das necessidades que os moradores precisam. Mostrando a reprodução do espaço urbano total, uma vez que o espaço é segmentado e desigual. Segundo Souza (apud BEZERRA, 2011, p. 7) o bairro é:

[...] um referencial direto e decisivo, pois define territorialmente a base social de um ativismo, de uma organização, aglutinando grupos e por vezes classes diferentes (em níveis variáveis de acomodação ou tensão); catalisa a referência simbólica e, politicamente, o enfrentamento de uma problemática com imediata expressão espacial: insuficiência dos equipamentos de consumo coletivo, problemas habitacionais, segregação sócio-espacial, intervenções urbanísticas autoritárias, centralização da gestão territorial, massificação do bairro e deterioração da qualidade de vida urbana.



O bairro deverá ter estruturas essenciais, como: vias pavimentadas, energia elétrica, abastecimento de água de qualidade, esgoto, etc., proporcionando uma boa qualidade de vida. É nos bairros que se concentram diversos problemas. Todos os bairros possuem infraestrutura, contudo cada vez mais problemas infraestruturais causados por diversos problemas são identificados nos processos, segundo Puppy:

Esse sistema de infraestrutura é constituído por alguns subsistemas: subsistema viário; subsistema de drenagem pluvial; subsistema de abastecimento de água; subsistema energético e subsistema de comunicação. Subsistemas esses essenciais para que uma cidade possa fluir evitando o surgimento de alagamento de ruas, congestionamento de trânsito e falhas nos serviços de atendimento à população por parte do poder público, etc. (apud FILHO, 2005, p.3 et.al).



O bairro é um conceito que define o espaço urbano, ou seja, a fragmentação do espaço urbano (bairros) permite entender a complexidade de análise sobre o urbano, em uma determinada porção espacial, e possibilita a compreensão do espaço a partir das partes. Nesta análise, o bairro é o elemento primordial para se compreender o comportamento humano e a utilização do espaço, frente as transformações ocorridas.



Produção e destino dos resíduos sólidos no bairro Fonte Boa



Com o trabalho de campo, ocorrido entre janeiro e fevereiro de 2020, foi possível constatar que os moradores do bairro de Fonte Boa produzem uma quantidade exagerada de resíduos, estes provenientes, principalmente, da compra de produtos de supermercados, para consumo e material de limpeza, como sacolas plásticas, caixas de papelão, garrafas pets, embalagens de diversas origens, latas de óleos e leite etc. Todos os moradores colaboram para a produção, segundo a perspectiva da Prefeitura Municipal que é responsável pela coleta diária desse material. No entanto, o lixo é coletado no bairro 3 (três) vezes por semana (segunda, quarta e sexta-feira) e apenas um caminhão coletor de lixo é responsável pela coleta de todo o bairro. Nesse caminhão nota-se a presença de 3 agentes de coleta de lixo, onde um agente encontra-se dentro da caçamba do caminhão para retirada de lixos de dentro de baldes, etc. e os outros dois diretamente na rua, para a coleta dos resíduos, um fica responsável pelo lado ímpar e o outro pelo lado par da rua.

O destino final dos resíduos sólidos de todos os bairros da cidade de Tefé, é o “lixão” ou “lixão à céu aberto”. Esse tipo de destinação dos resíduos é um dos que mais causam prejuízos ao meio ambiente além de ocupar grandes áreas, também sendo expostos diretamente ao solo, podendo contaminar os lençóis freáticos e cursos de águas, e assim contribuindo para a degradação ambiental e consequentemente para problemas de saúde pública (Figura 1 e 2).



Figuras 1 e 2: Destino final dos resíduos sólidos na cidade de Tefé

Org.: SALDANHA, 2020.



Metodologia

Área de Estudo



A cidade de Tefé, geograficamente situada a Latitude: 3º 19’ 15” Sul, longitude: 64º 43’ 25” Oeste e possui uma área que se estende por 23.704,5 km2. O bairro Fonte Boa, objeto de estudo da proposta é um dos 22 bairros que formam a cidade de Tefé (Figura 3).

Figura 3: Localização da área de estudo

Fonte: Google Earth Org.: AUTORES, 2020.



Para realização desse trabalho foi realizada pesquisa bibliográfica sobre o tema com enfoque em Educação Ambiental (RODRIGUES, 1998), espaço urbano, resíduos sólidos. Posteriormente, foi realizado um trabalho de campo observacional para identificar os problemas socioambientais presentes no bairro além da delimitação das principais áreas de ocorrência. Para coleta de dados foi elaborado um questionário contendo 11 (onze) perguntas sendo aplicado com 40 (quarenta) pessoas distribuídas em 7 (sete) ruas do bairro.

As entrevistas semiestruturas foram realizadas através de diálogos com os moradores, diálogos se baseou nos temas educação Ambiental, resíduos sólidos, problemas socioambientais, etc., e no decorrer dele, foram elencadas sobre as temáticas. Após a coleta dos dados por meio do questionário e diálogo com os moradores foram elaborados os gráficos (GIL, 2008) (Figura 5).


Figura 4: Esquema metodológico do trabalho de campo.

Org.: SALDANHA, 2020.



Resultados e discussões



Através da aplicação de quarentas questionários para os moradores do bairro foram coletados os dados e elaborados os gráficos. A Figura 5 aborda o grau de escolaridade dos moradores do bairro Fonte Boa, por meio dele obteve-se os seguintes resultados: das 40 pessoas entrevistadas, 15 (38%) possuem o ensino médio completo, 9 (23%) possuem o ensino médio incompleto, 7 (17%) possuem o ensino fundamental incompleto, 4 (10%) nunca estudaram, 3 (7%) possuem o ensino fundamental incompleto e 2 (5%) possuem o ensino superior completo.

Figura 5: Grau de escolaridade dos moradores do bairro de Fonte Boa.

Org.: SALDANHA, 2020.



O bairro Fonte Boa é composto por pessoas de diversos graus de escolaridade, esse é um fato determinante para se entender que a grande maioria tem informações ou conhecimento sobre os temas propostos como análise vista que a escola assume também sua responsabilidade social na formação da cidadania, e buscando formar uma consciência ambiental do cidadão e, portanto, uma atuação efetiva na sociedade. A Figura 6 aborda sobre a funcionalidade do morador, obteve-se os seguintes resultados: das 40 pessoas, 18 (45%) trabalham em outras funções, 14 (35%) trabalham como autônomos, 5 (12%) são funcionários públicos, 2 (5%) exercem trabalho informal, 1 (3%) exerce trabalho formal.



Figura 6: Qual o seu trabalho?

Org.: SALDANHA, 2020.



Em uma análise ampla, percebe-se que os moradores são autônomos e poucos são funcionários públicos. A funcionalidade dos moradores se reflete também no tipo de comportamento e comprometimento frente as ações que visem uma qualidade de vida e um trabalho coletivo. Considerando os trabalhos informais, por exemplo, banca de churrascos, quitanda na frente da casa, o material descartado fica exposto até o caminhão de lixo passar para recolher. A Figura 7, aborda a infraestrutura do bairro Fonte Boa, sendo organizado em questões de múltipla escolha (ótimo, bom, regular, ruim, péssimo), onde obteve-se os seguintes resultados: das 40 pessoas as quais foram aplicados o questionário, 14 pessoas (35%) consideram a infraestrutura do bairro regular, 9 (23%) consideram péssimo, 8 (20%) consideram ruim, 6 (15%) consideram boa, (7%) consideram a infraestrutura do bairro ótima.

Figura 7: Infraestrutura do bairro

Org.: SALDANHA, 2020.



A infraestrutura do bairro Fonte Boa é parcialmente boa, porém, determinadas áreas/ruas são intransitáveis para veículos de grande porte. O caminhão coletor de resíduos fica impossibilitado de transitar por algumas ruas e como consequência o descarte do lixo fica irregular. No ano de 2020 algumas ruas receberam recapeamento, por conta de projetos de campanha política. O gráfico 4, se refere a coleta do lixo residencial no bairro, obteve-se os seguintes resultados: dos 40 entrevistados, 13 pessoas (32%) consideram a coleta do lixo residencial boa, 12 pessoas (30%) consideram regular, 7 pessoas (18%) consideram péssimo, 6 pessoas (15%) consideram ótimo e 2 pessoas (5%) consideram ruim a coleta do lixo residencial no bairro.

Figura 8: Coleta do lixo residencial no bairro

Org.: SALDANHA, 2020.



A coleta do lixo residencial no bairro acontece 3 (três) vezes por semana (segunda, quarta e sexta-feira) e é disponibilizado pelo município apenas um caminhão coletor de lixo para todo o bairro, contudo essa coleta não ocorre de maneira programada, ficando dois ou três dias sem coleta no bairro o que acarreta no acúmulo de lixo nas casas e também nas ruas levando em conta que a produção diária de resíduos no bairro é grande, tornando necessária uma coleta diária dos resíduos pelo bairro. A Figura 9, aborda o destino do lixo produzido pelo morador, obtendo os seguintes resultados: das 40 pessoas entrevistadas, 30 pessoas (75%) joga o resíduo solido diretamente no lixo, 8 pessoas (20%) separa para a coleta seletiva, 1 pessoa (3%) separa para a produção de artesanatos, 1 pessoa (2%) joga o lixo em terrenos baldios ou no chão.

Figura 9: Destino do lixo produzido pelos moradores

Org.: SALDANHA, 2020.



O morador ou o produtor de lixo pouco se importa quanto ao destino do lixo, apenas se importando de “jogar no lixo” ou “caminhão coletor” deixando de lado a coleta seletiva e reutilização de alguns materiais. Um fato interessante sobre ao aplicar essa pergunta, apenas uma pessoa informou que joga o lixo e faz a queima dos resíduos no seu terreno e não aguarda a coleta residencial. Não existindo por conta do poder público a coleta seletiva. A Figura 10, se aborda a responsabilidade do município em relação a reciclagem do lixo, obtemos os seguintes resultados: das 40 pessoas a qual foi aplicado o questionário, 14 pessoas (35%) acha o município deve incentivar a reciclagem do lixo, 14 pessoas (35%) acham que o município é imparcial quanto a reciclagem do lixo e que deve surgir do próprio morador a ideia de reciclagem, 6 pessoas (15%) acha que o município deve conscientizar a reciclagem do lixo, 3 pessoas (8%) acha que o município deve questionar quanto a reciclagem do lixo e 3 pessoas (7%) acha que o município deve fazer observações junto ao morando sobre a reciclagem do lixo.

Figura 10: Responsabilidade do município em relação a reciclagem do lixo

Org.: SALDANHA, 2020.



Quanto a responsabilidade do município em relação a reciclagem do lixo a população acha o município deve incentivar a reciclagem do lixo ou que deve surgir do próprio morador a ideia de reciclagem. Sabe-se que o município deve desenvolver planos e projetos de educação ambiental, planos e práticas para a sensibilização da população quanto a reciclarem do lixo, que tem como objetivo a mudança de comportamentos e hábitos para melhorar a qualidade e a sustentabilidade ambiental também tendo como base o desenvolvimento de políticas municipais de educação ambiental. A Figura 11, aborda o que o morador sabe que acontece com o lixo da cidade, obteve-se os seguintes resultados: das 40 entrevistas, 37 pessoas (92%) nada sabe, apenas joga no lixo para coleto do caminhão de lixo, 3 pessoas (8%) acreditam que o lixo é aproveitado par reciclagem.

Figura 11: Você sabe o que acontece com o lixo da sua cidade?

Org.: SALDANHA, 2020.

O município mesmo possuindo no seu plano diretor a realização de campanhas voltada para a educação ambiental, pouco tem trabalhado sobre esse tema e é perceptível com a aplicação dessa pergunta que os moradores apenas jogam o lixo para a coleta do caminhão e que poucos sabem o destino e as formas de reciclagem do mesmo. A Figura 12, aborda o desejo de participar dos trabalhos que envolvem os problemas da questão do lixo, obteve-se os seguintes resultados: das 40 pessoas a qual foi aplicado o questionário, 21 pessoas (53%) não desejam participar dos problemas que envolvem o lixo, 19 pessoas (47%) desejam participar dos trabalhos que envolvem problemas com o lixo.



Figura 12: Desejo de participar dos trabalhos que envolvem os problemas da questão do lixo

Org.: SALDANHA, 2020



A falta de informação e também a procura de informação sobre assuntos que envolvem o lixo fazem a população deixar ou pouco de participar de ações que estão relacionadas ao exercício da cidadania, melhoria da limpeza do bairro, resíduos sólidos e questões ambientais e a participação de uma parcela da população é fundamental uma vez que falta divulgação de informações ao povo por meio do poder público e coleta seletiva é essencial na cidade para reduzir o impacto ambiental que é gerado pelos resíduos sólidos da cidade. A Figura 13, aborda o que é coleta seletiva? Têm-se os seguintes resultados: dos 40 entrevistados, 26 pessoas (65%) não sabe o que é coleta seletiva, 14 pessoas (35%) sabem o que é coleta seletiva.



Figura 13: Você sabe o que é coleta seletiva?

Org.: SALDANHA, 2020



A coleta seletiva é fundamental para sustentabilidade e para a boa qualidade de vida, observou-se também a falta de informação de programas/projetos do poder público que levem as pessoas a desconhecerem os ‘benefícios’ que a coleta seletiva traz, é perceptível a falta da informação à pergunta para o morador o que é coleta seletiva. Há necessidade de um trabalho junto aos moradores para se trabalhar mais profundamente as questões ambientais, em formas de panfletagem, oficinas, campanhas, etc. A Figura 14, trata do reaproveitamento de materiais, os resultados foram: das 40 pessoas entrevistadas, 21 pessoas (52 %) reaproveitam materiais e 19 pessoas (48%) não fazem nenhum reaproveitamento de materiais.



Figura 14: Reaproveitamento de materiais

Org.: SALDANHA, 2020



Desde o agravamento da pandemia do Coronavírus em 2020 o morador ainda possui receio de reutilizar materiais que poderiam ser reaproveitados como sacolas, latas, garrafas, frascos de vidros etc. Grande parte da população não recicla materiais e o restante reutilizam para produção de artesanatos dentre outras utilidades. A reutilização é importante para a redução da produção de resíduos e assim como a redução dos impactos no ambiente, visto que os recursos naturais são limitados, diminuído também a área de deposição desses materiais, contribuindo para a preservação do meio ambiente. A Figura 15, aborda as questões de os moradores saberem quais são os problemas advindos do lixo, obteve-se os seguintes resultados: dos 40 entrevistados, 29 pessoas (72%) sabem os problemas causado pelo lixo, 11 pessoas (28%) não sabem os problemas causado pelo lixo.



Figura 15: Problemas causados pelo lixo

Org.: SALDANHA, 2020



O lixo produzido possui fungos, bactérias e que são vetores de diversas doenças além de atrair animais como ratos, moscas, mosquitos e baratas que são causadores de doenças como a  leptospirose, hepatite, dengue, etc., e também o contato direto com os resíduos e produtos potencialmente perigosos presentes no lixo doméstico, como baterias, lâmpadas fluorescentes, frascos de aerossol, solventes, etc., que são descartados sem tratamento prévio e se descartados de maneira inadequada, podem contaminar o solo, as águas superficiais ou subterrâneas, a vegetação local, podendo atingir o homem através dos animais que podem manter contato com esses resíduos. A Figura 16, apresenta o questionamento sobre o destino do lixo no município, obteve-se os seguintes resultados: das 40 pessoas entrevistadas, 31 (78%) não sabem o destino do lixo no seu município, 9 (22%) sabe o destino do lixo no município.

Figura 16: Destino do lixo no município

Org.: SALDANHA, 2020



Os moradores do bairro Fonte Boa pouco sabem sobre o destino do lixo no município de Tefé ou onde se localiza o “lixão” ou “lixão à céu aberto” da cidade, para onde destinam-se todos os resíduos sólidos, sejam eles provenientes de residências, supermercados, feiras, industrias e entulhos, sem a devida separação. Novamente se põem em questão a falta de informação e projetos sobre educação ambiental, visto que o percentual da parcela da pesquisa pouco se sabe sobre o destino do lixo no município de Tefé. Nos diálogos decorridos com os moradores, é perceptível notar que muitos sabem os problemas, os impactos que o destino incorreto dos resíduos sólidos pode causar para o meio ambiente.

Os moradores expressaram opiniões contrárias a questão do próprio morador organizar seu lixo e aguardar a coleta, a coleta semanal de resíduos sólidos, eles acreditam que seria importante a Prefeitura aumentar a quantidade de dias com caminhões coletores, pois a falta de coleta gera acúmulo dentro de suas casas e muito dos casos, na própria rua. Outro ponto apontado pode eles, seria a colocação de coletores de resíduos sólidos em cada rua para não gerar acúmulo, e lixeiras de coleta seletiva para descartar lixo produzido em casa de maneira correta. A educação ambiental deve partir de cada cidadão, através principalmente da conscientização dos indivíduos, através de formas de cuidar coletivamente do ambiente, com coleta, reciclagem, etc. Existe a necessidade de que cada morador do bairro, perceba que precisa fazer sua parte na coleta seletiva, separando os resíduos como: vidros, plásticos, papéis, objetos recicláveis para não prejudicar nem os coletores, nem o próprio meio ambiente que sofre diretamente com o destino incorreto dos resíduos sólidos.



Considerações finais

Através do projeto foi possível compreender que a educação ambiental pode desenvolver uma visão crítica das pessoas quanto aos impactos que o destino incorreto dos resíduos sólidos pode afetar o meio ambiente, e é a partir disso que elas se tornam capazes de atitudes que os estabeleceram sujeitos ativos na sociedade, no espaço em que vivem. Porque o comportamento humano está diretamente relacionado a essa relação entre o homem e a natureza para a proteção dos recursos naturais. Essa conexão torna o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável indissociável, e esse desenvolvimento não só garante as necessidades atuais, mas não prejudica as futuras gerações que vão usufruir deste espaço e atender às suas necessidades. A educação ambiental torna possível que os sujeitos se desenvolvam sustentavelmente, e sejam capazes de criar e propor melhorias para o meio ambiente. Contudo ela nos implica a pensar no “agora” e no futuro, para atingir um nível satisfatório de desenvolvimento social, econômico, humano e cultural, gerando assim o senso crítico das pessoas para preservar o meio em que vivem.



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Ilustrações: Silvana Santos