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A natureza não faz milagres; faz revelações. Carlos Drummond de Andrade
ISSN 1678-0701 · Volume XXIV, Número 96 · Setembro-Novembro/2026
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Hortas-Escola PROJETO FRUTOS DA TERRA LEVA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA TERRITÓRIOS DO RS Em Canoas e Esteio, a iniciativa consolida espaços comunitários com estrutura de domo geodésico Porto Alegre Clara Aguiar E Fabiana Reinholz
Iniciativa acompanha 25 hortas comunitárias instaladas em escolas, associações de moradores, centros de tradições gaúchas (CTGs), igrejas e outros espaços coletivos | Crédito: Clara Aguiar Uma estrutura em formato geodésico onde as sementes cultivadas se transformam em alimento saudável, sala de aula e ponto de encontro para a comunidade. Essa é a proposta do Projeto Frutos da Terra, que leva agroecologia e educação ambiental a diferentes territórios do Rio Grande do Sul por meio da implantação e revitalização de hortas comunitárias. Atualmente, a iniciativa acompanha 25 hortas comunitárias instaladas em escolas, associações de moradores, centros de tradições gaúchas (CTGs), igrejas e outros espaços coletivos. A equipe do Brasil de Fato RS foi conhecer o trabalho desenvolvido em duas dessas hortas, localizadas em Canoas e Esteio. Ao longo de três anos, o projeto prevê a implantação e a revitalização de hortas comunitárias, promovendo ações voltadas à segurança alimentar, à educação ambiental e ao fortalecimento dos territórios. A iniciativa busca transformar esses locais em ambientes de produção de alimentos saudáveis, aprendizagem e participação comunitária, incentivando práticas sustentáveis e o desenvolvimento local. Horta-escola do IFRS Campus Canoas O Projeto Frutos da Terra, executado pelo Instituto Integrar-RS em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, inaugurou na última quarta-feira (17) a Horta-Escola do Campus Canoas do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). O espaço foi concebido como um laboratório vivo de agroecologia e aprendizagem, aberto a estudantes da instituição, além de escolas e comunidades da região.
Coordenador do Instituto Integrar, Docimar Querubin | Crédito: Clarissa Londero O coordenador do Instituto Integrar, Docimar Querubin, explica a trajetória da entidade. Segundo ele, o Instituto Integrar é uma organização sem fins lucrativos vinculada aos trabalhadores metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), com atuação desde 1997. Inicialmente voltado à qualificação profissional, o instituto passou a concentrar suas ações em projetos sociais desenvolvidos junto às comunidades. O projeto foi contemplado em edital da Petrobras em 2023. Além da implantação das hortas, a iniciativa oferece assessoria técnica permanente e promove oficinas sobre sustentabilidade, produção de alimentos, segurança alimentar, direitos humanos, empreendedorismo e agroecologia.
A produção é voltada principalmente ao consumo das comunidades | Crédito: Clarissa Londero A produção é voltada principalmente ao consumo das comunidades. Segundo Querubim, a intenção é que os alimentos sejam destinados ao próprio território. A equipe técnica é multidisciplinar, formada por biólogos, agrônomos, nutricionistas e assistentes sociais, que acompanham o processo para garantir uma produção sem agrotóxicos e alinhada à agroecologia. Estrutura reúne ensino, pesquisa e sustentabilidade A estrutura inaugurada no IFRS foi pensada como uma horta-escola. Instalada em um domo geodésico, reúne canteiros de hortaliças, viveiros de mudas, produção de árvores, compostagem, trilha ecológica e uma sala de aula ao ar livre.
A proposta amplia o uso pedagógico do campus para além da sala de aula tradicional | Crédito: Clarissa Londero O objetivo é funcionar como um laboratório vivo, onde estudantes do Instituto Federal possam desenvolver atividades de pesquisa e aprendizagem, ao mesmo tempo em que o espaço também recebe escolas da região para ações de educação ambiental. Querubin destaca que a proposta amplia o uso pedagógico do campus para além da sala de aula tradicional.
Bióloga Karin Lutkemeier | Crédito: Clarissa Londero Para a bióloga Karin Lutkemeier, a iniciativa reforça esse caráter educativo ao explicar que o espaço funciona como uma sala de aula ao ar livre, com ambientes diversos de ensino, como produção de alimentos, viveiros, sementeiras e trilha ecológica. Segundo Lutkemeier, a horta segue princípios agroecológicos que vão desde a compostagem até a produção de biofertilizantes e o uso de sementes sem tratamentos químicos, evitando impactos ao solo, à água e às pessoas. Ela também destaca o caráter interdisciplinar da iniciativa, que permite articulações com diferentes áreas do conhecimento. “Não será uma horta só para biologia. Podemos trabalhar tecnologia, irrigação, arquitetura, automação, eletrônica e sustentabilidade”, afirma. Integração com a comunidade A diretora-geral do Campus Canoas do IFRS, Patrícia Hübler, afirma que o projeto ampliou a visão da instituição ao ser compreendido como um espaço de aprendizagem integrado ao território. Segundo Hübler, a horta-escola não se limita à produção agrícola, mas se consolida como uma sala de aula ao ar livre. |