Tudo o que temos a fazer [...] é colocar nosso jeito de viver dentro dos meios ecológicos conhecidos. (Marcus Eduardo de Oliveira)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 78 · Março-Maio/2022
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Breves Comunicações
22/11/2007 (Nº 20) LIXÕES do BRASIL
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Educação Ambiental em Ação<

LIXÔES  do BRASIL

  

Delfina Sampaio de Oliveira Silva / Geógrafa,  Especialista em Educação Ambiental

 

CONCEITO DE LIXO:

Lixo é todo e qualquer resíduo proveniente das atividades humanas ou gerado pela natureza em aglomerações urbanas. Comumente, é definido como aquilo que ninguém quer. Porém, precisamos reciclar este conceito, deixando de enxergá-lo como uma coisa suja e inútil em sua totalidade.

A imagem mental que se forma quando pensamos em lixo é de algo sujo, mal cheiroso e cheio de bichos. O primeiro instinto é nos afastar dessa situação. E é interessante como transferimos esse conceito para as pessoas que lidam com o lixo: o funcionário da limpeza pública, os catadores de papel, as pessoas que vivem nos lixões...

Mudar esse conceito e mostrar a responsabilidade de cada um na geração e destinação do lixo é uma tarefa delicada. Afinal, o nosso único sentimento em relação ao lixo é querer nos ver livre dele o mais rápido possível.

Um dos caminhos por onde começar é através da informação.
O conhecimento pode nos levar à reflexão e, a reflexão, à mudança de atitude. Assim, convidamos você para vir conosco saber um pouco mais sobre o
lixo!

CONCEITOS DE LIXO ATRAVÉS DA HISTÓRIA

Desde os tempos mais remotos até meados do século XVIII, quando surgiram as primeiras indústrias na Europa, o lixo era produzido em pequena quantidade e constituído essencialmente de sobras de alimentos.

A partir da Revolução Industrial, as fábricas começaram a produzir objetos de consumo em larga escala e a introduzir novas embalagens no mercado, aumentando consideravelmente o volume e a diversidade de resíduos gerados nas áreas urbanas.

O homem passou a viver então a era dos descartáveis em que a maior parte dos produtos — desde guardanapos de papel e latas de refrigerante, até computadores — são inutilizados e jogados fora com enorme rapidez.

Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das metrópoles fez com que as áreas disponíveis para colocar o lixo se tornassem escassas. A sujeira acumulada no ambiente aumentou a poluição do solo, das águas e piorou as condições de saúde das populações em todo o mundo, especialmente nas regiões menos desenvolvidas.

Até hoje, no Brasil, a maior parte dos resíduos recolhidos nos centros urbanos é simplesmente jogada sem qualquer cuidado em depósitos existentes nas periferias das cidades.

A questão é: o que fazer com tanto lixo?

Felizmente, o homem tem a seu favor várias soluções para dispor de forma correta, sem acarretar prejuízos ao ambiente e à saúde pública. O ideal, no entanto, seria que todos nós evitássemos o acúmulo de detritos, diminuindo o desperdício de materiais e o consumo excessivo de embalagens.

Nos últimos anos, nota-se uma tendência mundial em reaproveitar cada vez mais os produtos jogados no lixo para fabricação de novos objetos, através dos processos de reciclagem, o que representa economia de matéria prima e de energia fornecidas pela natureza.

Assim, o conceito de lixo tende a ser modificado, podendo ser entendido como "coisas que podem ser úteis e aproveitáveis pelo homem".

Do livro "Lixo - De onde vem? Para onde vai?" de Francisco Luiz Rodrigues e Vilma Maria Gravinatto - Ed. Moderna

Para determinar a melhor tecnologia para tratamento, aproveitamento ou destinação final do lixo é necessário conhecer a sua classificação.

Lixo urbano.

Formado por resíduos sólidos em áreas urbana, inclua-se aos resíduos domésticos, os efluentes industriais domiciliares (pequenas industria de fundo de quintal) e resíduos comerciais.

Lixo domiciliar.

Formado pelos resíduos sólidos de atividades residenciais, contém muita quantidade de matéria orgânica, plástico, lata, vidro.

Lixo comercial.

Formado pelos resíduos sólidos das áreas comerciais Composto por matéria orgânica, papéis, plástico de vários grupos.

Lixo público.

Formado por resíduos sólidos produto de limpeza pública (areia, papéis, folhagem, poda de árvores).

Lixo especial.

Formado por resíduos geralmente industriais, merece tratamento, manipulação e transporte especial, são eles, pilhas, baterias, embalagens de agrotóxicos, embalagens de combustíveis, de remédios ou venenos.

Lixo industrial.

Nem todos os resíduos produzidos por industria, podem ser designados como lixo industrial. Algumas industrias, do meio urbano, produzem resíduos semelhantes ao doméstico, exemplo disto são as padarias; os demais poderão ser enquadrados em lixo especial e ter o mesmo destino.

Lixo de serviço de saúde.

Os serviços hospitalares, ambulatorias, farmácias, são geradores dos mais variados tipos de resíduos sépticos, resultados de curativos, aplicação de medicamentos que em contato com o meio ambiente ou misturado ao lixo doméstico poderão ser patógenos ou vetores de doenças, devem ser destinados à incineração.

Lixo atômico.

Produto resultante da queima do combustível nuclear, composto de urânio enriquecido com isótopo atômico 235. A elevada radioatividade constitui um grave perigo à saúde da população , por isso deve ser enterrado em local próprio, inacessível.

Lixo espacial.

Restos provenientes dos objetos lançados pelo homem no espaço, que circulam ao redor da Terra com a velocidade de cerca de 28 mil quilômetros por hora. São estágios completos de foguetes, satélites desativados, tanques de combustível e fragmentos de aparelhos que explodiram normalmente por acidente ou foram destruídos pela ação das armas anti-satélites.

Lixo radioativo.

Resíduo tóxico e venenoso formado por substâncias radioativas resultantes do funcionamento de reatores nucleares. Como não há um lugar seguro para armazenar esse lixo radioativo, a alternativa recomendada pelos cientistas foi colocá-lo em tambores ou recipientes de concreto impermeáveis e a prova de radiação, e enterrados em terrenos estáveis, no subsolo.

 

LIXÕES NO  BRASIL

 

Mesmo tendo conhecimento dos diversos tipos de lixo e de sua complexidade em relação à contaminação, o lixo, em geral, ainda é tratado com descaso pelos órgãos públicos, sendo alijado  às periferias das metrópoles em forma de  lixões:fonte de vetores que disseminam doença à população, sem contar a contaminação dos solos que pode  alcançar o lençol freático, contaminando as águas.

 

Este não é um problema só de pequenos municípios, grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte apresentam as duas opções: aterro sanitário e lixões. A produção excessiva de lixo é uma das doenças de consumo do século atual. Uma das formas de combater este problema é basicamente iniciara Educação Ambiental desde a pré-escola, criando  multiplicadores por todo planeta. Afinal o Planeta é de todos e deve ser conservado por todos .                                                                                

Ilustrações: Silvana Santos