Nada pode substituir o contato com a natureza para o desenvolvimento da consciência ambiental [...] (Genebaldo Freire Dias)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 77 · Dezembro-Fevereiro 2021/2022
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A Natureza Inspira
15/12/2021 (Nº 77) SOBRE ACOLHIMENTO E AMOR
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SOBRE ACOLHIMENTO E AMOR

Silvana Santos*



Há controvérsias sobre acolher e tratar filhotes que caem dos ninhos, o que acontece muito na primavera.

Deixar a natureza agir, ou interferir?

Colocando-me no lugar deles, eu resgato. Pensa na cena: tu, um bebê chorando desprotegido e se ninguém te socorrer? O ideal é sempre devolver ao ninho, caso o encontre.

Aprendi com a minha mãe e perdi a conta dos salvamentos que fizemos juntas; continuo com essa tarefa enriquecedora e nesse momento tem um sanhaçu azul cinzento dormindo dentro de casa, o Jambu.

Jambu “bebê”, no dia que chegou - Fotografia da autora

Para quem não sabe, hoje está bem mais fácil essa incumbência. Além da clássica seringa bem fina (sem agulha, óbvio, rsrsrs), tem alimentos completos nas pecuárias, inclusive minhocas desidratadas e há os comedores de frutas. Uma questão de pesquisar a espécie resgatada e o tempo de iniciar cada tipo de alimento.

Inicia numa caixa com poleiros e se não tiver um local na casa, logo que começa a voar deverá ficar numa gaiola temporária, com água. Aliás, eles adoram banho! Borrifar uma vez por dia, assim que tiverem bem empenados. O Jambu "pede" e borrifo todo dia.

Jambu na gaiola temporária com aproximadamente um mês e meio - Fotografia da autora

Continua tratando com seringa até aprender a comer sozinho e a soltura só deverá ocorrer quando souber voar e comer totalmente sem a seringa. Em média, leva uns dois meses.

Nos primeiros dias após a soltura, o ideal é deixar a gaiola aberta, os alimentos e água disponíveis fora da mesma, até que aprenda a procurar por conta própria. Isso só os pais legítimos ensinam. Para os que foram criados em apartamento, se possível, adaptá-los em um viveiro para que seja menos traumático. Porque, sim, a liberdade pode ser assustadora!

A dedicação te faz amar muito esses pequenos seres e o observar diariamente é surpreendente!! A inteligência inata e o instinto de sobrevivência chegam a ser comoventes quando acompanhamos tão de perto.

Como diz minha amiga Helena Oliveira, "É como se tivessem conversando com a gente e mais do que em tempos atrás, hoje, essa comunicação está mais afinada". Ela diz ainda e concordo: “Certamente nós estamos menos arrogantes”. Afinal, nós aprendemos com eles e não me sinto tão inteligente quanto, pois não sigo metade dos instintos naturais. Se agíssemos de acordo com as leis da natureza, certamente o mundo estaria em equilíbrio.



Obs.: Procure saber se existe um viveiro para adaptação na sua cidade ou próximo a ela. Na Região metropolitana de Porto Alegre, onde está localizada minha cidade, temos os seguintes:

- Toca dos Bichos - Novo Hamburgo/RS (@tocadosbichosnh); fone 51-3069-2222

- Toca dos Bichos Oficial – Porto Alegre/RS (@tocanoinsta); fone 51-99355 0872

- Zoológico Municipal de Canoas/RS – 51 99787 1078



*Ilustradora, mãe de bichos, participante do Movimento Roessler e buscadora de harmonia.

Fonte: Jornal do Roessler – Informativo do Movimento Roessler para Defesa Ambiental – Edição Nov/21 – movimentoroessler.org



Ilustrações: Silvana Santos