A natureza universal sustenta a vida de todos os seres. (Dalai Lama)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 76 · Setembro-Novembro/2021
Início Cadastre-se! Procurar Área de autores Contato Apresentação(4) Normas de Publicação(1) Artigos(8) Notícias(7) Reflexão(4) Para sensibilizar(1) Arte e ambiente(1) Sugestões bibliográficas(2) Educação(1) Ações e projetos inspiradores(2) Cidadania Ambiental(1) O Eco das Vozes(1) Do Linear ao Complexo(1) Relatos de Experiências(9)   |  Números  
Reflexão
18/08/2021 (Nº 76) PERDA DE BIODIVERSIDADE
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=4178 
  

PERDA DE BIODIVERSIDADE



Perda de biodiversidade: Cristiana Simão Seixas: Como medir o valor da natureza.

Bióloga que coordenou diagnóstico sobre a biodiversidade nas Américas expõe estratégias para reduzir velocidade da perda

Perda de biodiversidade

No final de março de 2018, pesquisadores e autoridades de 129 países participaram em Medelín, Colômbia, da 6ª Plenária da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), painel ligado às Nações Unidas que busca organizar o conhecimento científico e outras formas de conhecimento sobre a biodiversidade e os benefícios que ela fornece para a vida humana no planeta.

Relatórios sobre degradação e restauração de áreas e a respeito da situação da biodiversidade em quatro regiões foram aprovados na plenária.

A organização das informações teve a colaboração direta de 25 pesquisadores brasileiros, que até julho devem divulgar outro diagnóstico, esse específico sobre a situação do país, coordenado pelos biólogos Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Fábio Scarano, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Como medir o valor da natureza

A bióloga Cristiana Simão Seixas, de 47 anos, teve um papel de destaque nesse grupo. Foi uma das coordenadoras do Diagnóstico das Américas do IPBES, documento que mapeou a velocidade da perda da biodiversidade no continente e seus impactos na qualidade de vida humana e sugeriu estratégias para refrear o processo.

Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp, ela se envolveu nos últimos anos com um tema de pesquisa que está no cerne das preocupações da plataforma: as interações entre conservação da biodiversidade e desenvolvimento econômico e social.

Criada na zona rural do interior paulista, ela se interessa pelo assunto desde que escolheu a graduação em biologia e o mestrado em ecologia, realizados na Unicamp, e passou a desenvolvê-lo em seu doutorado em Gestão Ambiental e de Recursos Naturais na Universidade de Manitoba, no Canadá, concluído em 2002. Na entrevista a seguir, ela expõe as conclusões do diagnóstico, explica a importância dos conhecimentos tradicionais e mostra por que é preciso contabilizar também os valores imateriais da biodiversidade.

O que foi avaliado no diagnóstico das Américas?

O foco do diagnóstico não foi simplesmente mostrar que estamos perdendo biodiversidade. Isso todo mundo já sabe. O objetivo foi apontar a velocidade desse processo e como a contribuição da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos para a qualidade de vida das pessoas vem mudando. A partir disso, levantamos cenários e as opções de políticas para tentar frear a perda.

Qual é a dimensão dela?

Os dados mostram que 95% das pradarias na América do Norte já se transformaram em áreas dominadas pela ação humana. O mesmo vale para 88% da Mata Atlântica, 70% dos Campos do Rio de la Plata, incluindo os Pampas, 50% do Cerrado, 17% da floresta amazônica e por aí vai.

Em algumas regiões, a biodiversidade diminui muito rapidamente. Ainda assim, as Américas possuem 40% da chamada biocapacidade global, que é a possibilidade de prover serviços e benefícios para a humanidade. Isso é medido pelo potencial ecológico dos ecossistemas das Américas, pela contribuição de tecnologias e pela capacidade de absorver os dejetos da produção econômica.

O continente tem 13% da população do mundo e 40% da capacidade global de produzir serviços para a humanidade. Ao mesmo tempo, temos 22,8% da pegada ecológica do mundo, o que é evidentemente desproporcional.

A pegada ecológica é o impacto que a produção econômica e o desenvolvimento dos países causa nos ecossistemas. Ela continua crescendo na América do Sul, no Caribe, na América Central. Mas nos Estados Unidos e no Canadá, embora sejam responsáveis por dois terços da pegada ecológica do continente, a tendência é de diminuição. Esta é a boa notícia: é possível frear esse processo.

Fonte original: Revista Fapesp > Cristiana Simão Seixas: Como medir o valor da natureza



Fonte: encurtador.com.br/xyzS6



Ilustrações: Silvana Santos