Que meu andar, meu viver seja cada vez mais no ritmo das bicicletas... (José Matarezi)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 79 · Junho-Agosto/2022
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30/05/2022 (Nº 79) ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE A GESTÃO DE RESÍDUOS DO SERVIÇO DE SAÚDE: ESTUDO DE CASO EM PEQUENO MUNICÍPIO DO RIO GRANDE DO NORTE
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ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE A GESTÃO DE RESÍDUOS DO SERVIÇO DE SAÚDE: ESTUDO DE CASO EM PEQUENO MUNICÍPIO DO RIO GRANDE DO NORTE

ANALYSIS OF THE PERCEPTION OF HEALTH PROFESSIONALS ABOUT THE WASTE MANAGEMENT OF THE HEALTH SERVICE: CASE STUDY IN A SMALL MUNICIPALITY OF RIO GRANDE DO NORTE



Dany Geraldo Kramer1.

Anésio Mendes de Souza.

André Nagalli2.

  1. Prof. Dr. Programa de Pós-graduação em Saúde da Família no Nordeste – RENASF. Departamento de Engenharia Têxtil. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Campus Universitário - Lagoa Nova, Natal – RN. dgkcs@yahoo.com.br.

  2. Prof. MsC. Instituto Federal do Tocantins. Povoado Santa Tereza, Km 05 S/N Zona Rural, Araguatins – TO. Anesiomendes2@gmail.com.

  3. Prof. Dr. Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental – PPGCTA. UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ – UTFPR Rua Deputado Heitor de Alencar Furtado, 5000 - Bloco EC - Bairro Ecoville Curitiba - Paraná - Brasil  .nagalliutfpr.@gmail.com.



RESUMO:

Objetivou-se analisar a percepção de servidores da saúde sobre a gestão de resíduos do serviço de saúde (RSS) em um município potiguar. Os resultados indicam que a maioria tem pouco conhecimento sobre o tema. Portanto, faz-se importante a implementação de programas de formação continuada.

Palavras-chave: Resíduos; Profissionais de saúde; Serviço de saúde; Litoral Sul Potiguar.





ABSTRACT:

The objective was to analyze the perception of health workers on the management of waste from the health service (RSS) in a municipality in the state of Rio Grande do Sul. The results indicate that most of them have little knowledge on the subject. Therefore, it is important to implement continuing education programs.

Keywords: Waste; Health professionals; Health service; Litoral Sul Potiguar.





INTRODUÇÃO

As unidades de saúde são locais onde os serviços de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação são realizados, sendo utilizados diferentes recursos, tais como água, energia, alimentos e produtos de limpeza, além de equipamentos médicos e medicamentos complexos (DESMARCHELIER et al. 2013; ECKELMAN; SHERMAN, 2016; ALMEIDA, 2017; KADAM et al. 2018).

Em vista do tamanho, da complexidade e do tipo de serviço realizado, estas instituições podem apresentar a produção de rejeitos (resíduos hospitalares ou resíduos de serviços de saúde) com características e quantidades variadas. Anualmente, o Brasil produz aproximadamente 1.250 (mil e duzentos e cinquenta) toneladas de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) por dia (POZZETTI; MONTEVERDE ALI et al. 2017; LUCCHESE et al. 2018).

Os Resíduos de Serviços de Saúde, doravante (RSS) podem ser definidos segundo a Resolução 358/2005 do CONAMA, como todos aqueles resultantes de atividades dos serviços de saúde humana ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo; laboratórios analíticos de produtos para saúde; necrotérios, funerárias e serviços onde se realizem atividades de embalsamamento (tanatopraxia e somatoconservação); serviços de medicina legal; drogarias e farmácias inclusive as de manipulação; estabelecimentos de ensino e pesquisa na área de saúde; centros de controle de zoonoses que, por suas características, necessitam de processos diferenciados em seu manejo, exigindo ou não tratamento prévio à sua disposição final (CONAMA, 2005).

A gestão destes resíduos fica a cargo da unidade geradora, sendo requerido a elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos do Serviço de Saúde (PGRSS), devendo atentar às regulamentações federais, estaduais e municipais, tais como Lei n. 12.305/10, que busca padronizar a gestão destes resíduos no Brasil. Neste documento precisa “descrever os programas de capacitação desenvolvidos e implantados pelo serviço gerador abrangendo todas as unidades geradoras de RSS e o setor de limpeza e conservação” (ANVISA, 2018).

Entretanto, em pequenos municípios, população inferior a 20.000 habitantes, observam-se limitação orçamentárias e técnicas para a adequada implementação do PGRSS, sendo comum a utilização de um sistema único para todos os tipos de resíduos sólidos, inclusive para os produzidos por serviços de saúde, misturando-se os resíduos comuns a infectantes e perfurocortantes (LUCCHESE et al. 2018; ANDRADE et al. 2018).

Desta forma, se faz importante a realização de estudos netas pequenas localidades, de forma que se possam gerar conhecimento sobre a realidade local e proposição de programas acerca da importância do PGRSS, podendo acarretar em impactos positivos na redução de infecção hospitalar, redução de acidentes de trabalhos e de custos para a unidade (FREITAS, 2012; KRUGER et al. 2017). Neste contexto, o presente estudo objetivou analisar a percepção de profissionais de saúde, sobre a gestão de resíduos do serviço de saúde, de um pequeno município do Rio Grande do Norte localizado na microrregião do Litoral Sul Potiguar.



MÉTODOS

O presente estudo caracterizou-se como quantitativo e exploratório, no qual foram realizadas aplicações de questionários, para 17 profissionais de saúde, em um pequeno município da microrregião Litoral Sul Potiguar (Figura 01).

O munícipio apresenta aproximadamente, 13.000 habitantes, IDH = 0,558, 83 profissionais de saúde e 06 unidades de saúde (CNES, 2020).



Figura 01: Região de realização do estudo.

Fonte: Adaptado de Wikipedia (2021).

Os profissionais participantes da entrevista atuam em Unidades Básicas de Saúde e/ou hospitais de pequeno porte desta localidade. O instrumento de pesquisa foi um questionário, estruturado em dados socioeconômicos e análise de conhecimento sobre resíduos de serviços de saúde. As perguntas foram estruturadas de forma a analisar o nível de conhecimento dos participantes sobre aspectos legais e gerenciais sobre resíduos hospitalares. O recrutamento dos participantes ocorreu por livre conveniência, na qual foram apresentados os termos da pesquisa e convite à participação voluntária.



RESULTADOS E DISCUSSÕES

Na presente pesquisa foram entrevistadas 17 pessoas, sendo em sua maioria mulheres (88,24%), com idade predominante acima dos 39 anos (70,59%) e a renda salarial até um salário (64,70%). Quanto a escolaridade, 64,70% apresentaram ensino médio completo - Figura 02.

Figura 02: Nível de escolaridade dos participantes.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Os entrevistados foram questionados inicialmente sobre o nível de conhecimento acerca do Plano de Gestão de Resíduos do Serviço de Saúde (PGRSS) e legislações sobre resíduos, como a Norma da ANVISA RDC n° 222/2018 e a Lei 12.305 de 2010. Conforme observado na figura 03, a maioria alegou desconhecimento ou pouco conhecimento sobre este item.

Figura 03: Nível de conhecimento dos entrevistados sobre Plano de Gestão de Resíduos do Serviço de Saúde (PGRSS) e legislações sobre resíduos, como a Norma da ANVISA RDC n° 222/2018, e a Lei 12.305 de 2010.



Fonte: Elaborado pelos autores.

O desconhecimento sobre o Plano de Gestão de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) e normas legais aplicadas a resíduos do serviço de saúde alegado pela maioria dos profissionais, não é uma realidade incomum, semelhante ao observado por Camargo e Melo (2017), na qual apontaram que 60,00% dos entrevistados desconheciam normas legais e o PGRSS. Este desconhecimento pode ser um empecilho para a realização de atividades de responsabilidade do serviço de saúde, conforme cita Alves (2019), uma vez que as etapas de gestão do PGRSS, são de responsabilidade da unidade geradora de resíduos. Podendo acarretar em problemas no acondicionamento, transporte, segregação, armazenamento e descarte. Sendo importante na mudança desta realidade um treinamento contínuo da equipe.

Outro tópico questionado aos participantes, referiu-se aos possíveis impactos da implantação de PGRSS nas unidades de saúde em que trabalham, quanto à capacidade de: Melhorar desempenho econômico e competitivo institucional; reduzir autuações/multas e reduzir infecções hospitalares da unidade de saúde. Para os três itens, foi apontado pela maioria que ocorria impactos positivos, conforme ilustrado na Figura 04.



Figura 04: Análise da percepção dos profissionais sobre impactos do PGRSS na unidade de saúde, relativo a Melhoraria do desempenho econômico e competitivo; Redução de Autuações/multas e redução dos níveis de Infecções hospitalares da unidade de saúde.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Apesar dos profissionais entrevistados apontarem desconhecimento sobre o PGRSS e normas legais aplicadas à temática, a maioria (64,70%) reconhece a importância sobre a gestão adequada dos resíduos hospitalares para o atendimento às normas legais, semelhante ao observado por Okechukwu (2020), na qual indicou em seu estudo, que os profissionais da saúde reconhecem impactos na redução de custos, riscos ambientais, atendimento a requisitos legais e redução nos quadros de infecções hospitalares.

Quando questionados sobre a frequência com que recebem treinamento sobre gestão de resíduos do serviço de saúde, 82,35% apontam não ser ofertado pela instituição em que trabalham - Figura 05.

Figura 05: Frequência com que recebem treinamento.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Os dados da figura 05 apontam um descompasso importante para o adequado andamento do PGRSS, na qual o treinamento contínuo dos trabalhadores da saúde deve ser realizado continuamente. De forma que, pode comprometer a adesão e implementação das etapas deste programa, dentre as quais, adequada segregação, acondicionamento, transporte e descartes dos resíduos gerados na unidades (KRUGER et al., 2017).

Desta forma, se faz importante como apontado por Barros et al (2020), a necessidade de treinamento contínuo da equipe, para efetiva implantação das etapas de do PGRSS, podendo-se contribuir para programas de redução de resíduos e segregação, impactando-se desta forma no volume gerado, com consequente redução de custos e impactos ambientais associados à estes refugos.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente estudo foram entrevistados 17 profissionais de um pequeno município do Rio Grande do Norte, na microrregião do Litoral Sul Potiguar, observando-se a necessidade de treinamento contínuo dos profissionais sobre a gestão de resíduos hospitalares, uma vez que apresentam pouco conhecimento sobre o Plano de Gerenciamento de Resíduos do Serviço de Saúde (PGRSS) e normas legais desta temática.

Contudo, os entrevistados reconhecem a importância do PGRSS para a unidade de saúde, nos aspectos ambientais, atendimento a normas legais, econômicos e de saúde pública.

Portanto, diante dos dados relatados aqui pode-se afirmar a necessidade da implementação de programas desenvolvimento de formação continuada e implementação do PGRSS no município analisado, buscando-se ênfase na segurança ocupacional, qualidade gerencial, atendimento a normas legais vigentes, redução de custos e segurança ambiental.



Agradecimento: ao Programa de Pós Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).



REFERÊNCIAS



ALMEIDA, A. M. G. Gestão hospitalar. 2017. 24f. Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora/MG, 2017.

ALVES, E. R. A.; GALVAO, R. N. M.; OLIVEIRA, G. L.; PARLADIM, G. L Percepção acerca da gestão de resíduos de serviços de saúde no municipio de formosa do rio preto-ba Anais do Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - Vol. 7: Congestas 2019.

ANDRADE, J. H.; COSTA, M. A.; BATHAGHIM M. C. Gestão de resíduos de serviços de saúde: regulamentação, práticas e desafios associados à logística hospitalar. South American Development Society Journal.v. 3. I2. 2018.

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC – n.222 de 2018. Regulamenta as boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos do Serviço de Saúde.

BARROS, P. M. G. A.; MELO, D. C. P.; LINS, E. A. M.; SILVA, R. F.. Percepção dos profissionais de saúde quanto a gestão dos resíduos de serviço de saúde. Revista Ibero Americana de Ciências Ambientais, v.11, n.1, p.201-210, 2020.

CAMARGO, A, R; MELO, I, B. N. A percepção profissional sobre o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde em unidades básicas e ambulatórios de saúde em um município da Região Metropolitana de Sorocaba, SP, Brasil O Mundo da Saúde, São Paulo -;41(4):633-643, 2017

CONAMA -  CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências.  Resolução CONAMA nº 358, de 29 de abril de 2005.

DESMARCHELIER, B.; DJELLAL, F.; GALLOUJ, F.  Environmental policies and eco-innovations by service firms: an agent-based model Technol. Forecast. Soc. Change, 80 (7) (), pp. 1395-1408. 2013

ECKELMAN, W.; SHERMAN, J. Environmental Impacts of the U.S. Health Care System and Effects on Public Health. Plos One, v11, n. 5, 2016.

FREITAS; SILVA. A importância do gerenciamento de resíduos do serviço de saúde na proteção do meio ambiente. Rev estudos. Vº. 39, Nº. 4. P. 493-505. Out/ Dez 2012.

KADAM, U. T.; LAWSON, C. A.; MOODY, D. K. Consumer segmentation and time interval between types of hospital admission: a clinical linkage database study. Journal of Public Health, Volume 40, Issue 1, March 2018, 

KRUGER, J.; ARAUJO, C.; CURI, G. Motivating factors in hospital environmental management programs: a multiple case study in four private Brazilian hospitals. Cad. EBAPE.BR vol.15 no.spe Rio de Janeiro Sept. 2017

LUCCHESE, A. R.; SOUZA, M. A.; MACHADO, D. G. Gestão de custos ambientais em organizações hospitalares da REGIÃO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL. Gestão e Regionalidade. v. 34, n. 101 2018.

OKECHUKWU, E. C.; OPARAH, A. C., AGUORA, S. Assessment of Knowledge and Perception among Health Workers towards Proper Biomedical Wastes Management in Selected Hospitals in Abuja, Texila International Journal of Public Health, 2020.

POZZETTI, V. M.; MONTEVERDE, J. F. C.. Gerenciamento ambiental e descarte do lixo hospitalar. Rev Veredas do Direito. Vº. 14, Nº. 28, P. 195-220. Jan/ Abr 2017.

WIKPEDIA. Ficheiro:Microrregiões do Rio Grande do Norte. https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Microrregi%C3%B5es_do_Rio_Grande_do_Norte.svg. 2021.



Ilustrações: Silvana Santos