A responsabilidade social e a preservação ambiental significa um compromisso com a vida. - João Bosco da Silva
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 85 · Dezembro-Fevereiro 2023/2024
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13/03/2023 (Nº 82) A IMPORTÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO URBANA: A PERCEPÇÃO DE CRIANÇAS NO BAIRRO DE SANTA TEREZINHA
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A IMPORTÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO URBANA: A PERCEPÇÃO DE CRIANÇAS NO BAIRRO DE SANTA TEREZINHA

ANA BEATRIZ ALMEIDA RODRIGUES¹, FÁBSON MANOEL ALMEIDA DOS SANTOS², BRUNA NAIARA ROCHA GARCIA³, RAIMUNDO ALVES DOS REIS NETO4, THIAGO ALMEIDA VIEIRA5



1 Discente. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA.- beaarodrigues3@gmail.com

2 Discente, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA.- fabsonalmeidasantos@gmail.com

3 Mestre, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA -bruna.garcia@ifpa.edu.br. Grupo de Pesquisa em Solos e Meio Ambiente do Baixo Amazonas – GESMABA.

4 Mestre, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA -.raimundo.reis@ifpa.edu.br. Grupo de Pesquisa em Solos e Meio Ambiente do Baixo Amazonas – GESMABA.

5 Doutor, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA - tavbelem@gmail.com. Grupo de Pesquisa Saúde, ambiente e qualidade de vida na Amazônia.



RESUMO

Atualmente, as crianças do bairro Santa Terezinha desfrutam muito pouco dos espaços arborizados encontrados no bairro, esse público infantil se encontra absorvido pelo mundo virtual através da televisão, celulares e outros meios eletrônicos. É notório que as crianças no seu dia a dia não frequentam de modo habitual espaços com árvores, animais, fazendo com que essa realidade seja algo abstrato. Desse modo se faz necessário a adoção de práticas educativas que levem as crianças a perceber a importância que os elementos naturais, em especial as árvores exercem em suas vidas. O presente trabalho tem como objetivo despertar o interesse das crianças sobre a importância da arborização urbana, fazendo com que estes futuros adultos percebam o valor cênico e a importância ecológica, paisagística, de lazer entre outros benefícios propiciado por um espaço arborizado. Para alcançarmos nosso objetivo, desenvolvemos uma ação educativa com 10 crianças do bairro de Santa Terezinha, na cidade de Óbidos – Pará, pautada na aplicação de questionários, desenvolvimento de atividades lúdicas e atividade de plantio de sementes de ipê. Observamos que as crianças em sua maioria não conseguem perceber a arborização urbana como elemento importante para a qualidade de vida populacional e consequentemente não se sentem responsáveis pelos poucos espaços arborizados do seu bairro. Após a ação educativa foi observado que as crianças começam a ter novo comportamento e nova visão sobre a importância dos espaços arborizados, demonstrando que o desenvolvimento de práticas educativas direcionadas as crianças são eficazes pois despertam a visão que arborização urbana propicia melhoras na qualidade de vida de uma população suscitando adultos mais conscientes e preocupados em manter os elementos arbóreos presentes em uma cidade.

Palavras Chaves: Educação Ambiental. Arborização. Natureza.



SUMMARY

Currently, the children of the Santa Terezinha neighborhood enjoy very little of the wooded spaces found in the neighborhood, this children's audience is absorbed by the virtual world through television, cell phones and other electronic means. It is notorious that children in their daily lives do not habitually frequent spaces with trees, animals, making this reality something abstract. Thus, it is necessary to adopt educational practices that lead children to realize the importance that natural elements, especially trees, play in their lives. The present work aims to awaken children's interest in the importance of urban afforestation, making these future adults realize the scenic value and the ecological, landscape, leisure and other benefits provided by a wooded space. In order to reach our objective, we developed an educational action with 10 children from the neighborhood of Santa Terezinha, in the city of Óbidos - Pará, based on the application of questionnaires, development of recreational activities and the planting of ipê seeds. We observed that the majority of children cannot perceive urban afforestation as an important element for the population's quality of life and, consequently, do not feel responsible for the few wooded spaces in their neighborhood. After the educational action, it was observed that the children began to have a new behavior and a new vision about the importance of wooded spaces, demonstrating that the development of educational practices aimed at children are effective because they awaken the vision that urban afforestation provides improvements in the quality of life of a population raising adults who are more aware and concerned about maintaining the arboreal elements present in a city. Keywords: Environmental Education. Afforestation. Nature.

INTRODUÇÃO

Atualmente as cidades sofrem transformações socioeconômicas, ambientais entre outras. Na questão ambiental uma das problemáticas é a falta de arborização nos centros urbanos.

O ser humano devido a diversos fatores vem trocando o ambiente rural pelas cidades, provocando assim, um crescimento rápido e desordenado das cidades, que se expandem sem um planejamento adequado para subsidiar tal ocupação gerando problemas que impactam diretamente no modo e na qualidade de vida das pessoas. Segundo Pivetta; Silva Filho (2002) “Atualmente, a maioria da população humana vive no meio urbano, necessitando cada vez mais de condições que possam melhorar a convivência dentro de um ambiente muitas das vezes adverso’.

A urbanização modifica a paisagem natural antropizando os espaços, sem que haja um acompanhamento conscientizador adequado, contribuindo para que o homem deixe de se sentir parte do ambiente natural e que suas ações, prejudicam a natureza.

A arborização é importante pelos inúmeros benefícios que proporciona à sociedade. A presença de arbustos e árvores tendem a melhorar no microclima através da diminuição de amplitude térmica, principalmente por meio da elevada transpiração, da interferência na velocidade e direção dos ventos, sombreamento, embelezamento das cidades, diminuição da poluição atmosférica, sonora e visual e contribuição para a melhoria física e mental do ser humano na cidade (SANCHOTENE,1994).

A arborização urbana abrange toda cobertura vegetal de porte arbóreo existente nas cidades e que pode ocupar as áreas livres particulares ou públicas e potencialmente coletivas (pátios de universidades, escolas e igrejas por exemplo que tem seu acesso de alguma forma controlado), além de acompanhar o sistema viário (BARBEDO et al.,2005).

Com o avanço do capitalismo e da tecnologia, a população tem sido cada vez mais dominada pelo mundo virtual, ou presos a condomínios cercados de concreto e vidro abdicando de um ambiente verde e de seus benefícios para a qualidade do ar, paisagem e a saúde. A natureza se tornou abstrata ao ser humano, por isso é preciso adotar práticas que lhes façam perceber a real importância do que o “natural” pode fazer em suas vidas.

Uma dessas práticas e incentivar a prática da Educação Ambiental que considera o meio ambiente em sua totalidade (aspectos econômicos, sociais, biológicos, políticos, etc.), orientando desse modo indivíduos a se sentirem parte do meio ambiente, bem como despertar seu senso de responsabilidade para sua manutenção.

Neste trabalho optamos em lidar com as crianças, esperamos estimular uma transformação em seu modo de vida e de sua família, visto que as crianças possuem uma mente em formação que pode ser moldada com a consciência ecológica necessária para um futuro melhor.

Atualmente a maioria da população infantil cresce em grandes centros urbanos, considera-se que ações educativas, através de oficinas de informação, práticas de plantio de espécies arbóreas e atividades ao ar livre, auxiliam no contato das crianças com a natureza, contribuindo para que as crianças compreendam a importância da arborização urbana, e que está se faz um elemento essencial na construção de uma sociedade com um modo de vida saudável.

O desenvolvimento dessas práticas, ajuda a criança a desenvolver uma visão diferente do mundo, visualizando a natureza em seu cotidiano como algo comum, percebendo a importância destes espaços naturais em suas vidas. Para isso, se torna imprescindível a adoção de práticas que possam despertar na criança uma relação harmônica com o meio ambiente, possibilitando-lhes uma visão ampla de seus benefícios e oportunidades de crescerem multiplicando seus conhecimentos ecológicos.

A arborização urbana é de extrema importância para a qualidade de vida da sociedade, ela fornece diversos benefícios que vão desde o embelezamento das cidades até a diminuição da amplitude térmica. No entanto, nos mais diversos casos, a presença dos elementos vegetais nos centros urbanos é desvalorizada e esquecida, em especial pelo público infantil, onde o contato com aspectos vegetais ocorre de forma abstrata.

METODOLOGIA

Este estudo foi desenvolvido no Bairro de Santa Terezinha, na cidade de Óbidos – Pará, com a realização de ações ambientais, no mês de fevereiro de 2022, tendo como objetivo proporcionar atividades educativas que contribuam para aguçar a percepção ambiental dos envolvidos. O público com o qual se trabalhou, foram 10 crianças, 4 do sexo feminino e 6 do sexo masculino, todos residentes do bairro, em uma faixa etária de 8 a 10 anos.

Coleta de dados

Realização de levantamento e reunião com os pais das crianças que se propuseram a participar do projeto, com o objetivo de conhecer a realidade sua opinião sobre o assunto que seria estudado, além de mapear as crianças com a faixa etária pré-definida para o projeto.

O projeto foi dividido em 5 etapas, utilizando uma abordagem lúdica, e ferramentas educativas para despertar a curiosidade das crianças, tornando o ato de aprender prazeroso e despertando nas crianças saberes ecológicos.

Na primeira etapa foi aplicado questionários semiestruturado com o objetivo de conhecer a opinião das crianças e da família analisar, o grau de consciência ambiental e a importância da arborização urbana na cidade.

Na etapa seguinte utilizamos a ludicidade com a leitura da história da “Árvore solitária” mostrando que o rápido crescimento das cidades não prestigia a inserção de arvores no meio urbano. Para a realização desta atividade, foi utilizado uma televisão fabricada de papelão, para que imagens correspondentes ao conteúdo sejam apresentadas no decorrer da história.

Na terceira etapa apresentamos um poema, intitulado “Uma árvore na cidade” elencando os benefícios que as árvores exercem dentro de uma cidade.

A quarta etapa, foi a produção de desenhos sobre o tema “O que é uma cidade arborizada para você?”. A partir dos desenhos confeccionados, foram realizadas perguntas as crianças e que medidas devem ser tomadas para resolver este problema.

Na quinta etapa executamos o plantio de árvores e os cuidados que devem ser tomados no desenvolvimento da planta finalizamos esta etapa com a aplicação de questionário para verificar a percepção das crianças, sobre a importância da arborização urbana e os seus benefícios.

REFERENCIAL TEÓRICO

Arborização urbana no mundo.

De acordo com Grey e Deneke (1978), a arborização urbana é o conjunto de árvores que se desenvolvem em áreas públicas ou particulares de uma cidade, tendo em vista o bem-estar socioambiental, fisiológico e econômico da sociedade local. Com base nessa afirmativa, percebe-se a importância da arborização no contexto social, pois esta fornece beleza cênica ao ambiente urbano e auxilia no conforto térmico local.

A arborização das cidades, provavelmente surgiu com o intuito de garantir o vínculo do homem com o ambiente natural em que a sociedade primitiva vivia (MALAVASI e MALAVASI,2001). Homem e natureza ocupavam o mesmo território, criando assim um vínculo que foi quebrado com o advento da urbanização e a necessidade de restaurá-lo abriu espaço para o surgimento da arborização urbana.

A importância estética e até espiritual das árvores foi registrada na história da civilização pelos egípcios, fenícios, persas, gregos, chineses e romanos, na medida em que foram compondo jardins, bosques sagrados, destacando e emoldurando templos, e determinando conhecimentos rudimentares sobre árvores e sua manutenção (MILANO e DALCIN, 2000).

A arborização urbana, começou a ganhar real destaque na Europa, por volta do século XVII. Na França, a legislação tornou obrigatório o plantio de árvores ao redor das grandes vias públicas, dando nascimento aos boulervards parisienses (BARUERI, 2009; TERRA, 2000). As árvores foram vistas como contribuintes para o embelezamento da paisagem urbana, e por isso começou a fazer parte dos desenhos urbanísticos.

De acordo com Silva (2013), a partir do século XX, o conhecimento sobre os benefícios causados pelas árvores dentro do desenho urbano, já estava divulgada dentro dos mais diversos contextos sociais. Nesse sentido, nota-se que apesar de inicialmente a arborização ter sida vista apenas do seu ponto de vista cênico, com uso para enaltecimento da beleza de uma determinada cidade, esta passou por um processo de amadurecimento visionário, tornando-se assim, parte integrante do meio urbano, acompanhando sua evolução, também por possuir uma ampla gama de benefícios ao clima, ao ar, ao homem.

Breve histórico da arborização urbana no Brasil.

De acordo com Silva (2013), a primeira tentativa concreta de arborização urbana no Brasil, ocorreu durante a preparação para o casamento de D. Pedro I, como forma de decoração. Tendo em vista que as árvores eram mantidas fora das cidades, tornou-se obrigatório a implementação de espécies arbóreas dentro do ambiente urbano.

Até o século XIX, a vegetação nas cidades não era considerada um elemento relevante, visto que as cidades se apresentavam como uma expressão oposta ao meio rural, portanto, o espaço urbano construído era valorizado, distanciando-se ainda mais da imagem rural, que compreendia os elementos naturais (GOMES e SOARES (2003). Devido o Brasil ser apenas uma colônia portuguesa na época, o que vigorava era a exploração de seus recursos naturais, não existindo então uma valorização da arborização, assim como das espécies brasileiras para fins paisagísticos.

Durante a ocupação holandesa em Recife, ocorreu uma tentativa de reprodução das características europeias. De acordo com Terra (2000), foram plantadas palmeiras, laranjeiras, entre outras, ao redor do palácio do governo. Recife foi a primeira cidade brasileira, a se ter relatos de arborização organizada, ganhando seu primeiro parque público, o Palácio de Friburgo, desaparecido com a saída dos holandeses (SILVA,2013).

Segundo Gomes e Soares (2003), a introdução do verde nas cidades do Brasil ocorreu de forma a se relacionar com a evolução das praças, que eram consideradas apenas espaços abertos usados para a reunião de pessoas, e a partir de então começam a ser vistas como belos jardins. As praças, que normalmente são usadas como espaços de lazer para inúmeras pessoas, também possuem função histórica, contribuindo para a evolução da arborização urbana no Brasil, tendo seu valor estético reconhecido, e introduzido na formação de novos desenhos de locais dentro das cidades.

Porém, com o rápido crescimento da população brasileira, e a alta demanda de espaços urbanos, para alocar cidadãos, os espaços verdes dentro das cidades foram se perdendo, marcando assim uma ruptura entre a relação homem e natureza. Atualmente, as árvores mantem sua presença dentro das cidades, geralmente sem organização.

Importância e benefícios da arborização urbana.

É inegável que a arborização dentro das cidades é de extrema importância, a vegetação urbana implementa no meio do concreto e vidro, aspectos naturais, melhorando no meio ambiente. Dantas e Souza (2004) afirmam que um dos principais benefícios que a arborização urbana proporciona é o bem-estar físico e mental ao homem, atenuando o sentimento de opressão frente as construções modernas.

As árvores possibilitam o fornecimento de abrigo a diversas espécies da fauna, contribuindo para a prosperidade e equilíbrio da cadeia alimentar. Segundo Santos (2001) dessa forma, se tornam espaços importantes, pois muitas vezes podem abrigar espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, e esse fato aumenta ainda mais sua importância para a coletividade.

As propriedades ligadas ao bem-estar do homem urbano estão, portanto, vinculadas ao componente arbóreo presente nas cidades (MALAVASI E MALAVASI, 2011). Assim, plantar espécies arbóreas dentro de centros urbanos, é contribuir para uma melhor qualidade de vida para a população.

As árvores retiram do ar diversos materiais particulados, que podem causar doenças e nevoeiros que impedem o tráfego, elas guardam este material em seus galhos, folhas e troncos, impedindo que estes sejam novamente carregados pelos ventos. Segundo Shinzato (2009), as árvores, absorvem o carbono, estocando-o em sua estrutura durante seu crescimento, removem também substâncias contaminantes como benzina, formaldeído e tricloroetileno. A vegetação urbana, previne então, a contaminação do solo, retirando deste, substâncias tóxicas e inapropriadas, além de valorizar com sua beleza cênica natural.

Apesar do recente reconhecimento do valor da arborização urbana pela população, ela ainda vem sendo tratada de forma negligenciada, não sendo considerados seus valores ecológicos, além do paisagístico, pelos órgãos competentes no momento de implementação de locais arborizados.

De acordo com Volpe-Filik et al. (2007) as árvores desempenham um papel vital para o bem-estar das comunidades urbanas; sua capacidade única em controlar muitos dos efeitos adversos do meio urbano deve contribuir para uma significativa melhoria da qualidade de vida, exigindo uma crescente necessidade por áreas verdes urbanas a serem manejadas em prol de toda a comunidade

A Educação Ambiental na formação dos valores da criança.

O ambiente familiar, educacional e social, contribuem para que a criança possa desenvolver uma relação consciente e amigável com o meio ambiente, podendo se tornar um futuro agente transformador das questões ligadas a natureza, sendo necessário a implementação de ações educativas no cotidiano das crianças.

No entanto, muitas vezes a formação de valores ambientais é tratada de forma abstrata. De acordo com Oliveira; Vargas (2009) diferentes impactos ambientais ocorrem principalmente, em função do tipo de relação que o ser humano estabelece com o meio ambiente. Se a criança tiver uma relação conturbada com a natureza, regada a contatos rápidos e um ensino estimulado apenas em pequenos espaços de tempo pertencentes as atividades corriqueiras do dia a dia, desenvolve um descaso para com o meio em que vive, estando escondidos em pequenos atos, como jogar lixo nas ruas.

A Educação Ambiental (EA) é um termo utilizado, porém não aplicado da forma necessária. Ela surgiu com o intuito de promover a integração entre homem e natureza, demonstrando o panorama de consequências devastadoras resultantes das ações humanas, mas foca principalmente em métodos de reverter, amenizar ou prevenir tais problemas, sendo essencial sua divulgação e implantação nos mais diversos locais, formando possíveis defensores ambientais no futuro.

Sendo a EA o pilar para a formação de cidadãos preocupados com o local em que habitam e usufruem, esta deve ser inserida em todas as etapas da vida. De acordo com Melazo (2005) as percepções do mundo estão ligadas as diferentes personalidades, idade, experiências, aos aspectos socioambientais e educacionais. Visto isso, é importante considerar a realidade vivida pelas crianças, para então traçar de forma eficaz, meios de produzir uma percepção mais aguçada, principalmente em questões ambientais.

É imprescindível reconhecer a importância do meio ambiente e o significativo papel da educação para contribuir de forma positiva na relação homem-natureza, sendo essencial desencadear iniciativas nas escolas e no ambiente familiar, que ajudem as crianças a desenvolver uma atenção especial para a conservação e preservação do meio ambiente.

Entendendo a forma que a criança possui de se relacionar com o mundo a sua volta, o educador consegue definir formas de introduzir a realidade ambiental nas mais diversas atividades por elas praticadas, e assim, sensibilizá-las sobre a forma correta de agir com o meio ambiente, tornando-os promovedores de mudanças, chamando sua atenção para os mais diversos assuntos ambientais e mudando sua forma de agir sem deixar que este perca seu senso infantil. A educação constitui-se na mais poderosa de todas as ferramentas de intervenção do mundo para a construção de novos conceitos e consequentemente mudanças de hábitos (CHALITA,2002).

As crianças são seres curiosos, com vontade de brincar e se divertir e, portanto, cabe ao educador, transformar tais ensejos de forma criativa em momentos de aprendizado ecológico, exigindo o apoio necessário da comunidade em geral, principalmente dos pais.

Práticas como essas, criam uma ponte entre o ambiente escolar e familiar, integrando o que eles aprendem na escola com a educação oferecida pelos pais, permitindo que as crianças possam crescer e atuar frente as questões ambientais. Baeno Segura (2001), afirma que nesse cenário, o processo educativo pode conduzir uma transição em direção à sustentabilidade socioambiental.

Segundo Dias et. al (2016), trabalhar com Educação Ambiental significa pensar num futuro melhor para nosso mundo e para as pessoas que aqui vivem, colocando em prática uma ação transformadora das nossas consciências e de nossa qualidade de vida. As crianças são excelentes multiplicadoras do seu conhecimento, por isso faz-se necessário a implementação de um pensamento crítico ambiental em suas vidas, aproveitando sua mente ainda em formação. Através da educação ambiental e ações educativas é possível despertar seus valores ecológicos e o amor pela natureza, formando agentes preocupados com o meio ambiente, capazes de crescer prontos para lutar por causas ambientais.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Opiniões das crianças sobre Arborização Urbana.

A primeira etapa deste trabalho, consiste na aplicação de um questionário direcionado as crianças.

O primeiro questionamento, procurou identificar se as crianças conseguem perceber se a escola que elas frequentam incentivava a preservar o meio em quem vivem (Figura 1). Dos entrevistados, 80% afirmaram que sim, mas que a maneira que o tema sobre o meio ambiente é trabalhado na maioria das vezes somente nas datas comemorativas. 20% relataram que o tema sobre o meio em que vivem não é trabalhado na escola.

Figura 1 - Opinião das crianças sobre a discussão do meio em que vivem na escola.



Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

O segundo questionamento, verificou o grau de conhecimento das crianças sobre o que é arborização urbana. 50% afirmaram que arborização urbana se caracterizava como a presença de árvores nas cidades, 40% responderam que era a ciência que estuda as arvores que estão na cidade e 10% responderam que não sabiam ou não conseguiam formular o conceito sobre arborização urbana. (Figura 2).

Figura 2 – Conhecimento das crianças sobre o que é arborização urbana.

Fonte: Elaborado pelos autores (2022)

O questionamento seguinte, procurou saber se as crianças e suas famílias achavam importantes que as arvores estivessem inseridas no contexto urbano. 40% afirmaram que elas e suas famílias, consideravam importante que as árvores estivessem inseridas nos meios urbanos, pois oferecem sombra e deixavam a cidade bonita, 60% responderam que não consideram a presença das arvores nas cidades importantes, pois assim como sua família acreditam que elas não fazem diferença e podem causar diversos acidentes. (Figura 3).

Figura 2 - Opinião das crianças acerca da importância das árvores nas cidades

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

O quarto questionamento procurava identificar se a criança tinha ou têm árvore plantada próxima ou no quintal de sua casa. Dos entrevistados, 40% afirmaram que possuem árvores plantadas próximos a sua residência, 30% afirmaram que nunca tiveram e 30% afirmaram que já tiverem, no entanto, estas foram retiradas para realização de construções. (Figura 4).

Figura 3 - Presença de árvores nos quintais ou próximo a residência das crianças.

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

O quinto questionamento interrogava se a criança já havia plantado uma árvore e com quem tinha feito tal ação, 60% dos entrevistados afirmaram que sim, plantaram árvores em casa e com as mães e 40% responderam que não, nunca haviam plantado árvores. (Figura 5).

Figura 4 - Plantio de árvores feito pelas crianças.

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

O sexto questionamento buscava saber se as crianças estariam dispostas a contribuir com a arborização da cidade e de que forma ela poderia ajudar. Dos entrevistados, 40% afirmaram que estariam dispostos a ajudar, plantando árvores, ajudando a cuidar das árvores existentes e cobrando manutenções e projetos do poder público municipal. No entanto, 60%, afirmaram que não se sentem desenvolver estas atividades. (Figura 6).

Figura 5 - Disposição das crianças em ajudar na arborização municipal.

Fonte: elaborado pelos autores (2022)

O sétimo questionamento incentivou as crianças a manifestar sua opinião sobre a atuação de seus familiares como na manutenção e/ou implantação das árvores em centros urbanos. Dos entrevistados, 40% afirmaram que suas famílias estariam dispostas a ajudar na arborização correta da cidade, pois ou se engajam de forma ativa nas causas dos filhos ou exercem uma consciência aguçada sobre o assunto. Porém, 60% afirmaram que seus familiares não contribuiriam com a arborização, devido não se sentirem responsáveis por ajudar na melhoria do meio em que vivem. (Figura 7).

Figura 6- Opinião das crianças a participação de seus familiares na arborização da cidade.

Fonte: Elaborado pelos autores (2022)

A partir dos dados obtidos com o questionário, constatou-se que as crianças em sua maioria não conseguem perceber no ambiente escolar experiências que os incentivem a se preocupar com as causas ambientais, bem como se envolver com estas. Acredita-se que a escola não desenvolva com frequência, projetos que visem despertar o olhar ecológico das crianças para o ambiente a sua volta. Resultados parecidos foram encontrados por Junior e Silva (2015), onde ao aplicarem questionários em 4 escolas de Goiânia, constataram que as instituições não tinham históricos de projetos relacionados a temas ambientais, em específico arborização urbana e que os alunos em sua maioria não demonstravam interesse no tema.

Embora a escola não exerça o papel de “redentora” da sociedade, é, no entanto, a instituição que, junto com a família, deve criar a consciência cidadã das novas gerações (MIGOTTO, 2004). O ambiente escolar deve estar disposto a buscar formas de incentivar a percepção ecológica de suas crianças, no entanto esse processo de aprendizagem não é unilateral, ele deve ser iniciado e acompanhado pela família.

Nesse sentido, o questionário aplicado as crianças do bairro de santa Terezinha, demonstrou também que em casa estes não são estimulados pela família a cuidar do meio à qual estão inseridos, sendo corrompidos em diversas vezes por uma opinião errônea de familiares acerca da importância dos elementos que contribuem para uma maior qualidade de vida. No entanto, constata-se também que estes exercem grande poder de influência sobre seus familiares, porém ainda não foram despertados a utilizá-lo em prol de assuntos importantes, como a arborização urbana.

Realização de atividade lúdicas e reflexivas.

Após a aplicação do questionário, com o auxílio de uma televisão confeccionada com papelão (Figura 8), ocorreu a narração de uma história para as crianças, autointitulada “A Árvore Solitária”. O objetivo foi o de despertar nas crianças o processo de urbanização das cidades e que as árvores são elementos importantes nos centros urbanos.

Figura 8- Televisão de papelão

Fonte: Autores 2022

Ao contar a história, as imagens iam sendo modificadas criando uma ponte visual entre a imaginação das crianças com o que estava sendo abordado (Figura 9). Observamos que a história gerou um despertar nas crianças, em especial, naquelas que não consideravam a arborização como algo importante. Durante a discussão elas consideraram que as árvores, em diversas situações, foram excluídas das cidades, sendo a urbanização, em suas palavras, “injusta” com os elementos arbóreos.

Figura 9 - Crianças auxiliando na utilização da Televisão

Fonte: Autores. 2022.

Ao serem questionados se a “injustiça” cometida com as árvores poderia ser reparada de alguma forma, eles apontaram que o plantio de espécies em vias urbanas e a conscientização da população, pode contribuir para a minimização deste problema. No entanto, mais da metade das crianças não se mostrou inclinada a contribuir dentro de sua realidade.

Assim percebe-se que eles conseguem identificar e apontar soluções para os problemas, porém, não se incluem como agente solucionador. Resultados similares foram encontrados por Avila (2008), ao conduzir uma discussão sobre o tema com alunos de faixa entre 10 e 13 anos, onde foi observado que os alunos conseguiam apontar os problemas que cercavam suas realidade e possíveis soluções, no entanto, não se mostraram inclinados a assumir tal postura.

Após a história da Árvore Solitária, realizamos a leitura de um poema intitulado “Uma árvore na cidade”, com o objetivo de mostrar para as crianças os benefícios proporcionados pela arborização urbana. Para essa etapa, utilizamos uma sombrinha (Figura 10), com imagens demostrando diferentes benefício.

Figura 10 - Sombrinha com figuras ilustrativas

Fonte: Autores. 2022.

Finalizado a leitura e a dinâmica do poema, as crianças foram convidadas a apontar os benefícios da arborização percebidos em sua realidade diária. Nos relatos, constatou-se que entre os benefícios mais citados por eles foram a sombra fornecida pelas árvores e que as árvores deixam a cidade mais bonita. As crianças demonstraram não conhecer outros benefícios da arborização, que foram apresentados a elas.

Acreditamos que o resultado obtido se deve a importância que eles e suas famílias possuem sobre a arborização, visto que muitos consideram a arborização ineficaz. O comportamento apresentado pelas crianças é resultado do pensamento de grande parte da sociedade que se mostra alheia aos aspectos do meio que a cerca.

Essa conversa, estimulou a reflexão acerca da importância de elementos vegetais dentro das cidades, sua capacidade de aumentar a qualidade vida dos habitantes e como podem ser utilizadas para melhorar o ambiente. Acredita-se que a formação de uma atitude ecológica, está ligada a presença de novas experiencias, conhecimentos e valores na vida do indivíduo.

A quarta etapa consistiu na criação de desenhos sob o tema “O que é uma cidade arborizada para você? Observando as pinturas nota-se que maioria das crianças inserem a si ou suas famílias em sua visão de cidade arborizada (Figura 11). Fica evidente nos desenhos que as crianças conseguiam se ver como partes integrantes do meio em que vivem, no entanto, a maioria não se sente responsáveis em cuidar destes espaços.

Figura 11 - Desenhos feitos pelas crianças.

Fonte: Autores.2022.

Questionados se achavam a arborização da cidade adequada. As respostas apontam que não, na visão das crianças a arborização na cidade não é adequada e suficiente.

Pedimos para as crianças apontarem formas de solucionar este problema de acordo com seu conhecimento. As principias respostas foram plantando árvores, cuidando das árvores que já existem, seguido de cobrar dos governantes e levar informação a população.

A partir de suas respostas, sugerimos que eles enquanto cidadãos, procurem participar de forma ativa na solução deste problema. Abordamos também que a escola faz parte do ambiente e que eles podem estar cobrando e atuando junto a direção do educandário que eles frequentam, para a implantação de componentes vegetais, que melhorem a qualidade de vida.

Segundo Martelli et al. (2020) a informação aliada a uma atitude construtiva gera ações que podem mudar a visão das crianças e jovens em relação ao meio ambiente que os cercam, e gerar cidadãos com um olhar ampliado para o mundo. Nesse contexto, torna-se necessário a realização contínua de práticas de EA voltadas para o público infantil e adolescente, a fim de integralizar um pensamento social e ambientalmente construtivo.

Vale destacar, que a presença do fator político no discurso das crianças na busca por soluções, chamou a atenção, mostrando que estes, compreendem a necessidade dessa esfera de poder, criar e executar medidas que melhorem a qualidade de vida da população. Os questionamentos foram importantes, pois chamaram a atenção das crianças quanto a seu papel como agente ecológico, e as formas que estes podem usar para exercê-lo dentro da sua realidade.

Atividade prática e avaliação do aprendizado pelas crianças.

A atividade pratica com as crianças foi realizar a produção de muda de uma árvore (Figura 12). Cada criança recebeu um vaso de plástico e duas sementes da espécie ipê amarelo, foram repassadas informações de perguntas como: qual a profundidade para botar a semente e “de quanto em quanto tempo devo molhar.

Figura 12 - Crianças realizando o plantio de IPÊ

Fonte: Autores.

A etapa do plantio foi novidade para algumas crianças. Percepções parecidas, foram identificadas no trabalho de Andrade e Silva (2008), onde o plantio de espécies se mostrou uma experiência nova para diversas crianças, tornando-se um momento estimulante e propicio a satisfazer dúvidas.

O plantio serviu para despertar o sentimento de responsabilidade e proteção para com as mudas que eles estavam semeando, ficando sob sua responsabilidade os cuidados para o seu desenvolvimento.

As crianças demostraram euforia em levar os vasos para suas residências, e mostrá-los a sua família. Eles receberam um folder (Figura 13), ensinando como realizar o replantio no solo. Foi recomendado que eles utilizassem um espaço amplo em sua residência, como o quintal ou a frente da casa, sempre longe de fiações elétricas e/ou pontos de grandes movimentações.

Figura 13 - Folder educativo

Fontes: Ideias green.

De acordo com Avila (2008), o uso da vegetação nas práticas de educação ambiental é de grande valia, pois ao mesmo tempo em que propicia desenvolver conhecimentos ecológicos, também pode ser usada como prática de cuidado com o meio ambiente.

Esta etapa mostrou a elas também, que ambientes como sua casa, são o ponto de partida para um meio urbano mais arborizado com melhor qualidade de vida. Após a atividade as crianças foram convidadas a responder um questionário de avaliação das atividades propostas pelo projeto.

O primeiro questionamento, procurava conhecer o que as crianças tinham aprendido durante as atividades. 70% das crianças citaram como aprendizado principal que, a arborização urbana é importante e que todos podemos e devemos cuidar da arborização da nossa cidade. 30% afirmaram que aprenderam que as nossas ações, por mais que pequenas podem ajudar a melhorar o ambiente em que vivemos.

A segunda pergunta, buscava entender se a opinião das crianças sobre a importância da arborização urbana havia mudado ou permanecido. 90% das crianças responderam que sua visão sobre a importância da arborização urbana havia mudado para melhor e apenas 10% afirmaram que havia permanecido.

Entre estes, percebeu-se que 3 das crianças que de acordo com o primeiro questionário consideravam a presença de árvore no meio urbano importantes, tiveram suas opiniões sobre assunto intensificadas. Apenas 1 criança, respondeu que não teria tido sua opinião mudada, visto que já considerava a arborização importante.

No primeiro questionário 60% das crianças que não consideravam arborização urbana importante mudaram de opinião. Elas justificaram que com o conhecimento adquirido, passaram a considerar a inserção de elementos arbóreos no meio urbano importante.

Na terceira questão foi perguntados as crianças se com o conhecimento aprendido elas se consideram agentes capazes de contribuir com a mudança do meio em que vivem. As dez crianças apresentaram respostas positivas. Elas se consideraram agentes capazes de promover a mudança dos espaços urbanos. 80% delas afirmaram que começariam a repassar o aprendizado adquirido no projeto, para os familiares em casa. Eles justificaram que tal atitude começaria a promover uma conscientização em sua residência, e que isso era o começo para uma mudança maior. 20% crianças afirmaram que começariam a pedir a ajuda de seus professores, para que pudessem realizar o plantio de mudas em sua escola.

CONCLUSÃO

A realização desta pesquisa possibilitou compreender a opinião das crianças sobre a arborização urbana e sua importância no cotidiano, e como a atuação da família ou do ambiente escolar podem ser fatores decisivos para a construção da opinião dos pequenos.

Partindo desse pressuposto, a pesquisa demonstrou também que, as famílias não se apresentam em sua maioria, como construtoras ativas da consciência ecológica de suas crianças, passando-lhes ensinamentos muitas vezes controversos. Acredita-se que este fator, esteja intrinsecamente ligado a inexistência de uma iniciativa de educação ambiental, que busque atingir a população de forma ampla e abrangente.

As crianças por sua vez, demonstram desmotivações decorrentes em diversos casos do seu próprio espaço educacional, visto que eles não conseguem perceber na escola e nas atividades desenvolvidas, ações estimulantes para que eles consigam se entender como responsáveis pelo ambiente onde habitam. Entende-se que o principal ponto de desmotivação, seja a abordagem do tema de forma abstrata e espaçada, pautada apenas em datas comemorativas que possuam correlação com o meio ambiente e não de forma constante.

Os dados apresentaram que a realização das atividades de educação ambiental, surtiram efeitos extremamente positivos nas crianças. Através das práticas com eles exercidas, percebeu-se o despertar de uma visão mais ampla e verdadeira sobre a importância da arborização urbana e os benefícios que esta pode acarretar, em especial na sua cidade.

A combinação das atividades lúdicas e práticas, contribuiu para a descoberta de uma consciência ecológica no público trabalhado, acentuando a aproximação das crianças com a natureza, despertado um sentimento de pertencimento e integralização para com o meio em que vivem, e consequentemente, o aflorar da responsabilidade de cuidar da manutenção e melhoria do ambiente onde eles estão inseridos. Além disso, as crianças se apresentaram como propagadores dos conhecimentos adquiridos, e possivelmente exercerão juntos a sua família a função de influenciadores ecológicos.

Concluímos que a adoção de práticas educativas direcionadas as crianças da sociedade, são de extrema eficácia para o desenvolvimento de agentes transformadores, que percebem a importância que a arborização urbana exerce na manutenção da qualidade de vida de uma população, resulta em adultos mais conscientes e preocupados em manter os elementos arbóreos presentes em uma cidade.

Para que nossas crianças se tornem adultos conscientes sobre esta questão é necessário que família, escola e a sociedade em geral, se apresentem como colaboradores na formação da consciência ecológica incentivando o cuidado da natureza como um todo e a entender a natureza, se apresenta nos mais diversos locais, em especial nos centros urbanos.

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Ilustrações: Silvana Santos