A responsabilidade social e a preservação ambiental significa um compromisso com a vida. - João Bosco da Silva
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 85 · Dezembro-Fevereiro 2023/2024
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06/09/2023 (Nº 84) ENTREVISTA COM LUIZ AFONSO V. FIGUEIREDO
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ENTREVISTA COM LUIZ AFONSO V. FIGUEIREDO PARA A

83ª EDIÇÃO DA REVISTA EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO

Por Bere Adams

Fotos: arquivo pessoal do entrevistado

Apresentação: É uma grande honra apresentar, nesta edição, a entrevista com Luiz Afonso V. Figueiredo, um mineiro que morou muito tempo em São Paulo e hoje vive no México. Afonso é Professor Doutor e pesquisador da área de Educação, Ciências Ambientais e Ecoturismo, aposentado pelo Centro Universitário Fundação Santo André. Também foi professor da disciplina Espeleologia do Curso de Turismo da PUCSP. E atualmente é docente convidado do Curso de Especialização em Patrimônio Espeleológico (Universidade de Passo Fundo-UPF e Fundação Casa da Cultura de Marabá-FCCM). Ele é Mestre em Educação, na área de Educação, Sociedade e Cultura (FE-UNICAMP) e Doutor em Ciências, na área de Geografia Física (FFLCH-USP). É espeleólogo e ambientalista, tendo sido fundador ou ativo participante de diversas entidades, Grupo de Estudos Ambientais da Serra do Mar (GESMAR), Fundação SOS Mata Atlântica, Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), Sociedade Brasileira de Ecoturismo (SBEcotur) e é atual membro do Grupo Espeleológico AJAU (Yucatán, México). Além da atuação em diversas redes de Educação Ambiental (REPEA, REBEA, RUPEA, REA-ABC, REASA, REDE-LUSO, entre outras). Ele é tudo isto e muito mais, como vamos perceber ao longo da entrevista. Tive o prazer de conhecer um pouco do trabalho dele através de um amigo em comum, o José Matarezi (Artista-Educador-Ambiental da UNIVALI, pessoa que tem a capacidade de inspirar cada um que dele se aproxima), que me viabilizou o contato com Afonso, e, portanto, essa entrevista só foi possível de vir à luz através das pontes que a Educação Ambiental constrói entre pessoas e instituições.

Bere – Olá Afonso, muito obrigada por aceitar o meu convite para esta entrevista. É um prazer poder conhecê-lo melhor e poder divulgar suas vivências e suas ideias com o pessoal que frequenta a publicação. Assisti a algumas entrevistas suas, ouvi um podcast, para me preparar, aí tomei um susto (dos bons), primeiro pela sua trajetória incrível, segundo por sentir afinidade com a sua linha de pensamento. Dá para dizer que, lá pelas tantas, quando se deparou com a Educação Ambiental, começaram a ocorrer significativas mudanças na sua trajetória?

Afonso – Olá Bere, que honra estar aqui para fazer esse depoimento em uma das primeiras revistas de Educação Ambiental do Brasil. Sem dúvida as afinidades e sintonias vão ocorrendo de forma prazerosa ao longo das ações de Educação Ambiental. O Matarezi, um fraterno amigo, assim como muitos outros e outras que surgiram nas quebradas do destino e nas lutas em prol da educação e do socioambientalismo, contribuíram para estruturar as bases que fortaleceram minha busca por outros rumos na minha formação acadêmica e atuação profissional. Eu diria que a Educação me cooptou, e foi no mesmo momento em que começavam a fervilhar as discussões sobre educação ambiental no Brasil, no início dos anos 1980. Sem dúvida minha vida tomou um rumo natural por essa trilha, tendo em vista a minha relação com a natureza, e os vínculos com a Educação e com o Ensino de Ciências Naturais.

Bere – No podcast (vou deixar o link no final para quem quiser ouvir na íntegra), você diz que percebeu conexões entre Química, Biologia e Geologia. Pode esmiuçar mais sobre estas conexões? Acho importante para a compreensão de visão integrada (entre tudo e todos), estes “clics” que ocorrem para além das linhas de pensamentos convencionais.

Afonso – Eu acho que essa aproximação aparece em maior destaque no começo da minha carreira docente, mas ao mesmo tempo na minha atuação como militante ambientalista. Em virtude da minha formação inicial em Química, com interesse para trabalhar na indústria e pesquisa, transitei algum tempo pela Química aplicada, primeiramente nas Biociências, a área de Saúde (patologia clínica), depois na Botânica (fisiologia e bioquímica vegetal), na zoologia (bioquímica de insetos), mas também na Ecologia (interação insetos-plantas, também ecologia humana). Mas fui ainda mais cativado pelas Geociências, primeiro na mineralogia e gemologia (pedras preciosas), depois para a oceanografia (análise de água do mar), por causa do camping selvagem em comunidades caiçaras do litoral norte de São Paulo e finalmente fui aportar na espeleologia, vendo a questão da gênese (origem) das cavernas, mesmo que ao longo do tempo minha visão para esse tema foi sendo ampliada. Além disso, a Geologia foi exatamente aonde eu comecei minha carreira como professor universitário. Mas tudo isso convergiu, posteriormente, para as humanidades, seja a Educação, Geografia, Antropologia, Filosofia, História, Sociologia, Política, Psicologia, e tantas outras áreas. Hoje, vejo que eu poderia ser melhor descrito como um naturalista, sabe?! Aqueles viajantes e estudiosos do século XVIII e XIX, ávidos pelo conhecimento, pelas expedições, pelas descobertas e que transitavam por diversas áreas, em situações cheias de obstáculos e aventuras. Enfim, eu era muito indisciplinar [risos]. Junto com tudo isso e misturado, minha formação na licenciatura acabou me levando para a carreira docente, primeiro para a educação básica (Ciências Naturais, Química, Biologia e Física), depois, já na universidade, eu acabei tomando o rumo das disciplinas na área de educação e ciências ambientais, posteriormente para metodologia de pesquisa, atuando com a formação de professores e pesquisadores, pouco a pouco isso foi se reformatando para a formação de professores-pesquisadores e de pesquisadores-professores, com acadêmicos dos cursos de Química, Biologia, Física, Pedagogia e finalmente na Geografia, por conta do meu postergado doutorado nessa área.

Bere – E o que significa ter uma visão indisciplinar e como ela se diferencia das visões trans e interdisciplinares?

Afonso – Eu diria que ao longo da minha trajetória, o intenso processo de vinculação com as humanidades me levou a pensar em muitas outra conexões, levou-me rumo à interdisciplinaridade e depois aproximações com a transdisciplinaridade, até finalmente aportar na INDISCIPLINARIDADE. Era uma ideia que eu tinha há muito tempo, muitas vezes dita por simples brincadeira, devido a minha trajetória, porém, ganhou mais força a partir de conferências do nosso querido Professor Áttico Chassot do Rio Grande do Sul, que lançou as bases para um movimento completamente fora da caixa do conhecimento. Eu diria que isso foi um despencar no abismo do conhecimento atravessando a ponte da transdisciplinaridade. Enfim, na indisciplinaridade, o nosso ponto de partida não está nas disciplinas, mas no conhecimento em toda sua plenitude, sobre tudo e na visão de todos(as) [grifo do editor]. Claro que essa concepção mantém aportes da proposta interdisciplinar, na qual ocorre um diálogo entre as diversas áreas do conhecimento, ou na transdisciplinaridade, na qual se atravessa os conhecimentos, sem estar preso ao ponto de partida de cada envolvido(a) e mantém uma ideia de pluralidade de saberes, não mais amarrados pelas disciplinas de origem.

Bere – Você apontou, também, que enquanto professor de Química desenvolveu com seus alunos projetos de horta, teatro, discussão, festival de música, pintura mural. Quais resultados você colheu destas experiências?

Afonso – Bom, eu estava inquieto com a forma como se ensinava Química na escola da educação básica, repetitiva, memorística, matematizada, teorética, algo totalmente contrário à beleza do conhecimento químico, que paira por tudo que pensamos que constitui a matéria e tudo que conhecemos, e que está presente intimamente todos os dias em nosso cotidiano, das maneiras mais diversas e incríveis. Eu queria encontrar uma química que fizesse sentido prático para os meus alunos. Minha formação e atuação começa pelo experimentalismo, que já ajudava a colocar a mão na massa, saindo da visão meramente teórica do assunto, porém, aos poucos foi sendo ampliada pelas abordagens alternativas visando um melhor entendimento do conhecimento químico, seus processos e sua relação com a nossa vida, com a sobrevivência humana. As contribuições da química do cotidiano de Mansur Lutfi ajudaram muito, inclusive, tive oportunidade de trabalhar por cinco anos na mesma escola estadual da cidade de São Paulo na qual ele era docente. Então, em cada escola que eu passava eu tentava colocar os alunos em sintonia com tudo que pudesse ter ligação com a química, a gente construía isso juntos, seja na educação básica, ou na universidade. Assim, uma festa junina ganhava o status de laboratório de química, tantos produtos derivados da cultura brasileira, e que a gente experimentava outras formas de fazer, usando materiais alternativos (exemplo: paçoca de semente de abóbora). Também passava pela questão da alimentação e qualidade alimentar, levando à nutrição balanceada, e ainda à gastronomia molecular, a culinária ao nível do conhecimento químico. A horta escolar era outro laboratório vivo de conhecimentos, solo-planta-água-insumos-insetos, tantas outras coisas. E ainda as questões de arte, cultura e embelezamento do ambiente escolar passava pela pintura mural, o teatro escolar como forma de expressão, questionamentos, ou o laboratório fotográfico, unindo conhecimentos de física, química e linguagem, mediados pela imagem. Então, era algo que ia mais pela química das coisas do que pelas coisas da química, como se diz por aí. É preciso ressaltar que nem tudo era um mar de rosas, as pressões eram muitas e de diversos lados, era sempre um tremendo aprendizado, mas, aos pouco a gente fazia acontecer. Claro que isso sempre feito em produções coletivas, redes colaborativas, parcerias com outros docentes, sejam da própria química, ou de outras áreas, biologia, física, língua portuguesa, história, educação física, geografia, educação artística, entre outras. E parceria com nossos estudantes. Para mim a escola era um espaço familiar e de muita camaradagem, inclusive com os alunos, tendo em vista que eu comecei a lecionar com 18 anos e dei aulas muito tempo no ensino noturno. Creio que isso influenciou muito os caminhos escolhidos por muitos jovens secundaristas, além disso, esse caminhar foi efetivamente me ajudando a desfazer as amarras da estrutura escolar, abrindo horizontes. Era um tremendo desafio, mas era também extremamente rico e prazeroso.

Bere – O que é a socioquímica e como ela pode contribuir para entender o mundo e repensar a química e as ciências da natureza?

Afonso – Bom, essa questão do papel social da Química (tempos depois eu chamei de socioquímica) foi sendo construída entre a escola básica e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), quando iniciei um mestrado na área de Metodologia de Ensino focado nessa visão alternativa e integradora para o ensino de Química. Para mim a química é uma das formas de ler o mundo, sem ela a nossa visão seria muito superficial sobre o planeta, o cosmos e a nossa existência. Assim, a química servia como mediadora para entender as necessidades humanas, a história da humanidade, mas, também, as consequências ambientais e sociais desse processo. Aí, eu comecei a juntar todos os temas que eu gostava e considerava fundamentais e atrativos para os jovens. Eu queria introduzir a Química a partir do uso dos recursos minerais e a indústria de transformação nas cidades, e como isso era muito amplo, eu foquei na construção civil, porque aí eu conseguia vislumbrar essas relações acontecendo.

Bere – Como você aplica a perspectiva do metabolismo urbano na construção civil e quais são as principais questões sociais e ambientais envolvidas nesse processo?

Afonso – Recordo que eu era um químico, educador, ambientalista, e ainda espeleólogo, discutindo a formação e importância das cavernas. Mas eu vivia e trabalhava na região Metropolitana de São Paulo, onde pululavam tremendas contradições socioambientais. Eu estava buscando conhecimentos químicos que tivessem sentido para esses alunos de grandes centros habitacionais. A ideia de juntar tudo pelo metabolismo urbano, aproximando as questões sociais, geográficas e ambientais, que eu podia associar com a química. Mas, o que seria metabolismo? Vamos pensar a partir da ideia do metabolismo humano, ou seja, quais são os fluxos que percorrem todo o corpo humano, e mantém essa complexa estrutura orgânica funcionado, elas decorrem de entradas, mecanismos e saídas. Metabolismo urbano é um neologismo, visa pensar nos fluxos que mantém a cidade funcionando, com entradas, mecanismos e saídas. Como isso era muito complexo, apesar de tentador, escolhi me concentrar na construção civil, porque permitia trabalhar os fluxos de matéria e energia para a construção das cidades, e lá no fundo podia correlacionar com as cavernas. Provocava os alunos com perguntas, o que eu preciso para construir uma casa, um edifício? Bom, eles diziam precisa de areia, brita, água, cimento, metais, tintas, vidro, plástico, etc. De onde vêm todo esse material? Isso é bem diverso, a areia vem dos portos de areia, dragagem de rios, a brita vem da trituração de rochas, água vem dos rios, ou do tratamento de água, que vem dos rios, o cimento precisa do calcário (uma rocha carbonática), entre outras substâncias, e assim por diante. Uma infinidade de reações químicas ocorrem, tanto para obter esses materiais como para transformá-los. Todo esse processo gera inúmeras consequências socioambientais, positivas e negativas. No caso do calcário, é o tipo de rocha aonde surge a maioria das cavernas, por causa das rochas carbonáticas serem mais solúveis, ou seja, mais facilmente dissolvidas pela água. De imediato já surgia um conflito, proteger as cavidades naturais ou gerar matéria prima para o cimento e crescimento e manutenção das cidades? Então, era assim, que eu começava com os alunos, realizando um tremendo mapa desses fluxos. E várias outras estratégias, como entrevistar um pedreiro para ele explicar como se fazia o concreto, o conhecimento empírico envolvido, porque o cimento se torna tão resistente depois que seca, porque colocar a brita para produção do concreto, etc. E depois vinha uma quantidade enorme de experimentos estimulantes para trabalhar as propriedades dos materiais, no caso, os minerais, avançando o conhecimento paulatinamente, desde as propriedades físicas até as propriedades químicas. Com isso poderiam identificar os materiais e suas resistências de acordo com essas características. Tudo isso era fruto de uma adaptação dos meus aprendizados em Química Mineral, estimulados pelo meu mentor intelectual, Julio Cezar Foschini Lisbôa, dos tempos de graduação, e visava introduzir os conhecimento químico para os estudantes do ensino médio. Ao mesmo tempo, a Química podia auxiliar a entender a cidade, seus processos metabólicos, suas contradições, suas necessidades, divergências, conflitos, tantos outros tópicos, abrindo possibilidades de parceria com outras áreas do saber.

Bere – Você, como Espeleólogo, vê a caverna a partir de uma leitura plural, que une racionalidade e sensibilidade, numa abordagem multirreferencial e fenomenológica. Fale um pouco mais sobre isto, por gentileza.

Afonso – Eu caminhei na espeleologia, transitando por diversas áreas, começando na parte hidrogeoquímica da caverna e depois focado nos conhecimentos das pessoas, suas representações e as relações humanas com as cavernas. Mas também acompanhando todo o ativismo espeleológico, aglutinando interessados e dando surgimento ao Grupo de Estudos Ambientais da Serra do Mar (GESMAR) em 1984. Outra contribuição, foi a minha participação na Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), tendo sido presidente e vice-presidente, coordenador de diversas Seções, como a de Educação Ambiental e Formação Espeleológica, que depois criou a Escola Brasileira de Espeleologia (eBRe) e ainda na História da Espeleologia, onde coordeno o Projeto História da Espeleologia Brasileira (PROHEB), que vai lançar uma coleção de livros sobre o assunto. Também fui secretário-adjunto da Federación Espeleológica de América Latina y del Caribe (FEALC) e atualmente coordeno a sua Comissão de História. Nesse meio tempo eu fui parar na antropologia e na psicologia social, trabalhando com o imaginário coletivo e as representações sociais das cavernas e também nos simbolismos que rondam as cavernas e na história da espeleologia (espeleologia cultural). Assim, no meu doutorado em Geografia, apesar de acontecer na Geografia Física eu trabalhei enfocado na Geografia Humanista-Cultural, no qual investiguei as cavernas como paisagens racionais e simbólicas. Além de ver todo o processo de formação das cavernas e suas feições na paisagem cárstica (características geomorfológicas típicas de regiões no mundo todo que são propicias à formação de cavernas), estudei a história do conhecimento espeleológico mundial, e como a espeleologia se desenvolveu no Brasil. Tive que mergulhar na fenomenologia da imaginação poética de Gaston Bachelard, onde investiguei os conceitos de geograficidade, geopoética e topofilia, que seria a relação de pertencimento aos lugares, a questão da afeição pela paisagem, tal como proposto por Yi-Fu Tuan. Fui mais longe na filosofia, com releitura da Alegoria da Caverna de Platão, a gruta bachelardiana, e ainda, a caverna na religião, na literatura, no cinema e nas práticas espeleológicas. Enfim, bebendo das mais diversas fontes para fazer essa escuta sensível, utilizando múltiplos olhares, as narrativas visuais, chegando a uma leitura plural da caverna. É isso caracteriza a abordagem multirreferencial.

Bere – E como foi a sua experiência na criação da Fundação SOS Mata Atlântica e na coordenação do projeto de campo de percepção ambiental?

Afonso – Todo esse meu envolvimento paralelo com o movimento ambientalista, na espeleologia, via GESMAR e Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), colocou-me frente a frente com o documento de criação da Fundação SOS Mata Atlântica, em 1986, constituindo-me, portanto, como um dos seus mais de 500 fundadores. Essa entidade foi crescendo muito, aproveitando o apelo na mídia para o assunto, a ampliação da discussão ambiental, a questão da proteção das florestas tropicais, a retomada dos processos democráticos, etc., que tinha tudo a ver com minha atuação no Vale do Ribeira, as cavernas, as formações florestais e as comunidades locais. Tudo isso, constituiu-se posteriormente em temas para o meu mestrado e doutorado. Depois de dois anos de atividades, em uma reunião pública de balanço da atuação da entidade, eu fiz um questionamento ao João Paulo Capobianco, que na época era um dos diretores da SOS, de que estava faltando espaço para maior participação dos sócios fundadores e demais sócios, e afirmava para ele que haveria muita gente interessada em realizar trabalhos voluntários. A partir daí ele me chamou para criar um corpo de voluntariado, surgiu assim o Grupo de Ação Voluntária (GAV) em 1988. A gente realizou diversos estudos sobre trilhas na Serra do Mar, o Projeto Trilhas e Trilhos, tendo em vista que envolvia Paranapiacaba, uma vila ferroviária nas encostas da Serra do Mar, entre a região do ABC paulista e a Baixada Santista no estado de São Paulo, cheia de trilhas, lugar piloto por onde estava sendo fortalecido o conceito de ecoturismo. Depois de dois anos de experiências inéditas, tudo realizado de forma voluntariosa, mas de caráter profissional, eu fui contratado para um projeto de pesquisa sobre percepção ambiental na área urbana e rural do município de Iguape, aonde a SOS tinha uma base de atuação na região do Lagamar (região estuarino-lagunar de Iguape-Cananéia). O estudo contou com companheiros(as) do GAV, mas também da ONG que eu era fundador, o GESMAR. Realizamos um enorme estudo nessa localidade, entrevistando quase 400 famílias, em todos os cantos do município. Para realizar isso tivemos que ficar mais de uma semana na cidade com apoio da SOS. Foi uma experiência inesquecível para todos que participaram, inclusive apresentei o resultado desse trabalho no Encontro Nacional de Estudos Rurais e Urbanos na USP, em 1991, uma das minhas primeiras produções sobre percepção ambiental.

Bere – Dentro da sua ampla trajetória, o que você pode destacar sobre a Educação Ambiental e quais os avanços que percebe em seus alunos, ou nas comunidades, a partir de projetos aplicados?

Afonso – Essa é uma pergunta bastante complexa, afinal, são mais de 30 anos de experiências e (con)vivências. Então, primeiramente eu queria começar destacando que o fazer Educação Ambiental tão necessário em tantas situações que acompanhamos, surge com frequência acompanhado de um turbilhão de possibilidades, de interpretações, de simplismos, de confusões, entretanto, tenho claro que não existe uma forma pronta e acabada de Educação Ambiental. São sempre educações ambientais, ou seja, tem uma enorme diversidade de caminhos, fundamentos, visões, propostas. Inclusive, eu costumo dizer que não seria necessária a adjetivação, bastaria ver a Educação com E maiúsculo, que muita coisa já aconteceria. Enfim, cada experiência e realidade possui um ritmo próprio, um caminhar, não existe um passe de mágica, uma varinha de condão, que resolve tudo de uma hora para outra. Como já é um tópico mais do que consolidado, eu tenho evitado os melindres do assunto, mas tenho preferido falar em uma educação socioambiental. Digo que não é uma educação na ou para a comunidade, mas que deve ser sempre uma educação com a comunidade, com os agentes sociais que estamos trabalhando uma perspectiva educativa e socioambiental de caráter participativo. Portanto, há que se refletir sobre toda a trajetória dessa ação, de maneira compartilhada, integrada, construída no coletivo.

Eu estou aposentado desde 2019, portanto, fui perdendo contato com a maioria dos alunos, com a universidade. Mesmo assim, eu procuro manter a energia e sintonia com alguns amigos docentes e um grupo seleto de ex-alunos(as), pupilos(as), que são meus companheiros de vida e ações. Às vezes eu estou acompanhando-os em seus mestrados, doutorados, publicações, investigações. Temos propostas de artigos, coletâneas, resgatando experiências, convivências. Vejo que esses acadêmicos estão se destacando em suas atividades, devido às reflexões feitas no âmbito da educação ambiental, ou mesmo da educação científica. Isso é muito gratificante, ver eles crescendo, produzindo, voando alto, propagando-se. De outro lado, as oportunidades que tive para regressar às comunidades que atuei, como Paranapiacaba (Santo André-Baixada Santista, SP), o Alto Vale do Ribeira (SP), ou Luminárias, no sul de Minas, entre outras, foram sempre carregadas de duplo sentido; de um lado uma tremenda alegria, energia, sintonia, e muitas histórias boas para contar, outras vezes, a gente se depara com a rotatividade, problemas retornando, ou ainda pior, o marasmo. Isso reforça de que não existem fórmulas mágicas, definitivas, que resolva tudo. Precisa de uma revisão permanente das ações realizadas, um reflexão contínua para potencializar atuações. Contudo, mesmo que pareça um tom um pouco apreensivo, tenho visto muitas ideias interessantes, o envolvimento de novas pessoas em busca de um mundo melhor, com justiça social e qualidade de vida. Isso me motiva a seguir em frente, contribuindo o máximo possível, mesmo que em outro ritmo. É um adaptar-se, constante, todos os dias.

Bere – Em uma edição anterior da revista divulgamos o lançamento do seu livro "O 'meio ambiente' prejudicou a gente...". O que você destaca sobre o conteúdo da sua obra?

Afonso – Essa obra surge depois de mais de 30 anos que foi realizada como estudo para o meu mestrado em Educação na UNICAMP, defendido em 2000. Foram muitas mudanças e transformações na temática, saindo do ensino de química em áreas urbanas para educação e movimentos sociais na zona rural do Vale do Ribeira, aportando nas histórias das relações sociedade-natureza e na pedagogia dos conflitos. A complexidade do assunto e todas essas mudanças são descritas nos primeiros capítulos do livro.

No caso de Iporanga (SP) destacam-se: importante remanescente florestal de Mata Atlântica brasileira, grande concentração de cavernas e um importante arraial de mineração de ouro, do século XVII. Um dos pontos de partida é crescente afluxo de pessoas para áreas protegidas, atraídas pelo chamado turismo ecológico, entretanto, verifica-se, também, uma invasão cultural e embates de todos os tipos com essas comunidades que tem convivido secularmente próximas à esses importantes patrimônios naturais e culturais. Os processos de “preservação” implantados acabaram por excluí-los socialmente, desencadeando uma série de conflitos, evidenciados em todo o Vale do Ribeira, levando a população local a se afastar da questão da proteção ambiental e cultural, particularmente, entre os anos 1970-1990, gerando discursos negacionistas, incentivados pelo oportunismo e pela demagogia dos donos do poder local, e pela dificuldade de diálogo com os órgãos governamentais.

Tudo começou porque eu fazia entrevistas nas comunidades do Alto Ribeira (SP) com meus alunos do ensino médio e depois com acadêmicos da área de ciências naturais, durante as aulas de Geologia na universidade, aí surgiu uma frase nas falas dos moradores, que mais parecia provocação: “O ‘Meio Ambiente’ Prejudicou a Gente...”. Essa frase me incomodou muito tempo, percebi eu que atrás deste título-tema rondava um mistério, morava um enigma, que me motivou a tentar desvendá-lo. Que “Meio Ambiente” é esse que prejudica alguém? Qual o contexto em que isso se desenvolve? O que seria uma pedagogia dos conflitos socioambientais?

Para desvelar o antagonismo gerado por esse assunto tive que promover uma caminhada pela minha história de vida, minha atuação como espeleólogo na região. Para complementar isso utilizei documentos oficiais, publicações da imprensa, contrapostos com depoimentos orais. Foi necessário resgatar os motivos que levaram um professor do ensino médio e superior, que trabalhava com alternativas para o ensino de Ciências Naturais, em um centro urbano, a sofrer um desvio de rota, indo parar nas matas densas e emaranhadas da educação e dos movimentos sociais, da invisível educação nas relações sociais, a fim de desenvolver uma investig(ação) nessa zona rural do Alto Vale do Ribeira.

O foco da pesquisa foi a relação cultura-natureza-sociedade-desenvolvimento socioeconômico, visto pelo tombamento da cidade de Iporanga pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e a implantação do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), ambos criados como alternativa para ampliar o turismo paulista. Essas propostas surgem nos anos 1950, mas só se consolidaram nos anos 1980.

O meu papel foi identificar atores e ações, e verificar nos encontros e desencontros a pedagogia dos conflitos socioambientais presentes nessas tantas histórias do Vale do Ribeira. Foi um trabalho árduo, mas altamente prazeroso e estimulante, além de abrir minha visão sobre o papel da educação em situações socioambientais. Tudo isso tá contado em suas 545p. com muito esmero, sempre com um tom poético e reflexivo.

Mais informações estão no Podcast “Verso e Relevo” episódio 17 (link ao final).

Bere – Fale sobre os conceitos: militância, educação, pesquisa.

Afonso – Essa expressão eu usei muito na pesquisa do mestrado, porque conta muito das transformações que fui sofrendo ao longo da encenação de papéis ao longo dessa dramaturgia social. Somos múltiplas personagens na vida cotidiana. No meu caso, essa tríade perpassa toda minha trajetória pessoal e profissional. Assim me construí como um militante que ensina e pesquisa, um educador que milita e faz pesquisa sobre a própria prática, um pesquisador que busca sentido e conhecimento pela atuação militante, engajada, e sempre no papel de uma Educação maiúscula, aquela que não precisa do subterfugio dos adjetivos.

Bere – Você tem alguns projetos guardados na “gaveta”? Se sim, quais, e quando pretende colocá-los em prática?

Afonso – Eu diria que tenho muitos projetos empilhados no gaveteiro. Ou seja, projetos que quero fazer há muito tempo, e sempre falta fôlego dar prosseguimento a eles. Aos poucos estão saindo das gavetas, mas ainda falta mais apoio. A maioria é decorrente de redes colaborativas, e muito trabalho voluntário. O projeto Tá Rolando Outra Química (TROQ); o projeto Educação, Ciência e Ambiente na Cultura POP; História e Memórias da Espeleologia Brasileira e História da Espeleologia Latino-Americana e Caribenha, são propostas de coleções de livros, baseados em coletânea de atividades realizadas, pesquisas e publicações de congressos, realizado a muitas mãos e cabeças. Também gostaria de publicar os resultados de um trabalho interessante, desenvolvido durante mais de 20 anos, sobre Indicadores Alternativos de Qualidade Ambiental (IAQA)-Roteiros para Educação Científica, a gente chegou a dar um curso para professores e profissionais da área ambiental com apoio da Prefeitura Municipal de Santo André, e seu órgão ambiental, SEMASA, gostaria de registrar a riqueza desse processo e difundir o assunto.

Eu estou tentando dar continuidade ao projeto Cavernas na Literatura e no Cinema a partir de autores de obras clássicas, como Julio Verne (Viagem ao Centro da Terra), J. R. R. Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis), Mark Twain (As aventuras de Tom Sawyer) e Frank Herbert (Duna). Era uma proposta de pós-doutorado que não vingou, porque não consegui me encaixar na lógica da produtividade e na burocracia institucional. Eu continuo fazendo de forma espontânea e tranquila, como material para congressos. Para esse tema, estou realizando um cadastro de filmes que tratam de cavernas, que já chegaram a 180 filmes descritos, e muitos deles analisados. Tenho ainda interesse em trabalhar com espeleoturismo e educação ambiental em comunidades yucatecas (mayas), região aonde vivo atualmente, trabalhando na perspectiva de cultura e natureza. Também quero continuar os estudos sobre indicadores de sustentabilidade para o manejo cavernas turísticas.

Bere – O que mais te inspira no momento presente?

Afonso – Eu me inspiro no contato direto com a natureza e na importância das relações sociedade-cultura-natureza, sempre buscando o equilíbrio e sustentabilidade do planeta e refletindo sobre qual é o papel de todos nós nesse processo. Isso me inspira a continuar estimulando processos de formação humana para educação, ciência, ambiente e turismo. Impulsionando processos formativos para professores e pesquisadores, para que possam sair das amarras fechadas da ciência tradicional.

Além disso, continuo fazendo expedições para cavernas, pois adoro a atividade espeleológica, onde se juntam floresta, corpos d´água, rocha, comunidades locais e outros seres vivos, em íntimas relações. Atualmente fui aceito como membro do Grupo Espeleológico AJAU, e tenho realizado diversas expedições na península de Yucatán e outras regiões do México.

Continuo dando conferências, participando de congressos, realizando aulas online, particularmente em um curso pioneiro de Especialização em Patrimônio Espeleológico, que tem sido muito importante para mim, pois eu amo lecionar e provocar o conhecimento, principalmente nesse tema que tanto me encanta e motiva. Eu também tenho explorado muito a pesquisa (auto)biográfica, realizando cursos, conferências, participando de bancas acadêmicas e produzindo artigos sobre o assunto, um caminhar para si, sem egocentrismos, como diria a Marie-Christine Josso.

Por ter sido professor de Metodologia de Pesquisa por mais de 20 anos, resolvi criar uma assessoria acadêmica, AMBSCIENTIA, na qual eu realizo um trabalho profissional ajudando jovens a desenvolverem seus trabalhos universitários da melhor forma possível, particularmente na área de educação e ambiente. É uma atividade complementar ao do orientador, tão sobrecarregado nesses tempos atuais, e visa estimular e destravar acadêmicos em fase de trabalho de conclusão de curso, mestrados e doutorados, nas fases de investigação, registro, análise e apresentação dos dados obtidos e, também, na sua defesa. É uma alegria imensa quando consigo ajudar essa galera.

Bere – Para finalizar, deixa uma mensagem para os educadores que buscam aprimorar suas atividades e mudanças no seu fazer pedagógico através da Educação Ambiental.

Afonso – É preciso continuar acreditando na Educação e no papel dos docentes. Acreditando na simplicidade, na criatividade, na improvisação, na alegria das relações humanas. Tem que ter uma postura crítica e ponderada aos avanços da tecnologia. Eu acho deve ser vista como uma ferramenta útil, e não como uma maneira de substituição de tudo e de todos(as). Uma tecnologia que não diminua desigualdades sociais, que não resolva problemas urgentes da sociedade na saúde, meio ambiente, habitação, agricultura, cultura, tantos outros assuntos, não tem sentido algum, pois só amplia as discrepâncias, facilitando a vida os donos do poder, a partir da falsa ideia da globalização e acesso ao conhecimento e complicando a nossa existência. Nós temos que continuar acreditando que o que mais vale ainda é o bom diálogo, a produção cooperativa, as redes de apoio, os “olhos nos olhos”, a sensibilidade. E que apesar das adversidades, desprestígio da educação, a gente pode ser fazer respeitar e demonstrar a que viemos. Um tremendo abraço para todos e todas, continuem fazendo a diferença. Abração, Afonso.

Bere – Prezado Professor Luiz Afonso, querido, muito obrigada por esta tão prazerosa entrevista que se configura em uma verdadeira aula, recheada de ensinamentos concretos que promovem aprendizados significativos, comprovando que é possível (e necessário) irmos além do que se entende, superficialmente, por “ensinar-aprender”. Não tenho dúvidas de que esta entrevista promoverá reflexões, discussões e aprimoramentos em ações e práticas educacionais daqueles que queiram, realmente, promover mudanças, transformar olhares e viveres para percepções em todos os sentidos. Muito obrigada e votos de muito sucesso!



PARA SABER MAIS SOBRE LUIZ AFONSO V. FIGUEIREDO

Contato (WhatsApp): 55(11) 99511-8624

Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/5253650313975776

Currículo resumido:

Licenciado em Ciências Naturais e Química (Fundação Santo André, 1982).

Mestre em Educação, área de Educação, Sociedade e Cultura (UNICAMP, 2000). Doutor em Geografia, área de Geografia Física, linha de Planejamento e Gestão Ambiental, enfoque em Geografia Cultural (USP, 2010).

Professor-pesquisador aposentado da área de Educação e Ciências Ambientais do Centro Universitário Fundação Santo André (1986-2020). Foi Coordenador e docente dos cursos de Especialização em Educação Ambiental e Sustentabilidade e de Educação e Prática Docente.

Docente convidado do Curso de Especialização em Patrimônio Espeleológico (FCCM/UPF)(a partir de 2023).

Docente convidado dos Cursos: Especialização em Educação Ambiental e Recursos Hídricos (Centro de Recursos Hídricos e Estudos Ambientais-CRHEA/Escola de Engenharia de São Carlos/EESC-USP, 2006-2010) e Especialização em Educação Ambiental (Faculdade de Saúde Pública/USP, 1993-1995).

Ambientalista desde os anos 1980. Membro-fundador do Grupo de Estudos Ambientais da Serra do Mar (GESMAR, 1984) e da Fundação SOS Mata Atlântica (1986).

Espeleólogo. Foi vice-presidente e presidente da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) (gestão 2007-2009 e 2009-2011). Foi coordenador e é membro ativo da Seção de Educação e Formação Espeleológica-SEFE (entre 1992-2011) e da Seção de História da Espeleologia-SHE (1994-2007), coordena o Projeto História da Espeleologia Brasileira (PROHEB). É membro da Escola Brasileira de Espeleologia (eBRe) e da Seção de Espeleoturismo.

Foi secretário adjunto (2010-2018) e é atual presidente da Comissão de História da Federação Espeleológica da América Latina e Caribe (FEALC).

Membro fundador da Sociedade Brasileira de Ecoturismo (SBEcotur) e de redes de Educação Ambiental (REBEA, REPEA, RUPEA, REASA, REDE-ABC)

Entrevistado no PodCast ECOnversa do Observatório de Educação e Sustentabilidade (ObES/UNIFESP-Campus Diadema), episódio 5, link: https://podcasters.spotify.com/pod/show/obes-unifesp/episodes/5-Conversando-com-Afonso-Figueiredo-el4bm3. A entrevista foi realizada pelo organizador do PodCast, Arnaldo Silva-Junior, seu ex-aluno, depois coorientando no mestrado sobre Educação Ambiental e Cinema.

Entrevistado para o PodCast “Verso e Relevo” do Projeto de Extensão Comunicação de Áreas de Risco e Mudanças Climáticas do IFSP, episódio 17, “O ‘ Meio Ambiente’ Prejudicou a Gente...”, organizado por Fabiana Ferreira, professora do Instituto e companheira do Afonso no Grupo de Estudos Ambientais da Serra do Mar (GESMAR). Link: https://anchor.fm/versoerelevo.

Registros fotográficos

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Sala de Projetos em Ciências Naturais, meu espaço de pesquisa no Centro Universitário Fundação Santo André (1986-2020). (Foto: Addy Loria, 2015).

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Trilhas e atividade em cavernas de Luminárias (MG). (Foto: Nislei Inácio, 2011)