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ANÁLISE CRÍTICA DAS POLÍTICAS SOBRE A EDUCAÇÃO AMBIENTAL
NO BRASIL PRADO, L.R1. & PRADO, R.M2. 1
Graduanda em Pedagogia, Universidade São Luis, Rua Floriano Peixoto, 839,
14870-370, Jaboticabal-SP. 2
Prof.do Dep. Solos e Adubos, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias,
UNESP, Campus Jaboticabal, Via de Acesso Paulo D. Castellane, s/n., 14870-000,
Jaboticabal-SP. E-mail: rmprado@fcav.unesp.br Resumo -
Este artigo tem por objetivo fazer uma análise crítica sobre a educação
ambiental no Brasil. Para isso, abordaremos as deficiências em relação a essa
temática e sugerimos práticas educativas como resoluções. Pois foi lançado
no Brasil, a pouco mais de cinco anos os PCN (Parâmetros Curriculares
Nacionais), que possui em um dos temas transversais a Educação Ambiental. No
entanto, até hoje são poucas as escolas que trabalham com essa
transversalidade, e menor ainda é o número de professores que conseguem fazer
com que a educação ambiental possua caráter interdisciplinar. Diante desse
contexto, mostraremos que é possível admitir um novo conceito de educação
ambiental, ou seja, uma educação sustentável, visando maior desenvolvimento
da sociedade nos aspectos econômicos, sociais e ambientais. Partindo de uma
educação articulada com a realidade de seus educandos e sua vida cotidiana. Palavras-chave: educação
ambiental, Parâmetros Curriculares Nacionais, desenvolvimento social, interação
meio ambiente e cultura escolar. INTRODUÇÃO
A questão ambiental nos últimos anos, tem sido amplamente discutida em
várias áreas do conhecimento, uma vez que a sociedade moderna foi despertada
devido ao avanço da destruição dos recursos naturais do planeta. Uma das
formas para o combate à destruição da natureza é a conscientização da
sociedade sobre esta temática, buscando soluções para paralisar a destruição
e ainda, inverter a situação com ações de recuperação do meio ambiente.
Uma das ferramentas disponíveis, de baixo custo e com efeito duradouro, é a inclusão da educação ambiental de forma
adequada, inserida nas escolas do ensino fundamental e ensino médio. Para que
os objetivos da educação ambiental sejam atingidos, é necessário o uso
adequado desta ferramenta, com ações acertadas de ensino-aprendizagem,
partindo dos vários segmentos da sociedade, ou seja, do governo, do setor
privado e das ONGs. Para isso, são necessários estudos sobre as técnicas que
estão sendo utilizadas nas escolas sobre a questão da educação ambienta,l e,
propor, na medida do possível, as soluções
para que a formação do aluno permita-lhe ser um cidadão consciente, e
disseminador e formador de consciências acerca da importância de preservar-se
o meio ambiente, ajustado com o desenvolvimento da sociedade nos aspectos econômico
e social. Nesse contexto, este
trabalho tem por objetivo analisar os diversos aspectos da educação ambiental,
e como esta pode ser trabalhada nas escolas de maneira agradável e
significativa para com os alunos do ensino fundamental e médio Ilustraremos uma
experiência de pesquisa relatada, reforçando a importância de
posicionarmos-nos a favor da preservação do meio ambiente. Assim,
buscar-se-á mostrar como vêm sendo produzidos e utilizados, no cotidiano das
escolas, suas interações com a cultura escolar e seus efeitos sobre a
aprendizagem dos alunos. DESENVOLVIMENTO É sabido, que a Educação
Ambiental no Brasil não foi assunto que obteve prioridade pelos governantes ou
órgãos públicos.
Desde a década de 60, vem ocorrendo queda na qualidade de vida do homem,
sendo a degradação ambiental grande responsável por esse fato. Porém, como
os governantes não tomavam atitudes em relação a esse problema, a sociedade
civil encaminhava-se à procura de
soluções. Foi então que em março de 1965 na Conferência de Keele, na Grã-Bretanha,
educadores concluíram que a educação ambiental deveria ser trabalhada na
escola, estando presente na vida dos cidadãos. No mesmo ano, fundou-se, naquele
país, a Sociedade de Educação Ambiental, iniciando um movimento direcionado
à Ecologia. Assim, elaborou-se um manual para professores, Um lugar para
viver, sendo considerado um clássico da literatura internacional sobre
Educação Ambiental.
Porém no Brasil, nenhuma medida oficial sobre Educação Ambiental havia
sido tomada até então.
Apesar do descaso para com os problemas ambientais do país, na década
de 70, algumas propostas foram elaboradas para a implementação da Educação
Ambiental nos currículos escolares da rede de ensino brasileira.
A Fundação Educacional do Distrito Federal e a Fundação da
Universidade de Brasília, em convênio com o SEMA, realizaram um curso de
extensão para profissionais de ensino de primeiro e segundo grau, envolvendo
quarenta e quatro instituições escolares, com o treinamento de quatro mil
pessoas. Estava previsto para os próximos anos um projeto centrado num currículo
interdisciplinar. No entanto, por falta de recursos financeiros e uma política
direcionada para a execução da Educação Ambiental, essa proposta não foi
efetivada.
No ano de 1981, foi publicada a Lei 6.938, que estava voltada para a política
nacional do meio ambiente. Foi a primeira conquista de grupos
ambientalistas, porém a educação ambiental continuou restrita a questões
ligadas à natureza (extinção de animais, poluição dos rios, devastação da
natureza, etc.). Não se pode negar que esses temas são importantes, mas é
preciso que se discutam, também, as questões sociais, econômicas e políticas
do país. Apesar
desse descaso para com os problemas ambientais, a partir do ano de 1998 foi
apresentado às escolas publicas brasileiras os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCNs) do Governo Federal (Ministério da Educação),
enfocando como um dos Temas Transversais propostos - Meio Ambiente. Essa
foi a primeira ação do governo para a implantação da Educação Ambiental na
rede pública de ensino, como explicitado no volume 9 dos (PCNs):
"...O trabalho de aluno deve ser desenvolvido a fim de ajudar os
alunos a construírem uma consciência global das questões relativas ao
meio..."
"...Neste sentido, as situações de ensino devem se organizar de
forma a propiciar oportunidade para que aluno
possa utilizar o conhecimento sobre o meio ambiente para compreender sua
realidade e atuar sobre ela..
Os parâmetros encontram-se de forma aberta e flexível; por isso, podem
ser adaptados à realidade de cada região, sendo um instrumento útil no apoio
às discussões pedagógicas, elaboração de projetos, nos planejamentos das
aulas, na reflexão da prática educativa e análise de material didático.
Entretanto, podemos verificar que existe uma preocupação por parte dos
educadores em desenvolver um projeto pedagógico, ou seja, matérias que devem
ser trabalhados durante o ano letivo e muitos deles não conseguem
inter-relacionar a Educação Ambiental aos conteúdos curriculares e isto
ocorre porque o conceito de Educação Ambiental não está bem definido entre
os educadores, orientadores e/ ou coordenadores das instituições escolares.
De acordo com GUATTARI (1990), só a "ecosofia", uma
articulação entre o que considerou "os três registros ecológicos"
- meio ambiente físico, relações sociais e subjetividade humana -, é que
pode dar conta das questões ambientais.
Portanto, a educação ambiental, trabalhada de maneira adequada pelos
professores, não enfocando as noções que ficam restritas somente ao ambiente,
mas sim trabalhando esse tema com a interdisciplinaridade poderá contribuir e
muito para recuperar e preservar os recursos naturais e melhorar a qualidade de
vida da população. A Educação
Ambiental, remetendo ao sentido maior da educação, estimula a percepção do
educando para ser cidadão, para viver o amor concreto, pois
ensina com amor, incentiva o estudo sério dos nossos graves problemas
socioambientais, além de levar o educando à busca autêntica de valores
sociais e pessoais.
De acordo com TANNER(1978), a educação ambiental pode ter um caráter
multidisciplinar, isto é, estar integrada a todas as matérias presentes no
currículo escolar. Além disso, pode ser ensinada em todos níveis escolares
atingindo, assim, desde o jardim de infância, até o último ano de
escolaridade.
O problema da falta de articulação das disciplinas com o meio ambiente
nas escolas devem-se, possivelmente, à distinção entre o que é ideal e o que
real, isto é, a Educação Ambiental acaba sendo tratada isoladamente como
parte de uma disciplina.
MEYER (1991) afirma que, ao considerar a educação ambiental como uma
disciplina, estará contrariando o que a comunidade científica vem discutindo a
respeito desse assunto. O autor diz que essa temática necessita de um enfoque
interdisciplinar em que estejam congregados profissionais de diversas áreas do
conhecimento.
Em razão disso, a Educação Ambiental não pode ficar restrita somente
à escola e tampouco, limitar-se a uma disciplina. Professores e alunos devem
levar essa temática para o conhecimento da comunidade para que, de uma forma
global, possamos intervir na solução dos problemas ambientais.
No plano Nacional, temos a Lei 6938/81 que dispõe sobre os fins,
mecanismos de formulação e aplicação da Política Nacional de Meio Ambiente.
Em seu décimo princípio estabelece que:
"Educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a
educação da comunidade, objetivando capacita-la para participação ativa na
defesa do meio ambiente."
Por outro lado a Constituição
de 1988 em seu artigo 225, parágrafo primeiro diz que:
"Promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e
a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.
Na verdade, quando se trata da questão da educação ambiental,
está se falando no processo de resgate da ética, da cultura, e da política.
Se a educação quer cumprir o seu papel como formento crítico,
formador/despertador da consciência, politizador,
terá de reinserir em sua história em sua cidade, em seu meio, o
educador como sujeito capaz de interagir com um ambiente, já que este está
diretamente interligado à vida do educando. Trata-se de uma inserção sócio-ambiental
que dá sentido maior à vida humana, porque age para construir uma sociedade
melhor, justa e com qualidade de vida (FREIRE, 1992).
CONCIENTIZAÇÃO DE ALUNOS SOBRE
EDUCAÇÃO AMBIENTAL Educação
ambiental além das paredes da escola
Com
intuito de ilustrar algumas práticas do ensino de Educação Ambiental na rede
de ensino público, serão apresentados alguns exemplos de experiências
realizadas em escolas no interior do Estado de São Paulo. Uma
maneira que os professores de Língua Portuguesa, encontraram para a realização
do ensino desta temática em suas disciplinas, foi trabalhando com oficina de
teatro.
É
importante ressaltar que o aluno não é obrigado a participar da oficina
teatral, porém ele participará das pesquisas e passeios a parques e praças
e receberá o mesmo conteúdo de ensino sobre a educação ambiental, que
o grupo participante da oficina. No
início do projeto, os alunos participaram de leituras em jornais, revistas,
telejornais e assistiram a vídeos, em que abordados
temas a respeito da Educação Ambiental, tais como: cólera, dengue,
poluição crescente nos rios e no mar, coleta de lixo, reciclagem, situação
do ar, áreas verdes em perigo, erosão, proteção da fauna e flora. Além
disso, realizaram-se observações sobre as conseqüências dessa situação para
os moradores da cidade.
Logo após á leitura, essas crianças expressaram o que sentiram a
partir de tudo que presenciaram, por meio de textos, redações e poesias.
O aprendizado e a reflexão sobre as questões ambientais não ficam
restritas apenas ao momento em que os alunos estão na escola , ao voltarem para
casa, o trabalho deve ter continuidade, envolvendo várias discussões acerca do
meio ambiente. Dessa
maneira, os alunos poderão escrever o que entendem por problema ambiental,
desde o quintal de casa até os problemas referentes à cidade, ao país e ao
mundo.
Por meio desse programa, os alunos têm a oportunidade de reclamar a
deterioração do meio ambiente e propor soluções para a melhoria do mesmo.
Assim, a Educação Ambiental é trabalhada a partir da própria
realidade vivenciada pelos alunos, fazendo com que reflitam, questionem e
formulem questões sobre o ambiente que os cerca.
Logo após essas reflexões, os alunos participaram de
uma peça teatral, cujo tema
principal foi o meio ambiente.
Para a montagem do palco e das roupas que foram usadas
no teatro, usamos caixas de papelão, retalhos de tecido, garrafas pet,
papéis em geral; enfim, uma infinidade de materiais que seriam jogados no lixo.
Neste modelo de trabalho, toda a comunidade ajuda direta ou indiretamente
na educação ambiental. É um trabalho em que não somente os alunos aprendem a
trabalhar em grupo e ser cooperativos, mas toda a comunidade também.
Entretanto, essa forma de transmissão de conhecimentos faz com que os
alunos tenham uma participação ativa daquilo que está sendo ensinado, e
conseqüentemente, os resultados serão
mais significativos, pois o
educando poderá sentir-se parte integrante daquilo que está sendo ensinado. ARISTÓTELES (1992, p. 35) afirmava que aprendemos as virtudes quando as
praticamos, o que significa dizer: sem o exercício constante, vivenciado na
realidade humano-social, as lições, os ensinamentos, os modelos, as prescrições
perdem efetividade. Desse modo, estamos ensinando essas crianças não somente a ler e
escrever, mas também a desempenharem o papel de cidadãos e fazendo com que
desenvolvam o sentimento de solidariedade e responsabilidade. CONCLUSÕES:
Este trabalho teve por objetivo analisar os diversos aspectos da educação
ambiental para o ensino fundamental e médio.
Pode-se perceber que vários países, em diferentes momentos,
preocuparam-se com essa questão, com soluções para
abordar essa temática ambiental.
O Brasil não se preocupou em abordar com seriedade esse assunto, ou
seja, a Educação Ambiental ainda não recebeu a atenção que merecia.
Nesse contexto, pode-se inferir que a Educação Ambiental não deve ser
tratada como uma disciplina, mas deve
ser pensada de modo interdisciplinar como foi mostrado nos PCNs, envolvendo
todas as áreas do conhecimento e ainda abrangendo todos os níveis escolares.
Salienta-se, ainda, que a Educação Ambiental não está relacionada
apenas à natureza, mas também às relações sociais, políticas, econômicas
e culturais da humanidade.
Por fim, embora no Brasil venham sendo tomadas medidas voltadas para a
Educação Ambiental, sabe-se que há muito ainda para
fazer-se, e que não somente os governantes, mas também,
cada um de nós como educadores e cidadãos, que vivemos em sociedade
conscientizar-nos de que é preciso preservar a natureza e respeitar o próximo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. 2a
ed. Brasília: Editora da UnB, 1992. FRARE, José Luiz. A vida pede uma chance. In: Revista Nova Escola.
(55) p.10-17, São Paulo: 1992. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança. São Paulo:
Paz e Terra, 1992. GUATTARI, F., 1990. As Três Ecologias. Campinas:
Papirus Editora. MEC.
A IMPLANTAÇAO DA EDUCAÇAO AMBIENTAL NO BRASIL,1998.Brasília, 137p. IBAMA. Educação para um Futuro Sustentável - uma
visão transdisciplinar para uma ação compartilhada. Brasília, IBAMA &
UNESCO, 1999, 118p. MEYER, M. A. A. Educação Ambiental: uma proposta pedagógica.
IN: Em Aberto (49) p. 41 - 45, Jan./Mar. 1991. TANNER, R. T. Educação Ambiental. Traducão SCHLESINGER, G. São
Paulo: SUMUS E EDUSP, 1978. |