ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
Números anteriores 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Resultado do prêmio     Prêmio: Destaques     Prêmio: Selecionados     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Arte e ambiente

11/03/2018
PROBLEMATIZANDO COMPORTAMENTOS: DO BOM GOSTO ARTÍSTICO AOS GESTOS COTIDIANOS  
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=3126 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

PROBLEMATIZANDO COMPORTAMENTOS: DO “BOM GOSTO” ARTÍSTICO AOS GESTOS COTIDIANOS


Vanessa Cristina Diasi

Cláudia Mariza Mattos Brandãoii

Veronica de Limaiii



RESUMO: O artigo aborda a análise dos resultados de uma investigação acerca das noções de Belo nas Artes, dos ingressantes no curso de Artes Visuais – Licenciatura 2017, da Universidade Federal de Pelotas (RS), e suas relações com o comportamento cotidiano da comunidade pelotense no que se refere ao lixo no espaço urbano.



Leopoldo Gotuzzo (1887–1983) foi um pintor pelotense cujas obras são caracterizadas pelo estilo academicista, conhecido por sua precisão técnica. Entre documentos estudados encontramos relatos de sua vontade de que Pelotas, sua cidade natal, abrigasse um museu: “é meu desejo que quando a Escola de Bellas Artes tiver local adequado e meios para manter, se instale aí uma pequena coleção Gotuzzo, com alguns quadros que possam caracterizar meu modesto trabalho” (Carta de Leopoldo Gotuzzo, 1955, acervo do MALG). Referindo-se à doação de 1955, Luciana Renck Reis diz que “o Gotuzzo sempre dizia que nós (alunos), para aprendermos, além de termos que desenhar, estudar e tudo o mais, nós tínhamos que ver obras de arte e foi por isto que ele fez a doação das obras dele, mandou a primeira coleção para a Escola”. Aqui fica nítido a intenção do artista de ajudar seus alunos, enquanto professor na EBA, a conhecer e analisar obras. Gotuzzo se destacou por sua técnica notável em vários estilos como realismo, impressionismo, simbolismo, pontilhismo e Art Nouveau.

Este artigo resulta da análise dos resultados de atividade de ensino proposta em abril de 2017, na disciplina de Fundamentos do Ensino das Artes Visuais I, integrante do currículo do primeiro semestre do curso de Artes Visuais – Licenciatura (UFPel), relacionados às inter-relações entre o Belo nas Artes e questões referentes ao meio ambiente. Na atividade foi proposta uma visita ao Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), situado na cidade de Pelotas, no qual estava exposto o acervo do artista Leopoldo Gotuzzo . Foi solicitado que cada aluno escolhesse uma obra como destaque e que esta escolha fosse justificada.

Mais do que uma problematização acerca do Belo, buscamos analisar e discutir os resultados da atividade, relacionando-os à teoria classificatória de Housen (ROSSI In: PILLAR, 2003), que avalia o nível de compreensão/leitura de obras de arte, problematizando referências estéticas nas artes visuais e seus reflexos no modo como lidamos com o meio ambiente. Trata-se de uma abordagem que privilegia a Educação dos Sentidos (ALVES, 2005), ou seja, da promoção de um saber sensível que possa colaborar para a formação ampliada do ser humano.

Ao longo da história verificamos um gradativo distanciamento entre homem e natureza, devido, principalmente, ao crescente desenvolvimento industrial instaurado após a Revolução Industrial, no século XVIII, sendo que desde então, fica clara uma maior preocupação com a economia do que com o contexto vivencial. Frente a tal situação, acreditamos que através da cultura podemos encontrar soluções que nos ofereçam os referenciais necessários para a problematização de valores identitários que reforcem o sentido de pertencimento comunitário.

No desenvolvimento de um pensamento abrangente e integrado, podemos considerar as contribuições da educação do olhar, principalmente do olhar estético, e o quanto isso pode nos auxiliar na reflexão sobre o meio ambiente. Sendo assim, consideramos a importância de promover o desenvolvimento cultural dos indivíduos para que entendam, desde os primeiros anos de vida, a necessidade de respeitar os espaços coletivos assim como o seu próprio. A arte pode ser um instrumento de conhecimento desses valores, pois ela é indissociável de outros temas que circundam o ser humano, como Dora Maria Dutra Bay (2006, p. 4) nos confirma:


No entanto ainda persiste certa dificuldade no tocante a integração da arte nas ciências sociais - o que pode ser potencializado como um ganho, ao possibilitar abordagens transdisciplinares - porque as diferentes proposições existentes tendem a privilegiar um determinado enfoque, como o histórico, o psicológico, o filosófico ou o estético, descuidando da interação e articulação entre eles.


Partindo deste princípio, sabemos que a educação em artes deve primar pelo estímulo ao senso crítico, e quanto a isso Rubem Alves já questionava se era mais importante saber as respostas ou saber fazer as perguntas. A arte tem um papel inquietante, ela questiona tudo a sua volta, porém, em sala de aula, observando as práticas escolares em artes visuais, ainda percebemos que muitos professores priorizam a técnica nos seus ensinamentos cotidianos. Tal realidade demanda a necessidade da formação de docentes comprometidos com o estabelecimento de relações entre Arte e Vida, pois se a arte dá sentido à vida, o papel das artes na escola está ultrapassado, basta para tanto considerarmos a desagregação das relações interpessoais que se manifestam nas escolas como reflexo da realidade contemporânea.


Figura 1: Leopoldo Gotuzzo, O Velho Galé, 1905, óleo sobre tela, 53x45,5cm; Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, Pelotas.


Na pesquisa realizada foram analisadas 55 respostas, que registram a escolha de 30 obras dentre as expostas, sendo que as duas mais citadas foram “O Velho Galé” (1905) (Figura 1) e “Baiana” (1942) (Figura 2), com 5 escolhas cada uma.