A primeira lei da ecologia é que tudo está ligado a todo o resto. (Barry Commoner)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 75 · Junho-Agosto/2021
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19/03/2021 (Nº 73) PERCEPÇÕES DE UM GRUPO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS DE BREVES - ILHA DO MARAJÓ SOBRE O ENSINO DO OBJETO DE CONHECIMENTO RADIOATIVIDADE
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PERCEPÇÕES DE UM GRUPO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS DE BREVES - ILHA DO MARAJÓ SOBRE O ENSINO DO OBJETO DE CONHECIMENTO RADIOATIVIDADE

Manolo Cleiton Costa de Freitas1, Sílvio Carlos Ferreira Pereira Filho1, Gleiciane Leal Moraes Pinheiro1, Ana Carolina Gomes de Albuquerque de Freitas1, Reginaldo da Costa Pereira Júnior1

1Faculdade de Ciências Naturais, Campus Universitário do Marajó-Breves, Universidade Federal do Pará



Resumo: Neste trabalho, foi investigada a percepção de professores de ciências dos anos finais do ensino fundamental sobre a possibilidade de abordar temas voltados a radioatividade. Este tema surgiu a partir da necessidade de envolver a sociedade, em especial os estudantes dessa etapa de ensino, nas discussões sobre uso de conceitos ou tecnologias relacionadas ao tema em setores de grande importância para o bem-estar da população em sociedade. Sendo proposto pela literatura o uso da abordagem CTS ou interdisciplinaridade para condução destas discussões. A pesquisa foi realizada no Município de Breves-PA, tendo como participantes professores de ciências que atuam em dez escolas do município. Essa pesquisa é um estudo de campo de natureza observacional, abordagem qualitativa e quantitativa descritiva, seus objetivos são exploratórios, e fez-se uso de questionário para coleta. Os dados coletados foram analisados e apresentados na forma de percentagem. Os resultados mostraram que 90% dos professores concorda com a implementação da radioatividade na grade curricular dos estudantes; 90% julga ser muito importante os alunos conhecerem mais sobre o tema e 100% é positivo à abordagem CTS e interdisciplinaridade no processo de ensino. Além disso, foi possível conhecer o perfil profissional dos educadores que atuam na rede municipal de ensino.

Abstract: In this work, the perception of science teachers in the final years of elementary school on the possibility of addressing issues related to radioactivity was investigated. This theme arose from the need to involve society, especially students at this stage of education, in discussions about the use of concepts or technologies related to the theme in sectors of great importance for the well-being of the population in society. The literature proposes the use of the CTS approach or interdisciplinarity to conduct these discussions. The research was carried out in the Municipality of Breves-PA, with participants as science teachers who work in ten schools in the city. This research is an observational field study, a qualitative and quantitative descriptive approach, its objectives are exploratory, and a questionnaire was used for collection. The collected data were analyzed and presented as a percentage. The results showed that 90% of teachers agree with the implementation of radioactivity in the students' curriculum; 90% think it is very important for students to know more about the theme and 100% are positive about the CTS approach and interdisciplinarity in the teaching process. In addition, it was possible to know the professional profile of educators working in the municipal education system.

Introdução

Ao logo dos últimos 50 anos, houve um crescente desenvolvimento e inúmeras aplicações dos conceitos de radioatividade na sociedade, nas áreas da medicina, da produção de energia, biomonitoramento por radioisótopos, dentre outras. Essas áreas são de grande relevância, no âmbito, econômico, ambiental e social por contribuírem de forma acentuada no desenvolvimento e preservação do modo de vida da sociedade atual (VICHI; MANSOR, 2009, ATKINS; JONES, 2006; 2012).

No entanto, acidentes envolvendo tecnologias baseadas na radioatividade, deixaram uma imagem negativa, na maioria das pessoas, sobre a aplicação destas tecnologias para o bem-estar da sociedade, como ocorreu nos casos como “Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, […] Césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987, [...] e o mais recente, […] Fukushima, no Japão, em março de 2011” (PEREIRA; VICENTINI, 2011, p. 1), que aconteceram em virtude de problemas em reatores de fissão nuclear – como foi o caso dos acidentes em Chernobyl e em Fukushima – e descarte indevido de aparelho de radioterapia – no caso de Goiânia.

Assim, Cardoso (2017) afirma haver um posicionamento contrário da opinião pública acerca da utilização da radioatividade devido à falta de conhecimento técnico-científico e também ao sensacionalismo da mídia em relação aos acidentes exemplificados acima. Entretanto, as aplicações da radioatividade envolvem diversos aspectos que podem ser considerados positivos ou negativos, como a esterilização de alimentos por radiação ionizante, a utilização de fertilizantes radioativos na agricultura, a instalação de usinas de fissão nuclear e a produção de resíduos nucleares.

Há uma clara necessidade de envolver a sociedade em discussões sobre os temas expostos anteriormente. Para que haja maior embasamento científico dos posicionamentos sobre a utilização da radioatividade pelos membros participantes destas discussões, sejam estudantes ou não, é necessário que estes pensem de maneira crítica e sejam mais ativos no questionamento a respeito das aplicações tecnológicas da radioatividade.

Embora a radioatividade não seja um tema desconhecido para a maioria dos estudantes, pois os mesmos já trazem, para sala de aula, conhecimentos prévios principalmente pela interação com os meios de comunicação (Silva et al., 2016, p. 1). Um ponto de partida para iniciar melhor envolvimento seria fazer com que os estudantes começassem a ter mais contanto com os conceitos relacionados ao tema. Pois, é possível que estes não tenham as ferramentas e incentivos necessários para favorecer reflexões (conhecimento) sobre as interpretações do que é apresentado a sociedade como positivo ou negativo sobre à radioatividade e suas aplicações.

Os alunos dos anos finais do ensino fundamental (6º a 9º ano) que estão iniciando seus estudos sobre assuntos de interesse social e científico, como são os assuntos de ciências naturais no contexto da disciplina Ciências Físicas e Biológicas (C.F.B), são o principal público que precisa ser inserido na discussão sobre radioatividade, em virtude de estarem crescendo em meio a questões que ultimamente têm chamado a atenção da sociedade, tais como a preservação do meio ambiente, as fontes alternativas de energia e a produção de armamento bélico. Estes assuntos têm relação com a radioatividade, por exemplo, pelos resíduos radioativos gerados nas usinas nucleares que, caso não sejam armazenados de maneira correta, podem prejudicar o meio ambiente, ou enriquecimento de material radioativo para produção de armamento nuclear.

Conforme a nova Base Nacional Comum Curricular - BNCC (Brasil, 2018), nesta etapa da educação básica, é importante fortalecer a autonomia dos estudantes, oferecendo-lhes condições e ferramentas para acessar e interagir criticamente com diferentes conhecimentos e fontes de informação. O tema radioatividade cumpre os critérios de seleção de conteúdos para os anos finais do ensino fundamental, estabelecidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), pois é tema relevante “[...] do ponto de vista social, cultural e científico, permitindo ao estudante compreender, em seu cotidiano, as relações entre o ser humano e a natureza mediada pela tecnologia, superando interpretações ingênuas sobre a realidade à sua volta [...]” (BRASIL, 1997, p. 34).

Na BNCC a introdução ao conteúdo referente a radioatividade e suas aplicações encontra amparo no componente curricular Ciências, do 9º do ensino fundamental, na Unidades temática “Matéria e energia”, cujo o objeto de conhecimento (conteúdo) é “Radiações e suas aplicações na saúde”. Neste contexto é delineada a Habilidade EF09CI07, cuja aprendizagem essencial que deve ser assegurada aos alunos (expectativa de aprendizagem) é “Discutir o papel do avanço tecnológico na aplicação das radiações na medicina diagnóstica (raio X, ultrassom, ressonância nuclear magnética) e no tratamento de doenças (radioterapia, cirurgia ótica a laser, infravermelho, ultravioleta etc.)” (BRASIL, 2018, p. 350-351)

Para propiciar um aprendizado que atenda a tais expectativas de aprendizagem, é necessário a elaboração de um percurso metodológico adequado que permita ao estudante compreender as aplicações da radioatividade, superando interpretações ingênuas, como direciona os PCN’s e a BNCC. Nesse sentido, uma estratégia como o enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) pode ser de grande ajuda no desenvolvimento do conteúdo radiações e suas aplicações na saúde, pois possibilita “[...] uma formação para o exercício da cidadania por meio de uma abordagem crítica e contextualizada sobre questões relacionadas ao desenvolvimento científico e tecnológico na sociedade” (FERNANDES, 2016, p. 14).

Por sua vez, abordagens interdisciplinares também podem permitir aos estudantes alcançar uma visão mais ampla dos conhecimentos aplicados em sociedade e como eles podem estar relacionados, pois a interdisciplinaridade “pode contribuir para uma compreensão mais ampla da realidade, a integração entre os saberes em busca da totalidade do conhecimento a fim de enfrentar os problemas atuais da sociedade” (FERNANDES, 2016, p. 46).

Assim, a presente pesquisa se justifica por dois motivos. O primeiro está em mostrar que o ensino de conceitos ligados a radioatividade nos anos finais do ensino fundamental é muito importante em virtude da grande aplicabilidade destes conceitos em diversos setores da sociedade. O segundo, mas não menos importante, é que o ensino dessa temática vai de acordo com um dos objetivos dos PCN’s em relação à compreensão da tecnologia como um “meio para suprir necessidades humanas, sabendo elaborar juízo sobre riscos e benefícios das práticas científico-tecnológicas” (BRASIL, 1997, p. 31).



Fundamentação Teórica

Descoberta, contribuições e conceitos importantes no campo da radioatividade

Radioatividade é o fenômeno pelo qual o núcleo de um átomo instável, em uma reação nuclear denominada decomposição ou decaimento radioativo, emite radiação na forma das partículas alfa (α) ou beta (β) e na forma de ondas eletromagnéticas como a gama (γ), liberando, assim, energia e alcançando estabilidade (HEWITT, 2002; ATKINS; JONES, 2006; 2012; PERUZZO; CANTO, 2006; MOTA; DUARTE, 2015).

Existem dois tipos de radiação: a ionizante e não ionizante. A radiação ionizante tem energia suficiente para retirar elétrons da matéria, seja ela orgânica ou não. Os três tipos principais de radiação ionizantes são: a α, β e γ (ATKINS; JONES, 2006 e 2012). Já a radiação não ionizante é aquela que não possui energia suficiente para ionizar o material, provocando apenas o aquecimento interno ou externo como as ondas que estão abaixo da frequência do ultravioleta (ANGUERA, 2012).

A radioatividade foi descoberta em 1896, através de experimentos conduzidos por Antoine Henri Becquerel quando realizava estudos sobre a relação entre os raios-x e a fosforescência e fluorescência (ATKINS; JONES, 2006; 2012; XAVIER et al., 2007). Ele observou que quando é armazenado sulfato duplo de Potássio e Uranilo [K2UO2(SO4)2] junto a placas fotográficas, elas acabam ficando com impressões (manchas) mesmo estando cobertas. A primeira explicação que Becquerel atribuiu a esse estranho acontecimento foi que o composto emitia algum tipo de raio capaz de atravessar o papel e atuar sobre a chapa (PERUZZO; CANTO, 2006). Sabe-se hoje que o “raio” de Becquerel é a radiação.

Alguns anos depois, a cientista polonesa Marie Sklodowska Curie conseguiu mostrar que a fonte da radiação, que ela chamou de radioatividade, era o urânio, independentemente do composto em que se encontrava. Juntamente com seu marido, Pierre, ela mostrou que o tório, o rádio e o polônio também eram radioativos (ATKINS; JONES, 2006). Entretanto, ainda não se tinha conhecimento de onde se originava a radiação. Naquela época ainda não se conhecia a existência do núcleo atômico e suas propriedades.

O passo inicial para desvendar a origem da radioatividade foi a partir das contribuições de Ernest Rutherford em 1898 quando, através de um experimento, identificou que a radiação α tinha a mesma conformação do núcleo atômico do elemento hélio (He, 2 unidades de massa atômica e carga positiva); a radiação β tem carga negativa (-) e consiste em um elétron liberado em alta velocidade pelo núcleo, passando a ser representada por β-; a radiação γ não tem massa e nem carga, é uma onda eletromagnética, assim como a luz, raios-X e ondas de rádio (ATKINS; JONES, 2006; 2012).

A radiação que possui maior poder de penetração é a β, podendo atravessar a 3 mm de alumínio, em termos de velocidade esta equivale a 90% da velocidade da luz e possui carga (-1). Enquanto à α, possui poder de penetração inferior com cerca de 10% da velocidade da luz, com capacidade de atravessa a epiderme (pele) ou até uma folha de papel, por conta de sua massa e carga (+2) serem maior. No entanto, a radiação eletromagnética (γ), tem poder de penetração muito grande, chegando a atravessar paredes de concreto e chumbo, porque não possui carga e nem massa (ATKINS; JONES, 2006; 2012; PERUZZO; CANTO, 2006).

A reação nuclear é um processo que tem origem no núcleo do átomo, ou seja, acaba por envolver as partículas nucleares fundamentais presentes no mesmo (próton e nêutron), com grande liberação de energia no decorrer do processo. Esse tipo de reação difere, em relação à sua origem, das demais reações presentes na química, pois estas têm suas propriedades relacionadas com a eletrosfera do átomo, ou seja, a partícula fundamental envolvida é o elétron, e não há grande liberação de energia, se comparado com as nucleares (ATKINS; JONES, 2006; 2012).

Nos primórdios, o estudo das reações químicas foi realizado por alquimistas que tinham a pretensão de transformar determinadas substâncias em outros com características totalmente diferentes das primeiras. Tecnicamente isso era impossível para aquela época, pois se utilizava de reações químicas resultante de fenômenos eletrosféricos. No entanto, utilizando de um processo chamado processos transmutação nuclear é possível alterar a conformação do núcleo do átomo (como mudança do número atômico e (Z) e de massa (A)), ou seja, é possível transformar um átomo em outro (ATKINS; JONES, 2006; 2012).

A transmutação pode ocorre de maneira natural ou artificial. De forma natural, acontece quando um átomo radioativo emite partículas ou radiação eletromagnética, liberando energia para o meio, sem quaisquer interferências do homem. Isso tem ocorrido no planeta terra desde a formação dos elementos instáveis (HEWITT, 2002; ATKINS; JONES, 2006; 2012). Quanto à artificial, um determinado átomo pode ser bombardeado com partículas α ou β que, através das colisões em alta velocidade, resultam em novos elementos. A primeira transmutação artificial de que se tem relato foi produzida em 1919, por Ernest Rutherford. Este bombardeou um átomo de nitrogênio-14 (Z=7, n=7, A=14) com partículas α. O resultado do bombardeamento do núcleo do nitrogênio-14 por partículas α foi à formação do oxigênio-17 (Z=8, n=8, A=17) e mais um próton livre (HEWITT, 2002; ATKINS; JONES, 2006; 2012), de acordo com a equação abaixo:

7N14 + 2α48O16 + 1p1

De forma geral, quando um radionuclídeo emite uma partícula α, seu número de massa diminui 4 unidades e seu número atômico diminui 2 unidades. Quando emite uma partícula β, seu número de massa permanece constante e seu número atômico aumenta de 1 unidade (PERUZZO; CANTO, 2006). O tempo que uma amostra de determinado nuclídeo levará para reduzir à metade seu índice de liberação de radiação é chamado de decaimento nuclear (HEWITT, 2002; ATKINS; JONES, 2006; 2012; PERUZZO; CANTO, 2006).

A exposição a radiações ionizantes pode causar mudanças no estado da matéria, uma vez que esta tem a capacidade de arrancar elétrons dessa matéria exposta a fonte ionizante. O que leva a formação de íons (cátions ou ânions) (PERUZZO; CANTO, 2006; ATKINS; JONES. 2006; 2012). No material biológico, as radiações α, β e γ causam a ionização das moléculas, podem ocasionar desequilíbrio na taxa de multiplicação e/ou a destruição ou alteração das funções celulares. Estas radiações tornam-se ainda mais perigosas caso atinjam o material genético, com grande possibilidade de ocasionar a reprodução descontrolada das células, levando ao câncer (PERUZZO; CANTO, 2006; ATKINS; JONES, 2006; 2012).

Ao longo dos últimos 50 anos, aconteceram acidentes com grande repercussão mundial que tiveram como principal consequência a liberação de radiações ionizantes para o meio. O acidente nuclear na usina Chernobyl, na Ucrânia, em 1986 teve seu início em uma sucessão de falhas de engenharia e controle, que levou a explosão de um reator devido a superaquecimento. Essa explosão liberou uma grande quantidade de isótopos radioativos em forma de uma nuvem radioativa que espalhou-se por diferentes países da Europa (PEREIRA; VICENTINI, 2011).

No Brasil, em 1987, catadores de sucata encontraram e venderam, para um ferro-velho de Goiânia, uma máquina de radioterapia que continha material radioativo em seu interior, como fonte ionizante o césio-137 (137CsCℓ) (PERUZZO; CANTO, 2006; PEREIRA; VICENTINI, 2011; MIRANDA et al., 2005). A máquina de radioterapia acabou por ser desmontada, expondo substância radioativa. A curiosidade com o brilho que o material exposto emitia, levou as pessoas a espalharem o material pelo contato de pessoa a pessoa, ocasionando, na época, 4 mortes e algumas internações, além de ter gerado 13,4 toneladas de resíduos (PERUZZO; CANTO, 2006; PEREIRA; VICENTINI, 2011; MIRANDA et al., 2005). Isso mostra a importância, de modo geral, de se conhecer mais sobre a radioatividade, suas possíveis aplicações e as consequências em caso manuseio ou descarte incorreto de substâncias radioativas.

Utilizações de materiais de natureza radioativa, para a produção ou utilização de armamento bélico (ogivas nucleares) é um assunto de preocupação mundial. Na segunda guerra mundial, por exemplo, os Estados Unidos da América (EUA), detonaram bombas nucleares nas cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki. Vitimou cerca de 345 mil pessoas, seja de forma instantânea ou pela consequência da exposição à radiações ionizantes (PERUZZO; CANTO, 2006; PEREIRA; VICENTINI, 2011), e mostrou ao mundo o quanto de energia pode estar contido no núcleo dos átomos.

Estratégias de ensino para o objeto de conhecimento radioatividade

O ensino de Ciências tem um compromisso com o desenvolvimento do letramento científico, que envolve a capacidade de compreender e interpretar o mundo (natural, social e tecnológico), e transformá-lo com base nos aportes teóricos e processuais das ciências (BRASIL, 2018). Inovações científicas relacionadas a radioatividade estão bastante presentes em diversos setores da sociedade, como por exemplo, o energético, industrial, agrícola e na saúde, dentre outros (DA SILVA, 2014; OMI, 2005; VICENTE; SALDANHA, 2012; COUTO; SANTIAGO, 2010; MARQUES, 2015, MODANEZ, 2012; VICHI; MANSOR, 2009; ATKINS; JONES, 2006; 2012). Por conta disso, é importante que os alunos dos anos finais do ensino fundamental conheçam mais sobre a radioatividade para que, assim, possam desenvolver capacidade de atuação sobre esta temática (exercício da cidadania).

A abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), considera o ensino de ciências como forma de ambientar o estudante nas discussões das aplicações científicas e seus reflexos na sociedade. Seu desenvolvimento deve ocorrer com a perspectiva de solucionar problemas cotidianos, e alfabetizar cientificamente buscando desenvolver o senso crítico (OLIVEIRA et al., 2014; FAVILA; ADAIME, 2013; FERNANDES, 2016; FARIAS et al. 2012). Desta forma, a abordagem CTS possibilita aos alunos uma interação mais ampla com os assuntos abordados em sala de aula.

De acordo com Farias et al. (2012), um dos principais objetivos dessa abordagem é incentivar os estudantes a questionar as tecnologias ou conhecimentos científicos empregados na sociedade de forma a obter respostas acerca dos seus problemas diários e, assim, buscar formas de combater as possíveis consequências negativas que podem interferir no modo de vida dos seres vivos. No exemplo específico da radioatividade, estas consequências negativas se configuram como poluição e produção de rejeitos radioativos, dentre outras.

Portanto, a abordagem CTS, contribui para o exercício social e, além disso, leva em consideração os interesses sociais dos estudantes, proporcionando a estes perceberem as interfaces entre as ciências naturais e os demais campos de conhecimento (FARIAS et al., 2012). Logo, o enfoque CTS mostra-se muito importante na aplicação dos possíveis conteúdos sobre radioatividade, visto que, mediante essa abordagem de ensino, os estudantes poderão ter uma visão ampla, crítica e social sobre tal temática e suas consequências para o meio social.

Por outro lado, para favorecer uma interpretação de mundo, sinergicamente, natural, social e tecnológico (BRASIL, 2018), é importante favorecer um diálogo com os vários domínios das ciências (interdisciplinar). Nesse sentido, os conteúdos sobre radioatividade devem ser desenvolvidos com os alunos dos anos finais do ensino fundamental de forma interdisciplinar. Assim, os estudantes têm a chance de compreender a radioatividade por diferentes perspectivas.

A interdisciplinaridade é apontada como importante estratégia para superação do conhecimento fragmentado ensinado nas escolas (FERNANDES, 2016; SANTOS et al., 2015; BONATTO et al., 2012; GARCIA, 2012). Segundo Garcia (2012, p. 213), “interdisciplinaridade representa um projeto de superação da fragmentação que tem caracterizado a produção do conhecimento em todas as áreas”. Para o autor, esta abordagem de ensino surgiu com o objetivo de fazer as ligações entre os assuntos que eram e ainda são ensinados nas escolas de forma totalmente isolada em cada disciplina. Através dessa abordagem o ensino, seja sobre ciências humanas ou naturais, pode e deve estar inter-relacionado. Na tentativa de mostrar aos estudantes que o conhecimento humano que a sociedade atual dispõe foi construído a partir da união e aperfeiçoamento das ciências como um todo.

No âmbito do componente curricular História, é possível discutir os aspectos históricos e sociais da evolução do conhecimento científico acerca da radioatividade destacando a relevância histórica da descoberta da radioatividade por Henri Becquerel em 1896 e mostrando que a consolidação de certo conhecimento, como a radioatividade, historicamente, não ocorre de forma unânime e uniforme, mas através de discordâncias, de idas e vindas na teoria, mostrando que a Ciência evolui de forma muito mais caótica do que é mostrado nas escolas; os professores de linguagem poderiam desenvolver atividades utilizando textos relacionados à temática; os professores de ciências poderiam abordar os aspectos físicos, químicos e biológicos da radioatividade, conforme orientação da nova BNCC para o objeto de estudo “Radiações e suas aplicações na saúde” e habilidade EF09CI07.

Metodologia

A presente pesquisa caracteriza-se por ser a primeira em realizar um levantamento sobre a opinião dos professores de ciências da pública urbana de ensino da cidade de Breves-PA, sobre o ensino do tema radioatividade. Possui natureza observacional, posto que se objetiva apenas verificar a percepção dos profissionais, ou seja, não ocorreu nenhuma intervenção em sala de aula. Quanto a forma de abordagem é qualitativa e quantitativa descritiva, em primeiro lugar pela utilização de percentual numérico para representar os resultados obtidos com o estudo; em segundo lugar pelo fato de a mesma observar, registrar ou descrever as perspectivas dos docentes sobre o assunto.

Quanto aos objetivos, têm caráter exploratório em virtude de se buscar conhecer mais a percepção que os professores têm, sobre a importância de trabalhar o tema radioatividade e suas aplicações ainda nos anos finais do Ensino fundamental, no ensino de Ciências. Em termos de procedimentos técnicos, essa pesquisa é de campo, visto que a coleta de dados aconteceu em instituições de ensino do município. E como instrumento de coleta de dados se utilizou o questionário (GIL, 2002).

Na zona urbana do município de Breves-PA, há um total de 10 escolas públicas, que ofertam turmas nos anos finais do ensino fundamental regular (6° ao 9° ano). Destas, 07 foram mencionadas pelos participantes da pesquisa, como sendo o local em que exercem suas atividades laborais: E. M. E. F. Professora Odízia Corrêa Farias, E. M. E. F. Bom Jesus, E. M. E. Infantil e Fundamental Santo Agostinho, E. M. E. F. Miguel Bitar, E. M. E. F. Professor Estevão Gomes, E. E. E. M. Professora Maria Elizete Fona Nunes e E. R. C. E. I. Santa Mônica.

Para obtenção e coleta de dados utilizou-se um questionário semiaberto com a inclusão de respostas baseadas em uma escala likert (ENOKI, et al., 2005) de grau de importância com 10 pontos. Antes da aplicação do questionário foi realizado um evento pré-teste, que contou com a participação de treze indivíduos com graduação em Licenciatura em Ciências Naturais que não estavam exercendo a docência, com o objetivo de verificar prováveis ambiguidades nas perguntas ou, ainda, se as mesmas seriam de fácil compreensão, além é claro de outras possíveis casualidades que pudesse interferir no preenchimento deste, de acordo com o Chaer et al. (2011, p. 263):

antes de aplicar o questionário, […], realize um pré-teste, que será efetivado através da aplicação de alguns questionários (10 a 20), de forma a, com as respostas desse pequeno universo, perceber se as perguntas foram formuladas com sucesso”.

Após aplicação do evento pré-teste, o questionário passou por análise manual, que apontou a necessidade de revisão em alguns pontos, pois houve dificuldade no preenchimento e entendimento de algumas perguntas. Assim, as inconsistências percebidas a partir da aplicação do pré-teste foram corrigidas na versão final do questionário. Sendo que esta versão contou com 04 (quatro) questões baseada na escala likert, 01 (uma) questão aberta e 03 (três) questões mistas. As questões fechadas e a aberta foram inseridas no questionário com o intuito de conhecer a percepção dos participantes da pesquisa quanto a importância de se trabalhar o tema radioatividade nos anos finais do ensino fundamental. As questões mistas foram inseridas para conhecer o perfil profissional dos professores que ministram a disciplina de ciências na república urbana de ensino brevense.

Para fins de análise de dados, após o recolhimento dos questionários, os participantes da pesquisa foram nomeados com os códigos de P1 a P10 para a garantir o sigilo de cada um deles. As respostas a perguntas fechadas foram trabalhadas diretamente no programa Microsoft Excel. Por outro lado, na análise das respostas a questões abertas foi empregada, a técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2011).

Resultados

O perfil profissional dos docentes de Ciências

Os participantes da pesquisa foram professores que lecionam a disciplina de ciências nos anos finais do ensino fundamental, na cidade de Breves - PA. Os participantes possuem idade média de 39,2 anos, com média de 15,4 anos de experiência dentro de sala de aula. Quanto ao grau de instrução todos possuem nível superior com graduação em Licenciatura em Ciências Naturais, sendo que 50% possuem ao menos uma segunda graduação. Curiosamente, esta segunda graduação incide em áreas que compõe os campos de conhecimentos das Ciências da natureza, 40% possui Licenciatura em Química, 10% Licenciatura em Física e 10% em biologia. O participante P4 é o único possui que uma terceira graduação (Quadro 01).

Quadro 1: Formação em nível de graduação dos docente entrevistados.

Qual sua área de formação?

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Licenciatura em Ciências Naturais

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Licenciatura em Biologia

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Licenciatura em Química

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Licenciatura em Física

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Bacharelado, qual?

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Este resultado, de que todos os participantes são licenciados em Ciências Naturais, é muito satisfatório, pois um antigo e grave problema apontado pela compilação de dados estatísticos da educação básica brasileira no Anuário Brasileiro da Educação Básica (2019) indicou que em 2018, 50,2% dos docentes que lecionavam nos anos finais do Ensino fundamental, na região norte do Brasil, não possuíam titulação em grau superior compatível com as disciplinas que ministravam.

Essa situação é facilmente encontrada em regiões com menor desenvolvimento socioeconômico, onde muitas vezes quem assume o papel de educador em ciências é o biólogo, químico ou físico que, em alguns casos, não é licenciado e sim bacharel. Assim, considera-se esse resultado animador, pois o profissional licenciado em Ciências Naturais, devido sua formação interdisciplinar, é um sujeito que deverá ser capaz de transitar com maior facilidade nos três principais grandes campos de conhecimento que fundamentam o componente curricular Ciências (Química, Física e Biologia).

O profissional licenciado em Ciências naturais, por sua formação de natureza interdisciplinar, deve favorecer a formação de estudantes capazes de “identificar relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia e condições de vida, no mundo de hoje e em sua evolução histórica”, bem como a compreensão da tecnologia como um meio para suprir necessidades humanas e a elaboração de juízo sobre riscos e benefícios das práticas científico-tecnológicas, conforme estabelecido nos PCNs de ciências naturais (1998) e delineado na Habilidade EF09CI07 do objeto de conhecimento Radiações e suas aplicações na saúde (BRASIL, 2018).

De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica (2019), 70,4% dos concluintes de cursos de graduação da área de Educação se formaram fora do sistema de universidades públicas. Considerando a importância da acessibilidade a formação do profissional professor para a melhorar a educação brasileira, os docentes foram consultados sobre qual(is) instituição(ões) de nível superior os docentes da rede municipal de ensino de Breves, são oriundos. Uma vez que o curso de Licenciatura em Ciências Naturais é ofertado no Município de Breves, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), desde o ano 2000, no Campus Universitário do Marajó-Breves (CUMB).

A partir das respostas obtidas, constatou-se que 90% dos docentes consultados, são egressos do curso de Licenciatura em Ciências Naturais ofertado pela UFPA no CUMB e apenas 01 participante se formou pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). Esse resultado é importante e esclarecedor, pois significa que a formação de professores de Ciências pelo sistema de universidades públicas, em Breves, é acessível e tem alcançado, inclusive, os profissionais que estão atuando no sistema de ensino público. Além disso, a oferta do curso de Licenciatura em Ciências Naturais em Breves é a principal oportunidade de acesso a formação em nível de graduação pelos docentes.

Também foi verificado se os docentes já tiveram a oportunidade de participar de algum processo de formação continuada em nível de Pós-graduação (Quadro 2). Pois, entende-se que a formação continuada é um espaço onde os professores vivenciam um processo contínuo de aprender a apreender a profissão professor, assim como de construir e reconstruir práticas e novos conhecimentos (FÜRKOTTER et al., 2014). Portanto, tem papel importante na transformação do processo educativo.

Quadro 2: Formação continuada, em nível de Pós-graduação.

Docente

Possui Pós-graduação em:

Não possui.

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Especialização*

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Educação em ciências

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Educação global gestão escolar

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Educação em ciências

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Gestão e educação ambiental.

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Educação em ciências

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Educação no campo e sustentabilidade na Amazônia.

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Educação e gestão ambiental.

-

*O docente indicou que possui formação continuada em nível de especialização, mas não informou a área.

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Com base nos dados apresentados no Quadro 2, pode-se observar que 80% dos participantes já passaram por processo de formação continuada em nível de pós-graduação, sendo todas voltadas para a educação, ou seja, espaços de formação dedicados a refletir desafios, práticas, processos relacionados diretamente ao ambiente escolar. Outro dado positivo, mais especificamente para o ensino de Ciências é que a maioria das pós-graduações citadas são voltadas, especificamente para o ensino de Ciências (30%), ou sugerem estarem centradas em temas de permanente alinhamento com o ensino de Ciências, a Educação ambiental (30%), conforme mostrado no Quadro 2.

Avaliação do grau de importância e forma de abordagem do tema radiações e suas aplicações

Para avaliar o grau de importância e abordagem do tema radiatividade e suas aplicações foram utilizadas questões com uma escala de importância, na qual os participantes selecionaram uma nota de 1 a 10, entendendo-se que a nota 1 equivalia ao nível mais baixo de “Irrelevante” e a nota 10 equivalia ao nível mais alto de “Muito importante”. Esta escala foi apresentada em subgrupos da seguinte maneira: atribuição de notas de 1 a 3 representa “Irrelevante”, de 4 a 6 representa “Relevante”, notas 7 ou 8 representa “Importante” e notas 9 ou 10 “Muito importante”. No Quadro 3, são apresentadas as notas atribuídas por cada participante da pesquisa.

Os participantes foram consultados sobre a importância de se trabalhar temas ligados ao campo da radioatividade nos anos finais do ensino fundamental. Com base nos dados apresentados na tabela 1, pode-se inferir que a grande maioria dos participantes, considera como “Importante” ou “Muito importante” se trabalhar a temática radioatividade nos anos finais do ensino fundamental, pois se somados os valores percentuais para as duas respostas, chega-se a 90% da amostragem. apenas 01 docente considera apenas “Relevante” trabalhar o objeto de conteúdo Radioatividade e suas aplicações nos anos finais do ensino fundamental.

Quadro 3: Notas atribuídas a importância e abordagem do tema radiatividade e suas aplicações.

Questões fechadas

P1

P2

P3

P4

P5

P6

P7

P8

P9

P10

Importância de se trabalhar o tema radioatividade e suas aplicações.

10

8

10

7

8

8

9

10

4

9

Avaliação o livro didático na abordagem de temas ligados a radioatividade

5

8

8

6

6

7

8

9

5

7

Importância da abordagem interdisciplinar no ensino do tema radioatividade e suas aplicações.

10

8

10

10

8

8

8

10

7

5

Importância da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) no ensino do tema radioatividade e suas aplicações.

10

9

10

8

9

9

9

10

7

7

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Esse resultado, pode estar relacionado com a percepção dos participantes de que o desenvolvimento da radioatividade, trouxe avanços tecnológicos tornando possível aprimorar ou desenvolver diversos setores (agrícola, energético, da medicina, dentre outras.), os quais são de grande interesse para sociedade. Além de oferecer, por exemplo, no campo da saúde, formas mais eficientes de diagnósticos (por imagens ou monitoramento de funções metabólicas); ou de auxiliar no tratamento de doenças (câncer), utilizando a radioterapia. Já na agricultura é possível submeter à produção, as técnicas de esterilização por irradiação, que torna os produtos mais resistentes a microrganismo, ao surgimento de brotos, aumentado o período de durabilidade, sem ocasionar danos a estrutura física ou nutricional dos mesmos (FONSECA, 2010; POZZO et al., 2014; SANTOS; BOLOGNESI, 2014; PACHECO; FURUIE, 2013; VICENTE; SALDANHA, 2012; COUTO; SANTIAGO, 2010).

Tradicionalmente, os alunos têm contato com os conceitos sobre radioatividade no 9° ano do Ensino fundamental e no 2º ou 3º ano do ensino médio. Contudo, é importante salientar que no 9º ano do ensino fundamental o tema radioatividade é apresentado, superficialmente, nos limites do campo de conhecimento da física, como uma forma de geração de energia, sem conceituação do que é a radioatividade ou a origem desse tipo de energia, por exemplo (CARNEVALLE, 2014).

Contudo, não se deve ignorar que o livro didático, apesar de ser um dos instrumentos mais antigos utilizados pelos professores, ainda é um dos materiais de mais forte influência na prática de ensino brasileira (COELHO, et al., 2015; BRASIL, 1998). Por isso, é necessário que os professores estejam atentos à qualidade, à coerência e a eventuais restrições que este importante recurso apresente em relação aos objetivos educacionais propostos (BRASIL, 1998). Por esses motivos, os participantes foram convidados a avaliar o livro didático.

Pode-se perceber que 60% dos participantes consideraram o livro didático como um recurso “Muito importante” ou “Importante” para auxiliar no trabalho com o tema radioatividade, mas 40% dos participantes consideraram esse auxílio apenas como “Relevante”. Observa-se uma diferença percentual de 30% em relação ao percentual de docentes que percebem a importância de se trabalhar o tema radioatividade no ensino fundamental como “Muito importante” ou “Importante” (90%) e os docentes que avaliam o livro didático como um recurso de ensino com igual grau de importância – “Muito importante” ou “Importante” (60%).

Se for considerada a média da nota de avaliação atribuída pelos participantes, na avaliação do livro didático, na abordagem do tema radioatividade, conclui-se que, os professores consultados avaliam o livro didático com grau de importância médio “Relevante” (média: 6,9) na abordagem do tema radioatividade nos últimos anos do Ensino fundamental.

A partir da análise dos dados, pode-se inferir que, na percepção dos docentes consultados, apesar do elevado grau de importância de se trabalhar o tema radioatividade nos últimos anos do ensino fundamental, os docentes consideram que o livro didático de ciências, no que se refere ao suporte/auxílio para o desenvolvimento do trabalho com o tema radioatividade, é relevante, mas poderia ser melhorado.

Uma possível causa para o percentual encontrado, pode estar relacionado com a concepção do profissional de que o livro não contempla ou não ajuda na abordagem dessa temática. Isso pode ocorrer, segundo Frison et al. (2009), porque o livro didático nem sempre retrata a realidade em que o aluno está inserido e, para alguns professores, isso pode dificultar o processo de ensino e aprendizagem.

Por outro lado, é importante ressaltar que, apesar de nenhum participante ter avaliado o livro didático com nota máxima (10), a maioria deles (60%) reconhece o livro didático com um importante recurso, que pode ajuda no desenvolvimento de assuntos ligados a radioatividade. Este resultado sugere que, provavelmente, os docentes não utilizam o livro didático como o único material para/no processo de ensino e aprendizagem, o que está em conformidade com as orientações dos PCNs para os anos finais do ensino fundamental (BRASIL, 1998).

Em seguida, os participantes responderam sobre o papel da abordagem interdisciplinar para o melhor desenvolvimento do tema radioatividade. Pode-se observar que a grande maioria dos participantes, considera como “Importante” (50%) ou “Muito importante” (40%) que ao se trabalhar o tema radioatividade sejam realizadas conexões com diversos campos do conhecimento. O resultado de 90%, referente a esta soma, também sugere que os professores veem na interdisciplinaridade uma estratégia bastante viável quando se refere a abordagem da radioatividade e suas aplicações. Ao considerar a amplitude de aplicações da radioatividade e seus reflexos em diversos campos de conhecimento, esse resultado é bastante coerente, além de ser a expectativa, por exemplo, na nova BNCC (BRASIL, 2018).

Segundo Bonatto et al. (2012, p. 4), “A interdisciplinaridade […] é compreendida como uma forma de trabalhar em sala de aula, no qual se propõe um tema com abordagens em diferentes disciplinas. É compreender, entender as partes de ligação entre as diferentes áreas de conhecimento”. Por permitir a observação e discussão de determinado tema por diferentes perspectivas, a interdisciplinaridade garante aos estudantes uma visão mais ampla do objeto de estudo, o que certamente contribuirá para superação de interpretações ingênuas sobre a realidade à sua volta, conforme orienta os PCN (BRASIL, 1997).

No ensino do objeto de conhecimento “Radiações e suas aplicações na saúde”, por exemplo, o professor de Ciências é capaz trabalhar conceitos e aplicações da radioatividade em suas aulas, discutindo o papel do avanço tecnológico na aplicação das radiações na medicina diagnóstica (raio X, ultrassom, ressonância nuclear magnética) e no tratamento de doenças (radioterapia, cirurgia ótica a laser, infravermelho, ultravioleta etc.), conforme delineado na nova BNCC (BRASIL, 2018), bem como as implicações ambientais dos resíduos radioativos.

Por outro lado, os professores de História/Geografia podem abordar os aspectos histórico, político e social que tiveram grande impacto durante o desenvolvimento deste campo de estudo. Tais como, o papel da mulher na ciência, armamento bélico nuclear na segunda guerra mundial, a contribuição da energia nuclear na matriz energética elétrica brasileira/mundial e o desenvolvimento econômico, a geração de energia elétrica a partir de energia nuclear e meio ambiente.

Os docentes, também, foram consultados sobre o papel da abordagem CTS na compreensão dos estudantes sobre do tema radioatividade e suas aplicações. A partir dos dados apresentados no Quadro 3, pode-se perceber que todos os participantes consideram como “Importante” (30%) ou “Muito importante” (70%), o papel dessa abordagem para a compreensão dos estudantes. Portanto, todos os professores são favoráveis a utilização da abordagem de ensino CTS no desenvolvimento do tema radioatividade em sala de aula. De acordo com Dutra et al. (2015, p. 1084):

A abordagem CTS […] busca uma melhor interação entre o ensino de Ciências e o cotidiano dos alunos, visando desenvolver nestes um espírito crítico, de cidadãos participantes da sociedade quando o foco é o papel da Ciência e da tecnologia nesta mesma […]”.

Ao considerar que a nova BNCC determina que o tema radioatividade e suas aplicações está inserido, no ensino de Ciências, para o 9º ano do ensino fundamental, no objeto de ensino (conteúdo) “Radiações e suas aplicações na saúde”, a abordagem CTS encaixa-se perfeitamente nas estratégias de ensino que podem ser desenvolvidas em vista de alcançar o objetivo central de aprendizagem proposto. Pois essa forma de abordagem de ensino pressupõe uma formação para o exercício da cidadania por meio de um desenvolvimento crítico e contextualizado das questões relacionadas ao desenvolvimento científico e tecnológico na sociedade (FERNANDES, 2016).

Assim os discentes terão uma visão mais ampla e crítica dos conceitos, de forma a compreender as aplicações e as consequências (positivas ou negativas) da radioatividade em alguma área de interesse da sociedade como do avanço tecnológico na aplicação das radiações na medicina diagnóstica (raio X, ultrassom, ressonância nuclear magnética) e no tratamento de doenças (radioterapia, cirurgia ótica a laser, infravermelho, ultravioleta etc.), conforme Habilidade EF09CI07 da nova BNCC (BRASIL, 2018).

Tudo que foi discorrido nesta seção revela que no momento em que diferentes grupos sociais discutiam mudanças substancias para o currículo da educação básica brasileira, em vista da elaboração da nova BNCC (2018), a percepção dos docentes que atuam nos anos finais do Ensino fundamental, no ensino de Ciências, na rede pública de Breves, estava alinhada com as inquietações e anseios que fundamentaram a nova BNCC, no que se refere ao ensino do tema radioatividade e suas aplicações, traduzidos no objeto de conhecimento “Radiações e suas aplicações na saúde” e Habilidade EF09CI07 (BRASIL, 2018).

Ainda no contexto da formação, foi perguntado aos docentes se eles tinham alguma dificuldade em abordar o tema radiações e suas aplicações em sala de aula. Pois, falta de formação adequada, se revela em sala de aula na grande dificuldade que alguns profissionais têm em desenvolver assuntos relacionados à área de exatas, como: Química ou Física, durante e após a sua formação (MILARÉ; FILHO, 2009). No que se refere a formação, Milaré e Filho (2009, p. 43), afirmam que:

A formação inicial dos professores […] apresenta deficiências tanto na formação específica quanto na pedagógica. Sem formação adequada, o professor não possui muitos subsídios para inovar o ensino ou incluir elementos que contextualizem os conteúdos”.

A partir dos dados obtidos (Quadro 4), observou-se que nenhum dos participantes declararam ter qualquer dificuldade relacionada a falta de domínio de conteúdo para abordar o tema radiatividade e suas aplicações em sala de aula, o que poderia ser consequência de um processo de formação inicial que não propiciou a construção de conhecimentos básico suficiente para a atuação no ensino de Ciências.

Em contrapartida 30% dos participantes consideram ter dificuldade na abordagem do tema radioatividade não relacionadas ao aspecto cognitivo, mas que podem estar relacionadas as condições de trabalho. Os professores P1 e P2, indicaram que a falta de recurso é o grande empecilho na abordagem do tema em sala de aula. P2 ainda finalizou dizendo que “[…] com recursos apropriados facilitaria o entendimento dos alunos a respeito do tema”. Para o participante P3, sua maior dificuldade é por conta da falta de tempo, tanto para planejamento quanto para realizar atividades práticas durante as aulas (Quadro 4).

Quadro 4: Dificuldade em abordar o tema radiatividade e suas aplicações em sala de aula

Participante

Resposta

Categoria de dificuldade

P1

A única dificuldade está relacionada em materiais, pois os livros didáticos não trazem muita coisa a respeito desse assunto e por esse motivo torna-se necessário mais pesquisa que não deixa de ser importante e a produção de materiais.

Falta de recursos didáticos.

P2

Sim, falta de recursos. Acredito que com recursos apropriados, favoreceria o entendimento dos alunos a respeito do tema.

Falta de recursos didáticos.

P3

Sinto dificuldade de abordar o tema de forma mais efetiva, pois falta tempo para planejar e executar uma aula prática.

Falta de tempo para planejamento.

Falta de tempo para o desenvolvimento de metodologias ativas.

P4

Não! Porque já trabalho o tema no ensino médio.


P5

Não. Nenhuma dificuldade.


P6

Não.


P7

Não.


P8

Não.


P9

Não tenho.


P10

Não.


Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

O participante P1, respondeu: “A única dificuldade está relacionada em materiais, pois os livros didáticos não trazem muita coisa a respeito e por esse motivo torna-se necessário mais pesquisa que não deixa de ser importante e a produção de materiais.”. Vale ressaltar, que este foi o responsável por uma das duas notas mais baixas atribuídas a questão objetiva sobre o livro didático (questão 2).

Nos resultados fica evidente que a maioria dos educadores não possui dificuldades em desenvolver o tema. No entanto, deve-se ponderar as eventuais dificuldades, principalmente, por exemplo, a falta de planejamento das aulas, pois certamente é o que mais dificulta a realização e elaboração de aulas diferenciadas, uma vez que os profissionais da educação, em especial os professores, não conseguem tempo para o planejamento, e com isso elaborar materiais mais adequados para o trabalho em sala de aula. Uma razão para a falta e de tempo, consiste na grande carga horária desenvolvida ao longo do ano letivo. Como não há planejamento, dificilmente esse profissional exercerá um bom trabalho (Junior et al., 2014).

Relações observadas entre a percepção da importância do tema radiações e suas aplicações e perfil profissional dos docentes

A fim de inferir como o perfil profissional dos docentes interfere na percepção da importância de se trabalhar o tema radiações e suas aplicações, no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental, foi realizado o cruzamento das informações disponibilizadas pelos docentes participantes.

Neste sentido, verificou-se se a idade seria um fator de influência significativa na percepção da importância do tema radioatividade e suas aplicações, no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental. Para tanto, os docentes foram agrupados, por idade, em seis intervalos de classe com amplitude igual a 4 (quatro), pois assim os dados ficaram melhor apresentados. A relação entre idade e a percepção da importância de abordagem do tema radiações e suas aplicações é apresentada na Figura 1.

É importante relembrar que apenas um participante (10%) considerou apenas “Relevante” a importância de se trabalhar o tema radioatividade e suas aplicações, no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental (Quadro 3). Este docente declarou ter 46 anos e é o segundo participante com maior idade.

Observou-se o indivíduo que atribuiu a menor nota a importância de se trabalhar o tema radiações a suas aplicações (nota 4), no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental, foi um docente com 46 anos de idade. Mas, também, pôde-se perceber que, todos os participantes que atribuíram notas iguais a 9 (nove) ou 10 (dez) – nota máxima, para o grau de importância de se trabalhar o tema radioatividade e suas aplicações, no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental, possuem idade superior a 37 (trinta e sete) anos. Isso significa que todos os participantes que consideram “Muito importante” (atribuição máxima de importância) a abordagem desse tema no referido componente curricular e nível de ensino, possuem idade superior a 37 (trinta e sete) anos. Esse total equivale a 50% dos docentes consultados.

Figura 1: Relação entre idade e a nota atribuída para o grau de importância da abordagem do tema radiações e suas aplicações.

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).



Uma outra análise que pode ser realizada é em relação ao tempo de prática docente dos participantes da pesquisa e a percepção da importância de se trabalhar o tema radioatividade e suas aplicações no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental. Para tal análise os docentes foram agrupados em intervalos de classe criados a partir da Regra de Sturges. O resultado desta relação está apresentado no gráfico ilustrado na figura 2.

Figura 2: Relação entre o tempo de docência e a percepção da importância de abordagem do objeto de conteúdo "Radiações e suas aplicações na medicina".

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Pôde-se observar o indivíduo que atribuiu a menor nota a importância de se trabalhar o tema radiações a suas aplicações (nota 4), no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental, foi um docente com mais de 19 anos de docência. Por outro lado, todos os participantes que atribuíram notas iguais a 9 (nove) ou 10 (dez) – nota máxima, para o grau de importância de se trabalhar o tema radioatividade e suas aplicações possuem tempo de docência superior a 13 (treze) anos. Isso significa que todos os participantes que consideram “Muito importante” (atribuição máxima de importância) a abordagem desse tema no referido componente curricular e nível de ensino, já atuam no magistério a mais de 13 (treze) anos. Esse total equivale a 50% dos docentes consultados.

De forma geral, o participante P9, foi quem atribuiu a menor nota de avaliação ao grau de importância (nota 4) de se trabalhar o tema radioatividade, no ensino de Ciências, dos anos finais do ensino fundamental, sendo esta nota a mais baixa atribuída entre todas as respostas. Pode-se perceber que, embora em um percentual pequeno (10%), este participante mostrou mais resistência em relação a este quesito.

Outro dado que chama a atenção é a avaliação da importância de se realizar uma abordagem interdisciplinar no ensino do tema radiações e suas aplicações. O participante P10, é o profissional com maior idade (47 anos) e tem tempo de docência acima de 13 anos e atribuiu a menor nota (nota 5) neste quesito, considerando-o com grau de importância apenas “Relevante”. Enquanto que todos os participantes que atribuíram nota 10 (dez) – nota máxima, para o grau de importância de se realizar uma abordagem interdisciplinar no ensino do tema radiações e suas aplicações possuem idade acima de 37 anos (trinta e sete) e tempo de docência superior a 13 (treze) anos.

Também não foram encontradas relações com influência significativa entre a formação continuada dos professores e a percepção da importância de trabalhar o tema central da pesquisa com. De todas as relações realizadas, não foi possível obter respostas conclusivas sobre possível relações entre o perfil profissional dos docentes e a percepção da importância de se trabalhar o tema radioatividade e suas aplicações, no ensino de Ciências, dos anos finais do Ensino fundamental. Dessa forma, torna-se necessário pesquisas adicionais para se compreender os fatores que possam estar envolvidos nessa associação entre idade, tempo de docência e percepção de importância da abordagem de temas de radioatividade nos anos finais do ensino fundamental.



Considerações finais

Conclui-se, mediante os resultados obtidos a partir da análise dos dados coletados com a aplicação do questionário, que 90% dos professores concorda que é importante trabalhar os conceitos sobre radioatividade nos anos finais do ensino fundamental, pois existe a possibilidade de os estudantes não conhecerem o assunto de maneira satisfatória (pontos positivos e pontos negativos), uma vez que, nem sempre, o tema é abordado no ensino médio ou superior, o que restringe o estudante ao que é exposto a ele de maneira casual, como por exemplo, pelos veículos de comunicação.

Devido à importância, 90% dos docentes mostrou-se positivos a implementação da radioatividade nos anos finais do ensino fundamental. Indicando que estes estão cientes da importância do tema, provavelmente por suas aplicações nos diversos horizontes da vida moderna, visto que se torna essencial, nos dias de hoje, as pessoas conhecerem a origem ou procedência, assim como as possíveis consequências do que lhes é oferecido, sejam tratamentos medicinais, produção de energia, esterilização de alimentos, dentre outros.

Este estudo também revelou que 70% dos professores não possui dificuldade em desenvolver o tema em sala de aula. Isso indica que é possível iniciar os estudantes nos conhecimentos fundamentais sobre radioatividade. Além de não possui dificuldades, 100% dos mesmos é favorável a utilização da abordagem CTS e a interdisciplinaridade como estratégias de ensino deste tema, pois, desta forma, os alunos têm grandes possibilidades de aprender de maneira a favorecer seu desenvolvimento social e intelectual, propiciando a formação de um olhar que lhes permita superar interpretações ingênuas sobre a realidade à sua volta, conforme orienta os PCN (Brasil, 1997).

No entanto, durante a análise dos resultados constatou-se que 50% dos educadores têm formação complementar em Licenciatura em Química ou Física e que 10% desse percentual já havia ministrado aulas relacionadas ao assunto no ensino médio. Este fato, com certeza, influenciou de maneira direta ou indireta suas respostas e, consecutivamente, o resultado da pesquisa.



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Ilustrações: Silvana Santos