A primeira lei da ecologia é que tudo está ligado a todo o resto. (Barry Commoner)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 75 · Junho-Agosto/2021
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08/06/2021 (Nº 75) ESTUDO DOS POTENCIAIS DE EDUCABILIDADES AMBIENTAIS EM DIFERENTES ESPAÇOS URBANOS – ESTUDO DE CASO EM JOÃO PESSOA-PB
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ESTUDO DOS POTENCIAIS DE EDUCABILIDADES AMBIENTAIS EM DIFERENTES ESPAÇOS URBANOS – ESTUDO DE CASO EM JOÃO PESSOA-PB



Bruno Lima de Oliveira1, Joyce Moreira Lopes de Sousa2, Antonia Arisdélia Fonseca M. A. Feitosa3



1- Graduando do curso de Engenharia Ambiental. Universidade Federal da Paraíba (UFPB). limabruno100@hotmail.com

2- Graduanda do curso de Biomedicina. Universidade Federal da Paraíba (UFPB). joyce_lopes_95@hotmail.com

3- Doutora em Educação. Universidade Federal da Paraíba (UFPB). arisdelfeitosa@gmail.com



RESUMO

Este artigo se insere no campo da ecologia aplicada por investigar cenários urbanos da cidade de Joao Pessoa-PB, na perspectiva de levantar os potenciais de educabilidade ambiental, seja pela degradação ou pela precaução à qualidade ambiental. O estudo teve como objetivos: analisar os potenciais de educabilidade ambiental e produzir material didático voltado para três espaços urbanos da cidade de João Pessoa, a citar: Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), o Jardim Botânico Benjamin Maranhão - JBBM (Mata do Buraquinho), a Praça da Paz e o aglomerado subnormal “Comunidade São Rafael”. A pesquisa envolveu o estudo de caso e os dados foram obtidos por meio de observações, registros infográficos e análises de documentos. As visitas aos ambientes permitiram a identificação de demandas educativas as quais orientaram a elaboração de roteiros didáticos que poderão ser utilizados como ferramentas pedagógicas para sensibilização socioambiental junto aos visitantes dos espaços mencionados e para a orientação de práticas que contribuam para a educação ambiental e promoção da saúde. Espera-se que essas realizações contribuam para que as pessoas trabalhem as questões ambientais na educação formal ou não formal; que alcancem não só a comunidade frequentadora, mas turistas, estudantes, pesquisadores entre outros, para que os valores aplicados a essas atividades sejam agregadas à cultura local.

Palavras-chave: Ambiente Urbano. Estudo de Campo. Educação Ambiental.



ABSTRACT:

This article is part of the field of applied ecology by investigating urban scenarios of the city of João Pessoa-PB, in the perspective of raising the potential scans of environmental education, either by degradation or environmental quality. The study had as objectives: to analyze the potentials of environmental education and produce didactic material aimed at three urban spaces of the city of João Pessoa, namely: Arruda Câmara Zoobotanical Park (Bica), the Benjamin Maranhão Botanical Garden – JBBM (Mata do Buraquinho), Praça da Paz and the subnormal cluster São Rafael Community." The research involved the case study and the data were obtained through observations, infographic records and document analyses. Visits to the environments allowed the identification of educational demands that guided the elaboration of didactic scripts that can be used as pedagogical tools for sensitization with visitors from the spaces mentioned and to guide practices that contribute to environmental education and health promotion. These achievements are expected to contribute to people working on environmental issues in formal or non-formal education; that reach not only the frequenting community, but tourists, students, researchers and others, so that the values applied to these activities are added to the local culture.

Keywords: Urban Environment. Field survey. Environmental Education.



1. INTRODUÇÃO

O homem é parte indissociável da natureza, e suas ações intervém no meio ambiente propiciando alterações ambientais, sejam elas necessárias, convenientes, abusivas ou recuperadoras. No entanto, apesar da influência do homem com o ecossistema, o planeta não é estático e nem imutável, desse modo, toda e qualquer ação humana representa um impacto expressivo no domínio terrestre, a exemplo disso destaca-se a urbanização. Dessa forma, proveniente do processo de urbanização segundo Gouveia (1999), há o comprometimento e sobrecarga de diversos serviços essenciais de infraestrutura, como por exemplo, o abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta e destinação adequada de lixo, serviços de saúde, oferta de empregos e moradia, segurança pública e controle do meio ambiente, ultrapassando a capacidade financeira e administrativa das cidades em geri-los de forma adequada.

A crise no meio ambiente vem tomando proporção maior e mais imediata no que concerne aos problemas ambientais considerados prioritários, como as mudanças climáticas globais, chuva ácida, destruição de florestas tropicais, e desaparecimento de diversas espécies animais e vegetais (ROSSI-ESPAGNET et al., 1991 apud GOUVEIA, 1999).

Somado a este fato, tomando como exemplo parques verdes urbanos, praças públicas e aglomerados subnormais, nos centros urbanos há a presença de cenários de degradação e de preservação ambiental distintos. Neste caso, é necessário compreender o contexto socioambiental, ecológico e cultural no qual estão inseridos, no sentido de vislumbrar possibilidades educativas para as populações que integram tais espaços urbanos, no sentido de orientar a coletividade humana quanto aos riscos socioambientais e quais atitudes deverão melhor responder às mudanças almejadas frente às intervenções de degradação.

Com a agitação dos centros urbanos, aumento da atividade industrial e comercial, e crescimento demográfico, fez-se necessário a criação de locais que propiciassem o lazer e o sentimento de bem-estar da população residente. Os parques verdes urbanos no Brasil surgiram em decorrência desse processo de urbanização das cidades e destinavam-se à promoção da qualidade de vida urbana e bem-estar das pessoas, atendendo a demanda social decorrente (VAINER, 2010; SILVA, 2003). Além disso, as praças públicas compartilham muitos dos benefícios dos parques verdes urbanos, como realização atividades físicas, estabelecimento de contato com espaço aberto, ao ar livre e verde, propiciando relaxamento e contemplação (CARMO, 2017).

No que concerne aos aglomerados subnormais, de acordo com Fernandes e Costa (2013), foram resultados da carência de planejamento urbano e habitacional, ocasionando um estímulo aos processos de ocupação em espaços diferenciados, colocados à margem da cidade como zonas de exclusão, marcados pela desigualdade social, mesmo que intrínsecos ao espaço físico da cidade.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2012) mostram que, no ano de 2010, 6% da população brasileira viviam em periferias dos grandes centros urbanos e em outras áreas menos privilegiadas das cidades. Em João Pessoa o número de aglomerados subnormais é de 59 unidades, os domicílios particulares ocupados são de 213.606 e a média de moradores em domicílios particulares ocupados é de 3,58 pessoas.

A cidade consiste em um ecossistema antrópico, com alto grau de artificialidade em relação ao ambiente natural. Caracterizada por pavimentos e edificações, seus efeitos negativos são evidentes e acentuados na desvinculação do ser humano com a natureza. A urbanização, relacionada ao desenvolvimento industrial e à mecanização agrícola leva a mão de obra a se concentrar nas cidades. Em decorrência, a cobertura vegetal em áreas urbanas perante o espaço construído é preocupante diante da antropização crescente (PAPINI, 2012).

As cidades refletem a cultura de seu povo e, desta forma, é continuamente transformada para atender às necessidades de seus habitantes, sejam elas de caráter econômico, biológico e psicológico. Neste contexto, alterações positivas nos espaços urbanos são necessárias no sentido de melhorar as condições de vida e no resgate de serviços ecossistêmicos fundamentais para dar suporte à vida no planeta.

Os processos educativos, sejam realizados na modalidade formal ou não formal, constituem a maneira mais eficiente de orientar a comunidade humana quanto aos riscos socioambientais de determinados cenários urbanos, e quais atitudes deverão melhor responder às mudanças que desejamos alcançar frente às situações de degradação da vida.

Segundo Reigota (2002), a Educação ambiental possui uma função de conexão dos indivíduos à natureza por meio da sensibilização transformadora em função da conservação do meio ambiente, junto aos conhecimentos ecológicos.

Sobre o papel da educação ambiental no processo educativo, podemos afirmar que:

Sabendo que a Educação Ambiental acontece de forma interdisciplinar através das conexões entre os conhecimentos adquiridos, ela assume papel fundamental no processo educativo, pois ao pensar na complexidade dos mais diversos problemas ambientais, suas causas e consequências, pautadas nos modelos de desenvolvimento da sociedade atual, as soluções para eles passam a ser dependentes do diálogo entre diversos saberes (BARBOSA et al., 2018, P. 29).

A educação ambiental se apresenta como potencial educativo capaz de tornar as pessoas conscientes de seu papel na constituição de um ambiente saudável, bem como na conservação de áreas, cujos cenários e funcionalidades proporcionem o bem estar ambiental, pessoal e coletivo para as populações urbanas. Por meio da EA o indivíduo passa a vivenciar um processo de ressignificação, atribuindo significados a sua existência (CARVALHO, 2005).

A cidade de João Pessoa, enquanto cenário ambiental urbano, guarda em si diferentes monumentos, preservando o verde, sendo esta sua característica mais marcante, rendendo-lhe o título de segunda cidade mais arborizada do mundo, ficando atrás apenas de Paris (MELLO, 1987).

No ano de 2010, a cidade de João Pessoa, localizada no estado da Paraíba, possuía mais de 723 mil habitantes, sendo o município mais populoso do estado ao qual pertence e vigésimo quarto no âmbito nacional. Em seus domínios, apresentou em suas vias públicas 78,4% de arborização e 25,1% de urbanização (IBGE, 2010). Além disso, em 2019, a cidade recebeu o prêmio Arbor & Urbe por ter o maior percentual de áreas verdes urbanas entre as capitais do Norte e Nordeste, alcançando índices de 30,67% de área de cobertura vegetal, segundo G1 PB (2019). Portanto, podemos notar o destaque da cidade na preservação ambiental, o que sinaliza a necessidade de aproveitar todo esse espaço nos processos educativos que fomentem a consciência ambiental da população.

Os espaços verdes urbanos proporcionam bem estar e merecem ser aproveitados com conhecimentos e orientações à preservação. Contudo, a maioria da população, não apresenta informações necessárias que poderiam reduzir ou solucionar os problemas pontuais do meio ambiente, ao cuidarem dos recursos ambientais disponíveis nos espaços urbanos. Tal cenário é o que leva a necessidade de estudos que proporcionem o desenvolvimento do conhecimento e que supra, preenchendo as lacunas ausentes para o avanço no que diz respeito à preservação e conservação do meio ambiente. São escassos os estudos que versem acerca dos potenciais socioambientais, ecossistêmicos e salutogênicos.

A fim de desenvolver cognições inseridas em processos educativos formais e não formais, visando compreender o sentido da preservação e da implementação de infraestrutura verde urbana, elaborou -se roteiros pedagógicos capazes de atenuar a percepção quanto aos benefícios que as áreas urbanas preservadas são capazes de proporcionar para a saúde física e mental.

Este projeto avança na produção do conhecimento acerca dos potenciais ambientais de educabilidade que os espaços urbanos de João Pessoa podem oferecer. E sob essa perspectiva o estudo analisou os potenciais de educação ambiental da área urbana de João Pessoa e traçou o perfil socioambiental, ecológico e cultural de três espaços urbanos que sinalizem potenciais de aprendizagem. Os conhecimentos gerados neste estudo subsidiaram a elaboração de roteiros pedagógicos orientados à realização de estudos de campo. Os estudos pautam-se na asserção da educação ambiental como a formadora de sujeitos ecológicos em segmentos da sociedade, seja pela educação formal ou não formal. A perspectiva é conduzir as pessoas a compreenderem o sentido da preservação e da implementação de infraestrutura verde urbana e perceber os benefícios que as áreas urbanas preservadas são capazes de proporcionar para a saúde física e mental.

2. METODOLOGIA

A pesquisa foi orientada pela abordagem qualitativa, de caráter descritivo e exploratório com aporte de pesquisa bibliográfica. Foi desenvolvida na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba (Figura 1), durante o período de julho/2019 - Junho/2020. Se empenhou no mapeamento de áreas urbanas passíveis de estudos ambientais, em relação aos seus potenciais de educabilidades, sejam estas áreas degradadas ou preservadas.

Os dados foram obtidos a partir de visitas e observações aos diferentes locais da cidade passíveis de estudos e ações educativas. Além disso, foram registrados, por meio de fotografias, os diferentes cenários ambientais degradados ou preservados.

Figura 1 – Localização do município de João Pessoa, Paraíba, no nordeste brasileiro. Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Buscou-se junto aos órgãos públicos informações que contribuíram para a seleção dos locais estudados. O Parque Arruda Câmara, o Jardim Botânico Benjamin Maranhão, a Praça da Paz e a comunidade São Rafael foram os espaços selecionados por atenderem às expectativas práticas e teóricas dos nossos objetivos, dentre essas características de ambientes socioambientais distintos e por estarem inseridas dentro da área urbana da cidade.

Por fim, foram indicados temas e teorias para compor a elaboração de roteiros pedagógicos, sistematizando estudos orientadores de visitas para produção do conhecimento envolvendo diferentes abordagens, na perspectiva da educação ambiental crítica.

Os instrumentos utilizados para a obtenção de dados e a efetivação do estudo foram: registros de imagens e de diálogos informais, observação participante, leitura de documentos e de publicações em periódicos específicos ao tema.



3. RESULTADOS

3.1 Áreas urbanas em João Pessoa-PB e seus potenciais de educabilidade ambiental

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade e o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e futura geração (BRASIL, 2016).

O ambiente artificial provém atributos indispensáveis para o bem coletivo, sejam eles sociais, estéticos, educativos, ecológicos e até mesmo psicológicos. Esses espaços em comum permitem a socialização e integração da população, buscando aprimorar o senso comunitário. Sabe-se que a qualidade de vida urbana é garantida pela existência de um adequado sistema de espaços públicos livres de lazer. A infraestrutura verde é indispensável para a renovação do urbanismo e para a retomada dos serviços essenciais prestados pela natureza, e fundamental no desenvolvimento sustentável das cidades em várias escalas, abrangendo um conceito contemporâneo e buscando estabelecer uma conexão da cidade com os elementos naturais (MORSCH, MASCARO e PANDOLFO, 2017).

Ao observar o ambiente urbano de João Pessoa, dois parques urbanos ganham destaque, são eles o Parque Zoobotânico Arruda Câmara e o Jardim Botânico Benjamin Maranhão, ambos se constituindo como Unidades de Conservação, com potencial educativo no campo do turismo, do conhecimento científico, da formação do sujeito ecológico, da qualidade de vida e na valoração socioambiental e cultural da cidade de João Pessoa-PB.

O Parque Zoobotânico Arruda Câmara compreende uma área de 26,4 hectares e encontra-se localizado no bairro Tambiá, na cidade de João Pessoa, Paraíba. Constitui um espaço de relevância peculiar por concentrar resquícios de Mata Atlântica, e diversas espécies de animais, destaca-se ainda por sua variedade de plantas da flora brasileira, riachos, lagos e fontes naturais de água. Sua representatividade tornou-se símbolo da personificação dos serviços ecossistêmicos.

Além disso, é conhecido popularmente como Bica em riqueza de sua fonte natural de água potável localizada em seu interior. Esta fonte foi edificada em 2 de março de 1782, por autorização da Provedoria da Fazenda, tornando-se patrimônio da cidade de João Pessoa pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (IPHAEP) desde 26 de agosto de 1980. Segundo Netto & Rosa (2017), a fonte do Tambiá faz parte da história paraibana, que revela seus aspectos simbólicos e culturais presentes na memória e identidade local, despertando sentimentos e lembranças dos habitantes da cidade, constatando a importância do Parque para a cidade e seus habitantes.

Atualmente, o Parque Arruda Câmara possui um cenário de entretenimento, conhecimento, descanso e é suficientemente apto para promoção de um bem-estar físico, psíquico e social. É contemplado por sua herança ambiental e generoso espaço físico para abrigar as abundantes espécies residentes.

O Jardim Botânico Benjamin Maranhão - JBBM (Mata do Buraquinho), destaca-se por ser um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do Brasil em área urbana (ARAÚJO, 2002), contando com uma área de 515 hectares, dos quais 343 hectares abrigam o Jardim Botânico Benjamin Maranhão (JBBM).

De acordo com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente do estado da Paraíba - SUDEMA (2016), o JBBM tem como atribuições promover a conservação da Mata Atlântica do Nordeste, ações de programas de pesquisa no desenvolvimento e manutenção de coleções documentadas de plantas da Mata Atlântica e outras espécies botânicas apropriadas à zona climática do Nordeste e projetos relacionados à educação ambiental.

Levando em consideração os programas de educação ambiental, as trilhas possuem um papel fundamental na unidade, pois os percursos permitem que o visitante tenha um contato direto com o ambiente natural. As trilhas no local, como destaca Oliveira & Nishida (2011), contam com diversas características e qualidades paisagísticas, além de variação de comprimento, grau de dificuldade e tempo para percorrê-las. 

Esses atributos permitem uma maior interação dos visitantes com o local e com os assuntos abordados, significados e relações, proporcionando a realização de uma interpretação ambiental do meio ambiente, que tem como objetivo incentivar a compreensão do ambiente natural (PAGANI et al., 1999).

Em geral, em seus domínios, por conta da existência de nascentes, áreas para realização de trilhas, lagos, entre outros, como citado anteriormente, diversas temáticas podem ser abordadas em parques urbanos para auxiliar na formação de sujeitos ecológicos.

Nestes aspectos os cenários ambientais são indicadores do desenvolvimento de temas educativos e conhecimentos para diferentes áreas. Acerca das nascentes, podem ser trabalhados conceitos de abastecimento de populações, redução de erosão pela maior disponibilidade de drenagem de água, alimentação de bacias, dentre outras temáticas. Segundo Felippe (2009), são sistemas ambientais naturais em que há o extravasamento de água subterrânea que pode ocorrer de modo temporário ou permanente (perene).

De acordo com Braga et al. (2005), nas últimas décadas tivemos uma crescente preocupação acerca dos efeitos das atividades humanas no meio ambiente, fazendo com que a sociedade esteja cada vez menos tolerante aos problemas relacionados à poluição e degradação de corpos hídricos. Portanto, explorar a problemática que envolve a ingestão de águas contaminadas, como as ações antrópicas geram as perturbações no meio hídrico, medidas para manejo adequado, processo de eutrofização, é interessante de ser trabalhado em parques e comunidades que dispõem de corpos hídricos de boa visibilidade.

Além disso, devemos levar em consideração pontuar os valores emocionais, psíquicos, sociais que áreas verdes urbanas apresentam, além dos serviços ecossistêmicos proporcionados (CHAN et al., 2016). Os serviços ecossistêmicos são os benefícios, vitais para o bem-estar humano e para o desempenho econômico, que a natureza proporciona à população. Concomitantemente, as praças públicas são capazes de requalificar ambientalmente os territórios degradados, reestruturando o tecido urbano, a paisagem e contribuindo para a interação das pessoas com o meio natural.

A Praça da Paz se apresenta como um espaço de acolhimento, relaxamento, dissipação de orientações e encorajamento a uma boa saúde, através da realização de atividades em pistas de skate, academia de ginástica, espaço com barras para musculação, playground, quiosques e pista de Cooper. Esses elementos agregam-se e são capazes de determinar a aquisição da vitalidade do indivíduo, tornando o ambiente em questão um ótimo agente transformador de hábitos e ideias, colaborando exponencialmente para o avanço da sensibilização ambiental da sociedade, através da implantação de pequenos planos, projetos e exercícios empregados, permitindo a incorporação do curso didático por meio do conhecimento e cultivo de suas riquezas, então principiando a peculiaridade da praça e os seus benefícios a qualidade de vida, a ciência do saber, seja ela formal ou não formal.

Sob essa conjuntura as práticas integrativas complementares integram-se ao desempenho de recursos terapêuticos tradicionais em que diligenciaram a otimização da vida do indivíduo urbano à reabilitação da saúde através dos exercícios de atividades amplificadas que poderão vincular-se aos serviços ecossistêmicos dos ambientes artificiais urbanos- praças. São elas: aromaterapia, arteterapia, biodança, meditação entre outros.

Para auxiliar na compreensão dos problemas referentes à degradação ambiental e à qualidade de vida em comunidades em situação de risco, focamos o estudo nos aspectos da ocupação urbana desordenada, habitualmente batizados como “favelas”, que se caracterizam pela pouca disponibilidade de infraestrutura e serviços públicos, em condições precárias, predominantemente ocupadas historicamente pela população preta ou parda (Leeds e Leeds, 1978; Costa, 2016).

A Comunidade São Rafael, situada às margens do Rio Jaguaribe no Bairro Castelo Branco em João Pessoa – PB possui 60 anos de existência, chegando a cerca de 500 residências ao todo com 29 estabelecimentos comerciais (CENTRO POPULAR DE CULTURA E COMUNICAÇÃO, 2019). Apresenta em sua área uma Escola Estadual de Ensino Fundamental, Posto de Saúde, Posto de Distribuição de Pão e Leite, Praça, igrejas, Centro Popular de Cultura e Comunicação e rádios de comunicação. Parte das ruas apresenta calçamento mais ainda existem ruas não asfaltadas.

Se tratando de aspectos ambientais da comunidade, há inúmeros problemas constantemente agravados pela população, onde os mais frequentes são o desmatamento e a poluição, já havendo reconhecimento dos próprios moradores sobre a necessidade de intervenção socioeducativa sobre impactos antrópicos na natureza (LUCENA, 2013). Parte dela está situada às margens do curso d’água do Rio Jaguaribe (Figura 2), sendo assim, sofrendo com os transbordamentos desse rio.

Figura 2 – Recorte da comunidade localizada às margens do curso d’água do Rio Jaguaribe. Fonte: dados da pesquisa (2019).

Por conta dos problemas de infraestrutura na comunidade e em seu entorno, como sistema de drenagem pluvial e esgotamento sanitário, como podem ser observados em alguns casos na figura 3, a qualidade de vida dos residentes é afetada.

Figura 3 – Problemas de drenagem pluvial e esgotamento sanitário na comunidade São Rafael e em seu entorno. Fonte: dados da pesquisa (2019).

O cenário da degradação ambiental e humana sinaliza a necessidade de desenvolver na população a consciência ambiental bem como conhecimentos que orientem novas posturas frente aos problemas enfrentados. Temas como falta de saneamento básico, contaminação de águas fluviais por lançamento de efluentes, vetores de doenças de veiculação hídrica, hábitos de higiene e destinação adequada de resíduos sólidos, são conteúdos passíveis de serem abordados em processos formativos à população.



4. DISCUSSÃO

    1. Demandas Educativas Apontadas no Estudo

Sobre as demandas que foram identificadas no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (BICA) podemos listar: A necessidade em realçar os cuidados com as nascentes e sua importância na alimentação de corpos hídricos; Enfatizar o potencial sociocultural (origem, hábitos e relação com a comunidade); Dar visibilidade ao papel da vegetação na prevenção e combate à erosão; desenvolver a percepção ambiental quanto aos conhecimentos florísticos e faunísticos inseridos no espaço do Parque; Perceber o papel do jardim sensorial na promoção de conhecimentos botânicos e etnobotânicos, valorizando a inclusão; Promover ações que enfatizem os serviços ecossistêmicos oferecidos pelo Parque Arruda Câmara; Desenvolver oficinas temáticas, intercaladas às trilhas interpretativas (temas possíveis: tratamento e destinação de resíduos; Hábitats e hábitos dos animais dos recintos).

Em relação ao Parque Zoobotânico Arruda Câmara – BICA, segundo Dias (2003), os zoológicos visam contribuir para a conservação animal por meio da educação ambiental, conscientização conservacionista e pesquisa científica. A finalidade da educação ambiental é introduzir a comunidade na busca pela preservação, proporcionando a compreensão da população sobre a importância da manutenção da espécie e do seu habitat (FURTADO e BRANCO, 2003).

Os animais abrigados nesse espaço, geralmente são oriundos de apreensão, acolhimento de zoológicos que são fechados por más condições, casos de ameaças de extinção, e animais retirados da natureza, para tentativa de reprodução, que são reinseridos após procedimento. Vale salientar que antes de retirá-los de seu hábitat natural é necessária uma série de estudos, para que essa interferência não traga malefícios para essas espécies (AFONSO et al., 2015).

Muitos desses animais não podem ser reintroduzidos em seu ambiente natural. Portanto, muitos zoológicos são tidos como verdadeiros santuários para proteção desses animais. Portanto, partimos do ponto da desconstrução da imagem dos zoológicos enquanto vitrines de exposição. A BICA enquanto parque zoobotânico busca a conservação de espécies de animais e plantas sendo, inclusive, referência na reprodução em cativeiro de espécies de animais ameaçadas de extinção. A atividade de visitação nos locais turísticos deve ser desenvolvida respeitando seu contexto histórico, que deve ser preservado e transmitido às gerações futuras, valorizando a cultura.

Concomitantemente, vimos anteriormente que a BICA apresenta um contexto histórico peculiar para a cidade em que está localizada. Ulpiano Meneses (1999) discute de forma consistente a questão do uso da cultura, sendo importante gerar reflexão sobre problemas como a cenarização das cidades, o consumo do bem cultural, o desenraizamento dos visitantes, colocando em debate o tipo de turismo que se pratica.

Em relação ao Jardim Botânico Benjamin Maranhão foi possível relacionar as seguintes demandas: Trabalhar a qualidade dos recursos hídricos relacionados às ações antrópicas; Tratar o tema desmatamento e seus efeitos à dinâmica funcional dos ecossistemas aquáticos e ao meio ambiente; Focar no papel das UC’s para a conservação da biodiversidade e na qualidade de vida humana; Aspectos legais e operacionais para reajustar o ordenamento territorial urbano; Promoção de ações que enfatizem os serviços ecossistêmicos oferecidos pelo Jardim Botânico.

Unidades de conservação localizadas em áreas urbanas, que é o caso do Jardim Botânico Benjamin Maranhão, estão mais sujeitas a intervenções antrópicas de impacto ambiental criminoso, como, por exemplo, desmatamento, caça ilegal, extrativismo predatório, introdução de espécies exóticas, lançamento de águas servidas sem tratamento, deposição de resíduos sólidos urbanos dentro e nas áreas de borda. Sendo assim, demanda estratégias bem elaboradas de monitoramento e fiscalização (FIGUEIREDO et al., 2016).

As demandas identificadas na Praça da Paz incluem: Caracterizar o espaço situado, como um espaço urbano multifuncional; Indicar os diferentes serviços ofertados; Desenvolver uma consciência voltada à valorização dos espaços verdes urbanos por meio dos conhecimentos acerca dos serviços ecológicos, culturais e sociais advindo do usufruto de Praças Urbanas; Compreender o sentido da preservação e da implementação de infraestrutura verde urbana e perceber os benefícios que as áreas urbanas preservadas são capazes de proporcionar para a saúde física e mental através dos processos educativos inseridos na comunidade; Valorizar culturalmente, artisticamente e cientificamente estabelecendo conectividade aos fatores ecológicos, biológicos e psicológicos; Implementar práticas integrativas complementares associados a educação ambiental.

As praças estabelecem benefícios influentes na promoção da saúde, no desenvolvimento de melhorias, especialmente abrangentes aos serviços ecossistêmicos. Essas benfeitorias poderão ser disponibilizadas através da sua capacidade de oportunizar a contemplação da fauna e da flora, com suas vegetações raras, colaborando para o bem em comum do homem enquanto sujeito, e natureza como determinante socioambiental.

O bem-estar advém devido a possibilidade de interação entre os indivíduos nos espaços verdes urbanos- praças, a realizar-se a partir das atividades físicas; estabelecer o contato com espaço aberto, ao ar livre e verde, propiciando relaxamento e contemplação (CARMO, 2017). Desempenha também papel fundamental na busca pelo equilíbrio do ser, do sujeito correferido a natureza, ao corpo social e especialmente aos benefícios salutogênicos. Dessa forma, se evidencia a ecologia representada, em resumo, pelo marco global para um renovado ângulo quanto às relações entre o homem e sua adjacência, redundando em uso racional, e na alteração do crescimento desmedido, pelo uso equilibrado da natureza (GIONGO, 2010, p. 75-100). Nessa localidade unificada entre meio ambiente e meio urbano obtém-se em sua maioria acessos para caminhadas, corridas, gramado amplo para execução de piqueniques, rodas de conversas, meditação entre outros ofícios.

No âmbito da Comunidade São Rafael foram identificadas as seguintes demandas: Precariedade do saneamento ambiental; Problemática da má gestão dos resíduos sólidos e seu potencial disseminador de vetores causadores de doenças; Ocupação desordenada e invasão de Áreas de Preservação Permanente (APP); O assoreamento do rio Jaguaribe e sua influência nas populações residentes adjacentes; Problemas na drenagem de águas pluviais em aglomerados subnormais; Compreensão dos determinantes e condicionantes no processo saúde e doença da comunidade, e suas implicações.

O processo de urbanização tem influenciado diretamente no crescimento desigual da sociedade, segregando a população urbana, e evidenciando problemas tanto de caráter social quanto de caráter ambiental. Os espaços que contam com infraestruturas irregulares, expõem da ausência de saneamento básico, asfaltos, e em alguns casos podem apresentar elevados índices de violência, corroborando para as premissas da qualidade de vida e afetando a saúde pública, provocando também destruição das características naturais que deleitam a alma humana (MORSCH, MASCARÓ E PANDOLFO, 2017).

Essas ocupações desordenadas implicam também no desequilíbrio ecossistêmico e refletem na descaracterização do valor ambiental, provocando danos ecológicos, além de coadjuvar com a limitação da perspectiva de evolução social (MORAES, 2007).



4.2 Propostas de Intervenções

As intervenções propostas para o Parque Zoobotânico Arruda Câmara: Temos como objetivos a reflexão sobre as influências dos serviços ecossistêmicos oferecidos pelos parques urbanos para a qualidade de vida humana e para a qualidade ambiental e análise do nível de compreensão e a percepção ambiental quanto às relações essenciais ao equilíbrio ecológico. Com recepção no Setor do Jequitibá, será apresentado o contexto social e histórico do parque arruda câmara, desde sua origem e concepção, até sua importância cultural. Após esse procedimento inicial, haverá uma dinâmica interpretativa para explicar os conceitos de serviços ecossistêmicos, bem como a sua importância e sua influência na vida humana, para serem trabalhados posteriormente durante a trilha da próxima atividade, desconstruindo a imagem dos zoológicos enquanto vitrines de exposição. A BICA enquanto parque zoobotânico busca a conservação de espécies de animais e plantas sendo, inclusive, referência na reprodução em cativeiro de espécies de animais ameaçadas de extinção. Por fim, teremos uma trilha em direção à lagoa interna do parque, onde serão trabalhados conceitos ecológicos. Ao longo do caminho, serão necessárias 3 (três) paradas, sendo a última a lagoa interna do parque, para trabalhar os seguintes assuntos respectivamente: Nascentes - Como a vegetação auxilia na formação e proteção de nascentes; Fragmento de Mata Atlântica - Importância dos serviços ecossistêmicos para o ser humano e para as áreas além do parque; Processo de eutrofização – Ao chegar na lagoa interna do parque, apresentar os conceitos acerca dos processos de eutrofização e sobre a resiliência dos ambientes aquáticos.

Como proposta voltada ao Jardim Botânico Benjamin Maranhão, temos como objetivos o entendimento a importância das Áreas de Preservação Permanente e das Unidades de Conservação para a conservação da biodiversidade e na proteção de paisagens naturais com notável beleza cênica e identificação da influência antrópica sobre o processo de eutrofização de corpos hídricos. Como recepção na entrada da unidade – próximo a ponte sobre o rio jaguaribe para realização de trilhas, trataremos do contexto histórico da área estudada, sua origem, concepção ambiental do espaço, valoração cultural, caracterização e hábitos com o ambiente urbano e será realizada uma caminhada interpretativa em direção ao Rio Jaguaribe, onde serão trabalhados conceitos ecológicos referentes à relação do rio com a mata atlântica. Além disso, serão tratados temas como a importância das áreas verdes para o conforto térmico urbano, os serviços ecossistêmicos ofertados e a importância das áreas de preservação permanente para o meio ambiente e para a população humana. A trilha será realizada com o auxílio dos guias locais.

As ações indicadas para a Praça da Paz - temos como objetivo o Desenvolvimento no público alvo uma sensibilização quanto a valorização dos espaços verdes urbanos por meio dos conhecimentos acerca dos serviços ecológicos, culturais e sociais advindo do usufruto de praças urbanas e a promoção da compreensão e o sentido da preservação e da implementação de infraestrutura verde urbana e perceber os benefícios que as áreas urbanas preservadas são capazes de proporcionar para a saúde física e mental através dos processos educativos inseridos na comunidade. Em um primeiro momento, iremos apresentar o contexto social e histórico da praça no anfiteatro aberto, descrevendo as capacidades educativas a partir de referenciais que tratam da mesma. Será importante a observação e registros de pontos chave, identificando a Praça da Paz como instrumento de educabilidade, e então destacar de que modo as Práticas Integrativas Complementares (Pic's) poderão ser utilizadas no espaço evidenciado. O estudo induz o indivíduo a refletir os potenciais de educabilidade que os espaços verdes urbanos são capazes de ofertar e sugere possíveis técnicas que podem ser empregadas para a promoção do bem em comum à saúde física, psíquica e comportamental concatenada ao meio ambiente- natureza. Em seguida estabelece-se uma linha adjunta no qual empenha-se uni-los em afinidade ao meio em que estão inseridos. Por fim, teremos a realização de uma oficina temática para explorar um dos pontos chave - Implementação das práticas integrativas complementares associadas à educação ambiental.

Em relação às ações para a Comunidade São Rafael indicamos como objetivos, a compreensão dos problemas ambientais e sociais enfrentados nos aglomerados subnormais e sua irradiação para outros locais além do mesmo e da importância das Áreas de Preservação Permanente e sua influência no bem-estar humano. inicialmente, teremos a recepção na praça da comunidade, localizada na entrada principal, onde serão apresentados o contexto sócio histórico da área estudada, sua origem, concepção ambiental do espaço, valoração cultural, caracterização e hábitos com o ambiente urbano. Em seguida, a realização de uma caminhada interpretativa em direção a ponte sobre o Rio Jaguaribe, identificando impactos socioambientais de influência na saúde e na qualidade de vida da população (conceitos ecológicos, relação sociedade – natureza, saneamento, resíduos e ocupação urbana), com os seguintes pontos a serem observados e apontados durante a caminhada: 1) Ausência de bocas de lobo para drenagem da água pluvial; 2) Pontos de lançamento de esgotos a céu aberto; 3) Lugares potenciais de viveiros do aedes aegypti; 4) Ambientes próximos a áreas suscetíveis a deslizamentos. Destaque para a problemática da invasão das apps, tema a ser abordado próximo a ponte sobre o Rio Jaguaribe que liga a comunidade São Rafael a outros aglomerados subnormais. Ali, serão indicados a importância da mata ciliar nos problemas em relação ao assoreamento do rio, além de sua influência nos processos de cheias do rio e os consequentes problemas sobre a população residente. Ademais, junto aos visitantes, observar os pontos de poluição por despejo de efluentes domésticos e lixo no curso do rio.



5. CONCLUSÕES

Com a análise e caracterização dos ambientes propostos, percebemos como cenários de degradação e preservação ambiental estão inseridos no cotidiano da população, agindo de forma positiva ou negativa sobre ela.

O contraste entre diferentes ambientes, como os parques urbanos, praças públicas e os aglomerados subnormais, faz com que diferentes temáticas possam ser trabalhadas na educação dos moradores ou visitantes para a formação de sujeitos ecológicos. O cenário de degradação das comunidades carentes aponta a necessidade de desenvolvimento da consciência ambiental e social voltados ao âmbito em que estão inseridos, buscando o melhoramento contínuo do bem-estar humano e ambiental. Em relação aos parques urbanos, os cenários positivos e negativos devem ser tratados visando a prática da educação de conhecimentos ecológicos que não estão presentes no cotidiano da maioria da população, mas possuem implicações na vida de todos, como as nascentes, eutrofização de corpos hídricos, erosão, entre outros, assim como os impactos antrópicos na natureza. Além disso, às praças públicas, devemos atentar a contemplação efetiva de ações que oportunizem uma visão perceptual aos valores ecossistêmicos atrelados a saúde, capaz de conceber resultados promissores nos espaços verdes urbanos quanto praça, e a sensibilização de um comportamento responsável no caso de espaços de infraestrutura irregular.

Em suma, diversos temas pertinentes, como os que foram citados, podem ser tratados nesses locais no contexto da educação ambiental, seja ela formal ou não formal, da população, sensibilizando e formando cidadãos ativos na preservação do meio ambiente, consequentemente, atuando na formação de sujeitos ecológicos.



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Ilustrações: Silvana Santos