Nada pode substituir o contato com a natureza para o desenvolvimento da consciência ambiental [...] (Genebaldo Freire Dias)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 77 · Dezembro-Fevereiro 2021/2022
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15/12/2021 (Nº 77) EDUCAÇÃO AMBIENTAL E LIXO ORGÂNICO ZERO NA ESCOLA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E LIXO ORGÂNICO ZERO NA ESCOLA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Lucia Raquel Rodrigues Ortiz1



Introdução

Há muito tempo nossa sociedade discute amplamente sobre o cuidado, ou melhor, a falta de cuidado com o meio ambiente realizado por todos os seres humanos. Sabe-se que desde o início da humanidade o homem sempre explorou de forma abusiva o ambiente em que vive.

A partir do momento em que o homem passou a ter conhecimento de suas atitudes em relação ao meio ambiente, o mesmo passou a entender que é parte integrante deste. Por meio desta conscientização buscou-se alternativas, para minimizar os problemas já causados no ambiente (MINC, 2005).

Para Gadotti (2009), temos conhecimento de que podemos destruir toda a vida existente na terra, tudo depende da forma que o homem irá conduzir suas atitudes em relação ao nosso planeta. É o homem que vai decidir o futuro dos novos habitantes da terra, pois o planeta já não é mais como antes. E tal afirmação é percebida em nosso dia-a-dia, em diversos eventos, tais como: temperaturas elevadas, vendavais, tsunamis.

O aumento da população, as possibilidades de consumo ampliadas a cada dia, têm impactado na produção de resíduos sólidos, tornando o descarte destes um problema ambiental cada vez maior. Dados do último relatório da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza e Resíduos Especiais (ABRELPE, 2014) evidenciaram que a produção de resíduos sólidos urbanos em 2014 aumentou em 2,9% em relação ao ano anterior, sendo superior ao aumento da população que foi de 0,9%. Ou seja, cada indivíduo produziu em média 387,63 kg de resíduos, totalizando cerca de 78.583,405 t/ano; destes foram coletados 90,6%; ficando então sem a coleta devida 7 milhões de toneladas dos resíduos produzidos.

O descarte de resíduos de forma inadequada coloca em risco os recursos naturais e a saúde das populações. Ao longo da história muitas epidemias foram causadas pela convivência com os resíduos que favorecem a proliferação de vetores causadores de doenças e a contaminação do ar, da água e do solo (SIQUEIRA; MORAES, 2009).

Segundo dados da Organização das Nações Unidas, atualmente, metade da população mundial vive em regiões urbanas e, esse índice será de 60% em 2030 e chegará perto de 70% em 2050 (BRASIL, 2010).

No Brasil, 85% da população vive em cidades, em Santa Catarina 84% e em Correia Pinto 81% (IBGE, 2010). A alta concentração da população nas áreas urbanas tem ocasionado dificuldades aos órgãos públicos para manter o equilíbrio espacial, social e ambiental em seus territórios.

É necessário buscar alternativas viáveis para o descarte correto e ambientalmente adequado para os resíduos produzidos pela sociedade. É preciso buscar o desenvolvimento dessas soluções com baixo custo e participação social, o que se torna um grande desafio para a enorme geração de resíduos sólidos em todo o país.

Partindo desse princípio, buscamos replicar no município de Correia Pinto, um projeto iniciado e em desenvolvimento desde 2012 no município de Lages/SC, o “Projeto Lixo Orgânico Zero” que tem orientado a separação do lixo seco (potencialmente reciclável) do lixo orgânico, oportunizando a destinação do resíduo orgânico no local onde foi gerado, ou seja, nas residências, escolas, empresas e/ou condomínios a partir da implantação da Minicompostagem Ecológica (Anuário Lages em Desenvolvimento, 2013).

A compostagem é uma forma de destinação final ambientalmente adequada para os resíduos orgânicos conforme o Art. 3º, inciso VII, da Lei 12.305/2010, porém mesmo sendo adequada, ainda é pouco utilizada.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) destacam a importância de direcionar ações para a melhoria da qualidade de vida e a mudança de atitudes com o meio ambiente. Neste documento são apresentadas algumas reflexões sobre o processo educacional propriamente dito, com destaque para a explicitação de indicadores para a construção do ensinar e do aprender em Educação Ambiental. Considerando que a escola tem papel fundamental na formação dos indivíduos e que o aprendizado é facilitado quando há vivências práticas, ou seja, a melhor forma de ensinar os alunos é quando o mesmo passa a ter contato diretamente com o objeto de estudo (OLIVEIRA et al., 2012).

O objetivo deste estudo foi replicar o Projeto Lixo Orgânico Zero a partir da Minicomposteira Ecológica – MCE para a destinação de resíduos orgânicos na Escola de Educação Básica Nossa Senhora dos Prazeres incentivando uma prática de destinação e redução do lixo orgânico caseiro aos alunos e funcionários da instituição.



Resíduos sólidos - Município de Correia Pinto

No município de Correia Pinto, a realidade não é diferente, pois assim como em outros lugares, é notório o descaso com o meio ambiente por parte dos moradores da cidade, os quais, muitas vezes, descartam seus resíduos em qualquer lugar e de qualquer modo, não se importando com os malefícios que este causará na natureza.

Correia Pinto é um pequeno município que localiza-se na região da AMURES – Associação dos Municípios da Região Serrana/SC e tem uma população estimada de 13.358 habitantes (IBGE 2017).

Segundo dados coletados junto à Prefeitura de Correia Pinto, o município produz uma quantidade média de resíduos sólidos de 160 toneladas/mês (Julho/2017), custando ao município R$ 524,78 a tonelada, o que significa um valor aproximado de 85.000,00/mês; impactando aproximadamente em 3% do orçamento anual.

A coleta é realizada pela Empresa Serrana/Lages e os resíduos não são seletivos, sendo que a coletadora os destina em aterro sanitário localizado na localidade de Índios. A coleta seletiva é realizada apenas pelos poucos catadores autônomos.

Um levantamento foi realizado para ter conhecimento do descarte do lixo produzido pela população e o resultado enviado a escolas, Unidades Básicas de Saúde (UBS), Fundação Hospitalar, Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, laboratórios, clínicas veterinárias e a diversas pessoas físicas. Com a participação de 78 pessoas e representantes de entidades pôde-se verificar que os maiores volumes produzidos são do “lixo caseiro” e a reciclagem é uma iniciativa individual. O lixo separado é entregue aos catadores locais, pois não há coleta seletiva de resíduos.

Partindo desse levantamento, percebeu-se a necessidade de se desenvolver uma ação efetiva para atingir os moradores, pois dessa forma pode-se minimizar o problema e principalmente, pela implantação de projetos de educação ambiental para crianças e jovens, atingir uma boa parcela da população.

Uma iniciativa de sucesso na cidade vizinha foi o “Projeto Lixo Orgânico Zero em Lages-SC” onde foi possível destribuir grandes quantidades de resíduos (200 a 300 kg/m2/ano) em pequenos espaços como canteiros, jardineiras e vasos, sem que os resíduos ficassem visíveis e sem produção de odor desagradável, insetos e chorume. A mistura com outros resíduos orgânicos abundantes, e de difícil decomposição, além do baixo custo e facilidade de manejo deste sistema, são os responsáveis pelo sucesso desta tecnologia sob controle social.

Além disso esse método preconiza a separação do lixo seco do úmido. O lixo orgânico gerado representa em torno de 60% do volume total do resíduo urbano, enquanto que o lixo potencialmente reciclável (papel, papelão, plásticos, metais e vidros) chega a 35%. Esse material se perde porque os moradores e o processo de coleta misturam os dois tipos de lixo. A solução é a separação e a destruição total do lixo orgânico no local onde ele é gerado.



METODOLOGIA

O método do estudo refere-se a pesquisação que agrega diversas técnicas de pesquisa social com as quais se estabelece uma estrutura coletiva, participativa e ativa no nível da captação de informação e requer a participação dos envolvidos na problematização, ou seja, ampla e explícita interação entre pesquisadores e as pessoas pesquisadas (THIOLLENT, 1998).

Conforme Koerich (2009), a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa interpretativa que abarca um processo metodológico empírico. Compreende a identificação do problema dentro de um contexto social e/ou institucional, o levantamento de dados relativos ao problema, à análise e significação dos dados levantados pelos participantes, a identificação da necessidade de mudança, o levantamento de possíveis soluções e por fim, a intervenção e/ou ação propriamente dita no sentido de aliar pesquisa e ação, simultaneamente.

Optou-se pela ‘pesquisação estratégica’ onde a transformação é previamente planejada sem a participação dos sujeitos, em que o pesquisador avalia os resultados de sua aplicação (FRANCO, 2005).

Etapas da intervenção:

  1. Contato com a escola;

  2. Problematização sobre o lixo orgânico que produzimos, através de Palestra com professores, alunos do 3º ano e os funcionários da cozinha da Unidade Escolar;

  3. Viagem de Estudos ao Projeto Caminhos do Lixo: Cooperativa COOPERLAGES – Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Lages e na Empresa Serrana, a qual recebe os resíduos descartados de 17 municípios de Região Serrana;

  4. Entrega dos materiais para o início do projeto (serragem, sementes, mudas);

  5. Acompanhamento mensal do desenvolvimento do projeto;

  6. Realização de Reportagem para jornais locais sobre o desenvolvimento do Projeto.

Para a realização das Minicomposteiras Ecológicas (MCEs) foi necessário:

  1. Separar, na origem, ou seja, na cozinha, os resíduos orgânicos dos demais resíduos sólidos;

  2. Escolher um local para fazer as MCE. Poderia ser um canteiro no solo, uma jardineira, um grupo de vasos, entre outros. No caso da escola, já haviam canteiros cercados de alvenaria em desuso;

  3. Os resíduos orgânicos foram colocados sobre a terra, concentrados em uma camada de 8 a 20 cm de altura, sem espalhar;

  4. Os resíduos orgânicos foram cobertos com serragem;

  5. Este processo foi repetido diariamente, nos dias em que foram servidos lanches com resíduos orgânicos, colocando-os lado a lado;

  6. O zelador da escola foi o responsável por depositar os resíduos da cozinha, e mexeu os resíduos com um pedaço de madeira algumas vezes (geralmente uma vez por semana);

  7. Após 20 a 40 dias a compostagem estava pronta e plantamos mudas ou sementes de hortaliças, temperos, chás, flores sobre o material já decomposto;

  8. A terra produzida na composteira foi levada até o canteiro frontal da escola para a produção de uma floreira; pois este processo também pode ser realizado em um local fechado (como uma garagem) e o material, depois de pronto, pode ser levado para uma horta ou jardim;

  9. Seguindo estas orientações, o solo ficou completamente coberto com uma espessa camada de matéria orgânica humificada. Todas as sementes ou plantas, que estavam neste solo, são sufocadas por esta camada e a vegetação não brota e as sementes de inços não germinam. Portanto, o solo do canteiro não necessita ser virado com pá e também não se faz necessário o uso de enxadas para capinar após o plantio das hortaliças. Esta espessa camada também mantém elevada a umidade do solo e a irrigação pode ser reduzida em 60 a 80% quando comparada com uma horta tradicional.



RESULTADOS

A Proposta Curricular de Santa Catarina atualizada em 2014 trouxe para a área de Ciências Humanas o desafio de estimular os estudantes à compreensão do sentido de pertencimento ao mundo, ao destacar

para que esses se sintam corresponsáveis por ele e pelos processos que nele são projetados” de maneira que os profissionais das escolas contribuam para análises críticas acerca das experiências humanas que resultem em novos saberes e fazeres de forma a estimular o agir para transformar a si e a sua realidade (SANTA CATARINA, 2014).

A intrínseca interdisciplinaridade da educação ambiental é um importante instrumento de reflexão das pessoas no processo de mudança de atitudes em relação ao descarte ambientalmente adequado dos resíduos produzidos e a valorização do meio ambiente (GUSMÃO, 2000). Partindo deste princípio, esse projeto buscou através de uma grande escola do município, contribuir para a sustentabilidade local e mudança de atitude frente a um grande problema ambiental.

O projeto iniciou com o um contato com a direção da escola para a exposição do objetivo e, houve o interesse da instituição tendo em vista a sugestão de melhoria os canteiros de flores do pátio. Porém, a escola passou por reformas entre maio e julho e deixou de ter as floreiras em seu interior, ficando apenas no portão de entrada.

O primeiro encontro com a EEBNSP aconteceu em outubro de 2017 com os 40 alunos do terceiro ano do Ensino Médio do período matutino, número constante na época, atualmente a turma conta com 32 alunos. O objetivo do encontro foi promover a reflexão do lixo orgânico que produzimos e como realizamos o seu descarte e por estratégia realizou-se uma exposição dialogada, ministrada pela pesquisadora e sua professora orientadora. Os alunos participaram comentando que na casa deles já fazem a separação do lixo e que na cidade se conta com os catadores de lixo já populares entre a população. Relataram também que há 4 anos atrás o projeto da minicompostagem foi desenvolvido na escola, mas que não sabiam o motivo de ter parado. Nesse encontro os alunos se comprometeram na realização das atividades do projeto na escola.

O segundo encontro ocorreu no mês de outubro de 2018, com uma visita ao projeto “Caminhos do Lixo” desenvolvido pela Secretária do Meio Ambiente de Lages. Para desenvolver essa etapa do projeto foram firmadas diversas parcerias, entre elas:

  1. Com a Secretaria do Meio Ambiente de Lages, pelo contato com a professora Silvia Maria Alves da Silva de Oliveira, autora do Artigo Minicompostagem Ecológica: uma estratégia de educação ambiental nas escolas de Educação Básica em Lages-SC; e esta nos levou a conhecer o “Projeto Caminhos do Lixo”, gentilmente acompanhou a visita e fez explanações sobre os destinos do lixo da região, juntamente com os técnicos dos lugares visitados, a COOPERLAGES e o aterro sanitário da Empresa Serrana;

  2. Com a Empresa Klabin, a qual nos cedeu o transporte para a Viagem de Estudos ao Projeto Caminhos do Lixo, em Lages/SC;

No aterro sanitário, fomos recebidos por funcionários da Empresa Serrana que nos acompanharam e explanaram aos alunos a diferença entre lixão e aterro sanitário, o funcionamento do aterro desde o depósito do lixo nas células, a canalização e o tratamento do chorume e a drenagem do gás metano, proveniente da decomposição do lixo.

No dia de campo (foto), os alunos colaboraram produzindo os canteiros, preparando a terra, semeando, plantando as mudas de flores e puderam perceber o resultado na terra, pois esta apresentava grande facilidade de plantio.

A E.E.B Nossa Senhora dos Prazeres é a maior escola do município de Correia Pinto, tendo atualmente 706 alunos distribuídos nos períodos matutino, vespertino e noturno e distribuindo almoço para alunos que fazem parte do Projeto de Educação Integral. Em média produz 2,5kg de resíduos orgânicos diários, pois há dias em que o cardápio prevê refeições que não produzem matéria orgânica.

Com o projeto em andamento, a escola deixou de enviar ao aterro sanitário 112,5kg de resíduos orgânicos semanalmente; e, considerando um ano letivo de 200 dias, poderá evitar que 4.500kg/ano sejam depositados no aterro sanitário.

Um primeiro passo foi dado na escola ao incluir o “Projeto Lixo Orgânico Zero” na escola, no entanto como ressalta Guimarães, et al. (2012) os projetos geralmente são desenvolvidos de maneira isolada, com pouca sistematização e com pouca participação dos professores, o resultado da falta de apoio e de recursos, o que remete a necessidade da escola elaborar um planejamento mais cooperativo e organizado para permitir um trabalho interdisciplinar e exequível, através de ações de educação ambiental efetivas inseridas no PPP.

Segundo Silvia de Oliveira (2016), os resultados de um estudo como este evidencia que apesar de algumas dificuldades, um alto percentual de resíduos orgânicos foi encaminhado à Minicomposteiras Ecológicas (MCE) o que permitiu aos envolvidos aprenderem essa prática implementando-as em suas residências. Assim, o projeto serviu de orientação para que os resíduos orgânicos domésticos sejam corretamente descartados no espaço onde forem gerados. Vale ainda ressaltar que o apoio e o estímulo constante da equipe responsável pelo projeto oportunizando o acompanhamento e momentos de reflexão impulsionaram os envolvidos para a ação envolvendo-os em atividades significativas, reflexões e busca de soluções para problemas cotidianos.

A promoção da educação ambiental é obrigação legal e esta prática educativa deve ser integrada, contínua e permanente no ambiente escolar, sendo os educadores os responsáveis por ampliar as vivências dos estudantes, porém os educadores necessitam de capacitação contínua, carga horária compatível com o trabalho desempenhado e estrutura para viabilizar a execução dos projetos ( SANTA CATARINA, 1998).



CONSIDERAÇÕES FINAIS

A educação ambiental é essencial e deveria estar presente, de forma articulada em todos os níveis do processo educativo. Ela pode contribuir para solucionarmos diversas questões, como fortalecer a compreensão sobre as boas práticas de reciclagem do lixo que é de responsabilidade de todos. A possibilidade da organização de um projeto futuro para efetivar um destino apropriado e benéfico do lixo, que esta poderá contar com a iniciativa pública e privada poderá permitir um resultado significativo para redução e destinação correta de nossos resíduos, e trazer ótimos resultados ao meio ambiente garantindo um contexto melhor para se viver.

Mas o que realmente a população está produzindo é lixo ou resíduo? Para os cidadãos comuns todos os restos são considerados como lixo e produzimos diariamente toneladas de materiais que a maioria considera descartáveis. Conceitualmente lixo é qualquer coisa que não é mais utilizada pelo seu dono e que não desperta interesse em outra pessoa, portanto quem define o que é lixo é o próprio consumidor. Por outro lado, resíduo, material descartado que não serve mais para um indivíduo pode servir para outras pessoas ou por empresas para a fabricação de outros produtos.

O objetivo deste estudo foi alcançado com desenvolvimento do Projeto Lixo Orgânico Zero a partir da Minicomposteira Ecológica – MCE para a destinação de resíduos orgânicos na Escola de Educação Básica Nossa Senhora dos Prazeres e incentivou uma prática de destinação e redução do lixo orgânico caseiro aos alunos e funcionários da instituição.

No decorrer dessa experiência, observamos que houve grande empenho por parte dos envolvidos, principalmente dos servidores da merenda e limpeza. Pelo grande número de alunos da escola, o volume de lixo diário produzido nesse espaço é considerável, o que torna a destinação correta do lixo um exemplo de prática ambientalmente correta.

O projeto oportunizou reflexões, debates e práticas que ampliaram o aprendizado dos estudantes em relação à temática, promoveu maior capacidade de percepção e o senso de pertencimento e corresponsabilidade com relação aos problemas de gestão dos resíduos da escola e sociedade, quebrando paradigmas consolidados com relação à destinação dos resíduos domésticos.

A escola como um todo e os estudantes envolvidos com a implantação do “Projeto Lixo Orgânico Zero” tiveram a oportunidade de refletir sobre o consumo, geração de resíduos e descarte e de experimentar soluções viáveis para a destinação dos resíduos orgânicos a partir da otimização da MCE.



REFERÊNCIAS

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MINC, Carlos. Ecologia e cidadania. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2005.

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REVISTA CIENTÄFICA ELETRÔNICA DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DA EDUVALE Publicação científica da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Vale de São Lourenço - Jaciara/MT Ano V, Número 07, novembro de 2012 – Periodicidade Semestral – ISSN 1806-6283

Departamento de Agronomia do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

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1 Professora do Ensino Fundamental, Especialista em Desenvolvimento Regional e vereadora em Correia Pinto, SC.

Ilustrações: Silvana Santos