Tudo o que temos a fazer [...] é colocar nosso jeito de viver dentro dos meios ecológicos conhecidos. (Marcus Eduardo de Oliveira)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 78 · Março-Maio/2022
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15/03/2022 (Nº 78) O USO DE METODOLOGIAS ATIVAS NO ENSINO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA CIDADE DE TERRA SANTA – PARÁ
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O USO DE METODOLOGIAS ATIVAS NO ENSINO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA CIDADE DE TERRA SANTA – PARÁ



Esp. Francinei da Silva Cazé¹. francycaze@gmail.com ; Msc. Raimundo Alves dos Reis Neto². raimundo.reis@ifpa.edu.br; Msc. Bruna Naiara Rocha Garcia². bruna.garcia@ifpa.edu.br; Msc. Antônio Paulo Bentes Figueira². antonio.figueira@ifpa.edu.br; Msc. Luiz Fernando Reinoso². luiz.reinoso@ifpa.edu.br

¹ Secretaria de Educação de Terra Santa.

² Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará



RESUMO

Educar jovens para que tenham uma maior consciência ambiental requer esforço. O presente trabalho realizou uma análise da atuação dos professores das séries finais do Ensino Fundamental II na abordagem dos conteúdos sobre Educação Ambiental – EA em suas aulas, analisou se os docentes utilizam metodologias ativas, avaliou a participação dos educandos nas atividades realizadas, e a receptividade dos alunos ao uso dessas metodologias na abordagem dos conteúdos sobre Educação Ambiental. O presente trabalho foi desenvolvido na cidade de Terra Santa, Pará, utilizando como instrumento de coleta de dados questionário semiestruturado sobre a temática Educação Ambiental no contexto de sala de aula utilizando as metodologias ativas no processo de ensino. Procurou conhecer o trabalho, e o nível de conhecimento dos professores sobre as metodologias ativas, se estas metodologias quando utilizadas permitem que o educando, compreenda, questione e busque formas de interagir com o ambiente que beneficiem a todos, aferir que o conteúdo sobre meio ambiente pode ser trabalhado nas disciplinas, de forma integrada sem a necessidade de acrescentar ou suprimir conteúdo específicos.

Palavras-chave: Educação Ambiental. Metodologia ativa. Professores.

ABSTRACT

Educating young people to have greater environmental awareness requires effort. The present work carried out an analysis of the performance of teachers of the final grades of Elementary School II in approaching the contents of Environmental Education - EA in their classes, analyzed whether teachers use active methodologies, evaluated the participation of students in the activities carried out, and the receptivity of students to the use of these methodologies in the approach of contents on Environmental Education. The present work was developed in the city of Terra Santa, Pará, using as a data collection instrument a semi-structured questionnaire on the theme Environmental Education in the context of the classroom using active methodologies in the teaching process. It sought to know the work, and the level of knowledge of teachers about active methodologies, if these methodologies when used allow the student to understand, question and seek ways to interact with the environment that benefit everyone, verify that the content on the environment can be worked on in the disciplines, in an integrated way without the need to add or delete specific contente.

Key words: Environmental Education. Active methodology. Teachers.



INTRODUÇÃO

A Educação Ambiental vem sendo debatida em diferentes espaços sociais. Nas escolas, esse debate permite que os alunos entendam que as alterações das condições ambientais ao longo do tempo, acarretam diversas consequências.

Sobre o tema da Educação Ambiental, Brasil (1999) relata na Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 o seguinte:

Art. 1º Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

Na escola, a Educação Ambiental não deve ser trabalhada somente com ações como: não jogar papel no chão ou não desperdiçar água. Os educandos devem questionar sobre as questões ambientais, discutir sobre a real importância da interação do meio socioambiental em que se encontram, para que possam valorizar a si mesmo e o outro.

A Educação Ambiental busca criar uma consciência comprometida com mudanças que vão contribuir nas transformações culturais, individuais e sociais, fazendo com que as pessoas comecem a questionar sobre essas necessidades do agir, em favor do que vai se contribuir com o todo.

O tema Educação Ambiental abordado nas escolas de maneira tradicional desperta pouco interesse nos alunos, sendo necessário a busca de metodologias de ensino que venham contribuir nessas articulações.

O perfil dos alunos mudou, houve também mudanças no processo de ensino-aprendizado. Dessa forma, o uso de metodologias ativas, na qual, o aluno é o protagonista no processo de ensino, ficando o professor como orientador, torna-se uma alternativa para maior engajamento dos alunos no processo de ensino.

Os educadores utilizam diferentes metodologias ativas procurando despertar nos educandos o estímulo pelo questionamento do seu meio socioambiental. De acordo com este estudo os temas mais discutidos em Educação Ambiental foram as práticas de queimadas. Sobre as dificuldades citadas, ficou evidente a falta de materiais e de conhecimento sobre o tema por alguns professores.

Educação Ambiental

O ensino da Educação Ambiental possui relevância no sistema educacional brasileiro, em especial, para as futuras gerações, permitindo nortear a forma mais apropriada de estimular mudanças, sejam mudanças comportamentais, sociais ou culturais, as quais poderão contribuir para reduzir o impacto que o ser humano causa no ambiente.

Brasil (2000) ao abordar A Carta da Terra em seu princípio 14) indica que se deve “integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável”. Oferecendo a todos, especialmente as crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.

As diretrizes da Educação Ambiental buscam estabelecer uma prática de ensino associado ao movimento ambientalista, abordando questões de valores éticos, políticas de convívio social, danos da apropriação e do uso da natureza. Essa forma de educar almeja conservar o meio ambiente através do desenvolvimento sustentável e uso racional do uso dos recursos naturais, diminuindo assim os impactos no ecossistema.

Segundo Cuba (2004 apud Dias 2010, p. 28).

A Educação Ambiental na escola não deve ser conservacionista, ou seja, aquela cujos ensinamentos conduzem ao uso racional dos Recursos Naturais e à manutenção de um nível ótimo de produtividade dos ecossistemas Naturais ou gerenciados pelo Homem, mas aquela educação voltada para o meio ambiente que implica uma profunda mudança de valores, em uma nova visão de mundo, o que ultrapassa bastante o estado conservacionista.

A escola entende que o meio ambiente não está fora do contexto escolar, e sim, é o ponto de partida para uma sensibilização coletiva, quando estimula o educando a ser um questionador analítico, ampliando sua visão de que o equilíbrio ambiental traz benefícios para ele e para todos consegue inserir na sociedade um cidadão consciente.

BNCC e Educação ambiental.

Os diversos problemas ambientais ocorridos nas últimas décadas têm levado o ser humano a repensar na forma como dispõe dos recursos ambientais do Planeta. Diversas conferências têm sido realizadas buscando amenizar tais problemas e a escola como instituição formadora não pode ficar de fora nessa tentativa.

Na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) a temática ambiental aparece entre as competências gerais: “agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários”.

Abordar a Educação Ambiental de forma interdisciplinar e transversal possibilita que os educandos compreendam de maneira sistêmica o conceito de sustentabilidade, em toda a sua complexidade, que envolvem os aspectos econômicos, sociais, políticos e culturais. No entanto, as escolas continuam abordando a Educação Ambiental de forma pontual como, por exemplo, o dia mundial da água ou por meio de ações de práticas de reciclagem ou de construção de hortas, sem que sejam promovidas paralelas a essas atividades discussões sobre consumo consciente dos recursos naturais e produção de lixo, entre outras questões que afetam direta ou indiretamente a saúde do Planeta.

Trabalhar a Educação Ambiental de forma interdisciplinar contribui para que os temas ambientais estejam presentes no currículo de maneira organizada e permanente, essa tarefa nem sempre é simples de ser executada na atualidade. Por isso, para um melhor desenvolvimento dos temas ligados a Educação Ambiental os educadores têm recorrido a utilização de metodologias ativas, ferramentas que podem contribuir na aprendizagem e na socialização dos educandos, estimulando os alunos a buscar soluções sobre questões que envolvam o seu meio, que promova interação permitindo aos mesmos ouvir e trocar opiniões.

O professor ao criar desafios como jogos ou atividades utilizando as tecnologias adequadas, trabalhos em grupo, pesquisas, tornará o aprendizado mais interessante, e com isso estimulará a participação do educando.

Para Richartz (2015, p. 298):

Através das metodologias ativas, é possível usar a problematização como estratégia de ensino-aprendizagem. Com problemas reais, o discente costuma estar muito mais motivado para examinar, refletir e pode relacionar à sua história o que é investigado, ressignificando suas descobertas. Problematizar facilita o contato com as informações, bem como a produção do conhecimento, objetivando solucionar os impasses e possibilitando o próprio desenvolvimento.



METODOLOGIA

Participaram desta pesquisa 34 professores (6º ao 9º ano) que ministram disciplinas do currículo municipal de educação em 4 escolas do ensino fundamental, da cidade de Terra Santa.

O formulário aplicado foi dividido em três estágios, o primeiro estágio procura conhecer os participantes da pesquisa. O segundo estágio procurou averiguar o conhecimento dos participantes referente aos conceitos das metodologias ativas. O terceiro estágio, tem como finalidade avaliar o emprego das metodologias ativas na Educação Ambiental. A aplicação do formulário se deu no período de 24 a 28 de março de 2021, via plataforma Gsuite.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

CONHECENDO OS PARTICIPANTES

O primeiro estágio traçou um perfil da faixa etária dos profissionais entrevistados, foi observado que 27 professores, 79,4% dos entrevistados estão na faixa etária que vai de 31 a 55 anos de idade.

Gráfico 1: Faixa etária dos entrevistados.

Estes dados corroboram com estudos realizados por Brasil (2009), que relata que a média de idade dos professores da educação básica é de 38 anos e tem uma pequena variação, de apenas 5 anos, quando se toma o conjunto de docentes de cada etapa, e que as idades que aparecem com mais frequência (moda) cobrem um intervalo de 14 anos, variando entre 28 e 42 anos.

É interessante observar que em uma escala de 5 em 5 anos, não houve a participação de pessoas com faixa etária entre 56 aos 60 anos. Esse fato pode estar ligado ao relato de Iório (2017, p.5).

O professor tem algumas vantagens na concessão da aposentaria: a primeira distinção está relacionada à possibilidade de usufruir mais de um benefício, mais de uma aposentadoria como professor; a segunda ao tempo de contribuição, o professor tem reduzido em cinco anos o tempo para se aposentar, no caso da mulher são 25 anos de contribuição e para o homem são 30 anos de contribuição, independentemente da idade cronológica do professor. O que não ocorre com outros profissionais, que tem em cinco anos aumentados o tempo de contribuição para ter direito a tal benefício.

Observamos ainda em atuação, 3 professores com idades entre 61 e 65 anos, nesta idade, muitos professores já se aposentaram, esses 8,8% podem ser profissionais que iniciaram tardiamente seu trabalho docente e por isso ainda não conseguiram aposentadoria.

Em seu estudo sobre este aspecto Iório (2017) aborda que alguns docentes ingressam no magistério após a formação acadêmica, outros, entretanto, trilham outros percursos profissionais iniciando a carreira docente tardiamente, acumulando duas profissões distintas, ou após se aposentarem de outros campos profissionais.

Analisando a distribuição de professores por sexo. gráfico 2, verifica-se que os docentes do sexo masculino têm pouca expressividade nas unidades escolares. Nesta pesquisa, isso ficou evidente, as mulheres somam 71%, enquanto os homens, representam 29%. Este fato é corroborado por Brasil (2009) ao abordar que o professor “típico” no Brasil é do sexo feminino, de nacionalidade brasileira e tem 30 anos de idade.

Gráfico 2: Perfil dos professores entrevistados por sexo.

O trabalho de Hirata (2019) reforça o que foi percebido na presente pesquisa ao relatar que professores são, majoritariamente, mulheres, com maior taxa de participação na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. A participação de mulheres diminui nas etapas seguintes, mas elas continuam sendo maioria.

Brasil (2009) observa que nas creches, na pré-escola e nos anos iniciais do ensino fundamental, o universo docente é predominantemente feminino (98%, 96% e 91%, respectivamente). No entanto, a cada etapa do ensino regular amplia-se a participação dos homens, que representam 8,8% nos anos iniciais do ensino fundamental, 25,6% nos anos finais e chegam a 35,6% no ensino médio. Somente na educação profissional encontra-se situação distinta, pois há uma predominância de professores do sexo masculino.

No tocante a escolaridade dos professores (100%) possui ensino superior completo, uma vez que a legislação vigente, Lei nº 9394/ 1996, não permite que profissionais sem graduação trabalhem no ensino das séries finais do fundamental. (BRASIL,1996).

Este fato encontra respaldo no estudo desenvolvido por Brasil (2009) no que se refere à escolaridade dos professores da educação básica, o referido estudo mostra que 68,4% dos professores possuem graduação e que dos professores com graduação 90% possuem licenciatura – formação adequada para atuar na educação básica. 64,7% dos professores participantes possuem especialização em suas áreas, o que corresponde a 22 professores especialistas de um total de 34 graduados.

Brasil (2009) observa que a formação inicial e continuada dos professores é uma questão relevante nas políticas educacionais. No Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), a qualificação do docente constitui um de seus pilares de sustentação, com a criação do piso salarial nacional para o professor e o estímulo e a ampliação do acesso dos educadores à universidade.

Sobre o elevado número de professores com especialização em Terra Santa observa-se que a Lei de planos cargos, carreiras e remunerações do município dispõe sobre a progressão do servidor, ou seja, quanto maior a graduação do professor, maior sua remuneração.

A baixa quantidade de professores mestres em sala de aula deve ocorrer devido ao fato do município de Terra Santa ofertar apenas cursos universitários até o nível da especialização, por universidades particulares, que por sua vez possuem apenas cursos EAD e semipresencial. Tornando-se um impedimento para aqueles que desejam continuar, mas que não possuem alternativas viáveis à sua realidade

No tocante ao desempenho de suas funções verificou-se que os professores ministram aulas em várias turmas seja de uma ou mais disciplinas, gráfico 3. Estudos realizados pelo INEP (2009, p.36) mostram o seguinte:

Os dados revelam que 56,8% dos professores atuam em até quatro turmas e 60,7% lecionam apenas uma disciplina. Isto significa que um mesmo professor é regente de classe em um maior número de turmas, porém tende a lecionar a mesma disciplina em todas elas. Desse modo, já aparece, aqui, um número expressivo de docentes que assume uma carga de trabalho mais elevada, expressa em uma quantidade maior de turmas.

Gráfico 3: Turmas atendidas pelos professores.

Também ficou evidente que a quantidade de professores por disciplinas, gráfico 4, extrapola a quantia de 34 professores esse fato ocorre porque muitos professores ministram mais de 1 disciplina para completar sua carga horária.

Gráfico 4: Disciplinas ministradas pelos professores.

CONHECIMENTO SOBRE METODOLOGIAS ATIVAS

O estágio 2, avaliou a atuação docente do 6º ao 9º do município de Terra Santa, sobre as metodologias ativas e como estas são adotadas em sala de aula. Foi questionado de modo objetivo se os docentes conhecem as metodologias ativas (gráfico 5).

Gráfico 5: Conhecimento sobre as metodologias ativas.

Verifica-se que 88% dos participantes conhecem as metodologias ativas. Para Freire (2006) a metodologia ativa é uma concepção educativa que estimula processos construtivos de ação-reflexão-ação, em que o estudante tem uma postura ativa em relação ao seu aprendizado numa situação prática de experiências, por meio de problemas que lhe sejam desafiantes e lhe permitam pesquisar e descobrir soluções, aplicáveis à realidade.

Apenas 12% não conhecem o tema, isso evidencia o quanto os professores da rede municipal estão dinamizando suas técnicas de ensino, em uma era em que o ensino tem como concorrente as atratividades dos avanços tecnológicos.

Segundo Gemignani (2012) os professores devem estar aptos a agregar para si transformações em suas práticas, já que o método tradicional tem se mostrado ineficaz e ineficiente em função das exigências da realidade social, da urgência em ampliar o acesso escolar e cultural da classe menos favorecida dado o avanço tecnológico e científico.

Desse modo, o professor tem que estar sempre em constante atualização, visto que é cobrado de inúmeras maneiras, em particular pelas famílias dos alunos, uma vez que “na mentalidade popular”, se o aluno não assimilou um conteúdo, a culpa recai sobre a didática que o docente utiliza.

Conhecer e utilizar as metodologias ativas não é uma tarefa simples, pois os docentes necessitam estabelecer parâmetros didáticos aceitáveis pela gestão e coordenação pedagógica da escola, que geralmente avaliam o desempenho do professor com base nas notas ou pela quantidade de alunos reprovados.

Muitos professores conhecem, mas não utilizam as metodologias ativas, isso possivelmente ocorre devido ao elevado número de turmas em disciplinas diferentes, o que demanda do profissional, atualizações constantes das suas práticas didáticas. As principais metodologias ativas utilizadas pelos professores podem ser observadas no gráfico 6.

Gráfico 6: Principais metodologias ativas utilizadas em sala de aula.

Como metodologia mais usada pelos participantes se destaca o seminário, outras práticas vêm sendo utilizadas pelos profissionais. Sobre estas mudanças Moran faz o seguinte relato.

Pensar sobre a educação é pensar na ciência, na tecnologia, na saúde e, principalmente, na cultura, e de maneira articulada. O uso de tecnologias de mídia social promete apoiar a prática pedagógica no século XXI em muitos aspectos. Se for bem planejado e implementado como ferramentas inovadoras para a aprendizagem, ensino e avaliação (MORAN, 2014).

Torna-se importante que seja analisado com atenção a opção outras, que foi marcada por 9 dos 34 participantes. Os que marcaram essa opção puderam explicitar, as metodologias usadas além das opções disponibilizadas na pergunta. Obtendo as seguintes respostas.

  • Ensino remoto através de WhatsApp e ligação telefônica.

  • Gravação da explicação do assunto passado para o aluno, e postado nos grupos de WhatsApp.

  • Orientação via WhatsApp e apostila

  • Aulas virtuais por Apostila e grupo de WhatsApp

  • Sequência didática

  • Aulas remotas através de WhatsApp e apostila.

  • Desenvolvimento de projetos

  • Nenhuma

As respostas dadas pelos professores, corroboram ainda mais, para se esclarecer a respeito da disponibilidade do próprio docente em manter suas práticas atualizadas e dinâmicas.

A sequência de ações didáticas listadas pelos participantes, notabiliza o quanto os professores têm se atualizado acerca das tecnologias digitais contemporâneas, usando estratégias que levam em consideração o conhecimento dos alunos, como redes sociais. Sobre este processo da adaptação dos professores Pereira (2018, p.52) tece o seguinte comentário:

Os professores e as escolas precisam adaptar-se a um processo de aprendizado diferente e bem mais difícil. Uma educação transformadora se dá com a adoção de ações pedagógicas que reflitam a complexidade da era presente. Se for dado o ambiente de trabalho adequado, os benefícios de um deslocamento de um modelo tradicional, da transmissão da informação a um modelo que seja personalizado, colaborativo e interativo serão enormes.

Quando questionados sobre a aceitação das metodologias ativas como uma estratégia dinâmica no processo de ensino-aprendizagem, o gráfico 7, mostra que os alunos apoiam o uso de práticas criativas ou não tradicionais, 24 professores avaliaram positivamente a participação dos alunos quando desenvolvidas práticas da metodologia ativa.

Gráfico 7: Aceitação das metodologias ativas pelos alunos.

Esse fato ocorre segundo Paiva (2016) porque o professor ao planejar sua atuação em sala de aula, adota uma postura de estar “aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimentos”. Dessa forma o professor pode criar diferentes estratégias para obter o máximo de benefícios com as metodologias ativas para a formação de seus alunos.

Paiva (2016), observa que na utilização das metodologias ativas se desenvolve a ideia de educação problematizadora em oposição à noção de educação bancária. Esse movimento não é de “enchimento” dos educandos com um conhecimento imposto; o caminho da educação problematizadora implica que o educando possa desenvolver seu processo de compreensão e captação do mundo em sua relação com a realidade em transformação.

Os dados da pesquisa encontram respaldo no trabalho de Cunha et al. (2017) que aborda que a percepção dos discentes quanto a utilização das metodologias ativas nas disciplinas, facilitam no aprendizado e demonstraram maior aceitação dos métodos ativos frente aos tradicionais, e que a utilização de metodologias ativas, permitem, aos discentes, uma maior compreensão dos conteúdos ministrados.

Ainda segundo Cunha et al. (2017) é importante aliar ao ensino tradicional as práticas de metodologias ativas de ensino aprendizagem, tendo em vista que por meio delas pode-se notar um aprimoramento no processo de construção do conhecimento, promovendo resultados significativos no aprendizado dos discentes.

O desenvolvimento da Educação Ambiental no ensino brasileiro deve ser realizado através dos chamados “temas transversais” que dizem respeito a conteúdos de caráter social incluídos no currículo do ensino fundamental, de forma transversal, não como uma área de conhecimento. Brasil (1997) ao abordar com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) relata:

A transversalidade promove uma compreensão abrangente dos diferentes objetos de conhecimento, bem como a percepção da implicação do sujeito de conhecimento na sua produção, superando a dicotomia entre ambos. Por essa mesma via, a transversalidade abre espaços para a inclusão de saberes extraescolares, possibilitando a referência a sistemas de significados construídos na realidade dos alunos (BRASIL, 1997).

Na pesquisa, quando os docentes foram abordados se trabalhavam a Educação Ambiental em sua disciplina observou-se que a temática ambiental foi desenvolvida por (76%) dos entrevistados, gráfico 8.

Gráfico 8: Professores que abordam a Educação Ambiental em suas disciplinas.

Levando em consideração que temos 10 disciplinas na grade curricular municipal neste nível de ensino, considera-se satisfatório o número de docentes que abordam a temática ambiental em suas aulas.

Na aplicação da Educação Ambiental, não ocorre a preocupação de sua aplicação em uma única disciplina, por ser tema transversal, e conferindo uma perspectiva Inter e multidisciplinar que busca desenvolver o ser humano por meio de estratégias a partir de sua realidade, da sua vivência.

De acordo com a Lei 9.795/99 a Educação Ambiental deve estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em suas diretrizes nacionais, o Art., 8º, incisos IV e V incentivam a busca de alternativas curriculares e metodológicas na capacitação da área ambiental e as iniciativas e experiências locais e regionais, incluindo a produção de material educativo (BRASIL, 1999).

No Brasil a Educação Ambiental deve ser trabalhada no processo educativo, visando a formação da cidadania, sendo a escola, uma das principais agências formadoras do ser humano, vê-se questionada e desafiada no mundo contemporâneo a desenvolver esta prática da melhor maneira possível.

Nesse contexto Penteado (1994) descreve a escola como um local imprescindível para promover a consciência ambiental a partir da conjugação das questões ambientais com as questões socioculturais. As aulas são o espaço ideal de trabalho, com os conhecimentos dos alunos é onde se desencadeiam experiências e vivências formadoras de consciências mais vigorosas porque são alimentadas no saber.

Quando questionados sobre os assuntos mais abordados dentro da temática da Educação Ambiental observa-se que se destacam as queimadas, muito utilizadas na região para limpeza de áreas agricultáveis, formação de pastagens e limpeza de pastos, entre outras formas de utilização. (Gráfico 9)

Esse fato segundo Souza et al. (2018) não constitui dificuldade para os profissionais da educação, uma vez que o meio ambiente está em toda a nossa volta. Entretanto, mais importante que dominar informações sobre um rio ou ecossistema da região é usar o meio ambiente local como motivador.

Gráfico 9: Temas mais abordados na Educação Ambiental.

A produção de lixo, fica como segundo tema mais abordado, possivelmente devido ao consumismo de significativa parcela da população o que tem gerado uma elevada produção de resíduos, que, sem um local adequado para o depósito correto, descarta de maneira inadequada, acarretando problemas ambientais, seguindo o caminho oposto ao que relata a Constituição Federal em seu artigo 225:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para os presentes e futuras gerações. (BRASIL, 1988).

A questão do lixo na cidade de Terra Santa é um problema relevante e cabe à população local auxiliar para sua solução, nesse contexto a Educação Ambiental tem o desafio de promover uma conscientização, em especial junto aos jovens na compreensão de sua realidade local, tornando-os pessoas críticas em defesa do meio ambiente.

A produção de lixo tem outro agravante que são as queimadas urbanas, tema de muito debate no município de Terra Santa, e que em muitos casos terminam nas delegacias de polícia por visões distintas entre vizinhos que adotam e outros que não aceitam esta prática. Esse assunto é também tema de campanhas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que, com certa constância visita às escolas realizando campanhas de orientação.

Souza et al. (2018) observa que as mudanças sugeridas pela Educação Ambiental têm como base criar condições e oportunidades para que essa lacuna do conhecimento sobre o “cuidar do ambiente” seja preenchida de forma a facilitar a mudança de hábitos com relação ao ambiente dentro da escola e, que, a partir daí se transponha os seus muros por uma sociedade mais compromissada com tal questão.

Reigota (1998 apud Araújo, 2015, p 8) observa que:

A Educação Ambiental, sem dúvida, vem se tornando um canal fundamental na formação da consciência e cidadania. O profissional de Educação tem o desafio e a responsabilidade de preparar-se para multiplicar significativamente a compreensão global, promovendo a reflexão e a interação das comunidades, com a perspectiva de que o homem é apenas uma célula desse grande organismo vivo chamado Planeta Terra.

Frente a estas considerações, podemos verificar que a função social do educador ambiental, no caso em questão os professores das escolas municipais da cidade de Terra Santa deve ser a de um agente multiplicador do processo de conscientização de sua comunidade, atuando na transformação e melhoria de seu ambiente próximo.

A poluição e o desperdício da água, são temas citados, na cidade de Terra Santa, o interesse sobre esta questão possivelmente ocorre devido ao fato de a cidade estar localizada na bacia hidrográfica amazônica, ao crescente aumento populacional, de pessoas que vem em busca de trabalho em uma indústria mineradora instalada na região.

Apesar da cidade estar situada em um local com abundância de água, o problema da poluição e desperdício ganha dimensões de discussão, por ser a água um bem finito que cada vez está mais escasso no Planeta, pelo fato de ser um recurso natural essencial à subsistência humana.

O uso e o consumo da água são essenciais para o ser humano. Nos ambientes escolares é de fundamental importância, sendo empregada na preparação de alimentos, na higiene pessoal, na limpeza de espaços físicos e nos equipamentos sanitários. Sendo composto por um aglomerado de pessoas, o ambiente escolar é um dos locais mais susceptíveis ao maior desperdício, perda por vazamentos e até mesmo o uso inadequado desse bem vital para a humanidade.

A escola é um dos meios mais importantes de formação de cidadãos. Desta forma, torna-se um espaço ideal para a discussão de questões tão relevantes como a conscientização ambiental e a prática efetiva de economia de água, assim como sua contaminação. De acordo com Figueiredo et al (2018), é necessário estimular nos alunos a conscientização sobre os danos referente ao consumo exacerbado ou inadequado da água.

A escola deve propiciar aos jovens uma conscientização sobre os danos que o consumo exacerbado ou inadequado contribui para a escassez de água, indagando sobre, por exemplo, que ações a escola pode promover para tornar os discentes mais conscientes com relação ao consumo racional da água no nosso planeta?

Para a autora acima citada, tanto o desperdício como o uso inadequado estão diretamente relacionados com o desconhecimento e com a falta de informação por parte dos membros da sociedade, sobre as implicações deste efeito no equilíbrio ambiental e no sistema de abastecimento e esgotamento sanitário.

É importante destacar que nenhum participante da pesquisa trabalhou o tema da sustentabilidade, o que causa preocupação e indagações pois dentro da Educação Ambiental temas como meio ambiente e sustentabilidade são temas frequentemente discutidos na atualidade pois estes temas remetem ao desgaste ambiental agravado cada vez mais com as agressões ao meio ambiente.

Lima (2003), aborda que este fato ocorre porque no Brasil, o discurso da educação para a sustentabilidade ainda é pouco disseminado na literatura e nas práticas que relacionam educação e meio ambiente e que a sustentabilidade é uma proposta em torno da qual gravitam múltiplas e diversas forças sociais, interesses e leituras que disputam entre si o reconhecimento e a legitimação social como “a interpretação verdadeira”.

Ainda segundo esse autor, no Brasil, a Educação Ambiental não apresentou os resultados esperados nas últimas décadas, nem se mostrou capaz de atender à crescente complexidade da crise contemporânea, assumindo expressões reducionistas, confundindo meio ambiente com natureza.

Lima (2003) aborda ainda que, o modelo de educação vigente nas escolas e universidades, responde a posturas derivadas do paradigma positivista e da pedagogia tecnicista, que postulam um sistema de ensino fragmentado em disciplinas, o que se constitui um empecilho para a implementação de modelos de Educação Ambiental integrados e interdisciplinares.

Possivelmente os problemas citados por Lima (2003) venham a responder o porquê dos professores da rede municipal da cidade de Terra Santa não abordarem esse tema.

Quando questionados sobre quais as dificuldades para trabalhar a Educação Ambiental com a utilização de metodologias ativas, observa-se que metade dos professores relatam a falta de materiais. (Gráfico 10). Esse fato é corroborado por Lima (2002) ao relatar que:

A falta de material didático para orientar o trabalho de Educação Ambiental nas escolas, sendo que os materiais disponíveis em geral, estão distantes da realidade em que são utilizados e apresentam caráter apenas informativo e principalmente ecológico, não incluindo os temas sociais, econômicos e culturais, reforçando as visões reducionistas da questão ambiental. (LIMA, 2003, p. 111).

Gráfico 10: Dificuldades encontradas pelos professores para trabalhar a Educação Ambiental.

No tocante ao conhecimento para ministrar assuntos relacionados a Educação Ambiental verifica-se que, existem docentes com dificuldades para implantar essa abordagem educacional em larga escala, devido ao grande número de alunos a ser atendidos e ao pouco tempo disponível para acomodar uma quantidade cada vez maior de informação que deve ser trabalhada pelo professor, que geralmente trabalha em várias turmas, muitas vezes em duas escolas e dois turnos.

O MMA/MEC, ao discutir o tema na Conferência Nacional de Educação Ambiental aborda que a ausência de conceitos e práticas da educação ambiental nos diversos níveis e modalidades de ensino reforça as lacunas na fundamentação teórica dos pressupostos que a sustentam (MMA/MEC, 1997).

Esse fato reflete na atuação do professor, para trabalhar a temática ambiental utilizando metodologias ativas na disciplina requer esforço e tempo, sendo necessário adequar a temática ambiental a disciplina do docente, o que o desencoraja no primeiro momento. Tempo também é imprescindível para o professor, e com isso, precisa-se considerar que em detrimento ao conteúdo do currículo da turma, a temática ambiental acaba por perder espaço, uma vez que o professor precisa cumprir um planejamento que foi endereçado a ele.

Segundo a Política Nacional de Educação Ambiental, instituída pela Lei n º 9.795 de 27 de abril de 1999 e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB/96), os professores precisaram adequar-se às novas propostas, passando a desenvolver a Educação Ambiental no decorrer de suas disciplinas curriculares.

Biasibetti et al (2015) aborda, no entanto, por se tratar de um campo ainda cheio e incertezas, a Educação Ambiental ainda sofre uma enorme resistência para sua abordagem em sala de aula, tendo em vista a dificuldade sentida pelos professores durante a inserção de atividades relacionadas ao meio ambiente, visto que muitos não obtiveram durante a sua formação acadêmica conceitos relacionados à conservação, preservação e sustentabilidade do planeta.

Sobre os educadores que não tem interesse em ministrar os assuntos referentes a Educação Ambiental Biasibetti observa o seguinte:

Trabalhar com a interdisciplinaridade no contexto de sala de aula, muitas vezes não é uma tarefa fácil, visto que grande parte dos professores se encontra acomodados a metodologias tradicionais, lineares, descontextualizadas e distantes do cotidiano real dos estudantes. Deste modo, sentem-se inseguros e incomodados com a ideia de mudança na forma de ensino, encontrando dificuldades em buscar novas metodologias que apontem melhorias na qualidade da aprendizagem dos estudantes. Preferem continuar no isolamento da sua disciplina, trabalhando apenas com os conceitos disciplinares, os quais possuem maior domínio e conhecimento. Biasibetti et al (2015, p. 225).

O que se observa sobre as atividades com a utilização de metodologias ativas no desenvolvimento da Educação Ambiental no ambiente escolar, é que ainda é uma prática não aplicada por alguns professores, seja por não se sentirem preparados e motivados para a realização destas atividades, ou pelo fato de muitos destes professores ministrarem aulas basicamente conteudista. Alguns justificam que para a realização deste tipo de atividade não existe local apropriado, faltam equipamentos e materiais adequados que viabilizem a realização destas atividades, muitas vezes esses professores não procuram usufruir dos espaços internos e externos que a escola dispõe e não viabilizam a realização de atividades motivadoras, utilizando materiais alternativos.

AVALIAÇÃO DO PROCESSO INTERATIVO: EDUCAÇÃO AMBIENTAL E METODOLOGIAS ATIVAS

Procurando conhecer a percepção do educador acerca de experiências profissionais com a utilização de metodologias ativas no ensino de Educação Ambiental nas escolas do Ensino Fundamental II, da Rede Pública Municipal de Terra Santa. analisamos como o professor avalia o uso de metodologias ativas na Educação Ambiental, os docentes avaliaram de forma objetiva, como suas práticas interferiram na aprendizagem do aluno

Neste estágio os professores avaliaram as práticas de ensino em Educação Ambiental atribuindo notas de 0 a 4, onde.

  • Zero - Péssimo;

  • Um - Ruim;

  • Dois - Estável;

  • Três - Bom;

  • Quatro - Excelente;

Quando perguntado ao professor como ele avalia o entendimento do aluno sobre Educação Ambiental, a pergunta desconsiderou o uso de metodologia ativa ou métodos dinâmicos para execução de aula de educação ambiental. (Gráfico 11).

Gráfico 11: Entendimento dos alunos sobre questões ambientais.

Ao analisar o gráfico observamos que a avaliação feita pelos educadores sobre o entendimento do conteúdo ensinado a respeito de Educação Ambiental é significativa, visto que o percentual que considerará o entendimento ruim foi baixo.

A maioria dos participantes avaliou com estável, bom e excelente. Para 42,4% dos educadores, o entendimento dos conteúdos de Educação Ambiental por parte dos alunos foi excelente, demonstrando à vontade ou disponibilidade do aluno em trabalhar a questão ambiental em sala de aula.

A pergunta geradora do gráfico do 12, pediu que os educadores avaliassem a disposição dos professores da escola em que trabalham em desenvolver o ensino da Educação Ambiental. A pergunta não levou em consideração o método utilizado pelo professor, 3,1% dos participantes avaliaram como péssimo a disponibilidade ou disposição dos colegas professores de sua escola em trabalhar Educação Ambiental, 12,4% dos participantes avaliaram como ruim.

Gráfico 12: Avaliando a disposição dos professores em trabalhar Educação Ambiental.

Neste caso, observa-se que, houve avaliações negativas, mostrando que existem professores que não estão dispostos a trabalhar a Educação Ambiental, este fato se contrapõe à disposição dos alunos que estão sempre dispostos participar das aulas sobre a Educação Ambiental.

No entanto, as avaliações positivas são maioria entre os educadores, 42,4% dos educadores avaliaram como excelente a disposição ou disponibilidade dos colegas em trabalhar a questão ambiental, seguido por 24,2%, bom e 18,2% atribuíram como estável a respeito da prática docente no trabalho da Educação Ambiental.

Quando solicitados aos professores que avaliassem seus pares quanto ao uso das práticas da metodologia ativa no exercício do ensino ambiental obtivemos o seguinte resultado.

Os professores participantes reconhecem nas práticas dos colegas a utilização da metodologia ativa ou práticas didáticas mais dinâmicas no ensino da Educação Ambiental, 12 participantes avaliaram com nível excelente, 11 participantes avaliaram como boa e 5 participantes como estável as práticas dos colegas quanto o emprego de metodologia ativa na prática da Educação Ambiental.

Apenas 5 professores avaliaram como negativo, classificando como ruim, a utilização, por parte dos colegas, de práticas das metodologias ativas no ensino de Educação Ambiental.

O gráfico 13, mostra como os professores observam o interesse dos alunos na aplicação de diferentes métodos no ensino da Educação Ambiental. Avaliou-se o emprego de métodos tradicionais de ensino para trabalhar as temáticas ambientais. Fazendo contraponto a isto, foi comparado o trabalho das temáticas ambientais do ensino da educação utilizando a metodologias ativas.

Quanto às avaliações feitas pelos educadores no emprego de métodos tradicionais com relação a despertar o interesse dos alunos foi obtido uma avaliação mediana com 30,3% dos professores classificando como estável e 30,3% como bom, 18,2% como excelente e 21,2% como ruim.

Podemos observar no gráfico 13, um maior interesse dos alunos quando são utilizadas práticas mais dinâmicas e atuais, ligadas geralmente, ao uso de tecnologias digitais, os educadores avaliaram como 30,3% como excelente, 43,4% como bom, 15,2% como estável e 9,1% como ruim, observa-se claramente uma maior aceitação dos alunos pelas metodologias ativas perfazendo 73,7% entre excelente e bom contra 48,5% quando utilizadas as metodologias tradicionais.

Gráfico 13: Interesse dos alunos quando são utilizadas metodologias tradicionais e metodologias ativas na Educação Ambiental.

Quanto às avaliações negativas dos participantes acerca do interesse dos alunos sobre o uso da metodologia ativa na Educação Ambiental, foi pouco expressiva.

Essa pouca expressividade constatada no gráfico 13 confirma a tendência crescente do interesse dos alunos por práticas mais dinâmicas em detrimento às práticas tradicionais.

CONCLUSÃO

Os problemas ambientais estão sendo cada dia mais observados pela população da cidade de Terra Santa, suas consequências já são identificadas pela população envolvida na pesquisa. Entretanto, a população em geral ainda não possui um grau elevado de conscientização ambiental.

Nesse contexto, a escola possui um papel fundamental para auxiliar a população a desenvolver maior consciência sobre a questão ambiental. É na escola que são trabalhados os ensinamentos da Educação Ambiental, observamos que quando estes ensinamentos utilizam as metodologias ativas há maior interesse sobre o tema ambiental, levando professores e alunos a discutir a temática de uma sociedade economicamente viável e ecologicamente sustentável.

Esta pesquisa procurou identificar aspectos referentes à Educação Ambiental com a utilização das metodologias ativas, metodologias estas, que necessitam ter maior aplicação na vivência diária da escola, visto que, ficou claro que despertam interesse de alunos e professores.

Existem dificuldades e desafios a serem vencidos pelos professores, na utilização das metodologias ativas durante abordagem da Educação Ambiental em sala de aula, os professores, além de trabalhar o conteúdo de sua disciplina devem abordar temas da Educação Ambiental que contempla elevada quantidade de assuntos.

Observou-se que os educadores possuem dificuldade em aliar as práticas de metodologias ativas nos temas tratados na educação Ambiental, assim como de relacionar os conceitos de Educação Ambiental de modo inter-relacionado com as disciplinas do currículo escolar.

O uso das metodologias ativas possibilita uma aula mais dinâmica, interativa e contextualizada com a realidade dos alunos, no entanto, muitas vezes não são utilizadas devido às dificuldades sentidas pelos professores, no domínio dos conceitos da Educação Ambiental e na utilização das metodologias ativas, dessa forma trabalhar a temática ambiental com a utilização das metodologias ativas em sala de aula exige muita dedicação, pesquisa e força de vontade.

A Educação Ambiental é um processo longo, complexo e de permanente construção e reconstrução, que exige a participação e o envolvimento de toda a sociedade. Para isso, precisa de comprometimento da sociedade com o meio ambiente, minimizando os prejuízos e evitando a degradação dos ecossistemas como um todo.



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Ilustrações: Silvana Santos