Que meu andar, meu viver seja cada vez mais no ritmo das bicicletas... (José Matarezi)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 79 · Junho-Agosto/2022
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O Eco das Vozes
30/05/2022 (Nº 79) UMA VIVÊNCIA DE CHI KUNG NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO PARCÃO
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UM VIVÊNCIA DE CHI KUNG NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO PARCÃO Adriana Backes



Ilustração de Anael Macedo @risca_nael

Essa vivência que aqui será descrita se inicia num relato de vivência muito pessoal. Em fins de 2021, quando ainda estávamos convivendo com a pandemia, em função do COVID 19, e lidando com todas as implicações socioambientais envolvidas nesse cenário e com todas as questões de saúde física, mental e espiritual dos adultos e crianças das nossas comunidades (por todo o planeta), recebi o diagnóstico de câncer de mama. Num primeiro momento, fiquei sem chão. E a sensação do mundo girando muito depressa.

Já estava trilhando um caminho de busca pessoal por opções de autocuidado e de práticas e vivências que trouxessem contribuições para a saúde mental e bem-estar. E não buscava só para mim. À medida do possível e dos meus conhecimentos, fui trazendo para a sala de aula digital e presencial, a meditação para as crianças, que apresentavam aumento de ansiedade nessa época pandêmica, como relatei num dos artigos anteriores desta mesma revista, edição nº 75. ( https://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=41270 )

Então, no dia seguinte a esse diagnóstico, decidi que iria me dedicar e intensificar os estudos e práticas que poderiam ser contribuição, tanto para mim, como para as crianças, jovens e adultos que eu poderia vir a atender, tanto na Educação Ambiental do Parcão, como nas escolas e outros lugares que ainda pudessem surgir. Enfatizamos aqui, que tanto Educação Ambiental como na Educação Socioemocional garantida pela BNCC tratam da saúde física, emocional e do bem estar.

E assim, optei por me dedicar ao Chi Kung para poder ensinar e compartilhar com o maior número possível de pessoas. Optei por essa prática por ser uma prática acessível a todas as idades, condições físicas e ter movimentos fáceis, inspirados na natureza e como ocorre nos locais de sua origem (China e Japão) podem ser feitos em espaços públicos como parques e praças, junto à natureza. Pode ser uma prática muito lúdica, imaginativa e ainda pode dialogar com outras disciplinas na escola. E por fim, por ser uma prática reconhecida pela OMS ( 2002) “como uma das práticas de interesse público vocacionado para a promoção da saúde, do bem estar físico, mental e espiritual e prevenção da doença”. (http://www.margaridas.org/us_main_page_section/chi-kung/)

Então, iniciaram-se os exames, as consultas e atendimentos médicos, e por outro lado, a intensificação da prática pessoal de Chi Kung, Meditação com respiração consciente, entre outros cuidados, como as caminhadas na natureza e o Reiki.

No início do ano de 2022, no mês de fevereiro, fiz a cirurgia para retirada do nódulo. Logo após a cirurgia fazia meditação e Reiki, e aos poucos retornei com as caminhadas e o Chi kung.

Retornando ao trabalho e à Educação Ambiental do Parcão, na rede Municipal de Novo Hamburgo, que havia sido interrompida durante a pandemia, passei a oferecer uma vivência de respiração consciente e movimentos meditativos Chi Kung ao ar livre de forma lúdica e de interagir com a natureza do Parcão.

Essa prática vem sendo oferecida às crianças, adolescente e adultos que têm vindo ao parque e participado das atividades de Educação Ambiental do Parcão. Além disso, está sendo oferecido aos professores que participam do coletivo educador, tanto presencialmente, quanto através de vídeos, tanto para que eles possam praticar e usufruir de seus benefícios como, para repassar para as crianças na escola, na sala de aula ou no pátio.

As crianças e adolescentes, em sua maioria, se conectam rapidamente com a prática, pois a maioria delas reconhece e se identifica com o movimento do pássaro (Figura 1) que conhecem do filme Karatê Kid, da série Cobra Kay e do desenho do Kung Fu Panda. Falar de trabalhar a energia, de aumentar o foco e controlar a respiração também não causa estranheza pelos mesmos motivos. A novidade é que não se utiliza apenas para a destreza do corpo em movimentos para defesa pessoal, mas também traz benefícios para o corpo, cuidando de nossa saúde e bem-estar.

Figura 1: Ilustração de Anael Macedo @risca_nael

Para finalizar, quero deixar claro que esse é apenas um relato de início de uma proposta, que também conta com um projeto piloto em uma das escolas do município. Não queria deixar passar a oportunidade de fazer esse relato inicial de um novo projeto que, mesmo que tenha recém nascido, já me deixou muito feliz pela oportunidade de ver carinhas felizes e relaxadas que tenho visto durante essas primeiras vivências, tanto de crianças, jovens e adultos que se permitiram participar. (A mesma expressão facial e o mesmo relaxamento que senti muitas vezes na minha prática pessoal, que foi essencial e me deu muita energia para que eu pudesse lidar com o meu processo de tratamento de câncer que envolveu exames, cirurgia, radioterapia, medicação).

No meu processo de cura, tenho tido tanto os benefícios da medicina, da ciência e tecnologia, como também da sabedoria milenar e da medicina tradicional e da sabedoria milenar dos povos inspirados na observação e conhecimento da natureza ao nosso redor e no nosso interior.

Sou imensamente grata a essas oportunidades, além de todo o apoio que recebi da família, amigos, colegas de trabalho, Secretaria de Educação e Meio Ambiente, médicos e grupo de apoio, Vida Rosa. E agora, em gratidão e sabendo dos benefícios dessas práticas, quero poder compartilhar sobre o autocuidado, a saúde física, emocional e espiritual e o bem estar através da Educação Ambiental e Socioemocional.





Ilustrações: Silvana Santos