O modo de funcionamento da humanidade entrou em crise. (Ailton Krenak)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 80 · Setembro-Novembro/2022
Início Cadastre-se! Procurar Área de autores Contato Apresentação(4) Normas de Publicação(1) Artigos(11) Notícias(11) Dicas e Curiosidades(1) Reflexão(1) Para sensibilizar(1) Dinâmicas e recursos pedagógicos(1) Entrevistas(1) Arte e ambiente(1) Sugestões bibliográficas(1) Educação(1) Você sabia que...(1) Sementes(1) Ações e projetos inspiradores(5) Cidadania Ambiental(1) Do Linear ao Complexo(3) A Natureza Inspira(1) Relatos de Experiências(9)   |  Números  
Notícias
13/09/2022 (Nº 80) PEÇA TEATRAL LEVA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL A ESCOLAS DA REGIÃO DE CAMPINAS
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=4345 
  

PEÇA TEATRAL LEVA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL A ESCOLAS DA REGIÃO DE CAMPINAS

Iniciativa é do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí

Ronnie Romanini/ Ronnie.failho@rac.com.br

Temas complexos sobre o meio ambiente no planeta serão abordados pelos personagens da ‘Turma do Lamba’ em estabelecimentos de ensino de 50 municípios até o final deste ano (Gustavo Tilio)

É de maneira lúdica que temas complexos sobre o meio ambiente do planeta são abordados pela "Turma do Lamba" em uma peça de teatro que está sendo levada a escolas de 50 municípios, inclusive Campinas. A iniciativa reúne personagens criados pelo Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ), em parceria com a Agência Reguladora de Saneamento (ARES-PCJ), que transmitem conceitos importantes como o uso racional da água, escassez hídrica, impactos dos resíduos descartados incorretamente e o papel da população e das empresas na preservação do meio ambiente. Tudo isso contextualizado com a vivência de crianças, pré-adolescentes e adolescentes.

A peça da "Turma do Lamba" já passou por seis cidades da Região Metropolitana de Campinas (Santa Bárbara d'Oeste, Pedreira, Cosmópolis, Campinas, Nova Odessa e Americana). Esta semana, o grupo esteve na Escola Municipal de Ensino Fundamental e de Educação de Jovens e Adultos Padre José Narciso Vieira Ehrenberg, no bairro Jardim São Marcos, em Campinas. Ainda será levada a Hortolândia, Sumaré, Artur Nogueira, Holambra, Engenheiro Coelho, Valinhos, Indaiatuba, Santo Antônio de Posse, Jaguariúna e Vinhedo. No total, a peça teatral abrangerá 50 municípios até o final deste ano, inclusive cidades que estão fora da Bacia PCJ. 

Constituídos em 1999 e registrados em 2022, os personagens principais da "Turma do Lamba" são o próprio Lamba (Guilherme Campos), um mascote do Programa de Educação e Sensibilização Ambiental do Consórcio PCJ inspirado em um peixe lambari; outro peixe, mais idoso, o Sr. Mandilson (Miguel Rosa), inspirado no bagre; o Velho Pescador (Cachú Guilherme) — com suas histórias — e sua neta, a Lalá (Carolina Braga). Há até uma agente da Agência Reguladora, a Dora (Isabella Amaral), que tem a missão de alertar os personagens — e as crianças espectadoras — sobre os males que o próprio ser humano pratica contra a natureza e ensinar a função da regulação no setor. 

Histórias de pescador

Muitas histórias de pescador são contadas com o objetivo de incutir nas crianças, desde cedo, os conceitos e ensinamentos de sustentabilidade. Elas não são apenas contadas, mas cantadas e dançadas, de maneira a facilitar a comunicação com os jovens, abordando coisas que fazem parte da vida deles, como as músicas que tomam conta das redes sociais. Ao longo das histórias, a mensagem fica clara: individualmente e coletivamente, o ser humano precisa repensar atitudes para garantir que as próximas gerações não herdem um planeta poluído, seco, sem água, sem vida. 

Em uma das histórias, Lalá, a neta do pescador, lembra quando era apelidada de "sujismunda". Ela conta que não pensava no destino dos resíduos descartados de qualquer maneira e, inclusive, lembrou quando um sofá foi jogado fora em um rio. Ela imaginava peixes sentados no sofá e não que estaria causando algum mal. Porém, um dia, uma enchente prejudicou todos os moradores do bairro de Lalá, que finalmente entendeu que desastres podem ser causados pela ação do ser humano.

Alguns "vilões" aparecem nas histórias: a Senhora Poluição, que se assemelha a um dragão gigante e aterrorizante, que reclama bastante do fato de países estarem tentando reduzi-la por considera-la tóxica. Em dado momento, ela pergunta à plateia formada pelos estudantes: "Vamos poluir o mundo juntos?" e, de volta, ouve um sonoro "não". "Vocês me trouxeram para o mundo e agora me negam", lamenta a tóxica poluição.

Na peça, ainda há personagens como o "Desperdício", que expõe o volume de água desperdiçado em algumas ações cotidianas, e a vilã que "vai roubar o fôlego, tirar o ar de todos vocês... a Senhorita Seca. 

A Senhorita Seca é direta: no momento, ela apareceu apenas para dar um recado e deixar o alerta: se as atitudes dos seres humanos não forem repensadas, ela voltará, mas dessa vez, para ficar. A lição é que a água é um recurso limitado e que não apenas as ações humanas individuais, mas também de empresas, precisam ser alteradas para um futuro melhor para as próximas gerações.

"É importante dialogar com as crianças para que elas levem a educação ambiental para a vida toda. Recebi o depoimento de um ex-prefeito da região falando que participou do projeto de educação ambiental do Consórcio PCJ quando era pequeno. Foi tão gratificante ouvi-lo, porque assim como ele virou prefeito, outras crianças vão crescer, atuar em outras áreas e levar esse conhecimento que a gente está abordando", afirmou a gerente técnica do Consórcio PCJ, Andréa Borges.

Após o fim da apresentação que a reportagem acompanhou, na escola do Jardim São Marcos, algumas crianças disseram que a peça mudou a forma delas pensarem e que conseguiram identificar alguns erros que cometeram e agora, assim como a Dora, da Agência Reguladora, vão evitar repeti-los.

Dentro do roteiro da peça, são utilizadas diversas as músicas, referências à cultura pop e até as populares danças que viralizam na internet. Giovanna Esther e Luiz Miguel, ambos com 13 anos, destacaram ter gostado muito dessa parte. Luiz afirmou que gostou bastante de uma dança específica ("desenrola, bate, não joga de ladinho...") e que as músicas o ajudaram a entender como contribuir com a preservação ambiental. Giovanna mencionou a história da poluição e a lição que aprendeu: a poluição atinge diretamente os rios, os animais, o meio ambiente, inpactando cada vez mais o ser humano.



Na peça teatral, muitas histórias de pescador são contadas às crianças para incutir conceitos e ensinamentos sobre sustentabilidade (Gustavo Tilio)

Jonathan, na mesma linha, afirmou que já jogou lixo no chão, mas que agora aprendeu a lição. Disse também que a peça mostrou que muitas pessoas não ajudam a manter a água limpa, o que prejudica os peixes e afeta a qualidade do ar, algo que a Senhorita Seca ensinou.

- Publicidade -

O diálogo de maneira lúdica e aproveitando conteúdos que as crianças gostam foi aprovado por uma das orientadoras pedagógicas da escola, Luciane Brenelli de Paiva. "Para a idade deles, a peça é perfeita. O adolescente tem pouco tempo de concentração, mas uma hora de peça é bacana e os temas abordados vão ao encontro do que é necessário. Falaram de lixo no chão em sala de aula, do consumo excessivo de coisas. É interessante eles perceberem que são peças-chave para melhorar o meio ambiente. A escola tem um papel muito importante nesse desenvolvimento da conscientização deles."

Outro ponto destacado por Luciane é o fato de professores também terem assistido à peça, o que pode agregar ainda mais aos conteúdos voltados à preservação do meio ambiente que já são ensinados na sala de aula. As histórias contadas na peça teatral podem despertar criatividade e inspirar os educadores a adotar abordagens diferentes ao tratar do assunto.

- Publicidade -

"Trazer temas tão difíceis de abordar de uma maneira lúdica e gostosa é muito necessário. Todos nós sabemos o que temos que fazer, mas trazendo essas histórias e a partir delas acessar o imaginário faz com que a pessoa nunca mais se esqueça. As crianças se reconhecem, como no exemplo da Lalá, que jogava lixo e depois viu a cidade ser inundada", explicou o diretor da peça "Turma do Lamba", Diego Trevisan. Ele contou que todo o espetáculo foi montado em 25 dias.

A gerente técnica, Andréa, afirmou que a educação ambiental não se resume à iniciativa inédita do teatro. "É uma das ações, é parte de toda a política de educação ambiental do Consórcio. Não podemos fazer apenas ações pontuais. O teatro é bacana e mobiliza pessoas, encanta os jovens, mas educação ambiental tem que ser algo contínuo. É um longo processo para educar e, para isso, precisamos de projetos contínuos que estejam embasados em trabalhos com escolas, apoio com professores, que temos feito desde 1994, oferecendo suporte ao educador e, a cada ano, buscando novidades para atrair esses jovens e crianças para o mundo da água."

Dentre os programas de educação ambiental desenvolvidos pelo Consórcio, o principal é o projeto Gota D'água, realizado todos os anos nas escolas. Durante o primeiro semestre, os professores fazem algumas capacitações para aplicar em sala de aula no segundo semestre, levando os alunos a produzir conteúdos que são avaliados em um seminário no final do ano, com entrega de prêmios para incentivá-los. 

O site abaixo é indicado para quem quiser conhecer mais ações de educação ambiental do Consórcio PCJ, que atende 40 municípios e 23 empresas:

https://agua.org.br/programas/educacao-e-sensibilizacao-ambiental/

Fonte: Peça teatral leva preservação ambiental a escolas da região de Campinas (rac.com.br)

Ilustrações: Silvana Santos