O modo de funcionamento da humanidade entrou em crise. (Ailton Krenak)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 80 · Setembro-Novembro/2022
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13/09/2022 (Nº 80) EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA COMPLEMENTAR PARA A GESTÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS: ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA DA SUB-BACIA DO CÓRREGO ÁGUA QUENTE EM SÃO CARLOS-SP
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA COMPLEMENTAR PARA A GESTÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS: ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA DA SUB-BACIA DO CÓRREGO ÁGUA QUENTE EM SÃO CARLOS-SP



Marcelo Damiano1, Natalia Andricioli Periotto2 , Frederico Yuri Hanai3.

1 Doutorando em Ciências Ambientais, Departamento de Ciências Ambientais, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos-SP. marckdamiano@gmail.com.

2 Pós Doutoranda em Ciências Ambientais, Departamento de Ciências Ambientais, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos-SP. nataliaperiotto@gmail.com

3 Professor, Departamento de Ciências Ambientais, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos-SP.



RESUMO

O presente artigo aborda uma investigação diagnóstica do cenário atual da Educação Ambiental em uma Escola Estadual de São Carlos-SP, situada na Sub-Bacia do Córrego Água Quente com o intuito de propor ações que fortaleçam este cenário, como ferramenta complementar para a recuperação ambiental dessa área.

Palavras-chave: Educação ambiental, Bacia Hidrográfica, Gestão Ambiental, Resíduos Urbanos.



ABSTRACT

This article addresses a diagnostic investigation of the current scenario of Environmental Education in a State School in São Carlos-SP, located in the Córrego Água Quente Sub-Basin, in order to propose actions that strengthen this scenario, as a complementary tool for environmental recovery of that area.

Keywords: Environmental Education, Watershed, Environmental Management, Urban Waste.



INTRODUÇÃO

A modificação dos ecossistemas é realizada por todos os organismos, a construção de represas por castores, a alteração do solo pelos ninhos construídos por formigas e as plantas que liberam fito químicos no solo e impedem o crescimento de outras plantas, mas os seres humanos modernos são os que mais alteram os ecossistemas, degradando-os e movimentando recursos, energia e nutrientes de forma mais rápida e extensa do que ocorre nos ecossistemas intocados (ADLER & TANNER, 2015).

Por consequência o crescimento das áreas urbanas guiado pelas visões e tecnologias mais antigas, e inclusive pela desigualdade social, entre outros fatores, resultou na alteração de componentes naturais essenciais para a proteção de áreas ambientalmente frágeis ou de extrema importância nas bacias hidrográficas. Em muitas bacias hidrográficas, a vegetação ao longo das margens dos corpos de água, protegida legalmente pelas Áreas de Preservação Permanente (Lei 12.651/2012), foi retirada e houve ocupação urbana bem próximo das margens, assim como ocorreu a retirada de vegetação em solos arenosos, favorecendo o desenvolvimento de processos erosivos. Muitas outras alterações ainda vêm ocorrendo e impactam negativamente a qualidade dos corpos de água, assim como suas relações com o bem-estar humano. Zanella et al. (2013) através de uma avaliação de uma bacia hidrográfica em Fortaleza (estado do Ceará, Brasil), constataram que a vulnerabilidade ambiental coexiste com a vulnerabilidade social, entremeadas por sistemas interdependentes.

Assim, a Gestão Ambiental, é resultado de uma abordagem multi e interdisciplinar, utiliza diversas ferramentas, que em conjunto, visam a adaptação, recuperação, restauração e revitalização de bacias hidrográficas, com o propósito de retomar as funções ecológicas dos ecossistemas, ao mesmo tempo que atende as demandas humanas.

Porto (2008), relata que a Gestão Integrada de Recursos Hídricos no país tem se consolidado como uma nova perspectiva de gestão. No entanto, dada a complexidade de efetivação, tem representado um desafio devido às dificuldades institucionais oriundas do sistema estadual. No entanto, ainda assim representa um aliado na implementação de mecanismos de gestão compartilhada.

Nesse sentido, a Gestão Ambiental, como a Gestão Integrada de Recursos Hídricos em suas diversas frentes de atuação, vale-se da Educação Ambiental como uma ferramenta auxiliar de gestão de extrema importância para compartilhar o conhecimento científico produzido nas universidades com os diversos atores de uma bacia hidrográfica, para que estes participem das ações de melhoria das condições de um ecossistema degradado. Além disso, ações pontuais de Educação Ambiental vêm demonstrando eficiência na mobilização das pessoas quanto às ações de fomento à conservação e sustentabilidade (LEFF, 2001). Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas (ONU, 2012), define que o conceito de Educação Ambiental corresponde à dimensão que abrange os conteúdos e práticas que tem o propósito de resolver problemas ambientais específicos, com a utilização de abordagens interdisciplinares e participação ativa e responsável de todos.

A Sub-bacia do Córrego Água Quente (Município de São Carlos, estado de São Paulo, Brasil) localiza-se em área urbana e tem um histórico de ocupação desordenada, em um contexto de relevo e tipo de solo não adequados para a instalação de loteamentos urbanos (LIMA, 2017) e marcado por desigualdade social e degradação ambiental.

Deste modo, essa sub-bacia, ocupada por 18 bairros, é uma área de estudo adequada para a avaliação de como a Educação Ambiental vem sendo desenvolvida, como ferramenta complementar e de manutenção das outras ações de gestão ambiental, e a identificação de quais ações podem fortalecer e favorecer a agenda de Educação Ambiental já existente nas escolas.



OBJETIVOS

O objetivo geral desse trabalho é realizar o diagnóstico do cenário atual da Educação Ambiental na Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan, situada na Sub-Bacia do Córrego Água Quente (São Carlos, São Paulo, Brasil) e propor ações que fortaleçam este cenário, como ferramenta complementar para a recuperação ambiental dessa sub-bacia.

Os objetivos específicos são:

  • Avaliação da percepção e dificuldades dos professores em relação às práticas de EA na escola, bem como das oportunidades de contribuição da universidade com a escola para o fortalecimento destas práticas pedagógicas;

  • Proposição de um projeto com atividades e ações que abranjam todas as disciplinas, baseado na avaliação anterior.



CONTEXTUALIZAÇÃO

A Sub-bacia Hidrográfica do Córrego Água Quente está inserida na área urbana do Município de São Carlos (Estado de São Paulo, Brasil) (Figura 1). Esta bacia faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Monjolinho, que por sua vez está contida na Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos número 13 (Tietê/Jacaré).

Figura 1. Localização da área de estudo, a Sub-Bacia Hidrográfica do Córrego Água Quente (Município de São Carlos, estado de São Paulo, Brasil). Fonte: Periotto (2021).

Nas cotas mais baixas de relevo, predomina o Neossolo Quartzarênico, formado por grãos de quartzo arenoso com baixo teor de matéria orgânica, alta permeabilidade, baixa absorção de água e alta susceptibilidade à erosão. Nas cotas mais altas, predomina o latossolo férrico, argiloso (SMAA/PMSC, 2018). A vegetação original acompanhava a vegetação típica da região, com áreas de espécies vegetais de Cerrado (no solo mais arenoso) e áreas de espécies de Floresta Estacional Semidecidual (no solo mais fértil das cotas elevadas de relevo) (SMAA/PMSC, 2018).

A formação geológica predominante é Arenito Botucatu – e em menor parte, Serra Geral e Itaqueri), com afloramento em solos arenosos (SMAA/PMSC, 2018). Por este motivo, a área é muito importante para a recarga de águas subterrâneas.

O principal corpo de água desta bacia é o Córrego Água Quente, com a maior parte dos seus 6 km de extensão sujeitos a assoreamento (GOMES & DANTAS-FERREIRA, 2012).

A sub-bacia possui aproximadamente 12,5 km2 (TONISSI, 2005) e abrange 18 bairros do Município de São Carlos (SP): Antenor Garcia, Cidade Aracy, Presidente Collor, Vila Santa Madre Cabrini, Vila Conceição, Vila Monte Carlo, Jardim Gonzaga, Jardim Cruzeiro do Sul, Jardim das Rosas, Jardim Pacaembu, Jardim Santa Teresa, Jardim Belvedere, Jardim Beatriz, Vila Boa Vista, Jardim Medeiros, Mirante da Bela Vista, Jardim das Torres e Condomínio Ferradura.

A Sub-Bacia Hidrográfica do Córrego Água Quente encontra-se bastante impactada devido ao processo de urbanização irregular e sem planejamento, a partir da década de 1980. O solo e relevo da área da bacia, apesar de não serem adequados para a construção de edificações, foi extensamente loteado (LIMA, 2017). Consequentemente, a drenagem inadequada das águas pluviais vem causando grandes processos de erosão, destruindo a vegetação ripária e degradando as margens, colocando em risco as propriedades dos moradores locais. Por este motivo, foi declarada situação de risco e emergência na Bacia do Córrego Água Quente (Decreto 53, de 12 de março de 2019, Diário Oficial de São Carlos), pela Prefeitura Municipal de São Carlos.

O processo de urbanização irregular desta sub-bacia foi também impulsionado pela desigualdade social no município. Desde a primeira nascente do Córrego Água Quente, olhando da montante para a jusante, observa-se que os bairros situados na porção da margem esquerda do córrego, são bairros com população menos favorecida economicamente do que os bairros da porção da margem direita. Além disso, observa-se que na porção da margem esquerda (Figura 2) encontra-se uma grande área de solo quartzarênico, o que indica uma associação de vulnerabilidade ambiental com vulnerabilidade social.

Figura 2. Subordens dos tipos de solo presentes na Bacia Hidrográfica do Córrego Água Quente, segundo dados do IBGE (2017) (Fonte: Periotto, 2021).

A Figura 3 ilustra como os loteamentos na porção da margem esquerda impactam o Córrego Água Quente, entre outras causas. Mesmo com os vários instrumentos contendo diretrizes e regulamentações para a ocupação urbana, como o Plano Diretor do município e a Lei 12.651/2012, observa-se que na prática, as ações humanas, muitas vezes guiadas pela desigualdade social, resultam em grandes impactos nesta sub-bacia hidrográfica.

Figura 3. Visão da margem esquerda do Córrego Água Quente (olhando da montante para a jusante). Observa-se o descarte de resíduos sólidos bem próximo a um novo loteamento, além dos processos erosivos acentuados e consequentemente assoreamento do leito do córrego. (Foto: Frederico Yuri Hanai, 2019).



Neste contexto, as escolas públicas podem ser fontes de disseminação de conhecimento científico sobre a revitalização de bacias hidrográficas, por meio da abordagem da Educação Ambiental, com o propósito de alcançar os diversos atores sociais Sub-Bacia Hidrográfica do Córrego Água Quente e desenvolver práticas de sensibilização desses atores. A sensibilização (despertar sentimentos) (MARIA, 2017) é um processo que favorece a conscientização do público-alvo (MEDALLON; GALLARDO, 2014) em relação às possíveis ações individuais para a revitalização da sub-bacia hidrográfica, considerando os benefícios individuais e os coletivos oriundos dessas práticas, em que ocorra a reflexão acerca das atitudes cotidianas de tal maneira que não se limite ao campo do esclarecimento, mas transcendendo para a práxis ambiental, visando ações conservacionistas e sustentáveis do funcionamento dos ecossistemas e benefício de sua biota.

A Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan está localizada na Av. Arnoldo Almeida Pires, 500, no bairro Cidade Aracy II, em São Carlos (SP), próxima ao Córrego Água Quente. Esta escola tem 35 professores que ministram aulas referentes ao Ensino Fundamental I e II e o Ensino Médio para 695 alunos

(Fonte: comunicação oral com funcionário da Diretoria Estadual de Ensino; dados obtidos em 29 de novembro de 2021).



JUSTIFICATIVA

A execução deste projeto justifica-se pela urgência de ações de revitalização da Sub-Bacia Hidrográfica do Córrego Água Quente, sendo que a Educação Ambiental é uma ferramenta que auxilia nesta revitalização, bem como na manutenção dos resultados da revitalização, a qual deve ser iniciada por obras de engenharia estrutural pela Prefeitura Municipal de São Carlos e pode ser continuada e mantida com o auxílio das universidades e dos moradores do entorno.

As ações pontuais fazem diferença no contexto geral da sub-bacia, pois o conhecimento passado nas escolas tende a ser divulgado entre as famílias dos alunos.



EMBASAMENTO TEÓRICO/REVISÃO DE LITERATURA

Porto (2008) define Bacia Hidrográfica como “um ente sistêmico; é onde se realizam os balanços de entrada proveniente da chuva e saída de água através do exutório, permitindo que sejam delineadas bacias e sub-bacias, cuja interconexão se dá pelos sistemas hídricos”.

A urbanização de bacias hidrográficas no Brasil frequentemente ocorre em cenários de desigualdade social, nos quais há ocupação desordenada do território, sem levar em consideração as funções ecológicas dos elementos naturais da paisagem e sua relação com o ciclo hidrológico (IANAS/UNESCO, 2015; Berger et al., 2017). Nestas bacias hidrográficas são necessárias ações urgentes de revitalização da paisagem, considerando as funções ecológicas e o bem-estar humano. Porém, as ações de revitalização precisam de manutenção contínua e a Educação Ambiental é uma ferramenta importante para esta finalidade.

Segundo Dias (1992), a Educação Ambiental é caracterizada pela integração das dimensões social, política, econômica, cultural, ecológica e ética, atentando ao fato de que a não consideração dessas dimensões, torna impossível tratar essas demandas. Significa que, ao lidar com quaisquer questões ambientais, todos aspectos apresentam sua importância e contexto. Este autor relata ainda que a gênese dos problemas ambientais está na pobreza, e a pobreza, por sua vez, tem origem nos problemas políticos e econômicos que concentram a riqueza, o que consequentemente gera desemprego e degradação ambiental.

Levando-se em consideração os aspectos "sui generis” das diversas realidades, as ações voltadas à Educação Ambiental devem respeitar a cultura e contextos nos quais as comunidades estão inseridas. A Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento, por meio da Agenda 21 agrega significado sobre essa demanda:

“A Educação Ambiental se caracteriza por incorporar as dimensões socioeconômicas, política, cultural e histórica, não podendo se basear em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo considerar as condições e estágio de cada país, região e comunidade, sob uma perspectiva histórica. Assim sendo, a Educação Ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conformam o ambiente, com vista a utilizar racionalmente os recursos no presente e no futuro”. (Brasil, 1996).

Dessa forma, Bonotto (2005) relata a necessidade de ações para o enfrentamento da degradação ambiental que atingiu seu auge no início do Século XXI:

“Os problemas ambientais, de extensão e gravidade crescentes, levaram a humanidade a repensar suas ações e seu modo de vida, calcados em uma relação com a natureza depredatória e insustentável. Considerando a contribuição que o campo educativo pode dar para a alteração dessa situação, nas últimas décadas espalharam-se pelo país e pelo mundo discussões e propostas a respeito da Educação Ambiental”. (BONOTTO, 2005, p. 433)

São inúmeros os agentes da degradação ambiental, mas a raiz tem origem no uso inadequado da natureza e dos recursos naturais pelo ser humano, na perspectiva do consumismo e individualismo de lucro motivados pela lógica econômica capitalista.

Assim, a Educação Ambiental surgiu para contribuir como recurso frente às dificuldades atuais relacionadas ao meio ambiente. As adversidades ambientais são contumazes e tendo em vista o contexto econômico e social contemporâneo, tornam-se inevitáveis e o poder público, na maioria dos casos, demonstra incapacidade de resolver essas questões sem a colaboração da sociedade como um todo (TRISTÃO, 2005).

É importante enfatizar a necessidade de aumentar a sensibilização sobre as questões ambientais relacionadas à sociedade e à necessidade de mudanças comportamentais, principalmente relacionadas ao uso irracional dos recursos naturais e incorporação de padrões sustentáveis. Dessa forma, a Educação Ambiental é considerada um instrumento de grande valia para a construção de um ambiente equilibrado e mantido de maneira sustentável (DIAS, 1992).

Nesse sentido, o papel do professor de Educação Ambiental torna-se desafiador devido aos padrões de consumo consolidados pelo sistema capitalista, e a disciplina de Educação Ambiental (EA) representa uma ferramenta de enfrentamento da degradação do planeta.

Ao sugerir a EA como disciplina obrigatória ou atividade curricular, acredita-se que seja intenção dos órgãos gestores oferecerem ao futuro profissional da educação, não apenas os conteúdos desta temática, mas também subsídios para uma formação crítica que fortaleça sua postura ética, política e social – justificativas sempre agregadas a essas indicações em diversos outros documentos e presentes nos projetos políticos pedagógicos em todos os níveis de ensino (CONTI; PASSOS, 2013, p. 5).

Portanto, deve ser considerado um modelo de boas práticas focado na sustentabilidade da Educação Ambiental escolar, considerando práticas inovadoras e seu caráter multiplicador de ações em planos locais e regionais, com o envolvimento de participantes da sociedade incorporando novas perspectivas racionais, que permitam a expressão da natureza, tecnologia e cultura de forma harmônica.



MATERIAIS E MÉTODOS

Para o diagnóstico da percepção e demandas dos professores da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan em relação às práticas de Educação Ambiental, foi formulado um questionário semiestruturado baseado em Tavares (2013), por meio da ferramenta Google Forms, e encaminhado aos professores de todas as disciplinas da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan. É importante salientar que foi adicionado ao questionário do Google Forms, o Termo de Livre Consentimento Esclarecido, para garantir os direitos e segurança dos pesquisadores e dos entrevistados.

Após a leitura das respostas foi elaborada uma proposta preliminar de projeto de Educação Ambiental, com características multi e interdisciplinares, considerando as demandas descritas pelos professores no formulário.

Dessa forma, a pesquisa em questão se enquadra como quantitativa e exploratória, no entanto apresenta ainda características qualitativas, visto a análise das respostas dos docentes respondentes.



RESULTADOS E DISCUSSÕES

AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES

As respostas do questionário semiestruturado desenvolvido para a avaliação da percepção dos professores de todas as disciplinas da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan em relação aos projetos de Educação Ambiental são apresentadas a seguir. No total, 20 professores responderam ao questionário.



1) Você concorda com o termo de consentimento da pesquisa?



Figura 4. Resposta do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Fonte: próprios autores).



A Figura 4 mostra que todos os professores que preencheram o formulário concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido do questionário.



2) Qual sua idade?



Figura 5. Faixa de idade dos professores que responderam o formulário (Fonte: próprios autores).



A idade dos professores variou entre aproximadamente 25 e 55 anos, como mostrado na Figura 5.



3) Gênero:



Figura 6. Gênero dos professores que responderam o formulário (Fonte: próprios autores).



A Figura 6 mostra que 35% dos 20 professores que responderam ao questionário eram mulheres e 65% eram homens.

4) Qual sua graduação?



Figura 7. Cursos de graduação dos professores que responderam o formulário (Fonte: próprios autores).





As respostas (Figura 7) a esta variável mostraram que alguns professores responderam descrevendo seu curso de formação no Ensino Superior e alguns descreveram o seu grau de escolaridade.



5) Em quais anos/série atua?



Tabela 1. Anos/séries escolares de atuação dos professores na Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan (Fonte: próprios autores).

Ensino Médio

Fundamental I e II

2 e 3 a Série.

7°s, 8° e 9°s

Ensino Fundamental anos finais e Ensino Médio

6o, 7o e 9o ano do Ensino Fundamental II e 2a série do Ensino Médio.

Ensino médio

Ensino fundamental (8-9)- Ensino médio (1-2-3)

6 (sexto) e 9 ( nono ) ano e 5 quinto ano.

Ensino médio - 1 e 3 ano

Ensino Fundamental/ Anos Finais e Ensino Médio.

7, 8 e 9 do EF; 2 do EM

8,9 e 1

6, 7 e 8 EF

Ensino Fundamental II

6 e 7 ano

6,7,8 EF

Todos os anos do Ensino Médio

8 ano e ensino médio.

Ensino Médio



Apesar de a Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan oferecer aulas para o Ensino Fundamental I e II e para o Ensino Médio, a Tabela 1 indica uma informação preliminar importante: a carga de trabalho de cada professor entrevistado, o que pode ser fator influenciador (tempo) para o planejamento de ações e práticas pedagógicas de Educação Ambiental.



6) Quais disciplinas leciona?

Tabela 2. Disciplinas lecionadas pelos professores da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan (Fonte: próprios autores).

Geografia

Biologia

Educação física

Matemática

Química e Física

Física e Química

Matemática, Orientação de Estudos, Práticas Experimentais e Eletiva

Matemática, Orientação de Estudos (OE) e Eletiva de Astronomia.

Língua Portuguesa

Sociologia

Língua Portuguesa e Polivalente (todas as disciplinas no 5 ano)

Matemática e física

Ciências

Educação física

Ciências e Biologia

Português

Língua Inglesa e Língua Portuguesa

Polivalente/ História



















A Tabela 2 indica quantas disciplinas cada entrevistado leciona, evidenciando a diversidade de disciplinas lecionadas pelos respondentes. Não foram obtidas respostas de 2 entrevistados.



7) Há quanto tempo está lecionando?

Figura 8. Tempo (em anos) que o entrevistado leciona (Fonte: próprios autores).



Quase metade dos professores (40%) possuem mais de 10 anos de experiência em ministrar aulas, 35% possuem entre 1 e 3 anos de experiência, 15% entre 4 a 6 anos, e 10% entre 7 a 9 anos de experiência (Figura 8).



8) Você já participou de atividades, programas ou cursos que abordaram meio ambiente e Educação Ambiental? Caso já tenha participado, quais?



Tabela 3. Disciplinas lecionadas pelos professores da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan (Fonte: próprios autores).

Não.

Não.

PROFCIAMB USP

Não.

Sim

Sim. Gestão do meio ambiente.

Apenas ações isoladas na escola.

Sim, Cerrado à Vista da UFSCar.

Não.

Pouquíssimas formações oferecidas pela Prefeitura em parceria com Federal.

Sim. O último foi o curso Águas da USP.

Sim. Revitalização de espaços com permacultura, dia do cerrado e aulas sobre Ed. Ambiental.



Para esta questão, foram obtidas somente 12 respostas (Tabela 3), sendo que 4 professores nunca participaram de atividades, programas ou cursos que abordaram meio ambiente e educação ambiental.

É importante observar que um professor respondeu que participou de ações isoladas na escola e outro professor respondeu que participou de poucas formações oferecidas pela Prefeitura Municipal de São Carlos ou pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o que é um indicativo da (i) necessidade de fortalecimento das práticas de EA na escola; (ii) de maior interação e contribuição entre escola e universidade e de (iii) necessidade de maior apoio da prefeitura municipal.



9) A Escola que você trabalha possui alguma atividade ou projeto que visa preservar o meio ambiente ou de Educação Ambiental? Caso afirmativo, qual(is)?



Tabela 4. Disciplinas lecionadas pelos professores da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan (Fonte: próprios autores).



Sim.

Não.

Primavera no Cerrado, Futuro Verde.

Sim. disciplinas diversificadas

Sim. Plantio de árvores no espaço escolar. Práticas experimentais abordando o assunto.

Criação horta, reciclagem. Uso consciente da água.

Sim. Estação meteorológica, compostagem.

Neste momento não tem projeto.

Tem a Eletiva que está revitalizando alguns ambientes da escola.

Sim, canecas reutilizáveis, projeto de máscaras de sobras de tecidos com app e site para conscientização e coleta de lixos contaminados da Pandemia, Estação Meteorológica experimental com materiais recicláveis, plantio de árvores, exposição Primavera no Cerrado, dentre outros.

Desconheço.

Não.

Não; às vezes fazemos algumas experiências.

Sim, sobre reciclagem.

Sim. Projetos, palestras de conscientização, visitas a áreas de preservação.

Não.

Primavera no Cerrado, Estação Meteorológica.

Sim. Matérias eletivas.

Observa-se que 5 professores responderam que não existe ou que desconhecem atividades de Educação Ambiental na escola (Tabela 4). Apesar de a maioria citar algumas ações, as respostas negativas podem ser indicativas de professores que estão há pouco tempo lecionando nesta escola ou que a comunicação dessas práticas deve ser fortalecida, assim como a inserção destas em todas as disciplinas.



10) Qual sua opinião sobre esta atividade?



Tabela 5. Disciplinas lecionadas pelos professores da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan (Fonte: próprios autores).



Ricas e pertinentes, levando em consideração o bairro ser um grande remanescente de cerrado.

Muito produtivas, apesar da continuidade não se manter.

Muito importante, conscientizar os alunos, pois eles serão o futuro do Brasil.

Muito boa para a conscientização dos alunos.

Muito significativa. A conscientização sobre o meio faz parte das atividades escolares e extras escolares. Falar de Meio Ambiente é falar da preservação da Vida.

Excelente iniciativa. Vamos trabalhar juntos.

Muito importante desenvolvimento dessa atividade.

É uma atividade muito importante. Abrange o micro, mas dá abertura para que os alunos entendam que precisamos cuidar do lugar que a gente vive (para além dos nossos espaços de convivência).

Acho de extrema importância! Precisamos conscientizar os alunos sobre preservação.

Seria de grande importância para alunos, professores e todos que integram o meio escolar; pois muitas informações são omitidas ou desconhecidas por todos, causando impacto direto no meio ambiente e na sociedade.

Importantíssimo projeto que não há apoio ou incentivo da escola ou da Diretoria de Ensino.

Gosto e acho necessário o tema.

Ajuda a criar uma consciência nos alunos sobre a importância desses assuntos.

Muito válidas.

Mão na massa! Tem que vir executar.

Acho muito importante para conscientizar os alunos.

Os alunos puderam aprender na prática de forma lúdica e isso tem muito a ver com o protagonismo juvenil.

Acredito que é um tema de extrema importância que deveria fazer parte da rotina das escolas.

Ainda pouco desenvolvidas por conta da pandemia, mas muito bem planejadas.



A Tabela 5 relata a opinião dos professores sobre os projetos de Educação Ambiental já executados na escola. Além dos vários elogios, observa-se a necessidade de maior apoio da própria escola e da Diretoria de Ensino, assim como a manutenção da continuidade das ações dos projetos já existentes.



11) Você aborda o tema meio ambiente na sua disciplina? Ou desenvolve práticas de educação ambiental na sua disciplina? 



Figura 9. Porcentagem de professores que abordam ou não o tema “meio ambiente” na disciplina ministrada (Fonte: próprios autores).



Observa-se na Figura 9, que 30% dos professores não abordam o tema “meio ambiente” nas suas práticas pedagógicas. Levando-se em consideração que este tema abrange uma abordagem multi e transdisciplinar, identifica-se que existe uma lacuna de integração de todas as disciplinas com o tema. É necessário avaliar mais detalhadamente as causas ou dificuldades para esta integração.



12) Com que frequência durante o ano letivo você aborda temas ambientais em sala de aula? Quais assuntos são abordados?



Tabela 6. Frequência anual e abordagem de Educação Ambiental nas disciplinas pelos professores da Escola Estadual Professor Marivaldo Carlos Degan (Fonte: próprios autores).



Todo o bimestre, pois, além de fazer parte do currículo é um tema transversal

Em quase todas as habilidades do currículo, mas o foco está sempre no 4 bimestre (sustentabilidade).

Quando tem temas nas apostilas dos alunos, ou surge algum comentário sobre o assunto abrimos uma discussão.

Mensal dentro do assunto trabalhado. Poluição da água e desmatamento e as condições climáticas.

Biodiversidade, sustentabilidade, poluição, mata ciliar, preservação do solo, consequências queimadas, Agenda 2030...

Em todos os semestres.

Não tive oportunidade.

Na disciplina Eletiva (Sonhar não custa nada) tem um tópico sobre consumismo e seus impactos no planeta.

Desmatamento da Amazônia em Porcentagem e reflexão.

Ultimamente não tenho abordado esse tema, algo que preciso aprimorar.

Raramente.

Só durante aulas de Ciências temas como reciclagem; cuidados com o solo e meio ambiente.

Não abordo.

Os temas são abordados de acordo com o Currículo Paulista, que segue a BNCC

Durante o ano, aulas ao ar livre, procurando recursos naturais para compensar a falta de uma quadra coberta.

Todas.

Sempre que um aluno joga papel no chão.

Os materiais da Efape abordam com frequência pelo menos um assunto relacionado ao meio ambiente, a cada bimestre.

No fundamental I – todos os bimestres são abordados temas ligados à educação ambiental.

Diariamente. Solos, Clima, Vegetação, Sistema Agroindustrial, Sustentabilidade etc.



As questões 11 e 12 são complementares e identificam a necessidade de planejar estratégias de integração de todas as disciplinas com a Educação Ambiental, e a capacitação dos professores para esta abordagem.



13) De que forma você aborda o tema meio ambiente em sala de aula? 



Figura 10. Métodos de abordagem do tema “meio ambiente” nas disciplinas (Fonte: próprios autores).



14) Os alunos demonstram interesse em conhecer o tema “meio ambiente”?



Figura 11. Percepção dos professores sobre o interesse dos alunos no tema “meio ambiente” nas disciplinas (Fonte: próprios autores).



A Figura 10 mostra os métodos utilizados para inserção de Educação Ambiental nas disciplinas. A passagem de conteúdo durante as aulas e outros métodos (com exceção de trabalhos, pesquisas e brincadeiras) são as abordagens mais utilizadas.

A Figura 11 mostra a dos professores sobre o interesse dos alunos sobre o tema “meio ambiente”. Noventa e cinco porcento (95%) dos professores opinaram que os alunos têm interesse no tema. Este resultado indica que há disposição dos alunos em experienciar mais atividades de Educação Ambiental.

15) Qual o grau de conhecimento dos seus alunos em relação às questões ambientais, tais como: lixo, reciclagem, esgoto, mata ciliar, poluição industrial, etc. Numa escala de zero (0), nenhum conhecimento, a dez (10), muito conhecimento, atribua um valor. Em média o conhecimento dos alunos é: