O modo de funcionamento da humanidade entrou em crise. (Ailton Krenak)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 80 · Setembro-Novembro/2022
Início Cadastre-se! Procurar Área de autores Contato Apresentação(4) Normas de Publicação(1) Artigos(11) Notícias(11) Dicas e Curiosidades(1) Reflexão(1) Para sensibilizar(1) Dinâmicas e recursos pedagógicos(1) Entrevistas(1) Arte e ambiente(1) Sugestões bibliográficas(1) Educação(1) Você sabia que...(1) Sementes(1) Ações e projetos inspiradores(5) Cidadania Ambiental(1) Do Linear ao Complexo(3) A Natureza Inspira(1) Relatos de Experiências(9)   |  Números  
Relatos de Experiências
13/09/2022 (Nº 80) EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA EMANCIPATÓRIA.
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=4363 
  

EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA EMANCIPATÓRIA



Resumo: O presente relato de experiência tem como objetivo descrever as experiências vividas em um projeto de extensão, denominado “O lúdico na Educação Ambiental”. O objetivo do projeto foi despertar o interesse nos envolvidos em desenvolver práticas de Educação Ambiental de forma lúdica.

Palavras-chave: Consciência Ambiental. Práticas lúdicas. Sustentabilidade.



1 INTRODUÇÃO



A globalização e a tecnologia estão nos conectando a todo tempo, e coisas que jamais pensávamos que pudéssemos ver ou obter, estão ao alcance de nossas mãos. Neste sentido, a aquisição de bens de consumo ficou mais acessível a grande parte da população e está por sua vez a cada dia mais consumista. Este trabalho não pretende entrar no contexto do capitalismo, porém é sabido que isto é uma realidade e a consequência desse cenário verte para a questão da degradação do meio ambiente. Diante disso, cabe ressaltar o que afirma Capra (1985) que todos nós fazemos parte de uma teia imensurável e inseparável das relações, sendo inteiramente de nossa responsabilidade termos ciência das nossas ações, e os reflexos das mesmas no universo e como interagimos e vivemos com o meio ambiente.

Sendo assim, para que futuramente o cenário não seja devastador, é preciso proporcionar uma Educação Ambiental, mas acima de tudo, uma Educação Ambiental Emancipatória. Para Gomes (2014, p.430) essa educação “Crítica/Emancipatória, é uma reeducação de valores, atitudes, afetividade com o meio ambiente, considerando este como um lócus de ações sociais. Nesse contexto, é a partir da EA que se busca um novo olhar ao colapso ambiental no qual se encontra a sociedade pós-moderna”.

Percebe-se que a educação ambiental é uma ferramenta essencial para a transformação da sociedade, promovendo a reflexão, propiciando atitudes que levem a pensar a forma como está sendo organizada a sociedade e como a mesma se posiciona em relação ao meio ambiente (SORRENTINO 2000).”, para que assim, consequentemente os atingidos por essa educação tenham a consciência da própria realidade global que estão inseridos e assim sejam agentes de mudança em prol da sustentabilidade e da conservação ambiental.

Dessa forma, o estudo apresentado remete sobre a importância da Educação Ambiental como prática pedagógica emancipatória, que promova a cultura para a sustentabilidade e a consciência ambiental por intermédio de práticas pedagógicas. Assim sendo, este trabalho irá apresentar reflexões decorrentes da experiência prática, do Projeto de Extensão: O lúdico na Educação Ambiental.



2 METODOLOGIA



O presente estudo foi baseado na experiência de um projeto de extensão intitulado “O lúdico na Educação Ambiental” ofertado pela Universidade José do Rosário Vellano – UNIFENAS aos professores, acadêmicos e comunidade em geral. O objetivo, através de um “curso de verão”, foi despertar o interesse dos participantes em desenvolver práticas de Educação Ambiental de forma lúdica, e assim atuarem como educadores ambientais em escolas, e ações na comunidade. Dentre as iniciativas do projeto, foi realizado um concurso na qual foi intitulado “Práticas em Educação Ambiental: um olhar pelo Brasil”, com a finalidade de selecionar as dez melhores práticas pedagógicas ambientais que estejam acontecendo no Brasil. Nesse processo, diversas pessoas de mais de doze estados brasileiros puderam se inscrever com algum projeto/prática pedagógica. Todo o desenvolvimento do projeto ocorreu por intermédio das plataformas digitais, Google Meet e Live pelo Youtube.



3 RESULTADOS DO PROJETO

O curso de verão “O lúdico na Educação Ambiental”, contou com 126 inscrições sendo que foram selecionados para participar das etapas do curso 90 participantes de diversos estados do Brasil, dentre eles: Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Pará, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Piauí, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará e Paraná. O curso contou com 3 etapas iniciais, realizado em três dias, sendo dividido da seguinte maneira:

1) Educação Ambiental e Sustentabilidade: Nesta primeira etapa do curso, foi abordado os conceitos sobre Educação Ambiental e Sustentabilidade, com o intuito de que todos os participantes percebessem a importância da Educação Ambiental e pudessem refletir sobre novas ações que poderiam ser desenvolvidas na escola ou na comunidade na qual fazem parte, despertando e replicando ações ambientais. Em seguida foi discutido sobre metodologias de projetos para desenvolver a Educação Ambiental, essa discussão e reflexão foi realizada pela professora Maria Cristina da Silva, autora do livro: Educação Ambiental – Sustentabilidade em construção. Por fim, a professora Maria de Fátima Caixeta, apresentou um projeto, na qual desenvolve, nomeado “PEAD Cidadão/Projeto Renova”, projeto que tem como objetivo despertar através da reciclagem a consciência ambiental das crianças e jovens da cidade de Poço Fundo – MG.

Foto 1 - Curso: O lúdico na educação Ambiental - Metodologias de projetos para desenvolver a Educação Ambiental e projeto Renova

Fonte: Elaborado pelas próprias autoras



2) O lúdico e o seu papel na educação / consciência ambiental/ ideias e ações: No segundo dia do curso foi realizada uma oficina livre para aprender/aprimorar a arte da narrativa. Nessa etapa foi apresentada uma oficina sobre técnicas de contação de histórias, envolvendo dicas sobre o que deve ser levado em conta em uma boa contação de história e em um teatro, e como as histórias e o lúdico pode ajudar a desenvolver a consciência ambiental dos alunos. Sendo ministrado pela escritora, contadora de histórias, Rita Nasser. Essa etapa do curso teve como intuito promover a importância da Educação Ambiental utilizando de metodologias lúdicas que possibilitam a aprendizagem e a consciência ambiental de forma mais divertida.

Foto 2 - Curso: O lúdico na Educação Ambiental – Técnicas de contação de histórias ministrada pela escritora Rita Nasser.

Fonte: Elaborado pelas próprias autoras



3) Lúdico na Educação Ambiental: A última etapa e encontro do curso, teve a presença da professora e geógrafa Lindalva Fernandes, coordenadora do projeto “Recicléia” que se localiza no estado do Pará, esse projeto tem como objetivo promover a Educação Ambiental para escolas e comunidade através de cartilhas e teatros usando o lúdico, como lema de proteger o meio ambiente e garantir o uso dos recursos naturais de maneira sustentável. Diante disso, o projeto produziu diversos paradidáticos com abordagens voltadas para a Educação Ambiental, como também teatros e campanhas lúdicas com o intuito de replicar ações ambientais que promovam a sustentabilidade e o olhar para a natureza. O intuito dessa etapa foi possibilitar aos participantes do curso subsídios para novos projetos e ideias para a propagação da consciência ambiental, através de práticas que envolvem a ludicidade.

Foto 3 - Curso: O lúdico na Educação Ambiental – Apresentação do projeto Recicléia, realizado pela professora Maria Lindalva Fernandes

Fonte: Elaborado pelas próprias autoras



Todos os participantes e convidados do curso foram certificados e na terceira etapa, aproveitando o engajamento e participação de diversas pessoas, foi divulgado o concurso “Práticas em Educação Ambiental: um olhar pelo Brasil”, com a finalidade de selecionar as dez melhores práticas pedagógicas ambientais praticadas no Brasil. Nesse processo foram inscritos 45 projetos/práticas pedagógicas de vários estados do Brasil com a temática envolvendo a Educação Ambiental.

Para apuração e seleção dos projetos finalista, os projetos inscritos passaram por uma banca examinadora, composta por 5 avaliadores, sendo estes profissionais da Pedagogia, Ciências biológicas, Linguistas, e profissionais que trabalham com projetos. Dentre os projetos inscritos foram selecionados 10 finalistas, sendo estes:

Biodigestor Residencial: uma prática sustentável, de Guarulhos – SP; Dia Mundial da Limpeza, de Três Pontas – MG; 1ª Feira de Educação Ambiental, de Teresina – Piauí; Minicurso – Braille Sustentável, de Lins – SP; Museu da Sustentabilidade, de Fortaleza – CE; Programa Escola Sustentável, de São Paulo – SP; Palotina recicla o orgânico, de Palotina – PR; Sentimento de pertencimento e identidade do ambiente escolar, de Montes Claros – MG; Tem inteligência e consciência sim, na Escola Bosque Seringal!, de Ananindeua – PA; e Tenda verde na praia, de Belém – PA.

Todos os projetos selecionados foram apresentados na Live do concurso receberam certificação de projeto destaque, conforme mostra a foto 4.



Foto 4- Modelo de certificado oferecido aos 10 finalistas do concurso Práticas em Educação Ambiental: um olhar pelo Brasil.

Fonte: Elaborado pela Extensão da Universidade José do Rosário Vellano.



O evento para além da divulgação dos projetos finalistas, também teve a presença da Professora Maria Henriqueta Andrades Raymundo, pesquisa-colaboradora da Oca-Laboratório de Educação e Política Ambiental da ESALQ/USP e do Laboratório de Análises e Desenvolvimento de Indicadores do LADIS/INPE. Integra a ANPPEA - Articulação Nacional de Políticas Públicas de Educação Ambiental. Com a palestra: Das subjetividades às práticas - Políticas Públicas de Educação Ambiental. Durante a evento, também houve a apresentação do projeto “cozinha pedagógica” criada pelo engenheiro agrônomo Tharley Dias de Souza, que tem como intuito fazer com que as crianças aprendam brincando sobre os cuidados com o meio ambiente e sobre plantação orgânica.

Foto 5 - Evento: Práticas em Educação Ambiental: um olhar pelo Brasil

Fonte: Site da UNIFENAS

O projeto trouxe um leque de oportunidades de conhecimento e networking para todos os participantes inclusive para idealizadoras do projeto que foram convidadas para participarem como organizadora e mediadora do V Encontro Paraense de Educação Ambiental e Pré-X Fórum Brasileiro de Educação Ambiental. O curso "O Lúdico na Educação Ambiental" abordou a ludicidade da metodologia de projetos considerando a interdisciplinaridade e a transversalidade. O desenvolvimento do projeto no formato online possibilitou a participação de pessoas de diversas regiões do Brasil e pode reacender a esperança de que é possível através da Educação transformar o mundo em um lugar melhor e mais sustentável.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos, que é de fundamental importância o desenvolvimento de uma educação empática para promoção da consciência socioambiental, por meio de uma educação ambiental emancipadora, necessitando, que tenhamos um olhar para todos tipos de vidas que compõe nosso meio ambiente, e que estes são essenciais para vida humana, para isso é necessário a reflexão: qual o legado que estamos deixando para as gerações futuras?

Dessa forma, faz-se necessário que não sejamos omissos quanto a nossa responsabilidade com o meio em que vivemos, que sejamos mais empáticos, e reflexivos quanto aos nossos comportamentos, para que possamos apoiar o bem maior e universal, contribuindo para uma sociedade mais sustentável e resiliente, sensibilizando-se com as gerações futuras, deixando um legado que se baseie nos princípios de uma sociedade sustentável que se preocupe com a natureza, com a terra e com os direitos humanos universais.



REFERÊNCIAS

CAPRA, F. A teia da vida: Uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. 5.ed. São Paulo: Cultrix, 1996. 256p.

GOMES, Róger Walteman. Por uma educação ambiental crítica/emancipatória: Dialogando com alunos de uma escola privada no Município de Rio Grande/RS. Jornal Ciência e Natura, Santa Maria, v. 36 n. 3 set- dez. 2014, p. 430–440

SORRENTINO, M. A educação ambiental no Brasil. In: QUINTAS, J. S. (Org.). Pensando e praticando a educação ambiental na gestão do meio ambiente. Brasília: Ibama, volume 3, 2000. (Coleção Meio Ambiente). Série Educação Ambiental.

Ilustrações: Silvana Santos