O modo de funcionamento da humanidade entrou em crise. (Ailton Krenak)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 80 · Setembro-Novembro/2022
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13/09/2022 (Nº 80) ABORDAGEM DAS ARBOVIROSES DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA, NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL, PARA ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
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ABORDAGEM DAS ARBOVIROSES DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA, NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL, PARA ALUNOS DO ENSINO MÉDIO



José Silvio de Sousa Araújo Júnior1; Wallace Felipe Blohem Pessoa2; Carla Soraia Soares de Castro3



  1. Professor da Rede Pública de Ensino, Mestre pelo Programa em Rede Nacional Mestrado Profissional no Ensino de Biologia (PROFBIO), Universidade Federal da Paraíba/UFPB (josesilviojr@hotmail.com)

  2. Professor no Departamento de Fisiologia e Patologia – Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, docente no PROFBIO/UFPB (wallace@ccs.ufpb.br)

  3. Professora no Departamento de Engenharia e Meio Ambiente da Universidade Federal da Paraíba, docente no PROFBIO/UFPB. (csscastro9@gmail.com)





RESUMO

A pesquisa teve o objetivo de desenvolver, por meio da Educação Ambiental, estratégias educativas para sensibilizar os alunos e torná-los agentes multiplicadores no combate as arboviroses dengue, zika e chikungunya. Ações individuais e coletivas são importantes no combate às arboviroses.



Palavras-chave: Conscientização, Meio ambiente, Educação, Arboviroses.



ABSTRACT

This research aimed to develop, through Environmental Education, educational strategies to sensitize students and make them multiplying agents in the combat against dengue, zika and chikungunya arboviruses. Individual and collective actions are important in the combat against arboviruses.



Key words: Awareness, Environment, Education, Arboviruses.



INTRODUÇÃO

As atividades antrópicas provocam impactos negativos que estão relacionados com a crescente urbanização, o consumismo, a superexploração dos recursos naturais e a acelerada produção de resíduos sólidos (RIBEIRO, 2011). Dentre os problemas ambientais e seus impactos no ambiente, na qualidade de vida e na saúde dos seres humanos, os surtos epidêmicos de dengue, zika e chikungunya, arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (WHO, 2016), se agravam pela produção e pelo descarte de resíduos sólidos de forma inadequada (SANTOS, 2012).

A partir da Educação Ambiental (EA) é possível problematizar as ações antrópicas e intervir sobre elas, discutindo alternativas que modifiquem o cenário e promovam melhoras nas condições de vida (BARCELOS, 2010). No que se refere ao ambiente formal de educação, a lei 9.795 de 1998, no artigo 10, prevê que “a Educação Ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal” (BRASIL, 1998).

A Educação Ambiental compreende três macrotendências principais, são elas: educação ambiental conservacionista, pragmática e crítica (LAYRARGUES e LIMA, 2014). Essa última tem um enfoque pedagógico que instiga o comprometimento ambiental nos indivíduos, de modo que estabelece a relação social, histórica e política no processo de sustentabilidade do planeta (LOUREIRO, 2006).

A EA crítica contribui para a formação de um indivíduo ecológico, capaz de promover valores e atitudes na vida individual e coletiva, repensando o seu modo de vida e ressignificando a relação homem e sociedade, tendo Paulo Freire como referência na defesa de uma educação que conceba a emancipação dos indivíduos, escrevendo, assim, sua própria história (CARVALHO, 2004).

No processo educativo, a EA, de acordo com os PCNs, deve atender os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais, refletindo-se numa aprendizagem significativa (BRASIL, 1998). Conforme Ausubel (1978), a aprendizagem significativa está relacionada ao vasto armazenamento de ideias e informações contidas no indivíduo, em que outras recém abstraídas são ancoradas a um determinado aspecto relevante do indivíduo. Nesta perspectiva, essa pesquisa teve o objetivo de abordar e desenvolver, por meio da Educação Ambiental, estratégias educativas no ensino de Biologia para sensibilizar os estudantes e para que eles se tornem agentes multiplicadores no combater as arboviroses dengue, zika e chikungunya.



METODOLOGIA

A pesquisa foi desenvolvida em uma turma da 2ª série do ensino médio regular, envolvendo 17 alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Silvio Porto, localizada no município de Pilõezinhos, Paraíba. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal da Paraíba em cumprimento à Resolução 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde, aprovada em 06/08/2020, com parecer número: 3.487.01.

O processo metodológico seguiu as seguintes etapas: Etapa 1: Diagnóstico (pré-teste), em que foram identificados os conhecimentos prévios dos alunos participantes da pesquisa. Esse diagnóstico foi realizado a partir da análise do questionário pré-teste contendo oito questões, sendo três questões objetivas e cinco questões subjetivas. Etapa 2: Com os conhecimentos prévios dos alunos, foi elaborada uma Sequência Didática (SD) para abordagem do tema. Etapa 3: elaboração de um manual, subsidiado pelas atividades investigativas em relação às arboviroses no contexto da Educação Ambiental. Tais atividades incluíram mapeamento das arboviroses dengue, zika e chikungunya no ambiente local a partir de uma roda de conversa, visita e palestra na Secretária de Saúde Municipal; utilização de garrafas de plástico para construção de armadilhas no combate ao Aedes aegypti e a produção de um vídeo informativo para sensibilização da comunidade no combate à dengue, zika e chikungunya e Etapa 4: processo avaliativo em que foi aplicado novamente o questionário (pós-teste) e as respostas dos alunos foram comparadas.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir da análise do questionário diagnóstico (pré-teste), aplicado aos alunos em agosto de 2019, foi estruturada a Sequência Didática, problematizando as arboviroses dengue, zika e chikungunya. No questionário diagnóstico um percentual elevado de alunos afirmou conhecer as arboviroses dengue (94%), zika (88%) e chikungunya (94%), mas as menções aos sintomas dessas arbovirores foram reduzidas e gerais. A maioria dos alunos (77%) sabia que o vetor dessas arbovirores é um mosquito, mas poucos (17%) souberam mencionar o nome científico do mosquito. (Tabela 1). Bandeira e Arruda (2013) verificaram que alunos do 60 ano de uma escola estadual do Paraná, conhecem o vetor Aedes aegypti, mas apenas 10% conhecem os sintomas da dengue.

Quanto a importância da preservação do meio ambiente no combate ao vetor dessas arboviroses, os alunos apontaram que é necessário evitar água parada (42%), que preservar o meio ambiente evita essas doenças (23%) e que leva a diminuição dos mosquitos (17%), mas alguns alunos não souberam responder (17%). Um pouco mais da metade dos alunos (53%) afirmaram que a comunidade onde vivem não contribui para preservação do meio ambiente, apontando dentre várias ações de combate as arbovirores o destino correto do lixo (29%), as campanhas informativas (17%) e o cuidado com o meio ambiente (12%) (Tabela 1).

Tabela 1 – Respostas dos alunos aos questionários diagnóstico (pré-teste) e após a experiência didática (pós-teste).

PERGUNTAS


PRÉ-TESTE

PÓS-TESTE

Você sabe o que é dengue?

Sim (94%)

Não (6%)

Sim (100%)

Não (0%)

Você sabe o que é zika?

Sim (88%)

Não (12%)

Sim (100%)

Não (0%)

Você sabe o que é chikungunya?

Sim (94%)

Não (6%)

Sim (100%)

Não (0%)

Você conhece algum sintoma da dengue, zika ou chikungunya? Mencione

Febre (70%)

Dor no corpo (64%)

Dor de cabeça (29%)

Vômito (23%)

Manchas vermelhas (17%)

Dor nas articulações (12%)

Pinta vermelha (12%)

Fraqueza (6%)

Dor atrás dos olhos (6%)

Microcefalia (6%)

Náuseas (12%)

Dor nos ossos (6%)

Febre (76%)

Dor de no corpo (53%)

Dor de cabeça (64%)

Vômito (17%)

Manchas vermelhas (42%)

Dor nas articulações (35%)

Pinta vermelha (6%)

Fraqueza (6%)

Dor atrás dos olhos (23%)

Microcefalia (17%)

Diarreia (6%)

Inchaço nas juntas (6%)

Coceira (6%)

Qual vetor da dengue, zika e chikungunya?

Mosquito (77%)

Aedes aegypti (17%)

Não respondeu (6%)

Mosquito (53%)

Aedes aegypti (47%)

Qual a importância da preservação do ambiente no combate ao vetor (mosquito) da dengue, zika e chikungunya?

Evitar água parada (42%)

Evitar doenças (23%)

Diminuição de mosquitos (17%)

Não respondeu (17%)

Evitar água parada (35%)

Evitar doenças (35%)

Diminuição de mosquitos (17%)

Ambiente limpo (53%)

Destino correto de resíduos sólidos (23%)

Não respondeu (0%)

Sua comunidade tem contribuído para preservação do ambiente?

Sim (41%)

Não (53%)

Não respondeu (6%)


Sim (70%)

Não (30%)

Não respondeu (0%)

Em sua opinião que medidas podem ser tomadas para combater o mosquito da dengue, zika e chikungunya?

Não deixar água parada (58%)

Cuidados básicos (35%)

Destino correto do lixo (29%)

Campanha de prevenção (17%)

Cuidar do ambiente (12%)

Combater o mosquito (12%)

Conscientização (6%)

Não respondeu (6%)

Não deixar água parada (65%)

Cuidados básicos (47%)

Destino correto do lixo (41%)

Campanha de prevenção (29%)

Cuidar do ambiente (12%)

Combater o mosquito (23%)

Conscientização (12%)

Não respondeu (0%)

Fonte: Júnior, 2020.



A partir de boletins epidemiológicos e consultas in loco, na Secretária Municipal de Saúde, os alunos coletaram informações que foram usadas a partir de questionamentos: o que o poder público tem feito no combate a essas arboviroses? Como o ambiente é cuidado pela população local? A visita que realizaram na Secretaria Municipal de Saúde permitiu aos alunos compreender o papel da gestão pública no combate à dengue, zika e chikungunya.

Foi realizada uma roda de conversa na qual os alunos relataram o processo de consulta aos números de casos e ações de combate ao Aedes aegypti. O município de Pilõezinhos, Paraíba, onde está localizada a escola, pertence à 2º regional de saúde, localizada na microrregião de Guarabira. Segundo a Gerência Executiva de Vigilância e Saúde da Paraíba, em 2019 até a 52º semana epidemiológica, a região notificou 1152 casos de dengue (6% do total do estado); 270 casos de Chikungunya (18% do total do estado) e 48 casos de zika (10% do total do estado) (SINAM, 2019).

Os alunos expressaram a opinião de que as pessoas deveriam ter um maior cuidado com seu quintal, seu terreno, com o lixo, com as caixas d’água, garrafas plásticas e de vidros, pois apesar da Lei 12.305/10 regulamentar o destino dos resíduos sólidos (BRASIL, 2010), eles observaram lixo a céu aberto numa comunidade próxima à escola. Os alunos questionaram a prefeitura de quais providências estavam sendo tomadas. A gestão municipal informou que está finalizando um plano de ação de combate a essas arboviroses e que incluí eliminar esses focos de proliferação do vetor e realizar campanhas informativas.

Em estudo realizado por SILVA et al., (2019), os autores mostraram que pelo menos uma das arboviroses (dengue, zika e chikungunya) é de conhecimento das pessoas da comunidade (72% dos entrevistados), que identificaram corretamente o vetor (81% dos entrevistados) e relacionaram a separação e destinação do lixo com ações para reduzir a incidência dessas arboviroses (94% dos entrevistados).

Essas atividades abrangeram três (03) aulas, em setembro de 2019, sendo encerrada com uma aula, na qual ocorreu o mapeamento de palavras-chave, com fotos da realidade local e com os números de casos de dengue, zika e chikungunya pesquisados pelos alunos. Nessa atividade, os alunos, foram sujeitos ativos na execução de um jogo em que fixaram no chão, do pátio da escola, as fotos e usaram uma bola para ser jogada em círculo. O aluno que deixasse a bola cair retirava uma palavra-chave de um saco e deveria associar a palavra com a imagem do mapeamento que foi realizado, contendo aspectos relacionados a essas arboviroses.

O processo de reciclagem tem sido amplamente debatido e implementado em várias regiões com o advento da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos do Brasil (BRASIL, 2010). Neste sentido, foi elaborado o seguinte questionamento: como as condições ambientais podem interferir no ciclo reprodutivo do mosquito vetor dessas arboviroses? Essa atividade aconteceu em setembro de 2019, com duração de três (03) aulas, nas quais os alunos se organizaram em equipes e coube ao docente provocá-los sobre “como produzir uma armadilha com itens que seriam descartados (garrafas plásticas) para captura do mosquito Aedes aegypti? Os alunos pesquisaram, coletaram garrafas plásticas e realizaram o experimento de captura no qual observaram o desenvolvimento das fases do mosquito e compartilharam coletivamente as informações pesquisadas em relação aos resíduos sólidos e o combate a essas arboviroses.

Essa pesquisa promoveu compreensão e sensibilização aos alunos levando a ampliação e a elaboração de ideias sustentáveis no combate a arboviroses. Nessa etapa, os alunos foram instigados a usar a tecnologia, produzindo vídeos a partir da investigação dos problemas elencados. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aponta que a partir do uso de tecnologias digitais é possível disseminar informações, produzir conhecimento, estabelecer comunicação e promover o protagonismo do aluno (BRASIL, 2018).

A partir do questionamento: “Qual a responsabilidade da comunidade no combate ao vetor das arboviroses dengue, zika e chikungunya?”, os alunos propagaram na sua comunidade a preservação ambiental a partir da questão epidemiológica. Envolver a comunidade no processo de ensino-aprendizagem é uma parceria relevante, pois remete a uma maior compreensão do contexto social em que os alunos vivem e no qual estão inseridos, ação prevista nos PCNs (BRASIL,1998).

Coletivamente os alunos elaboraram uma mensagem informativa, enfatizando a preservação ambiental e a responsabilidade de cada um de nós no combate ao Aedes aegypti. O vídeo foi exibido em sala de aula e na ocasião todos expressaram suas opiniões quanto a importância de uma campanha permanente de sensibilização. Essa atividade ocorreu em outubro de 2019 e abrangeu duas (02) aulas.

Também em outubro de 2019 os alunos visitaram o Colégio Agrícola Vidal de Negreiros (CAVIN), Campus III da UFPB, localizado no município de Bananeiras, Paraíba, visando proporcionar aos alunos um momento que contribuísse com a ancoragem de conhecimentos que agregaram na Sequência Didática (SD). Os alunos foram recebidos pelo coordenador que falou sobre os projetos que são executados pelo Colégio, dentre eles a Olimpíada de Meio Ambiente (OMA) que buscar partilhar e sensibilizar as escolas públicas da Paraíba sobre Educação Ambiental. Em seguida, o palestrante debateu com os alunos sobre os resíduos sólidos, abordando temas como a produção de resíduos sólidos no Brasil, a importância da separação de resíduos sólidos, a coleta seletiva e doenças provocadas pelo descarte incorreto dos resíduos sólidos. Os alunos participaram não apenas como ouvintes, mas com questionamentos, experiências vividas e indagações sobre a problemática dos criadouros artificiais do Aedes aegypti.

Em um segundo momento, os alunos conheceram a experiência de sustentabilidade no CAVIN. Uma instrutora os acompanhou e debateu sobre o processo de arborização, o cuidado com o solo, da necessidade de plantarmos e eliminarmos os terrenos baldios, usando o espaço para hortas, jardins, evitando assim no espaço o armazenamento de lixo. Os alunos puderam fazer perguntas e observar algumas técnicas de conservação ambiental.

Os alunos prepararam um seminário com base no questionamento: “Qual a importância da educação ambiental no combate das arboviroses dengue, zika e Chikungunya? Os alunos se dividiram em três equipes, cada uma ficou responsável por trazer informações sobre o vetor (história, desenvolvimento e ciclo), sobre as doenças: dengue; zika e chikungunya (sintomas, números de casos e medidas profiláticas) e a relação dessa problemática com a preservação ambiental. Para isso, os alunos pesquisaram em material bibliográfico, elaboraram fichamentos e um mapa conceitual que foi apresentado, na forma de seminário, inicialmente, na sala de aula, depois no contra turno, na Educação de Jovens e Adultos (EJA), de forma a compartilhar a investigação que realizaram sobre o Aedes aegypti, ocorrendo em outubro de 2019, com duração de duas (02) aulas.

Os alunos demonstraram segurança na apresentação construída por eles mesmos, esclarecendo dúvidas de alunos da EJA, assumindo o protagonismo, a mudança de postura em relação a saberes antes do senso comum e agora críticos. O seminário, em sua amplitude, é um congresso científico, cultural ou tecnológico (CARVALHO, 2006) que a partir de uma pesquisa consistente, permitiu aos estudantes partilharem, dando condições de compreenderem e delimitarem o tema, sistematizando um debate claro e responsável.

Os alunos responderam novamente o questionário (pós-teste) após essas experiências didáticas. As repostas revelaram uma melhora qualitativa e também quantitativa (maior percentual de respostas). As menções aos sintomas das arboviroses se ampliaram (diarreia, inchaço nas juntas e coceira foram incluídos), bem como o percentual de respostas dos sintomas aumentaram demonstrando um aprofundamento do conhecimento (Tabela 1). Verificou-se que com as atividades realizadas envolvendo os alunos de forma ativa em mapeamentos, pesquisas e jogos, palestras e seminários, o percentual de alunos que informaram o nome científico do vetor dessas arboviroses (Aedes aegypti), foi maior que no questionário diagnóstico (pré-teste). Aqui foi constato, conforme Silva e Bejarano (2013), que a problematização permite que os alunos questionem e confrontem os conhecimentos, trazidos de suas vivências, com as novas informações que lhe são apresentadas, melhorando seus conhecimentos.

Os alunos também ampliaram sua percepção sobre o combate ao vetor dessas arboviroses e da importância em cuidar do meio ambiente. As principais medidas de prevenção e combate ao Aedes Aegypti, veiculadas em órgãos oficiais, apontam evitar água parada, remover galhos e folhas das calhas, manter garrafas de plástico, de vidro e latinhas para baixo, acondicionar pneus em locais cobertos, fazer manutenção de piscinas, fechar os ralos e manter o ambiente limpo (BRASIL, 2019). Silva et al. (2018) argumentam que a participação da população, juntamente, com os órgãos competentes é essencial para o controle da proliferação do vetor da dengue, bem como o papel das campanhas educativas em localidades endêmicas. O mesmo se aplicada para zika e chikungunya.

Enquanto sujeitos ativos os alunos perceberam a relação do meio ambiente com a problemática das arboviroses, incorporando uma nova postura, alinhada a uma Educação Ambiental crítica, ao assumir responsabilidades, passando pelo envolvimento efetivo de todos da comunidade (SATO, 1997). Neste sentido, é necessário refletir sobre as relações dos seres entre si, do ser humano com ele próprio e com seus semelhantes (VASCONCELLOS, 2010). Assim, sobressaem-se as instituições de ensino, como ambientes de abordagem e discussão de problemas ambientais e da necessidade de preservação do meio ambiente, através de ações que favoreceram a reflexão e o comprometimento.

Com isso foi possível elaborar o Manual de Práticas Educativas (Figura 1), material que pode ser utilizado por professores no processo de ensino-aprendizagem, bem como foi instrumento de informação e de sensibilização que contribuiu para o desenvolvimento conceitual dos alunos.

Figura 1 - O Manual de Práticas Educativas: Educação Ambiental no enfrentamento da Dengue Zika e Chikungunya elaborado com as atividades desenvolvidas com os alunos.



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REFERÊNCIAS

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Ilustrações: Silvana Santos