![]() |
A natureza não faz milagres; faz revelações. Carlos Drummond de Andrade
ISSN 1678-0701 · Volume XXIV, Número 96 · Setembro-Novembro/2026
|
|
Conteúdo educacional sem propagandas
Esta publicação é um projeto educacional elaborado de forma voluntária. Doando qualquer quantia,
você estará criando uma conexão genuína com esta publicação,
minimizando custos de confecção e manutenção da revista.
Ajude-nos a continuar transformando vidas.
Muito obrigada!
LIVRO EXPLICA COMO A EDUCAÇÃO CLIMÁTICA PODE FORTALECER PROTAGONISMO DE JOVENS NA CRISE DO CLIMA Nova publicação da coleção Agenda Política Pública destaca a urgência de financiamento, inclusão de novas vozes e o papel dos governos locais no empoderamento de jovens diante da vulnerabilidade socioambiental Post category:Universidade https://jornal.usp.br/?p=1023915 01/07/2026 Por Izabel Leão
Organizações internacionais têm destacado a necessidade de integrar crianças e jovens nas políticas climáticas – Foto: Divulgação / DWIH Em um momento decisivo para as discussões ambientais globais, acaba de ser lançada uma obra essencial para compreender o papel das novas gerações diante das transformações do planeta. O livro, intitulado Juventudes, educação climática e ação local para enfrentar a crise climática, traz um diagnóstico aprofundado sobre como os jovens, embora sejam os menos responsáveis pelo aquecimento global histórico, sofrerão as consequências mais severas se medidas urgentes não forem tomadas. A obra está diponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP. A publicação, que integra a coleção Agenda Política Pública (Volume 20) do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, conta com 64 páginas de análise, propostas práticas e articulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do protagonismo juvenil.. A autoria é dos pesquisadores Graciane Simone, da Faculdade Integrada da Amazônia, e Daniel Moura, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, com a organização de Pedro Roberto Jacobi e Valeriana Augusta Broetto, ambos também vinculados ao IEE. Segundo o texto de apresentação, o livro aborda as barreiras institucionais e a falta de financiamento que ainda limitam a participação efetiva dos jovens nos espaços formais de tomada de decisão, apesar do altíssimo engajamento dessa parcela da população na agenda climática mundial. Para preencher essa lacuna, os autores defendem que a educação ambiental e climática nas escolas e comunidades atue como uma ferramenta estratégica fundamental. Ela integra o conhecimento científico a valores socioambientais e competências para que crianças e jovens se tornem, de fato, lideranças em seus próprios territórios. Em reflexões compartilhadas sobre a essência do projeto e sobre suas respectivas trajetórias na governança ambiental, são destacadas a urgência de descentralizar o debate climático e incluir novas vozes: “A governança climática global e os processos de justiça socioambiental só serão verdadeiramente efetivos quando conseguirmos romper as barreiras institucionais que silenciam as novas gerações. Minha trajetória, unindo comunicação, mobilização social e política climática, me mostra diariamente que o fortalecimento da participação juvenil e a disseminação de conhecimento na ponta são as chaves para promover soluções sustentáveis reais e de impacto local“, reflete Graciane Simone, coautora da obra e especialista em relações internacionais e engajamento juvenil. Para Valeriana Augusta Broetto, coorganizadora do livro, advogada e pesquisadora em ciência ambiental, “a complexidade jurídica e a necessidade de resiliência frente a crises e desastres socioambientais exigem que a ciência caminhe lado a lado com as políticas públicas locais. Discutir a educação climática sob a perspectiva dos direitos humanos significa assegurar que governos municipais criem, de forma prática, mecanismos participativos e programas educacionais robustos que empoderem e protejam as nossas juventudes”. Dados da crise climática De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o aquecimento global já ultrapassou 1,1 °C em relação aos níveis pré-industriais. Isso significa que os efeitos da mudança climática – como ondas de calor mais intensas, secas prolongadas, enchentes, deslizamentos e perda de biodiversidade – já fazem parte da realidade cotidiana, especialmente em países do Sul Global, incluindo o Brasil e seus vizinhos latino-americanos. Nesse contexto, os impactos climáticos vão além da dimensão ambiental e se traduzem em perdas materiais, deslocamentos forçados, insegurança alimentar e instabilidade social. Essas consequências recaem com maior intensidade sobre comunidades que já enfrentam vulnerabilidades econômicas, raciais, territoriais e geracionais. Assim, a crise climática funciona como um multiplicador de desigualdades existentes, apontam os autores na introdução da obra. Na América Latina, os efeitos sociais dessa crise já são visíveis. Segundo o relatório The Impact of Climate Change on Child and Youth Poverty in Latin America, cerca de 5,9 milhões de crianças, adolescentes e jovens latino-americanos poderão ser empurrados para a pobreza até 2030 em decorrência direta dos impactos climáticos. Apesar dessa vulnerabilidade crescente, menos de 3,5% do financiamento climático multilateral é destinado a iniciativas voltadas para crianças e jovens. Esse dado evidencia um paradoxo central da governança climática atual: as juventudes estão entre as populações mais afetadas pela crise, mas permanecem sub-representadas nos processos de decisão e nas estratégias de enfrentamento.
Organizações internacionais têm destacado a necessidade de integrar crianças e jovens nas políticas climáticas como condição para alcançar as metas do Acordo de Paris. Relatórios recentes recomendam que governos nacionais e locais desenvolvam estratégias participativas de mitigação e adaptação, vinculadas à agenda de Action for Climate Empowerment (ACE), reconhecendo a juventude não apenas como beneficiária, mas como parceira na construção da transição ecológica. Entre as ações estão iniciativas comunitárias, programas de voluntariado e a certificação de escolas sustentáveis. Como afirmam os autores na obra, “fortalecer a educação climática e ampliar a participação das juventudes na governança ambiental torna-se uma condição fundamental para promover sociedades mais justas, resilientes e sustentáveis”. A publicação Juventudes, educação climática e ação local para enfrentar a crise climática está disponível aqui |