A natureza não faz milagres; faz revelações. Carlos Drummond de Andrade
ISSN 1678-0701 · Volume XXIV, Número 96 · Setembro-Novembro/2026
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Apresentação
03/09/2026 (Nº 96) EDITORIAL – A EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM TODAS AS SUAS DIMENSÕES
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EDITORIAL – A EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM TODAS AS SUAS DIMENSÕES

Setembro–novembro/2026

É com muita alegria que lançamos a 96ª edição da Revista Educação Ambiental em Ação, apresentando experiências que, embora diferentes em dimensão, contexto e alcance, têm algo essencial em comum: mostram que a Educação Ambiental acontece de muitas formas e em todos os lugares onde alguém decide transformar conhecimento, sensibilidade e preocupação em ação.

Esta edição inspirou-se na frase “A natureza não faz milagres; faz revelações.”, de Carlos Drummond de Andrade, uma reflexão poética e filosófica que nos convida à humildade e à observação atenta do mundo natural. Quando relacionada à ideia distorcida de que eventos climáticos extremos representam uma “vingança” da natureza contra a humanidade, a frase ganha ainda mais força e urgência.

A natureza não age por intenção ou retaliação. Ela revela — por meio de secas prolongadas, enchentes devastadoras, ondas de calor, furacões intensos e tantas outras manifestações — desequilíbrios agravados pelas ações humanas. Esses eventos não são punições, mas consequências relacionadas ao desmatamento, às emissões de gases de efeito estufa, à poluição, à degradação dos ecossistemas e a tantas outras formas de interferência sobre os sistemas naturais.

Ao atribuir à natureza uma ideia de “vingança”, projetamos sobre ela uma agência moral que ela não possui e desviamos o foco daquilo que realmente importa: a responsabilidade humana e a necessidade urgente de mudança. A frase de Drummond torna-se, assim, também um chamado à ação. A solução para a crise ambiental não está em esperar por milagres, mas em transformar práticas, reduzir impactos e restaurar aquilo que foi danificado.

E é justamente isso que esta revista pretende colocar na vitrine: ações concretas e inspiradoras, capazes de indicar caminhos para mudanças necessárias e servir de bússola para um agir mais comprometido com a vida.

Algumas iniciativas apresentadas nesta edição nascem de grandes projetos e envolvem instituições, universidades, escolas, órgãos públicos, comunidades inteiras e políticas capazes de alcançar milhares de pessoas. Outras começam quase silenciosamente, a partir da iniciativa de uma única pessoa, de uma pequena mudança de hábito, de um olhar mais atento para o lugar onde se vive ou de uma escolha diferente na maneira de consumir, produzir, ensinar, plantar, alimentar-se, cuidar dos resíduos ou simplesmente relacionar-se com os demais seres que compartilham conosco este planeta.

E talvez uma das maiores riquezas da Educação Ambiental esteja justamente aí: não existe uma medida mínima para que uma ação tenha importância. Uma árvore plantada não é uma floresta, mas pode ser o começo dela. Uma criança sensibilizada não transforma sozinha uma sociedade, mas pode levar para sua família uma nova maneira de perceber e valorizar o ambiente que sustenta a vida. Uma pessoa que muda seus hábitos de consumo talvez não altere imediatamente os grandes sistemas de produção, mas participa da construção de outros valores e influencia quem está ao seu redor.

Da mesma forma, grandes programas, pesquisas, mobilizações coletivas e políticas públicas ampliam essas possibilidades e criam condições para que mudanças individuais se multipliquem. Não se trata, portanto, de escolher entre a ação individual e a transformação estrutural. Precisamos das escolhas cotidianas e da mobilização coletiva; da sensibilização e do conhecimento científico; da escola e da comunidade; das iniciativas locais e das políticas públicas.

Nesta edição, essa diversidade se apresenta como uma das faces mais potentes da Educação Ambiental. Encontramos ações ligadas à natureza, à biodiversidade, ao território, à alimentação, à cultura, à escola, à pesquisa, à participação social e às escolhas cotidianas. Encontramos pessoas que fizeram de suas próprias trajetórias uma forma de cuidar e outras que atuam coletivamente para transformar realidades muito maiores.

São caminhos diferentes que se encontram no reconhecimento de que não estamos separados do ambiente: fazemos parte dele.

A Educação Ambiental transita por todas essas escalas porque, antes de qualquer coisa, trabalha com relações: nossa relação com a natureza, com outras pessoas, com os lugares onde vivemos e com aquilo que escolhemos produzir, consumir, preservar ou transformar.

E é muito significativo perceber que tantas pessoas procuram, cada vez mais, por essas reflexões e experiências. Desde 2007, quando passamos a contabilizar os acessos ao sistema da revista, já ultrapassamos a marca de 39 milhões, mantendo atualmente uma média diária superior a 20 mil acessos. Mais do que números, vemos pessoas em busca de informações, ideias, referências e possibilidades de ação — e é isso que nos motiva a continuar.

Nesta nova edição, convidamos nossos leitores a percorrerem essa diversidade de experiências sem procurar classificá-las como pequenas ou grandes demais. Talvez seja mais importante perguntar: o que cada uma delas pode despertar em nós?

Porque grandes transformações precisam de estruturas, políticas e mobilização coletiva, mas também começam quando alguém olha para uma realidade e decide não permanecer apenas como espectador.

E cada ação conta.

Bere Adams e Equipe da revista
Educação Ambiental em Ação

www.revistaea.org



Ilustrações: Silvana Santos