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Entrevista para a 28ª
Edição da Educação Ambiental em Ação (www.revistaea.
Apresentação: A entrevista desta edição é com mais uma pessoa que sabe encantar, e que faz a diferença na busca da tão necessária sociedade sustentável, através da arte com reaproveitamento de materiais. Maria Helena Bueno, moradora de Novo Hamburgo/RS, começou sua carreira artística a partir de cursos que frequentou no Ateliê Livre Municipal de Novo Hamburgo/RS, desde 1998, e hoje é integrante do Projeto Apoema - Educação Ambiental, onde coordenará trabalhos e oficinas de arte com reaproveitamento voltadas para crianças e para a adultos da terceira idade. Esta entrevista retrata um pouco da sua trajetória que dividimos com todos leitores da Educação Ambiental em Ação.
Bere (B) - Como você se descobriu
como artista? E quando você começou a trabalhar com materiais descartados ou
resíduos?
Maria Helena (MH) - A arte sempre
me fascinou, na dança, no teatro, na pintura, no desenho, na poesia, enfim,
quando a gente tem uma afinidade com a beleza da diversidade, a gente não tem
como não se sentir artista. A sintonia que existe entre você e o ser artista
está no inusitado, na criação que é um momento único e divino. A gente não
se descobre artista, os outros que enxergam você como um ser artista. Sou de
uma família humilde. Morei muitos anos com meus avós que eram pessoas muito
simples, mas muito sábias. Eles viam muito valor na simplicidade. Então,
trabalhar com materiais recicláveis não foi uma escolha. O desejo veio ao
natural. Eu amava sair pelos campos e matas a procura de uma pedra
estranha, um galho seco, e coisas naturais que tivessem formas exóticas. O
canto dos pássaros me encantava. As cores das borboletas, o balanço das árvores
na dança da brisa, o canto do córrego entre as pedras, tudo isso era motivo
para dar forma a uma obra de arte, pois tinha movimento, cor, som, e me
inspirava, e tudo isto ainda é fonte de inspiração para mim.
B - Você tem preferência por
algum tipo de material para os seus trabalhos?
MH - Não tenho preferência por
algum tipo de material. O que acontece é que quando vejo alguns materiais:
uma caixa, uma embalagem plástica, um pedaço de madeira, logo me vem muitas
idéias para transformá-los em algo mais do que simplesmente um material
descartado. Caixas viram mesas, armações de sombrinhas viram móbiles, e
cada material me traz um novo desejo de transformação através da arte.
B - Como você percebe o seu
processo criativo?
Maria Helena - Para mim o processo
criativo é algo divino. Observo por algum tempo, em meditação, e aflora
mais uma obra de arte.
B - Você tem alguém que lhe
incentivou para fazer este trabalho?
MH - Meu incentivo, como já
falei, vem de meus avós, mas também vem pelo meu Anjo da Guarda!
B - Tem algum trabalho especial
que você gostaria de destacar?
MH - Sim, as "Marias". São
sete bonecas que foram nascendo, uma a uma. Cada uma tem um nome e uma história.
Em 2008 elas acabaram ganhando vida na peça "Marias", e me
proporcionou ir ao palco para contracenar com elas. Foi uma experiência
maravilhosa. Esta peça teve uma grande equipe, uniu a arte, a representação
e dança, que foi coordenada e coreografada pela bailarina e
coreógrafa Carla Regina Macedo, também de Novo Hamburgo/RS.
B - Em 2008, então, foi
apresentado o espetáculo "Marias". Conte-nos um pouco de como foi
esta experiência.
MH - Este espetáculo foi
supreendente e teve muita repercussão local. Quase lotou o teatro com
capacidade para 500 pessoas. Foi uma experiência com muita verdade e muito
descobrimento, pois tratava da essência do universo feminino. Houve uma
transformação na vida de muitas pessoas depois do espetáculo. Foi uma
mensagem de amor que alcançou muitas pessoas.
B - Como você percebe a reação
das pessoas quando admiram o seu trabalho?
MH - Com muita surpresa, pois meu
trabalho é um trabalho bem diferente. Eu gosto muito de ver e sentir a reação
das pessoas, é algo mágico, que mexe com elas.
B - Desde que começou este
trabalho, o que mudou na sua vida?
MH - Este trabalho me proporciona
trabalhar o lado terno das pessoas, e me dá muita paz. Sinto que não preciso
muito para ser feliz e quero ter mais tempo para me dedicar a este trabalho
criativo. É neste momento que me conecto com os mistérios do Universo.
B - Deixe-nos um recado. Pode ser
uma frase, um poema, um pensamento.
MH - Deixo esta mensagem: seja
sempre gentil, amável. Tenha paciência, não julgue, brinque muito e sonhe
muito sempre. Para brincar e sonhar não tem idade.
B - Agradecemos a você, Maria
Helena, por sua disponibilidade em nos conceder essa entrevista e pelo
trabalho que você desenvolve, pois a Arte é fundamental na vida das pessoas,
pois ela é uma importante fonte de inspiração para promover a sensibilização
e a mudança. A Equipe da Educação Ambiental em Ação, agradece por sua
valiosa participação nesta edição.
Para saber mais, clique em:
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