A primeira lei da ecologia é que tudo está ligado a todo o resto. (Barry Commoner)
ISSN 1678-0701 · Volume XX, Número 75 · Junho-Agosto/2021
Início Cadastre-se! Procurar Área de autores Contato Apresentação(4) Normas de Publicação(1) Artigos(8) Notícias(4) Dicas e Curiosidades(1) Reflexão(4) Para sensibilizar(1) Dúvidas(3) Entrevistas(1) Arte e ambiente(1) Educação(1) Você sabia que...(1) Sementes(1) Ações e projetos inspiradores(1) Cidadania Ambiental(1) O Eco das Vozes(1) Relatos de Experiências(14)   |  Números  
Você sabia que...
08/06/2021 (Nº 75) A ÁGUA NÃO VAI ACABAR, MAS PRECISA SER MELHOR GERENCIADA
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=4133 
  

A ÁGUA NÃO VAI ACABAR, MAS PRECISA SER MELHOR GERENCIADA



Samuel Giordano.



O estoque de água no mundo é constante há 500 milhões de anos.



Para se debater as questões da água podemos começar pela sua formação no planeta Terra.


Afinal a água nem sempre esteve presente na Terra em sua forma líquida, sólida e ou de vapor. Nos processos de formação da Terra, os vulcões emitiram grandes quantidades de gases tais como nitrogênio, gás carbônico, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, metano, vapor d´água e outros. Essas emissões formaram a atmosfera.

Com o passar dos milênios a temperatura diminuiu e os gases começaram a se condensar, formando os núcleos de condensação (também conhecidos como nuvens). Começou então um ciclo no qual a precipitação do vapor de água, na forma líquida, retornou à Terra atraída pela gravidade.

A água em seu estado líquido começou a se acumular na superfície, originando os oceanos primitivos com altas concentrações de sais. Com a chuva houve o escorrimento, erosão das rochas, transporte de partículas e acúmulo nas depressões. A infiltração através da superfície formou as águas de subsolo. Com a emersão dos continentes formaram-se as lagoas, rios, pântanos e os primeiros organismos vivos. Com a evolução das plantas começou um processo de grande liberação de oxigênio e absorção de gás carbônico nos processos fotossintéticos.

As rochas mais antigas de ambientes aquáticos datam de 3,8 bilhões de anos.

Essa é a indicação do surgimento de água na forma líquida na Terra.

O oxigênio livre, por sua vez, aparece com os processos de fotossíntese das plantas datando de 2,7 bilhões de anos. Assim, a água que temos hoje no planeta é a mesma, em mesma quantidade, do que antes?

Sim.

Isso nos remete à questão da falta de água no planeta.

A quantidade de água na terra é estimada entre 1,4 a 1,5 bilhão de km³ e tem permanecido constante durante os últimos 500 milhões de anos.

Apesar de termos a impressão de que ela está desaparecendo, que há falta de água, a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há centenas de milhões de anos.

Portanto, o que muda é o estado da água (sólida, líquida ou vapor) e a sua distribuição.


Os três problemas na questão água são:


• A poluição das águas, principalmente nas áreas urbanas causa escassez de disponibilidade de água limpa para o homem.

Muitas vezes o uso irracional das águas, a apropriação indevida do recurso natural por poucas pessoas, a falta de gerenciamento adequado de bacias hidrográficas, causam a escassez para muitas populações, especialmente as menos favorecidas.

Tal qual a distribuição de renda no Brasil, a distribuição das águas é também pouco democrática e desigual causando toda a sorte de problemas, doenças e ausência de renda.


O Brasil é um país aquinhoado com a maior quantidade de água do planeta em suas bacias hidrográficas, porém tem uma taxa de irrigação de apenas 5,6% de suas áreas cultivadas enquanto que o sudeste da Ásia irriga cerca de 42% de suas áreas cultivadas.

Gerenciar bem as águas e distribuí-las equanimemente, pode ser um caminho para gerar emprego, renda e dignidade no campo, principalmente nas regiões de escassez de água.

O ataque a esses problemas pode ajudar o Brasil a sair da inércia e da desigualdade em que se encontra.





Fonte: Água On line

http://www.aguaonline.com.br/materias.php?id=4206&cid=7&edicao=707





Ilustrações: Silvana Santos