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A
CARTA DA TERRA COMENTADA - COM SUGESTÕES PARA TRABALHOS COM DOCENTES (Módulos
de Atividades indicado para coordenadoras) Introdução A
Carta da Terra é um dos documentos mais significativos utilizados nas
atividades que constituem a Educação Ambiental/EA: A
idéia da Carta da Terra surgiu a partir da Eco 92, onde a ONU criou um órgão
que posteriormente foi transformado na ONG Earth Council, com sede na Costa
Rica. Uma de suas missões é elaborar e manter atualizada a Carta da Terra, uma
declaração universal para orientar a humanidade a caminhar com o
desenvolvimento sustentável e criar uma ética globalizada, um código de
conduta para pessoas e nações rumo à sustentabilidade, capaz de refrear o
consumismo predatório dos países ricos e eliminar a escassez extrema, não só
de alimentos, como de educação, oportunidades, informação e meios de
sobrevivência básicos[1]
. Por
isto, pela sua beleza e importância, apresentamos a proposta de trabalho
integrado desta carta com educadores e educadoras, a fim de incentivar o seu uso
como recurso para o desenvolvimento de uma nova consciência, oportunizando
aos educadores e educadoras
vivenciar valores que serão repassados para alunos e alunas. A
principal finalidade é a de proporcionar ao corpo docente uma vivência
significativa deste importante documento de referência sobre a Educação
Ambiental. Nós, educadores/as, devemos ter consciência de que é chegada a
hora de MUDAR, de ousar, de buscar alternativas pedagógicas derrubando
os muros das práticas educacionais tradicionais e cartesianas, deixando
penetrar, no ambiente escolar, a valorização da vida, que nunca teve
sua matrícula garantida nos bancos escolares. É claro que esta mudança deverá
ser introduzida aos poucos, com calma, com sutileza e com muita reflexão.
Mas, antes de buscar a mudança na educação,
devemos buscar a mudança da nossa postura frente a vida, frente a educação,
frente a mudança. Sabemos, então, que é preciso mudar, e mudar significa
arriscar, ousar, acreditando nos propósitos que objetivam esta mudança. Cada
um de nós precisará fazer uma avaliação da maneira como estamos vivendo.
É desta forma que iniciaremos
este trabalho
de sensibilização: propondo uma reflexão
individual, reflexão esta que será discutida em grupos através de atividades
específicas. A
Carta da Terra foi aqui dividida em sete módulos que podem ser trabalhados em
um curso específico ou em espaços de reuniões pedagógicas. Esperamos que
este trabalho possa colaborar com a inserção da EA nas escolas. O texto
original da Carta da Terra é apresentado na cor preta para destacar dos comentários
e sugestões. Berenice
Gehlen Adams
Março/2003 Módulo
1 A
CARTA DA TERRA UNESCO
(*) PREÂMBULO Estamos
diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a
humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez
mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes
perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que no meio
de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família
humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças
para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza,
nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz.
Para chegar a este propósito, é imperativo que, nós, os povos da Terra,
declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande
comunidade da vida, e com as futuras gerações. COMENTÁRIO
- Em seu preâmbulo a Carta da Terra apresenta o retrato do caos que se
instalou no processo do desenvolvimento da humanidade, e por incrível que pareça,
para muitas pessoas ainda é difícil acreditar que estejamos vivendo momentos
cruciais e decisivos na vida do planeta. Não é o caso de se utilizar idéias
catastróficas, que mais imobilizam do que sensibilizam. Trata-se de enxergar
com clareza que a “coisa está feia mesmo” e que é nosso dever
fazermos algo para mudar este quadro sócio-ambiental. SUGESTÃO:
Sugerimos destinar um momento das reuniões pedagógicas para o estudo da Carta
da Terra ou iniciar os módulos programáticos partindo da leitura do Preâmbulo
– especificamente do primeiro parágrafo. A partir da leitura, realizar uma
dinâmica que leve a uma auto-reflexão das posturas de cada um em relação ao
ambiente, propondo as seguintes reflexões: “Como eu conduzo minha vida?”,
“Quais são meus objetivos?”, “Sou uma pessoa muito consumista?”,
“Tenho interesse nas questões ambientais?”, “Como é minha alimentação?”,
“Sou muito influenciado pela mídia?”, “Tenho contatos periódicos com a
Natureza?”. Estas e outras questões não deverão ser respondidas, a não ser
internamente. Para realizar esta atividade podemos utilizar cartazes com as
frases – ou escrever a frase no quadro e dar um minuto para refletir sobre
ela, até que todas as frases sejam apresentadas – uma música de fundo é
bem-vinda. A coordenação poderá fazer uma conclusão da reflexão dizendo que
“sabemos que nosso sistema educacional vigente (com raras exceções) não
leva em conta as questões ambientais, e que somos frutos desta educação.
Portanto, não podemos, nem devemos nos sentir
culpados pela atual situação ambiental, mas
sim, estar abertos/as às mudanças necessárias que devem ocorrer para que nos
tornemos seres conscientes e integrados ao ambiente”.
Também é indicado utilizar recursos poéticos e/ou musicais para atividades de
sensibilização como o poema a seguir: Compromisso
Terra
Berenice
Gehlen Adams Grande
ser do universo: Terra De
infinitas faces De
infinitas formas de vida De
infinitas histórias e aventuras Hoje Com
teu corpo doído e sofrido Com
teu sangue corrompido e manchado Com
tua pele machucada e queimada Ainda
persistes em acolher bem O
teu filho predador Que
é também predador de si próprio Hoje
é nosso dever Assumirmos
contigo O
compromisso de te cuidar De
te recuperar, de te regenerar A
começar pela própria regeneração humana Por
que a humanidade está cega Pelas
promessas Das
modernas ciências do saber Que
reconhecem, timidamente, a sua pequenez Por
não encontrarem alternativas Para
curar o mal causado a ti E
a todas as formas de vida que tu abrigas. E
é por teu amor incondicional Que
transcende a compreensão humana Que
assumimos o compromisso De
gritar por ti clamando alteridade, caridade,
amorosidade, respeito. Terra Grande
ser do universo A
ti pedimos perdão Pela
nossa insensatez Assumimos
hoje De
forma individual e global O
compromisso de resgatar A
consciência integral Para
que cada ação nossa colabore Para
o nascimento de uma nova humanidade Que
te respeite, que te honre Que
te ame verdadeiramente. Salve,
Terra! *
Para finalizar o módulo, comentar sobre as atividades destacando pontos de dúvidas
que ficaram em aberto. Módulo 2
Terra,
Nosso Lar A
humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está
viva com uma comunidade de vida única. As forças da Natureza fazem da existência
uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições
essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da
comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma
biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de
plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente
global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas.
A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. COMENTÁRIO:
Neste ponto do preâmbulo da Carta da Terra são ressaltados os valores mais
preciosos relacionados à vida do planeta que são os sistemas ecológicos da
biosfera. Os ecossistemas são encarregados por manter equilíbrio da vida no
planeta. Até pouco tempo atrás não tínhamos a noção da finitude dos
recursos extraídos da biosfera utilizados em larga escala para a produção de
objetos que se destinam a dar comodidades para a humanidade. A prática da
industrialização somente leva em conta as vantagens econômicas da exploração
dos recursos naturais. Hoje sabemos que se este processo continuar neste ritmo,
estaremos pondo em risco a vida das atuais e futuras gerações, bem como a vida
do planeta. Faz-se necessário refletirmos sobre o quanto estamos contribuindo
para a extinção destes recursos e o que é possível fazer para colaborar com
a proteção da vida. SUGESTÃO:
Dando continuidade ao tema nas reuniões pedagógicas, ou módulo programático,
ler este ponto da Carta da Terra para o grupo de educadores/as e propor uma
reflexão sobre os hábitos de consumo. Utilizar uma técnica artística
sugerindo que cada um crie um desenho, ou pintura cujo tema possa ser “Integração”,
“Sustentabilidade”, “Ambiente” ou simplesmente “Terra”. Acrescentar
ao trabalho uma frase que simbolize a aproximação do ser humano com a vida em
seu amplo contexto, que será lida para todos como forma de concluir esta etapa.
Se houver oportunidade, trabalhar a música “Terra, Planeta Água” de
Guilherme Arantes. Também sugerimos o trabalho com o seguinte texto: O
NOSSO MEIO AMBIENTE
Berenice
Gehlen Adams Quando
falamos em “nosso meio ambiente” é importante perceber o sentido da
palavra “nosso” dentro de um diferente contexto. O sentido da palavra
“nosso” não se refere a algo que nos pertence, como propriedade,
como algum objeto sobre o qual temos posse. Falar em “nosso ambiente”
diz respeito à “nossa forma de vida” como um todo.
Quando falamos em “nosso meio ambiente” estamos falando da nossa
vida, em seu amplo contexto e tudo o que a ela se relaciona. Estamos incluídos
neste meio ambiente, pois ele nos perpassa e somos parte dele. Quando
falamos que no meio ambiente encontramos tudo o que precisamos para viver,
estamos falando de nossas necessidades vitais, pois sem ambiente não é possível
existir vida. Portanto,
quando falamos em “nosso ambiente” devemos perceber que dele fazemos
parte e que o que acontece com o meio ambiente acontece conosco. É como falar
em “nosso
grupo”,
“nosso trabalho”, “nosso corpo”, “nosso universo”,
como algo do qual fazemos parte e não de algo do qual somos donos ou temos domínio.
Vivemos
em um ambiente social, político, econômico, geográfico e cultural que nos
coloca em uma posição privilegiada e separada do ambiente natural. Alguns
discursos apresentam, em sua essência, que os recursos naturais existem
exclusivamente para nos servir e que dele podemos fazer uso para o nosso próprio
benefício, sem levar em conta a implicação disto para o meio ambiente e sem
levar em conta a finitude dos recursos naturais. Esta cultura consumista,
progressista, dissocia e distancia o ser humano da natureza e do meio ambiente
colocando-o sempre no topo, em um pedestal. Somos “endeusados” por nós
mesmos. É chegada a hora de perceber que tudo está relacionado como uma grande
teia. É preciso destronar o ser humano como “rei” do universo. Somos
nada, absolutamente nada, sem o nosso meio ambiente. *
Para finalizar o módulo, comentar sobre as
atividades destacando pontos de dúvidas que ficaram em aberto. Módulo
3 A
Situação Global Os
padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação
ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies.
Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão
sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando.
A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e
é causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população
humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança
global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis. COMENTÁRIO:
Este ponto do preâmbulo aponta o problema
sócio-ambiental proveniente dos modelos de produção e consumo. Além de
provocarem a degradação ambiental e a extinção das espécies, provocam também
a disparidade entre as classes sociais responsáveis por inúmeras formas de
exclusão. Os seres humanos não têm as mesmas possibilidades de vida digna. SUGESTÃO:
Dando continuidade ao tema nas reuniões
pedagógicas, ou módulo programático, ler este ponto da Carta da Terra
para o grupo de educadores/as e propor uma reflexão sobre os hábitos sociais.
Utilizar uma técnica de redação sugerindo que cada um crie um texto (pequeno)
cujo tema possa ser “Solidariedade”, “Consumo” ou simplesmente
“Degradação do Ambiente”. Após a realização da tarefa, dividir os
participantes em grupos de cinco e cada grupo fará uma síntese dos trabalhos,
reunindo as idéias mais importantes para serem apresentadas ao grande grupo.
Também proponho o trabalho com a música “O Sal da Terra”, de Beto
Guedes, como
recurso de sensibilização: O Sal
da Terra
Anda,
quero te dizer nenhum segredo Falo
nesse chão da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar Tempo,
quero viver mais duzentos anos Quero
não ferir meu semelhante nem por isso quero me ferir Vamos
precisar de todo mundo Pra
banir do mundo a opressão Para
construir a vida nova, vamos precisar de muito amor A
felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver A
paz na Terra, amor O
pé na Terra A
paz na Terra, amor O
sal da Terra... És o mais bonito dos planetas Estão
te maltratando por dinheiro Tu
que és a nave, nossa irmã Canta,
leva tua vida em harmonia E
nos alimenta com teus frutos Tu
que és do homem, a maçã Vamos
precisar de todo mundo Um
mais um é sempre mais que dois Pra
melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão É
criar o paraíso agora para merecer quem vem depois Deixa
nascer o amor... Deixa fluir o amor Deixa
crescer o amor... Deixa viver o amor O
sal da Terra!!! *
Para finalizar o módulo, comentar sobre as atividades destacando pontos de dúvidas
que ficaram em aberto. Módulo
4 Desafios
Para o Futuro A
escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos
outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias
mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida.
Devemos entender que quando as necessidades básicas forem atingidas, o
desenvolvimento humano é primariamente ser mais, não, ter mais. Temos o
conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos
impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está
criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão
interligados e juntos podemos forjar soluções includentes. COMENTÁRIO:
Este ponto do preâmbulo aponta o grande
desafio que se apresenta neste contexto vigente: formar uma nova consciência
provocando mudanças de atitudes que colaborem para minimizar os impactos sócio-ambientais
já destacados. Estamos
vivendo uma época de grandes transformações: sociais, econômicas, políticas,
ambientais. Estas mudanças que estão acontecendo nem sempre são positivas,
como quando o pobre fica cada vez mais pobre, o político fica cada vez mais
corrupto, a economia mais decadente com o desemprego e com a falta de recursos
para atender as necessidades da população, e o meio ambiente cada vez mais
poluído e devastado. Desta forma, cai a qualidade de vida urbana e ocorre um
descaso muito grande com o meio ambiente, tornando-o cada vez mais danificado.
Encarar os problemas ambientais é essencial, pois é do ambiente que depende a
qualidade de vida da população. É preciso que as pessoas se conscientizem
para a conservação e preservação do
meio ambiente, pois isto sim trará inúmeras melhorias em nossa qualidade de
vida. A sociedade pode se unir e exigir dos órgãos governamentais uma
fiscalização das empresas que geram poluição, lixo tóxico, que ocasionam a
falta de saúde da população em geral. A economia pode se voltar para o
incentivo à reciclagem, ao reflorestamento, à preservação investindo em ações
sócio-ambientais, dando oportunidade às empresas que estão inseridas no
contexto do meio ambiente, gerando mais empregos. Os políticos deveriam
apresentar projetos de preservação e de conservação do meio ambiente visando
a melhoria da qualidade de vida. Se
hoje não tivermos uma postura e uma consciência ambiental, reparando os danos
causados ao meio ambiente e evitando novos desastres ecológicos, a continuidade
e a qualidade de vida estará comprometida. Este, sim, seria o maior erro que a
humanidade poderia cometer contra ela própria. SUGESTÃO:
Dando continuidade ao tema nas reuniões
pedagógicas, ou módulo programático, ler este ponto da Carta da Terra
e os comentários apresentados para o grupo de educadores/as a fim de
proporcionar uma reflexão sobre a importância de atitudes conscientes
conectadas com o ambiente. Utilizar uma técnica de dramatização sugerindo
que, em grupos, os participantes interpretem algo com os seguintes conceitos,
relacionando-os com situações ambientais: RESPEITO, PRESERVAÇÃO, RECICLAGEM,
POBREZA, ÁGUA, POLUIÇÃO, EXTINÇÃO, COLABORAÇÃO. Cada grupo receberá uma
palavra e em poucos minutos combinarão algo para representar. Ao final da
apresentação dizer o tema específico da apresentação. Também
sugerimos o texto abaixo que poderá ser lido para o fechamento do módulo: Bons
tempos aqueles... Berenice
Gehlen Adams Era
um dia quente, de verão, daqueles insuportáveis. A avó, sentada em sua
cadeira de balanço, abana seu leque sem parar. Não mais suportando o calor,
pede para Max, seu neto, abrir a janela. Com um suspiro aliviado, sente uma
suave brisa tocar sua face enrugada. Já ia entardecendo.
A avó, saudosa, olha para o velho aparelho de ar condicionado. “Bons
tempos aqueles”, pensa a avó. O
sol já ia se pondo no horizonte, e o neto, como de costume, começa a acender
algumas velas distribuídas, estrategicamente, pela casa. Volta a sentar perto
da avó e pede a ela que lhe conte como eram os tempos em que não havia o
racionamento de energia elétrica. Com ares de tristeza, ela começa seu relato: -
Há muitos anos atrás, sempre havia energia elétrica disponível, dia e noite!
Era tão prático que as pessoas nem se davam conta de sua importância.
Raramente “faltava luz” e quando isto acontecia, a companhia recebia
centenas de ligações com reclamações. Nas casas, quanto mais luzes acesas,
aparelhos ligados, melhor. Era um desperdício total. Os aparelhos de ar
condicionado ficavam permanentemente ligados. Até que começaram a ocorrer os
primeiros “black outs”. A população foi avisada quanto aos riscos
de racionamento, se não ocorresse uma mudança em relação ao consumo de
energia. Muitas campanhas foram feitas, mas de nada adiantou. Aqueles que não
podiam pagar eram os que mais poupavam, mas, em compensação, muitos diziam:
“ Eu pago, então, uso a vontade”. Ninguém
acreditava que um dia chegaríamos a este ponto. -
Puxa, vovó! Então isso tudo é por causa da falta de consciência das pessoas?
Será que elas não pensaram nas futuras gerações? – perguntou o neto. -
É, Max, – disse a avó – infelizmente as pessoas não deram ouvidos às
campanhas e avisos. Agora, estamos sofrendo as conseqüências. E
o neto perguntou: -
E a senhora, vovó, poupava energia elétrica? Inquieta
e levantando-se da cadeira, a avó responde: -
Estou cansada, meu neto, tenho que me recolher. Por favor, apague as velas pois
temos poucas, ainda. Boa noite! Max
fez o que a avó solicitou e ambos foram dormir. A
avó, naquela noite, custou para pegar no sono. Aquela pergunta do neto ficou
ecoando em seus pensamentos durante muito tempo: “E a senhora, vovó, poupava
energia elétrica?”. Redação
premiada no concurso Ação e Redação AES Sul – julho/2000 – Tema -
Conscientização do bom uso da energia elétrica Comentários
sobre a redação: Esta
redação apresenta uma visão futurista a respeito dos riscos do racionamento
de energia elétrica, em não havendo um consumo moderado no momento presente.
Apresenta uma visão do senso comum que justifica o problema com a
falta de conscientização por parte da população em não poupar energia. Com
um olhar fora deste contexto, tão declarado e conhecido (a população sempre
tem a "culpa", eximindo toda e qualquer responsabilidade dos poderes
econômicos e/ou governamentais), podemos refletir que de vítimas acabamos
sendo condenados a carregar uma culpa que é, na verdade, deste estrondoso
processo de industrialização, de modernização, de consumismo, que passa por
cima de tudo e de todos em busca de lucratividade e acúmulo de bens. Devemos
poupar energia por que somente desperdiça quem não reconhece a importância
dela dentro do contexto global e universal. Devemos,
sim, poupar energia elétrica, não para não sermos "castigados" com
o racionamento, mas pelo amor que temos com a natureza, com o ambiente, com a
vida. Devemos
poupar energia por sabermos que este é um bem precioso, que é gerado por outro
bem, bem maior, que é a natureza. Devemos
poupar energia por Amor ao Planeta!- Berenice
Gehlen Adams – *
Para finalizar o módulo, comentar sobre as atividades destacando pontos de dúvidas
que ficaram em aberto. Módulo
5 Responsabilidade
Universal Para
realizar estas aspirações devemos decidir viver com um sentido de
responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre
bem como com nossa comunidade local. Somos ao mesmo tempo cidadãos de nações
diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas.
Cada um comparte responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem estar da
família humana e do grande mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade
humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência
o mistério da existência, com gratidão pelo presente da vida, e com humildade
considerando o lugar que ocupa o ser humano na natureza. Necessitamos
com urgência de uma visão de valores básicos para proporcionar um fundamento
ético à emergente comunidade mundial. Portanto, juntos na esperança,
afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de
vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os
indivíduos, organizações, empresas de negócios, governos e instituições
transnacionais será guiada e avaliada. COMENTÁRIO:
Este ponto do preâmbulo aponta a importância
da união e do respeito para com todas as formas de vida e entre as diferentes
culturas das raças humanas. Para tanto, são formulados princípios que nortearão
atitudes que proporcionem o desenvolvimento de uma nova ética de vida que
priorize o respeito às diferenças e ao ambiente. SUGESTÃO:
Dando continuidade ao tema nas reuniões
pedagógicas, ou módulo programático, ler este ponto da Carta da Terra
para o grupo de educadores/as e propor uma reflexão sobre a importância de
aplicar princípios éticos tanto em nossa vida social como familiar. Em todos
os lugares: no trabalho, em casa, na igreja, no comércio, na produção. Mas
nada disto será possível se dentro de nós não tivermos claros quais os princípios
que queremos e devemos seguir para alcançar um mundo justo e sustentável. Pode
ser utilizada uma técnica de redação sugerindo que cada um crie um princípio
ou um objetivo que possibilite uma mudança de atitude, partindo da idéia “O
que eu posso fazer para colaborar com a mudança?” Ao final cada um relata
o princípio ou objetivo que acha importante ser alcançado para possibilitar as
mudanças de atitudes nos cidadãos e nas cidadãs. Distribuir o texto abaixo e
pedir para um colega fazer a leitura oral. Comentar a atividade destacando
pontos de dúvidas que ficaram em aberto. Se
a Terra falasse... Berenice
Gehlen Adams Eu
me chamo Terra. Tenho 4,6 bilhões de anos e abrigo centenas de milhares de
seres vivos. Possuo muitas riquezas e inúmeros ecossistemas. Os oceanos cobrem
cerca de dois terços de minha superfície. Sou envolvida pela atmosfera que
chega a algumas centenas de quilômetros acima da minha crosta. Estou mudando
constantemente desde que nasci. Por exemplo, na Era Glacial estive coberta por
uma grossa camada de gelo. Houve o tempo dos Dinossauros que dominavam grande
parte de meu ambiente, e que devido a mudanças naturais bruscas, não
resistiram e acabaram morrendo. Apesar de todas estas mudanças, sentia-me bem,
pois sabia que tudo fazia parte de um ciclo natural. Muito
tempo se passou e hoje em dia sinto-me fraca, muito fraca... Minhas florestas
estão sendo destruídas por queimadas e desmatamentos, provocando inúmeras
perdas de espécies animais e vegetais. Meus rios e oceanos estão sendo poluídos
com lixo, dejetos e rejeitos de indústrias, e minha atmosfera está sendo
danificada. O lixo acumulado demora a se decompor provocando feridas em minha
crosta. Tudo está sendo destruído e só porque sou muito grande, apenas poucos
acreditam que estou correndo perigo de vida, bem como todos os seres vivos que
abrigo. Os próprios humanos (responsáveis por todo esse caos) sofrem de inúmeras
enfermidades causadas pelo desequilíbrio ecológico, contaminação das águas,
poluição, e nem por isso tomam as providências necessárias para reverter
esta situação. Eu
sou o seu Planeta, o seu paraíso, presente de Deus, que lhes oferece tudo o que
é necessário. Preciso da sua ajuda e peço que cuidem bem de mim plantando,
reciclando, despoluindo, para que possamos viver em harmonia novamente, para que
muitos animais e plantas continuem vivendo e para que as condições de vida
humana melhorem, antes que seja tarde demais... *
Para finalizar o módulo, comentar sobre as atividades destacando pontos de dúvidas
que ficaram em aberto. Módulo
6 PRINCÍPIOS COMENTÁRIO:
Este ponto da Carta da Terra apresenta
os Princípios que nortearão atitudes para a efetiva mudança. Esta sessão
pode ser mais extensa que a dos módulos anteriores, pois trata dos específicos
princípios norteadores da Carta da Terra. Estes princípios estão divididos em
quatro temas que são: I.
RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE
VIDA II.
INTEGRIDADE ECOLÓGICA III.
JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA IV.
DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ SUGESTÃO:
A sugestão para trabalhar estes princípios
é a de que o corpo docente seja dividido em quatro grupos e cada grupo será
responsável por uma das temáticas. Em grupo serão discutidos todos os princípios
de cada tema. Após a leitura e discussão destes princípios o grupo montará
um painel para apresentar de forma criativa os princípios discutidos que serão
apresentados ao findar o trabalho. I.
RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA 1.
Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. a.
Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor,
independentemente do uso humano. b.
Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial
intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade. 2.
Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor. a.
Aceitar que com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais
vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger o direito
das pessoas. b.
Afirmar que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder comporta
responsabilidade na promoção do bem comum. 3.
Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis
e pacíficas. a.
Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as
liberdades fundamentais e dar a cada uma a oportunidade de realizar seu pleno
potencial. b.
Promover a justiça econômica propiciando a todos a consecução de uma subsistência
significativa e segura, que seja ecologicamente responsável. 4.
Garantir a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações. a.
Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas
necessidades das gerações futuras. b.
Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que
apoiem, a longo termo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da
Terra. Para
poder cumprir estes quatro extensos compromissos, é necessário: II.
INTEGRIDADE ECOLÓGICA 5.
Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com
especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais
que sustentam a vida. a.
Adotar planos e regulações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis
que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte
integral de todas as iniciativas de desenvolvimento. b.
Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera,
incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de
sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança
natural. c.
Promover a recuperação de espécies e ecossistemas em perigo. d.
Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que
causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução
desses organismos daninhos. e.
Manejar o uso de recursos renováveis como a água, solo, produtos florestais e
a vida marinha com maneiras que não excedam as taxas de regeneração e que
protejam a sanidade dos ecossistemas. f.
Manejar a extração e uso de recursos não renováveis como minerais e combustíveis
fósseis de forma que diminua a exaustão e não cause sério dano ambiental. 6.
Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e
quando o conhecimento for limitado, tomar o caminho da prudência. a.
Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos
ambientais mesmo quando a informação científica seja incompleta ou não
conclusiva. b.
Impor o ônus da prova àqueles que afirmam que a atividade proposta não causará
dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano
ambiental. c.
Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas
globais, cumulativas, de longo termo, indiretas e de longa distância. d.
Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o
aumento de sustâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas. e.
Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente. 7.
Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as
capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário. a.
Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e
consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos. b.
Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais
aos recursos energéticos renováveis como a energia solar e a do vento. c.
Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa de
tecnologias ambientais saudáveis. d.
Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço
de venda e habilitar aos consumidores identificar produtos que satisfaçam as
mais altas normas sociais e ambientais. e.
Garantir acesso universal ao cuidado da saúde que fomente a saúde reprodutiva
e a reprodução responsável. f.
Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e o suficiente material
num mundo finito. 8.
Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e uma
ampla aplicação do conhecimento adquirido. a.
Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à
sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em
desenvolvimento. b.
Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em
todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar
humano. c.
Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a
proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao
domínio público. III.
JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 9.
Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social, econômico e
ambiental. a.
Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos
solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos
nacionais e internacionais requeridos. b.
Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência
sustentável, e dar seguro social [médico] e segurança coletiva a todos
aqueles que não são capazes de manter-se a si mesmos. c.
Reconhecer ao ignorado, proteger o vulnerável, servir àqueles que sofrem, e
permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações. 10.
Garantir que as atividades econômicas e instituições em todos os níveis
promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável. a.
Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro e entre nações. b.
Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações
em desenvolvimento e aliviar as dívidas internacionais onerosas. c.
Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis,
a proteção ambiental e normas laborais progressistas. d.
Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras
internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e
responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades. 11.
Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o
desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, ao
cuidado da saúde e às oportunidades econômicas. a.
Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência
contra elas. b.
Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica,
política, civil, social e cultural como parceiros plenos e paritários,
tomadores de decisão, líderes e beneficiários. c.
Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a criação amorosa de todos
os membros da família. 12.
Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente
natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o
bem-estar espiritual, dando especial atenção aos direitos dos povos indígenas
e minorias. a.
Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas na raça, cor,
gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou
social. b.
Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos,
terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis
de vida. c.
Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os para cumprir
seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. d.
Proteger e restaurar lugares notáveis, de significado cultural e espiritual. IV.
DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ 13.
Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e
proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do
governo, a participação inclusiva na tomada de decisões e no acesso à justiça. a.
Defender o direito a todas as pessoas de receber informação clara e oportuna
sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que
poderiam afetá-las ou nos quais tivessem interesse. b.
Apoiar sociedades locais, regionais e globais e promover a participação
significativa de todos os indivíduos e organizações na toma de decisões. c.
Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica,
de associação e de oposição [ou discordância]. d.
Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e
judiciais independentes, incluindo mediação e retificação dos danos
ambientais e da ameaça de tais danos. e.
Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. f.
Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios
ambientes e designar responsabilidades ambientais a nível governamental onde
possam ser cumpridas mais efetivamente. 14.
Integrar na educação formal e aprendizagem ao longo da vida os conhecimentos,
valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. a.
Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas
que os habilite a contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável. b.
Promover a contribuição das artes e humanidades assim como das ciências na
educação sustentável. c.
Intensificar o papel dos meios de comunicação de massas no sentido de aumentar
a conscientização dos desafios ecológicos e sociais. d.
Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência
sustentável. 15.
Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. a.
Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e diminuir seus
sofrimentos. b.
Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem
sofrimento externo, prolongado ou evitável. c.
Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies
que não são o alvo [ou objetivo]. 16.
Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz. a.
Estimular e apoiar os entendimentos mútuos, a solidariedade e a cooperação
entre todas as pessoas, dentro e entre nações. b.
Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a
colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver
conflitos ambientais e outras disputas. c.
Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma
postura não provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos
pacíficos, incluindo restauração ecológica. d.
Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição
de massa. e.
Assegurar que o uso de espaços orbitais e exteriores mantenham a proteção
ambiental e a paz. f.
Reconhecer que a paz é a integridade criada por relações corretas consigo
mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com o
grande Todo do qual somos parte. Para
finalizar o módulo, comentar sobre as atividades destacando pontos de dúvidas
que ficaram em aberto. Módulo
7 O
CAMINHO ADIANTE Como
nunca antes na história o destino comum nos conclama a buscar um novo começo.
Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para
cumprir esta promessa, temos que comprometer-nos a adotar e promover os valores
e objetivos da Carta. Isto
requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de
interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e
aplicar com imaginação a visão de um
modo de vida sustentável a nível local, nacional, regional e global. Nossa
diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão
suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e
expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que
aprender da continuada busca de verdade e de sabedoria. A
vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode
significar escolhas difíceis. Porém necessitamos encontrar caminhos para
harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem
comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família,
organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências,
as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as
empresas, as organizações não governamentais e os governos são todos
chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade
civil e empresa é essencial para uma governabilidade efetiva. Para
construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar
seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações
respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos
princípios da Carta da Terra junto com um instrumento internacional legalmente
vinculante com referência ao ambiente e ao desenvolvimento. Que
o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida,
por um compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, pela rápida luta pela
justiça e pela paz e pela alegre celebração da vida. COMENTÁRIO:
O
fechamento da Carta da Terra nos sensibiliza e nos comove, ao mesmo tempo
em que nos incentiva a buscar a mudança que não só é necessária como também
possível, se acreditarmos que temos capacidade para isto. Neste sentido a Educação
Ambiental torna-se uma importante aliada da Carta da Terra porque é através da
educação propriamente dita que alcançamos mudanças: A
educação ambiental fomenta novas atitudes nos sujeitos sociais, e novos critérios
de tomada de decisões dos governos, guiados pelos princípios de
sustentabilidade ecológica e diversidade cultural, internalizando-os na
racionalidade econômica e no planejamento do desenvolvimento. Isto implica em
educar para formar um pensamento crítico, criativo e prospectivo, capaz de
analisar as complexas relações entre processos naturais e sociais, para atuar
no ambiente com uma perspectiva
global, mas diferenciada pelas diversas condições naturais e culturais que o
definem. (LEFF, 2001:256). SUGESTÃO:
Refletir sobre o texto de fechamento da Carta da Terra e, para encerrar,
fazer a leitura do conto a seguir: A
Alma da Escola
Berenice
Gehlen Adams
Era uma vez uma Escola. Uma Escola que nasceu de um sonho: o sonho de tornar as
pessoas capazes de viver em sociedade com amor, respeito, alegria, de forma
organizada, onde cada um aprenderia a desenvolver seu potencial criativo para
bem viver com todos os seres, em um ambiente saudável e feliz. Era uma Escola
que educava para a vida. Nesta Escola havia muitos professores e alunos que
viviam alegres e em harmonia. Uns aprendiam com os outros; todos ensinavam a
todos. Aprendiam que tudo na Terra tem valor. Sempre respeitavam a todos,
principalmente os mais velhos. Eram solidários, amigos e demonstravam uma
grande integração e respeito ao ambiente. Com
o passar dos anos, a Escola foi crescendo e aos poucos foi mudando. Só que esta
mudança não foi uma boa mudança porque os professores começaram a ficar
severos, punitivos, exigentes, e tudo o que tinha valor eram notas altas, letra
bonita, bom comportamento, conhecimento - quanto mais, melhor. Com isto as crianças
deixaram de ser alegres e curiosas. Estudavam para tirar boas notas, escreviam
bonito para agradar o professor, decoravam a matéria para provas e
comportavam-se bem para evitar que chamassem os pais, para reclamações.
Aqueles que não se enquadravam, passaram a ser considerados incapazes e
improdutivos. Pouco
a pouco, a Escola foi ficando cada vez mais triste. Até que um dia a alma da
Escola começou a chorar muito. Pois é, Escola tem alma, vocês sabem... Vendo
aquela triste mudança a Escola pensou: “Tenho que fazer alguma coisa! Isto não
pode continuar assim!”. Foi então que ela se lembrou do velho Sábio que
morava numa montanha próxima. O Sábio conhecia a Escola desde pequenina. A
Escola chamou o passarinho bem-te-vi, que voava por ali, e pediu que mandasse um
recado ao Sábio. O pássaro, sem demora, voou até o alto da montanha, e com um
belo, mas triste, trinado, passou ao sábio o recado. Antes
de descer a montanha, o Sábio entrou na caverna, pegou algumas sementes,
enrolou-as numa folha de bananeira e seguiu em direção da Escola. Chegando
lá, o Sábio logo viu que as coisas não andavam bem. Percebeu que estava
faltando, naquela Escola, o principal: o amor pela vida. Ficou observando como
as crianças brincavam/brigavam e como os professores davam suas aulas. Como era
um sábio, logo entendeu o por quê da Escola estar pedindo socorro.
Esperou o sinal do final da aula e depois que todos haviam partido para suas
casas, sentou-se no pátio e, de olhos fechados, pôs-se a conversar com a
Escola. -
Querida Escola, vejo que as coisas não vão bem, mas não fique triste. Estou
aqui para ajudá-la! A
Escola, então, falou: -
Sabe o que é, Sábio, não estou me sentindo muito bem. Sinto muito frio e
muita tristeza, pois ninguém mais sorri como outrora. As crianças estão
ficando adultas cedo demais. Brigam, competem, não lêem mais histórias e
falam como se fossem “gente grande”, e o que é pior, os professores
valorizam mais as crianças que se portam assim. Não estão mais preocupados em
educar para a vida e sim educar para o trabalho, para o vestibular, e para
melhor competir com o seu semelhante. Isto está gerando muita discórdia e
ressentimento. Eles estão, professores e alunos, distanciando-se cada vez mais
do ambiente e dos seres que também têm direito a vida.
O que devo fazer, Sábio? Estou muito fraca e acabarei morrendo. O que
restará será simplesmente um prédio frio, sem vida, sem alma, apenas um depósito
de pessoas grandes e pequenas... O
Sábio, após pensar um pouco, falou: -
Este é um sério problema, Escola, mas todo problema tem solução. Trouxe
comigo algumas sementes de conscientização que colhi de uma linda árvore.
Elas serão espalhadas antes do início das aulas. Logo, começarás a sentir
alguns efeitos. Quando as sementes começarem a brotar, professores e crianças
ficarão mais sensíveis e começarão a sentir falta do contato com a natureza,
do respeito, da amizade, do amor. Aos poucos passarão a perceber o que é
realmente importante para a vida e tudo começará a modificar. -
Mas, Sábio, como farei isto? Como poderei espalhar as sementes? O
Sábio riu e disse: -
Não te preocupes! Deixarei as sementes no canto do telhado e pedirei ao amigo
Vento para fazer isto. Durante sete dias ele soprará estas minúsculas
sementes que se espalharão pelo ar e entrarão no coração de cada um. Aos
poucos as sementes germinarão e frutificarão. Porém, é preciso ter paciência.
A
Escola respondeu que era difícil ter paciência, mas que iria fazer um esforço,
pois sabia que valeria a pena. Falou, então, ao Sábio: -
Sábio, sei que não deveria ter deixado chegar a este ponto tão crítico.
Mantive meus olhos fechados por muito tempo e não estava conseguindo ver esta
realidade, até que a tristeza passou a ser insuportável. Acredito que vamos
conseguir, com estas sementes, trazer de volta a VIDA e o AMOR que está
faltando. E
o Sábio diz: -
Escola, tenha fé e confiança. Logo, logo perceberás as mudanças. Na medida
em que conhecerem melhor a si próprios, tanto professores como alunos, passarão
a ver e viver com respeito por tudo e por todos. E isto sairá pelos portões
afora, chegará aos lares e por fim estará em todos os lugares: fábricas, indústrias,
igrejas, hospitais, parques, florestas... Agora, tenho que ir! A
Escola despede-se do Sábio com palavras de agradecimento, e de repente, chama-o
de volta: -
Senhor Sábio, tenho uma pergunta! Onde conseguiste tais sementes? Que árvore tão
maravilhosa é esta? O
Sábio retorna alguns passos e responde serenamente: -
Foi numa árvore especial, muito grande, muito linda, mas pouco conhecida e
compreendida. É chamada Árvore da Educação Ambiental. Daquele
dia em diante, a alma da Escola voltou a sorrir... *
Para finalizar o módulo, comentar sobre as atividades destacando pontos de dúvidas
que ficaram em aberto. Conclusão
Este
trabalho possibilitará aos educadores e educadoras uma vivência da Carta da
Terra incentivando mudanças de atitude, contribuindo para uma assimilação
deste importante documento de referência para a prática da Educação
Ambiental. A Carta da Terra é um compromisso ético com a integridade da vida
em seu amplo contexto. Assumir
este compromisso é um ato de cidadania planetária, conceito este presente na
Ecopedagogia apresentada por Moacir Gadotti. Para
este autor “A ecopedagogia implica uma reorganização dos currículos para
que incorporem certos princípios defendidos por ela. Esses princípios
deveriam, por exemplo, orientar a concepção dos conteúdos e a elaboração de
livros didáticos. Piaget nos ensinou que os currículos devem complementar o
que é significativo para o aluno. Sabemos que isto é correto, mas incompleto.
Os conteúdos curriculares têm de ser significativos para o aluno, e só serão
significativos para ele se esses conteúdos forem significativos também para a
saúde do planeta, para o contexto mais amplo (...) A ecopedagogia defende ainda
a valorização da diversidade cultural, a garantia para manifestações ético-política
e cultural das minorias étnicas, religiosas, políticas, sexuais, a democratização
da informação e a redução do tempo de trabalho, para que todas as pessoas
possam participar dos bens culturais da humanidade. A ecopedagogia, portanto, é
também uma pedagogia da educação multicultural (...) Ela não se dirige
apenas aos educadores, mas aos habitantes da Terra em geral (...) a ecopedagogia
pretende ir além da escola: ela pretende impregnar toda a sociedade” (GADOTTI,
2000 : 92;93).
Referências ADAMS, Berenice G. Projeto
Vida – Educação Ambiental: http://sites.uol.com.br/projetovida GADOTTI, Moacir. Pedagogia
da Terra. São Paulo: Editora Fundação Peirópolis, 2000. http://www.geocities.com/Heartland/Valley/5990/carta.html LEFF, Enrique. Saber
Ambiental Sustentabilidade Racionalidade Complexidade Poder. Petrópolis:
Vozes, 2001 NOTA (*) No dia 14 de março de
2000 na Unesco em Paris foi aprovada depois de 8 anos de discussões em todos os
continentes, envolvendo 46 países e mais de cem mil pessoas, desde escolas primárias,
esquimós, indígenas da Austrália,do Canadá e do Brasil, entidades da
sociedade civil, até grandes centros de pesquisa, universidades e empresas e
religiões a Carta da Terra. Ela deverá ser apresentada e assumida pela ONU no
ano 2002 com o mesmo valor da Declaração dos Direitos Humanos. Por ela
poder-se-ão agarrar os agressores da dignidade da Terra, os Pinochets
anti-ecológicos em qualquer parte do mundo e levá-los aos tribunais. Na Comissão
de Redação estavam Mikhail Gorbachev, Maurice Strong, Steven Rockfeller,
Mercedes Sosa, Leonardo Boff e outros. Aqui segue a Carta para ser discutida em
todos os âmbitos. [1] Histórico da Carta da Terra extraído do site http://www.geocities.com/Heartland/Valley/5990/carta.html Contatos com a autora: projetovida@uol.com.br |