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Entrevist@ com Genebaldo Freire
Dias
Por Berenice Gehlen Adams
Para a revista eletrônica Educação Ambiental em Ação (15a. Edição -
Dez/2005)
Apresentação: Esta edição da revista eletrônica Educação
Ambiental em Ação tem a honra de apresentar a entrevist@ com o ilustre
professor Genebaldo Freire Dias, Biólogo, Mestre e Doutor em Ecologia, autor de
diversos livros de Educação Ambiental. Lançou neste ano (2005) o livro
"40 Contribuições Pessoais Para Sustentabilidade" pela Gaia Editora.
Recentemente participou do programa Sem Censura apresentando o seu livro e
falando sobre as atividades que desenvolve, entre elas a Educação Ambiental.
Vamos conhecê-lo mais um pouco através desta entrevista.
- Professor Genebaldo, conte-nos como surgiu o seu interesse pela Educação
Ambiental e desde quando você se dedica a esta prática? O que o levou a
escolher este caminho?
Comecei a lecionar aos 17 anos (Física). A educação sempre me fascinou.
Queria novos caminhos, propostas. Buscava sempre a prática. Depois como
professor de Química e Biologia, pude reunir esses conhecimentos, ampliando a
percepção dos processos naturais.
Sempre tive curiosidade sobre as formas como a natureza se organizava,
funcionava. Buscava sempre respostas para nossos comportamentos (como mamíferos
e como ser eucultural).
Daí, nos anos 70 veio a poluição, baía de minamata, Estocolmo e toda aquela
revolução. Daí foi um pulo!
- Como você percebe a Educação Ambiental (EA) de uma forma geral? Você
poderia definir a EA em poucas palavras?
Defino como umas forma de ampliar a percepção socioambiental e reduzir a
pegada ecológica humana.
Percebo como um processo por meio do qual se tenta reduzir sofrimentos evitáveis,
combater o analfabetismo ambiental e ampliar as chances evolutivas da espécie
humana.
- Fale-nos um pouco sobre suas perspectivas em relação à Educação
Ambiental: você percebe mudanças significativas nas pessoas, ao longo destes
anos trabalhando com a EA?
Percebo sim. No Brasil essas questões ambientais estão presentes nas empresas,
nos negócios, nos governos, nas comunidades. Temos entretanto, resistências
fantásticas dentro das escolas particulares e das universidades. Nas
escolas, molda-se o processo educativo em função de vestibular, de conteúdos.
Uma falácia. A escola deve preparar a pessoa para a vida, para ser
interdisiciplinar, interativo, cooperativo, emotivo. Deve atentar para os
desafios evolucionários. As universidades, em sua maior parte, são
caquéticas, ultrapassadas, engessadas por grossas camadas de vaidades.
Preparam pessoas para um mundo que não existe mais. Avessas a mudanças,
continuam seu caminho koyaanisqatysi (filme do Francis Ford Coppolas, 1998, em
dvd, recomendo).
Porém, é bom acentuar que as pessoas ainda não mudaram o suficiente - em
qualidade e quantidade - para produzir mudanças em prováveis rotas de colisão
com a insustentabilidade. Continuamos na mira do meteoro. Ultrapassamos vários
sinais de alerta e não temos sinalizações que as mudanças políticas necessárias
estão sendo tomadas.
Essa é a grande luta.
- Professor Genebaldo, conte-nos algum acontecimento ou fato curioso que
tenha ocorrido ao realizar atividades ligadas a EA, que tenha ficado marcado,
para você.
Como essa entrevista é bastante informal, tenho a liberdade de dizer que não
gosto de falar sobre mim pois essa trajetória foi marcada por muita
perseguição, injustiça e sacrifício, coisas que agora não têm a menor
importância.
Marcam-me os emails e cartas que recebo, os sorrisos das professoras e
professores quando no final dos nossos cursos, das dinâmicas experimentadas. A
cada novo grupo novos elos de amizades, confraternização, esperanças...
- O que você, com toda sua experiência, tem a dizer aos/as docentes
que ainda não encontraram um "caminho" para trabalhar a Educação
Ambiental ou que se sentem "perdidos" em relação a esta questão?
Não há ninguém mais perdido em EA, no Brasil. Hoje somos a Nação mais
entusiasta em caminhos diversificados desse processo. No caso de dúvidas,
escutem um pouco mais o coração, escutem mais a intuição. Temos nos nossos
genes as orientações para a sobrevivência.
- No programa Sem Censura você falou sobre a importância da
espiritualidade para o desenvolvimento de uma nova consciência em relação ao
meio ambiente. Fale-nos um pouco sobre esta questão.
Imagine a complexidade do Projeto Terra. Aqui a vida foi instalada em um
ambiente com água potável, solo fértil, aquecimento, bichos e plantas, fungos
e vírus e uma incrível teia de relações entre isso tudo. É um grande
experimento no qual estamos todos envolvidos. Um projeto cuja complexidade
inicia-se nos núcleos das células e se espalha no cosmos. Somos micro e macro
ao mesmo tempo.
Não se pode querer explicar tudo, não conseguiremos. É necessário
parar um pouco para contemplarmos a beleza, o fascínio e a grandeza disso tudo.
- Outro assunto tratado no programa foi o de se criar uma disciplina
específica para a EA. Quais seriam as conseqüências de se fragmentar a EA,
compartimentando-a em uma disciplina, já que tenho conhecimento que algumas
escolas estão optando pela instalação da disciplina de EA no currículo
escolar, apesar do PRONEA que a define como prática interdisciplinar?
Houve uma falha nos investimentos em EA, no Brasil. Historicamente.
Há a necessidade de se investir em capacitação e formação profissional, em
desenvolvimento de recursos instrucionais próprios. A estratégia de projetos
deveria ser estimulada para a prática da EA.
A criação de uma disciplina é uma medida de desespero.
- Há algo que não perguntei e que você considera importante de comentar?
Sim. Sobre os novos projetos.
No início de 2006 estaremos relançando o nosso "Atividades
Interdisciplinares de EA" (Gaia, SP). São 50 práticas interdisciplinares
inovadoras.
A seguir, lançaremos um livro só sobre dinâmicas de EA e em junho um sobre Mudanças
Climáticas.
- Deixe uma frase, uma palavra, uma poesia ou uma idéia que você gostaria
de compartilhar com os/as leitores/as da revista eletrônica Educação Ambiental
em Ação.
Milhos ficam contentes
quando explodem
em forma de pipoca?
Prezado professor
Genebaldo, nós, Editoras e Colaboradores(as) da revista eletrônica Educação
Ambiental em Ação agradecemos imensamente pela gentileza de conceder-nos esta
entrevist@. Muito Obrigada!