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Artigos

No. 46 - 16/12/2013
OS DESAFIOS DAS PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO CONTEXTO ESCOLAR
A Educação Ambiental surge a partir de uma reflexão crítica sobre os problemas ambientais na verificado ao decorrer dos séculos e que se agravou nas últimas décadas.

Não conseguimos evoluir nas atitudes para um mundo melhor, onde todos nos sejamos beneficiados

OS DESAFIOS DAS PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO CONTEXTO ESCOLAR

 

 

Aristéia Mariane Kayser1, Marco Aurélio da Silva2

 

1  Pós-Graduação em Educação Ambiental e Pós-Graduação em  Gestão da Organização Pública em Saúde  (UFSM)

amarianekayser@yahoo.com.br

2 Mestrando em Ciências Sociais (UFSM), Mestrando em Educação (UNISC), Pós-Graduação em Educação Ambiental (UFSM)

marcoaurelio22000@yahoo.com.br

 

RESUMO

 

A Educação Ambiental surge a partir de uma reflexão crítica sobre os problemas ambientais na verificado ao decorrer dos séculos e que se agravou nas últimas décadas. É um processo que parte de informações ao desenvolvimento do senso crítico e raciocínio lógico, inserindo o homem no seu real papel de integrante e dependente do meio ambiente, visando a uma modificação de valores tanto no que se refere às questões ambientais como sociais, culturais, econômicas, políticas e éticas, visando desta forma uma significativa melhoria da qualidade de vida, a qual esta diretamente ligada ao tipo de atitudes, valores e ações que adotamos frente ao meio ambiente. Dentro deste contexto a educação ambiental precisa estar presente em todos os setores da sociedade e o sistema educacional é o fio condutor deste processo.

 

Palavras Chave: Educação Ambiental, Interdisciplinaridade, contextualização

 

INTRODUÇÃO

 

Temos muitas dificuldades de conseguimos evoluir nas atitudes para um mundo melhor, onde todos nos sejamos beneficiados. Poucos são os realmente evoluídos, cooperativos, participativos, solidários que sabem conduzir os relacionamentos com diálogos assertivos, atitudes nobres promovendo a paz, a harmonia, o respeito a si mesmo, ao próximo e a natureza. Estamos vivendo do jeito que dá como se não tivéssemos mais alternativas de combater a maldade, a competição, a destruição. Temos muitas teorias, temos muito de positivo, mas, o volume e a velocidade com que se deteriora o caráter humano é assustador e isto se verifica no âmbito do meio ambiente também, pois é algo intangível, imensurável de ser avaliado! Precisamos sim urgentemente resgatar a nossa dignidade de existência saudável em todas as áreas, em todos os cantos deste planeta!

Precisamos urgentemente de ações mais efetivas e rápidas de sustentabilidade, precisamos de água potável, precisamos de ar puro, precisamos de terras férteis, precisamos de cidades planejadas, precisamos de seres humanos mais humanos (benigno, compassivo e justo).

Estamos bem distantes de alcançamos em grande escala a evolução consciente do homem para a preservação dos bens naturais, mas não podemos desanimar, pois a educação é um meio de atingirmos nossa finalidade de ensinar e induzir nossos pequenos seres em uma geração de adultos capazes de promover mudanças por suas atitudes coerentes, racionais e reflexivas, precisamos apostar na educação pela prática e exemplos, pois visualizamos muitos e bons projetos em desenvolvimento que nos estimulam a prosseguir em nosso propósito pela educação ambiental, pela disseminação da cultura por uma existência sustentável para todas as espécies de vidas no planeta.

Precisamos acreditar na Educação como uma forma, uma proposta de mudança, pois este fenômeno deve se dar pela base assim a sociedade poderá ter adultos mais conscientes  e que não visem apenas os lucros, mas o ser humano e seus valores o qual, é parte integrante deste meio, pode até parecer uma utopia, mas é preciso trabalhar esses  valores desde cedo. Só assim podemos esperar mudanças significativas em nosso planeta.

E´, fundamental possibilitar um sistema que possa multiplicar a educação e suas  práticas para a preservação e soluções ambientais. E para tanto é preciso à educação de valores humanos na base da formação dos indivíduos.

Dentro desta perspectiva nos apoiamos nas diretrizes da Lei 9.795, de 27.04.1999, que dispõe sobre a educação ambiental institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências, apresenta-a como um componente fundamental da educação.

 

Art. 10. A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal. §1º. A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino. §2º. Nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental, quando se fizer necessário, é facultada a criação de disciplina específica. §3º. Nos cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado conteúdo que trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem desenvolvidas. Art. 11. A dimensão ambiental deve constar dos currículos de formação de professores, em todos os níveis e em todas as disciplinas. Parágrafo único. Os professores em atividade devem receber formação complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente ao cumprimento dos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental. (LEI 9.795, de 27.04.1999)

 

Precisamos romper estes paradigmas, nossos jovens merecem receber desde pequenos o melhor da Educação básica, empreendedora e ambiental.Não podemos perder a esperança, devemos nos fortalecer! O cidadão merece aprender a ler e entender, muito mais do que conceitos estanques, a ciência e a tecnologia, com suas implicações e consequências, para poder ser elemento participante nas decisões de ordem política, e social que influenciarão o seu futuro e de seus filhos (Bazzo, 1998).

             O ideal para formarmos uma opinião é através do conhecimento do assunto, com as informações com embasamento e de diversos olharas, a partir daí fazermos o julgamento e formamos nossa opinião, com os nossos valores, com a nossa formação, com nosso modo de ver as coisas.É muito cômodo tanto para os professores e para os alunos só estudarem os temas propostos, com conceitos já definidos, prontos, elaborados. O criar, o inovar, tira da linha de conforto e faz a pessoal pensar, discutir, questionar, se expor, e não são muitos que querem isto.

             Educação Ambiental é com certeza um processo que parte de informações ao desenvolvimento do senso crítico e raciocínio lógico, inserindo o homem no seu real papel de integrante e dependente do meio ambiente, visando a uma modificação de valores tanto no que se refere às questões ambientais como sociais, culturais, econômicas, políticas e éticas, o que levaria à melhoria da qualidade de vida que está diretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com a natureza e que implica atitudes, valores e ações.Portanto, por meio da escolar pode-se dizer que teremos uma maior consciência das nossas atitudes frente o processo de degradação ambiental.


[...] os conteúdos ambientais estando permeando todas as disciplinas do currículo e contextualizados com a realidade da comunidade, a escola ajudará o aluno a perceber a correlação dos fatos e a ter uma visão integral do mundo em que vive. Para isso é importante que o professor trabalhe no sentido de desenvolver com os alunos uma postura crítica frente à realidade, às informações e aos valores veiculados pelos meios de comunicação, além daqueles trazidos pelos próprios alunos (BRASÍLIA, 1997a, p. 11).

 

            De acordo com Gadotti (2000), trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto. A Educação Ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas.

           A educação ambiental precisa ser transformadora e emancipatória, ela necessita mudar e superar o conceito apenas de mudanças atitudinais. Ela urgentemente precisa formar um cidadão crítico, capacitado a realizar reflexões sobre seu mundo e a interferir no mesmo. A educação ambiental precisa romper os muros da escola e estar presente em todos os setores da sociedade, pois as relações homem/natureza estão em um grave conflito, que pode levar o nosso planeta em pouco tempo entrar em colapso. Segundo Sato e Carvalho (2005),

 

O momento em que surge a Educação Ambiental, está marcado por todas estas disputas, por isso , e pela necessidade de definir sua identidade frente a outros campos da educação, encontra no conceito de interdisciplinaridade um recurso muito conveniente (SATO E CARVALHO, 2005, p.127). 

 

             Segundo Patrícia Mousinho (2003), A Educação Ambiental é um processo em que busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfretamento das questões ambientais e sociais. Desenvolver-se, num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas as mudanças culturais, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política.

            A Educação Ambiental tem muito a contribuir na formação de um cidadão crítico e formador de opinião, tendo em vista que ela auxilia as pessoas a construírem uma visão holística do meio ambiente que os cercam.

             Para entender a Educação Ambiental não basta somente que sejamos biólogos ou advogados ou ainda engenheiros. É fundamental compreendermos a biosfera como um todo, pois na verdade, ela é composta de vários segmentos. E ao entendermos cada um deles, saberemos qual o seu determinado papel e importância naquele local específico.

           A fim de que tenhamos uma aprendizagem e uma formação de vida eficiente para nossos estudantes, é insuficiente dizer que o aluno sabe somente ler e escrever. Claro, que sem dúvida esses são os passos primordiais, mas se faz necessário mais que isso. Precisa-se, primeiramente que o indivíduo saiba compreender o que está sendo escrito e o lido. Posteriormente, ele poderá interpretar e saber onde e como poderá dar sua contribuição efetivamente e eficazmente em prol de uma maior consciência ambiental.

            Contudo, a Educação Básica unida a Educação Ambiental é a “fórmula mágica” para que tenhamos pessoas mais conscientes das reações de suas atitudes e “cuidadoras” do meio ambiente. Pois, estes dois caminhos são norteados pela interdisciplinaridade, e esta por sua vez, faz com que, as pessoas possam refletir melhores sobre o papel delas na sociedade. Juntamente com a influência de seus pensamentos e sua conduta perante os demais. O processo de ensino – aprendizagem no âmbito da Educação Ambiental, ganha amparo nos Parâmetros Curriculares Nacionais onde diz,

                                   

                                     A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem estar de cada um e da sociedade [...] (BRASIL a, 1998, p.187).

 

Sabemos, que a coexistência harmoniosa entre homem e natureza é possível. Para despertarmos a consciência ecológica numa criança, devemos incentivá-las não só com teorias, mas também na prática, fazendo com que aprendem por meio do olhar, do toque, do olfato, das sensações diversas, explicando a importância e os efeitos diretos sobre a nossa saúde. Independente da idade, a sabedoria da natureza encanta qualquer um. Segundo Martin (apud Tristão, 2002, p. 171).

 

A educação ambiental é multirreferencial na sua essência, pois, na pretensão de construir um campo de conhecimento, noções e conceitos podem ser originários de várias áreas do saber. No caso de efetivação das suas práticas educativas, acontece o mesmo, sua abordagem passa a ser de conhecimento “tecido” (bricolado) a partir da convergência, do diálogo, da convivência inter, transdisciplinar (MARTIN APUD TRISTÃO, 2002, p. 171).

 

 

             Como educadores, devemos evidenciar a importância dos componentes do meio em que vivemos, a fim de estimular o interesse pelos temas ligados à biodiversidade, oportunizar uma reflexão sobre os problemas ambientais, sensibilizando a comunidade escolar – professores, pais e alunos - para a necessidade de preservação de nosso patrimônio natural. A efetividade, a compreensão e a corresponsabilidade são valores indispensáveis em um processo que depende do estímulo. Visto que as inquietações, vivências e ambições divergem dentro de uma turminha, pois, trabalhar em conjunto exige sensibilidade e trocas de experiências e quando ocorrem satisfatoriamente, as partes envolvidas tornam-se mais íntimas, confiáveis e compreensíveis. A partir desta relação, a participação dos alunos na construção da aula desenvolvida se torna um processo cada vez mais recíproco, contínuo e progressivo, é uma perspectiva interdisciplinar, transversal e multirreferencial. Como aponta Jacobi (2005),

 

Como combinação de várias áreas de conhecimento, a interdisciplinaridade pressupõe o desenvolvimento de metodologias interativas, configurando a abrangência de enfoques e contemplando uma nova articulação das conexões entre as ciências naturais, sociais e exatas. Cabe ressaltar que o contexto epistemológico da educação ambiental permite um conhecimento aberto, processual e reflexivo, a partir de uma articulação complexa e multirreferencial (JACOBI, 2005,p. 246).

 

          Bom a educação deve ser capaz de produzir mudanças de atitudes. Neste sentido a Educação Ambiental seja formal ou informal deve ser capaz de fazer com que as pessoas reflitam sobre atitudes em relação ao meio ambiente. A reflexão fará com que atitudes incorretas sejam descartadas e hábitos saudáveis sejam adquiridos.

            Com a Educação Ambiental é possível formarmos cidadãos críticos e atuantes diante dos problemas ambientais, mas os mediadores do processo devem estar devidamente capacitados e preparados para promover ações significativas. O processo de Educação Ambiental deve levar em conta a realidade dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, considerando o conhecimento prévio de cada um, para posteriormente significar estes conhecimentos com conceitos científicos.Todavia, a escola não pode assumir toda a responsabilidade de conscientizar a sociedade sobre a preservação do meio ambiente, cabendo a todos atores sociais esta conscientização mútua.

 

A comunidade-escola não pode ficar reduzida a uma instituição reprodutora de conhecimentos e capacidades. Deve ser entendida como um lugar em que são trabalhados modelos culturais, valores, normas e formas de conviver e de relacionar-se. É um lugar no qual convivem gerações diversas, em que encontramos continuidade de tradições e culturas, mas também é um espaço para mudança. A comunidade-escola e a comunidade local devem ser entendidas, acreditamos, como âmbitos de interdependência e de influência recíprocas, pois [...] indivíduos, grupos e redes presentes na escola também estarão presentes na comunidade local, e uma não pode ser entendida sem a outra (SUBIRATS, 2003, p. 76).

 

             Simplesmente repassar conceitos para os sujeitos não motiva a reflexão e gera desinteresse por parte dos envolvidos. Por isso, o processo deve ser planejado e estruturado com técnicas e métodos que despertem a curiosidade e o interesse dos aprendentes, de maneira que o público aprenda a identificar os problemas ambientais na natureza e saiba apontar soluções. De que forma alguém pode falar sobre algo que não conhece?

             Na perspectiva de Reigota (2001), é necessário primeiro que possua um bom embasamento teórico e prático para argumentar sobre determinado assunto. Assim, acredito que a Educação Ambiental contribui para formação de cidadãos críticos à medida que estes passam a conhecer o meio ambiente e sentirem-se como integrantes deste meio.

            A Educação Ambiental pode contribuir na formação do cidadão, mais ainda no cidadão reflexivo e formador de opinião, através da metodologia de repassar as informações e de discussão dos temas. Fazendo a construção conjunta dos conceitos, repassando diversos olhares sobre o tópico em questão, através de vivências práticas, in loco, ou a socialização de experiências já vivenciadas por outros, desafiando os diversos atores a se manifestar, apresentar o que entende sobre o assunto, qual o seu ponto de vista e os motivos.

 

[...] a concepção metodológica da educação ambiental contempla a educação para a cidadania, e destaca que o processo pedagógico deva ir além de um aprendizado formal de ler, escrever e calcular, incorporando outras dimensões para o despertar do potencial de cada individuo e da formação de valores e atitudes de co-responsabilidade, solidariedade, ética, negociação e gestão de conflitos e exercício da cidadania.  Nesse enfoque a autora defende que o educador deve assumir um papel importante incentivando a percepção, a criatividade, a análise critica das causas e conseqüências ambientais e as sugestões de soluções. (SABIÁ, 1998, p.36).

 

           Através da EA é possível discutir os conceitos de cidadania, de sociedade, valores sociais, Estado, deveres, direitos, governo, participação social, já que são nossas ações diárias,  individuais e coletivas, as quais apresentam o reflexo no meio ambiente, sendo as conseqüências intensificadas posteriormente. Ao discutir sobre “saber ambiental: cidadania e interdisciplinaridade” na perspectiva escolar Bigotto (2008) enfatiza que a,

 

                                      [...] abordagem do meio ambiente na escola passa a ter um papel articulador dos conhecimentos nas diversas disciplinas, num contexto no qual os conteúdos são ressignificados [...] promovendo instrumentos para a construção de uma visão crítica, reforçando práticas que explicitam a necessidade de discutir e agir em relação aos problemas socioambientais (BIGOTTO, 2008, p. 39).

 

     A Educação Ambiental assim como toda a forma de educação deve se iniciar ainda na idade tenra de nossas crianças e deve pautar-se no exemplo, na prática de nossas ações corretas, coerentes e responsáveis, pois a criança age na maior parte do tempo na imitação das atitudes e conversas dos adultos que ela admira, que ela toma como referencia, daí a importância de sermos bons exemplos em nossa casa, na sociedade, nas escolas e por onde mais passarmos, ou seja, precisamos disseminar a cultura do respeito à vida que se encontra em toda parte da natureza.

 

A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

 

É pertinente nos perguntarmos se as três dimensões (econômica,   ambiental e social) da sustentabilidade são suficientes, e qual o seu significado. A primeira dimensão do desenvolvimento sustentável normalmente   citada é a ambiental. Ela supõe que o modelo de produção e consumo seja   compatível com a base material em que se assenta a economia, como subsistema do   meio natural.

 

 

A educação ambiental vem se expandindo no Brasil em diversos espaços educativos formais e não-formais. A Educação Ambiental é provocadora de mudanças políticas, estimuladora de uma racionalidade ética e ecológica e promovedora de atitudes e valores pessoais e de práticas sociais compatíveis com a sustentabilidade da vida na Terra. (VASCONCELLOS et al, 2009, p. 29)

Trata-se, portanto, de produzir e consumir de forma a garantir   que os ecossistemas possam manter sua auto  reparação ou capacidade de resiliência. Neste sentido LIBÂNEO (1993), nos alerta sobre o sistema de globalização desenfreado em nossa sociedade.

 

A sociedade industrial e tecnológica estabelece (cientificamente) as metas econômicas, sociais e políticas, a sociedade treina (também cientificamente) nos alunos os comportamentos de ajustamento a essas metas [...] a educação é um recurso tecnológico por excelência. Ela é encarada como um instrumento capaz de promover, sem contradição, o desenvolvimento econômico pela qualificação da mão-de-obra, pela redistribuição da renda, pela maximização da produção e, ao mesmo tempo, pelo desenvolvimento da ‘consciência política’ indispensável à manutenção do Estado autoritário [...] a escola atua, assim, no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista), articulando-se diretamente com o sistema produtivo [...] seu interesse imediato é o de produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho (LIBÂNEO, 1993, p. 61)

 

A segunda dimensão, a econômica, supõe o aumento da eficiência   da produção e do consumo com economia crescente de recursos naturais, com   destaque para recursos permissivos como as fontes fósseis de energia e os   recursos delicados e mal distribuídos, como a água e os minerais. Trata-se   daquilo que alguns denominam como ecoeficiência, que supõe uma contínua   inovação tecnológica que nos leve a sair do ciclo fóssil de energia (carvão, petróleo e gás) e a ampliar a desmaterialização da economia.

            A terceira e última dimensão é a social. Uma sociedade   sustentável supõe que todos os cidadãos tenham o mínimo necessário para uma   vida digna e que ninguém absorva bens, recursos naturais e energéticos que   sejam prejudiciais a outros. Isso significa erradicar a pobreza e definir o   padrão de desigualdade aceitável, delimitando limites mínimos e máximos de   acesso a bens materiais. Em resumo, implantar a velha e desejável justiça social.

A transformação da sociedade decorre da construção da consciência ecológica coletiva, atingindo a sociedade de três maneiras: pela legislação, pela informação sobre os problemas ambientais e pela formação, propiciando a sensibilização necessária para que o indivíduo perceba a profunda interação existente entre o homem e os processos do meio ambiente. Na verdade, só se aprende, quando se estabelecem pontes entre a reflexão e a ação, entre a experiência e a conceituação e entre a teoria e a prática conforme,  Rodrigues (2008).

           A crise ecológica está repercutindo a crise dos valores humanos. A família educa e a escola ensina. Mas na maioria das vezes não é esta a concepção, os filhos são jogados nas escolas para que os professores façam o trabalho de educar. Pais não participando da vida dos filhos, contribuindo com o fortalecimento do papel dos professores e não se importando com a escola. O “Estado” tem esta obrigação, já faço a minha parte, pago os impostos.

            Como educar ecologicamente uma criança se a percepção da  utilização dos recursos naturais acontece de forma desordenada e superando a capacidade de recomposição conforme aponta Correa (2007) .

Ouvimos muitos discursos, e o tema “natureza” está muito na moda, nos discurso de políticos, idealizadores de fachada que aproveitam à liberação de verbas públicas para execução de projetos que contribuem tão pouco para a comunidade, mas enche os bolsos de poucos, pois são maravilhosos no papel. Velasco (1997), comunga da teoria de Freire (1968), pois a educação pode transformar realidades e isto não é diferente no âmbito da proposta da educação ambiental.

 [...] a educação é a ação transcorrida fundamentada numa pedagogia ploblematizadora ou pedagogia da libertação, que se caracteriza entre outros, pelos seguintes traços: a) coloca os instrumentos da cultura erudita a serviço da conscientização/ mobilização dos oprimidos em luta para superar o capitalismo e alcançar uma ordem comunitária constituída por indivíduos livremente associados e multilateralmente desenvolvidos. b) toma como ponto articulador da ação pedagógica as questões ligadas à vida diária e à luta dos oprimidos; c) estabelece vínculos de muito enriquecimento entre a cultura “erudita” e a chamada cultura “popular” (aquela que à margem da educação formal, os oprimidos constroem no dia-a-dia das suas vidas e das suas lutas); d) supera a contradição educador-educando, propiciando a construção dialógica do conhecimento vivo (ligado ao dia-a-dia e cimentado na pesquisa e na reflexão), numa dinâmica em que ambos são educandos-educadores, porque são investigadores críticos, isto é, sujeitos desveladores da realidade social e engajados na sua transformação libertadora; e) combate, pela crítica e a auto-reflexão, o fatalismo e o assistencialismo, e aposta na capacidade de luta dos e com os oprimidos para melhorar as nossas vidas e para, em última instância, superar o capitalismo; f) defende (e busca aplicar no dia-a-dia) a tomada democrática das decisões e visa à superação da disciplina verticalmente imposta pela autodisciplina consensualmente estabelecida e avaliada (VELASCO, 1997, p. 109).

 

           A grande maioria dos homens não despertou para esta consciência, pensando somente em encher os seus cofres, mesmo com tantas campanhas informando que se não mudarmos as atitudes, não teremos mais um planeta habitável, com possível local onde gastar este dinheiro. A água assim como o solo não se produz, tem-se o que está ai, temos é que conservar.

 

CONSIDERAÇÕES

 

      A pretensão deste artigo foi levantar algumas questões para que possamos refletir, no que se refere a educação ambiental, a qual tem como uma das suas finalidades a conscientização social,  a efetivação das políticas públicas de proteção ao meio ambiente, visando minimizar todo o processo existente de degradação ambiental verificado na atualidade.

      É nesta perspectiva, que se pensa em uma proposta de educação ambiental interdisciplinar disseminando cada vez mais uma prática educativa de preservação do meio ambienta. Portanto, acreditamos que uma alternativa é realmente a consciência ecológica coletiva e este processo se inicia no âmbito escolar por meio de um trabalho interdisciplinar, considerando as experiências de sucesso relacionadas entre educação e preservação ambiental.

 

BIBLIOGRÁFIA

 

BRASIL. Lei 9.795, de 27 de abril de 1999. Instituiu Política Nacional de Educação Ambiental. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil03/Leis/L9795htm>. Acesso em: 20 de Jan. 2013.

 

______, BRASÍLIA. Educação Ambiental/UNESCO. Brasília: MEC, 1997a.

 

BIGGOTO, Antonio César. Educação Ambiental e o desenvolvimento de atividades de ensino na escola pública. 2008. 135 p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo. Disponível em: <teses.usp.br/teses/disponiveis>. Acesso em: 27 de Jan. 2013.

JACOBI, P. R. Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 233-250, maio/ago. 2005.

 

LIBÂNEO, J.C. Tendências pedagógicas na prática escolar. In: LUCKESI, C.C. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1993.

 

MOUSINHO, Patrícia. Glossário. In: TRIGUEIRO, André (Coord.). Meio ambiente no século 21: 21 especialistas falam da questão ambiental nas suas áreas de conhecimento. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

 

TRISTÃO, M. As dimensões e os desafios da educação ambiental na sociedade do conhecimento. In: RUSCHEINNSHKY,          A. Educação Ambiental: abordagens múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 169-182, 2002.

 


VASCONCELLOS, Hedy Silva Ramos et al. Espaços Educativos Impulsionadores da Educação Ambiental. Caderno CEDES, Campinas, v. 29, n. 77, p. 29-47, jan/abril. 2009.

 

VELASCO, S.L. Como entender a educação ambiental: uma proposta. AMB & EDUC. Rio Grande (RS), 1997, vol. 2, p. 107-119.

 

SUBIRATS, J. Educação: responsabilidade social e identidade comunitária. In: GÓMEZ-GRANELL & VILA (org.). A cidade como projeto educativo. Porto Alegre: Artmed, 2003.

 

 

 


 
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