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ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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10/03/2017
TEATRO DE BONECOS E MEIO AMBIENTE: INTEGRANDO CIÊNCIA E ARTE  
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TEATRO DE BONECOS E MEIO AMBIENTE: INTEGRANDO CIÊNCIA E ARTE

 

 

Vanessa Oliveira Fernandes Câmara 1

Gil Dutra Furtado 2

Maria Cristina Basílio Crispim da Silva 3

 

1Gerente de Meio Ambiente da secretaria de Meio Ambiente do Estado da Paraíba, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente - UFPB

Contato: vanessa.oliveirafernandes@gmail.com

 

2 Professor Doutor em Psicobiologia – UFRN

Contato: gdfurtado@hotmail.com

 

3 Professora Doutora em Ecologia e Biossistemática – UFPB

Contato: ccrispim@hotmail.com

 

 

Resumo:Cada vez mais a educação ambiental precisa inovar em suas estratégias educativas para responder os desafios da sustentabilidade. Logo, o teatro de bonecos representa um recurso pedagógico que pode ser facilmente utilizado em espaços não formais. Cada boneco possui um potencial diferenciado frente as técnicas teatrais amplamente diversificadas. Neste sentido, o presente estudo objetiva apresentar algumas variações de fantoches experimentados e suas possibilidades lúdicas para atividades educativas contextualizadas com o meio ambiente. Para tanto, foram confeccionados os fantoches utilizados e elaborados roteiros teatrais. Verificou-se que o fantoche é uma excelente ferramenta lúdica e cada modelo possui características próprias que podem ser adaptadas para a sensibilização ambiental de crianças e adultos.

 

Palavras-chave: Fantoches; meio ambiente; artes

 

Abstract: Increasingly, environmental education needs to innovate in its educational strategies to meet the challenges of sustainability. Therefore, puppet theater represents a pedagogical resource that can be easily used in non-formal spaces. Each doll has a different potential compared to the widely diversified theatrical techniques. In this sense, the present study aims to present some variations of experienced puppets and their playful possibilities for educational activities contextualized with the environment. For that, the used puppets were made and elaborated theatrical scripts. It was verified that the puppet is an excellent playful tool and each model has its own characteristics that can be adapted for the environmental sensitization of children and adults.

 

Keywords: Puppets; Environment; Art

 

 

Introdução

 

            Projetos com teatros desenvolvidos por educadores formais mostram-se cada vez mais presentes em ambientes escolares, adentrando cada vez mais no cotidiano da educação básica. No entanto, é possível observar que o teatro feito para/com crianças mantém resquícios de uma educação tradicional, pensada apenas pelo produto estético a ser mostrado para os adultos em festividades escolares e datas comemorativas.

            A arte através do teatro de bonecos constitui uma prática que vem sendo difundida no campo da educação ambiental. Embora, muitas vezes esteja restrita apenas no ambiente escolar e a arte com reaproveitamento de resíduos, os fantoches possuem uma série de possibilidades na condição de ferramenta lúdica educativa em diferentes espaços, não apenas o escolar.

            Verifica-se que, atualmente, considerável parte dos educadores não formais apresentam dificuldades para produzir e buscar estratégias educativas dinâmicas voltadas à sensibilização ambiental. O que consequentemente, compromete o ato de aprender e os resultados esperados com a educação ambiental (EA). Para tanto, as reflexões abordadas neste estudo objetivam a socialização da experiência realizada no Programa de Pós graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é parte integrante dos resultados da pesquisa de mestrado intitulada “Teatro de bonecos como ferramenta de sensibilização ambiental em Unidades de conservação”. Para alcançar tais resultados utilizou-se a revisão bibliográfica como técnica de pesquisa qualitativa, bem como a confecção de bonecos e a preparação de cenários para apresentações teatrais.

            Este estudo também representa a consolidação de que é possível o uso do teatro de bonecos para a EA em espaços educativos não formais, e o meio ambiente por si constitui um espaço de aprendizagem e construção de seres humanos integrais, sociais e participativos.

            Assim, explora-se aqui, origem, conceitos, tipos e potenciais lúdicos dos bonecos utilizados na pesquisa citada.

 

 

Surgimento dos bonecos

           

            A linguagem teatral era bastante utilizada pelo povos primitivos em rituais e encenações religiosas, tornou-se arte no momento em que a civilização grega organizou-se para preparar apresentações bem elaboradas. Sabe-se que desde os primórdios o teatro é utilizado para divertir e dramatizar situações diversas.

            Atividades como interpretações, improvisações e dramatizações com textos jornalísticos, artigos de revistas, temas oferecidos, poesias, objetos, máscaras, imagens, sons e situações do cotidiano, poderão permear o trabalho com diferentes temáticas. O fato é que existem diversas maneiras de desenvolver a arte teatral, nesse estudo, dá-se ênfase à arte do teatro de bonecos ou fantoches.

            Nesse sentido, dramatizar permite ao indivíduo estabelecer relações consigo mesmo e com os outros. Ensina a ouvir, esperar e a respeitar as diferentes opiniões e, dessa forma, ir-se integrando ao grupo. É uma atividade socializadora que dá liberdade para o convívio democrático, estabelecendo uma organização estética. Telles (2013) explicou que o acesso à apresentações teatrais, à literatura, a exercícios gestuais, mímicas e a jogos corporais deverá fazer parte do universo das artes teatrais, uma vez que permite a aprendizagem e a elaboração de um juízo crítico.

            O teatro de bonecos é a expressão teatral que caracteriza as encenações realizadas com fantoches, marionetes e/ou bonecos.A arte milenar do teatro de bonecos consegue encantar crianças e até mesmo adultos e sendo uma das mais antigas maneiras de diversão entre a humanidade. Registros dessa expressão artística existem desde a Pré-História. Segundo Ladeira e Caldas (1998, p. 10):

 

O teatro de bonecos tem sua origem na mais remota Antiguidade. Acredita-se que na Pré-História os homens se encantavam com suas sombras movendo-se nas paredes das cavernas. Nessa época, as mães teriam desenvolvido o teatro de dedos, projetando, com as mãos, sombras diversas nas paredes para distrair os filhos.

 

            A origem do Teatro de Bonecos remonta ao Antigo Oriente, em países como a China, Índia, Java e Indonésia. Por intermédio dos mercadores foi se dispersando para a Europa, inclusive sendo usado durante a Idade Média como instrumento de evangelização. Mas com o Cristianismo, durante a Renascença, o Teatro de Bonecos ficou abafado. Como esta modalidade lembrava demais os antigos ritos animistas, a Igreja começou a proibir as encenações dentro dos templos. Essa atitude deu origem aos teatros itinerantes, os quais reduziram o porte e formaspara poder circular melhor com suas representações, especialmente pelas ruas e em festas empreendidas no interior dos palácios (FANTINATO E RODRIGUES, 2004).

            O surgimento do Teatro de Bonecos na América ocorreu por volta do século XVI, época dos grandes descobrimentos, o que contribuiu bastante para sua divulgação no mundo inteiro.Ao longo do Renascimento eles são novamente resgatados no seio das igrejas, apresentando-se também nos pátios residenciais e nas festas realizadas durante as feiras. A plateia se populariza e o teatro de fantoches assume uma postura mais satírica, impregnada de humor(LADEIRA; CALDAS, 1998).

            Seguindo a evolução histórica, os bonecos foram se adaptando conforme as necessidades de cada época, não se atendo jamais ao passado. Assim, eles estão sempre em metamorfose, constantemente assumindo novas formas. Essa modalidade teatral preserva sempre, porém, seu caráter ambulante, ao encenar seus espetáculos não só nos teatros convencionais, mas também nas ruas, nas praias, igrejas, escolas e nos espaços ao ar livre (BLUMENTHAL, 2005).

            Depois da primeira guerra mundial, as marionetes, bonecos articulados movidos por fios, foram difundidos pelo mundo e introduzidos nas escolas. No Brasil, os bonecos de fantoches começaram a ser utilizados em representações. Foi na região nordeste que o teatro de bonecos apareceu em destaque, principalmente no estado de Pernambuco, onde até os dias atuais é uma de suas maiores tradições. É o teatro conhecido como“mamulengo”, rico em situações cômicas e satíricas(FANTINATO;RODRIGUES, 2004).

            Observando a trajetória, o teatro de bonecos revela-se um elo que faltava para auxiliar no processo ensino-aprendizagem, pois os bonecos estão sendo utilizados desde a pré-história. Em cena, os bonecos tomam vida própria através das mãos do manipulador, contam histórias e transformam a vida numa magia que muitas vezes nos fazem sair da realidade pelo seu grande poder de sugestão. Todas as suas expressões se concentram nos movimentos e falas, e, atualmente, há uma diversidade de bonecos, variadas formas e cores, vários tipos de bonecos.

           

Tipos de bonecos

 

            Com o decorrer do tempo, os bonecos foram ganhando novas formas e atualmente encontram-se diferentes formas de confeccionar e manipular os bonecos. Cada um possui características específicas e exige uma linguagem dramática especial. Certos tipos só se desenvolvem sob determinadas condições culturais e geográficas. Os tipos mais importantes são assim classificados a seguir:

 

1)      FANTOCHES - bonecos de mão ou de luva

Esse tipo possui corpo de tecido, vazio, que o manipulador veste na mão; ele encaixa os dedos na cabeça e nos braços para movimentá-los. A figura é vista só da cintura para cima e geralmente não tem pernas. A cabeça pode ser feita de madeira, papier-maché, ou borracha, as mãos são de madeira ou de feltro. O modo de operação mais comum é usar o dedo indicador para a cabeça, e o polegar e o dedo máximo para os braços. Esse é o típico show de fantoches apresentado ao ar livre por toda a Europa. A vantagem do fantoche ou boneco de mão é a sua agilidade e rapidez; a limitação é seu tamanho reduzido e os movimentos de braços pouco eficientes (POINTDAART, 2004).

 

 

2)      BONECOS-DE-VARA

 

São figuras também manipuladas por baixo, mas de tamanho grande, sustentadas por uma vara que atravessa todo o corpo, até a cabeça. Outras varas mais finas podem ser usadas para movimentar as mãos e, se necessário, as pernas. Esse tipo de figura é tradicional nas ilhas indonésias de Java e Bali, onde são chamadas de wayang golek. Em geral, o boneco de vara é adequado a peças de ritmo lento e solene, mas são muitas as suas potencialidades e grande a sua variedade. Porém é muito exigente quanto ao número de manipuladores, exigindo sempre uma pessoa por boneco, e às vezes duas ou três para uma única figura (POINTDAART, 2004).

 

 

3)      MARIONETES-OU-BONECOS-DE-FIO

 

São figuras grandes controladas por cima. Normalmente são movimentadas por cordões ou fios que vão dos membros para uma cruzeta de controle na mão do manipulador. O movimento é feito por meio da inclinação ou oscilação da cruzeta de controle, mas os fios são também puxados um a um quando se deseja um determinado movimento. Uma marionete simples pode chegar a ter nove fios: um em cada perna, um em cada mão, um em cada ombro, um em cada orelha (para mexer a cabeça) e um na base da coluna, para fazer o boneco se inclinar. Efeitos mais detalhados podem exigir o dobro ou o triplo desse número. A manipulação de uma marionete de muitos fios é uma operação complexa que exige grande treinamento (POINTDAART, 2004).

 

 

4)      TEATRO-DE-SOMBRAS

 

Trata-se de um tipo especial de figura plana, utilizada para projetar sombras em um telão semitransparente. Podem ser recortadas em couro ou qualquer outro material opaco, como nos teatros tradicionais de Java, Bali e da Tailândia, além do tradicional "sombras chinesas" da Europa do século XVIII; nos teatros tradicionais da China, Índia, Turquia e Grécia, e em diversos grupos modernos da Europa, as figuras podem ser recortadas também em couro de peixe ou em outros materiais transparentes.Elas podem ser operadas por baixo, com varas, como no teatro javanês; com varas que ficam em ângulo reto com a tela, como nos teatros chinês e grego; ou por meio de cordões escondidos atrás dos bonecos como nas sombras chinesas. O teatro de sombras não precisa se limitar a figuras planas. Ele pode lançar mão também de figuras tridimensionais(POINTDAART, 2004).

 

 

            Diante do exposto, é possível perceber que a criação de objetos que substituam o humano existe desde a antiguidade, os bonecos surgem da necessidade de representar simbolicamente algo ao outro e a si mesmo. Trazendo a exposição de algo internalizado. O boneco pode substituir o real (SANTOS, 2006).

            Nesse estudo, utilizou-se a tipologia do Fantoche, por ser de fácil confecção e manipulação. Consistindo em um boneco animado diante de um público, tomando vida segundo o seu manipulador. Os fantoches podem ser criados/confeccionados a partir de modelos humanos, mas também é possível utilizar outras formas de vida, como animais e plantas para encenar histórias, ficando a cargo da criatividade do educador.

            Um fantoche é um meio de expressão, possui função social e é um elemento de comunicação. Tem o poder de promover relações com o mundo externo e com outros seres vivos. Os fantoches são em si, estimuladores de diálogo. Através do teatro de fantoches, a aprendizagem ocorre facilmente. Ao serem propostas ressignificações mais elaboradas pelo educador, ele permeia os saberes já construídos com os novos saberes (SANTOS, 2006).

            Atividades como o teatro de fantoches, promovem o lúdico, o imaginário e a interação com o conteúdo e com os outros, são verdadeiras experiências de aprendizagem, na qual o espaço de brincar se confunde com o espaço de aprender. Sendo, portanto, uma ferramenta com uso potencial na educação ambiental.

 

Teatro de bonecos como ferramenta de educação ambiental

 

            Segundo Pereira (2010, p. 83) a “vivência de práxis pedagógica inovadora, a partir da ludicidade, oportuniza mudanças significativas para o processo ensinar-aprender ciências naturais”. Ou seja, o ensino centrado na ludicidade deve facilitar a vivência de momentos educativos, contribuindo para o despertar da consciência crítica-reflexiva, bem como o respeito às interrelações ser humano-natureza.

            Nesse contexto, a vivência de atividades lúdicas contribui para o desenvolvimento do imaginário infantil, da criatividade e do pensamento lógico. Dessa maneira, permite a compreensão da natureza viva e seus limites. Sensibilizando e proporcionando uma experiência efetiva com os elementos da natureza (PEREIRA, 2010).

            Utilizar o teatro de fantoches em atividades de EA é um modo de educar sem que as crianças sintam que o objetivo é também uma atividade educativa. O teatro consiste numa forma descontraída de levar informações, conceitos e definições voltadas para a conservação do meio ambiente. Ao mesmo tempo em que informa, também interage, diverte e ensina.

            O teatro de fantoches representa o lúdico criativo, preenchendo espaços no campo da interatividade e dinamicidade em ambientes naturais. A sensibilização ambiental é imprescindível na formação conceitual infantil, aqui trata-se especificamente do teatro como estratégia para sensibilizar crianças sobre a importância daquele local como espaço a ser conservado. Assim, esse estudo tem no teatro de fantoches um veículo de disseminação de informações, priorizando a sensibilização da comunidade acerca da conservação da biodiversidade e do equilíbrio ambiental.

 

Breve análise dos bonecos utilizados e seus potenciais lúdicos-teatrais

         Os bonecos de luva, também conhecidos como Fantoches, é um tipo de marionete popular que marcou toda uma época e hoje é considerado um traço da cultura mundial, em destaque na cultura nordestina.

             O Fantoche recebe vida por uma pessoa que coloca sua mão dentro do boneco produzindo seus movimentos, gestos e falas, vivificando um personagem. Geralmente o dedo indicador sustenta a cabeça do fantoche enquanto que o polegar e o anular fazem a vez dos braços. No entanto, há uma diversidade de fantoches produzidos a partir de materiais recicláveis que não nos permite especificar as características de cada um. Para tanto, analisou-se os aspectos positivos e negativos dos bonecos de três tipos de fantoches, confeccionados a partir da técnica do Papel Machê, de E V A (Ethil Vinil Acetat) e de tecidos. E com a prática foi possível observar seus potenciais de uso.  Conforme é possível observar no Quadro 1.

 

Quadro 1- Síntese das características gerais dos bonecos utilizados nas apresentações teatrais.

Tipos de Fantoches

Materiais

Aspectos

Papel Machê

E V A

Tecido

Positivos

Personagens humanos, movimenta braços, cabelos, e podem chamar atenção por suas características físicas extravagantes

Fácil confecção de personagens animais. Chamam atenção por serem coloridos

Permitem confecção de diversos personagens, animais e humanos. Podem movimentar braços, pernas, gesticular, dependendo da forma de confecção

Negativos

Não permitem movimentos de boca, não gesticulando durante a fala

Não permitem nenhum tipo de movimento que representem gestos

Exigem habilidades específicas para confecção, como a costura.

Grau de dificuldade para confecção

Médio

Fácil

Difícil

Custo

Baixo custo

Baixo custo

Alto custo

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

 

            Diante do exposto, observamos que os bonecos confeccionados a partir de materiais recicláveis são mais acessíveis em relação ao custo e ao grau de dificuldade para sua produção. Os materiais podem ser facilmente encontrados em estabelecimentos comerciais e instituições que, por vezes, descartam de maneira inadequada. O E V A (Ethil Vinil Acetat), é um material de baixo custo e bastante utilizado em artesanato decorativo. E o tecido, apesar de ser reciclável, não é tão fácil de encontrar doações e a depender do tipo seu custo é bem variável.  Logo, o reaproveitamento desses materiais para confecção de um elemento útil e lúdico já configura uma contribuição para o manejo adequado de resíduos sólidos.

            Foi o que ocorreu na fase de preparação dos elementos teatrais- bonecos e cenários. Foram recolhidos papel A4, plástico, papelão, canos PVC, retalhos de tecidos, entre outros materiais utilizados, em instituição pública do estado da Paraíba. Todo o papel utilizado na preparação da massa do papel machê foi material de descarte. Nas Fíguras 11 e 12 abaixo é possível observar os produtos finais.

 

 

Figura 1 - Fantoches de papel machê utilizados como personagens durante as apresentações teatrais.

Fonte: Dados da pesquisa, 2016

 

 

 

 

Figura 2 - Fantoches de E V A utilizados como personagens durante as apresentações teatrais

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

 

 

 

Figura 3 – Fantoches de Tecido utilizados durante as apresentações teatrais

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

 

            Durante o processo de confecção dos bonecos, observou-se que os bonecos que tecidos são os mais complexos para serem preparados. Exigem do criador habilidades de corte costura bem precisas. E a depender dos tecidos a serem utilizados é possível conseguir doações de cortes e retalhos em casas de costura e venda de tecidos. Os bonecos de tecidos apresentam infinitas possibilidades de produção, já que possuem características bastante versáteis. Tudo vai variar de acordo com a criatividade do arte-educador.

 

Considerações Finais

           

            Tendo como base as experiências durante este estudo, as propostas de produção de bonecos para utilização em roteiros teatrais contextualizados com a conservação da biodiversidade, verificou-se que não existe uma receita prévia para tal. A confecção de bonecos em si, já pode configurar atividade educativaambiental, já que trabalha-se com o aproveitamento de materiais recicláveis que foram descartados.  Os bonecos podem ser confeccionados para um roteiro teatral previamente selecionado, ou aleatoriamente e posterior ser criado um roteiro com base nos fantoches produzidos, está também constitui uma excelente alternativa de atividade educativa, já que estimula a criatividade e a capacidade de solucionar conflitos.

            Diante de tantas possibilidades o educador ambiental tem condições de envolver educandos com a ludicidade do teatro de bonecos e sensibilizar o público com questões realistas e desafiadoras da sustentabilidade. Num ambiente lúdico, é possível oferecer diversas temáticas ambientais que se expressam livremente através de personagens que marcam os sentidos de crianças e adultos de qualquer cultura ou meio social. Logicamente a busca por estratégias lúdicas a serem utilizadas na EA não formal não se esgota aqui, mas há o reconhecimento de que a união da ciência com a arte é sempre um bom caminho a trilhar.

 

Referências

 

BLUMENTHAL, E. Puppetry and Puppets: An Illustrated World Survey. Thames & Hudson Ltd. 2005.

 

FANTINATO,T.M; RODRIGUES, E.F. Teatro de Fantoches. PUC. 2004. Disponível em:<http://pucpr.br/eventos/educere/educere2004/anaisEvento/Documentos/CI/TCCI019.pdf>     Acesso em: 29 maio 2016.

 

LADEIRA, I. e CAUDAS, S. Fantoche & CIA. São Paulo: Scipione, 1998.

 

PEREIRA, M.M L. Arte como processo na educação. 2. ed. Rio de Janeiro. Funarte. 2010.

 

POINTDARTE. 2004. Disponivel em: http://pointdaarte.webnode.com.br/news/a-historia-do-teatro-de-bonecos/   Acesso em: 20 jul 2016

 

 

SANTOS, D.P. Psicopedagogia dos fantoches: jogo de imaginar, construir e narrar. 1. ed. São Paulo: Vetor, 2006.

 



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