A responsabilidade social e a preservação ambiental significa um compromisso com a vida. - João Bosco da Silva
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 85 · Dezembro-Fevereiro 2023/2024
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Reflexão
15/12/2023 (Nº 85) POPULAÇÃO MUNDIAL DEVERIA FICAR ABAIXO DE 4 BILHÕES DE HABITANTES?
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POPULAÇÃO MUNDIAL DEVERIA FICAR ABAIXO DE 4 BILHÕES DE HABITANTES?

Especialistas se reúnem para discutir quantas pessoas a Terra pode suportar de forma sustentável, ressaltam os efeitos da crise climática, criticam as atividades antrópicas, mas não chegam a um consenso. E você, o que acha?

Por José Eustáquio Diniz Alves | ODS 11 • Publicada em 4 de dezembro de 2023

Vista geral de uma multidão de pessoas fazendo compras na Nanjing Road, em Xangai, no aniversário de fundação do Partido Comunista Chinês. Foto Ying Tang/NurPhoto via AFP

Há mais de 2 mil anos alguns intelectuais já se perguntavam qual é o tamanho ideal de uma população. O filósofo grego Platão (aproximadamente 427-347 a.C.), em seu livro “A República”, idealizou uma cidade-estado chamada “Kallipolis”, estimando que a população ideal de um município deveria ser de cerca de 5.040 cidadãos, indicando que cidades com volumes menores de população poderiam ser mais bem administradas. Naquela época a população mundial era menor do que a população brasileira de hoje.

O poeta e ensaísta americano Ezra Pound (1885-1972), no século XX, defendeu a ideia de que a população mundial ideal deveria ser de cerca de 300 milhões de pessoas, um número que ele acreditava ser sustentável e propício para o progresso da cultura e da civilização. O economista ecológico, William Rees (1943 -), professor emérito da University of British Columbia calcula que, por conta da sobrecarga da Terra, o planeta atual só comporta algo em torno de 2 bilhões de habitantes.

Em uma perspectiva oposta, o economista neoliberal e negacionista do clima Julian Simon (1932-1998) dizia que não havia limites ao crescimento populacional mundial, pois “quanto mais gente melhor”. Na mesma linha, Jeff Bezos (1964 – ), empresário americano criador da  Amazon e uma das pessoas mais ricas do mundo, sugere que a humanidade se reproduza e gere 1 trilhão de humanos para povoar o planeta e colonizar o Universo. Também Elon Musk (1971 -), dono da Tesla, SpaceX e do antigo Twitter (agora X), tem dito que “A civilização vai desmoronar se as pessoas não tiverem mais filhos” e que “Marte tem uma grande necessidade de pessoas, visto que a população atualmente é zero. Vamos levar vida a Marte!”.

Sem dúvida, as opiniões variam bastante e o leque de opções é amplo. Não existe consenso quanto ao número ideal de habitantes que a Terra pode suportar de maneira sustentável. Isto porque a sustentabilidade ambiental não depende apenas do número global de habitantes, mas também da biocapacidade da Terra, do padrão de consumo, do modo de produção e do desenvolvimento tecnológico global.

Mas, de qualquer forma, as incertezas não podem servir de desculpa para interditar a troca de ideias, para atualizar o debate e para realizar estimativas sobre o volume da população terrestre que seria ambientalmente sustentável na contemporaneidade. Neste sentido, não há nenhuma entidade mais adequada para fomentar essa discussão do que a “International Union for the Scientific Study of Population” (IUSSP) que é a associação internacional de demografia, fundada em 1928 e que reúne os demógrafos de praticamente todos os países do mundo. Seus associados são responsáveis por uma ampla diversidade de estudos populacionais locais, nacionais e internacionais, nas mais diferentes áreas de conhecimento da demografia e da ciência social.

Neste contexto, um webinar foi realizado no dia 18 de outubro de 2023, organizado pelo demógrafo Stan Becker, da Johns Hopkins University. O tema central do debate foi: “The population of humans that can be supported sustainably on the planet at a reasonable standard of living is below 4 billion. Yes or No”

A apresentação do webinar foi realizada pela presidente da IUSSP, a demógrafa indiana Shireen Jejeebhoy e a moderação foi feita pelo demógrafo Stan Becker. O demógrafo Joel Cohen, da Rockefeller University, apresentou os antecedentes históricos do debate.

A demógrafa grega, Anastasia Pseiridis, da Panteion University e o demógrafo sueco Frank Götmark da University of Gothenburg, apresentaram os argumentos a favor de uma população global abaixo de 4 bilhões de habitantes. O demógrafo congolês Jacques Emina, da University of Kinshasa e o demógrafo americano Timothy Guinnane, da Yale University, responderam negativamente à questão do debate. Por fim, a demógrafa brasileira e ex-presidente da Associação Latino-americana de População (ALAP), Suzana Cavenaghi, apresentou um sumário do debate e forneceu os comentários finais do webinar.