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FANTOCHES DIALOGAM SOBRE MEIO AMBIENTE 1) Verushka Goldschmidt Xavier - Bióloga graduada pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC); pós-graduação em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal do Pará (UFPA), voluntária na ação Tribos nas Trilhas da Cidadania (eixo meio ambiente), vinculada à ONG Parceiros Voluntários da Unidade de Santa Cruz do Sul - RS. verushkagxavier@gmail.com;
2) Najara Lourenço dos Santos – Coordenadora da Unidade Parceiros Voluntários de Santa Cruz do Sul – RS e Acadêmica do Curso de Psicologia da UNISC. upv@aci-scs.org.br. (51) 3713-1400; (51) 8458 0640
RESUMO:
No mês de julho de 2010, realizou-se uma Oficina Pedagógica intitulada Fantoches Dialogam sobre o Meio Ambiente, na Unidade Parceiros Voluntários de Santa Cruz do Sul-RS, para a Ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, composta por jovens, com idade superior a 10 anos e seus professores. A oficina focou o tema Meio Ambiente, em duas etapas. No primeiro momento, realizou-se uma dinâmica de grupo entre os participantes com o intuito de promover a integração dos mesmos e iniciar os debates sobre o tema. Em momento posterior, procedeu-se à confecção de fantoches de meia, utilizando materiais recicláveis, como: a meia do pai, que iria para o lixo; retalhos de tecidos; restos de lã; botões; jornal; papel... A escolha do personagem foi livre, portanto surgiram princesas, monstrinhos, mas a sua maioria, cerca de 36% compôs-se de cobrinhas. Após a confecção os participantes reuniram-se em grupo e elaboraram uma peça teatral, de 5 minutos, que contivesse uma mensagem sobre o Meio Ambiente para repassar aos colegas, utilizando os fantoches de que o grupo dispunha. Os temas que surgiram foram: preservação de meio ambiente, reciclagem, poluição e maus tratos a animais. Ao final, os integrantes da oficina avaliaram a experiência como válida, escrevendo como se sentiram no momento da confecção e no momento da encenação da peça. Ao todo, formaram-se 14 multiplicadores, provenientes das Escolas Cardeal Leme, Emílio Alves Nunes, Affonso Rabuske e CEARCA, que fazem parte da Ação Tribos nas Trilhas da Cidadania.
1-INTRODUÇÃO Segundo MEDINA, N.M. & SANTOS, E.C. (2003), pensar o ambiental, hoje, significa pensar de forma prospectiva e complexa, introduzir novas variáveis nas formas de conceber o mundo globalizado, a natureza, a sociedade, o conhecimento e especialmente as modalidades de relação entre os seres humanos, a fim de agir de forma solidária e fraterna, na procura de um novo modelo de desenvolvimento. NOAL, F.O. & BARCELOS, V.H.L. (2003) complementam esse pensamento, afirmando que, apesar dos avanços decorrentes da realização de seminários, encontros etc. sobre Educação Ambiental no mundo, de fato, essas práticas estão longe de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira e sugerem que a implementação da Educação Ambiental deveria basear-se nos problemas que interferem nas condições de vida dos indivíduos, de forma que favorecessem mudanças significativas de consciência, resultando processos efetivos. E pensando dessa forma, CARVALHO, I.C.M. (1998), contribui, na medida em que aborda a interdisciplinariedade como um instrumento capaz de nos fazer compreender as relações entre os seres humanos e natureza. E ainda nos diz que é possível conciliar a Educação Ambiental com Cultura. TRAVASSOS, E.G. (2004) ao comentar sobre Educação Ambiental, corrobora o pensamento da autora citada anteriormente, quando afirma que os estudos ambientais não podem ser enfocados de outra maneira que não seja a global e que essa visão deve envolver as pessoas da comunidade, os currículos escolares e os professores; tendo como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo e lugar, em seus modos formal e não-formal, promovendo a transformação e a construção da sociedade. E seguindo esse princípio, Michael, P., em CAPRA et. al. (2005), desenvolveu um trabalho pedagógico, envolvendo ambiente e artes, incluindo o papel das emoções na aprendizagem, dessa forma corroborando com o pensamento de TRAVASSOS, E.G. (2004), pois visa à estimulação da solidariedade, a igualdade e o respeito entre os seres humanos, integrando conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. E ao mencionar participação, abordando também a cultura local, uma das mais efetivas é a participação das escolas, em programas voluntários, com atividades extraclasse e informais. Essa cultura do voluntariado está presente a alguns anos no cenário escolar da região. Um exemplo dessas atividades voluntárias dos jovens estudantes e seus respectivos professores é a participação na Ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, um segmento da ONG Parceiros Voluntários, que aborda três eixos: educação ambiental, cultura para a paz e cultura. Durante o ano letivo, várias atividades são desenvolvidas na Ação, cujo propósito é a formação de multiplicadores em suas escolas. Para isso, as escolas firmam um convênio com a ONG Parceiros Voluntários a cada início de ano letivo. Não há restrições quanto à rede de ensino, podendo participar escolas estaduais, municipais e particulares. Dentre as várias atividades oferecidas nessa Ação, citam-se: oficinas, palestras, caminhadas, encontros municipais e regionais para debates... A modalidade escolhida para trabalhar a questão ambiental no último encontro, foi uma oficina, realizada em 5 de julho de 2010, com o objetivo de promover a conscientização ambiental nas séries finais do ensino fundamental e formar multiplicadores em suas respectivas escolas, através do diálogo, confecção de fantoches de meia com materiais recicláveis e incentivo a criação e apresentação de uma peça de teatro, sobre tema ambiental escolhido pelos participantes.
2-METODOLOGIA: Estabeleceu-se como público alvo, estudantes e professores da rede pública de ensino das escolas de Santa Cruz do Sul - RS, integrantes do ensino fundamental, a partir de 11 anos de idade e que pertenciam à Ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, vinculada à ONG Parceiros Voluntários. Primeiramente, definiu-se como estratégia para integração dos participantes, a realização de uma dinâmica de grupo e posteriormente à confecção do fantoche de meia e encenação de uma peça de teatro, com duração aproximada de 5 minutos, abordando temas ambientais. A dinâmica de grupo compôs-se de entregar a cada participante um balão cheio e solicitar que andassem pela sala, movimentando seus balões, sem deixar que caíssem no chão. Em determinado momento, o facilitador da dinâmica tocava o ombro de um participante e este deveria se retirar do grupo, deixando o seu balão na roda. Os outros colegas deveriam manter o balão, do colega que saiu, em movimento. Cada vez, um participante era retirado do grupo e mais balões ficavam soltos. Em certa ocasião, os integrantes que ainda permaneciam no grupo não conseguiram manter todos os balões no ar. Nesse momento a dinâmica foi encerrada e começaram os comentários. No segundo momento, dispôs-se os participantes em pequenos grupos para promover um diálogo mais específico sobre o tema Meio Ambiente. Após a formação de dois ou mais grupos, iniciaram-se os trabalhos na confecção dos fantoches de meia, com os materiais que eles trouxeram de casa, previamente solicitados, não podendo faltar a meia velha do pai, que seria descartada, agulhas, linhas, novelos de lã, restos de tecido, enfim, tudo o que julgassem possível de ser utilizado na elaboração do fantoche e forneceu-se instruções sobre a construção dos mesmos. Durante a confecção, incentivou-se os participantes a dialogarem sobre o tema Meio Ambiente, sendo que a construção do personagem de cada fantoche era de livre escolha. Ao término da confecção dos fantoches de meia, os participantes se reuniram e criaram uma breve história, também de livre escolha, que foi transformada em peça de teatro e apresentada aos demais participantes dos outros grupos. Seguido às apresentações, os grupos comentaram sobre essa experiência, envolvendo sempre o tema ambiental. A TABELA 1 abaixo fornece mais informações sobre a metodologia utilizada.
TABELA 1 - Resumo da metodologia utilizada na Oficina.
3-RESULTADOS E DISCUSSÕES: Quanto à dinâmica de grupo, os comentários foram bem subjetivos, começando pela dificuldade de manter o seu próprio balão em movimento e no ar, passando pelo momento de ter que assumir a responsabilidade pelo balão dos colegas que saíram do grupo. Ao término da dinâmica, os participantes transformaram esses comentários para o tema Meio Ambiente e chegaram à conclusão que, cada um deles deveria fazer a sua parte, colaborando para um meio ambiente sustentável, mas também teriam de ter a responsabilidade de vigiar as ações alheias no que tange ao meio ambiente, já que este é um bem comum de todos (FIGURAS 1, 2, 3 e 4). FIGURA 1 - Início das instruções da dinâmica.
FIGURA 2 - Início da dinâmica.
FIGURA 3 - Desenvolvimento da dinâmica.
FIGURA 4 – Final da dinâmica.
Ao confeccionarem os fantoches de meia (FIGURAS 5, 6 e 7), os integrantes elaboraram diversos personagens, sendo a cobra a de maior representatividade (36%), seguido pelo palhaço (29%). Sobre a motivação de confeccionar uma cobra, os participantes citaram que se inspiraram em lendas folclóricas, pela facilidade de confecção, por ela ser um integrante do Meio Ambiente e demonstrar sua função no Meio Ambiente, conforme a TABELA 2.
FIGURA 5 – Momento da confecção dos fantoches de meia.
FIGURA 6 – Confecção dos fantoches.
FIGURA 7 – Confecção dos fantoches.
TABELA 2 - Personagem Confeccionado e Motivação (livre).
Fonte: Oficina Fantoches Dialogam sobre Meio Ambiente, em 5 de julho de 2010.
De posse de seu fantoche, os integrantes foram convidados a se reunir em grupo, para discutirem sobre Meio Ambiente e elaborar uma peça teatral de 5 minutos, que seria apresentada aos demais participantes. Como os participantes se reuniram por afinidade, muitos fantoches, cujo desenvolvimento da personagem era de livre escolha, em primeiro momento, pareciam não se integrar na elaboração da estória. Porém, 93% dos participantes afirmaram que obtiveram sucesso em integrar seus fantoches de meia, com seus respectivos personagens, na peça de teatro, conforme TABELA 3.
TABELA 3 - Integração de fantoche (livre escolha) em uma peça de teatro sobre Meio Ambiente.
Fonte: Oficina Fantoches Dialogam sobre Meio Ambiente, em 5 de julho de 2010.
Depois de reunidos, os grupos decidiram o tema da peça a ser abordado na elaboração da peça teatral. Três foram os temas abordados: preservação do Meio Ambiente (poluição, lixo e prejuízos à saúde), reciclagem e preservação do Meio Ambiente (maltrato a animais), segundo a TABELA 4. Ressalta-se que dois grupos enfatizaram o mesmo tema: maltrato a animais. Os participantes utilizaram o humor para repassar uma mensagem de conscientização sobre as responsabilidades de cada indivíduo na construção de um meio ambiente sustentável.
TABELA 4 – Tema abordado para a encenação do teatro sobre meio ambiente.
Fonte: Oficina Fantoches Dialogam sobre Meio Ambiente, em 5 de julho de 2010.
Durante o desenvolvimento da Oficina, também foi proposto aos participantes que escrevessem sobre o que sentiam nas duas situações; a primeira durante a confecção do fantoche de meia e a segunda durante a encenação da peça teatral. Os dados apontaram diversos sentimentos, conforme a TABELA 5.
TABELA 5 - Desenvolvimento do trabalho proposto.
Fonte: Oficina Fantoches Dialogam sobre Meio Ambiente, em 5 de julho de 2010.
As informações da TABELA 5 demonstram que os sentimentos eram bem próximos, tanto durante a confecção do fantoche quanto na encenação da peça teatral (FIGURA 8), entretanto, sentimentos de receio, ansiedade e nervosismo foram mais descritos no momento da encenação, por estarem mais expostos a julgamentos dos participantes. Nesse contexto, percebem-se as aptidões de cada indivíduo em suas habilidades específicas.
FIGURA 8 – Encenação da peça teatral com os fantoches.
Ao término da Oficina, os participantes avaliaram a realização e participação da mesma. As descrições das avaliações se encontram na TABELA 6. De modo geral, todos aprovaram a experiência e solicitaram mais eventos como esse, pois em suas considerações relataram que puderam desenvolver a criatividade; método que julgaram muito apropriado para abordar o tema Meio Ambiente, conscientizando-se melhor que apenas em exposições orais como palestras.
TABELA 6 – Avaliação da tarefa realizada.
Fonte: Oficina Fantoches Dialogam sobre Meio Ambiente, em 5 de julho de 2010.
4-CONCLUSÕES:
A Oficina contou com 14 multiplicadores (que teriam a função de repassar o que vivenciaram na Oficina aos outros colegas, em sua escola de origem), portanto, 14 pessoas conscientizadas diretamente e produzidos 14 fantoches, com diferentes personagens. Ao todo, 4 escolas públicas participaram do evento, sendo duas de Santa Cruz do Sul (Escola Municipal de Ensino Fundamental Cardeal Leme e Escola Municipal de Ensino Fundamental Affonso Rabuske), uma de Herveiras (Escola Estadual de Ensino Médio Emílio Alves Nunes) e uma de Vera Cruz (CEARCA). Estas duas últimas são cidades próximas à Santa Cruz do Sul. Ressalta-se que as 4 escolas pertencem à Ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, cujo objetivo é trabalhar com temáticas ambientais, proporcionando a formação de multiplicadores em suas respectivas escolas.
5-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAPRA, F. et. al. Alfabetização Ecológica – A educação das crianças para um mundo sustentável. São Paulo: Cultrix, 2005.
CARVALHO, I.C.M. Em Direção ao Mundo da Vida: Interdisciplinariedade e Educação Ambiental. Brasília: IPÊ, 1998.
MEDINA, N.M. & SANTOS, E.C. Educação Ambiental: uma metodologia participativa de formação. 3ª edição. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
NOAL, F.O. & BARCELOS, V.H.L. Educação Ambiental e Cidadania – Cenários Brasileiros. Santa Cruz do Sul, RS: EDUNISC,2003.
TRAVASSOS, E.G. A Prática da Educação Ambiental nas Escolas. Porto Alegre, RS: Mediação, 2004. |