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ISSN 1678-0701
Número 45, Ano XII.
Setembro-Novembro/2013.
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07/09/2013
PERCEPÇÃO DE ALUNOS DA MODALIDADE DE ENSINO PARA JOVENS E ADULTOS (EJA) EM RELAÇÃO AO CONSUMO CONSCIENTE DA ÁGUA EM UMA ESCOLA ESTADUAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES (RJ)  
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Percepção de alunos de ensino médio em relação ao consumo consciente da água

 

PERCEPÇÃO DE ALUNOS DA MODALIDADE DE ENSINO PARA JOVENS E ADULTOS (EJA) EM RELAÇÃO AO CONSUMO CONSCIENTE DA ÁGUA EM UMA ESCOLA ESTADUAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES (RJ)

 

 

Clara Ayume Ito de Lima1, Ana Paula da Silva2, Vicente de Paulo Santos de Oliveira3, Cristiano Peixoto Maciel4

 

1Aluna do curso de pós graduação lato sensu em Educação Ambiental do Instituto Federal Fluminense, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. claraayume@ig.com.br

 

2Professora da Instituto Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

 

3 Diretor da Unidade de Pesquisa e Extensão Agroambiental do Instituto Federal Fluminense, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro

 

4 Professor do curso de pós graduação lato sensu em Educação Ambiental do Instituto Federal Fluminense, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro.

 

 

Resumo

 

A água é um recurso natural utilizado em todas as atividades humanas. Atualmente, esse recurso sofre com escassez e degradação, gerados principalmente pelo padrão de consumo humano, aumento da população humana e a poluição ambiental. Dessa forma, a educação ambiental se torna uma ferramenta valiosa para fornecer informação à população sobre o uso consciente da água e importância da conservação desse recurso para a vida. Nesse escopo, o presente estudo tem como objetivo avaliar a percepção de estudantes do ensino médio (modalidade educação de jovens e adultos) do Colégio Estadual José Francisco Salles em relação ao uso consciente da água. De maneira geral, os alunos consideram que o consumo de água em suas residências é médio e mostraram conhecer as práticas importantes no seu dia-a-dia. No entanto, algumas práticas que geram desperdício ainda fazem parte das suas rotinas. Atividades contínuas de educação ambiental devem ser feitas, permitindo o pleno entendimento dos alunos acerca das práticas para uso racional da água e a importância destas para a conservação desse recurso.

Palavras chave: percepção ambiental, educação ambiental, recursos hídricos

 

 

 

Introdução

 

O Brasil possui a maior reserva de água mundial (WWF, 2004). Embora presente em grande quantidade no país, a água não está disponível para toda a população brasileira, seja em quantidade ou qualidade necessária. A água no país apresenta distribuição desigual: a Região Norte é a maior detentora das reservas de água doce brasileiras, enquanto a Região Nordeste vive constantes períodos de secas. O estado do Rio de Janeiro possui uma alta disponibilidade natural de água, porém alguns sistemas aquáticos se encontram com baixa qualidade, devido principalmente pela ocupação do território desordenada (Ferreira et al., 2008). Além disso, o desmatamento, o lançamento de efluentes industriais sem tratamento e esgoto in natura,contribuem para a diminuição da qualidade dos recursos hídricos brasileiros e consequentemente, sua disponibilidade (Lira, 2005; Cortez, 2004).

Na Região Norte Fluminense, temos como exemplo dos principais sistemas aquáticos a Lagoa Feia, a Lagoa de Cima e o rio Paraíba do Sul, tendo esse último uma grande importância no fornecimento de água para a cidade de Campos dos Goytacazes e demais municípios do Norte do Rio de Janeiro, não só para consumo humano, mas também para fins agrícolas e industriais. A cidade de Campos dos Goytacazes é o maior município do estado do Rio de Janeiro, com uma população de aproximadamente 431.839 habitantes (Barbosa, 2008). O abastecimento de água é realizado pela empresa privada Águas do Paraíba, responsável pela distribuição de água tratada, captada principalmente do rio Paraíba do Sul. Em locais onde não há rede de distribuição de água, os moradores geralmente fazem a captação direta de poços domésticos (Rocha, 2004).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo recomendado de água por dia é de 120 litros, enquanto o consumo brasileiro é de 200 litros/dia, bem acima do recomendado. Em estudo realizado por Crespo et al. (2012) demonstraram que houve uma mudança no pensamento do brasileiro sobre o uso consciente dos recursos naturais, com destaque para a forma de utilização da água. Segundo os autores, em 1997 a afirmativa “Da forma como usamos a água, dentro de pouco tempo não teremos água para beber.” era confirmada por 55% dos brasileiros, e atualmente, 88% consideram correta essa afirmação. Em um levantamento realizado por ODM (2010), demonstrou que 71% dos moradores do município de Campos possuem acesso à rede de água.

As preocupações com o uso adequado dos recursos naturais são cada vez mais concretas, refletindo a mudança global que vem se processando no comportamento individual, sabendo-se das influências inevitáveis desse comportamento na coletividade. Além da má utilização da água, a ausência da educação sanitária e de informação para os cidadãos resulta no desperdício desse recurso (Lira, 2005). O consumo consciente consiste na utilização de bens e serviços, promovido com reduzidos impactos ambientais de maneira que atenda as necessidades das gerações atuais e futuras. Conforme Schaefer & Crane (2005), o componente necessário à geração de um processo de consumo sustentável a longo prazo teria como ponto de partida as ações situadas nos níveis individual e doméstico. Parafraseando o ambientalista René Dubos, “pensar global, agir local”, através de simples ações é possível diminuir o desperdício e adquirir um consumo sustentável de água nas residências (Nique et al., 2005).

Para tanto, a Educação Ambiental apresenta-se como ferramenta na formação de consumidores responsáveis, que reconhecem seu papel como agentes na conservação do meio ambiente como um todo. Através dela, pode-se levantar discussões sobre a importância do meio ambiente na saúde e bem estar humano, degradação ambiental e principalmente desenvolver no indivíduo, um sentido ético-social frente aos problemas ambientais atuais (Moradillo & Oki, 2004). A escola se torna o espaço ideal para que esse trabalho seja realizado, pois é através da educação que são formados cidadãos, que conseguem mitigar as conseqüências de suas ações no ambiente. O acesso à informação gera uma melhoria na qualidade de vida das pessoas com baixa escolaridade, uma vez que com mais informação os indivíduos podem fazer valer os seus direitos. O conhecimento pode conduzir aos alunos a uma reflexão sobre o uso racional da água (Sousa et al., 2011).

O presente projeto teve como objetivo, verificar a percepção de alunos do ensino médio (classe de Educação de Jovens e Adultos - EJA) em relação ao consumo consciente da água.

 

Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil

           

            A Lei 9.795/99 instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), estabelecendo políticas, ações estratégicas oficiais de Educação Ambiental e sua definição:

 

“Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo essencial a sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.” (Lei 9.795/99, cap. I, Artigo 1º)

 

Dessa forma, a educação ambiental deve estar presente no ambiente escolar, em qualquer nível de ensino ou modalidade, em caráter formal ou informal (Kist, 2010). Conforme proposto pelo artigo 5º da Lei 9795/99, a educação ambiental tem como principais objetivos:

 

  1. Desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente, em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos;

 

  1. garantia da democratização das informações ambientais;

 

  1. estímulo e fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social

 

            Em 20 de Dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (No 9394/96) foi promulgada, estabelecendo as bases e diretrizes para a Educação Nacional. Segundo essa lei, a educação básica tem como objetivo desenvolver no indivíduo a formação para exercer sua cidadania, indo além da simples assimilação de conteúdo, mas também no desenvolvimento de valores. Assim, a transversalidade de temas como o meio ambiente pode auxiliar o debate sobre temas que os alunos vivenciam na sua região, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes (Brasil, 1998). A Educação Ambiental (EA) então, se apresenta como um importante instrumento para a transformação da relação da sociedade com o meio ambiente, desenvolvendo uma visão crítica frente aos problemas ambientais globais e regionais e estimulando a compreensão dos problemas e conflitos ambientais existentes (Kist, 2010).

 

 

Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA)

           

            Segundo Reigota (1994), não há limite para a educação ambiental, porém esta deve se adequar á faixa etária a que se destina e possuir um caráter de educação permanente e dinâmica.

Uma das importâncias em se trabalhar atividades de educação ambiental com a turma de EJA é igualar a carga horária dessa modalidade com a do ensino regular (Reis, 2009). Além disso, há também o problema da baixa estima desses alunos, uma vez que se sentem inferiorizados.

Essa modalidade de ensino foi criada para alunos que não puderam freqüentar a escolarização regular (Kutter & Eichler, [s.d.]) e tem grande importância na sociedade, como ferramenta de democratização do acesso ao conhecimento (Di Perro et al., 2001) Dessa forma, essas atividades vêm somar às disciplinas regulares, aumentando a estima e interesse dos alunos. Porém, segundo Borges & Lima (2007) poucos são os trabalhos de Educação Ambiental com turmas de EJA.

 

 

Percepção Ambiental

            As interpretações que o homem é capaz de realizar a partir de suas experiências perceptivas presentes e passadas, de suas expectativas, propósitos, aspirações, gostos e preferências podem formar a percepção que ele tem do ambiente, estando presente em todas as atividades do homem. A percepção pode ser definida de diversas maneiras. Segundo Tuan (1980), a percepção é a resposta a estímulos externos que são claramente registrados. Gibson (1974) explica que a percepção é uma interpretação, sob uma projeção objetiva, atribuindo o significado dos objetos percebidos. O homem interage com o meio ambiente, a percepção ambiental então, pode ser definida como as ligações cognitivas e afetivas dos seres humanos para com o meio ambiente, ou seja, o indivíduo percebe o ambiente em que está inserido, reagindo e respondendo à ações, frutos desses processos cognitivos (Machado, 2008). A dificuldade em se analisar a percepção dos indivíduos é a existência de uma heterogeneidade nessa percepção, sendo diferente para grupos sócio-econômicos e culturas diferentes, além de suas funções sociais.

            Ao se realizar um projeto de educação ambiental, é importante que primeiramente, haja um levantamento de informações comportamentais que vão gerar subsídio para o delineamento do projeto, definindo as prioridades e estratégias pedagógicas utilizadas (Pinheiro et al., 2001). Dessa forma, a percepção ambiental se apresenta como uma ferramenta anterior ao início do projeto de educação ambiental, pois é através desse perfil ambiental que se dará origem aos objetivos e a escolha das estratégias. Sendo assim, a educação ambiental pode se transformar em “uma parte ativa de um processo intelectual, constantemente a serviço da comunicação, do entendimento e da solução dos problemas” (Vigotsky, 1991).

 

 

Material e Métodos

 

Local de estudo

 

O projeto foi realizado no Dia Mundial da Água, em duas turmas de terceiro ano no turno da noite, na Escola Estadual José Francisco Salles, situada no município de Campos dos Goytacazes, norte do Estado do Rio de Janeiro, durante a aula de Química. Na turma 3001 participaram do questionário 18 alunos e na turma 3002, 23 alunos. Durante a realização da pesquisa, estava em andamento um projeto de educação ambiental intitulado “Plantando educação, colhendo cidadão”, que envolvia as turmas de ensino médio e fundamental da escola, que tinha como objetivo a produção de uma horta na escola, além da produção de sabão com óleo de cozinha usado. Junto com essas atividades, palestras, saídas de campo, vídeos e outras atividades foram realizados com as turmas da escola.

 

 

Metodologia

Primeiramente, um questionário foi aplicado (contendo 10 questões) para verificar como se dá o consumo residencial de água dos alunos e se eles fazem algum tipo de ação para diminuir este consumo (Dietz & Tamaio, 2000). A utilização de questionários tem como objetivo a investigação e avaliação da realidade de uma comunidade em relação ao seu conhecimento de determinado assunto. Na Tabela 1, seguem as questões utilizadas no questionário e a sua função na caracterização da percepção dos alunos em relação ao seu consumo residencial, antes das palestras:

 

Tabela 1. Perguntas utilizadas no questionário e sua função para reconhecer o conhecimento dos alunos acerca da percepção do consumo de água.

Número

Questão

Função

1

Quantas pessoas moram na sua casa?

O número grande de pessoas na casa pode influenciar o consumo de água.

2

O consumo de água da sua casa é (alto, baixo, médio, muito alto, muito baixo)

Demonstrar qual era a percepção do aluno em relação ao próprio consumo doméstico

3

Qual tipo de descarga existe na sua casa?

Descargas de válvula gastam mais água (30 a 40 litros/descarga) do que as de caixa acoplada (6 litros).

4

Você tem máquina de lavar roupa?

Utiliza máquina ou tanque para lavagem das roupas.

5

Quantas vezes você lava roupa (todo dia, 1 vez na semana, 1 vez ao mês, 2 vezes ao mês)

Lavar roupas tentando usar toda a capacidade da máquina, para evitar várias lavagens.

6

Quantos minutos dura seu banho (30 min, 20 min, 15 min, 5 min)

O tempo ideal para um banho é de 5 minutos que já gasta entre 15 e 81 litros.

7

Você usa mangueira para lavar calçadas, quintal ou garagem?

A utilização de mangueiras para lavagem de quintal ou calçadas utiliza 280 litros de água.

8

Atualmente, na sua rua existe algum vazamento de água?

A presença de vazamentos de água deve ser informada aos órgãos competentes, para conserto.

9

Mantêm a torneira aberta ao escovar os dentes, fazer barba ou lavando o carro?

Essas atividades também são indicadas como fontes de desperdício de água em residências.

10

Citar 5 palavras que vem a cabeça quando pensa em “consumo consciente”

Item do questionário livre, para conhecer quais palavras os indivíduos relacionavam com consumo consciente.

 

 

De acordo com o referido questionário, podemos avaliar os conhecimentos dos alunos acerca do tema. Após o questionário, foram apresentados vídeos sobre o tema em questão. Com o objetivo de avaliar o conhecimento adquirido com a palestra, uma redação com o tema “Água” foi desenvolvida pelos alunos.

 

Resultados e Discussão

 

A média de idade da turma 301 foi de 46 anos e da turma 302 de 33 anos. O número de pessoas por residência teve valor médio de 5 pessoas/residência e na turma 302 de 4 pessoas/residência. Em ambas as turmas, os alunos consideraram o consumo de água de suas residências (Figura 1a,1b) como médio, o que foi confirmado pelas respostas dadas no questionário (Tabela 1).

 

 

 

Figura 1. Opinião dos alunos da turma 3001 (Figura 2a) e turma 3002 (Figura 2b) acerca do consumo de água de suas casas.

 

 

Embora a maioria das respostas corrobore com o consumo médio considerado pelos alunos, algumas atividades realizadas como o tempo de banho (Tabela 1), o não aproveitamento da água da chuva, a utilização de mangueira para limpeza de calçadas e carro (somente na turma 3001) e a descarga tipo válvula utilizada no banheiro não fazem jus a essa resposta. Segundo Crespo et al. (2012), a maior parte dos brasileiros acredita possuir hábitos econômicos e que grande parte das práticas que devem ser adotadas para atingir um consumo consciente, são fáceis. Porém, o entendimento de que tais práticas são fáceis na realidade, não significa que sejam realizadas:

“O fato de ter consciência de que um hábito é facilmente exequível, não implica na garantia de sua execução, mas já demonstra que isso faz parte de um valor compartilhado pela quase totalidade do grupo.” (Crespo et al, 2012)

 

Da mesma forma, em estudo realizado por Magalhães (2013), alunos relataram conhecer que as suas atividades diárias causavam algum tipo de dano ao meio ambiente. Porém os mesmos relataram que se sentem incomodados com os problemas ambientais presentes na sua cidade, mesmo tendo indicando que eles mesmos são os responsáveis por essas atitudes. A educação ambiental pode ser utilizada como uma ferramenta que une a atitude e o conhecimento adquirido em sala de aula, uma vez que tem como objetivo desenvolver atitudes e posição consciente em relação à conservação e uso consciente dos recursos. Segundo Almeida et al. (2012), a escola tem o papel fundamental de formalizar esse tipo de informação, uma vez que fontes oriundas da escola (televisão, por exemplo) podem fornecer informações incompletas, causando confusão ou a apresentação de um conhecimento não tão completo.

 

 

Tabela 2. Resultado do questionário aplicado nas turmas 3001 e 3002. São apresentados as respostas mais assinaladas.

Atividade

3001

3002

Tipo de Consumo de Água

Médio

Médio

Número de Pessoas na Casa

5

4

Tipo de Descarga

Válvula

Válvula

Vezes que Lava a Roupa

1 vez na semana

1 vez na semana

Banhos por Dia1

12

12

Tempo de Duração do Banho

30 minutos

20 minutos

Utiliza Mangueira para Lavagem de Calçada

Sim

Não

Escova Dentes com Torneira Aberta

Não

Não

Lava Louça com Torneira Aberta

Não

Não

Lava Carro com Torneira Aberta

Sim

Não

Aproveita Água da Chuva

Não

Não

Possui algum cuidado para reduzir o consumo de água

Sim

Sim

1Número de banho total de todos os moradores da casa.

 

            Na questão 8, quando perguntados sobre a existência de vazamentos na rua em que moravam, os alunos responderam não haver. Os vazamentos, tanto no domicílio quanto na rua, é uma atividade que causa um grande desperdício de recursos hídricos (Pinto, 2008).

            Na questão 10, os alunos deveriam citar 5 palavras que eles relacionariam com “consumo consciente”. Na turma 3001 as principais palavras foram: economia, reduzir, torneira, vida e aproveitar. Na turma 3002, as principais palavras foram: economizar, responsabilidade, aproveitar, meio ambiente e reduzir. Outras palavras como natureza, meio ambiente, reciclagem e desperdício também foram citadas com certa freqüência.

            Segundo Crespo et al. (2004), a mídia vem dando mais espaço para o temas “consumo sustentável” ou “desenvolvimento sustentável”, aplicando os conceitos na vida real do telespectador. Assim, acesso à informação fornecida pelas mídias pode auxiliar a associação desses termos citados pelos alunos com o consumo consciente. Porém, é necessário apenas dizer que é necessário reduzir o consumo, mas também o porquê dessa necessidade (Revista Nova Escola, 2005). Assim, atividades de educação ambiental, que podem desenvolver a percepção ambiental e sensibilizar o aluno em relação ao consumo de água, são importantes difusores de conhecimento no meio escolar. Em estudo realizado por Barbosa (2008), moradores de um assentamento em Campos dos Goytacazes conseguiam reconhecer as fontes de contaminação das águas da região em que viviam e que estas poderiam causar-lhes alguma doença. Porém a desinformação não permitiu que houvesse a associação de práticas para o tratamento da água antes do consumo para melhoria da qualidade desta, além da incorporação de conceitos errôneos, como relacionar a qualidade da água como a ausência de “gosto, cheiro e cor”.

            Após a aplicação do questionário, os vídeos foram apresentados e uma discussão sobre o tema foi levantada entre alunos e professor. Em ambas as turmas, os alunos foram participativos, salvo algumas exceções. Na turma 3002, os alunos se mostraram mais interessados e já conheciam um pouco sobre o assunto, relatando programas de TV e documentários que assistiram sobre o assunto. Já na turma 3001, alguns alunos não participaram do debate e não respondiam as perguntas. Segundo Almeida e Simão (2010), alunos mais susceptíveis aos processos de educação ambiental são os mais participativos.

            Em seu trabalho, o aluno 1 relatou:

 

“Tem muita gente que lava carro, a calçada, escova os dentes, lava louça com a torneira ligada em quanto (sic) em outros lugares muita gente não tem água, bebe água que sai do esgoto.”

 

Esse comentário foi feito em sala por um dos professores, que citou o país Haiti com exemplo de condições precárias de saneamento básico. Isso confirma que a informação utilizada em sala de aula foi captada pelo aluno de forma eficiente.

            A importância da água em tarefas diárias e em outros foi citada por vários alunos:

“A água é de grande importância para a sobrevivência dos seres vivos.” (Aluno 2)

 

“(...) pessoas que não se importam em deixar a mangueira ligada em frente a casa enquanto conversam com seu visinho (sic), não seria mais simples desligá-la?” (Aluno 3)

 

            Em um dos trabalhos da turma 3002, uma aluna citou uma frase de Thomas Fuller “Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor a água”. A mesma aluna, em sua redação escreveu:

 

“(...)não importa quem somos, onde vivemos, o que fazemos, nem a classe social, todos dependemos da água para sobreviver.” (Aluna 4)

 

“A água é uma jóia, pela qual não existe valor que possa pagar, é um tesouro pelo qual as pessoas desconhecem.” (Aluna 4)

 

            Em todas as redações, pudemos evidenciar que os alunos colocavam sempre a água como essencial e indispensável à vida, e que é necessário utilizar de forma responsável para que as futuras gerações pudessem também usufruir desse bem.

 

“Então pessoal, vamos economizar, pois se cada um fizer sua parte e diariamente e, nossos filhos, nem nós mesmos, iremos passar necessidade no futuro.” (Aluno 5)

 

“No futuro muitos irão sofrer com a falta desse bem tão precioso, quem usa com economia e sem desperdício usa sempre!”. (Aluno 6)

 

 

Conclusão

            Através desse trabalho, pode-se perceber que os alunos, de maneira geral possuem boas práticas de uso da água, mesmo assim, há a necessidade de um trabalho contínuo para que os alunos tenham o pleno entendimento da real necessidade e importância da água com consciência, assim como as práticas de reutilização em algumas atividades. Assim, as práticas para redução do consumo ou uso consciente não seriam realizados de forma mecânica, mas que os indivíduos saibam o porquê dessas atitudes.

            Estudos desse tipo dão suporte para outros trabalhos de educação ambiental, principalmente com alunos da EJA, uma modalidade carente de atividades extracurriculares. Porém, sabe-se que o trabalho da educação ambiental deve ser contínuo, sempre procurando trazer novas informações e trabalhar o conhecimento já apresentado aos alunos.

 

Agradecimentos

 

À Escola Estadual José Francisco Salles, pela possibilidade de desenvolvermos esse estudo na instituição. Ao Programa de Pós Graduação do Instituto Federal Fluminense (Campus Centro) pelo suporte.

 

 

 

Referências

 

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