ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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Relatos de Experiências

10/03/2017
AULA TEÓRICO-PRÁTICA, UMA ALTERNATIVA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE MORFOLOGIA FLORAL  
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            AULA TEÓRICO-PRÁTICA, UMA ALTERNATIVA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE MORFOLOGIA FLORAL

 

Tony César de Sousa Oliveira – aluno de mestrando do curso de Pós-graduação em desenvolvimento e meio ambiente da Universidade Federal do Piauí (UFPI), tonycsoliveira@hotmail.com.br

Claudiana Silva Pereira – aluna do Mestrado em Genética e Melhoramento, claudianasilvapereira123@gmail.com

Thales Eduardo Galdino Andrade – aluno de mestrado do curso de Pós-graduação em Genética e Melhoramento,thalesgaldino@hotmail.com

Maykon Rodrigues  de Barros Moura – Licenciado em Biologia pela Universidade federal do Piauí, maykonrdbm@hotmail.com

Thalyta Thâmara Duarte de Moura Reis – Licenciada em Biologia pela Universidade federal do Piauí, thalyta21@hotmail.com

 

Resumo: Um dos principais desafios dos professores é mediar aulas que despertem a curiosidade e atenção dos alunos, estimulando sua aprendizagem. Nesse sentido, este trabalho trata-se de um relato de experiência de uma aula teórico-prática feita com 30 alunos do segundo ano do Ensino Médio da escola Centro de Ensino de Tempo Integral (CETI) - Professor Darcy Araújo, em Teresina – Piauí, onde foram expostos exemplares de famílias diferentes de plantas, as quais foram identificadas pelos discentes por meio de caracteres morfológicos previamente explicados em aula-expositiva. As três equipes nas quais os alunos foram divididos mostraram um aumento nas pontuações médias nos questionários feitos acerca do conteúdo realizado na forma de pré e pós-teste, além de entusiasmo nas atividades. Isso aponta que o ensino, com ênfase ao de Botânica, pode ser feito de forma simples e efetiva procurando aliar aulas teóricas e práticas.

 

Palavras Chaves: Botânica. Contextualização de conteúdos. Ensino-aprendizagem.

 

Abstract: One of the main challenges of teachers is to mediate classes that arouse students curiosity and attention, stimulating their learning. In this sense, this work is an experience report of a theoretical-practical class made with 30 students of the second year of High School of the Center of Teaching of Integral Time (CETI) - Professor Darcy Araújo, in Teresina - Piauí, where specimens of different families of plants were exposed, which were identified by the students through morphological characters previously explained in lectures. The three teams in which the students were divided showed an increase in average scores in the content questionnaires carried out in the form of pre and post-test, as well as enthusiasm in the activities. This indicates that teaching, with emphasis on Botany, can be done in a simple and effective way, seeking to combine theoretical and practical classes.

 

Keywords: Botany. Contextualization of contents. Teaching-learning.

 

            Introdução

            A Educação Ambiental compreende os processos pelos quais o homem constrói habilidades, conhecimentos, valores sociais, atitudes, e competências voltadas para preservação do meio ambiente (BRASIL, 1999). Dias (1992), diz ainda que ela deve levar às pessoas a uma compreensão crítica e global do meio ambiente.

            A escola como lugar onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização, deve dar suporte à formação de comportamentos ambientalmente corretos, sendo estes  aprendidos na prática, no decorrer da vida escolar, com o intuito de contribuir para a formação de cidadãos responsáveis. Dessa forma, a escola deve oferecer a seus alunos os conteúdos ambientais de forma contextualizada com sua realidade (MEDEIROS, 2011).

            O ensino de Botânica constitui uma ferramenta importante para a essa contextualização, considerando que as plantas formam o maior componente dos ecossistemas (ESTEVES, 2011). No entanto, esse ensino apresenta alguns problemas, que vão desde a falta de interesse dos discentes por este tipo de conteúdo, até, em casos extremos, dificuldade dos docentes em trabalhar com o tema. (FERREIRA et al., 2016)

            Dias et al., (2009) dizem que os conteúdos de Botânica são frequentemente ministrados de forma desestimuladora, distante da realidade do aluno e que ainda persiste a prática de aulas teóricas presas aos livros didáticos. Sendo, portanto, necessário desenvolver medidas a serem empregadas nas escolas para que esses conteúdos venham a ser internalizado pelos alunos (BITENCOURT, 2013).

            Uma das alternativas é aliar teoria à prática, pois durante a aula teórica o professor consegue ministrar a base do conteúdo, e, na aula prática, ele faz com que o aluno vivencie o que aprendeu se inserindo no contexto biológico. Silva et al., (2015), dizem ainda que essa metodologia pode levar à ruptura da mesmice em sala de aula, contribuindo para o aperfeiçoamento do conhecimento e para a formação social do discente.

            Com base nisso, este trabalho tem como objetivo relatar uma aula teórico-prática sobre morfologia floral em uma escola estadual, localizada no município de Teresina, Piauí, e investigar o nível de aprendizagem dos alunos das turmas antes e após a utilização dessa aula, no intuito de apontar e avaliar ferramentas de ensino que auxiliem aos docentes na realização de aulas que gerem aprendizagem de forma simples e efetiva.

 

METODOLOGIA

           

A aula teórico-prática foi realizada no Centro de Ensino de Tempo Integral (CETI) - Professor Darcy Araújo, em Teresina - Piauí, com 30 alunos do 2º ano do ensino médio. As espécies botânicas contento estruturas florais utilizadas na prática foram coletadas no entorno da escola, sendo essas, seis exemplares da família Nyctaginaceae (Bougainvillea spectabilis - Três-Marias), seis exemplares da família Malvaceae (Hibiscus sp - Hibisco), e seis da família Fabaceae(Cenostigma macrophyllum -Caneleiro).

            Para uma melhor dinâmica, a turma foi dividida em três equipes, onde foi solicitado aos alunos que respondessem um questionário (pré-teste) para que fosse realizado uma avaliação diagnóstica a respeito do conhecimento que a turma possui a cerca de morfologia vegetal.

            Posteriormente, cada equipe recebeu dois exemplares de cada família, e deu-se início à aula, que teve duração de 1h30min. Em seu decorrer, foram apresentadas as partes constituintes das folhas, caules e flores, utilizando o recurso de data-show, para que toda a turma acompanhasse as etapas de identificação.

            Paralelo à aula expositiva, foram sendo demonstrado aos alunos como identificar as estruturas e morfologia das flores observando a diferenciação do cálice e corola, a presença e a quantidade de pétalas e sépalas, partes masculinas e femininas da flor, os tipos de simetria e a presença ou ausência de alguma estrutura modificada (brácteas, espinhos, gavinhas, pétala diferenciada, etc.). Para acompanhar as identificações, os alunos receberam guias morfológicos, aos preenchiam de acordo com as características morfológicas do representante.

            Ao término da aula, foi solicitado mais uma vez que os discentes respondessem um novo questionário (pós-teste), como forma de demonstrar os conhecimentos assimilados durante a atividade. Para fim de comparação da eficiência da atividade, este era composto das mesmas questões do pré-teste.

 

Resultados e Discussões

 

            De início observou-se um grande interesse por parte dos alunos em participarem da prática, demonstrando a necessidades que eles tem de aulas mais dinâmicas, concordando com Paes et al. (2015) ao afirmarem que o processo de ensino-aprendizagem se torna mais motivador quando se é possível observar representantes vivos dos grupos de planta.

            Quando comparados os resultados do pré-teste com o pós-teste, observou um significativo crescimento de respostas corretas (Figura 1). O grupo um que tinha obtido a média de 5.4 no pré-teste, no segundo momento de avaliação, essa média subiu para 8,9; o grupo dois que no pré-teste tinha atingido uma média de 5.2, no pós-teste a elevou para 8,6; o grupo três que no primeiro teste tinha a média de 6,4, após a realização da atividade, suas respostas somaram uma média 9.0.

 


Figura 1. Comparação entre médias do pré e pós-testes dos alunos do Centro de Ensino de Tempo Integral (CETI) - Professor Darcy Araújo, Teresina-PI, 2016

           

Estes resultados expressam a importância da atividade para uma melhor assimilação dos assuntos abordados. Krasilchik (2005), diz que essas atividades despertam e mantêm o interesse dos alunos para os conteúdos, desenvolvendo a sua capacidade crítica, levando-os a compreender os conceitos básicos além de os envolver no mundo da prática e descobertas científicas.

            Os dados obtidos são semelhantes aos resultados de Prilgol (2007) em um trabalho de prática de morfologia floral, que corroboram com a ideia de que a realização desse tipo de atividade é de fundamental importância dentro do processo de ensino e aprendizagem, uma vez que, vivemos em um mundo que exige cada vez mais conhecimento, e o método de ensino deve atender essa demanda, fazendo com que o docente compreenda e fortaleça o conhecimento adquirido.

            Aliar a teoria à prática se configura em uma ferramenta excelente para o processo de ensino aprendizagem. Silva et al. (2011) reforçam ainda que, apenas as tradicionais aulas expositivo-teóricas não são suficientes para o ensino dos conteúdos biológicos. O indicado seria que os docentes adotem as duas modalidades, o que proporcionaria aos alunos um conhecimento mais técnico científico, facilitando a compreensão dos alunos e, consequentemente, melhorando sua aprendizagem.

           

CONCLUSÕES

           

Os alunos desmontaram uma boa aceitação da aula teórico-prática, sendo, portanto, avaliada como uma boa metodologia de se trabalhar o conteúdo, fazendo uma ponte real entre o conteúdo e a realidade dos alunos. As diferenças de notas dos testes demonstraram uma eficiência da atividade de ensino.

            A aula prática é fundamental no ensino de Biologia, e esta, quando conduzida em conjunto com a teórica, mostrou-se uma excelente alternativa didática, dinâmica, instrutiva e eficaz, podendo ser essa utilizada não apenas nos conteúdos de Botânica, mas também em outros da área de Biologia e demais ciências.

 

Referencias

 

BITENCOURT, I. M. A Botânica no Ensino Médio: Análise de uma Proposta Didática baseada na Abordagem CTS. 2013. Dissertação (Mestrado); Universidade Estadual do sudoeste da Bahia, Jequié/BA. 2013.

 

BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Lex: Coletânea de Legislação e Jurisprudência, Brasília, 27 de abril de 1999; 178º da Independência e 111º da República. Legislação Federal e marginalia.

 

DIAS, C. M. J., SCHWARZ, A. E., VIEIRA, R. E. A Botânica além da sala de aula, 2009. Disponível em: . Acesso em 22 Set. 2016.

 

DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1992.

 

ESTEVES, L.M. Meio ambiente & Botânica; Coordenação José de Ávila Aguiar Coimbra – São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2011

 

KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Biologia. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005, 197p.

 

FERREIRA, M. M.; ALMEIDA, M. C. C.; OLIVEIRA, L. J.; DOS ANJOS, H. A.; NASCIMENTO, L. M. M . Tabuleiro humano: uma forma inovadora de ensinar botânica no ensino médio .Agroforestalis News, Aracaju, v.1, n.1, set, 2016.

 

MEDEIROS, A. B et al,. A Importância da educação ambiental na escola nas séries iniciais. Revista Faculdade Montes Belos, v. 4, n. 1, set. 2011.

 

PRIGOL, S. A importância da utilização de prática no processo de ensino-aprendizagem de Ciências Naturais enfocando a morfologia da flor. 2007. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas) - Faculdade Assis Gurgacz

 

PAES, L. S. et al. Atividades didáticas para o ensino da classificação das plantas no sétimo ano do ensino fundamental. In: 4° Congresso Ibero-Americano em Investigação Qualitativa, 2015, Aracaju. 4° Congresso Ibero-Americano em Investigação Qualitativa Atas Investigação Qualitativa na Educação. Aracaju: Ludomedia, 2015. v. 2. p. 123-128.

 

SILVA, A. P. M. et al.,  aulas práticas como estratégia para o conhecimento em botânica no ensino fundamental. Holos (Natal. Online), v. 8, p. 68-79, 2015.

 

SILVA, F. S. S.; MORAIS, L. J. O.; CUNHA, I. P. R. Dificuldades dos Professores de Biologia em Ministrar Aulas Práticas em Escolas Públicas e Privadas do Município de Imperatriz (MA). Revista UNI, Imperatriz, n. 1, p. 135-149, Janeiro/Julho, 2011.

 

 

 



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