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ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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10/03/2017
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: SABERES E PRÁTICAS DE DOCENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS DE BELTERRA/PA  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: SABERES E PRÁTICAS DE DOCENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS DE BELTERRA/PA

 

Franciane Aguiar Santana¹

Dariane Nunes da Costa²

Helionora da Silva Alves³

Alberto Soares Evangelista4

 

 

¹Engenheira Florestal (UFOPA), Especialista em Sociedade, meio ambiente e desenvolvimento sustentável na Amazônia (UFOPA), Mestranda em educação (UFOPA);.email:enfengfranciane@gmail.com.

²Graduada em gestão ambiental no IESPES.

³Engenheira Agrônoma (UFMT), Mestre e Doutora em Agricultura Tropical (UFMT), Docente do Instituto de Biodiversidade e Floresta da Universidade Federal do Oeste do Pará. Email: helionora.alves@ufopa.edu.br.

4Graduado em Direito. Docente no IESPES.

 

RESUMO: O objetivo foi mostrar saberes e práticas sobre Educação Ambiental de professores deBelterra-PA. Os professores possuem saberes e adotam práticas relacionados a Educação Ambiental e há necessidade de maior envolvimento do poder público para garantir o aprimoramento dos conhecimentos sobre essa temática.

PALAVRAS-CHAVE: Meio ambiente, metodologias educacionais, Amazônia, Brasil.

 

ENVIRONMENTAL EDUCATION: KNOWLEDGE AND PRACTICE OF TEACHERS IN PUBLIC SCHOOLS OF BELTERRA/PA

 

ABSTRACT: The objective was to show knowledge and practices on Environmental Education of teachers in Belterra-PA. The teachers have knowledge and adopt practices related to Environmental Education and there is a need for greater involvement of the public power to ensure the improvement of knowledge on this subject.

KEY WORDS: Environment, educational methodologies, Amazon, Brazil.

 

INTRODUÇÃO

A relação entre o serhumano e o meio ambiente existe desde os primórdios, a apropriação da natureza por meio da utilização de diversos vegetais certamente ocorreu antes mesmo de o processo ser relatado historicamente,no inicio, o uso dos recursos naturais visava atender as necessidades básicas, como alimentação, obtenção de materiais para construções de habitações, ferramentas e utensílios, a princípio por meio da extração e coleta dos vegetais, e com o passar dos anos, surgiua prática da agricultura e a descoberta de possíveis utilizações medicinais de algumas plantas(RIBEIRO,1995; DIAMOND, 2003).

Essa relação foi sendo ampliada e configurou atrajetória histórica da sociedade contemporânea que foi norteada pela crescente modernização e urbanização e levaramas mudanças nos hábitos e costumes da humanidade, além de afetar nas transformações do meio ambiente(ALVES et al., 2014 - a; SILVA, 1998).

As transformações ambientais influenciam diversas temáticas que são frequentementeabordadas em diversos setores da sociedade, visto que, os impactos ambientais se acentuaram com a industrialização, além dos riscos a vida humana e de outros seres vivo na Terra, e ao mesmo tempo a humanidade também avançou na produção de conhecimentos científicos e tecnológicos para que a sociedade adote alternativas no âmbito do conceito da sustentabilidade e possibilitaro enfrentamento das problemáticas ambientais, sob essa ótica, a Educação Ambientalé uma das alternativas que pode direcionar a compreensão sobre a construção deconhecimentos para esse apecto (LIBANIO e MEDEIROS, 2010).

A Educação Ambiental éuma prática inovadora em diversosâmbitos, destacando-se internalização por meio das políticas públicas de educação e de meio ambiente em âmbito nacional e a sua incorporação como intermédio educativo, por um conjunto de práticas de desenvolvimento social (CARVALHO, 2001).

Para Portela et al (2010) as temáticas sobre o meio ambiente na Educação Ambiental deve extrapolar a percepção biológica ou naturalista e abranger também as dimensões da história, sociedade, cultura e política, para que possaultrapassar o campo da intenção para o da ação, conforme descrito a seguir:

 

A crise ambiental sem precedentes, instaurada historicamente pela intervenção do homem como expressão de seus valores, conceitos e ações nas relações que estabeleceu com o ambiente de que é parte integrante, requer reorientação de conduta cuja efetivação reclama prática educativa eficaz, de cunho transformador.

Dada a missão que assume a educação face o desafio em tela, em particular a Educação Ambiental, há de se ter deliberada intencionalidade perpassando o pensar e o fazer nessa seara. Assim é que se faz necessário estabelecer clara orientação conceitual acerca de meio ambiente e inequívoca orientação metodológica e político-pedagógica para levar a termo a práxis educativa.

Nesse sentido, superar as concepções reducionistas acerca de meio ambiente, que o traduzem como o meio natural do qual o ser humano se utiliza, numa ótica antropocêntrica e ou utilitarista é um imperativo. Reconhecer-se como parte constitutiva desse cenário, no âmbito do qual se estabelecem relações mediadas por fatores naturais, sociais, históricos e políticos, dentre outros, é também imprescindível. (PORTELA et al., 2010, p. 66).

 

O foco de uma educação dentro do moderno paradigma ambiental, portanto, tenderia a abranger, para além de um ecossistema natural, um espaço de relações sócio ambientais historicamente configurado e dinamicamente instigado pelas crises e conflitos sociais (CARVALHO, 2001).

Dessa maneira, a Educação Ambiental preconizada como um aprendizado social se distingue do procedimento da aprendizagem, por não se transportar exclusivamente aos discentes e sim, aos moradores do planeta Terra e para isso, uma unidade escolar pode colaborar para que as ações possam extrapolar os limites da escola (SANTOS, 2007).

Partindo do exposto acima, é que surgiu a necessidade desse estudo, voltado aos professores de escolas públicas no município de Belterra, no estado do Pará, que está inserido na região amazônica, e atualmente é alvo damonocultura da soja e também de degradação ambiental.

Quando se trata do quadro de índices relevantes do município, Belterra tem 44,3% da população abastecida por poço ou nascente, sendo somente 27,7% os interligados a rede geral de abastecimento. Enquanto isso, a maioria das pessoas residentes não utiliza uma rede geral de esgoto sanitário, consistindo na fossa rudimentar a mais utilizada (93,8%) pelos moradores da região. Quanto ao destino dado aos resíduos, a maioria (72,2%) da população queima o seu lixo na própria residência (PSA, 2008).

Portanto, o objetivo geral deste estudo foi conhecer os saberes e práticas dos professores de escolas públicas de Belterra/PA sobre a Educação Ambiental.

 

METODOLOGIA

 

Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva através de pesquisa bibliográfica e de campo, realizada em escolas públicas do município de Belterra, no Estado do Pará.

 

Área de estudo

Belerra localiza-se na messoregião Baixo Amazonas, e dista cerca de 106 km do Município de Santarém. Sua população estimada, no ano de 2013 era de 16.808 habitantes. Possui uma área territorial de 2640,699 km² (IBGE, 2014).Atualmente vem sofrendo desmatamentos constantes devido a expansão do cultivo de soja na região. O acesso ao município pode ser através do rio Tapajós e da BR 163.

Quando se trata de educação, existem 18 estabelecimentos Pré-escolares, 62 de ensino fundamental, sendo estes do município, e apenas um estabelecimento do ensino médio, este estadual (MEC/SEDUC, 2009). Sendo assim, esta pesquisa contemplou 02 escolas de ensino fundamental localizadas na área urbana do município de Belterra, que foram: Escola de Ensino Fundamental Darcy Vargas: Apresenta um quadro de composto por dez professores para atender a demanda de 269 alunos; e Escola de Ensino Fundamental Eny Ataidy: Apresenta um quadro de composto também por dez professores para atender a demanda de 301 alunos.

 

Informantes

Os informantes foram professores que atuam nas escolas pesquisadas. Sendo que de um total de vinte, apenas 40% (oito professores) responderam o questionário, entre os principais motivos para não participação dos demais foi: a falta de tempo; não querer participar e férias. No entanto, ressalta-se que foram entregues nas escolas, o número de questionários correspondentes ao quadro de professores.

 

Coleta e análise de dados

Acoleta de dados se deu através da aplicação do questionário semi-estruturado adaptado de Júnior (2014) voltado ao tema Educação Ambiental. Os dados foram analisados através da análise de conteúdo com a Modalidade análise temática. Segundo Bardin (2010)consiste na avaliação de mensagens sobre determinado tema dos participantes da pesquisa. Que neste estudo trata-se da abordagem sobre os saberes e práticas de professores de escolas públicas, sobre Educação Ambiental em Belterra/PA. 

Considera-se que esta pesquisa obedeceu a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que estabelecem diretrizes e normas regulamentadoras quanto aos aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos: autonomia, não maleficência, beneficência e justiça. A pesquisa foi realizada mediante a leitura e explicação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido com autorização através de assinatura do mesmo pelos entrevistados.

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A educação é essencial para o desenvolvimento, pelo seu valor inerente, na medida em que colabora para o acordar cultural, a conscientização, a compreensão dos direitos humanos adicionando a adaptabilidade e o significado de autonomia, bem como a auto confiança e a auto estima (SACHS, 2004).

Diante desse contexto, segundo Carvalho (2006), a Educação Ambientalé idealizada inicialmente como preocupação dos movimentos ecológicos com a prática de conscientização apta de chamar a atenção para a limitação e má distribuição do acesso aos recursos naturais e submergir os cidadãos em ações sociais ambientalmente adequadas. Assim, a seguir será abordado o contexto histórico da Educação Ambiental, conceitos sobre Educação Ambiental e o papel do educador (docente) na Educação Ambiental.

 

Contexto histórico da Educação Ambiental

Segundo Pestana (2005), para se discutir sobre Educação Ambiental precisar-se regressar no tempo e rever atitudes na evolução do homem em relação à superfície da terra, quando o homem primitivo era parte unificada do contexto que se conhece por Natureza. Assim, com o decorrer dos tempos, o homem foi adquirindo um modo individualista em relação ao meio em que vive. Sendo que, esse afastamento ser humano/natureza vem ocasionando implicações desastrosas, deixando viva a certeza que atitudes necessitam ser adotadas em virtude de inúmeras ações de deterioração da natureza feitas pelo homem.

Diante disso, iniciaram-se em todo o mundo debates em torno de assuntos como preservação dos recursos naturais e desenvolvimento sustentável. Passando a questão ambiental a ser uma preocupação mundial, e trazendo a tona questões a serem resolvidas pelas nações, como por exemplos, a destruição da camada de ozônio, acidentes nucleares, mudanças climáticas, desertificação, ampliação na produção de resíduos sólidos, armazenamento e transporte de resíduos perigosos, poluição hídrica, poluição atmosférica, pressão populacional sobre os recursos naturais e perda de biodiversidade. Chamando assim, a atenção para a maneira como ocorre o crescimento econômico e o consumismo insustentável que afeta o meio ambiente, aumentando a degradação e destruição do ecossistema e compromete a qualidade de vida de gerações futuras (MOREIRA et al., 2010).

Todo o contexto citado acima faz com que no plano internacional, a Educação Ambiental começasse a ser elemento de discussão das políticas públicas. Sendo que, em 1972, em Estocolmo na Suécia, ocorreu à primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, que tomou, mediante a Declaração de Estocolmo, um conjunto de princípios para o manejo ecologicamente racional do meio ambiente, e aliaram vários países inclusive o Brasil para discutirem o tema Meio Ambiente Humano, pois passaram a se preocupar com o crescimento tumultuado de cidades, assim como, a poluição global das águas, ar e oceanos e o bem estar e qualidade de vida dos povos de todo o mundo (MOREIRA et al., 2010) Considera-se que, segundo Pedrini (1997), o Plano de Ação da Conferência de Estocolmo aconselhou a capacitação de professores e o desenvolvimento de novos procedimentos e recursos instrucionais para a Educação Ambiental.

Também, o encontro de Belgrado em 1975 foi um dos momentos importantes que marcam a história da Educação Ambiental. Este encontro reuniu especialistas de 65 países e motivando a Carta de Belgrado, objetivando uma nova ética mundial para a erradicação da pobreza, analfabetismo, fome, poluição, exploração e dominação humana e recomendou também a criação de um Programa Mundial de Educação Ambiental (PEDRINI, 1997). Porém, uma das conferências mais definidas da história da Educação Ambiental foi a Conferencia de Tbilisi em 1977. Na declaração desta conferência constam os objetivos, funções, estratégias, características, princípios e sugestões para a Educação Ambiental (MOREIRA et al., 2010).

No transcorrer dos anos foram desempenhados diversos eventos vinculados a Educação Ambiental (Conferencia de Moscou, Conferencia do Rio de Janeiro (MOREIRA et al., 2010), mas é sobretudo nas décadas de 80 e 90, com o progresso da consciência ambiental, que a Educação Ambiental cresce e se torna mais conhecida (CARVALHO, 2006).Sendo assim, segundo Trajber e Sorrentino (2007), a Educação Ambiental assume seu compromisso com mudanças de valores, comportamentos, sentimentos e atitudes e vem contribuindo para a construção de sociedades sustentáveis, com pessoas atuantes.

o obstante no Brasil, segundo Lipai et al. (2007) a aprovação da lei n° 9.795, estabelecendo a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), trouxe grande expectativa, principalmente para os educadores e ambientalistas, pois há muito já se fazia Educação Ambiental, independente de existir ou não um marco legal.

Sendo que a andamento da presença da Educação Ambiental na legislação brasileira depara-se a uma disposição em comum, que é a necessidade de universalização desse exercício educativo por toda a sociedade (MOREIRA et al., 2010).

Para Lipai et al. foi a constituição federal de 1988 que aumentou ainda mais o status da Educação Ambiental, ao mencioná-la como um elemento fundamental para a qualidade de vida ambiental. Assim, no Plano Nacional de Educação (PNE) encontra-se que a Educação Ambiental deve ser implementada no ensino fundamental e médio.

E a definição de Educação Ambientalé dada no artigo 1° da lei n°9.795/999 como os procedimentos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade edificam valores sociais, conhecimentos, habilidade, atitudes e competências relacionadas para a conservação do meio ambiente (BRASIL, 1999).

Contudo, para Loureiro e Cossío (2007), desde a segunda metade dos anos 90, o Brasil vem se tentando por meio de criação e implementação de diretrizes e políticas no sentido de promover e impulsionar a Educação Ambiental no ensino fundamental. Fazendo com que o objetivo da Educação Ambiental seja conscientizar não apenas os alunos, mas também comunidades (MOREIRA et al., 2010).

Ressalta-se que, nos últimos anos, vem aumentando as preocupações relativas à Educação Ambiental e as iniciativas da sociedade para criar projetos que tendem a educar, sensibilizar e mobilizar comunidades para as questões ambientais (RUY, 2004).

Partindo do princípio de que, os impactos ambientais não se revelam somente em nível local. No entanto, na maioria das vezes as pessoas que residem em um verificado local, podem ser ao mesmo tempo, causadores e vítimas dos impactos. Por conviverem diariamente com o problema, essas pessoas tem mais condições de diagnosticar e resolver de forma efetiva parte desses problemas (MARCATTO, 2002). Para este autor, a Educação Ambiental mostra-se como uma das maneiras de sensibilizar a população sobre os problemas ambientais. Além de apresentar como ato político e de cidadania, cabendo a todos implementa-la.

 

Conceitos sobre Educação Ambiental

A diversidade de classificações a respeito da Educação Ambiental tem sido bastante vasta. Sendo que no Brasil, foi pioneiramente explorada por Sorrentino (1995), que identificou a existência de quatro vertentes ligados ao termo da Educação Ambiental, que são: sentido conservacionista; educação ao ar livre; gestão ambiental; e economia ecológica.

Segundo Sorrentino et al. (2005), a Educação Ambiental nasce como um processo educativo que acarreta um saber ambiental materializado nos valores éticos e nas regras políticas de convivência social e de mercado, que sugere a questão distributiva entre benefícios e prejuízos da apropriação e do uso da natureza. Para o autor, esta deve ser direcionada para a cidadania ativa avaliando seu sentido de pertencimento e co-responsabilidade que, por meio da ação coletiva e organizada, procura a compreensão e a superação das razões estruturais e conjunturais dos problemas ambientais.

Enquanto que Layrargues (2002), afirma que a Educação Ambiental trata-se de um processo educativo eminentemente político, que visa ao desenvolvimento nos educandos de uma consciência crítica acerca das instituições, atores e fatores sociais causadores de riscos e concernentes conflitos socioambientais. Para o autor, essa educação aspira uma estratégia pedagógica do enfrentamento de tais conflitos a partir de meios coletivos de exercício da cidadania, ajustados na concepção de pendências por políticas públicas participativas, segundo requer a gestão ambiental democrática.

Também, a Educação Ambientalé um processo em que se procura acordar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, colaborando para o desenvolvimento de uma consciência crítica e instigando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Sendo que, desenvolve-se num conjunto de complexidade, buscando trabalhar a mudança cultural e transformação social, admitindo a crise ambiental como uma demanda ética e política (MOUSINHO, 2003).

Diante do exposto, ressalta-se as afirmações feitas por uma professora canadense, conhecida por Lucy Sauvé (1997) que tem sido bastante consideradas por diversos segmentos da sociedade. Lucy discute algumas variações, que podem ser complementares entre si, ao avesso dos aspectos existentes do ambientalismo. Para tanto, segundo a autora, tem-se: Educação sobre o meio ambiente através da obtenção de conhecimentos e habilidades concernentes à interação com o ambiente, fundamentada na transmissão de fatos, conteúdos e conceitos, onde o meio ambiente se torna um elemento de aprendizado; Educação no meio ambiente, trata-se da educação ao ar livre, onde se busca aprender através do contato com a natureza ou com o conjunto biofísico e sociocultural do entorno da escola ou comunidade (O meio ambiente provê o aprendizado experimental); e Educação para o meio ambiente, através do qual se procura o engajamento ativo do educando que aprende a resolver e prevenir os problemas ambientais (meio ambiente se torna uma meta do aprendizado).

Lembra-se que, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, elaborado pela sociedade civil planetária em 1992 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), como sua base de princípios, trouxe um aspecto crítico, político e libertador da Educação Ambiental, entendendo-a como um instrumento de transformação social, ideologicamente empenhada com a mudança social. Enquanto que, afirma que este tipo de educação aponta também outro elemento que a noção de sociedades sustentáveis, edificadas a partir de princípios democráticos, em padrões participativos de educação popular e gestão ambiental (BRASIL, 2007).

Partindo do exposto acima, para Varine (2000), a natureza é um amplo patrimônio da sociedade. Assim, logo, a Educação Ambiental se torna uma prática social, com a preocupação da preservação desse patrimônio. Para o autor, se o meio ambiente está sendo atacado, agredido, violentado, devendo-se isso ao veloz crescimento da população humana, que provoca decadência de sua qualidade e de sua capacidade para sustentar a vida, não basta apenas denunciar os estragos feitos pelo homem na natureza, é necessário um processo educativo, com atitudes pró-ambientais e sociais.

o obstante, no Brasil, o entendimento legal e conceitual sobre Educação Ambiental apresenta-se como os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade edificam valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, fundamental à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (LEI 9.795, 1999, art. 1º).

Enfatiza-se, que a Educação Ambiental trata-se de um processo educacional instituído ao longo dos anos através de estudos de especialistas, com visão das necessidades do homem e da natureza entrelaçadas em um fim comum que é a sustentação da qualidade de vida de todos os seres do planeta. Em vista da vivência de problemas ambientais em quase todas as regiões do país, torna-se fundamental o desenvolvimento e implantação de programas educacionais ambientais, os quais são de suprema importância na tentativa de se reverter ou reduzir os danos ambientais (SANTOS, 2007).

Portanto, considerando São Paulo (1999), a Educação Ambientalé essencialmente uma educação para a resolução de problemas, a partir dos alicerces filosóficos do holismo, da sustentabilidade e do aperfeiçoamento. Tornando-se cada dia, mais necessário e importante para todas as sociedades.   

 

O professor e a Educação Ambiental

A escola tem sido um dos pilares do processo de transmissão de condutas, normas e saberes que modificam crianças e jovens em seres educados, portadores das civilidades que residem a viver em um mundo que anuncia almejar a ordem e a convivência harmoniosa, respaldado na supremacia da razão (RODRIGUES e TRISTÃO, 2011). Sendo que esta instituição concebida e cheia de sentidos cruza a formação humana e faz parte do “projeto” social contextualizado historicamente. Dessa forma, o exercício de pensar a escola a partir de outros parâmetros pode indicar transformações, que Veiga Neto (2007) defende:

 

[...] não tenho dúvida de que temos que pensar na escola como ela vinha sendo, naquilo que ela pode se transformar ou naqueles aspectos e práticas em que ela pode ressignificar. Pensar nela como uma instituição que pelo menos garanta a manutenção das conquistas fundamentais da Modernidade (VEIGA NETO, 2007, p.118).

 

Para Foucault (1999), a escola moderna antes de reproduzir, produz um determinado tipo de sociedade, e foi pensada em práticas disciplinares na manutenção de uma sociedade disciplinar, mas esta sofre deslocamentos, e estes interferem no seu funcionamento. Neste contexto, a ação direta do professor na sala de aula é uma das formas de levar a Educação Ambiental também à comunidade, pois um dos elementos fundamentais no processo de conscientização da sociedade dos problemas ambientais é o educador, uma vez que este pode procurar desenvolver, em seus alunos, hábitos e atitudes boas de conservação ambiental e respeito à natureza, transformando-os em cidadãos conscientes e envolvidos com o futuro do país. Dessa forma, através da Educação Ambiental na escola, os alunos podem perceber, por exemplo, que produtos químicos esgotam o ozônio e são ameaças presentes e futuras à camada que resguarda a Terra dos raios ultravioleta. Sendo que, essa preocupação ambiental ao mesmo tempo é de extrema seriedade para toda a sociedade, que pode buscar escolhas que não danifiquem ainda mais a saúde do planeta (SANTOS, 2007).

No entanto, para Mendonça (2007), o papel do professor diante da Educação Ambiental deverá vim entrelaçado com a formação continuada. Sendo que este deverá considerar algumas condições que estão atreladas ao conceito da Educação Ambiental, que são: introduzir a Educação Ambiental com sua qualidade de transversalidade para se contrapor a lógica segmentada do currículo considerando o ideal de um novo arranjo de conhecimentos por meio de práticas interdisciplinares; e trabalhar o julgamento crítico de Educação Ambiental para não percorrer risco de cair num assunto despolitizado.

Ainda segundo Mendonça (2007), transformações de valores e atitudes nos indivíduos recomendados pela Educação Ambiental não é satisfatório para gerar mudanças estruturais numa sociedade. Assim, o processo de Educação Ambiental acontece ao mesmo tempo no individual e no coletivo e, no caso da escola, isto implica também um aprendizado institucional (MOREIRA et al., 2010).

Chama-se a atenção para o fato de que, a Educação Ambiental ainda não está devidamente institucionalizada na maior parte das secretarias de educação brasileira, o que fragiliza a preparação ou continuidade de políticas educacionais pautadas com as questões socioambientais. Assim, os espaços de Educação Ambiental dentro das composições organizacionais dessas instituições evidenciam sua desarticulação com as demais políticas educacionais e o baixo nível de seriedade que lhe é conferida. Essa conjuntura estabelece uma atuação do Órgão Gestores das esferas governamentais e da sociedade civil no sentido de que tal realidade seja revertida (MOREIRA et al., 2010).

Portanto, para os autores acima, compete ao poder público não somente escutar atentamente as aspirações da sociedade para arquitetar políticas públicas conexas com a realidade socioambiental, mas ainda cooperar para garantir as condições ideais de existência de espaços públicos coletivos e representativos, que permitam o debate democrático designado à formulação e implementação participativa dessas políticas.

Assim, é neste contexto que a Educação Ambiental deve ser analisada em Belterra/PA, município alvo deste estudo, uma vez que o mesmo encontra-se em uma região que atualmente vem passando pela implantação de grandes projetos, como por exemplo, construções de hidrelétricas, que podem afetar o contexto socioambiental dos povos que vivem em tal localidade. Partindo do ponto, em que o conhecimento deve ser disponibilizado a toda a sociedade e não apenas no ambiente escolar.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Perfil dos entrevistados

Os resultados mostraram que do total dos vinte professores que atuam nas escolas alvo desta pesquisa, apenas 40% respondeu o questionário, entre os principais motivos para a não participação foi: falta de tempo, não querer responder aos questionamentos e férias do trabalho. Dos entrevistados, 62%eram vinculados a Escola de Ensino Fundamental Darcy Vargasenquanto que38%a Escola de Ensino Fundamental Eny Ataidy.

Dos participantes da pesquisa, 50% eram mulheres 50% homens. A média de idade foi de aproximadamente 37 anos. E quanto ao estado civil: 50% solteiros, 37% casados e apenas 13% disseram viver em união estável.

A média do tempo de serviço na docência dos professores entrevistados foi de aproximadamente 14 anos. Sendo que 63% informou ter nível superior completo e 37% informaram ter cursado algum tipo de pós-graduação (Especialização). Os principais cursos de graduação listados foram: pedagogia, letras, matemática, educação física e gestão ambiental. E as especializações citadas foram em Gestão educacional e Artes.

Todavia as principais disciplinas lecionadas pelos entrevistados que participaram da pesquisa foram: Educação geral ministrada por cindo dos professores entrevistados, Língua portuguesa ministrada por um professor, Matemática também lecionada por um professor e Educação física ensinada por um professor. Com relação a carga horária de aulas ministradas pelos entrevistados, variam entre: 200 horas, 180 horas, 190 horas e 40 horas.

Chama-se atenção para o número de professores que lecionam Educação geral, demonstrado que na atualidade esse profissional deve ter conhecimento voltado para a interdisciplinariedade,contexto que também acaba trazendo a abordagem sobre Educação Ambiental, segundo Guisso e Baiôco (2016), o papel do professor é fundamental, pois é ele que promove mudanças, práticas, estratégias e didáticas interdisciplinares que promovem um desenvolvimento integral e em equipe, criando assim, estratégias para exercer a cidadania e trabalhar as dimensões do processo socioambiental.

 

Saberes e práticas dos entrevistados sobre Educação Ambiental

Segundo Libanio e Medeiros (2010), a Educação Ambiental seria uma atitude adequada para respaldar o desenvolvimento sustentável na sociedade. Para estes autores, a Educação Ambiental visa à sustentabilidade socioambiental institui um processo de mudança do meio natural por meio de técnicas apropriadas, o que evitaria a degradação ambiental.

Neste contexto, quando questionados sobre o que entendem por Educação Ambiental, os professores respondera que a temática está relacionadacom:

a) a aquisição de conhecimento sobre o meio ambiente e suas formas de preservação e conservação;

b) é um processo de conscientização quanto a manutenção dos recursos naturais;

c) são conhecimentos que devem ser repassados aos alunos;

d) se apresentar como o entendimento, compreensão e interpretação do meio ambiente, e utilização dos recursos naturais em benefício a sociedade;

e) éuma ferramenta para a preservação do meio ambiente; e

f) trata-se de uma educação relacionadas as questões ambientais.

 

A seguir os alguns relatos dos entrevistados:

 

Entrevistado 1: É ter conhecimento relacionado ao ambiente e as possíveis formas de preservação do mesmo. Entrevistado 2: Eu entendo que Educação Ambientalé a preservação e a conservação do meio ambiente para uma melhor qualidade de vida. Entrevistado 3: Educação Ambientalé um processo de conscientização quanto ao reconhecimento e manutenção dos recursos naturais. Entrevistado 4: Entender, compreender e interpretar o meio ambiente e, utilizar seus recursos naturais em prol da sociedade de forma benéfica. Entrevistado 5: São conhecimentos que o aluno deverá ter sobre o meio ambiente [...]. Entrevistado 7: A Educação Ambientalé uma ferramenta fundamental para a sensibilização da sociedade em relação a importância da preservação do meio ambiente.

 

Quanto a participação dos entrevistados em algum projeto ou curso de qualificação voltado ao tema da Educação Ambiental, 70% (seis dos professores) relataram já ter participado. Entre os principais temas estavam: projetos voltados a limpeza da escola (Projeto As formiguinhas”), Projeto “Educação Ambiental para todose Curso de prevenção de incêndios.

Neste sentido, segundo Junior (2014), para o professor algumas práticas podem colaborar para a aquisição de conhecimentos sobre a Educação Ambiental, entre as quais, cita: procurar informações em fontes variadas, como a observação, a experimentação, as experiências travadas no laboratório, a leitura, a entrevista, a excursão e o estudo do meio, são imperativos para o ensino, aprendizagem e formação de conceitos em Educação Ambiental; além de se obter subsídios que colaborarão no desenvolvimento de suas ideias e atitudes diante aos problemas ambientais atuais.

Os resultados deste estudo se aproximam de Magalhães (2016) em uma pesquisa realizada sobre Educação Ambiental em Teresópolis no estado do Rio de Janeiro constatou que de 24 docentes entrevistados, 17 declararam que as escolas que administravam não contavam com nenhum professor com formação em Educação Ambiental. Das sete respostas positivas, uma chamou a atenção do autor: duas professoras que haviam participado de uma formação em Educação Ambiental – “Consciência Ampla Futuro” – promovida por uma empresa. Nesta, o principal tema abordado foi: “Conscientização sobre o uso de fontes de energia”.

Considera-se que segundo os participantes deste estudo é comum a abordagem sobre questões ambientais durante as aulas, sendo que estes, procuram sensibilizar os alunos sobre os cuidados que devem ter com o meio ambiente, assim, essa abordagem em sala de aula surge da necessidade dos alunos de serem esclarecidos sobre as atuais questões ambientais, para que sejam divulgadores e conscientizadores em suas comunidades. Portanto, tal abordagem é considerada pelos professores um papel de sua profissão, ou seja, acredita-se que cabe a este profissional a educação sobre o meio ambiente.

Entre os principais temas ambientais que os entrevistados costumam abordar durante suas aulas, estão: limpeza, coleta de lixo e reciclagem; conservação dos recursos hídricos (poluição e uso consciente da água) e recursos florestais (desmatamento e queimadas).

As abordagens sobre temas ambientais em escolas normalmente se resumem, quase continuamente, a visualizar problemas, como exemplo dos resíduos sólidos (lixo) e seu gerenciamento, sem debater as causas e os difíceis efeitos socioambientais (ORSI, 2008).

Observa-se uma preocupação muito forte com os recursos hídricos e florestais de Belterra por parte desses professores, uma vez por se tratar de um município situado em uma extensão territorial da Floresta Nacional do Tapajós, conhecida internacionalmente por suas riquezas em biodiversidade, e isso colabora para que professores e alunos tenham uma relação mais profunda e próxima com a natureza,o que de fato, é muito comum nos municípios localizados na região Amazônica.

Quanto as práticas educacionais trabalhadas sobre questões ambientais nas escolas onde atuam, os entrevistados disseram que realizam: aulas expositivas, músicas, vídeos, etimologia da palavras (conceitos), leituras e debates baseados em artigos científicos sobre o tema, plantios de mudas de árvores, práticas de limpeza escolar, construção e manutenção de hortas orgânicas  e destino dos lixos da escola.

Para esses professores, a Educação Ambiental deveria ser trabalhada buscando-se a articulação entre teoria e prática:

a) projetos educativos de forma interdisciplinar;

b) palestras, seminários e oficinas;

c) campanhas de conscientização;

d) manejo dos recursos naturais;

e) visitas aos pontos turísticos;

f) cartilhas educativas,e

Para Meirelles e Santos (2005), a Educação Ambientalé uma atividade meio, e não pode ser apreendida como mero incremento de brincadeiras’com as crianças e promoção de eventos em datas comemorativas ao meio ambiente, pois, as denominadas ‘brincadeiras’ e os eventos, são parte de um processo de constituição de conhecimento que tem o objetivo de induzir a uma transformação de atitude, o que é fundamental é o trabalho lúdico no cotidiano escolar, por serreflexivo e dinâmico, e respeita o conhecimento anterior dos indivíduos envolvidos.

Diante do exposto, os professores relatam que é indipensável uma maior valorização do tema por parte dos responsáveis, principalmente do poder público, e enfatizam a necessidade de projetos para serem desenvolvidos nas escolas, cursos sobre Educação Ambiental para os professores e uma melhor articulação e valorização entre teoria e prática.

Destaca-se o relato de um entrevistado que considera a necessidade de uma maior importância de valorização e atuação do poder público de Belterra para as questões ambientais, devido a destruição ambiental no município em decorrência do plantio da soja.

Segundo os Sindicatos de Santarém e Belterra 31 comunidades apresentaram sua população reduzida, decorrente dos impactos negativos a partir da implantação do cultivona soja para região. Para a Comissão da Pastoral da Terra (2015), estradas que até pouco tempo eram comunitárias passaram a ter portões ou placas que advertem propriedade particular e evitam a passagem, outra situação danosa às famílias dos comunitários de Belterra,é o período de aplicação de produtos químicos nos plantios de soja, onde o vento leva com facilidade esses produtos para asresidências, causando mal às pessoas, especialmente as crianças.

Agrotóxicos, defensivos agrícolas, pesticidas, praguicidas, remédios de planta e/ou veneno, são algumas das inúmeras denominações relacionadas a um grupo de substâncias químicas, utilizadas para matar, exterminar, combater ou impedir o desenvolvimento de diferentes organismos considerados prejudiciais aos cultivos agropecuários (EPA, 1985; FUNDACENTRO, 1998).

Esses produtos químicos têm ação sobre a constituição física e saúde do ser humano, inclusive existem diversos relatos de doenças e mortes devido aos pesticidas, no Brasil, a segunda principal causa de intoxicação é por agrotóxicos, depois de medicamentos, entretanto, a morte dos intoxicados ocorre com maior incidência entre os que tiveram contato com agrotóxicos (EPA, 1985; ANVISA, 2009).

A exposição acidental a esses produtos químicos é muito comum, e o número de casos é bem maior do que o relatado, já que muitos acidentes não são notificados, e os acidentes com agrotóxicos estão intimamente ligados ao efeito esperado destas substâncias, sendo que em busca do combate dos inimigos naturais nos cultivos agrícolas, o ser humano acaba contaminando intencionalmente o local de trabalho, que é o próprio ambiente agrícola, atingindo em maior ou menor intensidade os trabalhadores, a produção e o meio ambiente (PIGNATI et al., 2007; RIBAS e MATSUMURA, 2009).

Em pesquisa desenvolvida por Pignati et al. (2007) no município de Lucas de Rio Verde, estado do Mato Grosso, os autores informam que as aplicações de agrotóxicos nas monoculturas do estado são feitas através de pulverizações por tratores ou por aviões agrícolas, onde as névoas de agrotóxicos, além de atingirem o alvo (plantas e pragas), também atingem os trabalhadores e, indiretamente, o ar/solo/água, os moradores, os animais e outras plantas que estão no entorno das “áreas tratadas”.

Deixando as pessoas susceptíveis as intoxicações por agrotóxicos, segundo Faria et al. (2007), a pesquisa epidemiológica sobre as intoxicações por agrotóxicos no Brasil ainda é uma área com várias lacunas a serem preenchidas e o dano causado pela intoxicação aguda poderia produzir consequências tardias, nem sempre mensuráveis através dos exames comumente utilizados.

Outra informação importante relatada pelos profesores, é que aproximadamente 15 igarapés estão advertidos de envenenamento, inclusive o Igarapé denominado‘Pimenta’teve a coloração de suas águas alterada e as crianças que o frequentam, tem apresentado problemas como diarreia, irritação nasal e na pele.

A Comissão Pastoral da Terra Diocese de Santarém em relação aosimpactos sociais da soja no estado do Pará, enfatiza:

 

Essa situação é preocupante à medida que as populações locais são ignoradas e expulsas direta ou indiretamente para dar lugar aos campos de soja. As escolas e igrejas estão sendo fechadas, por não haver mais comunitarios.Quem resiste em permanecer em Belterra é obrigado a habituar-se com as normas estabelecidas pelos novos donos da terra(CPT, 2015, p.07).

 

Considerando esses aspectos mencionados, a Educação Ambiental constitui-se, como uma prática duplamente política por conectar o processo educativo, que é de modo inerente político, e a questão ambiental que ao mesmo tempo tem o conflito em sua procedência, existindo uma responsabilização que necessita ser considerada na negociação e na procura de soluções para a crise socioambiental atual (LIMA, 2004).

Segundo Sato (2002) e Guerra (2001), a Educação Ambiental muitas vezes é trabalhada em ocasiões estanques, em datas comemorativas como a Semana do Meio Ambiente, com projetos soltos referentes à natureza. Embora o educador mostre cobiça de executar uma Educação Ambiental articulada com o exercício da cidadania, sua prática, na maioria das vezes, permanece respaldada na pedagogia tradicional, na fragmentação do conhecimento ou em uma compreensão de interdisciplinaridade iniciante, inserida em uma expectativa comportamentalista focada no indivíduo (JUNIOR, 2014).

Porém, o trabalho com a Educação Ambiental deveir além disso e permitir que os atores sociais conheçam a realidade local perante ao mundo para que seja possível compreender através de enfoque holístico e participativoa abordagem do Desenvolvimento Sustentável como prioridade em prol de uma sociedade mais justa e saudável para todos enquanto ainda há recursos para atingir tal fim (WALCHHUTTER e ARAÚJO, 2016).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação Ambiental, como instrumento modificador do meio em que o ser humano está inserido, é um desafio para os professores nas escolas públicas de Ensino Fundamental de Belterra/PA.

Os professores pesquisados possuem saberes e adotam práticas relacionados a Educação Ambiental,porém em seus relatos expressam que os conhecimentos sobre a temáticaestão mais na percepção de noções básicas e que há necessidade de maior envolvimento do poder público para que garanta o aprimoramento dos conhecimentos sobre essa temática. Sendo então importante desenvolver projetos relacionados ao meio ambiente einvestimento na formação do professor para explorar o tema de forma adequada, pois éele que irá criar espaços de discussão em sala para o desenvolvimento da curiosidade intelectual dos alunos sobre questões ambientais.

Destaca-se que a Educação Ambiental apresenta-se como um elo entre questões políticas e ambientais, necessitando de estudos sobre maneiras de entende-la e realiza-la não apenas pelo profissional docente, mas por todos os atores sociais envolvidos (poder público, sociedade, estudantes e outros).

Este estudo disponibiliza as informações da realidade de professores das escolas pesquisadas que podem subsidiar outros estudos corelatos.

 

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