ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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Relatos de Experiências

10/03/2017
EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA REDUZIR IMPACTOS NO RIACHO LAMEGO: AÇÕES NA ESCOLA ARLINDO FERNANDES DE OLIVEIRA, RESIDENCIAL EUGÊNIO COUTINHO  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA REDUZIR IMPACTOS NO RIACHO LAMEGO: AÇÕES NA ESCOLA ARLINDO FERNANDES DE OLIVEIRA, RESIDENCIAL EUGÊNIO COUTINHO

 

Edvania da Conceição Sarmento

Licenciada em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal do Maranhão – Campus Caxias. edvaniasarmento@gmail.com

 Daniel Silas Veras

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Caxias;  daniel.veras@ifma.edu.br

Maria Verônica Meira de Andrade

 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Caxias; veronicameira@ifma.edu.br

 

RESUMO

O presente trabalho aborda a educação ambiental como um fator essencial em todos os níveis dos processos educativos e em especial nos anos iniciais da escolarização, tendo em vista que é mais fácil conscientizar as crianças do que os adultos, além da importância do desenvolvimento de ações ambientais. Nesse sentido o objetivo desse artigo é analisar, avaliar e diagnosticar impactos ambientais no riacho Lamego, com ações de sensibilização na escola Arlindo Fernandes de Oliveira, bairro Eugênio Coutinho. A metodologia consistiu nas seguintes atividades que foram desenvolvidas na escola, como a apresentação do projeto aos gestores, foi realizado o levantamento florístico nas proximidades do riacho Lamego, analise físico-quimica da qualidade da água do riacho, atividades lúdicas e oficinas como os alunos. Posteriormente, os dados obtidos com as analises foram discutidos com os alunos para melhor compreensão dos mesmos em relação à preservação do local. Resultou-se com esse trabalho, o desenvolvimento de ações ambientais realizadas pelos alunos, em relação à participação de todas as atividades e a compreensão dos temas abordados.

Palavras-chaves: Preservação, sensibilização, ludicidade.

 

ABSTRACT

The present work deals with environmental education as an essential factor in all levels of educational processes and especially in the initial years of schooling, since it is easier to educate children than adults, as well as the importance of developing environmental actions . In this sense, the objective of this article is to analyze, evaluate and diagnose environmental impacts in the Lamego stream, with sensitization actions in the Arlindo Fernandes de Oliveira school, Eugênio Coutinho neighborhood. The methodology consisted of the following activities that were carried out in the school, where the project was presented to the managers, in the vicinity of the Lamego stream, a floristic survey was carried out, a physical-chemical analysis of the water quality of the stream, recreational activities and workshops such as Students. Subsequently, the data obtained with the analyzes were discussed with the students to better understand them in relation to the preservation of the place. This work resulted in the development of environmental actions carried out by the students, in relation to the participation of all activities and the understanding of the topics addressed.

Keywords: Preservation, sensitization, playfulness.

 

 

INTRODUÇÃO

       A Educação Ambiental é considerada inicialmente como uma preocupação dos movimentos ecológicos com a prática de conscientização, que seja capaz de chamar a atenção para a má distribuição do acesso aos recursos naturais, assim como ao seu esgotamento, e envolver os cidadãos em ações sociais ambientalmente apropriadas (CARVALHO, 2006).

       A educação ambiental ganhou notoriedade com a promulgação da Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, que instituiu uma Política Nacional de Educação Ambiental e, por meio dela, foi estabelecida a obrigatoriedade da Educação Ambiental em todos os níveis do ensino formal da educação brasileira. A lei 9.765/99 precisa ser mencionada como um marco importante da história da educação ambiental no Brasil, porque ela resultou de um longo processo de interlocução entre ambientalistas, educadores e governos (BRASIL, 1999).

       As questões ambientais estão cada vez mais presentes no cotidiano da sociedade, contudo, a educação ambiental é essencial em todos os níveis dos processos educativos e em especial nos anos iniciais da escolarização, já que é mais fácil conscientizar as crianças sobre as questões ambientais do que os adultos. Nas escolas a EA contribui para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade (MEDEIROS, et al, 2011).

       Ainda os mesmos autores afirmam que a escola é o lugar onde o aluno irá dar sequência ao seu processo de socialização, no entanto, comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no decorrer da vida escolar com o intuito de contribuir para a formação de cidadãos responsáveis, contudo a escola deve oferecer a seus alunos os conteúdos ambientais de forma contextualizada com sua realidade.

       Para que haja um mundo justo e equilibrado, é necessário haver uma interação entre educadores e educandos para que possam haver transformações nas formas de se utilizarem os recursos disponíveis na natureza sem que haja agressões e que esses recursos possam estar sempre disponíveis no futuro (MEDEIROS, et al, 2011).

       Cabe ressaltar que a Educação Ambiental deve ser trabalhada na escola não por ser uma exigência do Ministério da Educação, mas porque se faz necessário o respeito entre as demais formas de vida que habitam o planeta. Dentre várias formas possíveis de se trabalhar a Educação Ambiental, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) afirmam ser a interdisciplinaridade essencial ao desenvolvimento de temas ligados ao Meio Ambiente, sendo necessário desfragmentar os conteúdos e reunir as informações dentro de um mesmo contexto, nas várias disciplinas (NARCIZO, 2009).

        Pelo fato, dos fortes impactos ambientais no município de Caxias/MA, em especial no residencial Eugênio Coutinho, ocasionados pelo mau planejamento das infraestruturas do desenvolvimento urbano, este estudo vê a escola como um espaço privilegiado para estabelecer conexões e informações, como uma das possibilidades para criar condições e alternativas que estimulem os alunos a terem concepções e posturas cidadãs, cientes de suas responsabilidades e, principalmente, perceberem-se como integrantes do meio ambiente. Dessa forma, esta pesquisa se objetivou em analisar, avaliar e diagnosticar impactos ambientais no riacho Lamego com ações de sensibilização na escola Arlindo Fernandes de Oliveira, bairro Eugênio Coutinho no município de Caxias, MA.

METODOLOGIA

 

O trabalho foi desenvolvido na escola municipal Arlindo Fernandes de Oliveira localizada no Residencial Eugênio Coutinho na zona urbana do município de Caxias, Maranhão. O município de Caxias encontra-se localizado na região do Cocais, situado na mesorregião do leste maranhense, o residencial Eugênio Coutinho caracteriza-se como uma construção mal planejada, devido aos impactos ambientais causados pela construção do residencial em área de mananciais. Para obtenção dos dados, utilizou-se o tipo de pesquisa descritiva exploratória e investigativa como meio de aquisição de conhecimento: estudo de caso in loco, embasado em revisão de literatura de autores pertinentes a temática proposta.

 

As pesquisas de campo foram realizadas no entorno do riacho Lamego. Realizaram-se atividades de pesquisa e sensibilização sobre as questões ambientais analisadas, envolvendo três turmas de ensino fundamental, 90 alunos das turmas de 5º ano, fez-se também uma apresentação do projeto inicialmente para as crianças (Figura 1 e 2).   

Figura 1 e 2 – Apresentação do projeto para as crianças e visita ao riacho Lamego.

 

Em uma das atividades realizadas os alunos foram levados para visita ao riacho Lamego onde foram observados diferentes tipos de impactos ao entorno do riacho, como o processo erosivo provocado por desmatamento e construção de casa e asfalto, captação de água irregular, esgotos despejados e resíduos sólidos depositados as margens do riacho, visitaram o laboratório para melhor compreensão de insetos bioindicadores da qualidade da água e identificação de plantas retiradas do entorno do riacho (Figura 3 e 4).

 

.   

Figura 3 e 4 – Visita dos alunos ao laboratório do IFMA – Campus Caxias

Após o retorno a escola foram discutidos meios de minimização da problemática. Além disso, realizou-se atividades lúdicas na escola com o propósito de sensibilizar os alunos sobre as questões voltados as ações ambientais realizadas por eles pra melhorar a qualidade de vida dos mesmos e preservar o meio ambiente com foco no riacho Lamego (Figura 4 e 5).

 

Figura 4 e 5 – Atividades lúdicas com os alunos

 

Fez-se um levantamento florístico ao entorno do riacho para classificação botânica das espécies. O levantamento e as coletas da vegetação no entorno do riacho foram realizados através de métodos expeditos para levantamento de flora, sendo feito através de caminhadas aleatórias na área de estudo. O levantamento teve como objetivo avaliar o impacto sobre a vegetação, onde se fez um levantamento histórico para comparação das espécies encontradas.

Foi realizado um estudo sobre a qualidade da água do riacho, onde foram analisadas características químicas e físicas. Foram coletadas amostras de água do riacho, onde essas amostras foram encaminhadas para laboratório a fim de medir seu pH, turbidez e oxigênio dissolvido. Além de ter sido feito um monitoramento biológico através de insetos aquáticos indicadores da qualidade da água. Bem como a aplicação de um índice de integridade de habitat. Os dados obtidos foram avaliados de acordo com literatura especializada buscando observar se os níveis encontrados são ideais para a vida aquática.

. Além da pesquisa aplicada, esta proposta contou com oficinas abordando a importância da conservação dos recursos naturais, e de biomonitoramento da qualidade ambiental e outros temas, onde eles produziram um mural ambiental e expressaram o conhecimento através de pintura (Figura 6 e 7)

 

Figura 6 e 7 – Oficinas e produção do mural ambiental produzido pelos alunos

 

Os dados foram apresentados aos discentes e docentes, sempre fazendo um paralelo do resultado com o impacto ambiental observado no Riacho Lamego.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O projeto em execução foi apresentado aos professores e gestores da escola, em seguida foram realizadas dinâmicas e aplicadas atividades envolvendo a ludicidade para melhor aprendizagem dos alunos.

 Entre as atividades realizadas fez-se uma visita ao riacho Lamego a fim de conhecer melhor e ter uma maior percepção dos impactos ambientais causados pelos moradores do bairro Eugenio Coutinho, onde foi explicado sobre a ocupação inadequada do bairro e o que isso afetou negativamente o riacho.

Segundo Vygotsky (1988), o desenvolvimento humano é visto como um processo, marcado por etapas qualitativamente diferentes e determinadas pelas atividades mediadas. O sujeito se constitui nas relações com os outros, por meio de atividades que ocorrem em contextos sociais específicos, não ocorrendo o processo de forma direta, e durante esse processo o discente cria uma confiança com o educador, é esse processo humano que vai tornar-se mais consolidado, com a utilização de novas ideias e métodos.

Neste contexto, trabalhos ou atividades que envolvam o saber fazendo torna-se de extrema importância, pois possibilita que o discente seja um sujeito ativo no processo de ensino aprendizagem e multiplicadores de conhecimento.

Foram trabalhadas atividades lúdicas junto com os alunos, para melhor compreensão dos temas abordados dentro do projeto de Educação Ambiental, onde facilitou o processo de aprendizagem e entendimento do assunto, além da interatividade com as propostas feitas em sala. Foram utilizados jogos como jogo da memória, quebra cabeça e dominó, onde se observou que ao mesmo tempo em que eles estavam se divertindo, estavam produzindo.

De acordo com Teixeira (2010, p. 44), “brincar é fonte de lazer, mas é, simultaneamente, fonte de conhecimento; é esta dupla natureza que nos leva a considerar o brincar como parte integrante da atividade educativa”. Nesse sentido as atividades lúdicas desenvolvidas funcionam como estratégia facilitadora de aprendizagem, deixando os alunos mais a vontade. Além disso, fizeram-se as analises físico-quimicas da água, vemos na tabela 02.

 

Tabela 2Resultado das analises físico-químicas realizadas no laboratório.

pH

Ortofosfato

Oxigênio dissolvido

 

6,0

 

0,0

 

9,0

 

De acordo com os resultados apresentados na tabela a cima, para as analises fisco-quimicas da água do riacho Lamego obteve-se resultado de oxigênio dissolvido 9,0 fosfato 0,00 e ph da água 6,0, sabe-se que o potencial hidrogeniônico (pH) afeta o metabolismo de varias espécies. A resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), estabelece que para a proteção da vida aquática o pH deve estar entre 6 e 9. E de acordo com o resultado obtido para análise realizada o pH apresentou valor de 6, estando assim dentro da media aceitável para os padrões estabelecidos.

Esses resultados indicam que a água do riacho esta propicia para a vida dos peixes, mas não para consumo humano, de acordo com o Ministério da saúde, por meio da portaria nº 518, considera que a água própria para o consumo humano deve apresentar-se livre de coliformes termotolerantes e positividade de até 5%, ou ausência, para coliformes totais. 

Dessa forma os resultados obtidos foram apresentados aos alunos fazendo relação com os temas abordados e o que precisa ser feito para a conservação do riacho e discutido a relação da pouca diversidade e a preservação do local, sensibilizando os mesmos sobre ações ambientais que minimizem os impactos causados pela população, através de atividades, jogos, palestras e oficinas.

 

CONCLUSÃO

 

O presente trabalho proporcionou conhecimento para todos os envolvidos desde os docentes aos discentes que participaram ativamente do projeto, permitindo uma maior sensibilização quanto as ações humanas sobre os recursos naturais locais, além de mostrar que as atividades de campo e  lúdicas são importantes na mobilização dos alunos para ações de preservação e a conservação e posturas cidadãs que os mesmos devem ter no meio que vivem.

 

 

AGRADECIMENTOS

 

Agradecemos a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão – FAPEMA, pelo fomento a presente pesquisa.

REFERÊNCIAS

 

ABRELPE (2010). Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. 8 º edição, São Paulo – SP.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Lei n. 9.795/1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: Acesso em: 10 dez. 2015.

 

CARVALHO, I. C. M. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

 

DIAS, Genebaldo. F. Educação ambiental: princípios e práticas. 9.ed. São Paulo: Gaia, 2004.

 

GUEDES, J. C. S. Educação ambiental nas escolas de ensino fundamental: estudo de caso. Garanhuns: Ed. do autor, 2006.

 

GUIMARÃES, M. A dimensão ambiental na educação. 5.ed. Campinas: Papirus,1995. LEFF, Enrique. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2006.

 

LIMA, W. Aprendizagem e classificação social: um desafio aos conceitos. Fórum Crítico da Educação: Rev. do ISEP/Programa de Mestrado em Ciências Pedagógicas. v. 3, n. 1, out. 2004.

 

FELFILI, J. M. & VENTUROLI, F. 2000. Tópicos em análise de vegetação. Comunicações técnicas florestais 2(2):1-34, Brasília, Universidade de Brasília

 

MEDEIROS, A. B.; MENDONÇA, M. J. S. L.; SOUSA, G. L.; OLIVEIRA, I. P. A Importância da educação ambiental na escola nas séries iniciais. Rev. Faculdade Montes Belos, v. 4, n. 1, set. 2011.

 

NARCIZO, K,R. S. Uma análise sobre a importância de trabalhar educação ambiental nas escolas. Rev.  eletrônica de mestr. Educ  ambient,. v 22, 2009.

 

SANCHEZ, M.; PEDRONI, F.; LEITÃO-FILHO,H. F.; CESAR, O. Composição florística de um trecho de floresta ripária na Mata Atlântica em Picinguaba, Ubatuba, SP. Revista Brasileira de Botância 22(1): p. 31-42. 1999.

TEIXEIRA. S. R. O. Jogos, brinquedos, brincadeiras e brinquedoteca: implicações no processo de aprendizagem e desenvolvimento. Rio de Janeiro: wak, 2010.

VEIGA, M. P.; MARTINS, S. S.; SILVA, I. C.; TORMENTA, C. A.; SILVA, O. H. Avaliação dos aspectos florísticos de uma mata ciliar no Norte do Estado do Paraná. Acta Scientiarum. Agronomy. Maringá, v. 25, N.2, p. 519-525, 2003.

 

VYGOTSKY, L. A formação social da mente: O desenvolvimento de processos psicológicos superiores. 6ª ed. São Paulo, 1988. VYGOTSKY, L.S.; LURIA, A.R.; LEONTIEV, A.N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 2ª ed. São Paulo: Ícone Editora, 1988.

 



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