ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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10/03/2017
A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A CONSTITUIÇÃO DE ESCOLAS SUSTENTÁVEIS  
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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A CONSTITUIÇÃO DE ESCOLAS SUSTENTÁVEIS

 

Jennyffer Batista de Oliveira – Graduada em Ciências Biológicas (CFP/UFCG); Antonia Arisdelia Fonseca Matias Aguiar Feitosa – Professora, Especialista em Educação Ambiental, Mestre em Meio Ambiente, Doutora em Educação – UFPB.

E-mail: arisdelfeitosa@gmail.com 

 

RESUMO: Este trabalho teve como objetivo compreender a Educação Ambiental como processo pedagógico mediador na construção de Escolas Sustentáveis. A pesquisa foi realizada em uma Escola pública no interior da Paraíba entre os meses outubro de 2014 a julho de 2015. Adotamos a pesquisa-ação colaborativa como estratégia metodológica. Foram realizadas observações, análises de documentos, aplicação de enquetes e realização de palestra, além de oficinas pedagógicas mediadas por temas transversais voltados às questões ambientais. As oficinas envolveram modalidades didáticas como: aulas expositivas e dialogadas, práticas de Educação Ambiental com confecção de cartazes e estudos contextualizados.  Como resultados, as questões ambientais foram inseridas no Projeto Político Pedagógico, percebemos que os docentes são acessíveis a contribuírem com práticas ecológicas voltadas à sustentabilidade. Os estudantes se envolveram e demonstraram motivação e empenho. As práticas educativas e a constituição de uma escola sustentável são de responsabilidade da comunidade e dos educadores envolvidos com uma formação de qualidade na educação básica.

 

Palavras – chave: Processos Educativos. Educação Ambiental. Escolas Sustentáveis.

 

ENVIRONMENTAL EDUCATION AND THE ESTABLISHMENT OF SUSTAINABLE SCHOOLS

 

ABSTRACT: This paper aimed to understand Environmental Education as a mediating pedagogical process in the construction of Sustainable Schools. The research was carried out in a public school in the countryside of Paraíba state from October 2014 to July 2015. The collaborative action-research was adopted as a methodological strategy. Observations, documental analyses, use of interview and fulfillment of lectures as well as pedagogical workshops mediated by cross-sectional themes regarding the environmental issues were accomplished. The workshops involved didactic modalities, such as: lectures, classes based on dialogue, practices of Environmental Education with production of posters and contextualized studies. As results, the environmental issues were part of the Pedagogical Political Project. We perceived, thus, that the teachers are willing to contribute to ecological practices whose focus is on sustainability. The students got involved and demonstrated motivation and endeavor. Educational practices and the establishment of a sustainable school are responsibility of the community and the educators involved in a qualified formation of basic education.

 

Keywords: Educational Processes. Environmental Education. Sustainable Schools.

INTRODUÇÃO

 

 

            A orientação oficial do governo para as escolas públicas defende que estas trabalhem com os conhecimentos científicos e também com a formação ética de crianças e jovens (PÁTARO; ALVES, 2011). O Ministério da Educação, por meio da Resolução CD/FNDE nº 18, de 21 de maio de 2013, canaliza recursos financeiros às escolas públicas municipais, estaduais e distritais, na perspectiva de favorecer a melhoria da qualidade de ensino e a promoção da sustentabilidade socioambiental nas unidades escolares. Tem como objetivo apoiar à implementação de estudos e intervenções em escolas da educação básica com vistas à criação de espaços educadores (BRASIL, 2013). Tais espaços devem se configurar como melhorias para a escola enquanto ambiente de convívio e educação.

            Neste contexto, a Educação Ambiental contribui para a construção de espaços valiosos na formação do sujeito, especificamente para melhor qualidade educativa para as gerações atuais e futuras. Esta perspectiva formatará um cenário de educação para a sustentabilidade humana e ambiental.

            A Educação Ambiental se configura como uma grande aliada na constituição de uma escola sustentável, proporcionando aprendizagens contextualizadas, na formação de sujeitos ecológicos com valores sociais e atitudes socioambientais (BRASIL, 2013). A Escola Sustentável, que é definida como aquela que mantém uma relação equilibrada com o meio ambiente e compensa seus impactos com o desenvolvimento de tecnologias apropriadas, de modo a garantir qualidade de vida às presentes e futuras gerações (BRASIL, 2013).

            A pretensão, neste estudo, foi iniciar um processo de Educação Ambiental, de forma interdisciplinar na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira, no município de Cachoeira dos índios, Paraíba, além de mobilizar intervenções de incentivo à comunidade escolar para repensar práticas pedagógicas e sociais, por meio da mediação junto aos professores e alunos.

 

Escolas Sustentáveis: Aspectos Legais e Pedagógicos

 

A Coordenação Geral do Ministério da Educação (MEC) trabalha com o conceito de “transição para sustentabilidade”, o que envolve o desenvolvimento de uma visão de futuro, o planejamento das ações para alcançá-lo e a busca de recursos para financiar ações identificadas como prioritárias, bem como o interesse do coletivo escolar em obter metas desejadas (BRASIL, 2013).

A Educação Ambiental desenvolve, de acordo com a Lei n° 9.795/99, a promoção de processos pedagógicos que beneficiam a construção de valores sociais, conhecimentos, habilidades e atitudes acordadas com a conquista da sustentabilidade socioambiental e a melhoria da qualidade de vida (BRASIL, 2013).

A noção de sustentabilidade implica uma indispensável inter-relação entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a ruptura com o atual modelo de desenvolvimento (JACOBI, 2003).

            Conforme o Manual de Escolas Sustentáveis (BRASIL, 2013) para transitar à sustentabilidade, uma escola, necessita promover três dimensões inter-relacionadas: o espaço físico, que deve aderir à utilização de materiais construtivos mais adequados às condições locais, permitindo a criação de ambientes dotados de conforto térmico e acústico, garantindo o cuidado eficiente com a água e energia, desenvolvendo o saneamento e a destinação adequada de resíduos, e, por fim favorecendo a comunidade escolar, o patrimônio cultural e os ecossistemas locais; a gestão, que precisa compartilhar do planejamento e das decisões a respeito do dia a dia da escola, aprofundando o contato entre a comunidade escolar e seu entorno, aceitando e respeitando as diferenças raciais e sociais; e o currículo da instituição de ensino que deve incluir conhecimentos, saberes e práticas sustentáveis no Projeto Político Pedagógico para ser atribuído, em seu cotidiano, de acordo com a realidade local conectada com a sociedade global.

 

Contribuições da Educação Ambiental para a construção de Escolas Sustentáveis

 

O reconhecimento político da Educação Ambiental, no Brasil, aconteceu após anos de luta dos ambientalistas, na década de 1990, após a promulgação da Lei 9.795, em 27 de abril de 1999, instituindo a Política Nacional de Educação Ambiental (PASSOS; SATO, 2012). Essa lei defendia a Educação Ambiental como parte essencial e permanente na educação nacional, estando presente de maneira articulada, em todos os níveis e modalidades de ensino (BRASIL, 2013).

            Nesse sentido, o termo “Educação Ambiental” é composto por dois vocábulos, sendo o primeiro, substantivo e o segundo, adjetivo que envolve, respectivamente, o campo da Educação e o Campo Ambiental.

            É na escola que se formam redes de relacionamentos, pois é nela que professores e estudantes, seus familiares além de outros funcionários vivem grande parte de suas vidas. A qualidade dessa convivência determinará o que esses estudantes serão quando adultos, visando à questão da aquisição de valores, visão de mundo, práticas sociais relevantes e transformadoras.

Tornar a escola um espaço educador sustentável influenciará o progresso da relação da aprendizagem. Uma escola sustentável é, portanto, um espaço onde se desenvolvem processos educativos permanentes e continuados, capazes de despertar o estudante e a coletividade para a construção de conhecimentos, valores, habilidades, atitudes e competências pensadas para a constituição de uma sociedade de direitos, ambientalmente justa e sustentável, e que valoriza especialmente a aprendizagem (BRASIL, 2012).

            Um indivíduo educado ambientalmente é capaz de manter um esforço para contribuir como ser humano no planeta, que se preocupa com a riqueza dos bens naturais, por ser a única espécie dotada de raciocínio, portanto, o principal causador da degradação do ambiente (DUVOISIN; RUSCHEINSKY, 2012).

             Para tanto, a Educação Ambiental trabalhada nas escolas brasileiras, deveria possuir um sentido político, pois objetiva a transformação da sociedade, na busca de um presente e um futuro melhor. Não se pode falar de escolas sustentáveis sem incorporar a Educação Ambiental no cotidiano da escola (LUZZI, 2014).

METODOLOGIA

 

 

Esta pesquisa foi orientada pela abordagem qualitativa, por meio da qual se busca a compreensão de realidades, seus significados e situações-problemas. Nesta abordagem se trabalha com o universo de motivos, demandas, aspirações, valores e atitudes (MINAYO, 2009).          A pesquisa-ação colaborativa foi a estratégia metodológica adotada nesse sentido, pois esta implica no desenvolvimento profissional, buscando transformações educativas mediadas pela autonomia e interação dos sujeitos envolvidos num processo de ação (reflexão-ação) (SATO, 2001). A pesquisa-ação colaborativa em processos de Educação Ambiental buscou a participação das pessoas que vivem na situação pesquisada ou que são afetadas pelo resultado da ação.

            Os sujeitos envolvidos foram de forma direta, 10 professores, 21 alunos e 03 coordenadores pedagógicos da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira, e, de forma indireta, corpo administrativo e técnico.

O estudo foi desenvolvido na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira, no período de outubro de 2014 a julho de 2015. A referida escola está situada na Rua Joana Ferreira de Sousa, município de Cachoeira dos Índios, Paraíba, e se constitui como uma escola de médio porte.           Atende a 953 alunos do ensino fundamental advindos da área urbana e da zona rural. O campo pedagógico é constituído de 28 docentes, dentre 16 com especialização.

            As projeções pedagógicas da supracitada escola no desenvolvimento de atividades curriculares não registram processos de intervenções com atividades voltadas às questões ambientais, seja na perspectiva didática ou por projetos temáticos (PPP, 2013).

            A investigação prevista, nesse estudo, envolveu estudos bibliográficos, construção de diagnósticos, planejamento de atividades e análise da repercussão. Nesta perspectiva, adotamos como técnicas de coletas de dados observação, aplicação de enquetes, registros fotográficos e intervenções pedagógicas.

A pesquisa foi desenvolvida em momentos individuais, porém correlacionados:

1) Estudo bibliográfico em documentos oficiais do MEC relacionados à implementação de Escolas Sustentáveis na Educação Pública com as seguintes finalidades: construir um perfil de escolas sustentáveis, comparando os resultados do estudo com o perfil da Escola Maria Cândido de Oliveira; 2) Identificação dos aspectos cognitivos bem como, as expectativas e demandas por meio da aplicação de enquetes junto aos professores da Escola Maria Cândido de Oliveira visando a apreender as concepções acerca da Educação Ambiental no espaço escolar; 3) Análise do Projeto Político Pedagógico-PPP escolar, como forma de investigar sobre a abordagem metodológica de Educação Ambiental.; 4) Realização de palestra pedagógica junto aos docentes propondo a inserção do tema Educação Ambiental no PPP da escola, a fim de incentivar atividades, envolvendo a Educação Ambiental no cotidiano escolar.

5) Planejamento e execução de Oficinas Pedagógicas voltadas à Educação Ambiental, desenvolvidas, em sala de aula de ciências, com expansão para a comunidade escolar, cujo objetivo foi contextualizar a Educação Ambiental e propor atividades práticas, voltadas à sustentabilidade.

 

 

RESULTADOS

 

 

Caracterização do espaço escolar e o distanciamento de um perfil de escola sustentável

 

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira conta com o quadro de 39 docentes do ensino fundamental. Possui um Projeto Político Pedagógico construído com a participação da comunidade escolar mediada pela equipe pedagógica, e agentes vinculados à gestão escolar.

No que se refere aos recursos financeiros, a referida escola recebe, uma vez por ano, a verba do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que é destinada à compra de materiais permanentes e de consumo. Também adquirem recursos extras a partir da realização de eventos como instalações de barracas nas Festas Juninas, realização de bingos e outros. A comissão responsável para o planejamento dos gastos é constituída pela Direção Escolar, juntamente com a Coordenação Pedagógica (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO).

Contudo, não há registros nem experiências quanto a orientação da comunidade escolar em relação às questões ambientais, o que favoreceria processos iniciais de constituição de uma escola voltada à Sustentabilidade. Entende-se que nesta escola há um campo fértil de possibilidades educativas, considerando as demandas apresentadas e as potencialidades observadas no espaço escolar.

 Considerando o que seria um perfil de uma escola sustentável, o estudo comparativo apontou o nível de aproximação e distanciamento em relação a Escola Maria Cândido de Oliveira. Percebe-se que a mesma não apresenta as dimensões necessárias para atender a um perfil sustentável. No que se refere à estrutura física da escola Maria Cândido de Oliveira, esta possui uma área total de 4.668,03 metros quadrados e uma área construída de 1.350,03 metros quadrados, embora não disponha de todos os espaços físicos necessários, contendo, pois, 16 salas de aulas iluminadas, com pouca ventilação e sem conforto térmico, a maioria contém lixeira, porém, algumas não as possuem, além de contar com salas multifuncionais, diretoria, secretaria, refeitório, quadra coberta para prática de esportes e eventos e um auditório recém-construído.

Nos corredores da escola, é observada a presença de lixeiras para coleta seletiva, mas a escola não incentiva a separação de resíduos e a prefeitura da cidade recolhe o lixo inorgânico e seu destino é o lixão próximo à cidade, os resíduos orgânicos são levados por uma funcionária da escola, a água é fornecida pela CAGEPA do munícipio, e os bebedouros realizam uma filtração inadequada, e a mesma já pode ser consumida. A referida escola conta, portanto, com um espaço físico adequado, porém este não é utilizado para uma prática sustentável. Quanto à gestão, apesar do quadro de profissionais, não há planejamento participativo; a escola dispõe de sessenta 60 profissionais, sendo 39 professores, 01 diretora, 02 vice-diretores, 02 coordenadores pedagógicos 03 secretários, 13 auxiliares de serviço, 05 vigilantes e 02 inspetoras. Com base na análise do Projeto Político Pedagógico da escola, não há registro de ações voltadas às questões ambientais, nem processos formativos para constituição de sujeitos ecológicos. Contudo, os profissionais dizem buscar alcançar seus objetivos juntamente com a comunidade escolar. Essa meta não foi constatada mediante as observações, pois durante esse período não houve, se quer, uma reunião de pais e mestres, e nenhuma mãe ou pai visitou a escola de livre e espontânea vontade para acompanhar o cotidiano de seu filho. Ademais, não foi constatada a participação de nenhum morador do entorno escolar.

No que diz respeito ao currículo escolar, as atividades cotidianas seguem o curso tradicional com algumas inovações pontuais sobre questões voltadas ao meio ambiente, seja no campo didático, ou na perspectiva de projetos temáticos, porém sem maiores articulações com a comunidade escolar. Por outro lado, as aulas são teóricas, em sua maioria, sem contextualização com o cotidiano dos alunos, conforme foi pontuado.

Assim, analisando o contexto no qual a escola se enquadra, e levando em consideração aspectos que indicam a sustentabilidade no espaço escolar, previstos no Manual “Escolas Sustentáveis”, Resolução CD/FNDE nº 18, de 21 de maio de 2013 (BRASIL, 2013), foi possível perceber que existe um grande distanciamento entre a Escola Sustentável e a Escola Maria Cândido de Oliveira. Esta apreensão impulsionou este estudo no sentido de planejar um elenco de atividades interventivas que objetivassem incentivar a Educação Ambiental no espaço escolar, a fim de observar alguma mudança que envolva a sustentabilidade na rotina escolar.

 

Percepção dos Professores acerca da Educação, Meio Ambiente e Educação Ambiental

 

A Educação Ambiental é desenvolvida por práticas que dependem da percepção e da representação que os diversos atores sociais fazem do meio (ABÍLIO, 2010). Para Tuan, (1980, p. 14): “A percepção é uma atividade, um estender-se para o mundo”, capacitando o indivíduo a converter estímulos sensoriais em experiências. Se tratando do meio ambiente, a percepção “ambiental” pode ser definida como uma tomada de consciência do ambiente pelo homem.

A importância de saber sobre as representações de professores e alunos sobre os processos educativos e suas concepções, vinculadas às questões ambientais para o objetivo deste estudo, está no planejamento e execução das possíveis atividades interventivas, que terá como base os resultados obtidos das enquetes.

 Tendo em vista que a percepção ambiental é um meio de entender o ambiente natural, auxilia na aproximação do homem com a natureza e na busca de um futuro de melhor qualidade para as futuras gerações, afirma-se que foi importante a busca do entendimento acerca da percepção ambiental dos professores e alunos de uma turma da E.M.E.I.E.F Maria Cândido de Oliveira, pois esta determinou as demandas e necessidades da comunidade escolar.

 A enquete intitulada: “Aplicabilidades e Demandas da Educação Ambiental no Espaço Escolar foi aplicada junto aos docentes com o objetivo de obter dados que seriam usados como roteiro para o planejamento de atividades interventivas a partir das percepções dos professores em relação aos itens: Meio Ambiente, Educação Ambiental e Prática Docente. A partir desta análise, se constituiu um elenco de demandas voltadas às questões ambientais, às expectativas manifestadas pelos pesquisados, além de expressar o grau de inserção desta temática como temas transversais aos conteúdos disciplinares.

            Ao serem abordados sobre o papel da educação na formação do sujeito a partir da pergunta: Como você compreende a educação para a formação do indivíduo? Os docentes se manifestaram conscientes do papel formador atribuído ao espaço escolar e aos educadores, entendendo que se trata de um processo contínuo de formação do indivíduo para a vida, que seja crítico capaz de melhorar a sociedade.

            Em relação ao papel da educação na qualidade de vida das pessoas e do ambiente, observada na pergunta: Qual a contribuição que a educação pode oferecer para melhorar a qualidade de vida das pessoas e do ambiente? Os docentes demonstraram compreender a educação como o caminho a ser percorrido para alcançar a qualidade de vida, tornando o cidadão mais consciente de seus direitos e deveres, garantindo o respeito a sua própria vida, assim como a do próximo e do meio ambiente. Estas apreensões podem ser confirmadas por meio do quadro abaixo (Quadro 01):

 

Quadro 01- Manifestações de docentes acerca da Educação, enquanto processo de formação de sujeitos.

 

Questões relacionadas à Educação e sua contribuição para a qualidade de vida

Respostas/Investigados

 

Como você compreende a educação para a formação do indivíduo?

“Como um processo contínuo que o leve para uma conscientização para o bem estar do cidadão.” (Pesquisado 02).

“A educação voltada para formar um indivíduo crítico e emancipado, capaz de ajudar na transformação da sociedade.” (Pesquisado 05)

 

 

 

Qual a contribuição que a educação pode oferecer para melhorar a qualidade de vida das pessoas e do ambiente?

 

“A educação pode tornar o cidadão mais consciente dos seus direitos e deveres na vida em sociedade.” (Pesquisado 01)

“A educação é o caminho que interliga a qualidade de vida das pessoas e do ambiente em que vivemos.” (Pesquisado 03).

“A educação torna o cidadão consciente de seus deveres e direitos, fazendo com que se tenha respeito pela sua vida, a do próximo e para com o ambiente.” (Pesquisado 06).

(Dados da pesquisa, 2014/2015).

 

De acordo com as manifestações dos professores ao serem abordados sobre a questão: O que você entende por meio ambiente? As categorias dominantes retratam o meio ambiente como lugar para viver (50% das respostas) - entendem o meio ambiente como biosfera, compondo tudo o que nos circunda, todos os tipos de vida, sendo um lugar para ser compartilhado. Em segundo lugar foi à ideia de meio ambiente como projeto comunitário (40% das respostas) – espaço que precisa ser modificado com a ajuda de todos, a partir da interação de todos para torná-lo um lugar melhor; consideram o meio ambiente como um lugar para se viver, envolvendo a natureza e seus componentes sociais, históricos e tecnológicos. Por fim, meio ambiente visto como problema a ser resolvido (10% das respostas) - que necessita de preservação e de cuidado no que resta do patrimônio ambiental. (Gráfico 01).

 

Gráfico 01 – Percepções dos professores da Escola Maria Cândido de Oliveira quando questionados sobre Meio Ambiente

 


(Dados da pesquisa, 2014/2015).

 

A respeito do que seria Educação Ambiental, os docentes foram indagados por meio da seguinte questão: O que você entende por Educação Ambiental? As respostas apontaram para duas categorias: a cognição e a conscientização. Todos os professores consideraram que a Educação Ambiental é um processo educativo no qual a utilização do conhecimento científico de estar voltado para a formação de uma consciência coletiva, no sentido de desenvolver uma relação de equilíbrio com os recursos ambientais. Também foi enfatizado que a Educação Ambiental possibilita ao sujeito conhecer as consequências ambientais decorrentes de atitudes inadequadas quanto ao uso dos recursos naturais, bem como orienta novas posturas em função de perceber os elementos do ambiente natural como um bem comum da humanidade.

 

Quadro 02– Exemplos de respostas dos professores da Escola Maria Cândido de Oliveira quando indagados sobre seus entendimentos acerca da Educação Ambiental.

 

Categorização Identificada

Manifestações dos docentes frente à questão:

O que você entende por Educação Ambiental?

 

 

Cognição

 

“A utilização de conhecimento científico no ensino do ambiente.” (Pesquisado 03).

“Todos os conhecimentos relacionados à relação homem x natureza e sua consequência”. (Pesquisado 08).

“Uma educação que mostre como conservar e conhecer o meio natural em que vivemos”. (Pesquisado 02).

 

 

Conscientização

 “Através da educação ambiental despertamos o interesse pela conscientização e preservação do meio ambiente e do nosso planeta para os atuais e futuros cidadãos”. (Pesquisado 04).

“Atitudes voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum”. (Pesquisado 05)

“É uma forma de gerar consciência ecológica em cada ser humano para a preservação do que resta do nosso patrimônio ambiental”. (Pesquisado 06).

(Dados da pesquisa, 2014/2015).

           

Percebe-se que as respostas dadas caracterizam esse tema, seguindo a mesma linha de pensamento, manifestadas em Jacobi (2003), que aborda a questão como um processo de formação que orienta novas posturas para com o ambiente assim como para as pessoas.

 

 

 

Prática Docente e Perspectivas aos Estudos Ambientais

 

A prática docente é a maneira particular de como cada professor ministra suas aulas, e, para auxiliá-los na escolha da melhor forma de ensinar, faz-se necessário o planejamento, que atua na organização das ações (MORETTO, 2007). Para qualquer prática de ensino que o professor escolha para ministrar suas aulas, é necessário planejar, facilitando o trabalho tanto do professor como do aluno (CASTRO, et all. 2008).

Embora seja particular de cada educador, a prática docente deve ser planejada, visando à capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão, nessa perspectiva, alguns temas ambientais podem ser incluídos nas aulas independente da disciplina, em busca da consciência crítica dos alunos (FREIRE, 1996).

Partindo desse pressuposto, buscou-se conhecer se o corpo docente da Escola Municipal Maria Cândido de Oliveira utiliza em sua prática docente, temas ambientais, e se utilizam, quais seriam esses temas. A maioria revelou que trabalha de certa forma, as questões ambientais, sem muita frequência, mas sempre que possível aliando-as aos conteúdos disciplinares. Entre os temas tratados, estão: poluição, queimadas, entre outros, conforme manifestações expressas na enquete:

 

Sim, poluição, queimadas, animais em extinção, lixo e reciclagem (Pesquisado 01).

Sim, o cuidar e preservar plantas e solos e saber como modificá-lo. Assim como os sumérios fizeram (Pesquisado 02).

 

            As respostas dos professores apontam, principalmente, conteúdos conectados a problemas ambientais mais frequentes na região, e as respostas por eles dadas podem ser identificadas, também, na posição dos alunos, que responderam um questionamento relacionado, assim, encontramos respostas tais como: “Sim, a poluição do ambiente e o ambiente mudou [...]” (Pesquisado 18).

 

Os docentes investigados apontam interesse em discutir as questões ambientais em sala de aula, embora não o façam com muita frequência. Também foi identificado na maioria das respostas, que os professores fazem essa contextualização em suas aulas, buscando uma melhor compreensão dos alunos sobre esse tema.

 

Sim, porque quando comparamos os temas dos livros com a realidade, fica mais compreensível para os alunos o estudo sobre o assunto (Pesquisado 09).

Sempre que possível procuro relacionar determinado assunto ambiental trabalhado, com a realidade e cotidiano do aluno (Pesquisado 04).

 

Buscou-se saber se os professores eram incentivados a trabalharem esse tema em seu dia a dia, e se as propostas curriculares do Projeto Político Pedagógico da escola em estudo abordava a Educação Ambiental. Ao se posicionarem sobre tais questões, a maioria respondeu que são incentivados a praticarem a Educação Ambiental, a partir de projetos, estudos de campo e que o tema está presente no PPP.

 

Sim, através de projetos de acordo com assuntos trabalhados (Pesquisado 04).

Sim, através de palestras, execução de projetos e estudos de campo (Pesquisado 01).

 

            Apesar da manifestação dos professores, a investigação junto ao PPP não indicou haver nenhuma abordagem de Educação Ambiental nas postulações construídas. O que caracteriza uma contradição em relação ao pensamento manifestado pelos professores e o cotidiano pedagógico da Escola.

            Quando indagados se consideravam sua escola como uma “Escola Sustentável”, a maioria das respostas deixou claro que a Escola onde atuam não atende a este perfil, conforme observamos abaixo:

 

Não, pois não existe projetos voltados para a sustentabilidade na escola que eu leciono (Pesquisado 05).

Não, falta um trabalho muito mais específico e uma equipe pedagógica, como também um executivo (Pesquisado 03).

 

            Outras respostas manifestaram o contrário, alguns professores expressaram que a escola em estudo tem perfil de “Escola Sustentável”, como podemos observar:

 

Sim, porque é uma Escola que preserva, utiliza o ambiente, separa o lixo orgânico e não orgânico (Pesquisado 06).

Sim, porque ela faz o uso correto da água, cuida da vegetação e incentiva seus alunos a jogarem o lixo no lixo (Pesquisado 01).

 

Pode-se, portanto, concluir que a maioria aborda temas ambientais em sua prática docente, e reconhecem a importância de trabalhar temas voltados à sustentabilidade para a educação dos seus alunos.

 

Inserção da Educação Ambiental no PPP Escolar - Análise e sugestões ao Projeto Político Pedagógico

 

O Projeto Político Pedagógico da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido consiste no norteamento das ações técnico administrativo e pedagógico da supracitada Escola, sua construção nasceu da necessidade de definir e retratar uma identidade pedagógica própria na qual englobe em sua totalidade um contexto educacional mais amplo (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2013).

A elaboração do Projeto Político Pedagógico partiu da ação coletiva entre os gestores, coordenadores, professores, pais, alunos e comunidade em geral. Porém, não expressa no texto de seu PPP preceitos acerca da educação contextualizada, que alcance a sustentabilidade no espaço escolar.

Por envolver alunos da região semiárida, entende-se que a educação tem papel importante na formação da cidadania dos sujeitos para entender seu contexto e situarem-se nele, contribuindo para melhoria de vidas nas comunidades locais. Assim, entende-se como complemento ao cenário da escola em foco, que este também é necessário constar no PPP, que o cenário escolar requer um processo de formação, que oriente a convivência com as diversidades da região, no sentido de que estes atores sociais adquiram conhecimentos sobre alternativas que melhorem a qualidade de vida das pessoas garantindo o respeito à natureza.

Dentre os elementos prioritários para serem atendidos, acrescenta-se ao texto:

1)  Promoção de eventos que articulem os trabalhos desenvolvidos pelas diferentes áreas do conhecimento, mediados por temas transversais como meio ambiente e saúde, implementando a interdisciplinaridade.

2)  Planejamento de atividades curriculares envolvendo a Educação Ambiental no espaço escolar, como estratégia de desenvolver uma educação contextualizada.

Em relação ao ensino fundamental, foi acrescentado aos objetivos duas sugestões como proposta de ampliação para o processo formativo e do que se pretende alcançar:

3)  Construir uma consciência ecológica acerca da relação sociedade-natureza capaz de orientar a comunidade escolar no desenvolvimento de novas práticas, envolvendo a Educação Ambiental e contribuir para que a escola se torne um ambiente de formação humana integral.

4)  Desenvolver atividades curriculares com enfoque na Educação Ambiental e contribuir na constituição de uma Escola Sustentável.

A educação contextualizada, neste contexto, favorece um diálogo permanente entre o conhecimento científico e o saber popular, entre o que se aprende na escola, e a possibilidade concreta do desenvolvimento humano sustentável. Uma educação que busca contextualizar o ensino-aprendizagem com a cultura local, considerando as potencialidades e limitações do semiárido, num espaço de promoção do conhecimento, de produção de novos valores e a divulgação de tecnologias apropriadas à realidade semiárida, construindo uma ética de alteridade na relação entre natureza humana e não humana (LIMA, 2006).

 

Articulação Pedagógica e Demandas para a Inserção da Educação Ambiental no Espaço Escolar.

 

Foi realizada, em 26 de maio de 2015, junto à equipe pedagógica da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira uma palestra intitulada: “A Educação Ambiental no Espaço Escolar: A Sustentabilidade em Foco”.

A referida palestra teve como objetivo propor a implantação da Educação Ambiental de forma clara no corpo do PPP da Escola em estudo. Os docentes e coordenadores pedagógicos presentes gostaram da ideia de acrescentar a Educação Ambiental no PPP, como também, das intervenções com atividades voltadas sobre Educação Ambiental nas salas de aula de Ciências do 8º ano.

 Todos, principalmente os professores de Ciências, demonstraram grande satisfação pelo conteúdo do projeto (TCC). Consideraram importante esta oportunidade de a Escola ser contemplada com ações pedagógicas positivas, passando a ter a “Educação Ambiental” como tema de intervenção curricular em sua rotina.

A Educação Ambiental, na comunidade escolar foi inserida nas atividades curriculares a partir de temas transversais, relacionadas ao conteúdo que estava sendo trabalhado pelo professor titular de Ciências da turma 8º ano “B”. A modalidade didática escolhida foi mediada por oficinas temáticas, entendendo que estas procuram tratar os conhecimentos de forma inter-relacionada e contextualizada, envolvendo os estudantes em um processo ativo na construção de seu próprio conhecimento (MARCONDES, 2008) e, de acordo com Delizoicov e Angotti (1991), tem a problematização inicial, organização do conhecimento e aplicação deste conhecimento como momentos pedagógicos em sua estruturação. Fator que configura como sendo a modalidade ideal para tratar a Educação Ambiental, pois esta precisa ser vivida para gerar resultados.

 

Novos cenários pedagógicos no espaço escolar mediados por processos de Educação Ambiental – A sustentabilidade em foco.

 

            A Educação Ambiental é parte essencial e permanente na educação nacional e deve estar presente de maneira articulada, em todos os níveis e modalidades de ensino, conforme esclarece a Lei 9.795, de 27 de abril de 1999 (PASSOS; SATO, 2012). Esta podendo ser aplicada com a promoção de processos pedagógicos que beneficiem a construção de valores sociais, conhecimentos, habilidades e atitudes que visem a conquista da sustentabilidade socioambiental e a melhoria da qualidade de vida (BRASIL, 2013).

          A Sustentabilidade, a que se refere, implica o uso dos recursos renováveis de forma, qualitativamente, adequada e em quantidades compatíveis com sua capacidade de renovação, em soluções, economicamente, viáveis de suprimento das necessidades, além de relações sociais que permitam qualidade adequada de vida para todos (BRASIL, 2008).

            Entende-se que o ensino deve ser organizado de forma a proporcionar oportunidades para que os alunos possam utilizar o conhecimento sobre Meio Ambiente para compreender a sua realidade e atuar nela, por meio do exercício da participação em diferentes instâncias: nas atividades dentro da própria escola e nos movimentos da comunidade (BRASIL, 2008).

            Nesse contexto, optou-se por trabalhar a Educação Ambiental a partir da utilização de oficinas pedagógicas, que é uma das formas de articular as dimensões da ação docente.

As atividades foram desenvolvidas, na turma do 8º ano B (turno da tarde) da E.M.E.I.E.F Maria Cândido de Oliveira, relacionadas ao tema da Unidade de Ensino que os alunos haviam concluído e que versava sobre os Alimentos. O período de execução foi entre os dias 25/05 e 23/07 de 2015 e envolveu 03 (três) aulas de 50 (cinquenta) minutos cada. As aulas foram desenvolvidas a partir de oficinas pedagógicas, a fim de facilitar a construção do conhecimento nos alunos. O cronograma de execução indicado no quadro abaixo (Quadro 03) informa, de modo sucinto, o período e as atividades interventivas, desenvolvidas durante as 03 (três) aulas previstas.

Quadro 03Cronograma de execução das atividades interventivas no 8º Ano B da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira, Cachoeira dos Índios, PB.

 

PLANO DE EXECUÇÃO

Tema: Alimentos

Período: 25/05 a 20/07 de 2015 - 03 aulas (50min cada)

Atividades interventivas

Data

Procedimentos didático-pedagógicos

Aula 01 – Oficina 01: Educação Alimentar e Qualidade de Vida

25/05/15

Aula expositiva e dialogada, com utilização de data show e aplicação de uma atividade prática: construção de um cartaz por equipe, em que cada grupo apresentará um tema específico abordando os seguintes temas: hábitos alimentares escolares; hábitos alimentares no dia a dia e alimentos saudáveis

Aula 02 – Oficina 02: Resíduos Sólidos: O lixo que geramos através do consumo

11/06/15

 Aula expositiva e dialogada, com utilização de data show e aplicação de uma atividade prática: construção de uma forma de exposição por equipe, cada grupo apresentará um tema específico abordando os seguintes temas: o lixo urbano; o lixo doméstico; composteira caseira

Aula 03 – Apresentação das Atividades produzidas pelos discentes à comunidade escolar

23/07/15

Aula destinada à apresentação das atividades práticas, voltadas à Educação Ambiental, realizada pelos alunos, junto a comunidade escolar.

(Dados da Pesquisa 2014/2015).

 

            Oficina Pedagógica 01Educação Alimentar e Qualidade de Vida” -       Quanto às manifestações dos discentes, no primeiro momento, demosntraram um pouco de desinteresse na realização das atividades, pois ficaram dispersos, com algumas conversas paralelas, porém no decorrer da aula, perceberam a contextualização com seu cotidiano, e ficaram atentos à exposição. Todos os integrantes das equipes trabalharam na confecção e na apresentação dos cartazes. A primeira apresentação ocorreu de forma breve, eles descreveram como trabalharam na construção dos mesmos e qual tema foi investigado. A exposição foi realizada resumidamente, pois, na última aula, os cartazes foram apresentados na íntegra, com mais complexidade, para a comunidade escolar.

            Oficina Pedagógica 02 sob o título de: Resíduos Sólidos: O lixo que Geramos Através do Consumo -    Em relação à receptividade por parte dos alunos para essa atividade, a princípio notou-se uma rejeição, sobretudo em relação a confecção da composteira, quando foi possível observar algumas reclamações dos alunos que ficaram responsáveis por essa atividade. Porém alguns membros da equipe responsável acharam a ideia excitante e convenceram os demais. Em relação as outras sugestões de atividades, não houve contradições e todos se prontificaram em trabalhar.

      Finalização das Oficinas - ocorreu no espaço da escola extraclasse. Na ocasião, alguns membros da comunidade escolar (professores, gestor e funcioários técnicos) foram convidados a participarem da exposição. Também estiveram presentes alunos de outras turmas. A referida exposição ocorreu no horário normal de aulas, o que pode ter sido um fator que justifique a ausência de alguns educadores, uma vez que não se tratava de um evento escolar e sim vinculado à disciplina Ciências.                  

            Após a apresentação das atividades, bem como, todo o percurso do trabalho até aqui, foi possível visualizar pequenas mudanças no que diz respeito aos hábitos escolares, principalmente, dos alunos, diretamente, envolvidos com a pesquisa, assim como da Equipe Pedagógica presente na apresentação da Palestra.

A análise da trajetória das apresentações realizadas pelos alunos revelou que o trabalho em equipe sobre Educação Ambiental fez com que estes alunos manifestassem um relacionamento mais amigável, visto que durante os primeiros momentos do contato, foram observadas muitas discussões, agora diminuídas.

Após as alterações feitas no PPP da escola e o desenvolvimento das oficinas, a Equipe Pedagógica da Escola, planejou e confeccionou um cartaz, incentivando a prática da Educação Ambiental, a partir da preocupação com o próximo, o que caracteriza uma virtude de um sujeito ecológico (BRASIL, 2008).

Nesse contexto, uma Escola Sustentável, conforme o Governo propõe, sugere uma necessária inter-relação entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a necessidade de desenvolvimento com capacidade de suporte (JACOBI, 2003). Essa é uma realidade ainda distante da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira, todavia, após o desenvolvimento dessa pesquisa, alguns aspectos considerados essenciais para essa realidade, foram identificados: um Projeto Político Pedagógico que inclui conhecimentos, saberes e práticas sustentáveis em seu corpo teórico; as primeiras oficinas trabalhando o tema Educação Ambiental com uma turma (8º ano B) com expansão para comunidade escolar e incentivo à Educação Ambiental na rotina escolar, a partir de um cartaz, exposto em local de ampla visualização (BRASIL, 2012).

Portanto, os indicadores apontam para a aceitação e o envolvimento dos sujeitos a serem “convidados” a participar de processos educativos em Educação Ambiental. Contudo, se faz necessário que a Escola, por meio de seus diferentes segmentos, em especial dos educadores, dê continuidade ao trabalho iniciado, a partir deste projeto, que ressignifiquem suas práticas docentes e motivem uma cultura, ecologicamente, adequada no espaço escolar. Estas atitudes no interior das escolas podem imprimir, de forma gradativa, algumas características requeridas na educação contemporânea para tornar uma ESCOLA SUSTENTÁVEL.

 

 

CONSIDERAÇÕES

 

 

Escolas Sustentáveis são aquelas que mantêm relação equilibrada com o meio ambiente e compensam seus impactos com o desenvolvimento de tecnologias apropriadas para a sua região. Entende-se que a partir da Educação Ambiental implementada nas práticas curriculares, de maneira contextualizada ao cotidiano escolar, se consegue imprimir um perfil sustentável nas escolas púbicas da educação básica.

Neste estudo, foi perceptível não haver registros acerca da realização de processos educativos de intervenções voltados às questões ambientais na escola investigada, seja na perspectiva didática ou por projetos temáticos. Contudo, ao serem convidados a implementarem mudanças, na prática pedagógica, e, motivados à realização de atividades em Educação Ambiental, professores, alunos e gestores se manifestaram acessíveis e dispostos a contribuírem com o processo de inserção de temáticas ambientais no contexto educativo da escola.

Com o apoio advindo dos três seguimentos que compõem o espaço escolar, se observa resultados concretos como a inserção da Educação Ambiental no PPP, a participação efetiva de professores e alunos na realização das atividades propostas, visibilidade de questões ambientais locais que necessitam de atenção por parte dos gestores e professores, além da possibilidade de integrar conhecimentos disciplinares aos temas do cotidiano escolar.

A Educação Ambiental deve, portanto, continuar sendo praticada na rotina escolar almejando a transformação da sociedade, na busca de um presente e futuro melhor. Constitui uma educação que impõe o exercício da cidadania, a fim de formar pessoas que exerçam seus direitos e responsabilidades sociais, tornando os cidadãos participativos e críticos nas tomadas de decisões que influenciam sua vida. A Educação Ambiental, enquanto processo pedagógico torna-se imprescindível quando se pensa em construir Escolas Sustentáveis.

Sabe-se que para alcançar um perfil sustentável ainda há muito que ser feito na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido de Oliveira, e a Educação Ambiental deve tornar-se parte integrante do cotidiano escolar, visando a formar crianças que serão os futuros cidadãos ecológicos, ambientalmente educados. Para obter essas características é imprescindível que a comunidade escolar continue o trabalho que foi iniciado, colocando em prática as novas ideias postas em seu PPP.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

ABÍLIO, F. J. P. Educação Ambiental: Formação Continuada de Professores no Bioma Caatinga. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2010.

 

BRASIL, Ministério da Educação. Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis: educando-nos para pensar e agir em tempos de mudanças socioambientais globais, Brasília, DF, 2012.

 

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio: Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEF, 2008. 58p.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Manual Escolas Sustentáveis. Brasília, DF, 2013.

 

DELIZOICOV, D; ANGOTTI, J. A. Metodologia do Ensino de Ciências. São Paulo: Cortez, 1991.

 

DUVOISIN, I. A; RUSCHEINSKY, A. Visão Sistêmica e Educação Ambiental: conflitos entre o velho e o novo paradigma In Educação Ambiental: Abordagens Múltiplas RUSCHEINSKY A. (Org.), 2ed rev. e ampl p 115-135 Porto Alegre: Penso, 2012.

 

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO - PPP, 2015. Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Cândido De Oliveira. Cachoeira dos Índios, 2013. 18p. if.

 

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 25 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

JACOBI, P. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v.3, n. 118, p. 189-205, março, 2003.

 

LIEBER, R. R; ROMANO, N. S. A Sustentabilidade é Sustentável? Educando com o Conceito de Risco. In Educação Ambiental e Sustentabilidade. JÚNIOR, A. F; PELICIONE M. C. F. (Org.), v. 14, 2 ed rev. e atual. p. 765-786. Barueri, SP: Manole, 2014.

 

LIMA, E. S. Educação Contextualizada no Semiárido: reconstruindo saberes, tecendo sonhos. In: RESAB. Educação e Convivência no Campo: analisando saídas e propondo direções. Juazeiro: Selo Editorial RESAB, 2006. p. 35-48.

 

LUZZI, D. Educação Ambiental: Pedagogia, Política e Sociedade In Educação Ambiental e Sustentabilidade JÚNIOR, A. F; PELICIONE M. C. F. (Org), v 14, 2 ed ver. e atual p445-464. Barueri, SP: Manole, 2014.

 

MARCONDES, M. E. R. Proposições Metodológicas para o Ensino de Química: oficinas temáticas para a aprendizagem da ciência e o desenvolvimento da cidadania. Revista Em Extensão, Uberlândia, v. 7, p. 67-77, 2008.

 

MINAYO, M. C. S. O desafio da Pesquisa Social. In: MINAYO, M.C.S. (org.) Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 28ª Ed., Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

 

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PIMENTA, S. G; GHEDIN, E; FRANCO, M. A. S. Pesquisa em Educação: Alternativas investigativas com objetos complexos. 2 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

 

SATO, S. Apaixonadamente pesquisadora em Educação Ambiental. Educação, Teoria e Prática, nº 16/17, 2001, p. 24-35.

 

SAUVÉ, L. Educação Ambiental: possibilidades e limitações. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 317-322, mai/ago, 2005.

 

TUAN, Y. Tipofilia: Um Estudo da Percepção, Atitudes e Valores do Meio Ambiente. Tradução: Livia de Oliveira. São Paulo/Rio de Janeiro: Difel, 1980.

 

 



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