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ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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Artigos

03/06/2017
SUGESTÃO DE ESTRATÉGIAS QUE FAVORECEM O PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS E JOVENS: RESÍDUOS SÓLIDOS  
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SUGESTÃO DE ESTRATÉGIAS QUE FAVORECEM O PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS E JOVENS: RESÍDUOS SÓLIDOS

 

Dra. Claudia de Vilhena Schayer Sabino (sabinoc@pucminas.br )

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Av. Dom José Gaspar 500. Belo Horizonte - MG - 30535-000

Msc. Blair Mendes (blairmendes@uol.com.br )

Escola Municipal Santos Dumont

Av. Mem de SáBelo Horizonte - MG - 30260-270

 

RESUMO

Neste trabalho, que envolve espaços alternativos de aprendizagem propomos oficinas relacionadas ao tema: resíduos sólidos. A pesquisa foi qualitativa e as oficinas compostas por aula dialogada sobre o tema, acompanhada de cartilha especialmente elaborada, dinâmicas e questionários de avaliação.

Palavras-chave: Educação ambiental, Resíduos sólidos, Escotismo.

 

INTRODUÇÃO

 

“ a primeira mensagem do presidente Georg W. Bush aos americanos chocados e estupefatos diante do desmoronamento das Torres Gêmeas emblemáticas da supremacia mundial do Estados Unidos, atravessadas por aviões pilotados por terroristas, foi para que todos voltassem às compras’. A intensão da mensagem era conclamar os americanos a retomar a vida normal.”  (BAUMAN, 2011, p. 84)

 

 

A realidade dos dias atuais está descrita por Bauman no parágrafo acima:oimportante não é a família, trabalho, amigos ou a igreja. O importante é voltar às compras, ao consumismo.

Para o dicionário Aurélio, o consumismo (s.m.) significa “paixão por comprar; tendência a comprar sem freio; excesso de consumo”. Hoje em dia, o termo parece corriqueiro e ao mesmo tempo se faz alheio ao conhecimento das pessoas, que de tão consumistas, incorporaram tal ato em seus cotidianos, não percebendo que o praticam.

Vasconcellos-Silva (2010) afirma que tomar o consumismo como uma aquisição frívola de bens ou como um direito inalienável, faz perder de vista vários desdobramentos sociais e antropológicos, gerados pela dominação do inconsciente, através principalmente, do marketing que está a serviço das “forças criadoras do capitalismo”. É uma atividade que se pratica a todo o momento, mesmo de forma inesperada e todo sujeito é um consumidor, desde as necessidades biológicas até as sociais. (Filho, 2010).

No início da sociedade industrial, o homem buscou defender-se da ação e ter domínio sobre si e procurou substituir a ação pela fabricação e, nessa perspectiva, surgiu o capital e o acúmulo de riquezas. Essa dinâmica da existência humana gerou uma ação cíclica entre o consumismo e a falta, e perpassou as necessidades metabólicas do homem, adentrando, na Modernidade, a era de trabalhos excessivos na busca da saciedade. ( ARENDT, 2013)

Entre as mudanças ocorridas então no trabalho, a mais significativa no capitalismo passa antes de tudo pela ênfase inusitada sobre a capacidade que os rendimentos do trabalho asseguram: a capacidade de consumo. A denominada revolução do capitalismo que implica na mudança do ideal da satisfação adiada e das realizações a longo prazo (felicidade posterior, talvez após a morte) pelo princípio consumista da satisfação imediata e renovada; a frugalidade pela prodigalidade, o ascetismo pelo gasto dispendioso, as práticas compulsórias de poupança e postergação pelo desejo incontido de felicidade aqui e agora perseguido via consumo. ( BECK, 2010)

 

“Nas sociedades de consumo esperar é uma vergonha, e a vergonha de esperar recai sobre aquele que espera. A espera é algo de que se deve envergonhar porque pode ser observada e tomada como prova de indolência ou baixo status, vista como sintoma de rejeição e sinal de exclusão.” (BAUMAN, 2004a, p. 135)

 

O consumismo exagerado tem levado ao desperdício, gerando lixo, um dos grandes problemas ambientais da atualidade. Lixo é todo e qualquer material resultante das atividades diárias do homem em sociedade [STANGHERLIN & SPECHT, 2014].

 

“O lixo é ao mesmo tempo divino e satânico. É a parteira de toda criação – e seu formidável obstáculo. O lixo é sublime: uma mistura singular de atração e repulsa que produz um composto, também singular, de terror e medo. “ (BAUMAN, 2005, p. 32)

 

O lixo pode ser encontrado nos estados sólido, líquido e gasoso. Como exemplos: as sobras de alimentos, embalagens, papéis, plásticos e outros. Este trabalho aborda os resíduos sólidos (RS), que constituem aquilo que genericamente se chama lixo: materiais sólidos, considerados sem utilidade, supérfluos ou perigosos, gerados pela atividade humana, e que devem ser descartados ou eliminados (FERNANDES et al. 2010).

De acordo com os dados do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil gera em média 90 milhões de toneladas de lixo por ano e cada brasileiro produz, aproximadamente, 500 gramas por dia, podendo chegar a mais de 1 kg. Dentre os RS (lixo) produzidos no país, 76% são jogados nos lixões (amontoamentos de lixo em um terreno, sem tratamento), podendo gerar vetores que serão proliferadores de doenças (SOUZA et al., 2013).

A geração de resíduos tende a aumentar devido ao crescimento da população e diminuição relativa do preço dos produtos, com o desenvolvimento tecnológico(LUZ E AL., 2016).Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo é garantia de que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos. (BOFF, 2011).

Tendo em vista que a sociedade ocidental está voltada para o consumo,é importante que a educação ambiental conduza o indivíduo a refletir, debater, criar soluções para problemas e a despertar para uma nova postura relacionada ao consumismo e às suas consequências, pois, é indispensável uma educação, que não só sensibilize, mas também modifique as atitudes das pessoas e propicie novos conhecimentos, proporcionando-lhes uma nova postura a partir da reflexão e ação de cada ser humano.

 

“Fica evidente a importância de educar os brasileiros para que ajam de modo responsável e com sensibilidade, conservando o ambiente saudável no presente e para o futuro; saibam exigir e respeitar os direitos próprios e os de toda a comunidade, tanto local como internacional; e se modifiquem tanto interiormente, como pessoas, quanto nas suas relações com o ambiente. “ (BRASIL, 2001, p. 181)

 

Neste trabalho, que envolve espaços alternativos de aprendizagempropomos oficinas relacionadas ao tema:resíduos sólidos, aplicadas aosparticipantes de dois grupos escoteiros,(jovens de idade entre 11 a 17 anos). O Escotismo é um movimento educacional de jovens, sem vínculo a partidos políticos, voluntário, que conta com a colaboração de adultos, e valoriza a participação de pessoas de todas as origens sociais, raças e credos, de acordo com seu propósito, descrito em:“Princípios e o Método Escoteiro” concebido pelo Fundador Baden-Powell e adotado pela UEB (União dos Escoteiros do Brasil) [POR, 1994].

Durante a escolha das atividades que comporiam as oficinas, foi priorizada a utilização da contextualização e dinâmicas com aspectos lúdicos, pois trazem alegria para os educandos, o que é muito importante segundo Freire: “... ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria. ” (FREIRE, 1996, p.90), e jovens normalmente se sentem motivados por atividades divertidas e participativas, que muitas vezes são úteis para despertar o interesse e a atenção. (FOCETOLA et al., 2012, BOVO, 2001).

Os resultados indicaram que os participantes aprenderam o conteúdo e participaram ativamente. As oficinas propostas podem ser aplicadas a outros ambientes educacionais, como: escolas, clubes, agremiações e mais.

 

METODOLOGIA

 

A pesquisa foi qualitativa, ou seja, não fez uso de métodos estatísticos (FERNANDES et al. 2010). A técnica de amostragem foi por conveniência, participaram aqueles com que os autores do trabalho convivem. Todo o trabalho foi desenvolvido nos locais de encontro de escotistas e escoteiros e a aplicação das dinâmicas foi feita voluntariamente por alunas do Curso de Ciências Biológicas da PUC-Minas. Esta foi uma atividade rotineira para escoteiros e como tal, autorizada pelos pais por meio do termo de adesão ao Movimento Escoteiro, assinado quando o jovem iniciou a participação.

No início da Oficina foram apresentados os objetivos e discutida a importância da proteção do meio ambiente. Em seguida foi ministrada uma aula dialogada sobre o tema,baseada em uma cartilha (também online), especialmente elaborada sobre resíduos sólidos (MENDES, 2017).

A respeito da metodologia da aula, Paulo Freire (2001) destaca o diálogo como a forma mais segura para a educação e a libertação de todos os homens e todas as mulheres, opressores e oprimidos. Assim “a dialogicidade éa essência da educação como prática da liberdade”:

 

“...o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se solidariza o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar ideias de um sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca da, ideias a serem consumidas pelos permutantes.” (FREIRE, 2001, p.45)

 

A turma, composta por 30 jovens foi então dividida em pequenos grupos (3-4 participantes) para o desenvolvimento da oficina.Amaioria dos jovens aprova a utilização do trabalho em grupo, a qual vem sendo cada vez mais exigida em nossa sociedade ainda marcada por individualismo, relações hierarquizadas e competitividade. O trabalho em grupo amplia a possibilidade de relações mais solidárias na medida em que as pessoas se reconhecem em suas semelhanças e diferenças, aprendendo a construir ideias e ações coletivamente. (BARBATO, 2010). Ao final foi aplicado questionário para avaliação das oficinas.

 

ATIVIDADE

 

1 - Costumes desnecessários

- Adquirir duas maçãs. Embrulhar uma delas com papel transparente e com um laço de fita bem bonito, como se fosse um presente. Deixar a outra maçã sem embalagem.

- Pedir aos participantes para trazerem amostras de: a) embalagens naturais (coco, banana, etc.); b) embalagens que podem ser reutilizadas ou são biodegradáveis se forem retornáveis: garrafas retornáveis, embalagens de tetrapack (longa vida), cerâmicas c) embalagens de difícil reciclagem: plástico, vidro, borracha, etc.

- A turma em pequenos grupos deve separaras amostras nas três categorias. Explique de que é feita cada embalagem, e de onde vieram (árvores, óleo, abelhas, etc)

- Perguntarpara todos:

-- Qual das maçãs você gostaria de comprar (a embalada ou a outra).

-- Como as pessoas embrulham as coisas (produtos) para despertar o interesse pela compra?

Discussão: O que significa biodegradável? Para que servem as embalagens? De que é feito o plástico? Depois que você abre uma embalagem e usa o que está lá dentro, o que você faz com ela?

2 - Embalagens são necessárias?

- Entregar chicletes para os participantes;

- Pedir para cada participante desembrulhar o chiclete sem rasgar a caixinha;

- Incentivar os grupos a escolher um tema e criar um cartaz colando as embalagens de chicletes, apresentando o tema escolhido.

- Ao final da montagem pedir aos grupos que expliquem seu cartaz.

- Pedir aos participantes para tentar adivinhar quantas embalagens foram utilizadas em cada cartaz e depois conte-as. Perguntar: se você mascar os chicletes de uma caixinha por semana, quantas embalagens você teria que usar em um ano?Por que há tantas embalagens?Qual a origem da matéria bruta de cada parte da embalagem; exemplo: plástico, chapa de alumínio, papel e borracha; ou outra? O que suas famílias compram com embalagens: O que fazem com as embalagens? Se nós reduzirmos a quantidade de embalagens, nós reduziremos a quantidade de lixo?

Discussão: Para onde as embalagens vão se você as jogar fora?Como você pode reduzir a quantidade de embalagens na sua lata(saco) de lixo?Diga dois tipos de embalagens que são difíceis para reciclar. Duas que são fáceis.

3 – Resíduos em casa 

Os participantes são convidados a considerar suas definições de resíduos, através de discussões com outros membros de suas famílias.

Deverão:

- Pedir aos alunos que façam um registro detalhado de todas as coisas que são tratadas como desnecessáriasem suas casas e avaliar se estes itens são realmente desperdícios.

Classificar os tópicos citados no registronos itens definidos na primeira dinâmica (embalagens naturais, embalagens que podem ser reutilizadas ou são biodegradáveis ou embalagens de difícil reciclagem ) e tentar explicar como estes poderão ser eliminados.

- Considerar formas alternativas de converter os resíduos em recursos úteis.

Discussão: Algumas das ações comuns em sua casa você considera que pode gerar impactos ambientais?Qual a relação que você percebe entre o consumismo e os problemas ambientais? Explique.Você se considera uma pessoa consumista?Ao comprar determinado produto você pensa em como o ambiente foi explorado para obtê-lo?

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Primeira dinâmica

A dinâmica teve ampla adesão dos participantes e abordou, além da questão ambiental, a questão histórica e oimpacto da mídia e da estética no consumo, um dos principais responsáveis pela geração deresíduos (Figura 1).É importante discutir a influência da mídia no início do século 21, pois o controle sobre jovens pode ser exercido pelos recursos formadores de opinião, como a mídia, a burocracia e a escola, que são ferramentas básicas e indispensáveis à modelagem da estrutura social e dos modos de ser e de vir a ser. (BECK, 2010).

Os participantes tinham uma vasta bagagem de conhecimentos prévios acerca do assunto, além de muitas dúvidas, o que gerou discussão, válida para a aplicação da dinâmica.De acordo com Luz e al., 2016 a maioria dos jovens tem conhecimento relativo à problemática dos RS, entretanto muitas vezes são indiferentes ao tema. A educação ambientalé fundamental para o sucesso de programas realizados para sensibilização da comunidade com relação aos RS (SOUZA et al., 2013).

Segunda dinâmica

Os participantes se divertiram e riram bastante durante a confecção dos cartazes. Matraca et al., 2011, apresentam a dialogía do riso na prática da educação popular, destacando que a alegria facilita o aprendizado e que o riso é libertador (MATRACA et al., 2011). (Figura 2)

Foi realizada discussão a respeito de como seria a vida sem a utilização das embalagens, para onde elas vão quando jogadas fora e como reduzir a quantidade de embalagens utilizadas no dia a dia. Foram ainda discutidos exemplos de embalagens de difícil e fácil reciclagem e discussão em grupo acerca do lixo como problema social, cultural e, principalmente, de saúde pública.Nessa segunda dinâmica apresentada, os participantes ficaram empolgados ao receber os chicletes, mas, depois, eles refletiram, com o auxílio das discussões, e começaram a questionar sobre o consumo dos chicletes. Os cartazes confeccionados com embalagens foram criativos e todos abordavam alguma questãoambiental relacionada ao tema. A conscientização apresentada é importante, pois na atualidade o que se observa é a fraca incorporação e articulação por parte dos indivíduos na adoção de boas práticas visando minimizar os impactos da geração de RS(ROCHA et al., 2012).

Terceira dinâmica

A terceira dinâmica teve participação entusiasmada dosmembros do movimento escoteiro. A alegria e entrosamento entre osparticipantes e as coordenadoras foram características da atividade. O relacionamento interpessoal é um aspecto importante, pois motiva a aprendizagem. Partilhar da amizade dos alunos gera um sentimento de segurança e de bem-estar suscetíveis de criar um clima agradável, indispensável para a eficiência do ensino. (LAPO E BUENO, 2002). Os participantes tinham conhecimentos prévios sobremeio ambiente, tornando possível trabalhar diversos pontos. Eles se mostraram bastante questionadores e interessados e, por meio da dinâmica aplicada, reflexões importantes foram realizadas, alcançando os objetivos propostos, incluindo a conscientização, a análise e a reflexãoacerca de questões ambientais que permeiam o cotidiano (Figura 3). As argumentações sugeriram que eles estavam preocupados com a geração de RS. Este enfoque é importante, pois muitas vezes se discute o tema “resíduos sólidos” somente após eles terem sido gerados, sendo necessária uma educação que anteceda o momento de geração destes resíduos, no sentido de modificar os costumes e a atenção com relação ao meio ambiente (CASTENE & MARIN, 2015).

Figura 1 - Costumes desnecessários

Figura 2 - Embalagens são necessárias?

Figura 3 - Resíduos em casa

 

Fonte: Os autores

Análise das respostas da avaliação da oficina sobre resíduos sólidos

 

A primeira pergunta foi “Você gostou de participar da oficina? Porque”. Todos os alunos escoteiros responderam “Sim”, ou seja, gostaram da oficina. Entre os motivos destacam-se:

Como lazer e mudar o futuro;

Aprendi brincando;

Porque através da Cartilha, percebemos que em qualquer lugar que estamos., podemos, de alguma forma,aproveitar e reaproveitar o que utilizamos no dia a dia, que gera muitosresíduos desnecessários;

Aprender reciclar e reutilizar os materiais;

Após a dinâmica, repensamos nosso modo de agir e pensar. Ex. nãojogar lixo no chão, desligar aparelhos em desuso, menos tempo nobanho, etc.;

Porque é uma forma para que a gente possa aprender mais aeconomizar, reciclar e tomar atitude sobre isso;

Podemos aproveitar, reutilizar e reciclar materiais que possam agredir anatureza.

Foi possível, então, perceber que pelo menos em curto prazo houvesensibilização dos participantespara o tema.Algumas respostas sugerem o interesse de todos  para o  consumo sustentável e utilização dos 3rs. Estes temas estão entreas principais áreas das políticas públicas federais ligadas à educação ambiental e ao tema RS (BRASIL, 2011).

Algumas das respostas a“O que você achou da Oficina?” Estãoapresentadas abaixo:

Aprendemos muita coisa.

Aprendemos a economizar;

Muito adequada para o mundo em que vivemos hoje, nos ensinando amudar o mundo para as futuras gerações;

Boa, informativa, nos ensinando bastante sobre os 3 Rs;

Palestrantes eficientes, dinâmicas interessantes e os assuntospertinentes;

Super bacana porque é uma forma de nos mostrar os problemas domundo, que passam fora da nossa visão, e até mesmo enxergamos,mas não tomamos nenhuma iniciativa.

Muito instrutiva e informativa,pois aprendemos que é possível consumir menos e aproveitar mais.

Ao verificar essas respostas, comprova-se o que foi afirmado anteriormente,portanto, de que osparticipantesgostaram da oficina e que esta atingiu o objetivo deincentivar a aprendizagem acerca dos problemas e conhecer algumas soluções ao alcance de todos para saneá-las. Durante os trabalhos os participantes discutiram não apenas a importância dos 3 Rs mas também a necessidade existirem formas viáveis de aplicação dos conceitos. Buscar novas ideias para aplicação e contextualização dos conteúdos é indispensável para que ocorra a sedimentação dos conhecimentos (PÉREZ & OSSES, 2015).

A questão 9 solicitou que os escoteiros relacionassem asvantagens e desvantagens das oficinas e da cartilha. Algumas das respostasestão apresentadas no Quadro 1:

 

Quadro 1 - Algumas das vantagens e desvantagens da oficina e da cartilha“Resíduos sólidos”

Vantagens

Desvantagens

Aprender muitas coisas novas

Não existe, pois ela só tem a nos mostrar.

Mostra que temos que conservar e cuidar da nossa natureza antes que ela se “esvaia”

Que o nosso país não tem o progresso apropriado para a reciclagem correta

A vantagem de reciclar, reutilizar em um acampamento escoteiro

Não percebemos desvantagens

Mudou nosso modo de pensar e agir, criou uma consciência ambiental e uma maior preocupação com o mundo.

 Que o mundo está acabando a cada dia e que, às vezes, é preciso deixar de fazer coisas para ajudar o planeta.

Dá para ajudar a todos, basta querer.

As pessoas precisam prestar mais atenção no que consomem

Podemos usar tanto dentro do escotismo quanto na vida social

A desvantagem é que ainda é um tema não muito abordado

Economizar mais e aproveitar a vida de uma maneira que não agrida a natureza.

Abrange tópicos que nunca são comentados e são muito curiosos

 

Como pode ser notado, as vantagens reforçam as ideias apresentadas nas questões anteriores e a maioria das desvantagens estão relacionadas a fatores externos à oficina e à cartilha. Um dos escoteiros pesquisados comenta que esse é um tema ainda não muito comentado, o que pode ser um indicador de que o assunto ainda não é uma constante na educação básica e/ou no movimento escoteiro.

 

A questão 10: Qual atividade você mais gostou? Por quê?.A atividade maiscitada foi a primeira: Costumes desnecessários. Alguns dos motivos foram:

A atividade nos mostrou que podemos reutilizar os mais diversosmateriais, desde os mais complexos, até os mais simples como a caixinha dechicletes;

Despertou nossa atenção e incentivou a participação, além do chicletemelhoraro“hálito”.

Porque foi mais criativa e elaborada.

Nós reutilizamos asembalagens;

Quem olhar o cartaz poderá também ter uma outra visão e ajudar omeioambiente;

Aprender a reciclar, reutilizar os materiais;

Motivou-nos a pensar antes de comprar.

Olhar o cartaz e ajudar o meio ambiente;

Nós reutilizamos as embalagens.

Percebe-se que a dinâmica foi bastante produtiva, pelo menos a curto prazo. A resposta “Motivou-nos a pensar antes de comprar.” foi interessante, pois jovens usualmente preocupam-se mais com a qualidade e modismo que com custo ecológico. (LUZ ET AL., 2016).

Os participantes consideraram que a estratégia de ensino utilizada ativou o pensamento porque abordou o ambiente próximo e a rotina de todos os dias. A problematização e contextualização facilitam a aprendizagem e motivam os estudantes.

A questão 11 foi: Você teria alguma outra sugestão (ideias, experiências etc.),para apresentar? A maioria dos escoteiros não apresentou sugestões, mas os quefizeram demonstraram a vontade de difundir os conhecimentos obtidos, como sepode verificar nas respostas apresentadas abaixo:

Esse projeto deve ser exibido em locais públicos como escolas, parques, e outros.

Fazer mais palestras para os jovens em escolas, grupos escoteiros, ruas, etc.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Os materiais educativos apresentados neste trabalho abordam temas importantes no contexto da Educação Ambiental voltados especificamente para resíduos sólidos.Foram elaborados,considerando cinco aspectos fundamentais: o rigor científico das informações; as características da educação ambiental; o emprego de atividades lúdicas de forma produtiva no processo de ensino e aprendizagem; a inserção produtiva de dinâmicas na educação e a importância da contextualização no ensino. O trabalho utilizou os conhecimentos prévios dos participantes para construção do novo conhecimento, facilitando o posicionamento e atitudes em favor do meio ambiente. Foi possível também a contextualização por meio da formulação de perguntas, discussão, questionamento e desafios para obter respostas individuais e coletivas, motivando e engajando os educandos com a sua aprendizagem. É provável que tais bases provoquem aprendizagem significativa, por meio da articulação de seus saberes com as novas estruturas mentais construídas por eles mesmos. As atividades e dinâmicas permitiram que os estudantes reforçassem as suas relações, o que gerou um clima adequado para a aprendizagem. Os resultados sugerem que os escoteirosdesenvolveram pensamento crítico, capaz de resolver problemas e participar na construção da sua aprendizagem.

A cartilha que acompanha as atividades aqui propostas, foi construída visando fornecer informações e estratégias essenciais para a utilização desses recursos educativos de forma produtiva no contexto escolar.  É esperado que ao se apropriar dos conhecimentos sobre resíduos sólidos, professores e alunos sejam levados a discutir as ações antrópicas e as mudanças e impactos ambientais que eles produzem, aspecto importante na prática da EA. Assim, os materiais aqui discutidos podem contribuir para o processo de valorização de uma consciência ambiental e para a transformação de comportamentos. Os alunos refletirem sobre os problemas que afetam a sua vida, a de sua comunidade, a de seu país e a do planeta, como é o proposto pelos PCNs.

 

REFERÊNCIAS

 

ARENDT H. A condição humana. 11a ed. Rio de Janeiro (RJ): Forense Universitária; 2013.

BARBATO, R.G.; MARIA MELLO E SOUZA, C. B.  Aprender em grupo: experiência de estudantes de enfermagem e implicações para a formação profissional . Esc Anna Nery RevEnferm 2010 jan-mar; 14 (1): 48-55

BECK, Ulrich. Sociedade de risco. São Paulo: Editora 34, 2010.

BOFF, Leonardo. O grito da terra e o grito dos pobres. Disponível em:https://ofm.org//wp-content/uploads/2016/07/CuraCreato-PT.pdf> Acesso em: 25 mar. 2011.

BOVO V. G. O Uso Do Computador na Educação de Jovens e Adultos. Rev. PEC, v.2,1, p.105-112, 2001.

BRASIL, 2011. Lei no 12. 305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e dá outras providências. Brasília: Congresso Nacional, 2010a. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>Acesso em: 30 nov. 2011.

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente e Saúde.Brasília: MEC/ SEF, 2001. 128p.

CASTANGE. R. D.; MARIN, F. A. D. Educação ambiental em resíduos sólidos nos livros paradidáticos e de literatura infantil: um levantamento bibliográfico. EDUCERE. XII Congresso Brasileiro de Educação. Curitiba. 2015. 37389-37404.

FERNANDES, A. P. L. M.; COSTA, C. E. S.,  BARROS, A. T.;  FERREIRA L. A.; SANTOS, L. C.; ANDRÉ, L. A.; SILVA, S. M. D. Educação ambiental voltada para coleta seletiva de lixo no ensino infantil. Um Exemplo Prático em Arapiraca-AL.VII SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia – Resende. RJ. 2010.

FOCETOLA P. B. M., CASTRO P. J., SOUZA A. C. J., GRION L. S., ILVA PEDRO N. C., IACK R. S., ALMEIDA R. X., OLIVEIRA A. C., BARROS C. V. T., VAITSMAN E., BRANDÃO J. B.GUERRA A. C. o., SILVA J. F. M. os jogos educacionais de cartas como estratégia de ensino em química. Química Nova na Escola. v. 34, n. 4, 2012.

FREIRE, P. (1996) Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.

FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 9 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

LAPO, F. R.; BUENO, B. O. (2002) Professores, desencanto com a profissão e abandono do magistério. Cadernos de Pesquisa, 118(março), 65-88.

LUZ, A.; FRANCISCO, A.; S. F. O.; ADRIANO, M. S.; KOVALESKI, J. L. Sustainable development and conscious consumption: a perception of undergraduate interns in the region of Campos Gerais, Parana, Brazil. Interciencia, vol. 41, núm. 5, 2016, pp. 312-318

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