ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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Relatos de Experiências

03/06/2017A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO DE ARTE NO CAMPUS PORTO NACIONAL  
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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO DEARTE NO CAMPUS PORTO NACIONAL

Márcia DallAgnol1, Lilissanne Marcelly de Sousa2, Paulo Cesar de Sousa Patrício3

 

 

1 – Arte/Educadora, Docente do Campus Porto Nacional – IFTO, mestranda em Ciências Ambientais. Email: artemarcia@ifto.edu.br

2 – Sistemas de Informação, Docente do Campus Porto Nacional – IFTO, mestranda em Ciências Ambientais. Email: lilissanne@ifto.edu.br

3 – Pedagogo, Docente do Campus Porto Nacional – IFTO, mestrando em Ciências Ambientais. Email: paulo.patricio@ifto.edu.br

 

Resumo-A formação integral do indivíduo pode estar associada a práticas e métodos utilizados por docentes durante todo o processo de ensino aprendizado, que levem esses a mudança de atitudes frente ao ambiente que vivem. Este artigo visa apresentar uma experiência realizada com materiais recicláveis e reutilizáveis, que envolveu alunos do curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio, do Campus Porto Nacional do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins na disciplina de artes. O trabalho, realizado através de projeto de ensino, buscou integrar eixos temáticos, como a Educação Ambiental, a Estética na Moda e o Contexto Histórico, Cultural e Social dos séculos XIX e XX no Brasil. Com os resultados obtidos, foi possível perceber que o ato de fazer com as mãos, usando materiais reutilizáveis e recicláveis e os conhecimentos adquiridos durante todo o processo levaram a construção de conceitos de forma crítica, sensibilizando para a mudança de atitude e hábitos e consequentemente preservação do meio ambiente.

Palavras-chave: Educação Ambiental, Ensino de Arte, Práticas Pedagógicas.

 

1.Introdução

 

Nos últimos tempos a preocupação com a intervenção do homem no meio ambiente tem crescido muito, obrigando a sociedade a repensar suas atitudes e concepções. Sendo assim a Educação Ambiental é entendida como uma ideia mobilizadora para buscar a preservação e a conservação dos recursos naturais, assim como a qualidade de vida para todos os cidadãos.

Para tanto, tem como ponto de partida, a compreensão pelos educandos das relações dos homens entre si e com a natureza, em vista do desenvolvimento de um comportamento ético em todas as ações sobre o meio.  Para isso, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, em seu artigo 17, capítulo II - b apontam como contribuição para os docentes a “revisão de práticas escolares fragmentadas buscando construir outras práticas que considerem a interferência do ambiente na qualidade de vida das sociedades humanas nas diversas dimensões local, regional e planetária;” (2012, p.6).

            A inserção da Educação Ambiental de forma interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar nas práxis pedagógicas são de suma importância, pois a mudança inicia quando a transformação é motivada partindo de sua própria realidade, o ser humano precisa ser fomentado para a o debate e a reflexão crítica sobre a necessidade de um novo olhar a frente de um futuro imediato, pois como afirma Carvalho: “A construção de práticas inovadoras não se dá pela reprodução, mas pela criação, pela readaptação e, sobretudo, no caso da interdisciplinaridade, por novas relações na organização do trabalho pedagógico”. (2012, p. 132).

            A Arte/Educação tem se tornado uma prática muito utilizada no campo da Educação Ambiental, pois as várias linguagens da arte impulsionam os processos de percepção, expressão, criação e tem o poder de sensibilizar, através de ideias e emoções, possibilitando tornar o ser mais humanizado, pois vivemos em um mundo que os seres estão mais preocupados com o ter do que com o ser, e esse ter está transformando nosso ambiente em um amontoado de lixo. “A Arte-Ambiental fundamenta-se na Arte-Educação a partir do momento em que ela emerge de uma necessidade atual, que é o resgate da relação mais próxima com a natureza por meio do retorno aos elementos naturais”. (LISBOA; KINDEL, 2012, p. 61)

            Existe uma necessidade muita grande de renovação nos métodos de ensino e aprendizagem, como foco em melhorar a motivação dos alunos, incentivando-os a participação e um maior interesse em aprender. Pensando nisso, buscou-se na metodologia de projetos um trabalho que valoriza o processo criador dos alunos, pois a arte ajuda o homem a compreender a realidade que está em sua volta e o que é mais importante, ajuda a transformá-la. [...] “a menos que ela queira ser infiel a sua função social, a arte precisa mostrar o mundo como passível de ser mudado” (FISCHER, 1981, p.58), levando-os a conhecer aspectos da história e a trazer, através da criatividade, melhorias para o meio ambiente, visando à reutilização de materiais e também o espírito de preservação.

           

 

2. Material e Métodos

 

            Para realizar a prática, os alunos foram motivados a pensar sobre a importância da reutilização de materiais, como forma de preservar o meio ambiente. O contexto apresentado utilizando tecnologias digitaisteve como principal objetivo conhecer os materiais mais prejudiciais ao meio ambiente, identificando os que são possíveis de serem reutilizados e reciclados e quais os danos que alguns materiais trazem ao meio ambiente, caso tenham um fim inadequado. Após esta etapa, foi apresentado o projeto de ensino chamado “Aprendendo, Criando e Reutilizando”, que teve como principal objetivo compreender os fenômenos artísticos, culturais, políticos, econômicos e sociais que influenciaram a moda e a forma da modelagem do vestuário durante os séculos XIX e XX no Brasil, para posteriormente dar início à produção de figurinos com materiais reutilizáveis e recicláveis, desenvolvendo assim a criatividade e a consciência para a preservação do meio ambiente, no que se refere ao consumo exagerado e a produção de resíduos sólidos.

            Participaram desse projeto trinta e sete alunos da 2ª série do curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio, ficando esses responsáveis pela pesquisa e construção de um figurino do século XIX, e vinte e cinco alunos da 3ª série do mesmo segmento, com a pesquisa sobre o século XX e a construção deum figurino que melhor representasse o século.

            Os estudantes das séries citadas foram divididos em grupos e buscaram embibliografias e sites, contextos sobre os fatos históricos, culturais e sociais que influenciaram a moda nos séculos XIX e XX. Os resultados dessa pesquisa foram apresentados através de seminário, durante as aulas de artes. Após as apresentações, os grupos fizeram coleta de materiais possíveis de reutilização para confeccionarem o figurino.O trabalho foi realizado durante os meses de abril e maio e culminou com uma exposição na semana do Meio Ambiente nas dependências do Campus Porto Nacional do Instituto Federal do Tocantins.

 

3. Resultados e Discussões

            O acumulo de resíduos sólidos está baseado na crescente necessidade de consumo, o qual gera um dos grandes problemas de poluição na atualidade.

            Uma das soluções para o problema consiste na mudança de comportamento em relação ao consumo e descarte dos produtos. Segundo Outeiro: [...]“a redução do consumo e da produção de resíduos contribui para um retrocesso da poluição e dos resíduos a tratar; que a reutilização também ajuda a diminuir a quantidade de resíduos a tratar e ainda que através da reciclagem se evita a exploração de novas matérias-primas, podendo até recorrer-se à reutilização das que já foram usadas para fins idênticos” (2011, p.2).

            Nesse sentido, a Educação Ambiental tem grande importância, pois quando abordada de forma transdisciplinar pode provocar a participação ativa na formação de atitudes que visem à autonomia e iniciativa, formando assim o sujeito ecológico, o qual segundo Carvalho (2012) é um modo de ser relacionado à adoção de um estilo de vida ecologicamente orientado.

A prática realizada pelos alunos e alunas, teve como resultados alcançados, em termos de produto final, a criação de seis figurinos, que foram confeccionados com materiais reutilizáveis e recicláveis.

Os figurinos construídos foram baseados em releituras inspiradas na moda feminina do século XIX e XX, levando os alunos a conhecer,o tipo de economia, modos de sobrevivência, vestimentas e costumes que constituiu a cultura do povo brasileiro da época. “Por meio da arte nos reconhecemos, nos identificamos como pessoas capazes de muitas realizações, quantas forem necessárias. Arte é caminho.” (SILVA, 2006, p. 52).

            Após os figurinos serem apresentados em sala, os mesmos foramexpostos nas dependências do Campus Porto Nacional do Instituto Federal de Educação do Tocantins, como ação da Semana do Meio Ambiente, para apreciação de toda comunidade escolar, conforme podemos observar nas figuras 1 e 2.

 

Descrição: C:\Users\Marcia\Pictures\PROJETO-ARTE-MEIOAMBIENTE\20150602_171935.jpg

Figura 1 – Figurinos confeccionados pelos alunos da 2ª série do Ensino Médio.

Fonte dos autores.

 

            Para a confecção dos figurinos, o materialmais utilizado foi o papel, o qual atualmente no Brasil, segundo a CEMPRE (2010) alcança índices de reciclagem de 46%, um equivalente a 642.300 mil toneladas de papel de escritório e 80% do papel ondulado foi reciclado em 2009, isto se deve ao fato de que é um material de fácil coleta.

 

Descrição: C:\Users\Marcia\Pictures\PROJETO-ARTE-MEIOAMBIENTE\20150602_171940.jpg

Figura 2 – Figurinos confeccionados pelos alunos da 3ª série.

Fonte dos autores.

 

            Durante todo o processo de construção de conhecimentos, algumas discussões foram pertinentes, como o caso do figurino construído com papel higiênico (Figura 3), em que alguns alunos questionaram sobre a reutilização deste produto, o qual na verdade não tem esta função. Porém o grupo respondeu que o mesmo foi escolhido na função de papel, sendo que este pode ser reciclado e até mesmo reutilizado.

            Com esse questionamento é possível perceber que alguns alunos demonstraram um censo crítico no que se refere a possibilidades de reutilização.

           

Descrição: C:\Users\Marcia\Pictures\PROJETO-ARTE-MEIOAMBIENTE\20150602_132638.jpg

Figura 3 – Vestido confeccionado com papel higiênico.

Fonte dos autores

 

O professor na prática cotidiana em sala de aula enfrenta muitos desafios no que se refere ao processo de ensino e aprendizagem dos alunos, dentre elesa mudança de atitude frente ao tema meio ambiente. Segundo Coelho, o sentido da escola básica e do docente é levar seus alunos a entender, através das diversas áreas do conhecimento, [...] “a cultura, a educação, a vida coletiva, ampliando, enriquecendo e aprofundando seus horizontes de existência humana, no ver, sentir, pensar e agir [...]” (2013, p.88). Alguns alunos se destacam em notas, mas não se sentem responsáveis pelo mundo em que vivem, pois praticam ações, como jogar um papel de bala no chão, sem a consciência de que, por menor que esta ação seja, poderá contribuir com danos ambientais.

Por isso, a Educação Ambiental é um tema obrigatório e deve ser desenvolvida como uma prática pedagógica e precisa estar interligada com todas as disciplinas regulares de um currículo, como prevê o documento que trata dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998).

Com a proposta, foi verificado que trabalhar de forma lúdica possibilitou aos alunos um aprendizado mais prazeroso. Dewey afirma que “A arte é a prova viva e concreta de que o homem é capaz de restabelecer, conscientemente e, portanto, no plano do significativo, a união entre sentido, necessidade, impulso e ação que é característica do ser vivo.” (2010, p. 93).

 

Conclusão

 

A utilização de projetos tem se mostrado uma boa opção para quebrar a rotina engessada que se apresenta com as disciplinas convencionais. Em se tratando da Educação Ambiental e sua orientação de perpassar por todo currículo, esta prática pedagógica com projetos possibilita ao discente interagir diretamente no desenvolvimento da ação, tornando-se sujeito ativo na construção do seu conhecimento.

Esse projeto de ensino permitiu,em seu desenvolvimento, a reflexãosobre as práticas pedagógicas, e que estas devem ser planejadas de forma que levem os alunos a pensar suas ações de forma crítica participativa, no meio em que vivem, como membros ativos, interagindo com os outros a fim de que promovam a discussão em busca de uma qualidade de vida para todos.

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Referências

 

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Temas Transversais. Brasília, DF, 1998. 436p.

BRASIL. Resolução nº2, de 15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Diário Oficial da União. Brasília: DOU, 2012.

CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação Ambiental a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, 2012.

CEMPRE. Coleta Seletiva. Disponível em: www.cempre.org.br. Acesso em 18/04/2017

COÊLHO, Ildeu Moreira. Escritos sobre o sentido da escola. São Paulo: Mercado de letras, 2013. 255 p.

DEWEY, John. Arte como Experiência. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

FISCHER, Ernst. A Necessidade da Arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

LISBOA, Cassiano Pamplona; KINDEL, Eunice Aita. Educação Ambiental: da teoria à prática. Porto Alegre: Mediação, 2012.

OLIVEIRA, Vera Aparecida de. Proposta de um modelo de Framework para processos de reciclagem. Dissertação de mestrado. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2011). Disponível em: http://www.pg.utfpr.edu.br.

OUTEIRO, Miguel Ângelo da Costa Almeida. Influência das Estratégias Pedagógicas na Abordagem da Educação Ambiental. Dissertação de mestrado.  Instituto Politécnico de Bragança (2011). Disponível em>https://bibliotecadigital.ipb.pt

SILVA, AngelaCarranchoda.Escola com Arte. Porto Alegre: Mediação, 2006.



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