ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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03/06/2017EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS SÉRIES INICIAIS: UMA ANÁLISE EM DUAS ESCOLAS PÚBLICAS DE UNAÍ-M.G.  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS SÉRIES INICIAIS: UMA ANÁLISE EM DUAS ESCOLAS PÚBLICAS DE UNAÍ-M.G

Débora Fernanda Costa Peres1

Elismar de Jesus Nunes Cnossen2

 

1-Acadêmica do curso de Pedagogia da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Unaí-FACTU.

2- Mestra em Química pela Universidade Federal de Goiás, Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montas Claros, Docente no curso de Pedagogia da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Unaí –FACTU.

e-mail: eliscnossen@gmail.com

 

Faculdade de Ciências e Tecnologia de Unaí  - FACTU 

Rua Rio Preto, n°422 –Centro, Unaí-M.G / CEP: 38610-000.Telefone: (38)36766222

 

 

RESUMO

 

A educação ambiental nas séries iniciais do ensino fundamental tem importância fundamental na formação da consciência sobre a preservação e responsabilidade ambiental do ser humano. O objetivo do trabalho foi identificar as concepções de duas docentes de educação infantil sobre a educação ambiental e analisar a importância de oficinas utilizando materiais recicláveis no processo ensino-aprendizagem. A pesquisa foi realizada dentro de uma abordagem qualitativa, a partir de oficinas realizadas com os alunos e entrevistas realizadas com duas professoras da educação infantil. Resultados da pesquisa mostraram que os alunos perceberam a capacidade e o seu potencial de criar coisas interessantes e fazer novos objetos a partir de materiais considerados lixo. A primeira entrevista analisou a prática da educação ambiental nas séries iniciais. A segunda entrevista discutiu os benefícios da prática da educação ambiental na escola após a realização de várias oficinas com materiais recicláveis, mostrando que as atividades de educação ambiental apresentaram resultados satisfatórios, promovendo a disseminação da informação e conscientização dos alunos.

 

Palavras-chave: Educação Ambiental. Lixo. Oficinas.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades atuais revela que os impactos provocados pelos seres humanos sobre o meio ambiente estão se tornando cada vez mais complexos, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos (JACOBI, 1999).

As ações antrópicas, desde a antiguidade até os dias de hoje, alterou o meio ambiente de alguma forma. Evidencia-se, atualmente, um grave problema em relação ao crescimento populacional e crescente deterioração do meio ambiente devido as ações antrópicas realizadas de forma contínua e exorbitante (TINOCO et al., 2010) colocando em risco, tanto à fauna quanto a flora de modo geral, causando à extinção de plantas e animais.

A crise ambiental não se trata de crise ecológica, mas sim de crise da razão, pois os problemas ambientais são, fortes consequências da falta de conhecimento (LEFF, 2001). Deste modo, podem ser decorridas fortes implicações para toda e qualquer política ambiental que deve passar tanto por uma política do conhecimento quanto da educação.

Somente a partir da década de 1980 a Educação Ambiental (EA) começou a ser vista como um tema importante e urgente, tendo em vista a abertura política e a ascensão dos movimentos sociais. A partir daí, deu-se início a várias reuniões e encontros, abrindo importantes espaços de construção de identidade social em volta das práticas educativas voltadas para o meio ambiente dando ao planeta uma chance de sobrevivência (RAMOS 1996).

O Ministério da Educação em 1997 elaborou e propôs os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), no qual, o Meio Ambiente foi considerado um Tema Transversal e, portanto, deve estar integrado a todos os níveis de ensino formal, numa relação de transversalidade, de modo a incutir toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão englobante da questão ambiental, visualizando os aspectos físicos e histórico-sociais, assim como as conexões entre a escala local e planetária desses problemas (BRASIL, 1997).

A escola deverá oferecer meios efetivos para cada aluno compreender os fatos naturais e humanos referentes ao tema Meio Ambiente, além de desenvolver suas potencialidades e adotar posturas pessoais e comportamentos sociais que lhe permitam viver numa relação construtiva consigo mesmo e com seu meio, colaborando para que a sociedade seja ambientalmente sustentável e socialmente justa; protegendo, preservando todas as manifestações de vida no planeta; e garantindo as condições para que ela prospere em toda a sua abundância e diversidade (BRASIL, 1998). 

A educação ambiental nas séries iniciais do ensino fundamental contribui para a consciência de preservação e de cidadania. As crianças aprendem, desde cedo, que é necessário cuidar e preservar a vida do planeta, que pequenas atitude fazem a diferença, e que eles são capazes de proporcionar uma grande mudança na comunidade em que moram (MEDEIROS, et al., 2011).

De acordo com Funk e Santos (2009) a educação ambiental infantil tem fundamental importância na formação da consciência sobre a responsabilidade ambiental do ser humano, para que cada cidadão compreenda a sua responsabilidade em relação aos valores de preservação e cuidado com o mundo que nos cerca, levando esse conhecimento consigo e utilizando em toda sua vida.

O lixo é um componente presente na vida e no cotidiano de todos, sendo um excelente tema a ser trabalhado com os estudantes, de forma interdisciplinar, visando à conscientização e a mudança de atitudes dentro e fora da sala de aula (SILVA, 2007). Uma boa metodologia para trabalhar o tema é através de oficinas utilizando materiais reutilizáveis na construção de novos objetos. Além de agradar uma criança com oficinas de sucata, o professor pode ensiná-la uma nova maneira de ver o mundo, desta forma a criança aprende de forma fácil e natural a reaproveitar materiais reutilizáveis evitando que estes materiais tenham destinos incorretos amenizando o acúmulo de lixo.

O objetivo deste trabalho é identificar as concepções de duas docentes de educação infantil sobre a educação ambiental e analisar a importância de oficinas utilizando materiais recicláveis no processo ensino-aprendizagem.

 

2. METODOLOGIA

O estudo foi realizado entre os meses de agosto e novembro de 2016 em duas escolas públicas da cidade de Unaí no noroeste de Minas Gerais. Participaram do estudo duas docentes do 2° ano do ensino fundamental e seus respectivos alunos. A coleta de dados se deu através de duas entrevistas semi-estruturadas com a professora 1, docente da Escola Estadual Domingos Pinto Brochado, e com a professora 2, docente da Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves.

Inicialmente, realizou-se uma entrevista semi-estruturada com as professoras colaboradoras, abordando questões diversas. Após a entrevista, iniciou-se com os alunos uma oficina de integração utilizando histórias e desenhos para falar sobre a preservação ambiental. Logo após foram realizados jogos virtuais, confecção de objetos a partir de materiais recicláveis e também de brinquedos que podem ser usados como jogo pedagógico. Por fim, realizou-se uma segunda entrevista abordando as ações realizadas com os alunos e a importância das mesmas na formação do aluno como cidadão.

Os dados pesquisados foram analisados a partir de uma abordagem qualitativa.         

 

3.RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

3.1 OFICINAS REALIZADAS NAS ESCOLAS

Após a oficina de integração onde foi abordada a preservação ambiental através de histórias e desenhos, os alunos foram levados para o laboratório de informática (figura 1) onde foram realizados jogos virtuais tratando o tema lixo. Aproveitando a ocasião, as crianças foram instruídas a pesquisar sobre brinquedos feitos de material reciclável.

Figura 1: A- Alunos da Escola Estadual Domingos Pinto Brochado realizando jogos virtuais tratando o tema lixo. B- Alunos da Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves pesquisando sobre brinquedos confeccionados como material reciclável.

A

 
 


 


Fonte: Autoras da pesquisa, 2016.

Os jogos virtuais podem ser uma importante ferramenta, ao associar o lúdico ao pedagógico no ensino, especialmente na educação ambiental, constituindo-se um recurso motivador da aprendizagem fazendo que a criança se interesse mais pela temática (COSTA; MELO e FANTINI, 2011).

No terceiro momento, foi abordado o tema coleta seletiva enfatizando a necessidade de o lixo ser selecionado e também a forma correta para se descartar cada tipo de lixo. Para consolidar esta etapa, na Escola Estadual Domingos Pinto Brochado foram confeccionadas pequenas lixeiras seletivas utilizando latas de alumínio de 500 gramas (figura 2). As lixeiras foram deixadas dentro da sala de aula para uso das crianças. Já na Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves foi confeccionado um cartaz expositivo falando da preservação ambiental, pois as crianças recentemente desenvolveram um projeto juntamente com a professora regente de construção de lixeiras (figura 3).

 

Figura 2: A- Alunos da Escola Estadual Domingos Pinto Brochado confeccionando as lixeiras; B- Lixeiras seletivas prontas.

 


Fonte: Autoras da pesquisa, 2016.

 

Figura 3: A- Alunos da Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves confeccionando o cartaz; B- Os alunos exibindo o cartaz pronto.

                                                                      


 

Fonte: Autoras da pesquisa, 2016.

 

Marques (2010) investigando a funcionalidade de atividades lúdicas como ferramenta adicional no processo de ensino-aprendizagem, permeando objetivos de Educação Ambiental, junto à metodologia da Escola Nova usou a produção de desenhos, cartazes e pinturas; utilização de músicas; apresentação de vídeos educacionais e aplicação de jogos, dentre outras ferramentas para ensinar EA.

Por fim, foram desenvolvidas oficinas de materiais recicláveis com os alunos a fim de obter objetos, brinquedos e/ou jogos pedagógicos. Na Escola Estadual Domingos Pinto Brochado, foram feitas lixeirinhas de mesa reutilizando caixinhas de leite e suco. Os alunos levaram a lixeirinha para casa para que os pais pudessem participar do projeto enfeitando-as juntamente com os filhos (figura 4).

 

Figura 4: A - Alunos da Escola Estadual Domingos Pinto Brochado confeccionando as lixeirinhas de mesa; B- lixeirinhas prontas.

 


Fonte: Autoras da pesquisa, 2016.

 

Na Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves, foram feitas as lixeirinha de mesa reutilizando garrafas de plástico (figura 5).

 

Figura 5: A- Alunos da Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves confeccionando as lixeirinhas de mesa; B- lixeirinhas prontas.

                  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fonte: Autoras da pesquisa, 2016.

                 Corroborando com a ideia, Santoro (2011), investigando um grupo de alunos que participam de um projeto de atividades socioeducativas dentro de um contexto socioeconômico baixo de uma escola do Distrito Federal, percebeu que os professores trabalham EA através de reciclagem de garrafas pet, confecção de lixeirinha individual e a higiene da sala.

Após fazer lixeiras a partir de material reciclável, foi confeccionado também um brinquedo pedagógico denominado roleta magnética. O brinquedo é utilizado na forma de jogo reutilizando tampinhas de garrafa pet e imã (figura 6). A brincadeira com sucata (material reciclável) possui um lugar de destaque no incentivo da capacidade de criação infantil, oferecendo um mundo de possibilidades à criança.

 

 

Figura 6: A- Início da confecção da roleta magnética; B- Alunos da Escola Estadual Domingos Pinto Brochado jogando a roleta magnética; C- Alunos da Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves jogando a roleta magnética.


                  

 

Fonte: Autoras da pesquisa, 2016.

 

Os jogos feitos com sucata são recurso pedagógico indispensáveis na educação infantil, pois trazem atividades lúdicas e criativas a fim de desenvolver potencialidades e habilidades, sensibilizando a comunidade envolvida a respeito da importância do meio ambiente e de sua preservação. (DEPRÁ, 2008).

Tavares (2010), ao desenvolver um projeto de Educação Ambiental na Escola Municipal Vitor Miguel de Souza, em Florianópolis, observou que o as crianças foram incentivadas a perceberem que fazem parte do meio ambiente, que são sujeitos importantes, com direitos e deveres em relação ao Planeta Terra.

Pode-se afirmar que os alunos perceberam a capacidade e o seu potencial de criar coisas interessantes e fazer novos objetos a partir de materiais considerados lixo. Tal fato associa-se a transformação da relação dos seres humanos com o seu ambiente, princípios essenciais da Educação Ambiental.

 

3.2 A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS SÉRIES INICIAIS

Nesta categoria de análise procura-se estabelecer a relação entre a educação ambiental e sua prática na educação infantil na ótica das professoras colaboradoras. A primeira pergunta foi sobre a formação das docentes. A professora 1 tem graduação em Normal Superior e a professora 2 tem graduação em Pedagogia.

Em relação à formação na área de Educação Ambiental, perguntou-se a elas se possuíam algum curso específico.

 

“Não, porém tenho conhecimentos em debates e conversa informal  sobre o tema abordado.” (Professora 1)

“Fiz um curso oferecido pelo PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa). É uma formação para professores e nele trabalhavam-se várias áreas inclusive educação ambiental”. (Professora 2)

 

Segundo Dias, é essencial, para o desenvolvimento da EA, que os profissionais da educação sejam capacitados para que as informações passadas para os alunos sejam adequadas.

 

“O treinamento do pessoal docente é o fator principal  no desenvolvimento da EA. A aplicação de programas de EA e o próprio uso adequado dos materiais de ensino só serão possíveis se os docentes tiveram acesso a treinamento, tanto em conteúdos quanto em métodos [...]” (DIAS, pág. 88, 1998).

 

            Foi feito um questionamento de como a educação ambiental é trabalhada em sala de aula, mostrando que a EA é realizada através de temas do dia-a-dia do aluno.

 

“Olha, é de forma bem organizada e prazerosa. No início do ano nós fizemos rodas de conversa e discutimos sobre a organização e a limpeza a partir da sala de aula envolvendo toda a escola e isso é um processo que é trabalhado durante todo o ano letivo. “(Professora 1)

“Nós trabalhamos de acordo com a realidade da região, de acordo com os alunos, o que eles veem mais ou menos no caminho de casa, essas coisas. “(Professora 2)

 

Martins (2009) ao entrevistar seis professoras de educação infantil e também uma coordenadora a respeito da educação ambiental na educação infantil, percebeu que a maioria das colaboradoras trabalha a EA em atitudes do cotidiano, como conservação do ambiente limpo, reutilização de materiais, reciclagem, economia de água e preservação da natureza (flora e fauna).

Quando questionado a respeito do envolvimento dos alunos nos trabalhos desenvolvidos em Educação Ambiental, obtiveram-se as seguintes respostas:

 

“Zelar para que a própria sala fique organizada onde cada um tem o compromisso de observar em volta da sua mesa, da sua carteira e até mesmo trabalhos de observação em casa. Nesse trabalho nós envolvemos, os cuidados para evitar a proliferação da dengue que na época agente trabalhou, ficha de observação em casa, a observação  nos lotes vizinhos... “(Professora 1)

 

“Nós às vezes fazemos cartazes com eles, desenhos que a gente coloca no mural, faz produção de texto, com a participação deles.” (Professora 2)

 

A Escola deve adotar uma nova realidade de educação, na qual além de  estimular o educando a observar seu redor, também ensine que ele faz parte desse meio. No momento que educação ambiental entra na vida escolar da criança, a mesma deve dá a ela a possibilidade de compreensão e integração, com respeito e consciência ao meio em que se vive. (MENEZES, 2012).

             Sabe-se que a escola deve ser a fonte de estímulo para o aluno, com isso, foi questionado sobre o estímulo da escola a respeito do trabalho interdisciplinar com a educação ambiental, onde houve respostas satisfatórias.

 “Sim. É... sempre visa projeto de interação interdisciplinar envolvendo todo o ambiente escolar. “(Professora 1)

 

“Estimula.” (Professora 2)

As respostas estão de acordo com o que o MEC propõe para as escolas, onde a EA deve ser trabalhada de forma interdisciplinar. Dessa forma, o “processo da construção do conhecimento interdisciplinar na área ambiental possibilita aos educadores atuar como um dos mediadores na gestão das relações entre a sociedade humana, em suas atividades políticas, econômicas, sociais, culturais, e a natureza” (GUIMARÃES, 2004).

 

     Em relação ao lixo, foi perguntado se o mesmo é separado corretamente na escola. Observa-se que em cada escola há uma realidade.

 

 

 “Pelo conhecimento que a gente observa na escola, ele é separado, ás vezes, são separados os papéis limpos e é mandado para a coleta”. (Professora 1)

 

“Infelizmente, não é tratado, a gente até tenta conversar com o aluno sobre como descartar o lixo de maneira correta, mas na escola ele não é separado.” (Professora 2)

De acordo com os questionários aplicados por Souza et al., (2013), a professores de escolas públicas municipais de Cruz das Almas (BA) constatou-se a ausência de coleta seletiva na escola, apesar de existirem nas salas pequenas lixeiras apropriadas para tal atividade.

Analisar o lixo, separar o mesmo, orientar os funcionários e convocar a comunidade a participar da ação conscientizadora, será um serviço em vão, se os resíduos forem depositados em um mesmo recipiente. Quando o lixo é destino a um só lugar, sem a prática da coleta seletiva, a comunidade escolar se desestimula a seguir com as ações e acabam não obtendo um resultado satisfatório para com os alunos. PADIAL (2013).

     Ao responderem sobre o incentivo da reutilização de materiais na escola, e de que forma isso ocorre, obteve-se as seguintes respostas:

 

 “Sim, fazendo trabalhos utilizando material reciclável. A gente trabalha painéis, fazendo brinquedos, trabalhando com palitos. Como a gente trabalha os palitos? Na resolução de problemas de matemática, ... utilizamos grãos, e além desses tem, vários outros, as vasilhas de sorvete que foi pedido agora  para fazer um projetinho para a feira de ciências.” (Professora 1)

 

“ É sim. Através de arte com sucata por exemplo.” (Professora 2)

 

O fato de reciclar e/ou reaproveitar os resíduos, não é somente uma atitude criativa com intuito de reduzir a quantidade de lixo, se resulta também na recuperação de produtos já fabricados economizando a matéria-prima e energia, criando nas pessoas uma cultura conservacionista a fim de abrir novos postos de emprego e amenizar a degradação do meio ambiente (CASTRO 2008).

            Acredita-se que um trabalho que envolva a realidade do aluno, trabalhando com seu dia-a-dia desperta uma maior curiosidade de si mesmo além de fazê-lo querer buscar soluções para cuidar melhor do meio em que vive. Por isso, se faz necessário informar, alertar e conscientizá-los para a necessidade de refletir nos problemas que o lixo representa para o planeta e os instiga a buscar formas adequadas para amenizar estes problemas através da reciclagem/reutilização (OLIVEIRA et al., 2012).

 

3.3 BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA.

 

A Educação Ambiental tem que ser desenvolvida como uma prática, e esta por sua vez proporcionam à valorização humana e a transformação de hábitos das pessoas em relação ao ambiente no qual estão inseridas. Após a realização de oficinas práticas de reutilização de resíduos sólidos (lixo), realizou-se a segunda entrevista com as professoras colaboradoras.

Quando realizada a oficina “Lixeirinhas de Mesa” reutilizando caixinha de leite e suco, além de garrafas pets, segundo as professoras, essa ação contribuiu para a formação dos educandos:

 

      “Nossa, achei ótima. Nós podíamos ter trabalhado bem mais, o tempo foi tão curtinho, eu adorei. Mas, foi um ótimo trabalho levando cada educando a perceber a importância da organização, da limpeza da própria sala. “(Professora 1)

 

                 “Ela diminui a necessidade dos alunos se levantar, evita jogar lixo no chão, e ainda educá-las a usar sempre a lixeira.” (Professora 2)

 

Foi questionado também se a ludicidade utilizada através da oficina (Roleta Magnética) favorece a aprendizagem dos alunos em educação ambiental.

 

“A roleta magnética, também eu achei excelente e foi uma coisa que eu como  professora ainda não tinha trabalhado. Eu achei tão bonitinho, tão especial para trabalhar principalmente com os alunos com mais dificuldade em aprender. Reutilizando materiais para a montagem da roleta e até mesmo a formação de palavras envolvendo esse processo ambiental. “ (Professora 1)

 

“Bom, o aluno tem mais facilidade de desenvolver brincando.” (Professora 2)

 

A respeito das oficinas de reutilização realizadas durante este projeto, foi perguntado se as mesmas puderam estimular os educandos a amenizar os impactos causados pelo lixo, levando em consideração a oficina da coleta seletiva.

 

“É um projeto de grande relevância, onde cada aluno percebe a importância da reciclagem, da separação lixo.” (Professora 1)

 

“Aumenta o conhecimento que eles já tinham sobre o assunto e ainda desenvolve o trabalho em grupo.” (Professora 2)

A utilização de oficinas pedagógicas torna o processo ensino- aprendizagem dinâmico, estimula a criatividade de seus participantes e ainda torna dispositivos pedagógicos acessíveis às escolas favorecendo a articulação entre os vários níveis de ensino e a diversidade de saberes (MOITA e ANDRADE, 2009).

Por fim, perguntou-se as professoras. Você concorda em dizer que os alunos envolvidos no projeto foram estimulados a uma maior consciência ambiental? Por quê?

 

“Sim. Gostaria, na minha opinião, que fosse mais tempo. Eu achei tão interessante, o projeto que eu achei que se fosse mais tempo, foi um projeto muito bom onde as crianças participaram, interagiram, buscando os objetos para a realização dos trabalhos.” (Professora 1)

 

“Sim, eu pude observar que muitos deles deixaram de jogar o lixo no chão. Ainda não é a maioria, mas, estamos melhorando”. (Professora 2)

 

No trabalho realizado por Souza et al., (2013) nas Escolas Municipais Recanto Feliz e Joaquim de Medeiros no estado da Bahia, as atividades de educação ambiental também apresentaram resultados satisfatórios, promovendo a disseminação da informação e conscientização de alunos, professores e funcionários. Várias atividades realizadas como: os vídeos, músicas, interações e conversas com os alunos. Além disso, a partir dos materiais recicláveis como papelões e tampinhas de garrafa pet, os alunos confeccionaram brinquedos, jogos (da velha e do ponga) e cartazes que foram expostos na escola, tudo isso trouxe grandes avanços fazendo com que as crianças desenvolvessem um censo crítico e um pensamento de buscar a solução para alguns problemas ambientais.

 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Durante este processo, se obteve experiências satisfatórias, porém sugere-se que haja uma aplicação mais profunda e duradoura, estendida durante o ano letivo com trabalhos estimulantes e inovadores a fim de trazer os pais para a escola para que os mesmos participem ativamente da vida escolar dos filhos, pois assim tanto os pais quanto os filhos estarão caminhando juntos por um mesmo propósito: um planeta mais sustentável.

Desta forma é possível uma mudança significativa no quadro ambiental que se encontra o planeta, no entanto é preciso que todos tenham, o mesmo propósito, pois a caminhada somente se torna produtiva quando todos concordam com a direção que se deve seguir, caso contrário, não será possível obter sucesso ao fim da jornada.


REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf> Acesso em: 20 set 2016.

 

________. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: meio ambiente: saúde. Brasília, 1997. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro091.pdf > Acesso em : 20 set 2016.

 

CASTRO, Mauriceia Aparecida. A reciclagem no contexto escolar . 2008. Disponível em :< http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/448-4.pdf>. Acesso em: 26 maio. 2016.

 

COSTA, Eduino Rodrigues da; MELO, Carolina Iuva de;  FANTINI, Vanessa. Os jogos virtuais para a educação ambiental no ensino fundamental. 2011. Disponível em:<http://tecedu.pro.br/wp-content/uploads/2015/07/Rel1-ano3-vol4-julho2011.pdf> Acesso em : 30 set 2016.

 

DEPRÁ, Nara Freitas. O uso de jogos feitos com sucata, como recurso pedagógico na educação infantil no lar vila das flores. 2008.  Monografia -(Curso de Pós-Graduação em Educação Ambiental)- Universidade Federal  de Santa Maria (UFSM, RS), 2008.

 

DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1998.

 

FUNK, Suzana; SANTOS, Ana Paula dos. A educação ambiental infantil apoiada pelo design gráfico através das histórias em quadrinhos. Actas de Diseño, v. Ano 4, p. 236-238, 2009.

GUIMARÃES, Mauro . A formação de educadores ambientais. Campinas: Papirus, 2004.

JACOBI, Pedro Roberto. Meio ambiente e sustentabilidade. In: CEPAM. (Org.). O Município no século XXI. São Paulo: CEPAM, p. 175-184, 1999.

LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder.Petrópolis: Vozes, 2001.

 

MARQUES, Rebeca Almeida, et al. Atividades lúdicas em projeto de educação ambiental- experiência na Escola Nova, Educação ambiental em ação, 2010.  Disponível em: <http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=943> Acesso em : 20 set 2016.

 

MARTINS, Nathalia. A educação ambiental na educação infantil. 2009.  Monografia -(Curso de Pedagogia)- Universidade Federal de São Carlos, São Paulo, 2009.

 

MEDEIROS,  Aurélia Barbosa de et al. A Importância da educação ambiental na escola nas séries iniciais. Revista Faculdade Montes Belos, v. 4, n. 1, set. 2011.

 

MENEZES, Cássia Maria Vieira Martins da Cunha. Educação Ambiental: a criança como um agente multiplicador. 2012. Dissertação – (Mestrado em Administração) –  Universidade  Estácio  de  Sá,  Rio de Janeiro, 2012.

 

MOITA,. Filomena Ma.G. S. Cordeiro; ANDRADE, Fernando Cézar B. O saber de mão em mão: a oficina pedagógica como dispositivo para a formação docente e a construção do conhecimento na escola pública. In Anais Educação, Cultura e Conhecimento na contemporaneidade: desafios e compromissos. Caxambu- MG: ANPED, 2006.

 

OLIVEIRA, Malvina da Silva;OLIVEIRA, Braz da Silva;VILELA, Maria Cristiana da Silva; CASTRO,Tânia Aparecida Almeida. A importância da educação ambiental na escola e a reciclagem do lixo orgânico.  Revista Científica Eletrônica de Ciências Sociais Aplicadas da Eduvale, Mato Grosso, ano 5, n.7, p.13, 2012.

 

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RAMOS, Elisabeth Christmann. Educação ambiental: evolução histórica, implicações teóricas e sociais. Uma avaliação crítica, 1996. Disponível em: <http://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/29517/D%20-%20ELISABETH%20CHRISTMANN%20RAMOS.pdf?sequence=1> Acesso em : 20 set 2016.

 

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SOUZA, Girlene Santos de; MACHADO, Poliana Brandão; REIS,Vanessa Ribeiro dos; SANTOS,Aline Santos dos; DIAS, Viviane Borges. Educação ambiental como

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TAVARES, Lorena Janczak. Educação ambiental na escola pública: um relato de

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TINOCO, Marcia Regina Lichotti; SOARES, Jorge Mendes; SOUZA, Sônia Maria Silva de.Crescimento Populacional e Sustentabilidade Ambiental. Revista de Trabalhos Acadêmicos, v. 02, p. 1-49, 2010.



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