ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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03/06/2017PROPOSTA DE PLANEJAMENTO AMBIENTAL PARA UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE RIO TINTO, PARAÍBA, NORDESTE DO BRASIL  
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PROPOSTA DE PLANEJAMENTO AMBIENTAL PARA UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE RIO TINTO, PARAÍBA, NORDESTE DO BRASIL

 

Thayz Rodrigues Enedino1, Dimítri de Araújo Costa2, Nadjacleia Vilar Almeida3

 

1Bacharel em Ecologia/Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Mestre em Biodiversidade/UFPB. E-mail: thayzsuzuky@yahoo.com.br

 

2Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas/UFPB, Mestre em Ecologia e Monitoramento Ambiental/UFPB, Doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente - PRODEMA/UFPB. E-mail: costa.researcher@yahoo.com.br

 

3Bacharel e Licenciada em Geografia/UFPB, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente/UFPB, Doutora em Geografia/Universidade Federal Fluminense, Professora Adjuntado curso de graduação em Ecologia/UFPB (Campus IV). E-mail: nadjacleia@ccae.ufpb.br

 

 

RESUMO. Omanejo inadequado de água, energia, efluentes e resíduos sólidos representam alguns dos principaisproblemas ambientais presentes na atualidade.Promover a educação e a conscientização das pessoas frente a esta problemática, com a devida demonstração de técnicas de bom gerenciamento destes recursossão ferramentas eficazes para promover apreservação ambiental.O objetivo deste trabalho é elaborar um plano de gerenciamento de resíduos sólidos, efluentes,água e energia para a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Luiz Gonzaga Burity, Rio Tinto, Paraíba, Nordeste do Brasil.Na metodologia, foram utilizados questionários semi-estruturados e entrevistas com os alunos.Odesperdício de água nos banheiros e cozinha, consumo excesso de energia nas salas de aula, alémde armazenamento inadequado do lixoe efluentes foram os problemas constatados.Está sendo proposto um planejamento ambiental para a obtenção de uma melhor relação entre a escola e o meio ambiente.

 

Palavras-chave: Consumo;Escola; Resíduos sólidos.

 

 

 

ENVIRONMENTAL PLANNING PROPOSAL FOR A PUBLIC SCHOOL IN RIO TINTO MUNICIPALITY, PARAÍBA, NORTHEAST BRAZIL

 

ABSTRACT. The inadequate management of water, energy, wastewater and solid waste represent some of the major environmental problems present today. Promote education and awareness of the people facing this problem, with proper demonstration of techniques of good management of these resources are effective tools to promote environmental preservation. The aim of this work is to develop a plan of solid waste management, waste, water and energy for the State School of Elementary and Secondary Education Professor Luiz Gonzaga Burity, Rio Tinto, Paraiba, Northeast Brazil. In the methodology, semi-structured questionnaires and interviews with students were used. The waste of water in the bathrooms and kitchen, excess energy consumption in classrooms, and improper storage of the garbage and effluents were the problems encountered. It is being proposedenvironmental planning to obtain a better relationship between the school and the environment.

 

Keywords: Consumption; School; Solid waste.

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

A relação homem-natureza é tão antiga quanto a origem dos humanos. O homem contemporâneo utiliza os recursos naturais em larga escala, porém não há uma preocupação quanto ao destino dos resíduos gerados nas atividades em geral. A partir da revolução industrial essa relação tem se tornado cada vez mais intensa. As consequências dessas interações têm se tornado cada vez mais aparentes nas últimas décadas. É evidente que precisamos sensibilizar a todos para que busquem uma relação saudável com o meio ambiente hoje e conservá-lo para as futuras gerações (EFFTING, 2007). De acordo com Dias (1992), um dos eventos mais decisivos nesse contexto foi a realização da “Conferência da ONU sobre o ambiente humano”, realizada pela Organização das Nações Unidas de 5 a 16 de julho, na Suécia (DIAS, 1992). Desde então, a preocupação com o ambiente natural vem ganhando espaço, impulsionada pelas consequências do mau uso dos recursos naturais.

A escola pública é um ótimo setor para se aplicar essa sensibilização, pois o público alvo é geralmente jovens e adolescentes, o que nos dá a possibilidade de gerar agentes multiplicadores.

Os resíduos sólidos causam grandes problemas globais, que vem aumentando muito nos últimos anos devido ao elevado número de diferentes produtos descartáveis, o aumento na quantidade de resíduos, especialmente em embalagens associadas com cada objeto produzido e a tendência para aglomerar resíduos de tal modo que sobrecarrega o processo natural de processamento (TORRES; RODRIGUES, 2006).

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2000), cada um dos 370 milhões de habitantes urbanos da América Latina e do Caribe produz cerca de 0,92 Kg de resíduos sólidos por dia, o que resulta em 330.000 toneladas de lixo que devem ser administradas diariamente. Porém, 75% destes resíduos são coletados e têm destinação frequentemente inadequada. Logo, toneladas de lixo são diariamente lançadas no meio ambiente, servindo de abrigo e criadouro a um grande número de roedores e mosquitos transmissores de várias doenças (OPAS, 2000).

Com relação ao desperdício de água,cerca de 50% são dissipadas no Brasile o pior é que essa água retorna aos mananciais após o uso, sem tratamento e, novamente, retorna a nós para consumo após vários tratamentos com custos elevadíssimos (CRUZ, 2001). Nas escolas públicas brasileiras o consumo de água, principalmente em banheiros, tratamento dos alimentos e para beber, é bem significativo e esta água muitas vezes édesperdiçada ou utilizada de maneira inadequada.

Durante um apagão em 2001, a crise de abastecimento energético, deu um alerta aos brasileiros que começaram a despertar o interesse para economizar água e eletricidade. Neste mesmo ano a crise no setor elétrico mostrou que os recursos naturais estão em riscos e mesmo assim, as pessoas ainda continuam praticando algumas ações indevidas a exemplo de lavar um pátio da escola com mangueira aberta o tempo todo,o queintensificará os problemas ambientais (FIGUEIREDO, 2007).

Sendo assim, o objetivo do trabalho é avaliar a situação atual com relação à problemática ambiental na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Luiz Gonzaga Burity e criar propostas que possam mitigar ou eliminar os problemas ambientais existentes.

 

 

 

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

 

2.1.Resíduos sólidos: Definição e classificação

 

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades da comunidade, de origem industrial, doméstica, de serviços de saúde, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Consideram-se também resíduos sólidos os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo d'água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (ABNT/NBR 10004, 2004).

 

 

2.1.1.Classificação dos resíduos sólidos

 

Normalmente os resíduos sólidos são classificados segundo a sua origem, como:

 

· Urbanos: incluem o resíduo domiciliar gerado nas residências, o resíduo comercial, produzido em escritórios, lojas, hotéis, supermercados, restaurantes e em outros estabelecimentos afins, os resíduos de serviços, oriundos da limpeza pública urbana, além dos resíduos de varrição das vias públicas, limpezas de galerias, terrenos, córregos, praias, feiras, podas, capinação;

· Industriais: correspondem aos resíduos gerados nos diversos tipos de indústrias de processamentos. Em função da periculosidade oferecida por alguns desses resíduos, o seguinte agrupamento é proposto pela ABNT/NBR 10004 (2004):

 

ü Resíduos Classe I(perigosos): pelas suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxidade e patogenicidade, podem apresentar riscos à saúde pública, provocando ou contribuindo para o aumento da mortalidade ou apresentarem efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos de forma inadequada;

ü Resíduos Classe IIa(não perigosos não inertes): incluem-se nesta classe os resíduos potencialmente biodegradáveis, combustíveis ou solúveis em água;

ü Resíduos ClasseIIb(não perigosos inertes): perfazem esta classe os resíduos considerados inertes e não combustíveis.

 

· Resíduos de serviços de saúde: são os resíduos produzidos em hospitais, clínicas médicas e veterinárias, laboratórios de análises clínicas, farmácias, centros de saúde, consultórios odontológicos e outros estabelecimentos afins. Esses resíduos podem ser agrupados em dois níveis distintos:

 

ü Resíduos comuns: compreendem os restos de alimentos, papéis, invólucros, etc.;

ü Resíduos sépticos: constituídos de restos de salas de cirurgia, áreas de isolamento, centros de hemodiálise, etc. O seu manuseio (acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final) exige atenção especial, devido ao potencial risco à saúde pública que podem oferecer.

 

· Resíduos de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários: constituem os resíduos sépticos, que podem conter organismos patogênicos, tais como: materiais de higiene e de asseio pessoal, restos de alimentos, etc., e veiculares doenças de outras cidades, estados e países.

· Resíduos agrícolas: correspondem aos resíduos das atividades da agricultura e da pecuária, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, esterco animal. A maior preocupação, no momento, está voltada para as embalagens de agroquímicos, pelo alto grau de toxicidade que apresentam, sendo alvo de legislação específica.

· Entulho: constitui-se de resíduos da construção civil: demolições, restos de obras, solos de escavações etc.

· Resíduos Radioativos (lixo atômico): são resíduos provenientes dos combustíveis nucleares. Seu gerenciamento é de competência exclusiva da CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear.

 

 

2.2.Gestão de resíduos sólidos

 

O conceito de gestão de resíduos sólidos abrange atividades referentes à tomada de decisões estratégicas e à organização do setor para esse fim, envolvendo instituições, políticas, instrumentos e meios.

Segundo o Projeto BRA/92/017 (1996),o termo gerenciamento de resíduos sólidos refere-se aos aspectos tecnológicos e operacionais da questão, envolvendo fatores administrativos, gerenciais, econômicos, ambientais e de desempenho (e.g. produtividade e qualidade), e relaciona-se à prevenção, redução, segregação, reutilização, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento, recuperação de energia e destinação final de resíduos sólidos (LIMA, 2001).

Dessa maneira, entende-se Modelo de Gestão de Resíduos Sólidos como um "conjunto de referências político-estratégicas, institucionais, legais e financeiras capaz de orientar a organização do setor". São elementos indispensáveis na composição de um modelo de gestão:

 

· Reconhecimento dos diversos agentes sociais envolvidos, identificando os papéis por eles desempenhados e promovendo a sua articulação;

· Consolidação da base legal necessária e dos mecanismos que viabilizem a implementação das leis;

· Mecanismos de financiamento para a auto-sustentabilidade das estruturas de gestão e do gerenciamento;

· Informação à sociedade, empreendida tanto pelo poder público quanto pelos setores produtivos envolvidos, para que haja um controle social;

· Sistema de planejamento integrado, orientando a implementação das políticas públicas para o setor.

 

A composição de modelos de gestão envolve, portanto, fundamentalmente três aspectos, que devem ser articulados: arranjos institucionais, instrumentos legais e mecanismos de financiamento.

 

 

2.3.Principais impactos gerados pelos resíduos sólidos

 

Os resíduos sólidosquando não dispostos e tratados convenientemente, atendendo a pré-requisitos adequados a sua classificação e biodegrabilidade, terminam por poluir o solo, o ar e a água, contribuindo para proliferação de vetores e doenças aos próprios geradores, independente de qualquer que seja o seu nível sócio cultural (FIGUEIREDO, 1995).

Sakai et al. (1996) destaca ainda que, fatores como a topografia, densidade populacional, infra-estrutura de transportes, normas socieconômicas e ambientais, são aspectos que interferem diretamente na gestão dos resíduos sólidos.

No Brasil, além desses fatores que contribuem para proliferação de lixões e de um sistema de limpeza pública deficiente, existe a carência de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos (IPT/CEMPRE,1995). Fatos que, em regra geral, faz com que não sejam avaliados os impactos ao meio ambiente causados pela produção, gerenciamento e disposição inadequada de resíduos sólidos urbanos que, direta ou indiretamente, afetam os recursos hídricos e a qualidade do ar o solo.

Sabe-se que o impacto ambiental é resultado de uma ação sobre o meio ambiente, caracterizado por um choque na operação do sistema e que, em função do tempo de duração, da intensidade das influências e da abrangência com que afeta os elementos, põe em risco a vida do sistema como um todo (ABNT/NBR 14001, 1996).

Tais impactos são avaliados por autores como Baasch (1995), Kaseva e Gupta (1996), Read (1997), Wang et al. (1997), quando afirmam que o problema de contaminação causado pela produção de resíduos sólidos é um acontecimento mundial, sendo considerados altamente impactantes por produzirem gás metano (CH4), monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos (HC), entre outras substâncias tóxicas. Lima (1995), por exemplo, considera que todos os efluentes gasosos e particulados emitidos para a atmosfera, oriundos das diversas atividades do homem podem ser considerados lixo.

Nos estudos de verificação foram identificados os gases poluentes que estão mais presentes nas concentrações de lixo, dentre eles encontrou-se: o monóxido de carbono, partículas de óxido de enxofre (SO), óxido de nitrogênio (NO) e hidrocarbonetos. Estes gases são de grande impacto para o meio ambiente dependendo dos volumes lançados, fatos que ocorre com frequência nos aterros clandestinos ou sem infra-estrutura (SANTOS, 2002).

Pela importância que ocupa para a existência de vida na terra, avaliar-se o impacto causado pela poluição da água por resíduos sólidos como uma das mais preocupantes, pois se sabe que a poluição pelo lançamento direto de resíduos e carregamento do chorume até as águas superficiais, bem como pela infiltração do chorume e por falhas no gerenciamento, termina por atingir os aqüíferos e, por conseguinte a saúde da população. Na tabela 1 temos as três formas de contaminação na água, de acordo comSantos(2002):

 

 

Tabela 1. Formas de poluição provocadas pelo lixo na água.

 

Impacto

Causas

Consequências

Físico

A poluição física consiste no lançamento indiscriminado de resíduos nos cursos d’água

Aumento da temperatura da água, aumento da turbidez, formação de bancos de sedimentos e alteração da cor

Químico

Despejo de resíduos, principalmente industriais, através do lançamento de detergentes não degradáveis e resíduos tóxicos, além da exploração de jazidas minerais (e.g. ouro, petróleo, pirita)

Envenenamento de peixes, aves e outras espécies da fauna e flora local

Biológico

Contagem de uma quantidade elevada de elementos do grupo coliforme e pela presença de resíduos que possam produzir transformações biológicas consideráveis

Influencia diretamente a qualidade de vida dos seres vivos existentes na água

Fonte: Adaptado de Santos (2002)

 

 

Não menos importante, a contaminação do solo também se torna um impacto relevante pela quantidade de vetores presente em concentrações de lixo. Segundo Lima (1995), por conter substâncias de alto teor energético e por oferecer disponibilidade simultânea de água, alimento e abrigo, o lixo é preferido por inúmeros organismos vivos, a ponto de algumas espécies o utilizarem como nicho ecológico.

 

 

2.4. Elementos ambientais impactados

 

2.4.1.Água

 

Nas primeiras décadas do século passado, as atividades antrópicas eram realizadas sem preocupações com o meio ambiente. Os recursos naturais não eram vistos como escassos e chegou-se a falar em recursos infinitos. Contudo, as grandes catástrofes ecológicas causavam preocupações e houve mobilização de vários países com o intuito de buscar soluções e prevenções para os desastres ecológicos.

ConformeAbdalla (2008), na década de 70, pesquisas em várias partes do mundo evidenciavam a necessidade da recuperação ambiental e do uso sustentável dos recursos naturais. Tratando-se de recursos hídricos, a iminência de sua escassez agravada pela irregularidade na distribuição das chuvas em várias regiões do planeta, causavam preocupações a todos, incluindo governantes de países nos dois hemisférios. Fatores como o desperdício e o mau uso da água, aliados à contaminação de aquíferos e de águas superficiais, também geravam inquietações aos governantes, pois comprometiam o desenvolvimento socioeconômico das nações.

Dessa forma, a água passou a ser vista com outro olhar e políticas públicas voltadas a esse tema começaram a ser utilizadas em vários países para se evitar sua escassez. As temáticas relativas aos recursos hídricos ampliavam-se, por vez considerando a água essencial à vida de todas as espécies. Em Dublin, no ano de 1992, durante a Conferência Internacional sobre Água e Meio Ambiente promovida pela ONU, preparatória para a II Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD) chamada de ECO-92, ficaram definidos alguns dos atuais princípios inovadores, tais como: “a água doce é um recurso finito e vulnerável, essencial para sustentação da vida, do desenvolvimento e do meio ambiente” (REGO;PEREIRA, 2005).

Há maneiras de se economizar o consumo de água. Por exemplo, ao se escovar os dentes, se o tempo gasto de aproximadamente cinco minutos com a torneira aberta, gastam-se doze litros de água. Porém, se a torneira é fechada durante a escovação,pode-se economizar até onze litros de água. Uma lavadora que tem capacidade para lavar cinco quilogramas de roupas, consome cento e trinta e cinco litros de água por lavagem. Muitas pessoas não a utilizam de forma adequada, lavando poucas roupas de cada vez. Porém, a mesma quantidade de roupas, isto é, cinco quilogramas, se forem lavadas no tanque, consome uma quantidade muito menor de água. Quando as torneiras ficam gotejando, o desperdício pode chegar a quarenta e seis litros de água por dia, isto é, mil trezentos e oitenta litros por mês. Um banho de quinze minutos gasta em média 45 litros de água, se forem gastos cinco minutos o consumo cai para apenas quinze litros de água. Todas estas informações citadas podem ser conhecidas, implicando numa motivação para que o consumo de água diminua (DESPERDÍCIO DE ÁGUA, 2011).

 

 

2.4.2. Consumo de energia

 

Como suprir de energia um planeta faminto por eletricidade sem prejudicá-lo? Essa é a preocupação de inúmeras empresas, que colocam em ação atitudes ambientalmente corretas. Mas, se antes a preocupação era apenas econômica, hoje muitos empresários em suas gestões demonstram que a mudança do paradigma capitalista ao holístico pode estar seguindo passos muitos lentos e que a natureza não “suportará” a espera. Em vários segmentos da sociedade a palavra “sustentabilidade” é proclamada por todos, porém, a degradação, o desperdício e a falta de informação são visíveis.

No ambiente escolar, o mesmo acontece. Poucos se preocupam com a economia de energia, pois afinal “uma ou outra lâmpada acesa não fará diferença no consumo final”. Além disso, ventiladores ligados sem necessidade também não fazem parte das preocupações em relação ao consumo de energia.

Segundo dados da Eletrobrás, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL) tem como objetivos diminuir o desperdício de energia elétrica no país e buscar a eficiência através de desenvolvimento tecnológico, segurança energética, eficiência econômica, novos parâmetros incorporados à cidadania e à redução de impactos ambientais. A educação ambiental é um instrumento que irá incorporar parâmetros novos à cidadania, com um importante princípio, o da totalidade, que não permite a dissociação do homem do ambiente onde ele vive. Dessa forma, pode-se verificar que um simples ato de desligar uma lâmpada irá gerar grande economia de energia para a instituição, e assim se conhece a importância do pensar coletivamente e não isoladamente (ELETROBRAS/PROCEL EDUCAÇÃO, 2007).

O fluxo luminoso de uma lâmpada é a quantidade total de luz emitida. É medida em lumens, cuja abreviação é lm. Para se calcular o consumo de energia de uma lâmpada, multiplica-se a potência da lâmpada pelo tempo de uso. As lâmpadas fluorescentes, segundo a Eletrobrás, são aquelas que produzem luz pela passagem da corrente elétrica através de um gás ou vapor contido em seu interior. As lâmpadas fluorescentes tubulares indicam uma iluminação econômica, com alta eficiência e longa durabilidade, sendo apropriadas para ambientes escolares, que requerem essas qualidades apresentadas pelo produto. As lâmpadas incandescentes são formadas por filamentos de tungstênio, alojados no interior de um bulbo de vidro preenchido com gás inerte. Quando a corrente elétrica passa pelo filamento, os elétrons chocam-se com os átomos de tungstênio, que assim, liberam energia que se transformar em luz e calor. As lâmpadas fluorescentes oferecem cerca de cinco vezes mais lumens e sendo assim, para o mesmo consumo energético, pode-se concluir que elas iluminam muito mais que as incandescentes (ELETROBRAS/PROCEL EDUCAÇÃO, 2007).

 

 

 

3. METODOLOGIA

 

3.1.Área de estudo

 

O presente estudo foi realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Luiz Gonzaga Burity (Figura 1), localizada entre as coordenadas geográficas 6º48’20.21”S/35º04’56.27”W e 6º48’18.06”S/35º04’53.94”W, no município de Rio Tinto (Figura2), ficando a 60 km da capital João Pessoa, Paraíba, com endereço na Rua da Vitória s/n. Na tabela 2 é apresentado o total de pessoas envolvidas no processo.

 

 

 

DSC02074.JPG

 

Figura 1.Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Luiz Gonzaga Burity.

 

 

 

 

Figura 2.Mapa de localização do município de Rio Tinto, estado da Paraíba.

 

 

Por se tratar de uma escola pública estadual e contar com várias salas de aulas, recebe alunos do próprio município e de diversos outros municípios do Vale do Mamanguape.

 

 

 

Tabela2.Total de funcionários, professores e alunos da Escola Burity.

 

Atividade / Função

Quantidade

Alunos

600*

Funcionários (secretaria)

8 em cada turno

Funcionários (outros setores)

5 em cada turno

Professores

48

*Média anual de alunos matriculados no início de cada ano letivo

 

 

3.2.Coleta de dados

 

As informações referentes ao estabelecimento de ensino no qual o trabalho foi realizado foram coletadas através de documentos disponibilizados pela direção da escola e fornecidas pelos diretores, professores e funcionários da secretaria.Além disso, realizamos entrevistas através da aplicação de questionários semi-estruturados abertos (Figura 3), com o intuito de avaliar o grau de conhecimento com relação a problemática ambientalpor parte dos alunos.De acordo com Caldas (2007), o uso de questionários com perguntas abertas possibilita a obtenção de dados qualitativos porque não induz os entrevistados em suas respostas. Os questionários foram aplicados aos alunos do ensino médio nos turnos da manhã, tarde e noite, correspondendo um total de 35 % do número de alunos que frequentam a escola. Durante três dias, a escola foi visitada pela equipe deste trabalho nos três turnos para analisar o tipo de resíduos produzidos na escola e a forma de utilização da energia dos recursos hídricos.Para a catalogação dos resíduos encontrados na escola, foi elaborada uma tabela com a classificação dos resíduos baseada na NBR 10004 da ABNT (2004) (Figura 4).

 

Figura 3.Questionário aplicado aos alunos do ensino médio.

 

 

 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

4.1.Problemas detectados

 

4.1.1. Resíduos sólidos

 

Os resíduos sólidos gerados são acondicionados em um recipiente, sem uma coleta seletiva e colocado em um ponto de coleta para que o caminhão do “lixo” o transporte até o lixão a céu aberto que está localizado às margens da BR-101, no município de Mamanguape, Paraíba, Brasil. A figura 4 mostra os tipos de resíduos que foram encontrados na escola Burity.

 

 

Classificação

Tipo

Local encontrado

Classe I

Metais

Por trás das salas de aulas

Classe IIa

Papel

Na frente da escola, em salas de aulas, em lixeiras junto a outros tipos de lixo

Classe IIa

Madeira

Por trás das salas de aulas

Classe IIa

Orgânico

Próximo da cantina e nas lixeiras juntos com os outros resíduos

Classe IIb

Plástico

Recantos das salas de aulas, pátio, em frente às lixeiras

 

Figura 4.Identificação dos resíduos sólidos encontrados na escola Burity.

 

 

4.1.2. Energia

 

Detectamos um desperdício de energia através de ligações conjugadas entre lâmpadas e ventiladores de alguns setores, sendo necessário manter algumas lâmpadas acesas constante e desnecessariamente. Os condicionadores de ar são todos de modelos antigos que consomem mais energia e estão sendo implantados sem qualquer estudo que permita avaliar a potência do equipamento com o espaço a ser climatizado, evitando assim um gasto desnecessário de energia.

 

 

4.1.3.Água

 

Alguns problemas envolvendo desperdício de água também foram detectados, como por exemplo, vazamentos em todas as torneiras do bebedouro industrial (quatro torneiras). Após o usuário beber água a torneira fica vazando, sendo necessário “puxar” ou girar uma das partes da torneira para que o vazamento cesse.

A cantina é o setor da escola que mais utiliza água para lavagem e preparação dos alimentos (merenda) e na lavagem dos talheres, pratos e copos. Portanto, não foi observado um cuidado especial na tentativa de evitar o desperdício. Os efluentes são descartados no esgoto da cidade e restos de comidas são encontrados próximos da cantina.

 

 

4.2. Análise dos questionários respondidos pelos alunos

 

As respostas obtidas pelos alunos na (Tabela 3) apresentam a necessidade da implantação de um planejamento ambiental na escola, uma vez que o meio ambiente está sendo afetado, devido à má administraçãodo manuseio de resíduos e pela falta deracionamento dos recursos energéticos e hídricos pelas pessoas que frequentam a escola.

 

Tabela 3. Análise das respostas obtidas pelos alunos durante o questionário.

 

QUESTIONÁRIO

Perguntas                 

Respostas

Percentual

1 - Todos os dias realizamos atividades que resultam na produção de resíduos sólidos (materiais que são jogados no lixo podendo ser constituídos de plásticos, metais ou papel). Em sua opinião estes resíduos poderiam ter outro destino final? Qual?

Sim/ Poderiam ser reciclados

90%

Não

7 %

Sim / poderiam estar nas ruas

3%

2 - Durante as aulas o professor aborda assuntos relacionados ao meio ambiente? Com que frequência?

Algumas vezes

73%

Não

27 %

3 - Em sua opinião, qual a importância dos temas relacionados com manuseio de resíduos sólidos, reciclagem e racionamento de água e energia para sua formação como cidadão?

Importante para cuidar do meio ambiente

60 %

Importante para poder reciclar os materiais

 

40%

4 - Na escola em que você estuda existe uma preocupação em evitar desperdícios de água e energia? Se sua resposta for sim, quais medidas são utilizadas para evitar tais desperdícios?

Não

100%

5 - Como o lixo manuseado na escola em que você estuda?

De forma inadequada

100 %

6 - Como você descreveria a relação entre professores, alunos e meio ambiente na escola que você estuda?

Razoável

45 %

Ruim

55 %

 

 

 

5. PROPOSTA DE PLANEJAMENTO AMBIENTAL

 

a. Implantação de coleta seletiva no interior da escola e uma campanha de educação ambiental com o intuito de sensibilizar alunos e funcionários;

b. Monitoramento para o controle do uso e evitar desperdícios de materiais;

c. Oficinas pedagógicas para confecções de produtos artesanais através do reaproveitamento dos materiais descartados;

d. Instalação de novos bebedouros;

e. Instalações de novos sistemas de elétricos econômicos para evitar o desperdício de energia;

f. monitoramento dos equipamentos elétricos para evitar o gasto de energia desnecessário;

g. Instalação de reservatórios para o reaproveitamento de águas das chuvas para a limpeza de banheiros, pátios e salas de aula.

 

 

6. CONCLUSÕES

 

O planejamento ambiental na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Luiz Gonzaga Burity representa uma importante ferramenta para definir critérios de trabalho e estabelecer metas que possam desenvolver um plano de ações necessárias para se atingir os objetivos propostos para o melhoramento da relação entre o ambiente e os alunos, professores e funcionários. Sendo assim o monitoramento e o controle das ações planejadas são procedimentos imprescindíveis para o bom desempenho das atividades estabelecidas dentro do planejamento.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

ABDALLA, F. A. O processo de criação e instalação do comitê de bacia hidrográfica do Rio Paranaíba.2008. 89 f. Trabalho de conclusão de curso(Graduação em Geografia)– Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2008.

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14001: sistemas de gestão ambiental: especificações e diretrizes para o uso. Rio de Janeiro, 1996.

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 10004: resíduos sólidos: classificação. Rio de Janeiro, 2004.

 

BAASCH, S. S. N.Um sistema de suporte multicritério aplicado na gestão dos resíduos sólidos nos municípios catarinenses.1995. 204 f. Tese (Doutorado em Engenharia de produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1995.

 

CALDAS, A. H. M. Análise da disposição de resíduos sólidos e da percepção dos usuários em áreas costeiras – Um potencial de degradação ambiental. 2007. 60 f. Trabalho de conclusão de curso (Especialização em Gerenciamento e tecnologias ambientais no processo produtivo ênfase em produção limpa) – Universidade Federal da Bahia,Salvador, 2007.

 

CRUZ, G. D. As riquezas que jogamos fora.Revista Ecologia e Desenvolvimento, v. 77, p. 46-51, 2001.

 

DESPERDÍCIO DE ÁGUA. 2011. Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/desperdicio_de_agua.html. Acesso em: 30abr. 2017.

 

DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1992.

 

EFFTING, T. R. Educação Ambiental nas escolas públicas: realidade e desafios.2007. 90 f.Monografia (Especialização em Planejamento para o desenvolvimento sustentável) – Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Marechal Cândido Rondon, 2007.

 

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