ISSN 1678-0701
Número 61, Ano XVI.
Setembro-Novembro/2017.
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11/09/2017A EDUCAÇÃO E SUAS DIFERENTES VERTENTES  
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A EDUCAÇÃO E SUAS DIFERENTES VERTENTES

 

Bruno Matos de Farias1

Dafne Sampaio Almeida2

Hugo Almeida Carlos Satiro3

Rachel Cristina Santos Pires4

Vinícius Pinto da Silva5

Andre Luiz Tenorio Rezende6

 

1Mestre em Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ, Bacharel em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ (bmfarias@gmail.com).

2 Mestranda em Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ, Professora em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ (dafnesabrasil@gmail.com).

3 Mestrando em Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ, Professor em Turismo e Hotelaria pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC-RJ (hugosatiro@gmail.com).

4 Mestranda em Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ, Professora em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ (rachelpireseng@gmail.com).

5 Mestrando em Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ, Bacharel em Superior de Tecnologia em Informação pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ (viniciussiva2006@gmail.com).

Doutor em Engenharia Mecânica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-RJ, Professor do Mestrado em Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM-RJ (andrerezende@openlink.com.br).

 

Resumo: O presente artigo tem como objetivo analisar a educação como instrumento de desenvolvimento, buscando entende-la como agente transformador de realidades. Devido à amplitude da literatura e complexidade do tema, prioriza-se neste trabalho, análises do tema baseado nas perspectivas tradicional, ambiental, empreendedora e à distância. Porém, sem perder de vista que estas óticas não são as únicas, nem as mais importantes. De forma crítica buscou-se ao longo deste trabalho abordagens históricas, referenciada e contextualizadas que permitissem diversas visões, ampliando assim, a discussão sobre a temática da educação, analisada neste contexto sob o enfoque instrumentalizador e de intervenção ecossocioeconômico para o desenvolvimento local.

Palavras-chave: educação; ambiental; empreendedorismo; educação à distância.

 

Abstract:This article aims to analyze education as an instrument of development, seeking to understand it as a transforming agent of realities. Dueto the breadth of the literature and the complexity of the theme, this work focuses on the analysis of the theme based on traditional, environmental, entrepreneurial and distance perspectives. However, without losing sight of these optics are not the only, northernmost important. Throughout this work, we have searched historically, referenced and contextualized approaches that allowed different visions, thus broadening the discussion on the theme of education, analyzed in this context under the instrumentalist approach an do fecos socioeconomic intervention for local development.

Keywords: education; environmental; Entrepreneurship; Distancelearning.

 

 


1.    INTRODUÇÃO

 

A história da educação brasileira teve seu início demarcado e registrado com a chegada dos portugueses, onde estes trouxeram um padrão próprio da educação europeia. Os primeiros educadores foram os jesuítas que tinham o objetivo de catequisar os índios, ensinando-os a moral, os costumes e a religiosidade europeia (BELLO, 2001).

No decorrer da história, a educação deixou de ser uma tarefa exclusiva dos jesuítas passando para a família e o Estado esta responsabilidade. A vinda da Família Real em 1808, para o Brasil, permitiu uma nova redescoberta inclusive na educação com o surgimento da imprensa, criação de escolas de direito e medicina, biblioteca real e academias militares.

No século XX a educação já é percebida em todos os espaços: em casa, na rua, na igreja ou na escola. Ninguém escapa da educação, seja para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar, para saber, para fazer, para ser ou para conviver. Todos os dias a vida se mistura com a educação (BRANDÃO, 1981).

Na primeira para deste artigo é discutido o tema da educação básica no Brasil que é regida pela LDB 9.394 de 20 de dezembro de 1996 a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Já em 2014 foi aprovado o Plano Nacional de Educação – PNE que aborda diversas diretrizes como: Erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento escolar; superação das desigualdades educacionais; formação para o trabalho e para a cidadania; promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental (ALMEIDA, 2011).

Na segunda parte analisa-se a Educação Ambiental no Brasil, que foi oficializada com a criação da Lei Federal de nº 6.938, sancionada em 31 de agosto de 1981, que criou a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), e a Lei Federal n° 9.795 – Lei da Educação Ambiental, de 27 de abril de 1999, que elaborou a Política Nacional da Educação Ambiental (PNEA). Isso ocorre 27 anos após a Conferência de Estocolmo, mostrando ser um grande atraso em relação às recomendações desta Conferência. De acordo com a Lei n° 9.795 – Lei da Educação Ambiental, tem-se: Art. 2° - A Educação Ambiental como um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.

É importante mencionar que na Constituição Federal de 1988, existe um capítulo específico sobre a proteção integral do meio ambiente (Capítulo VI - do Meio Ambiente), em que consta no artigo 225, parágrafo 1º, parte VI:“promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1997 a educação é um elemento indispensável para a transformação da consciência ambiental, pois é incontestável que a educação sozinha não é suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente é uma condição necessária para tanto.

Na terceira parte é abordada a Educação Empreendedora é uma ponte para a transformação do sujeito. O conceito de empreendedorismo assemelha-se muito ao entendimento do protagonismo. É necessário ainda desmitificar o empreendedorismo do capitalismo selvagem, podendo mostrar o que há de bom e ruim e assim empreender e aprender para uma visão mais social, ambiental e solidária, onde para ter sucesso não necessariamente temos que fazer mal a alguém ou destruir o planeta.

A realidade no contexto econômico, ambiental e cultural são aspectos que seguramente influem na educação. O ensino torna o sujeito um agente de mudanças de si e do local, promovendo a sensação de pertencimento que a educação precisa para ser transformadora de uma realidade.

Na quarta parte é discutida a Educação à Distância tem como principal objetivo possibilitar processos de ensino aprendizagem reduzindo, significativamente, os encontros face a face, entre professores e alunos (BARRETO, 2010). No Brasil a educação à distância vem sendo disseminada por meio do uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em diversos momentos da vida, inclusive na formação continuada. Porém, a educação à distância apresenta desafios semelhantes do sistema educacional tradicional.

A Educação à Distância nos dias atuais mostra que ela tem crescido nos últimos anos, facilitando o acesso ao conhecimento uma vez que ele pode ser acessado em qualquer lugar. Observa-se algumas vantagens e desvantagens em relação à educação tradicional. Listando algumas delas, verifica-se que essas são as que mais se destacam: menor custo, inclusão social, ferramenta que permite interação do aluno/professor, tempo e local híbrido. E algumas desvantagens exigidas aos alunos são: controle do tempo de estudo, disciplina do aluno e interação entre pares. A Educação à Distância permite interação com os diversos campos dos saberes, podendo ser oferecido na educação tradicional, ambiental e empreendedora.

 

2.    Educação tradicional - escolar

 

Nos dias atuais a educação está presente em todos os espaços, em casa, na rua, na igreja ou na escola. Ninguém escapa da educação, seja para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar, para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias a vida se mistura com a educação (BRANDÃO, 1981).

A educação pode emergir de cada povo ou entre povos que se encontram, alguns povos podem utilizar da educação como um meio de submeter outros povos. A educação existe desde a família à comunidade, inicialmente o processo educativo se dá sem sala de aula, sem livros e sem professores especialistas, posteriormente com escolas, salas, professores e métodos pedagógicos. Sobre esta escola que será abordada neste momento (BRANDÃO, 1981).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB 9394/96) é a legislação que regulamenta o sistema educacional público/ e ou privado do Brasil. Nela, o direito a educação é reafirmado garantido pela Constituição Federal.

Segundo a legislação atual, a educação brasileira é dividida e dois níveis: a educação básica (infantil, fundamental e médio) e o ensino superior (graduação e pós-graduação).

A Educação Brasileira dispõe de outras modalidades de educação, perpassam todos os níveis de educação nacional, dentre elas: educação especial (atende aos educandos com necessidades especiais), educação à distância (atende aos estudantes em tempos e espaços diversos, com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação), educação profissional e tecnológica, (visa preparar os estudantes a exercerem atividades produtivas, atualizar e aperfeiçoar conhecimentos tecnológicos e científicos) educação de jovens (atende as pessoas que não tiveram acesso a educação na idade apropriada) e adultos e educação indígena (atende as comunidades indígenas, de forma respeitar a cultura e língua materna de cada tribo). 

Cury (2002) analisa a Educação Básica no Brasil sobre a ótica de 04 (quatro) preliminares. A primeira delas está relacionada a situação socioeconômica da população brasileira, visto que a distribuição de renda e da riqueza no país determina o acesso e a permanência dos estudantes na escola. Pode se destacar outra relação onde a sociedade exige da escola uma resposta de um problema social, que não é dela, porém está nela. Por exemplo: Um indivíduo que vivencia violência diariamente, certamente levará consigo para a escola.

A segunda preliminar destacada por Cury (2002), está relacionada ao próprio conceito de Educação Básica. A Constituição Federal de 1988 previa a criação do sistema único de educação básica, que só foi possível ser concretizado com a Lei de Diretrizes e Bases - LDB 9394/96. No parágrafo único do artigo 11 é assinalado a possibilidade de o Estado e os Municípios se constituírem como um único sistema.

 

A Educação Básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores (CURY, 2002 p.170).

 

A Constituição Federal de 1988 garante no art. 205, a educação como um direito de todos e dever do Estado sem qualquer distinção. Porém, a família tem deveres (os responsáveis, são obrigados a matricular seus filhos(as) na escola) e que a educação tem como objetivo o desenvolvimento integral da pessoa e a preparação para a inserção cidadã.

A LDB reforça no art. 4º a educação como um direito do cidadão e um dever do estado em atendê-lo mediante a oferta qualificada.

Na terceira preliminar é reforçado a responsabilidade do Estado quanto à obrigatoriedade na oferta da educação.

A quarta preliminar, Cury (2002) descreve as desigualdades socioeconômicas relacionadas a miséria ou extrema pobreza. Essa desigualdade é medida pelo Índice de desenvolvimento humano – IDH. Afim de intervir nestas problemáticas, o Estado necessita criar políticas públicas para manter as crianças na escola. Temos por exemplo o FUNDESCOLA, ou fundo de fortalecimento da escola, que é financiado pelos recursos do Governo Federal e de empréstimos do Banco Mundial. Este tem por objetivo promover ações para melhoria da qualidade nas escolas do ensino fundamental pretendendo ampliar a permanência das crianças nas escolas públicas nas regiões mais necessitadas, como: Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para estimular a permanência das crianças foi criada a bolsa-escola que é o programa de renda mínima vinculado à educação. Esta é uma estratégia compensatória de combate à pobreza por meio de incentivo financeiro mensal às famílias em situação de pobreza, tendo como contrapartida a manutenção da criança na escola tendo um importante papel social no ensinamento dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental.

 

3.    EDUCAÇÃO AMBIENTAL

 

Um dos princípios básicos para que a humanidade sobreviva no planeta e garanta qualidade de vida para as futuras gerações é a sustentabilidade. Ela é, antes de tudo, a preocupação em desacelerar, até eliminar, a agressão que degrada o meio ambiente. Neste contexto, é necessário reaproximar as pessoas dos ambientes naturais, levando-as a compreender como os recursos devem ser utilizados.

Atualmente, a população dos centros urbanos vem aumentando a procura por lugares vinculados à natureza, pois o homem sente o desejo de “redescobrir” a natureza e a “vontade” de adquirir novos conhecimentos e experiências.

Diante dessa situação, a Educação Ambiental vem ganhando espaço para conscientizar as pessoas em relação ao mundo em que vivem e para que possam ter acesso à uma melhor qualidade de vida, porém sem desrespeitar a natureza, buscando sempre estabelecer um equilíbrio entre o homem e o meio. Os avanços tecnológicos e científicos, assim como as questões ambientais fazem parte do cotidiano, interferindo na vida de cada indivíduo (VIECHENESKI; CARLETTO, 2014).

A Educação Ambiental é o ponto chave no conceito de desenvolvimento sustentável, que visa atender as necessidades presentes, sem, porém, comprometer a possibilidade de futuras gerações satisfazerem as necessidades de seu tempo.

Para a formação de uma sociedade mais crítica e capaz de pensar em uma sociedade melhor necessita-se de uma educação que tenha o potencial de criar soluções para os principais problemas formando o entendimento do que é certo e errado baseadas na ética ambiental. Desta forma as pessoas passam a ter capacidade de participar na tomada de decisões para melhoria da comunidade em que vivem (PRAIA, 2007).

Nas últimas três décadas do século XX vários acordos mundiais sobre o meio ambiente avançaram para propostas de sustentabilidade que poderão ser concretizadas neste século. Conforme apresentado por Edwards (2004) os principais acordos foram:1972 – Conferência de Estocolmo sobre o meio ambiente humano;1979 – Convenção de Genebra sobre contaminação aérea (ONU); 1980 – Estratégia mundial para a conservação (IUCN);1983 – Protocolo de Helsinki sobre a qualidade do ar;1983 – Comissão mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento (ONU); 1987 – Protocolo de Montreal sobre a capa de ozônio (ONU); 1987 – Nosso futuro comum (Comissão Brundtland) (ONU); 1990 – Livro verde sobre o meio ambiente urbano (EU); 1992 – Cúpula da Terra (Rio de Janeiro) (ONU); 1996 – Conferência Habitat (ONU); 1996 – Conferência de Kioto sobre o aquecimento global (ONU); 2000 – Conferência de Haya sobre a mudança climática.

Entre os acordos citados, a Comissão de Brundtland é indicada como a principal referência para definição de desenvolvimento sustentável (EDWARDS, 2004). Elaborada em 1987 pela Comissão da ONU para o meio ambiente sob direção de GroHarlamBrundtland, aborda as necessidades das gerações presentes e futuras e a utilização de recursos ambientais. A comissão define o desenvolvimento sustentável como aquele “que satisfaça as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades”. Apesar da amplitude, esta definição possibilita uma série de subdivisões que respondem as necessidades particulares de cada setor da sociedade.

A proposta da Comissão de Brundtland para o desenvolvimento sustentável é baseada em três dimensões: a sustentabilidade ambiental, econômica e social. Anteriormente o desenvolvimento mundial baseava-se apenas em dimensões sociais e econômicas. A Comissão declarou que os sistemas econômicos e sociais não podem desligar-se da capacidade de recursos do ambiente.

A inclusão da questão ambiental para o desenvolvimento mundial, consolidou definitivamente a sustentabilidade como fator essencial para o gerenciamento e preservação de recursos naturais para as futuras gerações. O desejo de crescimento e bem-estar social nas cidades deve equilibrar-se também com a manutenção ou promoção da qualidade ambiental.

 

O desenvolvimento e a conservação do meio ambiente devem constituíram binômio indissolúvel, que promova a ruptura do antigo padrão decrescimento econômico, tornando compatível duas grandes aspirações desse final de século: o direito ao desenvolvimento, e o direito ao usufruto da vida em ambiente saudável pelas futuras gerações (MINISTÉRIO DOMEIO AMBIENTE, 2014)

 

A discussão sobre a avaliação do impacto ambiental aumenta, pois são visíveis os prejuízos que a natureza vem sofrendo. E em 27 de abril de 1999 é criada a lei da Educação Ambiental, onde em seu Art. 2° afirma: "A Educação Ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”.

Segundo Boff (1999) a pedagogia da Terra é aquela que passa aos jovens e as futuras gerações valores que ajudem a construir um mundo de dignidade e harmonia, justiça, solidariedade, liberdade e prosperidade.

Na Carta da Terra (2000) é orientado que se deve “integrar na educação formal e aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável”, oferecendo a todos, oportunidades de educação que possibilitem participar ativamente para o desenvolvimento sustentável.

Para Dias (2004), a educação ambiental não deve seguir ensinamentos conservacionistas que conduzem ao uso racional dos recursos naturais, mas sim uma educação voltada para o meio ambiente que implica diretamente em uma mudança dos atuais valores e uma nova visão de mundo, que ultrapassa bastante o modelo conservacionista.

Apesar desse tema ser recente no Brasil, o histórico da educação ambiental é iniciado em 1975 com a Carta de Belgrado, que tem como principais objetivos para educação ambiental: 1-Conscientização; 2- Conhecimento; 3-Comportamento (Atitude); 4-Competência; 5-Capacidade de avaliação; 6-Participação. Baseado nesses objetivos ao analisar o ambiente escolar percebe-se um equívoco, pois muitas vezes a Educação Ambiental é tratada como um estudo de ecologia. O papel da educação ambiental é formar indivíduos mais críticos e participativos atuando na aplicação em todas as áreas de conhecimento a fim de proporcionar outra percepção mais ampla do problema. Sendo assim, a educação ambiental deve ser encarada como um assunto interdisciplinar com sua abordagem integrada e contínua, e não ser uma nova disciplina, ou seja, “A educação ambiental não deve ser implantada como uma disciplina no currículo de ensino em conformidade com a lei 9.795/99”.

Para ser tratada como um exercício de cidadania, o estudo do meio ambiente, deve abordar problemas existentes incentivando a participação da comunidade para a solução e melhoria do próprio meio. Nesse contexto o ambiente escolar é muito importante para educação ambiental, pois os alunos do ensino fundamental são bastante curiosos e abertos a novos conhecimentos, os mesmos adquirem conhecimentos com muita facilidade e é comum que ao chegar em casa repassem aquilo que aprenderam na escola, o que acaba levando e contribuindo para conscientização dos adultos.

Apesar de todos os esforços, sabe-se que a principal dificuldade encontrada na escola ocorre como reflexo da atual situação vivida pelos professores que não são valorizados como deveriam; recebem baixos salários e não tem motivação para ir além do que sua disciplina deve propor aos alunos. Estas atitudes contrariam o preconizado nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na Lei N° 9.795, de 27 de abril de 1999, pois os educadores não são estimulados e nem capacitados para desenvolver este tipo de trabalho.

Ao considerar a importância da temática ambiental é necessário que haja o desenvolvimento de conteúdos que possam contribuir com a conscientização dos educandos. Tendo em vista que os problemas ambientais podem ser solucionados mediante uma postura participativa de professores, alunos e sociedade, uma vez que a escola deve proporcionar, gerenciar e estimular possibilidades de sensibilização e motivação para um desenvolvimento ativo dos mesmos. Para que esse trabalho seja possível os educadores têm como desafio o trabalho em sala de aula com materiais didáticos, guias curriculares e projetos que incentivem a curiosidade, o debate, a reflexão sobre as questões ambientais e a construção de uma consciência crítica.

Acredita-se que a abordagem para a criação de uma ética ambiental na sociedade deverá ser sempre vinculada à possibilidade da participação política dos cidadãos. É necessário estabelecer uma nova aliança entre a humanidade e a natureza, pois os problemas ambientais foram criados por homens e mulheres e deles virão às soluções. Estas não serão obras de gênios, de políticos ou tecnocratas, mas sim de cidadãos e cidadãs, dotados de consciência ambiental, empenhados para prover um desenvolvimento sustentável.

 

4.    EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

 

Inicialmente, antes até de falar sobre as benesses de ensino do empreendedorismo para a sociedade e enfatizar o quão importante é o fato de nossas crianças crescerem com competências empreendedoras, deve-se pensar mais atentamente sobre a educação que vai possibilitar este fato.

Quando falamos sobre educação, os defensores mais exaltados desta temática costumeiramente citam Paulo Freire e sua célebre frase: “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

Ao concordar e adotar como verdadeira a frase de Freire, ninguém em sã consciência discordaria da importância da educação para o desenvolvimento da sociedade. Porém, como ponto de partida, há de se pensar qual o alicerce que sustenta a educação transformando as pessoas e consequentemente mudando o mundo.

Morin (2011), se referindo à esta educação, afirma que: “Vivemos sob o império da disjunção, de redução e de abstração, cujo conjunto constitui o que chamo de o “paradigma da simplificação”.

Ao refletir sobre a palavra “paradigma” pode-se depreender o sentido de algo consolidado, enraizado e, portanto, entranhado em nossa cultura. Algo que foi repetido tantas vezes que sequer questiona-se se é ou não verdade. Tão forte que já se consolidou entre nós como natural.

Porém, algo deve ser repensado, pois talvez, já tenha caído em desuso ou nem devesse sequer ter alcançado a importância que tem.

Morin (2011) critica, tal qual a segunda ótica mencionada, este paradigma e sutilmente sugere que repense ao dizer que: “a incapacidade de conceber a complexidade da realidade antropossocial, em sua microdimensão (o ser individual) e em sua macrodimensão (o conjunto da humanidade planetária), conduz a infinitas tragédias e nos conduz à tragédia suprema”.

Esta é uma crítica de fato pertinente, pois ao negligenciar a realidade complexa, a abordagem simplista já descarta aspectos que possuem, por si só, pesos relevantes e determinantes para uma ação educadora bem-sucedida. Logo, é urgente repensar que o que até então vinha sendo tratado como secundário, é de fato, parte fundamental.

A realidade local, contexto econômico, ambiental e cultural são aspectos que seguramente influem na educação, não podendo de forma alguma ser desconsiderado ou tratado como secundários. Quando abordadas em conjunto à experiência prévia do receptor para que a aprendizagem não seja desconexa de sua realidade, este ensino o torna um agente de mudanças de si e do local, promovendo a sensação de pertencimento que a educação precisa para ser transformadora de uma realidade.

Assim, com um olhar voltado para um formato de educação que esteja atento tanto ao externo quanto ao interno, se utilizando de todas os aspectos físicos e imateriais locais, será sim possível utilizar a educação como ferramenta transformadora.

Uma vez compreendendo a educação em sua dimensão abrangente, conscientizando-nos de sua total capacidade quando pensada e aplicada nos moldes citados, cabe mencionar a potencialização que esta terá o poder de promover nas outras áreas voltadas ao desenvolvimento local como, por exemplo, a ambiental, cultural, tecnológica e empreendedora.

Neste momento, nos deteremos na educação empreendedora por acreditar que no longo prazo esta tem possibilidades de formar pessoas que alteram o status quo, rompendo com a passividade característica do vitimismo instaurado em muitas localidades e promovendo, elas mesmas, desenvolvimento para suas vidas.

Quando não entendemos o significado de uma palavra, ou ainda, quando muita gente ainda nem sabe o que quer dizer, logo vem à frase o que é esse palavrão? Pois bem, é assim que a palavra Empreendedorismo vem causando incômodo na sociedade, e ela está invadindo as escolas e tornando a nova mania. Usado restritamente no meio empresarial, vem invadindo as escolas e causando certa polêmica. Tudo que é novo na educação gera esse fenômeno não seria diferente com o empreendedorismo.

O que mais é dito no modelo existente de educação é “onde vou usar isto!”, aspectos demasiadamente teóricos que muitas vezes não trazem o interesse para este aprendizado. E porque não inserir nestes mesmos aspectos teóricos uma dose de situações reais, problemas reais que são encontrados no cotidiano. Os parâmetros curriculares nacionais sugerem que ao ensinar a matemática, haja o convite a situações reais como forma de combater este modelo mecânico de ensino. É uma grande discussão com alguns aspectos, mas o quanto excelente não seria atividades como de criar/gerenciar um negócio de verdade, que seja uma loja de doces, iniciativa como esta oferece um desafio ao aluno onde o coloca a raciocinar e a pesquisar e pôr em prática conceitos de forma sólida.

É importante ressaltar que o conceito de empreendedorismo aqui colocado assemelha-se muito mais ao entendimento do protagonismo. Utiliza-se a palavra empreendedorismo, única e exclusivamente, com o enfoque pragmático da busca autônoma e a mobilização promovida para melhoria da coletividade pois partimos do princípio que qualquer mudança duradoura somente se processará de dentro (através da mobilização, organização e ação) para fora, culminando no apoio institucional ou financeiro do primeiro e segundo setor.

Silveira (2004) já afirmava isso quando dizia que: “as dinâmicas geradoras da desigualdade e exclusão não podem ser descontruídas pelo alto, ou por outros sistemas de fluxos apartados dos lugares.

Esta linha é melhor apreendida quando temos em mente que: “o Estado é necessário, mas não é suficiente, particularmente tendo em vista a magnitude das questões sociais a enfrentar” (DOWBOR; POCHMANN, 2004).

Logo, a mudança deve ocorrer por aqueles que instrumentalizados por uma educação que valoriza, entende e aceita suas realidades, permitem que estes formem massa crítica suficiente para se articularem, mobilizarem e cogerirem suas vidas, protagonizando assim a melhoria tão almejada por todos.

    

 

5.    EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

 

Historicamente, os primeiros registros de Educação à Distância datam do início do séc. XX. Alves (2007) reforça que por volta de 1900 já existiam anúncios em jornais oferecendo profissionalização por correspondência. Por volta de 1904 inicia uma parceria com escolas internacionais que ofereciam cursos voltados principalmente na área de comércio e serviços. O material didático utilizado era enviado por meio de correspondências, percorrendo assim os vinte primeiros anos. Em 1923 com o surgimento do rádio, surgiram programas educativos possibilitando maior alcance aos brasileiros permitindo uma expansão da educação. Porém esta estratégia só perdurou até 1930, com a redução de investimentos na Educação à Distância.

O próximo espaço educacional explorado na educação à distância, foi o cinema. Porém com poucos avanços visto que seus custos eram elevados.

A televisão seguiu como o substituto no ensino à distância nas décadas de 60 e 70. Foram criados diversos programas e canais educativos a partir de incentivo governamental com fins específicos de educação. No início dos anos 90 as emissoras de TV passaram a não ter mais a obrigação de transmitir os programas educacionais que haviam criado, o que significou um grande retrocesso. Porém, a Fundação Roberto Marinho manteve o seu programa educacional mais conhecido, o telecurso. Tal decisão, tem permitido acesso à educação na TV aberta (ALVES, 2007).

Em 1996 o Brasil conheceu a atual Lei de Diretrizes e Bases – LBD, onde a partir desta pôde ser garantida a Educação à Distância em todos os níveis. Este avanço possibilitou o funcionamento dos cursos de graduação e pós-graduação, assim como a educação básica, educação de jovens e adultos e educação especial.

A sociedade está se atualizando a cada dia. Desde a década de 90 com o acesso da população aos computadores e, em seguida, à internet, a Educação à Distância tem tido cada vez mais procura, uma vez que a tecnologia está em grande expansão e a informatização dos meios de comunicação facilitaram a vida das pessoas. Esta atende a necessidade de adquirir novas habilidades, com a ajuda dos recursos tecnológicos, além de flexibilidade de horários, autonomia e disciplina.

Em análise das vantagens e desvantagens desse método de estudo destaca-se que a maior vantagem é que o aluno tem mais liberdade para realizar as suas atividades e a maior desvantagem é o aluno não ter responsabilidade e comprometimento com prazos exigidos.

O curso online é economicamente mais viável, permitindo o acesso de diversas classes sociais, sem contar com os custos extras como: refeição, transporte e material didático. O ensino a distância beneficia cidadãos que residem em cidades do interior e que não teriam acesso à educação.

 A Educação à Distância garante a universalidade do acesso à educação, uma vez que não limita um espaço físico específico de estudo permitindo ao aluno ampliar seus conhecimentos, suas fontes de pesquisa e também o seu crescimento pessoal.

Como contribuição à sociedade, ao mercado de trabalho e à comunidade acredita-se que é vigente a necessidade de atentar para as inovações tecnológicas e criar novas possibilidades de ensino aprendizagem em todos os espaços que circulamos, estimulando e instigando os atores sociais.

 

6.    CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A educação passou por diversas transformações até os dias atuais e a mesma é trabalhada nos diversos campos dos saberes. Nesse contexto é notório que cada tipo de educação se soma de forma complementar fazendo uma grande teia de conhecimento, que serve para criar uma consciência crítica, possibilitando que a comunidade possa ter acesso não só a informação, mas também a reflexão mais profunda sobre as questões da formação do indivíduo para o desenvolvimento sustentável.

A Educação Tradicional entra como principal método utilizado pela sociedade atual. Porém com o avanço da tecnologia este método pode ser melhorado pela Educação à Distância.

A Educação à Distância tem o potencial de democratizar o acesso à educação devido a melhoria dos meios de comunicação e tecnológicos.

A Educação Ambiental, mesmo com políticas que a incentivam, é pouco difundida no ambiente escolar demostrando assim que há um grande trabalho para ser desenvolvido por parte das escolas e universidades.

 Da mesma forma a Educação Empreendedora não é incentivada pelo pouco conhecimento do tema e dificuldade de aplicação nos conceitos da Educação Tradicional, ou seja, infelizmente não temos um ensino voltado para a preparação pragmática da teoria ensinada ao indivíduo.

Conclui-se, portanto, que entender a educação em sua forma ampla e em seus diversos aspectos constitui um desafio para todos os envolvidos, porém, é de suma importância seu estudo para a correta utilização da educação como instrumento de intervenção ecossocioeconômico para o desenvolvimento local.

Considera-se que este artigo ainda é inconclusivo e bastante amplo devido à complexidade do tema, portanto, propõe-se para futuras pesquisas análises mais focadas e restritas a uma área especifica para melhor compreensão do seu impacto na sociedade.

 

7.    REFERÊNCIAS

 

———. Desenvolvimento local e redes socioprodutivas. In: SILVEIRA, C. M. e REIS, L. C. (orgs.). Desenvolvimento local: dinâmicas e estratégias. Rio de Janeiro, Rits, 2004.

ALMEIDA, M. E. B. Tecnologia e educação a distância: abordagens e contribuições dos ambientes digitais e interativos de aprendizagem. Revista Brasileira de Educação a Distância, p. 6, 2011.

ALVES, J.R.M. A História da Educação a Distância no Brasil. Publicação do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação, n. 82, 2007

BARRETO, L.S. Educação a distância: perspectiva histórica. As bases legais da educação a distância no brasil, p. 7, 2010.

BELLO, J. L.de P. Educação no Brasil: a História das rupturas. Pedagogia em Foco, Rio de Janeiro, p. 1-13, 2001.

BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano: compaixão pela terra. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

BRANDÃO, CR. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 1981.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

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