ISSN 1678-0701
Número 61, Ano XVI.
Setembro-Novembro/2017.
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Relatos de Experiências

11/09/2017PROPOSTA DE AUDITORIA AMBIENTAL EM LABORATÓRIOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE  
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AUDITORIA AMBIENTAL EM LABORATÓRIOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE

PROPOSTA DE AUDITORIA AMBIENTAL EM LABORATÓRIOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE

 

Aline Aparecida Thomaz Pereira, Especialista em Gestão de Emergências em Saúde Pública (Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, São Paulo, 2016); Especialista em Vigilância em Saúde Ambiental (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014); Graduada em Ciências Biológicas (Centro Universitário UNA, Belo Horizonte, 2012). E-mail: lineathomaz@yahoo.com.br.

 

Marcos Paulo Gomes Mol, Doutor em Saneamento e Meio Ambiente (Universidade Federal de Minas Gerais, 2016); Graduado em Engenharia Ambiental (Universidade Federal de Ouro Preto, 2006); Pesquisador da Fundação Ezequiel Dias (FUNED), Rua Conde Pereira Carneiro, 80, bairro Gameleira, Belo Horizonte – MG. CEP 30510-010. Telefone: (31) 3314-4950; E-mail: marcos_mol@yahoo.com.br

 

 

 

RESUMO

O correto manejo dos resíduos de serviço de saúde (RSS) está vinculado à prevenção da saúde e do meio ambiente. Com base nas dificuldades encontradas durante o gerenciamento dos RSS, este trabalho propôs um checklist a ser utilizado como ferramenta para a realização de auditorias ambientais focadas em laboratórios de análise epidemiológica e vigilância sanitária. As ações foram divididas em três etapas: avaliação das áreas de estudo com identificação de irregularidades e deficiências ambientais; elaboração de um checklist com as principais incidências diagnosticadas; observação das recorrências de não-conformidades e comunicação com as áreas para proporcionar oportunidade de justificar os motivos de não adequação. Foi possível concluir que as falhas na identificação das lixeiras e a ausência de registros comprovando a higienização das lixeiras foram mais recorrentes. A realização das auditorias se mostrou adequada para monitorar e direcionar melhorias nos processos laboratoriais e de geração de resíduos.

 

PALAVRAS-CHAVE: Resíduos de Serviço de Saúde; Prevenção da Saúde; Impactos Ambientais; Auditoria; Gerenciamento de Resíduos


ENVIRONMENTAL AUDIT PROPOSAL OF HEALTH CARE LABORATORIES

 

 

Abstract

 

The correct management of Health Care Waste (HCW) is associated to the health and environment protection. Based on the difficulties during waste management, this study intends to propose a checklist to be used as a tool for environmental assessment focused on the management of HCW in laboratories of epidemiological analysis and health monitoring. The actions were divided into three stages: a report that identified environmental irregularities and deficiencies; propose of checklist to diagnose impacts; opportunity to explain or justify the reasons why the environmental improvements were not undertaken. The most frequent non-compliances were failures in identifying the bins and lack of records demonstrating the cleaning of containers. The audits proved adequate for monitoring and guiding improvements in laboratory and waste management processes.

 

KEY WORDS: Health Care Waste; Health Protection; Environmental Impacts; Audit; Waste Management

 

 

AUDITORÍA AMBIENTAL PROPUESTA PARA LABORATORIOS DE SALUD

 

RESUMEN

 

La correcta gestión de residuos de servicios de salud (RSS) está vinculada a la protección de la salud y el medio ambiente. Basado en el contexto de las dificultades encontradas en la gestión de residuos, este estudio pretendió proponer una lista de control para ser utilizado como una herramienta para la evaluación ambiental centrado en la gestión de los RSS en los laboratorios de análisis epidemiológico y vigilancia de la salud. Las acciones se dividieron en tres etapas: inspección que identificó las irregularidades y deficiencias ambientales; desarrollo de una lista de control de los principales impactos diagnosticados; oportunidad de justificar las causas por las mejoras ambientales no se llevaron a cabo. Los más frecuentes incumplimientos fueron la identificación inadecuada de los contenedores y la falta de registros dela limpieza de contenedores. Las auditorías resultaron adecuado para el seguimiento y la mejora de los procesos de laboratorio y gestión de residuos.

 

PALABRAS CLAVE: Residuos de servicios de salud; Protección de la salud; Impactos ambientales; Auditoría; Gestión de residuos


INTRODUÇÃO

 

Dentre os diferentes tipos de resíduos sólidos gerados em centros urbanos, os resíduos de serviços de saúde (RSS) merecem destaque devido à possibilidade de possuírem concentrações significativas de agentes biológicos e químicos, algumas vezes associados à presença de resíduos perfurocortantes.

Os RSS são originados em quaisquer atividades de natureza médico-assistencial humana ou animal, que incluem clínicas odontológicas, veterinárias, farmácias, centros de pesquisa, necrotérios, funerárias, medicina legal e barreiras sanitárias. Tais atividades possuem potencial de geração de resíduos infectantes, tais como culturas, vacinas vencidas, sangue e hemoderivados, tecidos, órgãos, produto de fecundação, materiais resultantes de cirurgia, agulhas, ampola, pipeta, bisturi, animais contaminados, resíduos que entraram em contato com pacientes, além de resíduos especiais que incluem rejeitos radioativos, medicamentos vencidos, resíduos químicos perigosos e também os resíduos comuns, que não entram em contato com pacientes (Anvisa, 2006).

Embora representem uma pequena parcela em relação aos resíduos sólidos gerados em centros urbanos, os RSS podem ser potenciais fontes de disseminação de doenças, colocando em risco os profissionais que atuam nos estabelecimentos geradores desses resíduos, os usuários desses serviços e os profissionais que atuam no seu gerenciamento (Who, 2015). A segregação dos RSS no momento da sua geração é imprescindível para proporcionar o gerenciamento adequado dos riscos, diferenciando os resíduos que apresentam maiores riscos ocupacionais ou ambientais.

Segundo a RDC ANVISA Nº 306/2004, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviço de saúde, os RSS são classificados como: Grupo A: infectantes; Grupo B: químicos; Grupo C: radioativos; Grupo D: comuns; e Grupo E: perfurocortantes. Há, dentre os resíduos de risco biológico ou infectante, uma subdivisão dependendo das características do resíduo, podendo ser enquadrados em subgrupos A1, A2, A3, A4 ou A5 (Brasil, 2004).

Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que aproximadamente 85% dos resíduos gerados pelas atividades de saúde são considerados resíduos sólidos não perigosos. Os demais 15% são constituídos por materiais perigosos que podem ser infecciosos, tóxicos ou radioativos (Who, 2015). Chaerul, Tnaka e Shekdar (2008), Soliman e Ibrahim Ahmed (2007) e Pruss, Giroult e Rushbrook (1999) identificaram que entre 75 a 90% de todos os RSS gerados em estabelecimentos de saúde são classificados como não perigosos, enquanto apenas os demais 10 a 25% apresentam características de periculosidade. A variação do percentual de RSS classificados como perigosos nos estabelecimentos de saúde pode ser influenciada pelas estruturas das unidades de saúde, tipo de atividade, grau de desenvolvimento do país, entre outros fatores (Thakur & Ramesh, 2015).

De todos os tipos de RSS gerados, os perfurocortantes representam uma pequena parcela e merecem cuidado especial por representarem risco de infecção por agentes patogênicos ou outras contaminações em casos de acidentes.

A avaliação de riscos reais e potenciais inerentes aos resíduos podem ser incorporados à definição de RSS. Segundo Mühlich, Scherrer e Daschner (2003), esta questão se reflete nas diferentes definições estabelecidas por países europeus, sendo que alguns consideram as definições estritas de cada patógeno que teve contato com os materiais que originaram o resíduo estão relacionados com a magnitude do risco, enquanto que para outros países, os resíduos são classificados em termos de sua origem e atividade produtiva que o gerou, ou seja, os riscos não são especificados em maior detalhe.

No contexto do gerenciamento de RSS, a RDC ANVISA Nº 306/2004 e a Resolução CONAMA Nº 358/2005 atribuem ao gerador de RSS a responsabilidade pelo gerenciamento destes resíduos, desde a geração até a disposição final (Brasil, 2004; Brasil, 2005). A gestão adequada dos resíduos sólidos constitui-se num dos grandes desafios a serem enfrentados dentro da problemática do saneamento ambiental.

Considerando que a segregação dos RSS, no momento e local de sua geração, permite a redução do volume de resíduos perigosos e a incidência de acidentes ocupacionais, surge daí a necessidade da realização periódica de inspeções e auditorias internas que retratem, de forma objetiva, as condições do gerenciamento de resíduos dentro de estabelecimentos de serviço de saúde. Como proposta de ação voltada à avaliação do processo de gerenciamento de RSS, este estudo tem como objetivo propor um checklist a ser utilizado como ferramenta para a realização de auditorias ambientais focadas no gerenciamento dos RSS em laboratórios de análise epidemiológica e de vigilância sanitária.

 

MÉTODOS E PROCEDIMENTOS

 

O presente trabalho consiste em um estudo descritivo e avaliativo do processo de gerenciamento de resíduos dentro de uma instituição de atendimento à saúde pública. A coleta de dados foi realizada nos meses de julho e outubro de 2012.

As atividades foram divididas em três etapas. Na primeira, realizada no mês de julho de 2012, após inspeção interna, foi elaborado um relatório o qual descreveu as principais irregularidades e deficiências ambientais encontradas na área de estudo. Na segunda etapa, realizada no mês de outubro, foi elaborado um checklist com a relação de itens que se mostraram recorrentes no primeiro relatório. Já na terceira etapa, realizada no mês de novembro, a área de estudo avaliada teve a oportunidade de justificar, através de questionário, os motivos pelos quais as adequações relacionadas ao gerenciamento de resíduos não foram realizadas, considerando o intervalo entre as duas inspeções: julho a outubro de 2012.

O estudo foi realizado em 14 setores geradores de RSS de uma instituição localizada na cidade de Belo Horizonte/MG. O estabelecimento promove ações de atendimento à saúde pública, em especial, a realização de análises laboratoriais.

Durante a primeira inspeção nas áreas geradoras de RSS, houve orientações e questionamentos direcionados aos técnicos e colaboradores dos setores visitados, por serem esses os responsáveis pela segregação e acondicionamento inicial dos resíduos gerados. Observações foram registradas durante as visitas e estruturadas, permitindo posteriormente a elaboração de comunicados aos setores visitados, solicitando providencias para sanar as irregularidades verificadas. Estimou-se um prazo máximo de 30 dias para solucionar as intercorrências, considerando baixa a complexidade das intervenções.

Baseando-se nos itens não conformes mais frequentes e nas práticas e procedimentos essenciais ao contexto do gerenciamento de resíduos da instituição, foram enumeradas 17 falhas com alto índice de recorrência. A saber: lixeiras que não atendem às características definidas pela legislação (com tampa e pedal); lixeiras de resíduos infectantes sem devida identificação; descarte de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) em lixeira inadequada; kits de coleta seletiva (lixeiras sem tampa destinadas à coleta seletiva) em áreas de laboratório; reposição insuficiente ou inadequada de sacos plásticos para coleta de resíduos; ausência de registros que comprovem a higienização das lixeiras; ausência de suporte para coletor de perfurocortantes; segregação inadequada de resíduos químicos; lixeiras de resíduo comum sem devida identificação; lixeiras sem saco plástico; bombonas e cubas de aço utilizadas para descarte sem devida identificação; sacos plásticos com resíduos dispostos no chão; recipientes utilizados como descarte temporário sem devida identificação; falhas no acondicionamento dos resíduos em sacos plásticos nas cores indicadas; utilização de caixas de papelão ou de isopor como lixeira; recipientes no interior de cabines de segurança biológica sem devida identificação e salas ou área para estoque provisório de resíduos sem devidas identificações.

A relação das falhas apresentadas foi estruturada em um questionário direto, com 3 (três) opções de resposta para cada questionamento: “sim”, “não” ou “não se aplica”. Foi inserido ainda um campo de preenchimento livre para a inserção de observações alusivas ao item verificado. Os questionários foram identificados pelo nome do setor auditado, pelo nome do responsável pelas informações fornecidas, data da auditoria e nome do responsável pela coleta de dados.

A partir da finalização do checklist de auditoria ambiental, foram realizadas inspeções em 14 setores da área de estudo (estabelecimento gerador de RSS); assim como na primeira inspeção, realizada no mês de julho de 2012, as indagações foram direcionadas aos técnicos, colaboradores e/ou responsáveis pelo setor inspecionado. O modelo completo do checklist encontra-se no apêndice deste artigo.

Após a realização das inspeções, foi elaborado novo formulário o qual objetivou levantar os motivos pelos quais as irregularidades não haviam sido corrigidas. Para que a recorrência das falhas fosse justificada, foram formuladas quatro alternativas de resposta: 1) incompreensão das orientações dadas durante a primeira inspeção; 2) ausência de orientação sobre a falha mencionada; 3) não correção da falha por motivo interno/externo do próprio setor ou 4) outro motivo.

Os questionários foram criados em padrão personalizado, dessa forma somente as falhas encontradas em cada setor eram transcritas para o questionário. As opções de resposta eram comuns a todos os questionamentos. Os formulários foram encaminhados, via correio eletrônico, aos responsáveis pelos setores visitados no mês de novembro de 2012.

 

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

 

As avaliações ambientais realizadas no mês de julho de 2012 levantaram várias não-conformidades relacionadas ao gerenciamento de resíduos, que não haviam sido padronizadas anteriormente em outros instrumentos. Por se tratar de uma nova proposta, diferente das auditorias ambientais que ocorriam antes, não havia referência do cenário vivenciado pela instituição antes da realização da primeira inspeção. Tendo em vista os 17 itens selecionados para a avaliação do gerenciamento de resíduos na instituição, a frequência dos resultados da inspeção de julho de 2012 está apresentada na Figura 1.

Figura 1. Falhas relacionadas ao gerenciamento de resíduos nas áreas de estudo em julho de 2012.

Fonte: Dados de Pesquisa.

Tipo de não conformidade:

1. Todas as lixeiras da área atendem às características exigidas pela legislação? (com tampa e pedal).

2. As lixeiras apresentam identificação correta? (simbologia e inscrições - subgrupo a qual pertencem).

3. Os EPI’s são descartados em lixeira apropriada? (lixeira de material contaminado).

4. Há segregação de recicláveis em área de laboratório? (kits de coleta seletiva).

5. Há reposição frequente e adequada de sacos plásticos para a coleta de resíduos?

6. Há registros/procedimentos que contemplem a limpeza das lixeiras?

7. Há suporte para os coletores de perfurocortantes?

8. Os resíduos químicos são segregados e

recolhidos de forma adequada? (se líquidos em bombonas, se sólidos em sacos verdes).

9. Lixeiras de “resíduo comum” e “não recicláveis” apresentam devida identificação?

10. Há lixeira sem saco plástico?

11. Bombonas e cubas de aço são devidamente identificadas quando em uso?

12. Há sacos plásticos com resíduo no chão?

13. Recipientes utilizados como descarte temporário estão devidamente identificados?

14. As cores dos sacos plásticos correspondem corretamente aos resíduos acondicionados?

15. Bombonas, caixas de papelão ou de isopor são utilizadas como lixeira?

16. Recipientes no interior de Cabine de Segurança Biológica estão devidamente identificados?

17. Salas ou áreas para estoque provisório de resíduos estão corretamente identificadas?

 

A elaboração de um instrumento que direcionasse a inspeção contribuiu de forma significativa para o reconhecimento do perfil de geração e manejo interno dos RSS das áreas estudadas. Através do checklist, foi possível identificar os pontos de fragilidade dos laboratórios inspecionados, e posteriormente, criar uma oportunidade de diálogo entre os auditores e as áreas auditadas, favorecendo dessa maneira a solução das não-conformidades identificadas. O checklist se mostrou estratégico para a solução dos desafios específicos enfrentados por cada área auditada, permitindo uma avaliação exclusiva, diferente de outros modelos de indicadores mais gerais que podem ser encontrados na literatura. Ventura, Reis e Takayanagui (2010), por exemplo, elaboraram um modelo de avaliação do gerenciamento de RSS em estabelecimentos de saúde, através de indicadores de desempenho, que indica uma avaliação abrangente do estabelecimento.

Outro aspecto a ser observado refere-se à obrigatoriedade de monitoramento dos RSS direcionado aos estabelecimentos geradores destes resíduos e que, segundo RDC ANVISA Nº 306/2004, determina a responsabilidade do gerador de RSS em elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde – PGRSS, baseado nas características dos resíduos gerados e em suas respectivas classificações (Brasil, 2004). O PGRSS a ser elaborado deve ser compatível com as normas locais relativas à coleta, transporte e disposição final dos resíduos gerados nos serviços de saúde. O checklist favorece na consolidação do monitoramento previsto no PGRSS.

O estabelecimento estudado possuía PGRSS aprovado e implantado, sendo este documento referência para a criação do checklist e realização das inspeções. A partir da primeira inspeção e da formalização aos gestores das falhas encontras, foi realizada uma nova inspeção, em outubro de 2012, visando verificar a reação dos setores inspecionados após a primeira intervenção. A incidência das falhas observadas na segunda etapa do estudo está apresentada na Figura 2.

Figura 2. Falhas relacionadas ao gerenciamento de resíduos nas áreas de estudo em outubro de 2012.

Fonte: Dados de Pesquisa.

Legenda:

Tipo de não conformidade:

1. Todas as lixeiras da área atendem às características exigidas pela legislação? (com tampa e pedal).

2. As lixeiras apresentam identificação correta? (simbologia e inscrições - subgrupo a qual pertencem).

3. Os EPI’s são descartados em lixeira apropriada? (lixeira de material contaminado).

4. Há segregação de recicláveis em área de laboratório? (kits de coleta seletiva).

5. Há reposição frequente e adequada de sacos plásticos para a coleta de resíduos?

6. Há registros/procedimentos que contemplem a limpeza das lixeiras?

7. Há suporte para os coletores de perfurocortantes?

8. Os resíduos químicos são segregados e

recolhidos de forma adequada? (se líquidos em bombonas, se sólidos em sacos verdes).

9. Lixeiras de “resíduo comum” e “não recicláveis” apresentam devida identificação?

10. Há lixeira sem saco plástico?

11. Bombonas e cubas de aço são devidamente identificadas quando em uso?

12. Há sacos plásticos com resíduo no chão?

13. Recipientes utilizados como descarte temporário estão devidamente identificados?

14. As cores dos sacos plásticos correspondem corretamente aos resíduos acondicionados?

15. Bombonas, caixas de papelão ou de isopor são utilizadas como lixeira?

16. Recipientes no interior de Cabine de Segurança Biológica estão devidamente identificados?

17. Salas ou áreas para estoque provisório de resíduos estão corretamente identificadas?

 

Comparando as informações das Figuras 1 e 2, constata-se que a maioria dos itens auditados tiveram uma redução da frequência de registro de não-conformidade, como esperado, uma vez que as áreas foram instruídas sobre a causa das falhas e tiveram tempo suficiente para proporcionar as melhorias necessárias. Por outro lado, algumas não-conformidades demonstraram aumento de frequência, como é o caso dos itens 1, 3 e 9, que estão associados a adequação das lixeiras, descarte de EPI e identificação dos recipientes de descarte de resíduos, respectivamente. Tal aumento foi proveniente de modificações nos critérios de avaliação, após os auditores considerarem que os critérios deveriam ser mais rigorosos uma vez que as áreas receberam informações sobre as necessidades de melhoria.

Considerando que todas os 14 setores visitados apresentaram pelo menos 1 (um) tipo de não-conformidade, apenas 9 (nove) executaram a terceira etapa do estudo, justificando o motivo pelo qual não realizaram a correção das falhas identificadas em julho de 2012 e reincidentes em outubro de 2012. Em um total de 23 (vinte e três) ocorrências, as justificativas apresentadas podem ser observadas na Figura 3.

Figura 3. Justificativa para a não correção das falhas identificadas.

Fonte: Dados de Pesquisa

Legenda:

Justificativa A: As informações dadas durante a primeira inspeção não foram claras.

Justificativa B: O auditor não deu orientações sobre essa falha na primeira inspeção.

Justificativa C: A área não realizou a correção por motivos interno/externo.

Justificativa D: Outro motivo

N.A.: Justificativa não condizente com o contexto da pesquisa.

 

A finalidade da terceira etapa era justamente responsabilizar as chefias das áreas em relação aos itens que se mantiveram não-conformes após a segunda auditoria. Como indicado na Figura 3, falhas de comunicação foram as principais justificativas apresentadas pelas áreas auditadas. De fato, trabalhar na formação dos trabalhadores é ação contínua, que deve ser intensificada através de educação ambiental, conforme previsto na RDC Anvisa nº306/04 (Brasil, 2004).

As verificações periódicas do gerenciamento dos RSS mostram-se eficazes para permitir a melhoria contínua do processo, especialmente neste caso em que a participação dos indivíduos envolvidos com a geração dos RSS é imprescindível para tornar possível todo o processo de gerenciamento. Caso haja mistura dos resíduos no momento da geração, uma parcela dos RSS não perigoso deverá ser destinado como resíduo sólido perigoso (Chaerul et al., 2008).

Segundo Confortin (2001), o gerenciamento incorreto dos RSS na fase intraestabelecimento, na hipótese de uma segregação inadequada dos resíduos sólidos contaminados com agentes químicos ou infectantes, pode contribuir para o aumento de riscos aos trabalhadores envolvidos com a coleta e destinação dos RSS. Fora do estabelecimento de saúde, nos casos em que houver o mau gerenciamento dos resíduos sólidos, pode haver risco para as pessoas que transitam nas proximidades ou na área de disposição dos RSS, em contrair doenças por vetores encontrados nestes locais (Almeida, 2003; Barros, 2012).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A ferramenta da auditoria aplicada na avaliação do gerenciamento dos RSS da instituição selecionada neste estudo mostrou-se satisfatória por favorecer a identificação dos principais problemas recorrentes na rotina dos laboratórios, estando vários destes vinculados às falhas na comunicação e capacitação dos profissionais. A evidência criada permite ao gestor atuar na origem das não-conformidades, buscando assim implementar um sistema de melhoria contínua, que é a principal proposta dos sistemas de qualidade. O checklist proposto permitiu identificar os pontos de fragilidade dos laboratórios inspecionados e favoreceu no diálogo entre os auditores e as áreas inspecionadas, fator importante na solução das não-conformidades identificadas.

Espera-se que o modelo apresentado neste artigo possa ser replicado a outros estabelecimentos similares, como uma forma de aprimorar o sistema de gerenciamento dos RSS. Modificações no checklist devem ser feitas confirme as necessidades dos usuários.

 

REFERÊNCIAS

 

  1. Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2006). Manual de gerenciamento de resíduos de serviço de saúde. Brasília: Ministério da Saúde.
  2. Almeida, V. L. D. (2003) Modelo para diagnóstico ambiental de estabelecimentos de saúde. 2003. 131 f. Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção. Programa de Pós- Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Florianópolis.
  3. Barros, R. T. V. (2012) Elementos de Gestão de Resíduos Sólidos. Belo Horizonte. Ed. Tessitura.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. (2004) Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Resolução n° 306 de 7 de dez. de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, 10 de dez. de 2004.
  5. Brasil. Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA (2005). Resolução 358, de 29 de abril de 2005 – Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Data da legislação: 29/04/2005 - Publicação Diário Oficial da União, Brasília, 04 de maio de 2005.
  6. Chaerul, M., Tnaka, M., & Shekdar, V. A. (2008) A system dynamics approach for hospital waste management. Waste Management 28: 442–449.
  7. Confortin, A. C. (2001) Estudo dos resíduos de serviços de saúde do hospital regional do oeste/SC. 202f. 2001. Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina.
  8. Mühlich, M., Scherrer, M., & Daschner, F. D. (2003) Comparação do gerenciamento de resíduos infectantes em hospitais europeus. Journal of Hospital Infection. 55, 260–268.
  9. Pruss, A., Giroult, E., &Rushbrook, P. (1999) Safe Management of Wastes from Health-Care Activities. Geneva: World Health Organization.
  10. Soliman, S. M., & Ibrahim Ahmed, A. I. (2007) Overview of biomedical waste management in selected Governorates in Egypt: A pilot study. Waste Management 27: 1920–1923.
  11. Thakur V., & Ramesh A. (2015) Healthcare waste management research: A structured analysis and review (2005–2014). Waste Management & Research, Vol. 33(10) 855–870.
  12. Ventura, K. S., Reis, L. F. R., & Takayanagui, A. M. M. (2010) Avaliação do gerenciamento de resíduos de serviços de saúde por meio de indicadores de desempenho. Engenharia Sanitária e Ambiental. v.15 n.2; abr/jun; 167-176.
  13. Who. World Health Organization (2015). Wastes from health-care activities. World Health Organization, http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs253/en/ 2015. Acesso em: 16/07/2016.

APÊNDICE

SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL

QUESTINÁRIO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL

 

DIRETORIA:

DIVISÃO:

UNID. ADMINISTRATIVA:

DATA:

REPRESENTANTE DA ÁREA:

 

RESPONSÁVEL PELA INSPEÇÃO:

1. Todas as lixeiras da área atendem às características exigidas pela legislação? (com tampa e pedal).

 

Se NÃO: Quantas? 

Qual a principal falha?

(  ) Tampa

(  ) Pedal

Obs. ____________________________________

2. As lixeiras apresentam identificação correta? (simbologia e inscrições - sub-grupo a qual pertencem).

 

 

Se NÃO: Quantas?

Qual a principal falha ?

(  ) Simbologia

(  ) Inscrições

Obs. ____________________________________

3. Os EPI’s são descartados em lixeira apropriada? (lixeira de material contaminado).

4. Há segregação de recicláveis em área de laboratório? (kits de coleta seletiva).

 

 

 

 

5. Há reposição frequente e adequada de sacos plásticos para a coleta de resíduos?

 

 

6. Há registros/procedimentos que contemplem a limpeza das lixeiras?

 

Se SIM: (  ) Registro    (  ) Procedimento. Obs:____________________________________

7. Há suporte para os coletores de perfurocortantes?

 

 

 

 

8. Os resíduos químicos são segregados e

recolhidos de forma adequada? (se líquidos em bombonas, se sólidos em sacos verdes).

 

 

Se NÃO: Qual a principal falha?

(  ) Sólidos  (  ) Líquidos

 

Obs. ____________________________________

9. Lixeiras de “resíduo comum” e “não recicláveis” apresentam devida identificação?

 

 

 

 

Se NÃO:

(  ) Identificação incompleta .

(  ) Ausência de identificação.

10. Há lixeira sem saco plástico?

 

11. Bombonas e cubas de aço são devidamente identificadas quando em uso?

12. Há sacos plásticos com resíduo no chão?

13. Recipientes utilizados como descarte temporário estão devidamente identificados?

14. As cores dos sacos plásticos correspondem corretamente aos resíduos acondicionados?

15. Bombonas, caixas de papelão ou de isopor são utilizadas como lixeira?

16. Recipientes no interior de Cabine de Segurança Biológica estão devidamente identificados?

17. Salas ou áreas para estoque provisório de resíduos estão corretamente identificadas?

 

 

NA : Não se aplica.

Informação em negrito (Sim / Não): Não conformidade.

 



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