ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
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10/03/2018USO DE ATIVIDADES LÚDICAS PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO MUNICÍPIO DE MAMANGUAPE-PB.  
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USO DE ATIVIDADES LÚDICAS PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO MUNICÍPIO DE MAMANGUAPE-PB.



Tarcianne Maria de Lima Oliveira¹; Anderson Alves dos Santos²

¹Mestranda em Ecologia e Monitoramento Ambiental (UFPB).

²Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UFPE) – Professor Adjunto do Departamento de Engenharia e Meio Ambiente (UFPB).



RESUMO

A educação ambiental deve servir não só para transmitir conhecimentos, mas também para desenvolver habilidades e atitudes que permitam o ser humano atuar no processo de manutenção do equilíbrio ambiental garantindo uma qualidade de vida saudável. Diante desta realidade, tomamos para objetivo desta pesquisa, analisar o uso de atividades lúdicas no processo de ensino-aprendizagem da educação ambiental no ensino fundamental I, nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental Padre Geraldo e Inácio Serrano de Andrade, na cidade de Mamanguape-PB. A pesquisa tem caráter exploratório de cunho qualitativo, uma vez que possibilita aos alunos colaboradores pensar livremente sobre o tema. Para a realização do projeto foi utilizada a prática de ensino formal nas turmas de 4º e 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Geraldo, na cidade de Mamanguape-PB e nas turmas de 4º e 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Inácio Serrano de Andrade, na cidade de Mamanguape-PB, foi utilizado atividades de educação lúdica. Para coleta de informações sobre o grau de conhecimento dos alunos no que se refere às questões ambientais, foi solicitado aos mesmo que se expressassem por meio de desenhos anterior e posteriormente as atividades desenvolvidas em sala, avaliando assim de maneira qualitativa o nível de absorção de informação dos alunos. No desenvolvimento desta pesquisa podemos observar um significativo melhoramento na assimilação de conhecimento pelos alunos das turmas onde foram ministradas as aulas lúdicas com relação às turmas onde foram ministradas as aulas teóricas, indicando que a associação do jogo educacional e a educação ambiental foi eficaz na proposta pedagógica. E diante dos resultados desta pesquisa, conclui-se que a aplicação de atividades lúdicas em educação é uma alternativa eficaz e pode ajudar na compreensão da importância da educação ambiental, porém requer um envolvimento maior do professor com a turma e, principalmente, com o conceito a ser explorado.


PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental, Ensino Fundamental I, Atividades Lúdicas.



THE USE OF LUDIC ACTIVITIES AS A TEACHING AND LEARNING APPROACH IN ENVIRONMENTAL EDUCATION IN THE CITY OF MAMANGUAPE – PB



ABSTRACT


Environmental Education should not only be assigned for the dissemination of knowledge, but also to allow students to develop attitudes and skills that will help them take action to improve the environment. The objective of this research is to analyze the use of ludic activities as a teaching and learning approach in Environmental Education at the following elementary schools in the city of Mamanguape – PB: Padre Geraldo and Inácio Serrano de Andrade Elementary School. This is considered a qualitative and exploratory research since it allows students to think freely about environmental issues. In the 4th and 5th grade at Padre Geraldo Elementary School, formal teaching methods were used in the classroom. Otherwise, ludic activities were introduced in the same grades at Inácio Serrano de Andrade Elementary School. In order to collect data on how much knowledge students have on the topic of environmental issues, they were asked to draw the activities assigned in class before and after the activities were actually put into action. Consequently, it was possible to analyze the amount of information students had actually assessed in class. In the course of this research we could observe there was a meaningful improvement of knowledge assessment regarding environmental issues at the school where ludic activities were used compared to those where only formal practices were applied. In conclusion, this study points out that the association of educational games and Environmental Education is an effective pedagogical tool. Results show that the use of ludic activities in the classroom is an effective way to help students become aware of the importance of Environmental Education and the way they can take action to improve the Earth. Finally, it is necessary to highlight that teachers must be aware of the issues that will be exploited in the classroom as well as be more involved with students.


KEYWORDS: Environmental Education, Elementary Education, Ludic Activities.



INTRODUÇÃO

A educação ambiental possui por objetivo a formação de pessoas conscientes e comprometidas com o meio ambiente local e global, entendendo que este não se limita ao ambiente biológico e físico, mas abrange também os cuidados com as relações sociais, econômicas e culturais. A educação ambiental ela desenvolve habilidades e atitudes que conduzem o ser humano atuar no processo de manutenção do equilíbrio ambiental garantindo uma qualidade de vida saudável.


Cada dia mais a educação ambiental se torna um instrumento indispensável para a mudança da realidade que a sociedade atual se encontra, e esse reconhecimento também se traduz na criação de normas que fomentam o desenvolvimento da Educação Ambiental, a exemplo da Política Nacional de Educação Ambiental. Mas para se ter resultados positivos é preciso que a educação ambiental seja desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal, por meio de metodologias que venham a favorecer a promoção do processo de assimilação de conhecimento, promovendo a multiplicação dos saberes ambientais (Brasil, 1999).


É natural que quanto antes se inicie o processo de aplicação da educação ambiental, mais cedo os objetivos serão alcançados, sendo assim, são as crianças o público ideal para desenvolver a educação ambiental que conscientiza as pessoas e forma cidadãos sobre a importância do meio ambiente e do desenvolvimento das boas práticas ambientais.


E é o ambiente escolar um dos primeiros passos para a conscientização desses futuros cidadãos para com o meio ambiente, promovendo uma aprendizagem permanente e que tem objetivo de estabelecer valores que contribuam para a transformação humana e social, acarretando em mudanças de hábitos e atitudes relacionados à preservação, que consequentemente será transmitido para toda sociedade. As crianças se encontram em momento de descoberta, tudo é novo e estimula a uma forma de concretizar as suas ideias e o educador entra nesse campo do conhecimento como um interlocutor, já que ele é formador de opinião e compartilha a sua metodologia pedagógica para despertar e sensibilizar para o entendimento da importância do meio ambiente. (Santos e Silva, 2017).


Porém, a falta de consciência ambiental dos alunos é decorrente da estrutura educacional, que por causa da pouca preocupação socioambiental e a ausência desta discussão na escola, resultam em cidadãos com hábitos e comportamentos prejudiciais ao meio ambiente, não porque pretendiam ser assim, e sim, por não terem recebido uma educação que os despertaram para essas questões.


A Lei Nº 9.795, de 27 Abril de 1.999, determina que a educação ambienal não seja trabalhada na forma de disciplina especifica, mas que permeie o currículo das disciplinas. Devendo ter na perspectiva da transversalidade a estratégia metodológica, o que tem se revelado um desafio que as escolas vêm enfrentando com muitas dificuldades, seja pelo programa estritamente fechado em seus conteúdos e carga horária, seja pelo pouco interesse, por parte dos professores, em atividades diferentes do tradicional.


A temática ambiental, em muitas instituições de ensino, é abordada nas disciplinas de Geografia e Ciências, quando na verdade, deveria ser trabalhada em todas as matérias ministradas em sala de aula. Desta forma o caráter integrador do meio ambiente acaba permanecendo na teoria, o que vem reforçar a idéia antropocêntrica de grande parte da sociedade, onde o homem não faz parte do meio ambiente (Medeiros et al, 2011).


Diante desta realidade, tomamos como objetivo geral para esta pesquisa, analisar o uso de atividades lúdicas no processo de ensino-aprendizagem da educação ambiental no Ensino Fundamental I, nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental Padre Geraldo e Inácio Serrano de Andrade, na cidade de Mamanguape-PB. Tendo por objetivos específicos, identificar através de desenhos a percepção ambiental das crianças, fazendo as devidas comparações anterior e posteriormente a aplicação das atividades em sala, avaliando assim o quanto e como as informações foram absorvidas; identificar quais metodologias são aplicadas pelos professores no ensino da Educação Ambiental; analisar qual/quais a metodologia de transmissão de informação é mais eficiente na assimilação de conhecimento por parte das crianças e estimular os professores para inserção da educação ambiental no projeto pedagógico escolar.


Tendo em vista as dificuldades que o sistema educacional do nosso país vem enfrentando, faz-se necessário repensar o modo de articular as aulas no ensino escolar, incluindo modelos didáticos inovadores que possam vir a propiciar aulas mais prazerosas e ao mesmo tempo mais eficientes tornando a aprendizagem dos alunos mais significativa. Principalmente no que se refere a Educação Ambiental que prepara o indivíduo para a preservação do planeta, que se encontra em crise, precisando de recuperação urgente.


Educação Ambiental


A Educação Ambiental no Brasil, segundo a lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999, é um componente essencial e permanente da educação Nacional, devendo estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo formal e não-formal.


Sem dúvida, a Educação Ambiental é indispensável na evolução educacional da sociedade que está se adaptando a nova realidade mundial, que pede um comprometimento com o desenvolvimento sustentável, sempre preservando os recursos naturais. Segundo Berna (2004, p.18), o ensino sobre o meio ambiente deve contribuir principalmente para o exercício da cidadania, estimulando a ação transformadora.


A educação ambiental é um processo contínuo que visa conscientizar e analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconsequente dos recursos naturais.

Mas como destaca Carvalho (2003, p. 29), o grande desafio da Educação Ambiental se passa em nível ético, direcionando o pensamento ideológico que a Educação Ambiental será capaz de despertar e que esteja comprometida com a busca da justiça social.


A educação ambiental e a cidadania planetária é o novo desafio da educação, pois já é bem perceptível que padrões ambientais influenciam fortemente nos processos ecológicos, podendo uma ruptura nos padrões do ambiente comprometer a integridade funcional de uma estrutura, provocando a ocorrência de processos ecológicos críticos, com rebatimentos nas populações, na manutenção da biodiversidade e na saúde do ecossistema.


Fazendo assim com que a sociedade atual seja direcionada a pensar sobre a sua existência e os impactos que suas ações causam ao ambiente e, sobretudo, as suas conseqüências, onde se faz necessário a discussão de uma educação ambiental, sendo este o primeiro passo para a sustentabilidade da sociedade como um todo.


Para abordar a Educação Ambiental em sala de aula é preciso mostrar aos alunos sua importância no contexto ambiental, é preciso que eles tenham consciência de que podem ser agentes transformadores, que podem mudar a realidade ao seu redor, e que essa realidade transformadora, transbordará em várias outras realidades, haverá a união das partes com o todo.


Atividades Lúdicas na Educação Ambiental


De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a Educação Ambiental é um tema transversal e deve ser estudado em todas as séries e em todas as disciplinas, ou seja, independente da ciência que o professor lecionar ele deverá inserir temas ambientais.


Estudos e práticas realizadas apresentam que, a educação ambiental só será eficaz, se levar os alunos a terem percepção do mundo que os cerca, “envolvendo-os de forma a despertar uma consciência crítica que busca soluções para o problema” (Kindel, 2006). Porém Tozi (2006) afirma que o professor tem sua função limitada, pois o processo educativo está baseado em condição de liberdade, de abertura e de não-coesão do outro, implicando que nem todos seguirão os caminhos para a construção de saberes ecológicos.


Diante disso o educador deve construir uma prática de ensino eficiente em sintonia com a realidade, que contribua para a conscientização do educando, permitindo-o perceber, avaliar e refletir sobre a sociedade e principalmente suas ações de transformar o ambiente em que convive (Polli & Signorini, 2012).


Segundo Dalri (2010) a aplicação de atividades interativas na sala de aula é uma intervenção que permite o uso da temática ambiental, podendo ser executada transversal e interdisciplinarmente, em todas as disciplinas, sendo uma ação possível e parte integrante do fazer pedagógico cotidiano, independentemente da área, bem como do nível de ensino, seja ele fundamental, médio ou superior. Se fazendo assim necessária uma junção entre as atividades interativas e a EA, como meio de proporcionar uma EA mais efetiva e que se distancie das formas tradicionais utilizadas em seu tratamento e uso.

O principal objetivo de trabalhar a temática ambiental dentro da escola é contribuir para a formação de cidadãos conscientes para atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com a sociedade local e global. E nada mais aplausível que começar na Educação Infantil, pois através da escola podemos modificar os conceitos pré-estabelecidos por nossa geração a respeito sobre a natureza e a sua utilização.


É importante iniciar essa mudança nos primeiros anos de vida escolar da criança, pois a Educação Infantil proporciona nessa primeira etapa de sua vida um desenvolvimento do saber, a criança está sempre disposta a aprender tudo e, portanto, devemos aproveitar esse momento para desenvolver o respeito ao meio ambiente, que é fundamental para a aprendizagem e que será levada por toda a vida, pois, além de entender, aprendem a valorizar e amar o meio ambiente.


As crianças de hoje são o nosso futuro, pois através de comportamentos ambientalmente corretos vivenciados na escola podem adquirir formação adequada e, em consequência, responsabilidade pelo meio ambiente. Assim, desde a infância, estimuladas a tomar atitudes conscientes e compartilhar responsabilidades, no futuro; farão parte de uma sociedade mais justa, responsável e conscientizados de seus papéis como atores sociais.



METODOLOGIA

A pesquisa tem caráter exploratório de cunho qualitativo, uma vez que possibilita aos alunos colaboradores pensar livremente sobre o tema.


A pesquisa qualitativa apresenta caráter descritivo, para obtenção de resultados todos os dados obtidos são analisados e a todos eles são dados a devida importância e interpretação.

O método qualitativo de cunho exploratório se enquadra melhor na pesquisa, pois os agentes informadores dos dados são crianças que em sua maioria, ainda não possuem o conhecimento sistematizado a ponto de conseguir responder um questionário fechado com questões estruturadas.


Segundo Demo (2004), a avaliação qualitativa tem sido muito requisitada para averiguar o desempenho educacional. Ele enfatiza à avaliação de desempenho de aprendizagem e afirma que é necessário saber de que maneira o aluno aprende de verdade. Sua hipótese de trabalho é que uma aprendizagem verdadeiramente qualitativa deve ser constituída de reconstrução de conhecimento e não apenas de mera reprodução instrucionista. Essa aprendizagem deve buscar mostrar ao aluno que ele é capaz de construir sua própria história individual e coletiva, deixando claro que apreender é ser livre e autônomo.



Procedimento metodológico


Para a realização desta pesquisa foi utilizada a prática de ensino formal, assim como também a prática de ensino por meio de atividades interativas em turmas de 4º e 5º ano, uma vez que alunos destas turmas encontram-se na faixa etária da formação de conceitos, entre 7 e 10 anos, e se lhe são apresentados bons conceitos, bons conceitos serão por eles absorvidos, vivenciados e multiplicados. Sendo assim, para termos uma amostra significativa, as atividades foram aplicadas em duas escolas municipais da cidade de Mamanguape-PB, apresentas pelos nomes Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Geraldo e Escola Municipal de Ensino Fundamental Inácio Serrano de Andrade, possuindo cada turma uma média de 15 alunos.


Nas turmas de 4º e 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Geraldo, na cidade de Mamanguape-PB, foi utilizada a prática de ensino formal, onde foi lecionada uma aula de ciências envolvendo questões ambientais da forma tradicional por meio de palestras, sendo abordados os seguintes assuntos: ecologia, recursos naturais, poluição, impactos ambientais e relação entre homem e meio ambiente, utilizando-se como referência principal Brondízio (2001) complementada com outros referenciais como Braga (1999).


Já em um segundo momento, nas turmas de 4º e 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Inácio Serrano de Andrade, na cidade de Mamanguape-PB, foi utilizado o meio de educação lúdica, evidenciando o cinema, subsidiado com jogos educativos e atividades de cartilhas de Educação Ambiental, a exemplo de Campos, e tal (2004), dentre outros referenciais disponíveis por meio impresso e digital, como pode ser observado na figura 1.




Figura 1: [A] Alunos assistindo vídeos; [B] Alunos participando dos jogos; [C] Alunos desenhando. Fonte: Acervo do Autor, 2015.


Nesta etapa foi lida uma história em quadrinhos sobre a temática do meio ambiente, com ênfase na problemática da água, da poluição e do desmatamento, sendo em seguida apresentado um vídeo socioambiental em desenho animado expondo a importância da preservação, e posteriormente foi desenvolvidos jogos com a temática ambiental, a exemplo do dominó animal, que um lado da peça continha o desenho de um animal e o outro lado curiosidades ecológicas sobre os animais contidos no jogo, onde o jogador deveria encaixar o texto correspondente a imagem de outra peça e assim formar uma sequência.


Outro jogo desenvolvido, foi a trilha ecológica, onde o ponto de largada era a imagem de uma cidade poluída e o ponto de chegada uma cidade limpa e preservada, onde para chegar até ela era preciso jogar o dado e responder perguntas referentes a reciclagem e coleta seletiva, adiantando uma casa quando apresentava a resposta correta ou retornando três casas quando apresentava resposta errada.


Em seguida teve o jogo da memória de temática ambiental, sendo as atividades finalizadas com questões de caça palavra, enigmas com desenhos e labirintos relacionados a preservação ambiental.


Para coleta de informações sobre o grau de conhecimento dos alunos no que se refere às questões ambientais, foi solicitado aos mesmos que se expressassem por meio de desenhos anterior e posteriormente as atividades desenvolvidas em sala, avaliando assim de maneira qualitativa o nível de absorção de informação dos alunos.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

No desenvolvimento desta pesquisa podemos observar um significativo melhoramento na assimilação de conhecimento pelos alunos das turmas onde foram ministradas as aulas lúdicas com relação às turmas onde foram ministradas as aulas teóricas.


Os alunos mostraram-se bastante receptivos a aplicação metodológica dos desenhos, demonstrando grande habilidade em suas representações. Este instrumento de investigação foi extremamente relevante para sensibilizar revelar a percepção os alunos em relação ao seu entendimento sobre o meio ambiente.


Conceituar o meio ambiente não é uma tarefa simples, todavia, a elaboração dos desenhos facilitou essa conceituação, além disso, permitiu que os alunos atribuíssem significados que dificilmente seriam verbalizados naturalmente, notando-se que todos tinham conhecimento sobre o tema.


Para classificar as representações, em forma de desenhos feitos pelos entrevistados antes e depois da explicação dos temas adotamos a classificação de Tamoio (2002, apud Santos, 2007) com devidas adaptações. Segundo o autor os métodos de representação classificaram-se em: Socioambiental e Naturalista/Romântica.

Quando questionados antes do início das aulas sobre o que entendiam acerca do Meio Ambiente, as representações dividiram-se em 31% Socioambientais e 69% Naturalista/Romantica (Figura 2).

Figura 2: [A] Exemplo de representação Socioambiental; [B] Exemplo de representação Naturalista/Romântica. Fonte: Acervo do Autor, 2015.



Na maioria das representações anteriores a explanação do tema, o meio ambiente foi representado maneira naturalista, sendo destacado apenas o sol, árvores e borboletas, nos levando a reflexão de que muitas de nossas crianças estão crescendo com o pensamento de que elas (seres humanos) não integram o meio ambiente e que os elementos interagem entre si. Visão está que foi modificada nos desenhos confeccionados posteriormente as aulas, onde os percentuais alcançados foram de 72% nos desenhos socioambientais e 28% naturalista/romântica.


No processo de comparação dos desenhos iniciais com os desenhos confeccionados no final das aulas obtivemos resultados significativos, sendo notória diante dos resultados a grande importância do uso de atividades interativas em sala de aula.

Os alunos demonstraram ter compreendido bem o valor do meio ambiente para a vida humana, destacando a importância do não poluir, do não destruir e sempre preservar, sendo bastante enfatizado o poder da regra dos 3R (Reduzir, Reaproveitar e Reciclar) que se praticado muitos impactos ambientais podem ser minimizados e até mesmo evitados.


Comparando os desenhos confeccionados anterior e posteriormente as aulas teóricas ministradas observou-se que 20% dos alunos incluíram o ser humano como parte integrante do meio ambiente, 30% acrescentaram os rios com peixes e 25% enfatizaram em seus desenhos a importância da coleta seletiva com cestos de lixo, como pode ser observado no exemplo da figura 3.


Figura 3: [A] Desenho de um aluno antes de iniciar a aula; [B] Desenho do mesmo aluno confeccionado após a aula. Fonte: Acervo do Autor, 2015.

Já nos desenhos da aula interativa, os resultados da assimilação de conhecimentos dos alunos foram duplamente significativos, pois comparando os desenhos do final da aula com os anteriores a aula, 50% dos alunos incluíram o ser humano como parte integrante do meio ambiente, 70% acrescentaram os rios com peixes, 60% enfatizaram em seus desenhos a importância da coleta seletiva com cestos de lixos e pessoas recolhendo lixo do chão (Figura 4) e apenas 1% evidenciou o mar com algas e peixes (Figura 5).



Figura 4: [A] Desenho de um aluno antes de iniciar a aula; [B] Desenho do mesmo aluno confeccionado após a aula. Fonte: Acervo do Autor, 2015.


Figura 5: [A] Desenho de um aluno antes de iniciar a aula; [B] Desenho do mesmo aluno confeccionado após a aula. Fonte: Acervo do Autor, 2015.


A partir desses dados podemos notar que os alunos possuem mais dificuldades em assuntos que são voltados para a parte conceitual presente nos livros. Diante disso, podemos atribuir às questões práticas um caráter facilitador que age a partir do meio em que eles estão inseridos, estimulando a adquirir uma maior percepção das situações que estão ao seu redor.


Os jogos contribuíram para despertar maior interesse dos alunos para o tema abordado, o que favoreceu a aprendizagem significativa. Esses resultados estão de acordo com Pedroza (2005) que diz que, as brincadeiras representam uma fonte de conhecimento de recursos cognitivos e afetivos que favorecem o raciocínio, tomada de decisões, solução de problemas e o desenvolvimento de potencial criativo.


Oliveira (2007) também afirma que os jogos despertam a curiosidade e interesse dos estudantes, motivando-os em sala de aula. Além disso, os jogos geram competição e cooperação entre os estudantes, características que também favorecem a aprendizagem.


Os desenhos permitiram aos estudantes expressar o que aprenderam e exercitar a criatividade, sendo o uso de desenhos uma ferramenta de avaliação eficaz. O desenho é então uma metodologia que permite a liberdade de pensamento e representa uma maneira da criança transformar o mundo (Goldeberg et al, 2005; Montenegro, 2004). Ainda, conforme Santos & Gomes (2017), a prática artística voltada para a sustentabilidade é um exercício que envolve análise crítica do conhecimento do que significa hoje a ecologia, se tornando o caráter expressivo da arte, capaz de produzir uma mudança na maneira da sociedade ver e imaginar o mundo.


Os resultados da presente pesquisa indicam que a associação do jogo educacional, expressões artísticas e a educação ambiental foram eficazes na proposta pedagógica. O desenvolvimento de atividades de educação ambiental no ensino fundamental I é muito importante, uma vez que os indivíduos ainda se encontram em um período de formação inicial de conceitos e valores (Ribeiro & Profeta 2004). Porém as propostas de educação ambiental não devem ser restritas ao ensino fundamental I, muito pelo contrário, segundo Jacobi (2003), “a educação ambiental deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária”.


Para incentivar as professoras que se utilizam apenas dos restritos pontos ambientais disponibilizados nos livros didáticos utilizados pelas escolas e transmitidos pelas mesmas de forma tradicionalmente teórica, tendo atividades diferenciadas apenas em dias comemorativos (dia da água, dia da árvore, etc), foi apresentado a estas professoras a importância da educação ambiental, não apenas como uma disciplina isolada, mas sim inserida de diversas maneiras nas disciplinas tradicionais, enfatizando o valor das atividades interativas na transmissão do conhecimento com o demonstrativo dos resultados desta pesquisa, sendo disponibilizadas as mesmas algumas referencias onde elas podem encontrar ideias para deixar suas aulas mais dinâmicas e mais atrativas aos alunos.


COSIDERAÇÕES FINAIS

Como parte da difusão da Educação Ambiental na escola, tem-se o Meio Ambiente como Tema Transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), sugerindo que ele deva ser trabalhado de maneira transversal integrando todo o ensino formal. Tendo a EA muito a contribuir no sentido de construir relações e proporcionar intercâmbios entre as diversas disciplinas Entretanto, percebe-se que trabalhar utilizando vários olhares, diferentes diálogos é uma prática ainda incipiente no contexto escolar.

Diante disto, conclui-se que a aplicação de atividades lúdicas em educação é uma alternativa eficaz e pode ajudar na compreensão da importância da educação ambiental, porém requer um envolvimento maior do professor com a turma e, principalmente, com o conceito a ser explorado.


A utilização do método lúdico na educação escolar é completamente inovador, quando comparado ao nosso sistema atual, e quando analisamos o resultado final, ficamos cada vez mais estimulados a lutar por esse método de aprendizagem, embora esse desafio não seja fácil de ser vencido.


Vale ressaltar que a realização dos jogos possibilitou um desenvolvimento maior no grau de aprendizado da criança, pois estas conseguiram assimilar claramente o assunto abordado e mostraram melhor sensibilização as questões ambientais.

Desta forma, para efeito de finalização, conclui-se que a utilização de atividades lúdicas enfocando educação ambiental apresenta-se como uma alternativa eficiente, já que o ato de brincar é o caminho natural do desenvolvimento humano.


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