ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
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10/03/2018PERCEPÇÃO SOBRE EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTAL NA ESCOLA E NO COTIDIANO: ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE OLHO D’ÁGUA-PB  
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PERCEPÇÃO SOBRE EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTAL NA ESCOLA E NO COTIDIANO: ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE OLHO D’ÁGUA-PB

Rosilvam Ramos de Sousa1; Joedla Rodrigues de Lima2

1Engenheiro Florestal, Especializando em Ecologia e Educação Ambiental na Unidade Acadêmica de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Campina Grande, E-mail: rosilvam17@gmail.com

1Professora Dra. da Unidade Acadêmica de Engenharia Florestal, Universidade Federal de Campina Grande, E-mail: joedlalima@yahoo.com.br

RESUMO: O trabalho teve como objetivo verificar a influência de atividade pedagógica na mudança de percepção sobre educação ambiental. A metodologia envolveu aplicação de questionário, aula teórico-prática e reaplicação do questionário. Não houve diferença entre as respostas antes e depois da atividade didática.

Palavras chave: Diagnóstico socioambiental. Meio ambiente. Sensibilização.

PERCEPTION ON SOCIO-ENVIRONMENTAL EDUCATION IN SCHOOL AND DAILY: A CASE STUDY IN A PUBLIC SCHOOL IN THE MUNICIPALITY OF OLHO D'ÁGUA-PB

ABSTRACT: The objective of this study was to verify the influence of pedagogical activity on the change of perception about environmental education. The methodology involved the application of a questionnaire, theoretical-practical class and reapplication of the questionnaire. There was no difference between the answers before and after the didactic activity.

Key words: Socio-environmental diagnosis. Environment. Sensitization.

1 INTRODUÇÃO

O meio ambiente vem sofrendo com as ações antrópicas desde o início das civilizações. Entretanto, a partir da Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, o homem passou a explorar a natureza num ritmo acelerado, inclusive desenvolvendo substâncias químicas não biodegradável, tornando impossível a absorção de todos os resíduos gerados e descartados, muitas vezes de forma imprópria, no meio ambiente.

A Revolução Industrial e o capitalismo não transformaram apenas a maneira que os produtos são fabricados, mas também a velocidade em que eles são consumidos e substituídos, marcando de um lado populações com alto padrão de consumo e por outro os bolsões de miséria.

Este nível de consumo, gera, pelo menos, duas consequências graves: o aumento irresponsável da exploração dos recursos naturais para a produção de novos produtos e o surgimento de grandes lixões onde se depositam os produtos descartados pela população de maneira geral.

No Brasil, a exploração desordenada dos recursos naturais não é uma prática nova, tendo seu início na colonização. As principais consequências foram o extermínio de mais de 90% de toda a Mata Atlântica original e a degradação da região nordeste brasileira (RAMALHO, 2014).

Em contrapartida, o cuidado ou a preocupação com os recursos e o desenvolvimento de ciências e metodologias voltadas para a compreensão sistêmica dos processos e seus efeitos sobre os ecossistemas, surgiu somente no século XX, após alguns desastres industriais causarem alterações no comportamento de alguns fenômenos naturais e do próprio ser humano, trazendo consequências graves para todos.

Umas das primeiras leis brasileiras, que surgiu com a intenção de proteger o meio ambiente das ações antrópicas, foi o Código Florestal Brasileiro de 1965 (Lei 4.771/65), onde está previsto a manutenção de reservas florestais, em pelo menos 20%, nas propriedades rurais.

O Capítulo VI, da Constituição de 1988, trata exclusivamente do meio ambiente, garantindo o direito a todo brasileiro ter acesso a um ambiente ecologicamente equilibrado, além de obrigar o poder público a promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino, como também, a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (BRASIL, 2015).

Outra importante lei brasileira para a temática ambiental é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), que, além de reforçar a importância da política dos quatro R’s (reduzir, reutilizar, reciclar e repensar), prevê a extinção de um dos principais poluidores do meio ambiente, os lixões, em todos os municípios brasileiros (BRASIL, 2012a). Porém, o que ocorre de verdade é a continuação desse problema, seja por falta de recursos dos municípios ou por falta de interesse dos governantes. O fato é que poucos municípios da federação cumprem a mesma.

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais, sobre meio ambiente, na introdução do documento, há a preocupação com a formação acadêmica no ensino fundamental, pois um aluno que tenha um excelente perfil acadêmico, não implica que tenha de igual modo uma consciência ambiental, expressa no sentido da interdependência de todos os seres vivos e não-vivos, da co-responsabilidade com a saúde ambiental, da importância da sustentabilidade para, ao se respeitar a capacidade de suporte dos ecossistemas, as gerações futuras também tenham direito à atender suas necessidades para, finalmente, desenvolver uma visão crítica das formas de apropriação dos recursos naturais e o que isto implica na qualidade de vida dos cidadãos (BRASIL, 1997).

Reconhecendo a importância do processo educativo para uma ação responsável do ser humano, a educação ambiental (EA) deve ser abordada em todas as disciplinas nas escolas públicas de ensino fundamental dos anos iniciais e finais em todo o país. Diante disto, surge uma indagação: será que o conceito de educação ambiental está sendo apresentado e discutido nas escolas? Embora a abordagem desse tema seja garantida por lei, em algumas escolas não é dado o destaque que esse assunto requer.

Diante do exposto, esse trabalho teve como objetivo verificar a influência de atividade pedagógica na mudança de percepção sobre sustentabilidade ambiental em suas vidas e na escola envolvendo estudantes do Ensino Fundamental dos Anos Finais na Escola Municipal Manoel Procópio de Araújo, localizada na zona rural do município de Olho d’Água–PB, antes e após sensibilizá-los sobre a importância do tema.

2 MATERIAL E MÉTODOS

2.1 Caracterização da área da pesquisa

O município de Olho d’Água está localizado na mesorregião do sertão paraibano e microrregião de Piancó (Figura 1), inserido no bioma caatinga, semiárido nordestino, inserido numa área de 596,1 km2, população de 6931 habitantes e uma densidade demográfica de 11,6 habitantes/km2. A cidade está situada a 258 m de altitude e as coordenadas geográficas são Latitude 7º 12’ 22” Sul, e Longitude 37º 45’ 12” Oeste (BRASIL, 2012b). O Índice de Desenvolvimento Humano do Município (IDHM) é de 0,572, o que é considerado baixo. A economia está voltada para o comercio varejista e serviço público (ATLAS BRASIL, 2013).

Figura 1 – Localização do município de Olho d’Água-PB.

Fonte: IBGE, 2017.

No município há três escolas que oferecem o ensino no nível fundamental dos anos finais, sendo duas municipais e uma estadual. O trabalho foi realizado na Escola Municipal do Ensino Fundamental Manoel Procópio de Araújo, localizada na comunidade Distrito de Socorro, zona rural do município de Olho d’Água-PB (Figura 2). Essa escola foi escolhida por ser a única da zona rural a oferecer o Ensino Fundamental dos Anos Finais e também pela ausência de pesquisa neste sentido.



Figura 2 – Vista geral da Escola Municipal Manoel Procópio de Araújo.

Fonte: Sousa, 2017.

O público alvo foi constituído por oitenta e quatro alunos matriculados no Ensino Fundamental dos Anos Finais (do 6º ao 9º ano). A pesquisa foi realizada durante os meses de maio e junho de 2017.

2.2 Coleta dos dados

A metodologia empregada foi dividida em três etapas: aplicação de questionário, aula teórico-prática e reaplicação do questionário. A atividade se inseriu como ensino ambiental informal e foi desenvolvida no pátio da escola, com todas as turmas juntas, contando com recurso audiovisual como auxiliar no processo de discussão do tema, e como motivador foram utilizadas imagens das condições ambientais do entorno da escola e atividade extraclasse, uma visita ao depósito dos resíduos sólidos urbanos do município de Olho d’água/PB, todas as estratégias utilizadas visavam estimular a curiosidade e senso crítico das turmas. Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética do Ministério da Saúde, sob o número: 63.961816.5.0000.5182.

O questionário utilizado continha 19 itens objetivos adaptados de DIRSU/UFU (2012) relativas à caracterização do comportamento do indivíduo frente ao meio ambiente. As questões 1 a 6 avaliaram os conhecimentos sobre problemática ambiental, origem dos alimentos fornecidos na merenda escolar e sobre conhecimentos ministrados sobre a temática ambiental. As questões 7 a 19 continham, cada, cinco alternativas, variando de discorda totalmente; discorda parcialmente; não concorda nem discorda; concorda parcialmente e concorda totalmente (Anexo A).

Primeira Etapa – Inicialmente aplicou-se o questionário sobre a percepção destes alunos quanto à sustentabilidade ambiental em suas vidas e na escola, antes da interferência educativa.

Na análise quali-quantitativa desta pesquisa, as respostas foram sistematizadas e representadas percentualmente em figuras e tabelas analisadas com base nos resultados de pesquisas semelhantes.

Segunda Etapa – Após a análise dos dados de percepção dos alunos, com ênfase nos pontos frágeis em sua concepção sobre o tema, foi desenvolvida uma atividade didática dialogada, para todos os alunos do Ensino Fundamental dos Anos Finais, contemplada com a exibição de vídeos sobre o problema do lixo, bem como questões sobre a poluição e degradação do meio ambiente, enfocando a área no entorno da escola, que apresenta um déficit de árvores e de resíduos sólidos jogados a céu aberto (Figura 3).

Figura 3 – Resíduos sólidos jogados a céu aberto na comunidade Distrito de Socorro, município de Olho d´Água-PB (2017).