ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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14/06/2018CLASSIFICAÇÃO QUALITATIVA DAS ÁREAS VERDES URBANAS DE PALOTINA (PR) EM RELAÇÃO ÀS FUNÇÕES SOCIAIS E ECOLÓGICAS  
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Classificação qualitativa das áreas verdes urbanas de Palotina (PR) em relação às funções sociais e ecológicas



Valéria Andressa Alves1, Leticia Oliveira Mendes1, Valéria Ghisloti Iared2

1 Graduanda em Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná

2 Professora Adjunta, Departamento de Biodiversidade, Universidade Federal do Paraná



Resumo: A discussão sobre a qualidade de vida nas cidades é algo pautado em conferências internacionais, na legislação e políticas públicas brasileiras, na mídia e na Academia. Em todos esses documentos ou discussões, há a menção clara sobre a relevância do aspecto ambiental ser considerado no desenvolvimento do ambiente urbano. Entre os vários elementos que compõe o aspecto ambiental nas cidades estão as áreas verdes urbanas que são concebidos com vários propósitos: convívio social, atividades educativas, serviços ecossistêmicos como regulação da temperatura e abrigo da biodiversidade, entre outros. O presente estudo objetivou classificar as áreas verdes urbanas do município de Palotina, localizado na região oeste do Paraná, em relação às funções ecológicas e sociais. Para tanto, realizou-se uma primeira coleta de dados com roteiros de observação em todas as áreas verdes urbanas da cidade. Pelo fato de Palotina ainda ser uma cidade em expansão, identificou-se as áreas em bairros recém loteados, apesar de já estabelecidas, não foram construídas. Logo, optou-se por continuar a pesquisa apenas nos bairros considerados consolidados. A partir da segunda coleta, verificou-se que das 21 áreas investigadas, apenas quatro cumprem as funções sociais e ecológicas e oito foram classificadas com baixo valor social e ecológico. No entanto, percebeu-se que existe a possibilidade do município fomentar o planejamento das áreas e caminhar no sentido de cumprir as funções ecológicas e sociais. O presente trabalho desenvolveu uma entre várias possibilidades de técnicas de coleta de dados para abordar esse assunto. Nesse sentido, outros estudos mais aprofundados e com outras metodologias são necessários para compor dados mais aprofundados para que possa contribuir com programas de gestão e educação ambiental das áreas verdes urbanas de Palotina.

Palvras-chave: pesquisa qualitativa, Plano Diretor, cidades sustentáveis, gestão ambiental, educação ambiental

Qualitative classification of urban green areas of Palotina (PR) in relation to social and ecological functions

Abstract: The discussion about the quality of life in cities is based on international conferences, Brazilian legislation and public policies, the media and the Academia. In all these documents or discussions, there is clear mention of the environmental aspect relevance to be considered in the development of the urban environment. Among the many elements that compose the environmental aspect in the cities are the urban green areas that are designed for various purposes: social life, educational activities, ecosystem services such as temperature regulation and biodiversity habitat, among others. The present study aimed to classify the urban green areas of Palotina, located in the Western Paraná, in relation to ecological and social functions. Therefore, a first data collection using observation script was carried out in all urban green areas of the city. Due to the fact Palotina is still an expanding city, it has been identified areas in newly bundled neighborhoods, which although already established, they were not built yet. From this, it was decided to continue the research only in the neighborhoods considered consolidated. From the second collection, it was verified that out of 21 areas investigated, only four correspond the social and ecological functions and eight were classified with low social and ecological value. However, it was noticed that there is the possibility to the municipality to foment the planning areas and to attempt to fulfill the ecological and social functions. The present work has developed one among several possibilities of data collection techniques to address this subject. So, further studies and other methodologies are necessary to compose more detailed data in order contribute with environmental management and education programs of the urban green areas of Palotina.

Key words: Qualitative research, Master Plan, sustainable cities, environmental management, environmental education

1. Introdução

A relação entre cidades e meio ambiente vem sendo pautada nas políticas públicas brasileiras e já aparece na Constituição Federal de 1988, no artigo 23, que cabe aos municípios o dever de proteger o meio ambiente (BRASIL, 1988). O Estatuto das Cidades (BRASIL, 2001) ao regulamentar os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece a garantia do direito da população às cidades sustentáveis, criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes e o Plano Diretor Municipal como um dos seus instrumentos. O Plano Diretor Municipal traz um conjunto de regras e princípios que orientam a construção e utilização do espaço urbano e é obrigatório para municípios com mais de vinte mil habitantes (BRASIL, 2001). Entre as várias diretrizes, metas e parâmetros, o Plano Diretor deve conter a identificação e diretrizes para a preservação e ocupação das áreas verdes municipais.

De acordo com o Art. 8º, § 1º, da Resolução CONAMA Nº 369/2006, considera-se área verde de domínio público "o espaço de domínio público que desempenhe função ecológica, paisagística e recreativa, propiciando a melhoria da qualidade estética, funcional e ambiental da cidade, sendo dotado de vegetação e espaços livres de impermeabilização". Áreas verdes urbanas são caracterizadas por serem naturais ou artificiais e encontradas em parques, bosques, espaços públicos, nas margens de córregos, terrenos residenciais ou privados.

Recentes publicações na literatura nacional e internacional têm demonstrado crescente preocupação com a relação entre as áreas urbanas e espaços verdes naturais e artificiais (CDEARBORN; KARK, 2009; ELMQVIST, 2013; BROD; MAZZARINO, 2015; CARBONE et al., 2015; RUSS, 2015, entre outros). Segundo Queiroga e Benfatti (2007), ruas, lagos, praças, pátios, quintais, jardins privados e públicos, parques, avenidas formam Sistema de Espaços Livres (SELs), sendo que as áreas verdes urbanas fazem parte do SELs e são destinadas a todo tipo de utilização relacionada a pedestres, descanso, passeio, prática de esportes, recreio e entretenimento (LLARDENT, 1982). Os SELs de cada cidade variam segundo o interesse da gestão pública e, portanto, apresentam planejamentos e projetos e implementação em diferentes estágios (QUEIROGA; BENFATTI, 2007). Quando um espaço livre é predominantemente coberto por vegetação, poderá ser considerado “área verde”, constituindo o sistema de áreas verdes, ou seja, um subsistema do sistema de espaços livres (NUCCI, 2008). Concordamos com os autores sobre a necessidade de compreender as funções e identificar as potencialidades dos espaços livres urbanos, principalmente, devido ao uso que se faz deles para a convivência social, o que tem papel fundamental no desenvolvimento da cidade e em noções de cidadania (DONOSO, 2011).

Como já ressaltado, as áreas verdes fazem parte do SELs e devem constar entre as diretrizes do Plano Diretor Municipal. As áreas verdes urbanas podem desempenhar várias funções: conservação da biodiversidade urbana, estética e de contemplação, serviços ambientais, recreativas, de convívio social, de pesquisa e educativa (GÓMEZ-BAGGETHUN et al., 2013). Para o município de Palotina, município de interesse do presente estudo, a regulação do uso e ordenação do solo estabelecida no Plano Diretor propõe que para cada novo loteamento deve-se reservar 10% da área total para a implementação de áreas verdes (PALOTINA, 2007), os quais devem possuir um “caráter socioambiental” com atividades voltadas ao lazer, recreação, educação e saúde. Um mapeamento atualizado que caracterize a situação do local e o uso público do espaço se faz necessário para contribuir com uma gestão mais efetiva. Portanto, o presente estudo teve como objetivo identificar as áreas verdes públicas urbanas no município de Palotina e caracterizar de maneira qualitativa essas áreas segundo seus usos e funções, e em relação à sua adequabilidade.

2. Procedimentos Metodológicos

2.1. Área de estudo

O estudo foi realizado no município de Palotina localizado na região oeste do estado do Paraná, situado entre as coordenadas 24º18’00” S e 53º55’30” O (Figura 1). O município possui uma área total de 651 km² com 12.820 km² de área urbana e uma população de 28.683 habitantes (IBGE, 2010). Trata-se de um município relativamente novo se comparado a outros municípios brasileiros. Foi fundado em 1960 e sofreu uma transformação drástica na paisagem de maneira que a mata densa original foi substituída por campos cultivados que aos poucos foi dando espaço a construção e expansão da cidade, sendo esse último processo, ainda muito visível atualmente. Estima-se que 94% da área do município, cerca de 611 km², é ocupada pela agropecuária. Uma pequena porção corresponde a áreas de preservação ambiental, como o Parque Estadual São Camilo (FURLAN, 2013). Logo, percebe-se a importância de valorizar e realizar uma gestão efetiva das áreas urbanas de Palotina.

FIGURA 1- Localização da área de estudo: Latitude: 24° 16' 54'' Sul, Longitude: 53° 50' 25'' Oeste. FONTE: Secretaria de Obras e Viação Municipal de Palotina (PR), 2007.

Quanto a aspectos naturais, o município está em área de ocorrência natural da Floresta Estacional Semidecidual no Bioma Mata Atlântica, em um relevo suave e/ou levemente ondulado e de baixa altitude, cujo solo possui alto concentração de ferro que resulta em uma coloração vermelha ou vermelho-amarelada (EMBRAPA, 2006). Segundo a classificação de Köppen, o clima é do tipo Cfa, caracterizado pela temperatura média anual oscilante entre 22⁰C e 23⁰C e precipitação média anual de 1.650mm (IAP, 2006), com verões quentes e úmidos e invernos secos, características climáticas que justificam a importância do verde urbano como elemento atuante na amenização da temperatura do clima local.

Espacialmente o núcleo urbano da cidade, foi traçado um sistema viário quadriculado em xadrez onde encontramos duas vias principais, a Avenida Presidente Kenedy e a Avenida Independência que se encontram em um cruzamento. Ambas abrigam canteiros centrais desprovidos de arborização, mas que possuem ciclovias que permitem trafego de cadeirantes, pedestres e ciclistas. A partir da observação do mapa e da cidade percebe-se um caráter estrutural radiocêntrico para a expansão urbana na cidade, a qual está ocorrendo em camadas sucessivas em todas as direções, aproveitando de algumas redes anteriores de vias na porção periférica do município. Novos loteamentos e ruas estão sendo projetados na porção noroeste e sudeste do município, o que acaba resultando em uma dificuldade de acesso e em um baixo número de áreas verdes públicas já estabelecidas.

2.2. Desenvolvimento

A investigação teve início em maio de 2016 e tem caráter qualitativo, onde a ênfase é dada ao processo e a interpretação dos dados coletados (BAUER; GASKELL, 2002; MYNAIO, 2004). Uma primeira aproximação com o poder público municipal foi realizada afim de firmar uma parceria no sentido de viabilizar a pesquisa e subsidiar a gestão pública com os dados do estudo. Dessa maneira, o mapa das áreas verdes urbanas do município (Figura 2) foi gentilmente cedido pela Secretaria de Obras e Viação Municipal para auxiliar no desenvolvimento da pesquisa.

























FIGURA 2 - Mapa ilustrativo das áreas verdes urbanas/Palotina (PR).

FONTE: Secretaria de Obras e Viação Municipal de Palotina (PR), 2007.

Para um primeiro momento da caracterização, foram realizadas visitas em todas as áreas verdes urbanas do município, utilizando um roteiro de observação elaborado por Peres et al. (em fase de elaboração)i onde foi identificado a existência de acesso à área verde, presença ou ausência de superfícies impermeáveis, vegetação, mobiliário e/ou equipamento público, a existência de apropriação privada, a condição de terreno baldio e/ou presença de entulho (Anexo 01). Além disso, verificou-se as funções das áreas verdes: serviços de fornecimento (oferta de alimentos; abastecimento de água), serviços de regulação (temperatura urbana; redução de ruídos; purificação do ar; escoamento -área permeável-; polinização), serviços culturais (recreação; benefícios estéticos; convívio social), serviços de habitat (para a biodiversidade) e desserviços do ecossistema (fauna e flora indesejáveis para a população humana, árvores que causam danos físicos ao asfalto ou fiação). No momento da coleta de dados, as áreas visitadas foram fotografadas e em seguida anotadas as informações propostas no roteiro e informações adicionais pertinentes.

Na sequência, foi realizado um segundo momento no qual voltamos em áreas verdes urbanas de bairros já construídos. Nessa segunda visita técnica, com o auxílio de um segundo roteiro (Apêndice 01), baseado no modelo proposto por Pippi et al. (2011), foram identificadas e registradas informações referentes à configuração e composição vegetal, estado de conservação, possibilidade de uso, atividades associadas, acessibilidade, relação aos raios de atendimento, tipos e estado de conservação do mobiliário urbano, caracterização dos usuários e segurança local. A análise dessas informações resultou na classificação das áreas segundo funções mais amplas, as quais seguiram a formulação de Pedrosa (2013):

a-) Alto valor social e ecológico: áreas predominantemente permeabilizadas com densa cobertura arbórea e mobiliário público em bom estado que permita o uso para atividades recreativas, educativas e culturais. Atendem aos serviços de fornecimento, regulação, de habitat e culturais.

b-) Baixo valor social e alto valor ecológico e: áreas predominantemente permeabilizadas com densa cobertura arbórea mas com mobiliários públicos inexistentes ou degradados e atributos sociais reduzidos. Cumprem os serviços de fornecimento, regulação, de habitat, mas não atende os serviços culturais.

c-) Alto valor social e baixo valor ecológico: áreas predominantemente impermeabilizadas com pouca ou nenhuma cobertura arbórea e mobiliário público em bom estado que permita o uso para atividades recreativas, educativas e culturais. Cumprem os serviços sociais, mas não atendem os serviços de fornecimento, regulação, de habitat.

d-) Baixo valor social e ecológico: áreas predominantemente impermeabilizadas com pouca ou nenhuma cobertura arbórea e com mobiliários públicos inexistentes ou degradados e atributos sociais reduzidos. Podem ser classificadas como desserviços ao ecossistema.

A classificação de áreas verdes permite a proposição de ações de manejo (controle, manutenção e ampliação) destes espaços perante o poder público e servem de critérios de seleção para o mapeamento de áreas prioritárias que visam a adequabilidade da área frente às demandas do município (BARGOS; MATIAS, 2011).



3. Resultados

A partir da coleta de dados, as áreas verdes foram classificadas em duas categorias quanto ao estado de expansão do bairro ao qual pertence: a) bairros consolidados ou b) bairros não consolidados. Por bairros, inferiu-se por meio da observação o grau de permeabilidade do solo (considerando uma escala de 0%-25%, 25%-50%, 50%-70% e 70%-100%) e as funções/serviços do espaço para área urbana do município. A compilação da primeira saída visita a esses espaços resultou nas Tabelas 1, 2, 3 e 4.

TABELA 1 - Percentual de área permeável nas áreas verdes urbanas em bairros consolidados/Palotina (PR)

BAIRROS

ÁREAS VERDES

ÁREA PERMEÁVEL

CENTRO

Praça Amadeu Piovesan

25-50%


Praça Jucelino Kubitschek

70-100%


Praça 15 de Novembro

70-100%


Praça Rafael Pivetta

70-100%


Praça da Liberdade

70-100%

INTERLAGOS/JEQUITIBÁ

Lago Municipal

70-100%


Rua Oswaldo Cruz

100%

JARDIM ITÁLIA

Rua Milão

100%


Rua 15 de Novembro

100%

PIONEIRO

Rua Ipiranga

100%

BELA VISTA

Horto Municipal de Palotina

100%


Rua 5 de Julho

100%


Rua Projetada A

100%


R. Beija-Flor

100%

COHAPAR

R. das Gérberas

100%


R. dos Jasmins/das Petúnias

100%


R. Brasil para Cristo/Girassóis

100%

POR DO SOL

R. Paula Francis

70-100%


Rua Pontes Miranda

100.0%

UNIÃO

Av. Werno Bruno Ritter (União)

100%


R. Getúlio Vargas/Rua Jaco

100%


R. Projetada Marlon Brando

100%

SANTA TERIZINHA

R. Angelo Marchezan

100%



TABELA 2 - Percentual de área permeável nas áreas verdes urbanas em bairros não consolidados/ Palotina (PR)

BAIRROS

ÁREAS VERDES

ÁREA PERMEAVEL

IMIGRANTES

R. Argentina

100%


R. Alemanha

100%

JARDIM DALLAS

Av. Werno Bruno Ritter (Dallas)

100%


R. Ari Barroso

100%


R. Nelson Gonçalves

100%

JARDIM PROGRESSO

R. Dom Pedro Primeiro

100%

JARDIM SOCIAL

R. das Grevíleas X R. das Mangueiras

100%


R. das Grevíleas

100%


R. Magnólia X Pitangueira

100%

MORADA DO SOL

R. Vanderlei Falavinha Iensen

100%

OSVALDO CRUZ

R. Joana D’arc

100%


R. Projetada (Próximo Ao Fórum)

100%


R. Jaci

100%

OURO VERDE

R. Gralha Azul

100%





TABELA 3 - Caracterização das áreas verdes urbanas encontradas em bairros consolidados/Palotina (PR) [Legenda: SF=Serviços de fornecimento, SR=Serviços de regulação, SC=Serviços culturais, SH=Serviço de habitat, DSE=Desserviços do ecossistema]

Bairros

Áreas verdes

SF

SR

SC

SH

DSE

CENTRO

Pç. Amadeu Piovesan

-

1

1

-

-


Pç. Jucelino Kubitschek

-

1

1

-

-


Pç. 15 De Novembro

-

1

1

-

-


Pç. Rafael Pivetta

-

1

1

-

-


Pç. da Liberdade

-

1

1

-

-

INTERLAGOS/JEQUITIBÁ

Lago Municipal

-

1

1

1

1


Rua Oswaldo Cruz

-

1

-

1

-

JARDIM ITÁLIA

R. Milão

-

-

1

-

-


R. 15 de Novembro

-

1

-

-

1

PIONEIRO

R. Ipiranga

-

1


1

1

BELA VISTA

Horto Municipal de Palotina

-

1

1

-

-


R. 5 de Julho

-

-

-

-

1


R. Projetada A

-

-

-

-

1


R. Beija-Flor

-

-

-

-

1

COHAPAR

R. das Gérberas

-

1

-

1

1


R. dos Jasmins/das Petúnias

-

1

-

-

1


R. Brasil para Cristo/Girassóis

-

1

-

-

1

POR DO SOL

R. Paula Francis

-

1

-

-

1


R. Pontes Miranda

-

1

-

1

-

UNIÃO

Av. Werno Bruno Ritter

-

1

-

-

1


R. Getúlio Vargas/R. Jaco

-

1

-

1

1


R. Projetada Marlon Brando

-

-

-

-

1

SANTA TEREZINHA

R. Angelo Marchezan

-

1

-

-

-

SOMA DAS FUNÇÕES


0

18

8

6

13



TABELA 4 - Caracterização das áreas das áreas verdes urbanas encontradas em bairros não consolidados/Palotina (PR)

[Legenda: SF=Serviços de fornecimento, SR=Serviços de regulação, SC=Serviços culturais, SH=Serviço de habitat, DSE=Desserviços do ecossistema]

Bairros

Áreas Verdes

SF

SR

SC

SH

DSE

IMIGRANTES

R. Argentina

-

1

-

1

1


R. Alemanha

-

1

-

-

1

JARDIM DALLAS

Av. Werno Bruno Ritter (Dallas)

-

1

-

-

1


R. Ari Barroso

-

1

-

-

1


R. Nelson Gonçalves

-

-

-

-

1

JARDIM PROGRESSO

R. Dom Pedro Primeiro

-

-

-

-

1

JARDIM SOCIAL

R. das Grevíleas /R. das Mangueiras

-

1

1

-

-


R. das Grevíleas

-

1

-

1

-


R. Magnólia X Pitangueira

-

1

-

1

-

MORADA DO SOL

R. Vanderlei Falavinha Iensen

-

-

-


1

OSVALDO CRUZ

R. Joana D’arc

-

1

-

1

1


R. Projetada (Próximo Ao Fórum)

-

-

-

-

1


R. Jaci

-

1

-

1

1

OURO VERDE

R. Gralha Azul

-

-

-

-

1

SOMA DAS FUNÇÕES


0

9

1

5

11

Foram considerados como bairros consolidados: Bela Vista, Centro, Cohapar, Interlagos, Jd. Itália, Pioneiro, Pôr do Sol e União, e como bairros não-consolidados: Imigrantes, Jd. Dallas, Jd. Progresso, Jd. Social, Morada do Sol, Ouro Verde, Osvaldo Cruz e Santa Terezinha. Verificou-se que nos espaços dos bairros não consolidados, as áreas atingem 100% de permeabilidade, justamente, porque ainda podem ser considerados “terrenos baldios” apresentando desserviços do ecossistema como visualizado na Tabela 4.

Dando continuidade à análise, após a segunda visita, elaborou-se o Quadro 1 que apresenta a classificação e a descrição geral da área. A Tabela 5 computa o número de áreas segundo a classificação proposta.

QUADRO 1- Classificação e descrição das áreas das áreas verdes urbanas encontradas em bairros consolidados/ Palotina (PR)

Bairros

Áreas Verdes

Categorias

Descrição geral da área

CENTRO

P. Amadeu Piovesan


Alto valor social e baixo valor ecológico


Exerce grande papel social para o município, possui atividades recreativas e culturais, mobiliários públicos, boa iluminação e presença da malha urbana. No quesito ecológico identificou-se a falta de mais espécies arbóreas na área.


P. Jucelino Kubtscheck


Alto valor social e baixo valor ecológico


Exerce função social com mobiliários públicos no local (parquinho infantil, bancos, postes de iluminação, lixeiras). No quesito ecológico identificou-se a falta de mais espécies arbóreas na área.


P. 15 de novembro

Alto valor social e alto valor ecológico


Exerce grande papel social para o município, possui atividades recreativas e culturais, mobiliários públicos, mas faltam postes de iluminação internos e cuidados com a limpeza. A área tem densa arborização cumprindo a função na regulação de temperatura.


P. Rafael Pivetta


Alto valor social e alto valor ecológico


Exerce papel significativo tanto na função ecológica quanto social. Apresenta boas condições em vários aspectos e entre todas as praças é a que se encontra mais adequada para os padrões de uma área verde de alta qualidade.


P. da Liberdade (Teatro)

Alto valor social e baixo valor ecológico

Possui pouca área permeável e poucas e esparsas espécies arbóreas. Alguns mobiliários públicos como bancos e lixeiras disponíveis para uso da população. Cumpre a função social por ser localizada em um bairro central.

INTERLAGOS/JEQUITIBÁ

Lago

Alto valor social e baixo valor ecológico

Desempenha significativa função social no município, apresentando mobiliário público, calçamento interno e postes de iluminação. Porém há escassez de vegetação arbórea, o que pode dificultar o uso da área durante o dia.


R. Oswaldo Cruz

Baixo valor social e alto valor ecológico

Desempenha função ecológica com densa arborização e distribuída igualmente, cumprindo os serviços de regulação e de habitat. Possui algumas trilhas de caminhada e poucos equipamentos para uso social.

JARDIM ITÁLIA

R. Milão

Baixo valor social e baixo valor ecológico

Não possui mobiliário público e vegetação arbórea, apresentando desserviços ecossistêmicos por se configurar como um terreno baldio.


R. 15 de Novembro

Baixo valor social e baixo valor ecológico

Não possui mobiliário público e vegetação arbórea, apresentando desserviços ecossistêmicos por se configurar como um terreno baldio.

BELA VISTA

Horto municipal de Palotina

Alto valor social e alto valor ecológico

Desempenha funções sociais, uma vez que atende a população com a disponibilidade de mudas gratuitas de diversas espécies arbóreas. Apresenta alto valor ecológico por ser uma área permeável e arborizada, cumprindo os serviços de regulação e habitat.


R. 5 de julho

Baixo valor social e baixo valor ecológico

Não possui mobiliário público e vegetação arbórea, apresentando desserviços ecossistêmicos por se configurar como um terreno baldio.


R. Shirley Saurin

Baixo valor social e baixo valor ecológico

Não possui mobiliário público e vegetação arbórea, apresentando desserviços ecossistêmicos por se configurar como um terreno baldio.

COHAPAR

R. das Gerberás

Baixo valor social e baixo valor ecológico


Não possui mobiliários públicos e nenhuma espécie arbórea, apresentando desserviços ecossistêmicos por se configurar como um terreno baldio com muito entulho no local. Percebeu-se que a área é usada para abrigar animais e carroças.


R. das Petúnias


Baixo valor social e baixo valor ecológico


Não possui mobiliários públicos e nenhuma espécie arbórea, apresentando desserviços ecossistêmicos por se configurar como um terreno baldio com muito entulho no local. Percebeu-se que a área é usada para abrigar animais e carroças.


R. dos Girassóis

Baixo valor social e baixo valor ecológico

Não possui mobiliários públicos mas existe pouca arborização esparsa pelo local. Apresenta desserviços ecossistêmicos por se configurar como um terreno com muito entulho. Percebeu-se que a área é usada para abrigar animais e carroças.

PÔR-DO-SOL

R. Pontes de Miranda


Alto valor social e alto valor ecológico


Cumpre função social, apresentando equipamentos de ginástica e recreação. A área é permeável e tem vegetação arbórea no local, propiciando conforto térmico.


R. Paulo Francis

Baixo valor social e alto valor ecológico

A área é grande, totalmente permeável e possui grandes espécies arbóreas, propiciando serviço de regulação e de habitat na temperatura. Algumas pessoas usam a área como passagem entre duas ruas da cidade e moradores fazem uso de parte da área para convívio social e recreação. Mas faltam alguns mobiliários no local (melhorias na iluminação e lixeiras).

UNIÃO

Av. Werno Bruno Ritter

Alto valor social e baixo valor ecológico

Cumpre a função social por possuir um campo de futebol, mas apesar da área ser permeável, não há nenhuma espécie arbórea para conforto térmico e abrigo da biodiversidade.


R. Getúlio Vargas

Baixo valor social e alto valor ecológico

Área totalmente permeável com densa arborização, cumprindo os serviços de regulação, fornecimento e de habitat, mas de difícil acesso (já que a malha urbana não foi totalmente construída) e sem nenhum mobiliário público.


R. Projetada Marlon Brando

Baixo valor social e alto valor ecológico

Área totalmente permeável com densa arborização, cumprindo os serviços de regulação, fornecimento e de habitat, mas de difícil acesso e sem nenhum mobiliário público.

SANTA TEREZINHA

R. Angelo Marchezan

Baixo valor social e baixo valor ecológico

É uma área pequena que circunda uma avenida movimentada. O local é bem cuidado e possui vegetação, mas não é convidativo para uso público e não abriga biodiversidade urbana justamente pela localização.



TABELA 5- Números de áreas verdes urbanas dos bairros consolidados/Palotina (PR) segundo a classificação proposta

Classificação

Número de áreas verdes urbanas

Alto valor social e ecológico

4

Baixo valor social e alto valor ecológico

4

Alto valor social e baixo valor ecológico

5

Baixo valor social e ecológico

8

TOTAL

21



4. Discussão

A opção categorizar dois tipos de bairros logo após a primeira visita foi baseada no conceito de Daltoé, Cattoni e Loch (2004) que entre as classificações de áreas verdes de acordo com a forma e fisionomia do espaço urbano. Entre as seis categorias propostas pelos autores está a classificação “áreas livres não arborizadas (vazios urbanos) ” que são lotes típicos de áreas urbanas em consolidação recente com coberturas herbáceos arbustivas e predomínio de gramíneas. Tal proposição está em consonância com a realidade de Palotina, uma vez que é um município que está em fase de expansão urbana. Os bairros considerados não consolidados foram recentemente loteados, sendo que não há um aglomerado de residências, comércio e outras infraestruturas que já o caracterizem como um bairro construído. Essa categorização acarretou na opção de continuar a coleta de dados nas áreas verdes urbanas de bairros consolidados.

Vários autores vêm discutindo o conceito, a importância e as funções das áreas verdes urbanas, defendendo um balanço entre a função social e a função ecológica (BARROS; VIRGILIO, 2003; NUCCI, 2008; RESTREPO, 2009), pois a qualidade de vida, infraestrutura de uma cidade, desenvolvimento econômico-social e qualidade ambiental estão intrinsicamente articulados (Loboda & De-Angelis, 2005). Do ponto de vista legal, a Resolução CONAMA n° 369/2006 determina a área verde como um “o espaço de domínio público que desempenhe função ecológica, paisagística e recreativa, propiciando a melhoria da qualidade estética, funcional e ambiental da cidade, sendo dotado de vegetação e espaços livres de impermeabilização”. Todavia, existe uma certa dificuldade em se conceituar áreas verdes no espaço urbano, devido à grande generalidade observada na literatura, o que acaba gerando, muitas vezes, um certo equívoco por parte do administrador público municipal (BENINI; MARTIN, 2010). Dessa maneira, considerou-se, no presente estudo, que para ser reconhecido como área verde urbana, o espaço deve caminhar na proposta de cumprir os objetivos sociais e ecológicos, cabendo ao poder público se preocupar com a infraestrutura de uma área verde (bancos, luminárias internas e no entorno, bebedouros públicos, placa de identificação do local, caminhos para a circulação, acessibilidade à área, conforto térmico e sonoro, segurança e atrativos estéticos. Pautando-se nesse conceito, o resultado desta investigação identificou que apenas quatro áreas podem ser classificadas como áreas verdes urbanas: Praça 15 de novembro (Centro), Praça Rafael Pivetta (Centro), área da Rua Pontes Miranda (Pôr do Sol) e Horto Municipal de Palotina (Bela Vista).

Além disso, estes espaços podem exercer função educativa, já que abrem possibilidade para o desenvolvimento de atividades extraclasse e de programas de educação ambiental (ANDRADE et al., 2006). Outras experiências também vêm mostrando como um parque urbano ou uma praça podem ser considerados espaços educadores, e se tornam lugares convidativos se em bom estado de conservação (ALMEIDA; BICUDO; BORGES, 2004. MELAZO, 2005). Logo, observou-se que áreas como a Praça 15 de Novembro (Centro), a Praça Rafael Pivetta (Centro), o Horto Municipal de Palotina (Bela Vista) e a área localizada na Rua Pontes de Miranda (Pôr do Sol) possuem imensa potencialidade de uso para o ensino e aprendizagem sobre a temática ambiental. Essas atividades educativas favorecem o uso constante por parte da população, ajudam sensibilizar a mesma sobre os cuidados ao interagir com os espaços públicos, como a conservação de equipamentos de lazer e infraestrutura e podem inibir atos ilícitos.

Dentre os espaços livres, a praça é um espaço importante que exerce influência na melhoria da qualidade de vida da população e do meio ambiente urbano, pois reduz aspectos negativos decorrentes do processo de urbanização (BARROS; VIRGILIO, 2003). Uma característica comumente encontrada em “praças da matriz” principalmente em cidades interioranas é o uso para práticas tradicionais como religiosidade e comércio (feiras, mercados ou atividades de vendedores ambulantes), bem como palco de manifestações populares (GOMES, 2005). Além disso, o autor também observou que essas praças atraem maior atenção e público, já que em seus arredores existem residências de alto poder aquisitivo, comércio lojista e possuem uma infraestrutura para abrigar atividades de lazer e grandes aglomerações. Benini e Martin (2009) citam que estes espaços são constituídos de uma área arredondada ou quadrada com arborização e/ou ajardinamento central e especialmente cortada de vias e alamedas para circulação de pedestres, pelo fato de estar estritamente relacionado com função socioeconômica da praça e a aspectos históricos da comunidade, deixando consequentemente características ecológicas quase sempre num plano inferior. No entanto, segundo Nucci (2008), uma praça não deveria ser considerada uma área verde, quando não possui vegetação e é impermeabilizada. No caso do presente estudo, identificamos cinco áreas que cumprem objetivos sociais, culturais e cívicos, mas não se adequa como área verde por não possuir solo permeável e densa vegetação: Praça Amadeu Piovesan (Centro), Praça Juscelino Kubitschek (Centro), Praça da Liberdade (Centro), Lago Municipal (Interlagos/Jequitibá) e área da Avenida Werno Bruno Ritter (União).

Em áreas que se localizam entre ruas de tráfego intenso ou margeando avenidas, percebe-se um comprometimento em suas funções ecológicas (por exemplo, serviços de habitat como abrigo de fauna) já que a vegetação contribui para fonte de alimento e abrigo, mas a alta intensidade de ruídos, a iluminação e a falta de conectividade acaba afastando algumas espécies animais dessas áreas (ELMQVIST et al., 2013). Além disso, essa localização é preocupante para espaços que possuem playgrounds e proporcionam recreação infantil já que as crianças podem correr em direção as vias de circulação, acarretando acidentes, comprometendo, também a função social. Para Nucci (2008), esses espaços se tornam inadequados e sujeitos à reformulação, pois devem oferecer toda a segurança aos usuários e ótimas condições para o uso, tanto no que se refere à prática de atividade física como recreação. No caso de Palotina, identificou-se uma única área com essas características: área da Rua Angelo Marchezan (Santa Terezinha) por ser uma pequena porção de vegetação (bem cuidada) que circunda uma avenida movimentada que acaba escoando em uma estrada do município. No entanto, foi verificado que essa área, apesar de não cumprirem todas as funções ecológicas e sociais, tem importante papel estético e funciona como reguladora da temperatura e escoamento da água pluvial em um local de intensa malha urbana.

Outro aspecto importante é a cobertura florestal que influencia a intensidade da ilha de calor da cidade (NICODEMO; PRIMAVESI, 2009). No município de Palotina, as vias de acessos centrais e boa parte dos bairros adjacentes não são arborizadas, restando apenas as áreas verdes para regular este efeito. Observou-se nas áreas estudadas a existência de cobertura florestal esparsa e não diversificada, com exceção da área localizada na Rua Paulo Francis (Pôr do Sol). Segundo um estudo realizado por Nicodemo e Primavesi (2009), o aumento da cobertura florestal urbana modifica os fluxos de energia e de água, refletindo em mudanças na temperatura do ar, no regime de ventos e na concentração de poluentes do ar. Em dias mais quentes esta cobertura arbórea se torna atrativa à população. No entanto, quando se observa a área verde na Rua Paulo Francis (Pôr do Sol), verifica-se a ausência de mobiliário público para o acolhimento. Para que o espaço seja de fato convidativo, deve-se garantir segurança e acessibilidade, contendo equipamentos como bancos, bebedouros, calçamento, iluminação, latas de lixo em bom estado. Dessa maneira, a combinação de áreas permeáveis e vegetação arbórea, presença mobiliário público, distribuição das áreas nos bairros e atividades de uso público devem ser administradas com cautela a fim de conciliar função social e ecológica.

O estudo identificou que oito áreas estudadas apresentam baixo valor social e ecológico. Barros e Virgilio (2003) e Pedrosa (2013), em seus estudos, verificaram que áreas que com essas características, acabam sendo ocupadas pela população, mas com outras atividades (como uso de drogas, depósito de lixo, apropriação privada) que não condizem com os objetivos da manutenção e conservação das áreas verdes públicas. Cabe ao poder público municipal investir em na infraestrutura do local, na recuperação da vegetação e em iniciativas para que a população faça uso da área como espaço de recreação, educação e convivência com os outros moradores da cidade.

Pelo Quadro 1, percebe-se que as áreas verdes que não estão localizadas no Bairro Centro têm ou sua função social ou sua função ecológica comprometida. Logo, verificou-se que as áreas verdes afastadas da área central se apresentam com baixa qualidade ambiental e/ou com manutenção precária, como também constatou Bovo e Amorim (2009) e Lindermaier (2013). Em alguns desses locais, foi observado galhos caídos e o crescimento excessivo de gramíneas que obstruem a passagem e, segundo Cornelli (2013), tais espécies podem possuir princípios alérgicos ou tóxicos afastando ainda mais os usuários desses espaços. Essa situação não assegura acessibilidade e segurança da área estudada. Apesar de não estarem em condições ideais, observa-se a apropriação por parte da população como local de encontro e sociabilização em suas extremidades e lugar de passeio internamente, como por exemplo na Rua Paulo Francis (Pôr do Sol).

Outro aspecto que merece atenção é a apropriação privada. Tsuda (2010) relata em sua pesquisa que muitas das áreas destinadas ao verde são ocupadas para a construção de conjuntos habitacionais irregulares (favelas), são anexadas em condomínios residenciais verticais e se tornam privativas, algumas são utilizadas como área de depósito de entulho e outras acabam sendo usadas como estacionamento por parte dos moradores do bairro. Para o autor, a desorganização das instâncias encarregadas da gestão e fiscalização, a falta de um mapeamento completo da cidade e a falta de um cadastro eficiente das áreas verdes públicas facilitam a ocorrência desta apropriação ilegal.

Nessa investigação, observou-se que as áreas verdes do Bairro Cohapar têm apropriação privada por moradores que usam o local como extensão da sua casa, depositando entulho e abrigando cavalos e carroças/carrinhos. Porém, associado a esses fatores, verificou-se o desconhecimento do espaço como área verde urbana do município e, por consequência, não há nenhum tipo de mobilização coletiva para construção desse espaço que pode vir a ser um local de convívio social e possibilidade de contato com um ambiente mais próximo do natural dentro da região urbana. Esta relação desigual que envolve as questões socioambientais e econômicas, conforme apontado por Loboda e De- Angelis (2005), pode vir a se tornar um problema, sendo que, caso não seja tomada alguma providência, no que diz respeito a estes fatores, pode ocasionar em uma redução cada vez maior nos espaços coletivos, tendendo a se tornarem cada vez mais privados.

De acordo com Donoso e Queiroga (2008), existem múltiplas variáveis que influenciam a apropriação coletiva do espaço livre, por exemplo, localização, estações climáticas, cultura local e dia da semana. É por conta disso que esses espaços devem permitir uma diversidade em relação ao uso. Em uma cidade como Palotina, ainda em fase de expansão e considerada uma cidade promissora na região, ser vigilante a todos esses aspectos torna-se fundamental, pois há possibilidade de trabalhar nessa perspectiva de maneira intencional:

As possibilidades existentes para uma melhor qualificação das áreas livres nos municípios médios e pequenos é muito grande, principalmente devido ao estoque de áreas que poderiam prover uma melhor qualidade ambiental e social, com espaços livres voltados para o convívio, lazer, atividades físicas em consonância com conservação ambiental. Isso não apenas nas áreas urbanas, mas, também, nas áreas de expansão das cidades e nas áreas rurais (Donoso & Queiroga, 2008, p.283).



Apesar de todas as cidades apresentarem estas áreas públicas, poucas apresentam uma certa organização destes ambientes, o que muitas vezes resulta em sua dispersão pela malha urbana (LOBODA; DE- ANGELIS, 2005). Este fato é observado no presente estudo, o qual identificou, também, um desafio na distribuição espacial dessas áreas para que seja democrática e atenda a totalidade da população. Pelo Quadro 1, percebe-se que as áreas que foram classificadas com alto valor ecológico e alto valor social são os espaços pertencentes a bairros com alto poder aquisitivo. Em seu estudo, Nucci (2008) identificou que precariedade das áreas verdes urbanas em regiões onde se encontram famílias de baixa renda, que vivem muitas vezes em domicílios confinados e que necessitam desfrutar de um espaço de lazer. Tudo isso reforça a necessidade de uma gestão pública que busque um equilíbrio socioambiental, garantindo a todos os cidadãos, sem exceção, locais (áreas verdes) destinados à preservação ou implementação de vegetação para o convívio social, lazer e atividade física (LINDERMAIER, 2013).



5. Considerações Finais

O presente trabalho apresentou uma caracterização ampla das áreas verdes urbanas de Palotina, visando a compilação de dados mais gerais para que, a partir disso, outras questões investigativas surjam no sentido de constituir o projeto “Diagnóstico socioambiental de áreas verdes urbanas do município de Palotina (PR) como subsídio a gestão e educação ambiental”. Nesse sentido, o estudo terá continuidade aprofundando qualitativamente os dados juntos aos usuários e moradores do entorno desses espaços afim de compreender seus vínculos históricos e afetivos e suas demandas. Durante o trabalho, verificou-se, em alguns bairros, o desconhecimento dos residentes sobre aquele espaço ser previamente destinado a construção de uma área verde. Logo, iniciativas de educação ambiental que proponham essa percepção e identidade da população com o local também são ideias futuras no contexto do projeto.

Palotina tem a particularidade de ser um município novo e em fase de expansão urbana, logo optou-se pela categorização das áreas em bairros consolidados e não consolidados. Faz-se relevante argumentar que, caso um estudo similar seja feito daqui alguns anos, outros resultados poderão ser encontrados. Por isso, também, percebe-se a relevância social do trabalho que pode contribuir com o planejamento dos espaços que ainda serão construídos e aprimorar as áreas que já existentes para caminhar no sentido de cumprir as funções sociais e ecológicas das áreas.

Ao longo da revisão de literatura, diversas pesquisas foram levantadas e estudadas. Verificou-se o amplo espectro de possibilidades de técnicas coleta de dados (desde de observações a georreferenciadas), conceituações de áreas verdes, análises e categorizações. No trabalho, optou-se por técnicas de coleta e análise de dados condizentes com a disponibilidade de materiais e com a realidade do município. Outros roteiros e enfoques podem contribuir com o aprofundamento desse trabalho, levantando mais dados e outras conclusões.



6. Agradecimentos

Agradecemos a Universidade Federal do Paraná pelo apoio ao projeto e à Prefeitura Municipal de Palotina por disponibilizar os mapas utilizados durante a investigação.



7. Referências

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IBGE- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2010. Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br.

LINDENMAIER, D.S. A organização da vegetação arbórea na paisagem urbana de Cachoeira do Sul, RS. 2013. 154f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013.

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MINAYO, M. C. S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 23 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.

NICODEMO, M. L.F.; PRIMAVESI, O. Por que manter árvores na área urbana?. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2009.

NUCCI, J.C. Qualidade ambiental e adensamento urbano: um estudo de ecologia e planejamento da paisagem aplicado ao distrito de Santa Cecília (MSP). 2 ed. Curitiba: O Autor, 2008. Disponível em: < http://www.labs.ufpr.br/site/arquivos/qldade_amb_aden_urbano.pdf>

RESTREPO, L.A.V. Del parque urbano al parque sostenible. Bases conceptuales y nalíticas para la evaluación de la sustentabilidad de parques urbanos. Revista de Geografía Norte Grande, v.43, p. 31-49, 2009.

RUSS, A.(Org.) Urban environmental education. New York e Washington: Cornell University Civic Ecology Lab, North American Association for Environmental Education and EE Capacity project, 2015

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PEDROSA, J. A.G. . Caracterização dos usos e funções das áreas verdes públicas urbanas no município de Nova Lima, Minas Gerais. Belo Horizonte. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Ciências Biológicas - Licenciatura) - Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, 2013.

QUEIROGA, E.F.; BENFATTI, D.M. Sistemas de espaços livres urbanos: construindo um referencial teórico. Paisagem Ambiente: ensaios, v.24, p.81 – 88, 2007.

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8. Anexo 01

Roteiro utilizado na primeira visita a todas as áreas verdes urbanas do município de Palotina (PR)

Categorias

Subcategorias

Atributos

1. Legislação e Gestão

Legislação

Diretrizes do Plano Diretor Municipal para o local

Diretrizes do Zoneamento urbano para o local

Existência de Áreas de Especial Interesse

Indicação de outros instrumentos e parâmetros urbanísticos

Gestão municipal

Órgão(s)/setor(es) definidos para a gestão/manutenção do local

Associação de moradores atuante no entorno

Segurança pública no local

Limpeza pública

2. Acessibilidade

Acesso físico


Ciclovias até o local

Bicicletário no local

Sistema viário até o local

Estacionamentos no local

Calçadas

Calçadas no local

Acesso à cadeirantes

Cercamento

Muros, cercas, portões

3. Atributos paisagísticos

Mobiliário

Bancos

Mesas

Arquibancadas

Brinquedos infantis

Equipamentos de ginástica

Bebedouros

Quadras poliesportivas

Banheiros

Sede (ponto apoio)

Iluminação

Iluminação pública

Iluminação adicional

Circulação

Trilhas naturais

Caminhos pavimentados

Áreas pavimentadas

Permeabilidade

0 - 30% áreas permeáveis

30 - 70% áreas permeáveis

+ 70% áreas permeáveis

4. Flora


Densidade de espécies vegetais

Esparsa

Média

Densa

Variedade de espécies vegetais

Pouco variada

Variada

Altura predominante

Baixa (relvado)

Média (até 6m)

Alta (acima 6m)

5. Fauna

Presença de tipos

Fauna natural (lobos, preás, pássaros)

Fauna antrópica (ratos, pombos)

Fauna doméstica (cavalos, cachorros, gatos)

6. Atributos perceptivos


Sonoridade

Olfato

Luminosidade

Conforto térmico

7. Atributos e práticas socioculturais


Formas e intensidade de interação e de apropriação

Eventos ao ar livre

Feiras livres

Atividades culturais

Atividades educativas



9. Apêndice 01

Roteiro utilizado na segunda visita às áreas verdes urbanas dos bairros consolidados do município de Palotina (PR)

Categorias

Subcategorias

Atributos

1. Acessibilidade

Acesso físico


Ciclovias até o local

Bicicletário no local

Sistema viário até o local

Estacionamentos no local

Calçadas

Calçadas no local

Acesso à cadeirantes

Cercamento

Muros, cercas, portões

2. Atributos paisagísticos

Mobiliário

Bancos

Mesas

Arquibancadas

Brinquedos infantis

Equipamentos de ginástica

Bebedouros

Quadras poliesportivas

Banheiros

Sede (ponto apoio)/ Posto de informações/ Guarita

Lixeiras

Telefones públicos

Sinalização

Manutenção/ Estado de conservação do mobiliário

Excelentes condições

Regular

Péssimo

Destruído/ Pichação

Iluminação

Postes de iluminação no perímetro

Postes de iluminação internos

Condições dos postes de iluminação

Excelentes condições

Regular

Péssimo

Destruído/ Pichação

Circulação

Trilhas naturais

Caminhos pavimentados (ciclovia, pista de caminhada)

Áreas totalmente pavimentadas

Condições para circulação

Ótima

Regular

Péssima

Permeabilidade

0 - 25% áreas permeáveis

25 - 50% áreas permeáveis

50-70% áreas permeáveis

70- 100% áreas permeáveis

Tipo de revestimento do piso

Terra

Brita

Grama

Solo compactado

Asfalto/ concreto/pedra

Madeira

3. Raio de atendimento da área

Local – atende à vizinhança

Local – atende ao bairro

Municipal – atende ao município

4. Flora


Densidade de espécies vegetais

Esparsa

Média

Densa

Distribuição das espécies vegetais

Concentrada em uma porção da área

Concentrada em pequenas porções pela área

Distribuída igualmente por toda a área

Variedade de espécies vegetais

Pouco variada

Moderadamente variada

Muito Variada

Altura predominante

Baixa (relvado)

Média (até 6m)

Alta (acima 6m)

Estado de conservação da flora

Bem conservada

Mal cuidada/ doente

Destruída

5. Fauna

Presença de tipos

Fauna silvestre (lobos, preás, pássaros)

Fauna sinantrópica (ratos, pombos)

Fauna doméstica (cavalos, cachorros, gatos)

6. Atributos perceptivos


Sonoridade

Olfato

Luminosidade

Conforto térmico

7. Atributos e práticas socioculturais


Formas e intensidade de interação e de apropriação

Eventos ao ar livre (shows, danças)

Feiras livres

Recreação, lazer

Atividades educativas

Atividades esportivas

Atividades religiosas

Esculturas/ Pinturas

Usuários do Parque

Criança

Jovem

Adulto

Idoso

Família

8. Outras observações

Mirantes, Lagos, Rios, Nascentes de Rios, etc




i Autoria: Renata Bovo Peres, Andréia Nasser Figueiredo, Valéria Ghisloti Iared, Pedro Augusto Munhoz, Haydée Torres de Oliveira 

Título do trabalho:  Qualificação de áreas verdes na cidade de São Carlos (SP): um olhar educativo e de gestão ambiental na bacia hidrográfica do Córrego Santa Maria do Leme



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