ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018AS COMPREENSÕES DE ESTUDANTES DE GESTÃO IMOBILIÁRIA SOBRE AS RELAÇÕES SOCIEDADE E NATUREZA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL  
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AS COMPREENSÕES DE ESTUDANTES DE GESTÃO IMOBILIÁRIA SOBRE AS RELAÇÕES SOCIEDADE E NATUREZA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

André Alex de Paula Silva1, Luiz Alberto Knor King Júnior2, Christiano Nogueira3

1 Bolsista Iniciação Científica/CNPq, andrealex@ufpr.br, Setor Litoral, Universidade Federal do Paraná

2 Bolsista Iniciação Científica, luiz_king@hotmail.com, Setor Litoral, Universidade Federal do Paraná

3 Professor, christiano@ufpr.br, Setor Litoral, Universidade Federal do Paraná.

Resumo: Este trabalho mostra a compreensão da Educação Ambiental de estudantes de Gestão Imobiliária da UFPR. Verificou-se que eles possuem uma visão integrada de sociedade e natureza, mas não no sentido sistêmico envolvendo as relações de produção e relacionadas a concepções conservacionistas de Educação Ambiental.



Abstract: This work shows the understanding of Environmental Education of students of Real Estate Management of UFPR. It was verified that they have an integrated vision of society and nature, but not in the systemic sense involving the relations of production and related to conservationist conceptions of Environmental Education.

Introdução

O curso superior de Tecnologia em Gestão Imobiliária da Universidade Federal do Paraná no setor Litoral possui carga horaria de 2016 horas, com duração de três anos, no período noturno. Trata-se de uma graduação do âmbito da educação profissional e destina-se a estudantes egressos do ensino médio ou equivalente e é contextualizado com a realidade do litoral do Estado do Paraná, especialmente com as ocupações irregulares e conflitos ambientais decorrentes da expansão urbana. Possui foco nas ações da gestão em transações e administração de imóveis, considerando o contexto territorial que abrange o planejamento urbano e as problemáticas relacionadas à ocupação em equilíbrio com o meio ambiente.

O curso iniciou-se em 2011 e é ofertado anualmente com quarenta vagas. Considerando a temática ambiental, o curso possui destaque para a disciplina de impactos urbano-ambientais, que contempla estudos prévios de impacto ambiental: variáveis de impacto ambiental em municípios litorâneos, preservação do meio ambiente e melhoria das condições de ocupação das cidades do litoral, consciência ambiental por meio da educação ambiental e reflexões sobre a Politica Nacional de Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável (UFPR, 2015).

Metodologia

O método foi aplicado a partir de um questionário composto de questões para estudantes no início do curso. A escolha foi no sentido de analisar como estas compreensões são formadas nos estudantes ao longo do seu processo formativo. Assim, esta pesquisa é parte de outras futuras que serão realizadas nos anos seguintes com a mesma turma. Mediante a autorização de um professor, em seu horário de aula, houve a aplicação dos questionários, período que seria mais garantido a presença da maioria dos estudantes e mais resultados na obtenção de dados. A aplicação ocorreu em abril de 2018, adiada uma vez devido a problemas relacionados ao clima, mas sem nenhum contratempo quando realizada posteriormente. Participaram onze estudantes, os quais responderam os questionários anonimamente, ocupando cerca de uma hora para a conclusão do mesmo.

As respostas dos questionários foram analisadas com base na Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977; FRANCO, 2005). Nesta análise, foi realizado um processo que envolve procedimentos para alcançar uma maior profundidade na análise e interpretação dos dados em que, num primeiro procedimento, os textos originais são desfragmentados para unidades de análise passando por uma desconstrução. A partir disso é determinada uma nova relação entre as unidades havendo o agrupamento das partes equivalentes através da categorização.

Referencial Teórico

Foi na década de 1960 que se deu início a uma série de movimentos sociais, dentre os quais o ecológico. O movimento ecológico tem suas raízes histórico-culturais ligadas à­ urbanização desenfreada, explosão demográfica, poluição do ar e da água, erosão dos solos, ameaça nuclear, entre outras. No Brasil, esse movimento emerge na década de 1970, em meio ao desenvolvimento industrial e o aumento do desmatamento e ampliação de áreas cultivadas para obter aumento de produção, levando a uma tradição de pouco respeito pela conservação dos recursos naturais (GONÇALVES, 2016). Ainda para este autor, os ecologistas são chamados de românticos por almejar uma sociedade que tenha uma conexão com a natureza e não a veja apenas como recurso, mas como parte de si e isso pode influenciar na questão econômica. Aliás, uma teia de fatores, por isso há grande resistência da sociedade. Esse caráter difuso não desqualifica o movimento ecológico, muito pelo contrário, afirma Gonçalves:

É fonte das riquezas e dos seus problemas enquanto movimento político e cultural. Ao propugnar uma outra relação dos homens (sociedade) com a natureza, aqueles que constituem o movimento ecológico estão, na verdade, propondo um outro modo de vida, uma outra cultura. Chocam-se com valores já consagrados pela tradição e que, ao mesmo tempo, perpetuam os problemas que queremos ver superados (2016, p.21)”.

Pensar a natureza significa trazer à tona profundas implicações filosóficas, questionar em que momento histórico o homem se intitulou superior à natureza. Isso pode ter iniciado antes do século V a.C., na Grécia, ter se consolidado na Idade Média, com a dominação do homem sobre a natureza, mesmo externo a ela.

Toda sociedade e cultura cria um determinado conceito de natureza e institui suas relações sociais. O pensamento herdado do ocidente busca provar que homem não é natureza e, sim, superior a ela. Além disso, coloca o homem como um ser social, distinguindo-o dos demais seres da natureza. No entanto, viver em sociedade é uma característica dos seres vivos, sobretudo dos animais. Os movimentos ecológicos buscam alertar sobre as consequências dessas concepções homem-natureza (GONÇALVES, 2016).

Atualmente, o sistema econômico, que atua a partir do reflexo da concepção da distinção do homem e dos demais seres vivos apresenta um desequilíbrio com o meio ambiente, tornando necessária a busca por uma harmonização entre ele e o desenvolvimento econômico para garantir a vida futura. Essa harmonização adentra a sustentabilidade. O conceito de sustentabilidade refere-se à capacidade de suporte de um ecossistema, um conceito biológico incorporado ao campo político e econômico. Sem dúvidas, um conceito instigante, complexo e desafiador, além de atribuir responsabilidade e sensibilização à geração atual por este fator (LOUREIRO, 2012).

Em um planeta onde os recursos naturais são finitos, busca-se a construção de uma sociedade sustentável. Isto exige mudança de hábitos e atitudes sociais, conciliar consumo e produção de maneira equilibrada, além de uma postura ética entre o atual sistema econômico e a preservação ambiental. Pesquisas científicas promovidas por diversas instituições e agências multilaterais demonstram que a natureza evidencia sinais de esgotamento de suas potencialidades. O uso exacerbado de energia e matéria para a produção de bens de consumo para a sociedade serve de alerta para um processo econômico insustentável.

Esse sistema influencia fortemente a cultura generalizada, não visando o sistema ecológico do planeta, e sim apenas a produção para o consumidor, a economia principalmente, sendo os “recursos naturais” finitos. Guimarães (2004) afirma: “É uma compreensão de mundo que tem dificuldades em pensar o junto, conjunto, totalidade complexa”. Focado na parte, vê o mundo partido, fragmentado, disjunto. Privilegiando uma dessas partes, a sociedade, sobre as demais, natureza, estabelece uma diferença hierarquizada que constrói a lógica da dominação. Pela prevalência da parte na compreensão e na ação sobre o mundo, desponta características da vida moderna, que são individuais e sociais: sectarismo, individualismo, competição exacerbada, desigualdade e espoliação, solidão, violência. A violência sinaliza para a perda de afetividade, amor, capacidade de se relacionar do um com o outro (social), um com o mundo (ambiental), denotando a crise socioambiental que é de um modelo de sociedade e seus paradigmas; uma crise civilizatória. A forma de relação entre a sociedade e a natureza está associada a uma educação ambiental denominada conservadora e se alicerça nessa visão de mundo que fragmenta a realidade, simplificando e reduzindo-a, perdendo a riqueza e a diversidade da relação (GUIMARAES, 2013). Trata-se de uma perspectiva fragmentada de mundo, a qual perde toda riqueza e complexidade.

Sauvé (2005) faz uma análise da educação ambiental através de correntes em um contexto europeu e um americano. Nesta análise destacam-se algumas correntes relacionadas ao contexto desta pesquisa e que possuem certa influência no pensamento da educação ambiental brasileira.

A Conservacionista/Recursista é uma corrente que possui proposições focadas na “conservação” dos recursos, considerando tanto a qualidade quanto a quantidade. Ao abordá-la sob essa perspectiva como biodiversidade, considera-se como uma natureza-recurso. Há um foco voltado aos processos de gestão ambiental, considerando os comportamentos individuais e os projetos coletivos parte das ações imperativas. Nessa corrente, consideram-se os programas de educação ambiental centrados nos três “R”, muito conhecidos como Redução, Reutilização e Reciclagem.

Na corrente resolutiva de educação ambiental, consideram-se os estudos das problemáticas ambientais com seus componentes sociais e biofísicos e suas controvérsias inerentes, agrupando proposições relacionadas ao meio ambiente, considerado, principalmente, como um conjunto de problemas. A educação ambiental dessa corrente é uma visão central da proposta pela UNESCO no contexto de seu Programa Internacional de Educação Ambiental (1975-1995).

A corrente da sustentabilidade, segundo seus partidários, possui um enfoque limitadamente naturalista, não contemplando preocupações sociais e econômicas quando se trata das problemáticas ambientais. A educação para o desenvolvimento sustentável seria uma forma de atenuar esta carência (SAUVÉ, 2005).

Para a superação destas visões de educação ambiental, seria necessária a introdução a uma nova cultura, que tivesse outro conceito de natureza, um conceito onde o ser humano é visto como parte dela. De acordo com Boff (2017), na prática, a sociedade deve se mostrar capaz de assumir novos hábitos e de projetar um tipo de desenvolvimento que cultive o cuidado com os equilíbrios ecológicos e funcione dentro dos limites impostos dentro da natureza. Para Gonçalves (2016), o que toma destaque é de que a sociedade e as ciências naturais não se comunicam, trazendo dificuldades para o tratamento da questão ambiental, tendo necessidade de união de diversas disciplinas, para a complexidade, tirando a ideia de disciplinas reduzidas, da razão técnico-científica. Sob esse ponto de vista, Capra (1996) afirma que a ciência cartesiana acreditava que, em qualquer sistema complexo, o comportamento do todo podia ser analisado pelas propriedades de suas partes. Em contraposição, a ciência sistêmica mostra que os sistemas vivos não podem ser compreendidos por meio da análise, ou seja, as propriedades das partes não são propriedades intrínsecas e só podem ser entendidas dentro do conceito do todo. Assim, o pensamento ou concepção sistêmica procura explicar as coisas considerando o seu meio ambiente e, nas palavras daquele autor, “todo pensamento sistêmico é pensamento ambientalista”.

Temos em conta que, compreender a totalidade nesta dinâmica propõe uma adjetivação chamada “transformadora” para a educação ambiental (LOUREIRO, 2004). Formulações às quais se inscrevem os vários exames dados ao termo transformador (libertário, crítico, popular, emancipatório). Tais formulações estimulam o diálogo profundo, ora visto por embates teóricos entre pesquisadores ao promover o questionamento às demais abordagens comportamentalistas, reducionistas, dualistas na compreensão da relação sociedade e natureza.

Segundo Loureiro (2004), a educação ambiental crítica, transformadora e emancipatória é definida como a que toma atitudes críticas sobre os problemas que a sociedade nos coloca, através do pensamento de que o modo em que vivemos não satisfaz nossos anseios e o entendimento sobre o mundo e sociedade e de que é necessário encontrar outra trajetória alternativa. Ainda há o destaque temático relevante em seu conteúdo mais aprofundado, além de objetivos comuns, como também características conceituais. Como o conceito de sujeito, na gestão participativa e popular na dimensão pragmática da educação.

É através desta visão que autores que estão vinculados à educação ambiental crítica insistem para atualmente focar em uma educação para a sustentabilidade socioambiental, pois não é apenas focada na conservação da natureza com o objetivo de trazer vantagens para o sistema econômico, uma visão além do desenvolvimento sustentável, uma sustentabilidade que se adeque a todos os seres vivos do planeta. Está relacionada geralmente a uma visão aprimorada do desenvolvimento sustentável, menos economicista, na qual a preocupação principal não é apenas a conservação dos recursos naturais para o crescimento econômico, mas com a sustentabilidade e a qualidade de vida para todos os seres vivos do planeta (SAUVÉ, 2005).

Nessa perspectiva, com práticas e convivência que buscam melhorias no papel de cidadão, seria possível se ter uma qualidade de vida melhor. Um exemplo é a ecopedagogia, que tem como seus princípios a educação ambiental como uma mudança de mentalidade em relação à qualidade de vida, associada à busca do estabelecimento de uma relação saudável e equilibrada com o contexto, com o outro e com o ambiente (AVANZI, 2004). Para Ruscheinsky:

A Ecopedagogia apregoa um caminho com uma dimensão tripartite para o cidadão: voltar-se sobre si mesmo, os valores, as práticas, os padrões assumidos; afinar-se com projetos de políticas públicas, com a solidariedade e equidade social; incorporar ao seu olhar também a ótica macro, como a cidadania planetária. Neste particular, especialmente, é inconveniente definir entre estas uma antes e a outra como consequência. De fato, sem segmentação dessa dupla face, importam as ações integradas a partir de uma visão sistêmica, da articulação com a organização da rede socioambiental. (RUSCHEINSKY, 2004, p. 61-62)

Assim, valores e atitudes na educação ambiental para a ecopedagogia podem ser construídos a partir de um movimento pedagógico e sócio histórico com vistas à possibilidade de formação de cidadãos que possam escolher os indicadores de qualidade relacionados a seu futuro.

Por final, o fator importante na educação é trazer uma visão questionadora e crítica, para que haja um desenvolvimento no sujeito e em uma mudança no olhar sobre relações coletivas relacionadas com a empatia e a solidariedade, porque, é claro, o individualismo cruel nos dias de hoje, nada mais é que a consequência da expressão da concorrência desenfreada e da ganância individualista.

Apresentação e Análise

Conforme descrito anteriormente, na análise do questionário aplicado, utilizamos a análise de conteúdo. Dessa interpretação, surgiram de forma destacada as seguintes unidades de análise: visão conservacionista da natureza; visão integrada entre sociedade e natureza e educação ambiental.

Para a apresentação da análise os estudantes foram identificados por códigos, que foram atribuídos de maneira aleatória, sem qualquer relação com a sequência real da aplicação dos questionários, de estudante 1 a e11. A seguir. apresentamos a análise das unidades que se destacaram.

1 – Unidade de Análise “Visão conservacionista da natureza

Esta foi a unidade de análise que tomou o maior destaque. Caracterizamos que as compreensões de diversos estudantes estão inseridas nesta lógica de como eles entendem o conceito de impacto ambiental. A resposta do estudante 1 expressa esta compreensão:

Tudo que de alguma maneira gera impacto para o meio ambiente, e podem ser impactos negativos ou positivos. Desde o lixo, que você não joga no lugar correto até a separação dos orgânicos e recicláveis.” (Estudante 1)

Tal opinião referente à separação do lixo está centrada em campanhas sociais de redução, reutilização e reciclagem, e que uma ideia de impacto positivo ou negativo não expressa outras compreensões de nos relacionarmos com a natureza, além do atual que está inserido no modo de produção capitalista, almeja apenas mudanças culturais e comportamentais. Possui um enfoque limitadamente naturalista, não contemplando preocupações sociais e econômicas, como a corrente sustentável apresentada por Sauvé (2005). Esta visão segue também as ideias propostas por Guimarães (2013, 2004), ou seja, uma visão conservacionista tem como essência levar o indivíduo ao uso racional dos recursos naturais e ao controle e manutenção em um nível adequado de produtividade de ecossistemas gerenciados pelo homem, diferentemente de uma educação para o meio ambiente, através de uma visão crítica, que aborda uma mudança de valores relacionados à natureza e a sociedade, uma nova compreensão que ultrapassa a perspectiva meramente conservacionista. O relato do estudante 10 se assemelha ao caso, trazendo também esta visão:

Acho que trabalhar deve se associar sempre com o meio ambiente visando se preocupar com a sua preservação.” (Estudante 10)

De acordo com Loureiro (2004), este é um exemplo também de que o sujeito obteve uma educação que não trouxe sensibilização ao indivíduo, nem uma compreensão mais profunda. Apenas reproduz um viés conservador de educação e sociedade, havendo apenas aconselhamentos para a preservação da natureza, mesmo considerando a relação do trabalho humano-natureza. Também é uma visão que está de acordo a corrente Conservacionista/Recursista descrita por Sauvé (2005), já que possui proposições focadas na “conservação” dos recursos.

2 – Unidade de Análise “Visão integrada entre sociedade e natureza

Esta unidade de análise que também se destacou. Conforme o estudante 8:

Entendo que a sociedade não interage como devia, é sabido que a sociedade faz parte” (Estudante 8)

Embora esse estudante compreenda que haja uma visão integrada entre a sociedade e a natureza, não expressa uma visão crítica mais aprofundada. De acordo com Boff (2017), essa visão seria um início para o desenvolvimento de novas práticas, tendo potencial para assumir novos hábitos e de projetar um desenvolvimento que seja capaz de cultivar o cuidado com os equilíbrios ecológicos, funcionando dentro dos limites da natureza. Seria uma visão que está de acordo com a corrente Resolutiva de Educação Ambiental apresentada por Sauvé (2005), pois consideram componentes sociais e biofísicos e suas controvérsias inerentes. O estudante 3 possui a compreensão de que:

Eu entendi que juntos podemos fazer a diferença em nosso ambiente”. (Estudante 3)

Ao expressar que “juntos podemos fazer a diferença em nosso ambiente”, se relaciona com uma perspectiva de integração e o estudante possui a concepção relacionada à corrente sustentável com foco naturalista, não contemplando preocupações socioeconômicas quando se trata das problemáticas ambientais, ou seja, conforme Sauvé (2005) uma educação para o desenvolvimento sustentável em que juntos fazemos a diferença. É uma concepção que não apresenta uma conexão entre a sociedade e as ciências naturais o que traz dificuldades para o tratamento da questão ambiental (GONÇALVES, 2004).

3 – Unidade de Análise “Educação Ambiental”

Esta foi a terceira unidade de análise que se destacou. Para a maioria dos estudantes, as concepções de educação estão fortemente ligadas às ideias de conservação da natureza, que se relaciona com a primeira unidade de análise, não considerando as questões sociais, econômicas, históricas e culturais no contexto. Conforme expressa o estudante 6:

É a forma encontrada pela sociedade para sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de conviver em harmonia com o meio ambiente.” (Estudante 6)

Embora o estudante não deixe claro o entendimento sobre a harmonia com o meio ambiente, podemos associar uma possível mudança de postura nas relações entre a sociedade e a natureza, como a proposta ecopedagógica, ou seja, como uma mudança de mentalidade em relação à qualidade de vida, associada à busca do estabelecimento de uma relação saudável e equilibrada com o contexto, com o outro e com o ambiente (AVANZI, 2004). Verificamos também que esta se relaciona também com a unidade de análise que considera a “visão integrada entre sociedade e natureza”, pois, trata de concepções, como a necessidade de a sociedade conviver em harmonia com o meio ambiente. Assim, está de acordo com a corrente resolutiva de educação ambiental, já que ele considera as problemáticas ambientais, seus componentes sociais e biofísicos com suas controvérsias inerentes (SAUVÉ, 2005). Estas compreensões são também observadas na resposta do estudante 4 a respeito da educação ambiental, que também se relaciona com a essa visão integrada:

Seria o entendimento sobre as medidas básicas para conviver em paz com o meio ambiente.” (Estudante 4)

Esta visão sugere uma proposta que, mesmo percebendo uma visão integrada, sugere que tais medidas básicas propostas não estão de acordo como uma perspectiva crítica à educação ambiental. Para Loureiro (2004), seria necessário o exercício da participação social e o exercício pleno da cidadania como práticas indispensáveis à democracia e à emancipação socioambiental. Para este estudante, a educação ambiental poderia ser tratada como conservadora, na perspectiva de Guimarães (2013), pois se alicerça numa visão de mundo que fragmenta a realidade, perdendo a riqueza e a diversidade da relação entre a sociedade e a natureza.

Considerações Finais

As compreensões sobre as relações sociedade e natureza e educação ambiental emergentes neste estudo mostram que o curso de Tecnologia em Gestão Imobiliária possui uma visão conservacionista da natureza. Também possui um enfoque naturalista sobre as temáticas ambientais. As preocupações socioeconômicas são limitadas com uma abordagem que envolve certa racionalidade em um contexto de adequação da produtividade em uma sociedade de consumo. Não contempla um entendimento mais aprofundado das forças produtivas e relações de produção como estão fundamentadas as relações entre a sociedade e a natureza apresentadas por Gonçalves (2006), apontando para uma reprodução de um direcionamento conservador, mesmo considerando relação entre o trabalho humano e a natureza.

Outro destaque em relação às compreensões foi de uma visão integrada entre sociedade e natureza com abordagens voltadas à resolução de problemas ambientais com processos educacionais próximos do que se propões a educação para o desenvolvimento sustentável. Não se trata de uma visão integrada no sentido sistêmico que envolve um processo das relações socioambientais em um contexto das atuais relações de produção.

A educação ambiental também se destacou no processo de análise da compreensão dos estudantes, pois se verificou uma proximidade desta unidade de análise com as outras duas que também se destacaram. Concepções de educação ambiental com um direcionamento conservador, ou seja, a educação ambiental aponta para concepções fortemente relacionadas às ideias de preservação e conservação da natureza, não considerando as questões sociais, econômicas, históricas e culturais da sociedade contemporânea com suas contradições como apresentada pela educação ambiental crítica.

O conhecimento obtido nesta pesquisa sobre as compreensões dos estudantes e suas relações entre sociedade, natureza e educação ambiental possibilitarão futuramente uma compreensão mais aprofundada de como estes aspectos se constroem na medida em que forem realizadas novas pesquisas com este mesmo grupo ao longo dos dois próximos anos.

Bibliografia

AVANZI, M. R. Ecopedagogia. In: LAYRARGUES, P. P.(coord.) Identidades da Educação Ambiental Brasileira. Brasília, Ministério do Meio Ambiente, 2004.

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

BOFF, L. Ecologia, mundialização e espiritualização. São Paulo: Editora Record, 2008.

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FRANCO, M. L. P. B. Análise de Conteúdo. 2ª ed. Brasília: Líber Livro Editora, 2005.

GONÇALVES, C. W. P. Os (des) caminhos do meio ambiente. Editora contexto, 2016.

GUIMARÃES, M. Por uma Educação Ambiental Crítica. Revista Margens Interdisciplinar. Belém, n. 9, vol. 7, 2013.

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LOUREIRO, C. F. B. Sustentabilidade e educação: um olhar da ecologia política. São Paulo: Cortez, 2012.

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SAUVÉ, L. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, M., CARVALHO, I. C. M. (orgs.) Educação Ambiental: pesquisas e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ/SETOR LITORAL. Projeto Pedagógico do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Imobiliária. Matinhos, 2015.






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